domingo, 30 de março de 2025

.: "A Travessia da Terra Vermelha": Odete Roitman está de volta - e tinha lado bom


Com a nova versão da icônica vilã, público relembra a atriz Beatriz Segall que marcou gerações e seu legado que vai muito além da teledramaturgia. Na imagem, a atriz Beatriz Segall ao lado do autor Lucius de Mello. Foto: Luly Zonta


A icônica vilã Odete Roitman, imortalizada por Beatriz Segall em 1988, volta a ser assunto em todo o país com a nova versão da personagem que estreia na televisão nesta segunda-feira, dia 31 de março. Mas, ao mesmo tempo, em que o público se prepara para conhecer a nova interpretação da megera mais famosa da dramaturgia nacional, o legado de Segall volta a ser celebrado, relembrando não apenas sua marcante atuação na teledramaturgia, mas também seu engajamento social.

A eterna Odete Roitman nunca deixou de ser referência. Mesmo após mais de três décadas da novela "Vale Tudo", a personagem continua no imaginário popular. No entanto, o que poucos sabem é que Beatriz Segall carregou sua vilã por onde passou, mas fez questão de mostrar ao público que era muito mais do que a milionária cruel da ficção. Em 2017, já com quase 91 anos, em uma de suas últimas aparições, a atriz participou da leitura dramática do livro "A Travessia da Terra Vermelha", publicado pela Companhia Editora Nacional e assinado pelo jornalista e escritor Lucius de Mello, sobre os refugiados judeus que escaparam do nazismo e vieram ao Brasil.

"O nazismo foi uma coisa tão extraordinariamente trágica, que você não pode deixar de se manifestar sempre que surge uma oportunidade. Porque você tem que lembrar para as pessoas que é a História que faz o tempo, agora", declarou Beatriz Segall na época, demonstrando seu comprometimento com causas humanitárias. A leitura aconteceu na Livraria Cultura, em São Paulo, e foi um dos últimos trabalhos da atriz antes de seu falecimento, em 2018.

Para Lucius de Mello, que teve a chance de trabalhar ao lado de Segall nesse projeto, a experiência foi marcante. "Beatriz Segall foi tocada por essa história que ela ainda não conhecia. Nossos encontros eram repletos de curiosidade e emoção. Ela se interessava pelos detalhes, pela vida dura que os refugiados judeus enfrentaram, e queria saber mais sobre esse trem brasileiro que salvou tantas vidas", relembra o autor.

O documentário gerado a partir dessa leitura segue disponível na internet e continua emocionando quem tem acesso a ele. Com depoimentos de descendentes de refugiados e cenas que resgatam momentos históricos, o material reafirma o impacto que Beatriz Segall teve, tanto na arte quanto na luta por justiça e memória histórica. "Ela conseguiu estilhaçar a imagem fria e perversa da vilã que a acompanhou por tantos anos", destaca Lucius.

Agora, com a nova versão de Odete Roitman prestes a conquistar uma nova geração de telespectadores, o nome de Beatriz Segall volta ao centro das conversas. Mais do que um ícone da teledramaturgia, ela foi uma mulher que soube usar sua voz para causas maiores. Enquanto os fãs aguardam para conhecer a nova vilã, uma coisa é certa: a original sempre terá um lugar especial na história da TV brasileira e no coração do público.


Sobre o livro
Durante o Terceiro Reich, um plano engenhoso garante a famílias judaicas passagem para o sertão do Paraná, numa elaborada fuga da perseguição antissemita do governo alemão. A chance de um recomeço trouxe a adaptação a uma rotina de trabalho árduo e simplicidade no interior do Brasil, onde tiveram que aprender o idioma e superar as limitações da vida rural. Isolados, passaram a obter notícias do resto do mundo por meio de cartas escassas e de um único rádio, utilizado para acompanhar o andamento da guerra. "A Travessia da Terra Vermelha" reconta a saga destes refugiados, apresentando em detalhes os acontecimentos dos arredores da cidade de Rolândia antes, durante e após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo da narrativa, o leitor se emocionará com os perigos passados pelos imigrantes ao conviver com nazistas e com a pressão das limitações criadas pelo governo brasileiro a imigrantes de países do Eixo após sua entrada no conflito. Mais ainda: saberá dos anseios, sonhos e desejos secretos destes homens e mulheres que viveram toda uma vida no exílio. Compre o livro "A Travessia da Terra Vermelha" neste link.


Sobre o autor
Lucius de Mello é Mestre em Letras pelo programa de estudos judaicos e árabes da Universidade de São Paulo, Lucius de Mello é pesquisador do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação (LEER) e do Arquivo Virtual sobre Holocausto e Antissemitismo (ARQSHOAH), ambos da USP. Jornalista de formação, acumulou experiência como repórter, editor e roteirista de TV por mais de duas décadas, com passagens pela Rede Globo, SBT, Fundação Roberto Marinho e Record. Lucius foi vencedor do Prêmio OCESP de jornalismo em 2005, finalista do Prêmio Líbero Badaró de Jornalismo, em 1997 e 1998 e segundo lugar no Prêmio Jabuti, em 2003, na categoria melhor reportagem-biografia com o livro "Eny e o Grande Bordel Brasileiro". Também é autor de "Um Violino para os Gatos", "Mestiços da Casa Velha", "Crônicas do Grande Bordel" e do ensaio "'Dois Irmãos' e Seus Precursores: o Mito e a Bíblia na obra de Milton Hatoum". Garanta o seu exemplar de "A Travessia da Terra Vermelha" neste link.

Beatriz Segall e o livro "A Travessia da Terra Vermelha"


0 comments:

Postar um comentário

Deixe-nos uma mensagem.

Tecnologia do Blogger.