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domingo, 30 de março de 2025

.: Nei Lopes no curso gratuito e on-line "Literatura e Tradições Afro-brasileiras"


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com.

No mais recente curso gratuito da plataforma Sesc Digital, o renomado escritor e sambista Nei Lopes explora a afro-brasilidade por meio da palavra e da música. "Literatura e Tradições Afro-brasileiras" oferece uma introdução aos fundamentos da literatura e da música popular de matriz africana e afro-brasileira, utilizando como fio condutor a trajetória e a obra desse ilustre artista.

Ao longo de 15 aulas, o autor percorre diversos estilos literários, trazendo como base suas vivências e referências extraídas dos 40 livros que publicou ao longo de oito décadas. Em cada aula, ele aborda um gênero diferente, compartilhando suas influências, detalhando seu processo criativo e narrando histórias sobre a concepção de suas obras. Além disso, há a leitura de trechos selecionados, interpretados pela cantora Fabiana Cozza, revelando as múltiplas facetas dessa vasta produção, que ocupa um lugar de prestígio na literatura brasileira. Você pode se inscrever para o curso neste link.


Sobre Nei Lopes
Graduado em Direito e Ciências Sociais pela UFRJ, Nei Lopes deixou o campo jurídico para se dedicar à música, à literatura e à pesquisa sobre as línguas e culturas africanas. Com mais de 350 canções gravadas por grandes artistas da música brasileira, ele transita entre diversos gêneros, como samba, maracatu, jongo e choro. Também é coautor do "Dicionário da História Social do Samba", escrito em parceria com Luiz Antonio Simas, e vencedor do Prêmio Jabuti de 2016 na categoria Teoria/Crítica Literária, Dicionários e Gramáticas.  Compre os livros de Nei Lopes neste link.



Por trás das câmeras
Pode até parecer simples, mas são muitas as pessoas e equipes envolvidas numa produção como essa. Quer saber como o curso foi feito? Assista aos bastidores das gravações no YouTube.


Leia também:
.: #NaQuarentenaEu: Nei Lopes escreve o sexto romance e caminha em casa

.: "A Travessia da Terra Vermelha": Odete Roitman está de volta - e tinha lado bom


Com a nova versão da icônica vilã, público relembra a atriz Beatriz Segall que marcou gerações e seu legado que vai muito além da teledramaturgia. Na imagem, a atriz Beatriz Segall ao lado do autor Lucius de Mello. Foto: Luly Zonta


A icônica vilã Odete Roitman, imortalizada por Beatriz Segall em 1988, volta a ser assunto em todo o país com a nova versão da personagem que estreia na televisão nesta segunda-feira, dia 31 de março. Mas, ao mesmo tempo, em que o público se prepara para conhecer a nova interpretação da megera mais famosa da dramaturgia nacional, o legado de Segall volta a ser celebrado, relembrando não apenas sua marcante atuação na teledramaturgia, mas também seu engajamento social.

A eterna Odete Roitman nunca deixou de ser referência. Mesmo após mais de três décadas da novela "Vale Tudo", a personagem continua no imaginário popular. No entanto, o que poucos sabem é que Beatriz Segall carregou sua vilã por onde passou, mas fez questão de mostrar ao público que era muito mais do que a milionária cruel da ficção. Em 2017, já com quase 91 anos, em uma de suas últimas aparições, a atriz participou da leitura dramática do livro "A Travessia da Terra Vermelha", publicado pela Companhia Editora Nacional e assinado pelo jornalista e escritor Lucius de Mello, sobre os refugiados judeus que escaparam do nazismo e vieram ao Brasil.

"O nazismo foi uma coisa tão extraordinariamente trágica, que você não pode deixar de se manifestar sempre que surge uma oportunidade. Porque você tem que lembrar para as pessoas que é a História que faz o tempo, agora", declarou Beatriz Segall na época, demonstrando seu comprometimento com causas humanitárias. A leitura aconteceu na Livraria Cultura, em São Paulo, e foi um dos últimos trabalhos da atriz antes de seu falecimento, em 2018.

Para Lucius de Mello, que teve a chance de trabalhar ao lado de Segall nesse projeto, a experiência foi marcante. "Beatriz Segall foi tocada por essa história que ela ainda não conhecia. Nossos encontros eram repletos de curiosidade e emoção. Ela se interessava pelos detalhes, pela vida dura que os refugiados judeus enfrentaram, e queria saber mais sobre esse trem brasileiro que salvou tantas vidas", relembra o autor.

O documentário gerado a partir dessa leitura segue disponível na internet e continua emocionando quem tem acesso a ele. Com depoimentos de descendentes de refugiados e cenas que resgatam momentos históricos, o material reafirma o impacto que Beatriz Segall teve, tanto na arte quanto na luta por justiça e memória histórica. "Ela conseguiu estilhaçar a imagem fria e perversa da vilã que a acompanhou por tantos anos", destaca Lucius.

Agora, com a nova versão de Odete Roitman prestes a conquistar uma nova geração de telespectadores, o nome de Beatriz Segall volta ao centro das conversas. Mais do que um ícone da teledramaturgia, ela foi uma mulher que soube usar sua voz para causas maiores. Enquanto os fãs aguardam para conhecer a nova vilã, uma coisa é certa: a original sempre terá um lugar especial na história da TV brasileira e no coração do público.


Sobre o livro
Durante o Terceiro Reich, um plano engenhoso garante a famílias judaicas passagem para o sertão do Paraná, numa elaborada fuga da perseguição antissemita do governo alemão. A chance de um recomeço trouxe a adaptação a uma rotina de trabalho árduo e simplicidade no interior do Brasil, onde tiveram que aprender o idioma e superar as limitações da vida rural. Isolados, passaram a obter notícias do resto do mundo por meio de cartas escassas e de um único rádio, utilizado para acompanhar o andamento da guerra. "A Travessia da Terra Vermelha" reconta a saga destes refugiados, apresentando em detalhes os acontecimentos dos arredores da cidade de Rolândia antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo da narrativa, o leitor se emocionará com os perigos passados pelos imigrantes ao conviver com nazistas e com a pressão das limitações criadas pelo governo brasileiro a imigrantes de países do Eixo após sua entrada no conflito. Mais ainda: saberá dos anseios, sonhos e desejos secretos destes homens e mulheres que viveram toda uma vida no exílio. Compre o livro "A Travessia da Terra Vermelha" neste link.


Sobre o autor
Lucius de Mello é Mestre em Letras pelo programa de estudos judaicos e árabes da Universidade de São Paulo, Lucius de Mello é pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) e do Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo (ARQSHOAH), ambos da USP. Jornalista de formação, acumulou experiência como repórter, editor e roteirista de TV por mais de duas décadas, com passagens pela Rede Globo, SBT, Fundação Roberto Marinho e Record. Lucius foi vencedor do Prêmio OCESP de jornalismo em 2005, finalista do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, em 1997 e 1998 e segundo lugar no Prêmio Jabuti, em 2003, na categoria melhor reportagem-biografia com o livro "Eny e o Grande Bordel Brasileiro". Também é autor de "Um Violino para os Gatos", "Mestiços da Casa Velha", "Crônicas do Grande Bordel" e do ensaio "'Dois Irmãos' e Seus Precursores: o Mito e a Bíblia na obra de Milton Hatoum". Garanta o seu exemplar de "A Travessia da Terra Vermelha" neste link.

Beatriz Segall e o livro "A Travessia da Terra Vermelha"


sábado, 29 de março de 2025

.: Um resumo detalhado de "Memórias de Martha", livro cobrado pela Fuvest


Publicado em 1899, o romance memorialista "Memórias de Martha" foi escrito por Júlia Lopes de Almeida. Narrada em primeira pessoa, a obra acompanha a trajetória de Martha, desde a infância difícil até a vida adulta. Trata-se de uma autobiografia ficcional que reflete a condição da mulher no fim do século XIX, destacando temas como desigualdade social, educação e emancipação feminina.

Martha começa a narrativa relembrando a infância pobre no Rio de Janeiro. Após a morte do pai da personagem, a mãe dela, viúva, enfrenta dificuldades financeiras e precisa trabalhar para sustentar a filha. Sem alternativas, elas se mudam para um cortiço, um espaço coletivo onde vivem pessoas de diversas origens e condições. O ambiente é insalubre e repleto de desafios, expondo Martha às dificuldades da vida desde cedo.

No cortiço, Martha observa e aprende sobre as dinâmicas sociais da época. A mãe dela se esforça para garantir um futuro melhor para a filha, acreditando que a educação é a única saída para mudar de vida. Essa visão influencia Martha profundamente, tornando-se um dos principais ideais da personagem ao longo da narrativa.

Com o passar dos anos, Martha cresce cercada por dificuldades, mas também por oportunidades de aprendizado. Ela se destaca pela inteligência e desejo de ascensão social, algo raro para as mulheres do período. A jornada da personagem é marcada por encontros com figuras que influenciam o que pensa sobre o mundo, tanto positiva quanto negativamente. A obra ressalta os preconceitos enfrentados por mulheres que buscam independência, especialmente aquelas de origem humilde. Martha luta contra as convenções da sociedade, que esperam que ela siga um caminho tradicional - casar e depender financeiramente de um marido.

Ao longo da narrativa, a educação surge como um elemento transformador. Martha percebe que somente através do conhecimento poderá conquistar um futuro melhor. Ela se esforça para aprender e, eventualmente, consegue oportunidades que lhe permitem sair da condição em que nasceu. A autora, Júlia Lopes de Almeida, utiliza a história de Martha para criticar a falta de acesso das mulheres à educação e as dificuldades impostas pelo machismo da época. O romance também apresenta reflexões sobre o papel feminino na sociedade, destacando como o estudo pode ser uma ferramenta de empoderamento. Compre o livro "Memórias de Martha" neste link.


Romântica e abolicionista
Júlia Valentim da Silveira Lopes de Almeida 
foi uma escritora, cronista, teatróloga e abolicionista brasileira, considerada uma das autoras mais importantes da literatura nacional. O trabalho dela abrangeu diversos gêneros, incluindo romances, crônicas, literatura infantil, peças teatrais e artigos jornalísticos. Além disso, foi uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras (ABL), embora tenha sido impedida de se tornar uma de suas primeiras membros devido ao veto à participação feminina.

Nascida no Rio de Janeiro em 24 de setembro de 1862, Júlia era filha do médico Valentim José da Silveira Lopes, que mais tarde recebeu o título de Visconde de São Valentim, e de Adelina Pereira Lopes, ambos portugueses emigrados para o Brasil. Durante a infância, mudou-se para Campinas, São Paulo, onde começou sua trajetória literária. Em 1881, publicou seus primeiros textos na Gazeta de Campinas, desafiando as normas sociais que restringiam a atuação feminina na literatura.

Durante uma entrevista concedida a João do Rio entre 1904 e 1905, revelou que, no início de sua carreira, escrevia versos às escondidas, já que a escrita era vista como uma atividade inadequada para mulheres. Em 1884, começou a colaborar com o jornal carioca O País, onde atuou por mais de três décadas. Em 1886, mudou-se para Lisboa e publicou, em parceria com sua irmã Adelina Lopes Vieira, seu primeiro livro infantil, "Contos Infantis" (1887). No ano seguinte, casou-se com o poeta português Filinto de Almeida, diretor da revista "A Semana Ilustrada". Retornando ao Brasil em 1888, lançou seu primeiro romance, "Memórias de Martha", publicado em folhetins no jornal "O País".

Júlia Lopes de Almeida escreveu para diversos periódicos, incluindo a revista "Brasil-Portugal" e "A Mensageira", uma publicação voltada para mulheres e dirigida por Presciliana Duarte de Almeida entre 1897 e 1900. Seus textos frequentemente abordavam temas sociais, como a abolição da escravatura, a República e os direitos civis.

Pioneira da literatura infantil no Brasil, seu primeiro livro, "Contos Infantis" (1886), reuniu 33 textos em verso e 27 em prosa destinados às crianças, escrito em parceria com sua irmã, Adelina Lopes Vieira. Em 1887, em Portugal, publicou "Traços e Iluminuras", outro livro de contos. Também se destacou como dramaturga, tendo publicado dois volumes de peças teatrais e deixado cerca de dez textos inéditos. 

A coletânea de contos "Ânsia Eterna" (1903) foi influenciada por Guy de Maupassant e é considerada sua obra-prima pela crítica literária Lúcia Miguel-Pereira. Além disso, uma de suas crônicas inspirou Artur Azevedo na criação da peça O Dote. Em 1919, Júlia Lopes de Almeida tornou-se presidente honorária da Legião da Mulher Brasileira, uma sociedade dedicada à promoção dos direitos femininos. Sua influência na literatura e no jornalismo foi reconhecida pela criação do Grêmio Júlia Lopes, uma instituição feminina fundada em 1916, em Cuiabá, que promoveu a literatura através da revista "A Violeta". O periódico contou com sua colaboração e foi dirigido por intelectuais como Maria Dimpina Lobo Duarte, Bernardina Rich e Maria de Arruda Müller.

Participou ativamente das discussões que levaram à fundação da Academia Brasileira de Letras. Seu nome estava na lista inicial dos 40 imortais da instituição, elaborada por Lúcio de Mendonça. No entanto, foi excluída da primeira formação da ABL devido à decisão de restringir a Academia aos homens. Seu marido, Filinto de Almeida, ocupou uma das cadeiras, sendo ironicamente chamado de “acadêmico consorte”. A inclusão feminina na ABL só ocorreu em 1977, com a eleição de Rachel de Queiroz.

Júlia Lopes de Almeida faleceu em 30 de maio de 1934, no Rio de Janeiro, devido a complicações renais e linfáticas causadas pela febre amarela. Foi sepultada no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju. Seu último romance, "Pássaro Tonto", foi publicado postumamente no mesmo ano. Em colaboração com o marido, escreveu o último romance em folhetins para o Jornal do Commercio, "A Casa Verde" (1932). O legado da escritora permanece vivo, especialmente pelo papel pioneiro na literatura e na luta pela inclusão das mulheres na vida intelectual brasileira. Garanta o seu exemplar de "Memórias de Martha" neste link.

Fuvest 2026

"Opúsculo Humanitário" (1853) - Nísia Floresta Brasileira Augusta

"Nebulosas" (1872) - Narcisa Amália

"Memórias de Martha" (1899) – Júlia Lopes de Almeida

"Caminho de Pedras" (1937) – Rachel de Queiroz

"O Cristo Cigano" (1961) – Sophia de Mello Breyner Andresen

"As Meninas" (1973) – Lygia Fagundes Telles

"Balada de Amor ao Vento" (1990) – Paulina Chiziane

"Canção para Ninar Menino Grande" (2018) – Conceição Evaristo

"A Visão das Plantas" (2019) – Djaimilia Pereira de Almeida

sábado, 22 de março de 2025

.: Companhia das Letras publicará livro de Gisèle Pelicot em janeiro de 2026

Em 2024, Gisèle Pelicot inspirou e comoveu milhões de pessoas com sua coragem e dignidade ao escolher renunciar ao direito de anonimato durante o processo que envolvia seu marido e cinquenta homens acusados ​​de crimes sexuais contra ela. Seu apelo para que a vergonha mudasse de lado e recaísse sobre os agressores, e não sobre as vítimas, teve ampla repercussão e a transformou em ícone global.

Agora, Pelicot narra a própria história em uma autobiografia que oferecerá consolo e esperança e contribuirá para o mudar o debate público sobre vergonha. O livro será publicado no Brasil em 27 de janeiro de 2026 pela Companhia das Letras, em lançamento simultâneo em mais de vinte idiomas.

“Sou imensamente grata pelo apoio extraordinário que recebi desde o início do julgamento. Agora quero contar minha história com minhas próprias palavras. Por meio deste livro, espero compartilhar uma mensagem de força e coragem a todas as pessoas que são submetidas às mais penosas provações. Que elas nunca sintam vergonha. E, com o tempo, que aprendam a aproveitar a vida novamente e encontrem paz”, disse Pelicot.

Ofuscando líderes mundiais, Pelicot foi eleita a pessoa mais notável de 2024 em uma pesquisa de opinião na França, além de homenageada pela revista Time. No Dia Internacional da Mulher, o The Independent a considerou a mulher mais influente de 2025.

sábado, 1 de março de 2025

.: BibliON promove oficina de escrita "Meu 1° Livro" com Alexandre Aliatti


A BibliON (Biblioteca Digital Gratuita de São Paulo), equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo e gerida pela SP Leituras, realiza entre os dias 10 e 26 de março, a oficina "Meu Primeiro Livro", com a proposta de incentivar escritores a darem os primeiros passos na construção de seus romances, contos e novelas. Com apoio teórico e prático, a oficina visa proporcionar uma experiência rica para quem deseja superar as dificuldades e angústias que surgem ao escrever o primeiro livro.

Ministrada pelo premiado escritor Alexandre Alliatti, a oficina acontecerá às segundas e quartas-feiras, das 15h00 às 17h00, no formato de encontros interativos on-line. Durante as aulas, os participantes terão a oportunidade de compartilhar e debater trechos de suas produções ficcionais, além de receberem textos de referência para análise e discussão sobre o processo criativo.

A oficina tem como objetivo ajudar autores iniciantes a desenvolverem uma narrativa coesa e envolvente, com atenção ao ritmo, à linguagem e ao cuidado com a temática e a construção dos personagens. Também serão abordados os desafios comuns ao escrever o primeiro livro, como a coerência narrativa, o olhar crítico sobre a escrita e as possibilidades de publicação no mercado editorial brasileiro.


Objetivos da oficina

  • Incentivar autores iniciantes a superar desafios comuns da escrita de livros de prosa;
  • Ler, analisar e debater trechos produzidos pelos participantes;
  • Apresentar grandes visões sobre escrita criativa, com base em referências literárias;
  • Orientar sobre os caminhos possíveis para a publicação de obras no Brasil.

Sobre o Ministrante
Alexandre Alliatti é escritor e jornalista, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2023, na categoria Melhor Romance de Estreia, com o livro "Tinta Branca". Também foi finalista do Prêmio Jabuti, como autor estreante. Seu conto Gamarra foi premiado com o Prêmio Paulo Leminski em 2018. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e pós-graduado no curso de Formação de Escritores do Instituto Vera Cruz, Alliatti tem mais de 15 anos de experiência no jornalismo, com passagens pela TV Globo. Compre o livro "Tinta Branca", de Alexandre Alliatti, neste link.

Serviço
Oficina on-line "Meu Primeiro Livro"

Ministrante: Alexandre Alliatti
Datas e horário: Segundas e quartas-feiras, de 10 a 26 de março, das 15h00 às 17h00
Público-alvo: pessoas interessadas em escrever seu primeiro livro de prosa
Inscrições: https://cadastro.siseb.org.br/biblion/inscrito/novo

sábado, 22 de fevereiro de 2025

.: Túmulo de Mário de Andrade pode ser visitado nos 80 anos da morte dele


Foto do jazigo de Mário de Andrade no Cemitério da Consolação. Foto: divulgação

Na próxima terça-feira, dia 25 de fevereiro, será lembrado o 80º aniversário de falecimento do escritor Mário de Andrade. O jazigo deke está localizado no Cemitério da Consolação e pode ser visitado. O modernista foi um dos principais nomes do modernismo brasileiro. Escritor, poeta e crítico literário, marcou a história da cultura nacional com obras inovadoras e sua atuação na Semana de Arte Moderna de 1922. O túmulo de Mário de Andrade pode ser visitado gratuitamente. A Consolare, concessionária que administra o local, organiza visitas mediadas que proporcionam uma imersão na história e na arte tumular do cemitério.

Francivaldo Gomes, conhecido como Popó e mediador das visitas semanais, explica: "Mário de Andrade não foi apenas um escritor, mas um guardião da cultura brasileira. Caminhar pelo cemitério da Consolação e saber que aqui a sua história é preservada, é muito importante para a história do Brasil", explica. As visitas guiadas acontecem todas as segundas-feiras, às 14h00, com mediação de Popó, que há mais de 20 anos conduz esse passeio pelo cemitério. Os ingressos são gratuitos e podem ser retirados na plataforma Sympla. O passeio noturno ocorre uma sexta-feira por mês, incluindo uma parada no túmulo de Mário de Andrade. A visita é conduzida por Thiago de Souza, do projeto "O Que Te Assombra?", e pela historiadora Viviane Comunale. As inscrições são gratuitas e divulgadas no perfil oficial do projeto no Instagram.


Mário de Andrade: eterno
Formado pelo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, Mário de Andrade iniciou a carreira como pianista e professor. Seu primeiro livro de poemas, chamado “Há Uma Gota de Sangue em Cada Poema”, publicado em 1917, ainda seguia a estética parnasiana. No mesmo período, aproximou-se de artistas como Oswald de Andrade e Anita Malfatti, tornando-se um dos articuladores do modernismo no Brasil.

Em 1922, lançou “Pauliceia Desvairada”, obra que rompeu com padrões literários da época e consolidou sua influência. Mais tarde, em 1926, publicou “Macunaíma”, considerado um marco da literatura nacional por sua linguagem inovadora e representação da diversidade cultural brasileira. Além da escrita, Mário teve papel essencial na criação do Departamento de Cultura de São Paulo, desenvolvendo projetos pioneiros de preservação da memória e do folclore nacional.

A antiga residência, a Casa Mário de Andrade, localizada na Barra Funda, é hoje um espaço cultural dedicado à preservação de sua obra. O local abriga documentos, manuscritos e objetos pessoais do modernista, além de exposições e atividades sobre literatura e cultura brasileira. Para a historiadora Viviane Comunale, manter viva a memória do escritor é essencial para a compreensão da identidade cultural do país. "Mário não foi apenas um escritor, mas um pensador que revolucionou a forma como vemos e valorizamos nossa cultura popular", destaca.

Mário de Andrade faleceu em 25 de fevereiro de 1945, aos 51 anos, vítima de um infarto. Seu sepultamento foi realizado no Cemitério da Consolação. Além do modernista, o local abriga os túmulos de seus colegas, Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade.


Visitação mediada
Para quem deseja conhecer mais sobre este e outros túmulos históricos, o Cemitério da Consolação oferece visitas mediadas. O Cemitério da Consolação fica na Rua da Consolação, 1660 - Consolação, em São Paulo.

Foto: Reprodução Mario de Andrade

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

.: Literatura: do zero ao best-seller, a jornada literária de Davi Santiago aos 15


Davi Santiago de Souza
, conhecido também como Sr. Davi, vem construindo uma trajetória literária que desafia as convenções do mercado editorial. Aos 15 anos, ele já conta com quatro livros publicados, todos voltados ao desenvolvimento pessoal e à autoajuda, e tem se destacado por transformar experiências cotidianas em lições que inspiram seus leitores.

Desde o início, Davi demonstrou uma sensibilidade única para captar os desafios e as aspirações dos jovens. Seu primeiro livro, "Sucesso Inevitável", não apenas chamou a atenção por sua linguagem acessível, mas também por abordar temas universais como a superação de obstáculos e a importância de acreditar no próprio potencial. Essa obra, que surgiu do zero, rapidamente se espalhou entre estudantes e profissionais que buscavam um guia prático para o crescimento pessoal.

A jornada literária de Davi se fortaleceu com a publicação de outros títulos, como "Eloquência Profissional", "O Bem na Vida da Vida" e "Minha Amiga Pink". Cada livro reflete uma etapa de sua evolução pessoal e profissional, abordando desde a importância da comunicação assertiva até a necessidade de cultivar relações positivas e autênticas. O jovem autor utiliza uma narrativa que mescla reflexões profundas com uma linguagem contemporânea, conseguindo dialogar tanto com adolescentes quanto com adultos.

Além de sua produção literária, Davi Santiago amplia seu impacto por meio de palestras e mentorias, onde compartilha os aprendizados que adquiriu ao longo de sua jornada. Essa atuação multidisciplinar reforça a ideia de que a literatura é uma ferramenta poderosa para transformar vidas, estimulando o autoconhecimento e o desenvolvimento de habilidades essenciais para o sucesso pessoal e profissional.

Do zero ao best-seller, a história de Davi Santiago é um exemplo inspirador de como a determinação, a criatividade e a paixão pela escrita podem abrir caminhos e superar barreiras. Sua obra já é referência para muitos jovens e profissionais, demonstrando que a idade não define o potencial de um autor, mas sim a força de sua visão e o compromisso com a transformação.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

.: Romance "Véspera", de Carla Madeira, está prestes a se tornar seriado


A série é uma adaptação da obra best-seller de Carla Madeira e tem Gabriel Leone, Camila Márdila e Bruna Marquezine como protagonistas. Foto: Fabio Braga / Pivô Audiovisual


O elenco da nova produção nacional Max Original, "Véspera", reuniu-se para a primeira leitura do roteiro da série, baseada no romance de Carla Madeira. Além do elenco já anunciado, Gabriel Leone (Caim e Abel), Bruna Marquezine (Veneza) e Camila Márdila (Vedina), estiveram presentes Yara de Novaes (Custódia), Lianna Matheus (Diana), Juan Queiroz (Paulo Parede) e Rodrigo Bolzan (professor Bruno). A leitura foi acompanhada pelas diretoras Joana Jabace e Thalita Rubio e as preparadoras de elenco Ana Kutner, Georgette Fadel e Sara Antunes. 

A série de oito episódios, que ainda não tem data de estreia prevista na plataforma de streaming, é uma adaptação do romance homônimo da autora best-seller Carla Madeira, uma trama marcada por relações familiares complexas, dilemas morais e crenças profundas. "Véspera" é uma série Max Original produzida pela Boutique Filmes. É escrita por Ângela Chaves e Mariana Torres com direção geral de Joana Jabace, produção de Gustavo Mello e direção de Thalita Rubio. Por parte da Warner Bros. Discovery, o projeto conta com produção de Mariano Cesar, Vanessa Miranda e Anouk Aaron. Compre o livro "Véspera", de Carla Madeira, neste link.

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

.: Orlany Filho, autor de "Bianca Amorim", fala sobre desafiar normas para realizar


Escritor, gestor e pós-graduado em Psicopedagogia, Orlany Filho reflete sobre a importância de quebrar paradigmas para viver com entusiasmo e deixar de lado as frustrações. Foto: divulgação


O início do ano costuma ser um período de renovações, quando as pessoas definem metas para os meses que estão por vir e buscam a coragem para tirar muitos sonhos do papel. Essa chance de recomeçar e de lutar por uma vida plena, seja no meio profissional ou no pessoal, é o que a protagonista do livro "Bianca Amorim - Ressuscitada das Tintas", de Orlany Filho, publicado pela editora Viseu, procura durante toda a narrativa.

Escritor e gestor com décadas de experiência no mundo corporativo, ele conta a história de uma mulher frustrada devido às experiências no mercado de trabalho e a violências no relacionamento amoroso. Imersa nessa realidade, a personagem começa a tomar atitudes que a levam para mais perto de sua essência.

“Do meu ponto de vista, desafiar normas e convenções é naturalmente um atributo da realização dos sonhos. Ou nos encorajamos a realizar nossos sonhos quebrando paradigmas e ultrapassando nossas fronteiras, ou ficamos estagnados onde estamos com o ofício débil de apenas sonhar, transformando nossa existência num celeiro de frustrações acatadas”, afirma o autor. Compre o livro "Bianca Amorim - Ressuscitada das Tintas", de Orlany Filho, neste link.


O livro é protagonizado por uma mulher e trata de dilemas e desafios muito específicos do universo feminino. Como foi o processo de criação da personagem, e que pessoas ou situações serviram de referência?
Orlany Filho - Eu observei que as mulheres acumulavam uma carga desproporcional, tendo que cuidar da casa, do orçamento, do marido, dos filhos, dos pais, de si mesma, além de serem pressionadas pelo avanço da carreira profissional, desencadeando nelas importantes sequelas patológicas. Acolhi profissionais chorando pelos corredores, assoladas pelos seus desafios e seus conflitos, demostrando suas fraquezas num momento de dor emocional, mas que posteriormente demostraram força na conquista da ascensão profissional superando as mais adversas situações possíveis. Daí surgiu a inspiração para a criação da personagem Bianca Amorim.

Ao longo do livro, a protagonista passa por uma transformação onde muitas de suas certezas são abaladas. Na sua opinião, qual a importância de desafiar normas e convenções para seguir sonhos?
Orlany Filho - Do meu ponto de vista, desafiar normas e convenções é naturalmente um atributo da realização dos sonhos, e isso é absolutamente de suma importância. Ou nos encorajamos a realizar nossos sonhos quebrando paradigmas e ultrapassando nossas fronteiras, ou ficamos estagnados onde estamos com o ofício débil de apenas sonhar, transformando nossa existência num celeiro de frustrações acatadas.


Você tem muitos anos de experiência no mercado de trabalho como gestor. De que forma essa vivência influenciou na escrita de Bianca Amorim?
Orlany Filho - O ambiente dentro das organizações ainda era hostil à ascendência profissional das mulheres. O preconceito, a discriminação e os assédios fundamentados numa cultura machista somados à falta de valorização adequada e da isonomia salarial impactavam demais as saúdes mental, física e emocional delas. Como gestor, isso sinceramente me incomodava demais. Eu precisava falar sobre isso. Escolhi a escrita como forma de dar voz ao universo feminino. E que essa voz chegasse eloquentemente ao universo masculino.


Em Bianca Amorim, a protagonista se vê sobrecarregada com os desafios da vida profissional e questões familiares, além de sofrer com um relacionamento abusivo.  A partir da sua perspectiva no mundo corporativo e na literatura, como é possível alcançar um equilíbrio entre a vida pessoal e a profissional?
Orlany Filho - Com políticas intensificadas e massivas de conscientização para desconstrução do machismo hegemônico, inclusive desde o ensino fundamental, para que os homens respeitem as mulheres e dividam as tarefas domésticas com elas de forma sistemática e não esporádica.  Isso já ajudaria a aliviar as pressões domésticas. E que essa política fosse refletida no universo corporativo e fizesse parte da Cultura Organizacional das empresas de forma absolutamente aplicável. Denunciar as práticas abusivas, tanto na vida pessoal quanto na profissional das mulheres, através da literatura e das artes, em geral, é um instrumento de transformação social, que pode contribuir para a mudança desse cenário.


Bianca encontra nas artes uma forma de enfrentar seus traumas e recomeçar. Para você, de que forma elas auxiliam a lidar com questões psicológicas?
Orlany Filho - Já se sabe da importância da arte no processo terapêutico e seus resultados. Ela é capaz de auxiliar o indivíduo a processar melhor suas emoções e manejar mais facilmente emoções de impactos negativos. Através da produção artística, o indivíduo tem a possibilidade de canalizar sua ansiedade, eventos de medo, estado de tristeza, raiva, etc; e isso indiscutivelmente traz benefícios às saúdes emocional, física, mental e espiritual.Bianca Amorim se reencontra nas suas tintas pinceladas, nos seus quadros divinamente pintados. É um resgate do que ela já havia sido, quando sua autoestima era adequada, quando ela se sentia mais feliz. Foi um reencontro com o que ela havia de melhor naquele momento de aflição, desencanto e dor: era ela mesma refletida em seu quadro, emoldurada e pendurada na sua parede. Ali estava uma porta de saída para encontrar a si num abraço de acolhimento da própria alma de artista. Ali havia um infalível objetivo para viver, realizar sonhos. Encontrar-se num estado de síndrome do pânico é como estar morto com vida. Esse reencontro foi um processo de ressurreição, é voltar a ficar viva em vida. Daí o subtítulo do livro: "Ressuscitada das Cinzas".


quinta-feira, 9 de janeiro de 2025

.: AGU cria Prêmio Eunice Paiva para pessoas que lutaram pela democracia


A Advocacia-Geral da União (AGU) criou o Prêmio Eunice de Paiva de Defesa da Democracia. A iniciativa foi formalmente instituída na última quarta-feira, dia 8 de janeiro, por meio de decreto a ser assinado pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A premiação é uma realização do Observatório da Democracia da AGU. A iniciativa concederá a distinção a pessoas naturais, brasileiras ou estrangeiras, que tenham colaborado de maneira notável para a preservação, restauração ou consolidação da democracia no Brasil, assim como para o avanço dos valores constitucionais do Estado Democrático de Direito. Igualmente, representa uma homenagem à trajetória de luta, resistência política e atuação em defesa dos direitos humanos da advogada.

Em exposição de motivos enviada ao presidente da República, o advogado-geral da União, Jorge Messias, destaca que a implementação do prêmio vai ao encontro de outras iniciativas estatais e não governamentais de manutenção das bases do regime democrático. Ressalta também que ela valoriza e lança luzes sobre “personalidades que, por meio de sua atuação profissional, intelectual ou política, tenham realizado contribuições significativas para a preservação e fortalecimento da democracia brasileira e para a defesa dos direitos fundamentais e das liberdades civis”. No documento, o ministro reforça, ainda, que a defesa da democracia é uma missão coletiva que transcende profissões, sendo fundamental para a resistência contra o autoritarismo e a promoção dos valores democráticos.


A premiação
A premiação será concedida anualmente, agraciando uma personalidade que tenha demonstrado, por meio de sua atuação profissional, intelectual, social ou política, contribuição expressiva para o fortalecimento do regime democrático no Brasil. A cerimônia anual de anúncio da premiação, além de destacar e exaltar as qualidades do agraciado, deverá também evocar a memória da luta de Eunice Paiva em favor da resistência democrática e sua atuação em defesa dos direitos humanos.

A AGU vai editar, ainda no primeiro trimestre de 2024, ato normativo com as informações complementares necessárias à implementação do prêmio. A proposta de criação do prêmio altera o Decreto nº 11.716, de 26 de setembro de 2023, que institui o Observatório da Democracia da AGU.


Leia o filme, assista ao livro
O livro "Ainda Estou Aqui", escrito por Marcelo Rubens Paiva, não só resgata a história pessoal de uma das famílias mais atingidas pelos horrores da ditadura militar no Brasil, mas também oferece uma reflexão poderosa sobre memória, perda e luta pela verdade. Publicado em 2015 e adaptado para o cinema por Walter Salles, que está em cartaz na rede Cineflix Cinemas, o livro narra a busca do autor por entender o que realmente aconteceu com seu pai, Rubens Paiva, que foi preso, torturado e morto durante o regime militar. Mas a história vai além da dor pessoal de Marcelo. 

Ao centrar a figura da mãe, Eunice Paiva, e suas lutas, o autor explora no livro a força e a resiliência de uma mulher que enfrentou desafios inimagináveis, ao mesmo tempo em que revela a complexidade da memória familiar e os ecos de um passado sombrio que ainda reverberam na sociedade brasileira. Agora, com mais de quatro décadas desde a publicação de seu primeiro sucesso, "Feliz Ano Velho", Marcelo Rubens Paiva mais uma vez traz à tona uma narrativa intensa, cheia de emoções e de perguntas não respondidas, mas também de uma força silenciosa que mostra como a dor e o sofrimento podem se transformar em luta e superação. 

Assista na Cineflix
Filmes premiados como "Ainda Estou Aqui" estão em cartaz na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

.: Maurício Rosa explica como utilizou os versos para ressignificar as raízes


Maurício Rosa escreveu "Na Proa do Trovão" porque queria se conectar com a memória do avô materno que nunca teve a oportunidade de conhecer. Foto: Caique Lima

Maurício Rosa escreveu "Na Proa do Trovão" porque queria se conectar com a memória do avô materno que nunca teve a oportunidade de conhecer. Homem preto e pobre, o familiar poderia ter tido sua trajetória invisibilizada devido a violências raciais e preconceitos de classe, mas o neto decidiu utilizar a poesia para preservar a própria ancestralidade – que é também a de muitos brasileiros.

“Toda história é uma grande história e contá-las, sejam elas ilustres ou apagadas, também é um resgate da nossa identidade coletiva”, explica o autor, que conectou a vida do avô com momentos socioculturais importantes do Brasil. Com textos escritos em ordem cronológica, ele atravessa o início do samba e a jovem-guarda enquanto aborda os relacionamentos amorosos do patriarca e os acontecimentos da vizinhança.

“As nossas raízes e heranças estão repletas de brechas por onde a poesia pode nos espantar ou maravilhar. Em Na proa do trovão, há belezas surpreendentes, mas também exumei emoções que toda a família prefere esconder. Por isso a literatura é necessária: ela é um lugar de encantamento a partir da palavra, mas é também, e talvez principalmente, um lugar de expurgo e libertação”, afirma o escritor.

Maurício Rosa vive em São Paulo. Aos 17 anos, ganhou um prêmio de literatura em sua cidade, e isso o impulsionou a pensar a escrita como uma possibilidade de carreira. Desde então, participou de diversas oficinas com escritores renomados como Marcelino Freire, Bruna Mitrano, Luiza Romão, entre outros. Tem textos publicados nas antologias "Contos e Causos do Pinheirão", organizada por Nelson de Oliveira, e "Retratos Pandêmicos", fruto do curso é Dia De Escrever. Atualmente, dedica-se inteiramente à poesia e escreveu textos para revistas especializadas como Ruído Manifesto, Leituras.Org, Revista Quiasmo, Littera 7, Revista Variações e Revista Sucuru. É autor dos livros "Vamos Orar pela Vingança", "O Longo Cochilo da Ursa" e "Na Proa do Trovão", e finalista do Prêmio Caio Fernando Abreu 2024 com o livro ainda inédito "Meu Corpo É Testemunha".


“Na Proa do Trovão” tem seu avô materno, Armando, como ponto de partida e chegada. Qual foi o impacto pessoal ao construir uma biografia poética sobre ele?
Maurício Rosa - 
A experiência de escrever o livro foi profunda. Eu tinha apenas o esboço do retrato de um homem e o desejo de abandonar as rédeas da minha imaginação. Esses dois fatores criaram um terreno impreciso para uma biografia tradicional, mas uma aventura para o fazer poético.


Como foi o processo de entrelaçar memória familiar e criação literária?
Maurício Rosa -  
A etapa de pesquisa (que caracterizava os meus projetos anteriores) foi abandonada. Parti direto para a criação, tendo apenas a sensibilidade como guia. Pessoalmente, foi tenso e emocionante, porque eu precisava respeitar tanto a memória familiar quanto o meu compromisso estético como escritor.


A obra explora temas como raízes familiares e herança cultural. Na sua visão, qual é a importância da poesia como um meio de preservação e ressignificação da ancestralidade?
Maurício Rosa -  Quanto a preservação da ancestralidade, eu espero que muitos poetas continuem a escrever sobre os seus antepassados (principalmente aqueles cujas histórias que não puderam ser contadas devido às violências raciais, sociais e de gênero). Em relação à ressignificação, esse é justamente o lugar da poesia. E não é apenas uma questão de perspectiva: no poema, toda experiência deve ser transformada, recalibrada, iluminada. As nossas raízes e heranças estão repletas de brechas por onde a poesia pode nos espantar ou maravilhar. Em "Na Proa do Trovão", há belezas surpreendentes, mas também exumei emoções que toda a família prefere esconder. Por isso a literatura é necessária: ela é um lugar de encantamento a partir da palavra, mas é também, e talvez principalmente, um lugar de expurgo e libertação.


O livro transita entre diferentes gerações e épocas. Como você trabalhou a estrutura temporal dos poemas para entrelaçar essas histórias?
Maurício Rosa -  O livro começa nos anos 1920 e termina nos anos 1980. Por adotar a ordem cronológica, a estrutura temporal se armou naturalmente, ficando à cargo das personagens indicarem, discretamente, o momento que determinado poema retrata. Para isso, por exemplo, utilizei alguns referenciais musicais para que, de primeira, o leitor conseguisse se situar. Menciono o Rio de Janeiro do início do samba na figura de Tia Ciata (por volta dos anos 1920), a jovem-guarda (final dos anos 1960) e a cantora Fafá de Belém na juventude (metade da década de 1970).

Elementos da cultura e da história brasileiras aparecem de forma marcante, como a referência à Pequena África. Qual é a importância dessas citações para a narrativa poética do livro? De que forma contribuem para o resgate da identidade cultural?
Maurício Rosa -  Há dois eixos de importância: um é estético e o outro é em nome da memória que não pode ser apagada. Poeticamente, as referências enriquecem o texto, ambientam o leitor e propõem uma ligação de afetividade com o poema. Por sorte, a história do meu avô pôde andar em paralelo com grandes momentos socioculturais e eu tentei utilizá-los no livro para provar que, enquanto a chamada “história oficial” acontecia, uma vida pequena e silenciosa mobilizava e movimentava uma família, a minha. Toda história é uma grande história e contá-las, sejam elas ilustres ou apagadas, também é um resgate da nossa identidade coletiva.


Os textos tratam de aspectos íntimos da vida familiar, como no poema "Fascinação". Como foi equilibrar a exposição pessoal com a universalidade da poesia?
Maurício Rosa -  Não foi uma tarefa simples, mas poesia é risco. É realmente imprevisto o que pode acontecer quando começamos um poema e acredito que a universalidade se alcança somente com uma alta voltagem de honestidade. Dizer o que precisa ser dito não é fácil, mas é só assim que se pode escrever.

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

.: Autores internacionais, os melhores livros de 2024: Italo Calvino encabeça


Por 
Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

Em 2024, o mundo literário trouxe uma série de obras impactantes e diversas, que não só exploram novas perspectivas e emoções, mas também aprofundam discussões sobre história, identidade e sentimentos humanos. Esta lista foi organizada para destacar os dez melhores livros internacionais do ano, levando em conta o impacto cultural, a profundidade literária, e a habilidade dos autores em conectar com seus leitores. Embora cada livro tenha se destacado de alguma forma, alguns brilham com mais intensidade e deixam uma marca mais duradoura. Aqui está uma análise de cada um deles, com suas qualidades únicas e os motivos pelos quais merecem figurar entre os mais destacados do ano.

Cada um desses livros trouxe algo único para a literatura deste ano, seja pela profundidade emocional, pela análise crítica ou pela exploração de temas universais e atemporais. Alguns conquistaram os leitores por sua beleza literária, enquanto outros brilharam pela sua originalidade e pela maneira como desafiaram as convenções do gênero. Todos, no entanto, são indispensáveis para quem deseja mergulhar no que há de mais relevante na literatura contemporânea.

Listar os dez melhores livros de autores internacionais do ano é tarefa ingrata em qualquer área. Selecionar os dez Melhores Livros de Autores Internacionais de 2024 do portal Resenhando.com em meio a um ano tão fértil em relação à literatura e também a vários que chegam diariamente à nossa redação é algo desafiador e uma viagem literária ao longo do ano a partir de um critério absolutamente subjetivo: o gosto pessoal de quem elaborou a lista. Vários livros tão bons quanto os que estão nesta lista ficaram de fora, o que não quer dizer que não mereçam ser lidos.  Confira também a lista dos Melhores Livros de 2023 neste link.


10. "Nadando no Escuro", de Tomasz Jedrowski
Em um ano de grandes lançamentos, "Nadando no Escuro", publicado pela editora Astral Cultural, é destacado como uma das mais poderosas obras literárias de 2024. Este romance aborda uma história de amor proibido em tempos de repressão, ambientado na Polônia de 1980. A obra escrita por Tomasz Jedrowski não só trata do amor entre dois homens em um contexto político tenso, mas também explora os dilemas existenciais e os sacrifícios feitos por aqueles que amam em tempos de opressão. A escrita de Jedrowski é visceral e emocionante, explorando o amor em sua forma mais crua, enquanto também lança luz sobre as complexidades políticas e sociais da época. Na décima colocação da lista de Melhores Livros Internacionais de 2024, traduzido por Luiza Marcondes, o livro oferece uma leitura profunda e comovente que permanece com o leitor muito após a última página, fazendo dela, sem dúvida, uma das melhores obras de 2024. Compre o livro "Nadando no Escuro", de Tomasz Jedrowski, neste link.


9. "Em Agosto Nos Vemos", de Gabriel García Márquez
O romance póstumo de Gabriel García Márquez apresenta uma mulher que, ao longo de sua vida, descobre os limites de seus desejos e a complexidade de sua identidade sexual. A escrita do autor é inconfundível, com a mesma magia e sensibilidade que marcaram sua carreira. Em "Em Agosto nos Vemos", publicado pela editora Record, o autor colombiano mergulha em temas profundos como o desejo, a perda e a liberdade. A obra encanta pela forma como retrata a busca pela autoaceitação e a resistência do prazer diante do tempo. Na nona colcação da lista, embora não atinja a grandiosidade de seus romances mais conhecidos, este livro póstumo oferece uma reflexão belíssima sobre a vida e as escolhas humanas. A tradução é de Eric Nepomuceno. Compre o livro "Em Agosto Nos Vemos", de Gabriel García Márquez, neste link.


8. "Caro Professor Germain: Cartas e Escritos", de Albert Camus e Louis Germain
Reunindo cartas trocadas entre Albert Camus e o professor Louis Germain, o livro "Caro Professor Germain: cartas e Escritos" apresenta uma bela demonstração de gratidão e respeito mútuo. Essas cartas, carregadas de emoção, oferecem uma visão sobre a relação entre o autor e aquele que desempenhou um papel fundamental na formação intelectual dele. Além disso, o livro contém um texto extra, "A Escola", que enriquece ainda mais a obra, mostrando a reverência de Camus pela educação. Na oitava colocação da lista, é um tributo tocante à relação entre mestre e aluno. A tradução é de Ivone Benedetti. Compre o livro "Caro Professor Germain: Cartas e Escritos", de Albert Camus, neste link.


7. "Neil Gaiman: Histórias Selecionadas", de Neil Gaiman
"Neil Gaiman: Histórias Selecionadas" é uma coletânea que reúne os melhores textos de Neil Gaiman, um dos mestres contemporâneos da literatura fantástica. De histórias de terror a contos de mistério e fantasia, o autor navega por uma variedade de estilos e temas, mostrando versatilidade. A seleção inclui 52 textos, com alguns inéditos, tornando a obra uma excelente porta de entrada para novos leitores e um item precioso para os fãs mais antigos. A tradução é de Leonardo Alves, Augusto Calil, Edmundo Barreiros, Fábio Barreto e Renata Pettengill. Compre o livro "Neil Gaiman: Histórias Selecionadas", de Neil Gaiman, neste link.


6. "O Homem Ciumento", de Jo Nesbø
"O Homem Ciumento"
, de Jo Nesbø, merece o título de sexto lugar na lista dos dez Melhores Livros de Autores internacionais do ano devido à sua extraordinária capacidade de explorar as complexidades da mente humana em situações extremas. Com maestria, ele utiliza os 12 contos que compõem o livro para criar um panorama sombrio e multifacetado dos sentimentos mais viscerais, como ciúme, vingança e desespero. Cada narrativa apresenta personagens em situações limítrofes, testando o comportamento humano e revelando as nuances de suas motivações. Outro ponto que reforça a grandiosidade do livro é a versatilidade das tramas, que se passam em diferentes culturas e contextos, mas mantêm a mesma intensidade e impacto. Desde o detetive grego lidando com um caso de ciúmes extremos até a mulher em um voo para Londres confrontando seu desejo de autodestruição, o autor oferece ao leitor uma experiência imersiva e inquietante. A tradução é de Ângelo Lessa. Compre o livro "O Homem Ciumento", de Jo Nesbø, neste link.


5. "Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção", de Umberto Eco
Em "Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção", o escritor Umberto Eco leva o leitor a uma jornada filosófica sobre o que é ficção, como ela se conecta à realidade e o que significa entrar no universo de uma história. Eco aborda temas complexos com a leveza e o humor característicos de seu estilo. Na quintta colocação da lista, o livro é uma excelente análise crítica sobre o poder da literatura. A tradução é de Hildegard Feist e a arte da capa, de Teco Souza. Compre o livro "Seis Passeios Pelos Bosques da Ficção", de Umberto Eco, neste link.


4. "Escreva Muito e Sem Medo: uma História de Amor em Cartas (1944-1959)", de Albert Camus e Maria Casarès
Lançada pela editora Record, essa correspondência íntima entre Albert Camus e a atriz Maria Casarès é um tesouro para os fãs do autor francês. "Escreva Muito e Sem Medo: uma História de Amor em Cartas (1944-1959)" traz à tona um lado mais pessoal e vulnerável de Camus, oferecendo cartas reveladoras de sua relação com a atriz. Contudo, o impacto da obra está mais no contexto biográfico do que na profundidade literária do conteúdo. Embora seja uma excelente forma de explorar a figura de Camus sob uma nova perspectiva, a relevância desse material é mais voltada para quem já é fã de sua obra e deseja mergulhar na vida pessoal do autor. Para leitores que não estão tão familiarizados com o autor, o livro, que está na quarta colocação da lista, pode parecer excessivamente íntimo e pouco acessível - mas é uma boa porta de entrada para se aprofundar na obra de Albert Camus. A tradução é de Clóvis Marques. Compre o livro "Escreva Muito e Sem Medo: uma História de Amor em Cartas (1944-1959)", de Albert Camus e Maria Casarès, neste link.


3. "A Casa dos Significados Ocultos", de RuPaul Charles
Na autobiografia "A Casa dos Significados Ocultos", o autor RuPaul Charles oferece aos leitores um olhar sem precedentes sobre a vida, desde a infância em San Diego até a ascensão como um ícone mundial da cultura pop. A obra é um profundo mergulho na identidade desse artista, com reflexões sobre como a autoaceitação e a adaptação são essenciais para a construção de uma persona pública. RuPaul revela momentos vulneráveis da vida, o que torna o livro não apenas uma biografia, mas também um manifesto de superação e resistência. A mistura de sabedoria, humor e filosofia torna o livro - que está em terceiro lugar na lista - uma leitura gostosa e inspiradora. A tradução é de Helen Pandolfi. Compre o livro "A Casa dos Significados Ocultos", de RuPaul Charles, neste link.

2. "A Caminho de Macondo: Ficções 1950-1966", de Gabriel García Márquez
Lançado pela editora Record, "A Caminho de Macondo" reúne textos que formam a base do universo mítico de Macondo, uma das maiores criações da literatura mundial. São escritos que antecedem "Cem Anos de Solidão" e mostram o processo criativo de Gabriel García Márquez. Para os admiradores do autor, a obra é uma verdadeira preciosidade, pois oferece uma janela para o início do realismo mágico. No entanto, para o leitor casual, os textos podem parecer mais fragmentados e menos imersivos, já que muitos ainda estão em estágios iniciais de desenvolvimento. Isso torna o livro - que está na segunda colocação da lista - essencial para estudiosos da obra de Márquez e muito mais interessante, porque o leitor consegue visualizar um pouco do processo de criação do artista. A tradução é de Ivone Benedetti, Édson Braga, Danúbio Rodrigues e  Joel Silveira. Compre o livro "A Caminho de Macondo", de Gabriel García Márquez, neste link.


1. "Nasci na América…: uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)", de Italo Calvino

"Nasci na América…: uma Vida em 101 Conversas" é uma coletânea de entrevistas com o renomado escritor italiano Italo Calvino. O livro oferece uma perspectiva única sobre a vida e o pensamento do artista que conquistou um lugar de destaque na literatura universal. As entrevistas, que abrangem três décadas, revelam a mente brilhante de Calvino e o olhar sobre temas como literatura, política, cinema e o futuro do homem. É uma espécie de "autobiografia intelectual" em construção, proporcionando uma compreensão mais rica do legado literário do autor. A obra brilha principalmente pela profundidade, clareza e a elegância inconfundível de Calvino, sendo um tesouro para os admiradores do artista e para os estudiosos da literatura contemporânea. O livro do ano na categoria Melhor Livro de Autores Internacionais é resultado do trabalho de vários profissionais, além do autor: Luca Baranelli (compilador), Federico Carotti (tradutor), Raul Loureiro (arte de capa) e Mario Barenghi (introdução). Compre o livro "Nasci na América…: Uma Vida em 101 Conversas (1951-1985)", de Italo Calvino, neste link.

sábado, 28 de dezembro de 2024

.: De Aguinaldo Silva, "Meu Passado me Perdoa" é eleito o livro do ano de 2024


Por Helder Moraes Miranda, editor do portal Resenhando.com. 

O ano de 2024 foi o ano das biografias e de livros marcados por uma impressionante diversidade de lançamentos literários, com obras que abordaram uma gama de temas emocionais, sociais, culturais e pessoais, refletindo as complexas realidades do nosso tempo. Entre os destaques, houve uma fusão de narrativas sensíveis, corajosas, profundas e até irreverentes, levando os leitores a uma viagem literária rica e impactante.

Cada uma dessas obras se destaca pela abordagem única e pela maneira como desafiam o leitor a pensar sobre diferentes aspectos da vida, das relações e da sociedade. Em 2024, a literatura brasileira teve uma verdadeira explosão de criatividade, abrangendo desde questões pessoais até grandes reflexões sociais e culturais. A diversidade de temas e estilos mostra que a literatura contemporânea é multifacetada, rica em nuances e capaz de transformar e impactar profundamente a vida dos leitores. A seguir, apresentamos os dez melhores livros do ano.

Listar os dez melhores livros de autores brasileiros do ano é tarefa ingrata em qualquer área. Selecionar os dez Melhores Lvros Brasileiros do ano do portal Resenhando.com em meio a um ano tão fértil em relação à literatura e também a vários que chegam diariamente à nossa redação é algo desafiador e uma viagem literária ao longo do ano a partir de um critério absolutamente subjetivo: o gosto pessoal de quem elaborou a lista. Vários livros tão bons quanto os que estão nesta lista ficaram de fora, o que não quer dizer que não mereçam ser lidos.  Confira também a lista dos Melhores Livros de 2023 neste link.


10. "Açougueira", de Marina Monteiro
Em "Açougueira", publicado pela editora Claraboia, Marina Monteiro presenteia o leitor com uma obra de uma profundidade emocional e intelectual impressionantes. A narrativa, que gira em torno de um crime de assassinato e esquartejamento, não se limita apenas ao mistério, mas se aprofunda nas complexas questões sociais que envolvem a violência doméstica e a opressão das mulheres. A escolha de narrar a história a partir dos depoimentos de moradores da cidadezinha e da própria esposa do assassinado coloca o leitor no lugar da acusada, desafiando noções de culpabilidade e oferecendo uma reflexão crítica sobre a maneira como a sociedade lida com a violência contra a mulher. Décimo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, esse livro se destaca pela coragem com que aborda temas delicados e pela sensibilidade com que a autora constrói suas personagens e seus dilemas. Compre o livro "Açougueira", de Marina Monteiro, neste link.


9. "Virgínia Mordida", de Jeovanna Vieira
A estreia de Jeovanna Vieira é um soco no estômago. "Virgínia Mordida", publicado pela Companhia das Letras, é um romance psicológico intenso que explora as profundezas das relações amorosas, os aspectos mais sombrios da psique humana e os impactos da violência emocional. Ao contar a história de Virgínia, uma mulher que vive um relacionamento tóxico com Henrí, um ator argentino, o livro se torna uma poderosa reflexão sobre como o amor pode ser disfuncional e destrutivo. A autora não tem medo de expor as fragilidades de seus personagens e a tensão entre eles é palpável, criando uma narrativa de ritmo acelerado e angustiante. Nono lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, Vieira se destaca pela sua habilidade de mergulhar nas emoções e nas motivações dos personagens de forma autêntica e, ao mesmo tempo, perturbadora. Compre o livro "Virgínia Mordida", de Jeovanna Vieira, neste link. 


8. "Minha China Tropical: Crônicas de Viagem", de Francisco Foot Hardman
"Minha China Tropical"
, publicado pela Unesp Editora, é uma obra envolvente, mas que se destaca mais pela beleza do estilo do que pela profundidade dos temas abordados. Francisco Foot Hardman apresenta suas crônicas de viagem com uma leveza contagiante, capturando a essência da cultura chinesa e suas contrastantes semelhanças com a realidade brasileira. Embora a obra não tenha o mesmo impacto revolucionário de outros livros da lista, ela oferece uma leitura agradável e enriquecedora sobre as diferenças culturais e as experiências que moldam a visão de um estrangeiro sobre um país complexo e multifacetado. Oitavo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, Foot Hardman oferece uma narrativa calorosa e pessoal, desafiando estereótipos sobre a China e promovendo um diálogo entre as culturas. Compre o livro "Minha China Tropical", de Francisco Foot Hardman, neste link.

7. "O Ninho", de Bethânia Pires Amaro
Vencedor do Prêmio Sesc de literatura e do Prêmio Jabuti na categoria Contos, "O Ninho"publicado pela editora Record, é um livro de contos que não apenas retrata o cotidiano das mulheres e suas realidades, mas também desafia as idealizações frequentemente associadas às relações familiares. Bethânia Pires Amaro utiliza sua escrita precisa e sensível para explorar os conflitos internos e externos de suas personagens femininas, que lidam com questões como maternidade, abuso e os traumas herdados de gerações anteriores. A autora tem a habilidade rara de fazer com que o leitor sinta empatia pelas situações difíceis que suas personagens enfrentam, ao mesmo tempo em que coloca em pauta a complexidade das relações familiares e a busca por identidade. Sétimo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, o livro é uma reflexão pungente sobre a realidade das mulheres e das relações humanas. Compre o livro "O Ninho", de Bethânia Pires Amaro, neste link.


6. "Tudo o que Posso te Contar", de Cecilia Madonna Young
Embora "Tudo o que Posso te Contar", o livro de estreia de Cecilia Madonna Young, seja divertido e ácido, ele também faz uma observação afiada das questões enfrentadas pela geração Z, abordando temas como depressão, ansiedade e identidade de maneira irreverente e sarcástica. Publicado pela editora Record, o livro oferece uma reflexão nua e crua sobre os dilemas existenciais que os jovens de hoje enfrentam. Sexto lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, é uma leitura que mistura densidade e leveza, que proporciona uma boa visão sobre a vida moderna e as angústias da juventude. Compre o livro "Tudo o que Posso te Contar", de Cecilia Madonna Young, neste link.

5. "O Mito do Mito", de Rita Lee
Obra póstuma de Rita Lee, o livro "O Mito do Mito", publicado pela Globo Livros, mistura realidade e ficção de maneira sofisticada e instigante. Conhecida pelo talento irreverente e a capacidade de transformar qualquer tema em algo único e inesquecível, ela entrega ao público uma obra que é, ao mesmo tempo, uma reflexão sobre o seu próprio ser e uma narrativa envolvente de mistério. A história gira em torno da própria Rita Lee como protagonista, que busca respostas para suas questões internas durante sessões de terapia. O tom de humor ácido e introspecção presente na obra faz com que a leitura seja tanto divertida quanto profunda. Quinto lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, o livro é uma verdadeira janela para a mente de uma das artistas mais icônicas do Brasil, revelando uma Rita Lee que, ao mesmo tempo em que se entrega a seus demônios, também se reinventa com leveza. Compre o livro "O Mito do Mito", de Rita Lee, neste link.


4. "Chatices do Amor", de Fernanda Young
"Chatices do Amor"
, publicado pela editora Record, é um livro póstumo que reúne dois romances de Fernanda Young, uma autora de indiscutível talento. No entanto, a obra não alcança o mesmo impacto que outros trabalhos póstumos de escritores consagrados. Ainda que a autora tenha uma escrita perspicaz, o tom de melancolia e humor entrelaçado na narrativa não ressoa com todos os leitores da mesma forma. Quarto lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024,  o livro é, sem dúvida, um tributo ao estilo irreverente e profundo de Young, que mistura de humor e introspecção. Compre o livro "Chatices do Amor", de Fernanda Young, neste link.


3. "Longe do Ninho", de Daniela Arbex
O poder de "Longe do Ninho", publicado pela editora Intrínseca, está na forma como Daniela Arbex consegue transformar uma tragédia pessoal e coletiva em um relato investigativo de grande impacto social e humano. A jornalista apresenta um trabalho impecável ao investigar o incêndio no centro de treinamento do Flamengo, que matou dez jovens promessas do futebol. Com uma abordagem sensível, detalhada e humana, Arbex reconstitui não apenas os fatos, mas também a dor das famílias e as falhas institucionais que possibilitaram o acidente. Ao utilizar depoimentos exclusivos, documentos inéditos e a coragem de retratar o caso de forma crua, a autora apresenta um trabalho de altíssima qualidade que é, ao mesmo tempo, uma homenagem às vítimas e um alerta contra a omissão das autoridades. Terceiro lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, o livro é, sem dúvida, um livro-reportagem essencial, que vai além da simples narração de um fato e se torna uma reflexão profunda sobre a negligência e suas consequências. Compre o livro "Longe do Ninho", de Daniela Arbex, neste link.


2. "Gilberto Braga, o Balzac da Globo", de Mauricio Stycer e Artur Xexéo
A biografia de Gilberto Braga é uma obra de grande riqueza para os fãs de novelas e da história da televisão brasileira. Por meio de uma parceria entre Mauricio Stycer e Artur Xexéo, "Gilberto Braga apresenta a trajetória do dramaturgo, desde sua infância até os grandes momentos da sua carreira. O livro traz à tona detalhes fascinantes sobre o processo criativo do novelista, as inspirações dele e como as novelas refletem os aspectos mais profundos da sociedade brasileira. Ao mesmo tempo, a biografia serve como um tributo ao autor e à capacidade de tratar de temas delicados, como sexualidade, classe social e racismo, de maneira pioneira. Segundo lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, a obra é uma excelente leitura para quem deseja compreender a importância de Gilberto Braga na formação da cultura televisiva brasileira. Compre o livro "Gilberto Braga, o Balzac da Globo", de Mauricio Stycer e Artur Xexéo, neste link.

1. "Meu Passado Me Perdoa", de Aguinaldo Silva
Mais que uma autobiografia, "Meu Passado Me Perdoa", de Aguinaldo Silva é o relato de um sobrevivente. Com uma escrita cativante, o autor leva os leitores por uma jornada ao longo da vida e carreira, desde a infância até os bastidores das novelas que marcaram gerações. Este livro não é apenas uma memória pessoal, mas uma verdadeira aula sobre a história da televisão brasileira. Silva traz à tona histórias inéditas sobre o processo criativo das novelas, os desafios que enfrentou e as figuras que cruzaram o caminho dele. As anedotas e revelações sobre o mundo das telenovelas são fascinantes, e o autor também faz uma análise crítica sobre o papel das suas obras na sociedade brasileira. Primeiro lugar na lista de Melhores Livros Brasileiros de 2024, "Meu Passado me Perdoa", além de ser o livro do ano, é uma leitura envolvente para quem ama a TV e para quem deseja entender mais sobre a construção de uma das maiores referências da dramaturgia nacional. Compre o livro "Meu Passado Me Perdoa", de Aguinaldo Silva, neste link.

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