segunda-feira, 9 de março de 2026

.: Livro “Desemprego e Outras Heresias”, de Bruno Inácio, ganha nova edição


Com escrita fragmentada e fluxo de consciência, livro esgotado desde 2023 ganha nova edição pela Sabiá Livros e consolida a linguagem cortante do autor paulista

Com uma escrita fragmentada, direta e construída em fluxo de consciência, o romance "Desemprego e Outras Heresias", de Bruno Inácio, ganha nova edição pela Sabiá Livros, após o esgotamento de sua primeira edição. A obra investiga os efeitos duradouros do fanatismo religioso no ambiente familiar e reafirma a força literária de um autor que aposta na tensão entre forma e conteúdo. Trata-se de um romance inquietante sobre os traumas provocados por uma ruptura familiar. De forma crua e cortante, o autor traduz em linguagem o estado mental do protagonista, criando uma atmosfera de constante tensão, isolamento e desolação.

A 2ª edição conta com texto de orelha de Marcelo Labes, prefácio de Cintia Brasileiro, fotos de Lucas Orsini e textos de quarta capa assinados por Xico Sá, Carla Guerson, Pedro Augusto Baía e Gael Rodrigues. A capa, o projeto gráfico e o posfácio são de Andreas Chamorro. Escrito em um fluxo de consciência não linear, o romance acompanha Fábio, um publicitário que vive em São Paulo, distante de sua cidade natal, e enfrenta o isolamento, o desemprego e a falta de perspectivas. A narrativa alterna entre passado e presente, costurando a melancolia da vida adulta com lembranças de uma infância marcada por culpa, rejeição e episódios familiares tensos.

Quando Fábio recebe um pacote enviado por seu irmão, é lançado a um mergulho involuntário nas memórias desse passado, fazendo emergir um mistério que atravessa toda a obra e conecta essas duas pontas de sua existência. As relações familiares estão no centro do interesse literário de Bruno Inácio. “Ao longo dos séculos, a literatura tem se aprofundado nas mais diversas dinâmicas possíveis entre pessoas de uma mesma família e, ainda assim, o tema parece longe de estar esgotado”, afirma o autor.

A desolação com que o protagonista encara a vida desde a infância é tão visceral que provoca no leitor a dúvida sobre o caráter autoficcional da obra. Bruno reconhece que parte da história dialoga com uma experiência pessoal: o desemprego. “Quando mudei de cidade, pensei que não teria dificuldades para encontrar trabalho, mas fiquei quase um ano e meio sem ocupação formal”, relata.

Ainda assim, o autor destaca que o romance nasce do encontro entre vivências distintas. “Resolvi escrever uma história que juntasse a questão do desemprego com outro tema que já me causava bastante preocupação: os impactos do fanatismo religioso na formação de crianças e adolescentes”, explica.

Linguagem própria e amadurecimento literário Mesmo diante de temas densos," Desemprego e Outras Heresias" se constrói como uma obra coesa e instigante, consolidando o estilo próprio de Bruno Inácio: frases curtas, secas e diretas, que intensificam o ritmo da leitura e o impacto emocional da narrativa. Essa linguagem, já presente em seu livro de contos de estreia, ganha maior fôlego e complexidade no romance. “Foi desafiador construir uma história mais longa e compor um personagem tão complexo quanto o Fábio, alguém repleto de manias e contradições internas”, comenta o escritor. Compre o livro "Desemprego e Outras Heresias", de Bruno Inácio, neste link.


Sobre o autor
Bruno Inácio
nasceu em Ituverava, interior de São Paulo, e vive desde 2018 em Uberlândia (MG). É graduado em Jornalismo pela Universidade de Franca, mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Uberlândia e pós-graduado em Psicanálise e Análise do Contemporâneo (PUCRS), Cinema e Produção Audiovisual (USCS) e Literatura Contemporânea (Centro Universitário Barão de Mauá). É colaborador do Le Monde Diplomatique, Jornal Rascunho e São Paulo Review. Já publicou textos em veículos como Rolling Stone Brasil e Estado de Minas.

Na literatura, estreou em 2022 com "Desprazeres Existenciais em Colapso" (Patuá) e "De Repente Nenhum Som" (Sabiá Livros), lançado em 2024. "Desemprego e Outras Heresias", publicado originalmente em 2022, retorna agora em nova edição após o esgotamento dos 500 exemplares iniciais. O interesse pela escrita surgiu ainda na adolescência. “Até os vinte e poucos anos me dediquei à poesia, depois, passei a escrever prosa e me encontrei”, conta.

Entre suas referências literárias estão Marcelino Freire, Marcela Dantés e Carlos Eduardo Pereira, além de Caio Fernando Abreu, Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles. Outro nome fundamental em sua formação estética é Cazuza. Trechos de músicas do cantor aparecem em passagens relevantes de Desemprego e outras heresias, especialmente canções dos primeiros discos do Barão Vermelho. “Cazuza me impacta desde a adolescência e me hipnotiza até hoje com seus versos, o mesmo acontece com Fábio, protagonista do livro”, afirma o autor. Compre os livros de Bruno Inácio neste link.

.: Evelyn Castro será o Burro Falante em "Shrek - O Musical", que estreia em abril


Atriz assume personagem central da superprodução que estreia em abril no Teatro Renault, ao lado de Tiago Abravanel, Fabi Bang e Myra Ruiz. Foto: Jairo Goldflus (foto); Gabriel Pinho (edição)


A atriz Evelyn Castro foi confirmada no elenco de "Shrek - O Musical" e dará vida ao Burro Falante na montagem que estreia em 15 de abril, no Teatro Renault, em São Paulo. Personagem central da trama e parceiro inseparável do ogro, o Burro é reconhecido pelo humor afiado e pela presença constante ao longo da jornada. Com trajetória marcada pela comédia e pelo teatro musical, Evelyn assume o papel em uma leitura inédita na produção brasileira. A personagem, tradicionalmente interpretada por homens em grandes montagens internacionais, ganha agora uma nova perspectiva nos palcos nacionais. “É um personagem que exige ritmo, escuta e entrega. O Burro é o coração pulsante da história, aquele que provoca, questiona e move a narrativa. Assumir esse papel é um desafio que me instiga como atriz”, afirma Evelyn Castro.

A escalação insere Evelyn em um elenco de grande projeção. Ela se junta a Tiago Abravanel, que interpretará Shrek, e às atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz, que se revezam no papel de Fiona. A reunião desses nomes marca a dimensão da superprodução, inspirada no filme vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2002 e em uma das franquias mais populares do cinema mundial. "Shrek - O Musical" transporta para o teatro a história do ogro que vê seu pântano invadido por criaturas de contos de fadas e parte em missão para resgatar uma princesa. A adaptação preserva o humor e a trilha marcante da animação, ampliando a narrativa com números musicais e soluções cênicas de grande escala.

Diretor-geral da produção, Gustavo Barchilon afirma que a chegada de Evelyn ao elenco reforça o compromisso de preservar o humor rápido e visual que caracteriza Shrek nas telas e nos palcos, mas com personagens mais próximos da realidade emocional dos brasileiros. “A proposta é que o público reconheça os personagens como figuras humanas, com fragilidades, desejos e contradições, e, a partir dessa identificação, o humor se torne ainda mais potente. Nosso elenco tem tudo para conquistar a plateia, e a Evelyn tem o timing de humor físico e verbal que o papel exige”, diz Barchilon.

Apresentada pelo Ministério da Cultura e pela Brasilprev, a montagem tem a assinatura do Instituto Artium, em coprodução com o Atelier de Cultura, responsáveis por grandes espetáculos do teatro musical no país como “Wicked”. Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium, destaca a capacidade do elenco de dialogar com o público adulto e infantil. “Shrek tem esse poder de conversar com a família toda. Estamos fazendo uma montagem para agradar e surpreender diferentes gerações. Será um espetáculo grandioso e cheio de surpresas técnicas e artísticas”, diz Cavalcanti. Os ingressos para Shrek – O Musical estão disponíveis pelo site ticketsforfun.com.br e na bilheteria do Teatro Renault, sem cobrança de taxa de conveniência.


Serviço
"Shrek - O Musical"
Estreia: Quarta-feira, 15 de abril de 2026, às 20h
Sessões: quartas, quintas e sextas-feiras, às 20h00; sábados, às 15h00 e 19h30; domingos, às 14h00 e 18h30.
Ingressos: de R$ 50,00 a R$ 450,00
Local: Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista / São Paulo
Classificação Indicativa Etária: Livre. Menores de 12 anos devem estar acompanhados dos pais e/ou responsáveis legais.
Duração: 165 minutos com 15 minutos de intervalo


Canais de venda oficiais
Bilheteria on-lineticketsforfun.com.br
Bilheteria física - sem taxa de conveniência
Bilheteria do Teatro Renault - Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista/São Paulo. Horário de funcionamento: Terça a domingo, das 12h00 às 20h00, exceto feriados.

.: Espetáculo valoriza a cultura negra com história lúdica no Sesc Bom Retiro


De forma leve e lúdica, a montagem propõe ao público infantil uma experiência que combina entretenimento e reflexão, colocando temas sociais no centro da cena. Foto: Tico Dias e Binho Cidral


Com uma história que envolve pertencimento e respeito às diferenças a partir do olhar de uma criança, além de colocar em cena práticas antirracistas e a valorização da ancestralidade, "Quando Anoitece" está em cartaz no teatro do Sesc Bom Retiro. A temporada acontece sempre aos domingos, às 12h00, até 19 de abril, com sessão extra no feriado de 21 de abril, terça-feira, às 12h00. A direção é de Flávio Rodrigues e a dramaturgia é de Le Conde. O elenco conta com Amanda Linhares, Conrado Costa, Leonardo Garcez, Marina Espinoza e Thaís Cabral, atriz que - além de estar em cena - é idealizadora e produtora do projeto. O espetáculo também faz apresentações gratuitas nos dias 25 e 26 de abril, sábado e domingo, às 15h, no Espaço Cultural Inventivo, próximo à estação de metrô Vila Prudente. As sessões contam audiodescrição.

Na trama, Melânia é uma menina preta aparentemente feliz, que junto com Lari, Juca e Jaque forma um grupo de amigos inseparáveis. Porém, às vezes, se sente sozinha e triste por não se identificar fisicamente com nenhum de seus colegas. Quando está sozinha, faz confidências para o seu gravador. Durante um de seus desabafos, eis que surge um ser de outro mundo: “Pedacinho do céu”, Juntas farão reflexões profundas sobre o respeito às diferenças, a valorização da negritude e a importância do amor nas relações.

Durante a narrativa, Pedacinho do Céu representa uma figura alegórica do orgulho das próprias raízes e da ancestralidade negra. Ao interagir com Melânia e outras crianças, ela conduz situações que tratam de pertencimento, identidade e convivência com as diferenças. Ao longo da história, a peça apresenta situações em que os personagens discutem acolhimento, reconhecimento da diversidade e práticas antirracistas, com foco na formação de crianças conscientes de sua identidade e de seus direitos.

“'Quando Anoitece' não trata apenas da solidão da pessoa preta sem pares, embora eu saiba e já tenha sentido na pele o que é ser o único preto em muitos lugares. Este espetáculo também fala de encontro. De quando a noite não engole, mas acolhe. De quando a diferença deixa de ser distância e vira ponte. Aqui celebramos o afeto que nasce na diversidade, a amizade, o cuidado e o gesto simples de permanecer junto. Porque conhecer o outro de verdade é um exercício de coragem e ternura. Como diz Guimarães Rosa, qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”, ressalta o diretor Flávio Rodrigues.

A encenação é centrada a partir da transformação cênica de dois ambientes centrais: o quintal e o quarto da protagonista. O quintal representa a convivência com os amigos, o universo lúdico e a relação com a ancestralidade. A cenografia é composta por elementos que remetem à brincadeira, como praticáveis, balanços e objetos reaproveitados. O espaço é concebido para se transformar ao longo da apresentação, assumindo diferentes configurações que acompanham os mundos imaginários em cena.

Já o quarto de Melânia funciona como espaço íntimo e criativo. É o ambiente onde ela expressa sonhos, desejos e medos. A ambientação inclui móveis infantis, ilustrações nas paredes e iluminação suave, compondo um cenário que evidencia o universo interior da personagem. A encenação utiliza esses recursos para conectar o mundo interno ao ambiente externo, articulando imaginação e realidade ao longo da trama.

A montagem aborda temas como racismo e gordofobia. Voltada ao público infantojuvenil, propõe reflexões sobre identidade racial, pertencimento e respeito às diferenças. A idealização dialoga com dados do Censo Escolar de 2022, que apontam que cerca de 27% dos estudantes não declararam cor ou raça, segundo o INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). O dado é utilizado como ponto de partida para discutir identidade racial no ambiente escolar e os impactos na formulação de políticas públicas e na difusão da cultura negra.

“Quanto mais crianças empoderadas tivermos, mais indivíduos conscientes de seus valores teremos. É por isso que acho importante a existência de espetáculos como Quando Anoitece, que trata tudo de uma forma leve e lúdica. Falar daquilo que dói, não fragiliza aquele que sente, muito pelo contrário, potencializa. Ao colocar os sentimentos pra fora, cria-se espaço para a elaboração da força. Eu me reconheci em muitas palavras ditas por Melânia e sabemos que, mesmo diante de muitos avanços na sociedade, ainda é preciso discutir muito sobre o racismo e seu impacto na vida de uma criança, por exemplo. Além disso, a peça fala também sobre a valorização do diferente, da força coletiva que existe quando enxergamos as potências individuais e, principalmente, sobre como o amor é importante para combater qualquer tipo de preconceito”, enfatiza a atriz, produtora e idealizadora Thaís Cabral. O projeto foi viabilizado pelo Edital Fomento CultSP PNAB Nº32/2024.


Ficha técnica
Espetáculo "Quando Anoitece".
Idealização: Thaís Cabral. Direção geral: Flávio Rodrigues. Dramaturgia: Le Conde.  Assistência de direção: Marcos di Ferreira. Elenco: Amanda Linhares, Conrado Costa, Leonardo Garcez, Marina Espinoza e Thaís Cabral. Direção musical e Composição autoral: Wes Salatiel. Direção de movimento: Val Ribeiro. Preparação vocal: Aloysio Letra. Concepção cenográfica: Flávio Rodrigues. Equipe de cenografia: Alício Silva, Giorgia Massetani e Danndhara Shoyama. Cenotécnica: Casa Malagueta. Figurino: Érica Ribeiro. Costureira: Nana Sá. Desenho de luz: Matheus Brant. Operador de luz: Filipe Batista. Produtor musical e arranjador musical: Kleber Martins. Operador de som: Tomé de Souza. Voz da mãe: Aysha Nascimento. Contrarregra: Sagat Jorge. Apoio: Andy Bernardes. Fotografia: Tico Dias e Binho Cidral. Coordenação de Produção: Izah Neiva Produção: Muntu Produções - Thaís Cabral. Designer gráfico: Bruno Marcitelli. Assessoria de imprensa: Renato Fernandes.


Serviço
Espetáculo "Quando Anoitece"
Local: Sesc Bom Retiro (Teatro)
Alameda Nothmann, 185, Campos Elíseos - São Paulo
Temporada: de 8 de março a 19 de abril (Sessão extra no feriado de 21 de abril, terça-feira, às 12h). Horário: Domingos, às 12h. Preço: R$40 (Inteira), R$20 (Meia), e R$12 (Credencial Plena). Grátis para Crianças com até 12 anos. https://www.sescsp.org.br/programacao/quando-anoitece/
Local: Espaço Cultural Inventivo
Rua Limeira, 19. Q. da Paineira (Próximo à estação de metrô Vila Prudente)
Temporada: 25 e 26 de abril, sábado e domingo, às 15h.
Sessões gratuitas e com audiodescrição

.: Juvi lança álbum “O Sonho da Lagosta”, que faz analogia sobre vulnerabilidade


Cantora, compositora e multi-instrumentista, Juvi é conhecida por seus vídeos nas redes sociais, enquanto vai trilhando uma carreira na música, experimentando novos formatos e firmando seu nome na cena. Foto: Juvi

O novo álbum de Juvi, “O Sonho da Lagosta”, tem o conceito inspirado pelo “complexo de lagosta”, metáfora da psicanálise que faz analogia sobre vulnerabilidade e transformação na vida com a forma como o animal precisa quebrar o próprio exoesqueleto e se expor para crescer. É um disco sobre rupturas e recomeços, com um discurso que beira o punk ao abordar relacionamentos amorosos, familiares e de amizade. 

Misturando influências do rock psicodélico, Pink Floyd, Frank Zappa e Cream, com referências da música latina que vão de Ca7riel & Paco Amoroso a Tom Zé e Fito Páez, o disco tem forte presença de percussão, efeitos e delays. O repertório ainda conta com uma releitura de “Essa Noite Não” (Lobão/Bernardo Vilhena/Daniele Daumerie/Ivo Meirelles), única música do álbum que não leva a assinatura de Juvi.

Mais orgânico e centrado em instrumentais, “O Sonho da Lagosta” marca uma diferença em relação aos trabalhos anteriores. “É um álbum em que eu me mostro como guitarrista e vocalista. Toquei todos os instrumentos, tem menos efeitos na voz e muitos arranjos instrumentais” afirma Juvi. “É um disco mais sério, o humor aparece como um acidente, não como fio condutor”. “Sonho da Lagosta” tem produção musical, beats, sintetizador, guitarra, baixo, mixagem e masterização assinados por Juvi. O álbum já está disponível em todas as plataformas digitais pela gravadora Deck.

.: #VivoLendo: "Canto do Alaúde", de Rosani Abou Adal


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Não teve tempo de salvar a boneca, 
de dizer adeus aos pais.
A crueldade avassaladora movida e arquitetada pela supremacia bélica sionista sobre populações árabes civis indefesas, inclusive crianças, ressoa, grita e nos abala nas páginas de “Canto do Alaúde”, de Rosani Abou Adal, edição da autora sob o selo Linguagem Viva. A arma da poética da indignação é manuseada pela autora com imenso pesar, um versejar pungente e, ao mesmo tempo, de denúncia e alerta contra a aflição que envolve um cotidiano repleto de sofrimentos, perdas e escombros. A sonoridade plangente do instrumento musical milenar ecoa através das cenas retratadas em cada verso. O pesadelo que se abate diariamente com mísseis, tanques e drones, vem escancarar de maneira cruel e insensível a tragédia humanitária que se abate sobre os indefesos habitantes das áreas ocupadas.

A guerra em balbúrdia, navalha que dilacera.
Utilizando uma linguagem crua e direta, Rosani absorve, reflete e expõe a ausência de futuro infantil imediato, os pesadelos e horrores do dia a dia, a falta de perspectiva alimentar e de moradia para uma imensa quantidade de famílias destroçadas e de um séquito de órfãos atônitos e desamparados. Notamos que o livro torna-se atemporal, enquanto manifesto pacifista, ético e humanista. Uma poética consciente, consistente e sobretudo combatente contra os desvios perpetrados pelo autoritarismo militarista que campeia e nos ameaça neste início de milênio.

Dormir acordado entre os destroços, sem sonhos.
O prefácio de Ronaldo Cagiano intitulado “Uma poética aguerrida num cântico de intervenção” avaliza todo o teor de coerência e combatividade em que Rosani Abou Adal maneja sua adaga fonética, e ainda, emoldurado pela capa e ilustrações de Janaina Adal da Costa Millan temos em mãos um livro contundente a refletir o trágico e dramático quadro das relações de prepotência militar e de desigualdade entre os povos.

domingo, 8 de março de 2026

.: “Barquinho de Papel”, de Jadna Alana, vence a 10ª edição do Prêmio Kindle


O romance “Barquinho de Papel”, da escritora paraibana Jadna Alana, venceu a 10ª edição do Prêmio Kindle de Literatura, uma das principais iniciativas de incentivo à literatura independente no Brasil. A edição deste ano foi considerada histórica, reunindo mais de 3.200 obras inscritas. Com a vitória, a autora receberá R$ 50 mil em prêmio e adiantamento de royalties, terá o livro publicado pelo Grupo Editorial Record, ganhará uma edição especial enviada aos assinantes da TAG Experiências Literárias e contará com adaptação em audiolivro pela Audible. Além disso, Jadna Alana passa a integrar o grupo de jurados da próxima edição do prêmio.

Ambientado em um vilarejo fictício da Bahia, o romance acompanha Jurema, menina que vive na orla de Cruz-credo, um lugar marcado pela precariedade e pela sensação de abandono. Entre as figuras que povoam o cotidiano da pequena comunidade está o padre Cícero, responsável pela capela azul do povoado e alvo constante das provocações da protagonista. A relação entre os dois mistura humor, curiosidade e uma tentativa insistente de catequese, já que Jurema nunca foi batizada - fato que, segundo os moradores, explicaria seu espírito inquieto.

O enredo se constrói a partir de uma imagem delicada e simbólica: a menina recolhe do lixo pedaços de papel, cartas incompletas e fragmentos de histórias esquecidas. Com esses restos, decide construir um barquinho de papel capaz de carregar sonhos e memórias. Cada relato ouvido, cada lembrança abandonada pela comunidade passa a compor o casco, as velas e o leme dessa embarcação imaginária. O gesto simples transforma-se em metáfora de travessia e de reinvenção.

Ao acompanhar o crescimento de Jurema, o romance propõe uma reflexão sobre memória, pertencimento e desejo de partida. A protagonista vive entre a afeição pelas pessoas do vilarejo e a vontade de conhecer o mundo além-mar. O barquinho, feito de palavras descartadas, simboliza justamente essa possibilidade de partir sem deixar de carregar consigo as histórias que moldam a identidade.

Antes mesmo da conquista do Prêmio Kindle, “Barquinho de Papel” já havia recebido reconhecimento ao vencer o Prêmio Carolina Maria de Jesus em 2023. A obra dialoga com o campo que a autora investiga academicamente: o chamado regionalismo fantástico, vertente que mistura elementos da cultura regional brasileira com atmosferas fabulares e imaginativas. Compre o livro "Barquinho de Papel", de Jadna Alana, neste link.


Sobre a autora

Formada em Letras pela Universidade Estadual da Paraíba e mestre em Linguagem pela Universidade Federal de Ouro Preto, Jadna Alana já vinha se destacando no cenário literário. O livro anterior dela, “Se Tu Me Quisesse”, foi finalista do Prêmio Kindle em 2022 e do Prêmio Odisseia de Literatura Fantástica em 2023. A autora também venceu o Prêmio Marília Arnaud com o conto “O Menino de Imburana”.

Além da produção literária, Jadna atua como profissional de texto na ALCE, sua marca editorial, e dirige o selo Candeário, dedicado à publicação de obras ligadas ao regionalismo fantástico. A vitória no Prêmio Kindle consolida sua trajetória e amplia a visibilidade de uma proposta estética que busca unir tradição regional, imaginação e experimentação narrativa.

Com “Barquinho de Papel”, Jadna Alana apresenta uma narrativa sensível sobre infância, memória e desejo de deslocamento. Ao transformar restos de histórias em matéria literária, o romance reafirma a potência das pequenas narrativas e das vozes esquecidas - aquelas que, dobradas com cuidado, podem se tornar barcos capazes de atravessar qualquer mar. Compre os livros de Jadna Alana neste link.

.: Teatro em SP: adaptação do romance “A Pediatra” estreia no Sesc Pinheiros


Inez Viana dirige e assina a primeira adaptação do romance homônimo de Andréa Del Fuego. A estreia no Auditório do Sesc Pinheiros será em 12 de março de 2026. Foto: Rodrigo Menezes

“A Pediatra” é a primeira adaptação para os palcos do romance homônimo que consagrou Andréa Del Fuego, vencedora do Prêmio José Saramago, idealizada por Inez Viana e Luis Antonio Fortes. Sucesso entre leitores, traduzido para sete idiomas, o romance foi considerado uma das melhores leituras de 2022 pelos críticos literários. A montagem teatral conta com adaptação e direção de Inez Viana e elenco formado por Debora Lamm e Luis Antônio Fortes. Debora Lamm interpreta uma pediatra que, paradoxalmente, odeia crianças e suas mães. Descrita como uma “vilã de humor vil”, ela é uma mulher privilegiada, classista e amoral cuja má conduta profissional e falta de empatia a levam a conflitos éticos e humanitários. A temporada de estreia nacional tem início em 12 de março de 2026, no Auditório do Sesc Pinheiros, onde fica em cartaz de quinta à sábado, às 20:30h, até 18 de abril. Leia a crítica do livro neste link: "A Pediatra" é importante para quem enfrenta a síndrome do impostor.


“Uma personagem como a Cecília encontrar uma atriz como Debora Lamm, é como um astronauta que finalmente encontra o planeta do seu destino. É raro. A personagem foi escrita para uma atriz como Debora Lamm, que pilota os pólos humanos na mesma intensidade. Para uma diretora como Inez Viana, que tão bem desenha a crueldade do desejo humano. Não é sempre que a literatura encontra o corpo que ela invoca.” – Andréa Del Fuego


Publicado em 2021 pela Companhia das Letras, "A Pediatra" consolidou Andréa Del Fuego como uma das vozes mais inquietantes da literatura brasileira contemporânea. O romance acompanha Cecília, uma médica pediatra que, a partir de uma prática clínica aparentemente ética e racional, passa a se envolver em uma série de decisões que tensionam de forma radical os limites entre cuidado, controle e violência. Narrada em primeira pessoa, a obra constrói um relato perturbador, no qual a frieza do discurso científico contrasta com a brutalidade dos atos descritos. 

A protagonista é uma mulher instruída, bem-sucedida e socialmente integrada, mas cuja relação com crianças, mães e corpos infantis revela um desejo profundo de poder e manipulação. Ao se apropriar do vocabulário médico e da autoridade institucional da medicina, Cecília legitima ações que desafiam qualquer noção humanista de cuidado. O corpo - especialmente o corpo infantil - aparece como território de disputa, silenciamento e intervenção, articulando temas como maternidade compulsória, biopolítica, misoginia e abuso de poder. Andrea del Fuego constrói essa personagem sem recorrer a explicações psicológicas fáceis ou a julgamentos morais explícitos, o que intensifica o desconforto do leitor, constantemente colocado diante de um dilema ético sem mediações.

A encenação de Inez Viana toca em questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, a escolha de uma profissão sem paixão, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Pensando nesses temas, o espetáculo pretende envolver o público de maneira cúmplice, onde Cecília contará sua história, o que a ajudará a entender seus conflitos e anseios. A montagem busca ainda promover debates sobre papéis sociais e temas urgentes como aborto e ética profissional.


“Mulher privilegiada, classista, cheia de preconceitos, Cecília não percebe que sua má conduta se volta contra si e, obviamente, contra todas as pessoas à sua volta, perdendo uma oportunidade de praticar a medicina de forma mais humanizada. E aí há uma identificação geral quando pacientes de todas as classes já sofreram e sofrem por negligência médica. No Brasil, médicas e médicos, sobretudo em hospitais públicos onde a sobrecarga e o estresse estão sempre presentes, têm seus trabalhos afetados por atendimentos apressados e impessoais, sentido por seus pacientes. Mas as vezes não é uma escolha, como é para Cecília, que vai na contramão do que seria humanizado, como propõe a figura do outro pediatra Jaime, que se torna seu rival.” – Inez Viana


A respeito de suas personagens, Debora Lamm comenta que: "Cecília é uma pessoa amoral, que estudou medicina pela facilidade de seu pai ser um médico benquisto por colegas e pacientes, mas ela mesmo não tem o exercício do afeto e o tempo inteiro testa os limites da ética, vivendo à margem do humano." Já Luis Antonio Fortes diz que: "Celso é um cara de caráter duvidoso e amante de Cecília, a pediatra que fez o parto de seu filho Bruninho, uma criança por quem ela se vê encantada. Mas Celso também está encantado por Cecília."


Ficha técnica
Espetáculo "A Pediatra"
Texto: Andréa Del Fuego
Direção artística e adaptação dramatúrgica: Inez Viana
Elenco: Debora Lamm e Luis Antonio Fortes
Direção de produção: Bem Medeiros e Luis Antonio Fortes 
Produção executiva: Matheus Ribeiro
Assistência de direção: Lux Nègre 
Colaboração artística: Denise Stutz 
Cenário: Aurora dos Campos
Figurino: Carla Costa
Direção musical: Navalha Carrera
Iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni 
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: Rodrigo Menezes
Design: Laryssa Ramos 
Idealização: Inez Viana e Luis Antonio Fortes
Realização: Sesc SP
Produção: Eu + Ela e Suma Produções


Serviço
Espetáculo "A Pediatra"
Temporada: 12 de março a 18 de abril, quintas, sextas e sábados, exceto na Sexta-feira Santa (3 de abril).
Horários: Às 20h30. Dias 27 de março, 10 e 17 de abril haverá sessões também às 16h
Sessão com LIBRAS dias 17 e 18 de abril – 3 sessões
Local: Sesc Pinheiros - Auditório - R. Pais Leme, 195 - Pinheiros, São Paulo, SP
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia entrada) e R$ 15,00 (credencial plena). Vendas em sescsp.org.br ou na bilheteria de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 60 minutos | Classificação: 12 anos
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

Sesc Pinheiros  
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros - São Paulo (SP)
Horário de funcionamento: terça a sexta: 10h00 às 22h00. Sábados: 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista
Como chegar de transporte público: 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: Guida Vianna e Silvia Buarque na peça "A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe"


Com texto de Daniela Pereira de Carvalho e direção de Leonardo Netto, a peça aborda um dos temas mais atemporais e universais: a relação (nem sempre fácil) entre mãe e filha. Foto: Nil Caniné

 
O espetáculo "A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe" volta a São Paulo para uma curta temporada gratuita na CAIXA Cultural, até dia 15 de março. A montagem propõe uma reflexão sobre os encontros e confrontos entre três gerações de mulheres, sobre temas urgentes da sociedade como a homofobia, as lutas históricas feministas e a construção de um novo lugar para a mulher. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e tem o patrocínio da CAIXA.

Com texto de Daniela Pereira de Carvalho e direção de Leonardo Netto, a peça investiga a relação entre mães e filhas vividas pelas personagens interpretadas por Guida Vianna e Silvia Buarque. A dramaturgia acompanha afetos, conflitos, silêncios e rupturas que atravessam gerações, evidenciando transformações sociais e subjetivas ao longo do tempo. Em um instigante jogo cênico, Elisa (Guida Vianna), aos 70 anos, reencontra depois de muito tempo sua filha Antonia (Silvia Buarque) com 50 anos. Passados 20 anos, a mesma Antonia, já aos 70 (agora vivida por Guida), conhece a sua filha perdida, Helena (agora vivida por Silvia), aos 50 anos.

“É um espetáculo de ator. Quero dizer, é um espetáculo sem pirotecnias, sem grandes distrações para a plateia. Temos duas ótimas atrizes, um ótimo texto e o espetáculo é todo construído em cima desses dois elementos. Tudo está a serviço dessas duas atrizes e de transmitir este texto. Esse é o tipo de teatro que eu mais gosto, focado no trabalho do ator, e esse é o meu grande prazer em dirigir este espetáculo, que tem me dado muitas alegrias durante o seu processo de criação”, explica o diretor Leonardo Netto.

Na trama, Guida Vianna e Silvia Buarque dão vida a personagens atravessadas por rupturas familiares e silêncios prolongados. Aos 50 anos, Antonia (Silvia Buarque) tenta reconstruir a relação com a mãe Elisa (Guida Vianna), que reage com resistência à sua orientação sexual. Nesse percurso, a personagem revela um segredo que carrega há décadas: o nascimento de uma filha que não criou. 

“Eu me dei conta, com essa peça, de que sou uma veterana. Dani (Pereira de Carvalho, autora) gostou de mim ainda na sua adolescência, ao me assistir em duas peças nos anos 90 - eu, ainda uma jovem de 20 e poucos anos. Tempos depois, durante a pandemia, Dani me convidou pra ler a peça com ela por Zoom. Me encantei com o texto e decidi produzir, coisa de veterana mesmo. A nós se juntou a Guida (Vianna) que me faz lembrar que ainda tenho muito a aprender. E veio o Leo (Netto, diretor), também para ensinar. Estou no céu!”, afirma Silvia Buarque, que também é a produtora do espetáculo. 

A ação acontece num espaço como um corredor, com a plateia distribuída em dois lados opostos. O cenário de Ronald Teixeira traz o chão coberto por folhas secas, evocando uma suspensão no tempo. Entre cadeiras de madeira de diferentes épocas, as atrizes interagem com uma cadeira de bebê que fará as vezes de um bar. No alto, sobre elenco e plateia, há molduras aéreas de janelas. Os figurinos, também de Ronald Teixeira, acompanham os tons terrosos do cenário. A luz é de Paulo Cesar Medeiros, a direção de movimento de Marcia Rubin e a trilha sonora de Leonardo Netto.

“Gosto de dramaturgia e estou muito feliz em estar fazendo um texto brasileiro de uma autora contemporânea. O tema ‘mãe e filha’ é universal e atemporal. As relações afetivas simbióticas envolvem um tanto de afeto e outro tanto de conflito. ‘A Menina Escorrendo Dos Olhos da Mãe’ trata de três gerações de mulheres em seus encontros e desencontros. Isso me chama para o teatro, me chama para o palco, me chama para atuar”, conta Guida Vianna.


Ficha técnica
Espetáculo "A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe"
Texto: Daniela Pereira de Carvalho. Direção: Leonardo Netto. Elenco: Guida Vianna e Silvia Buarque. Cenário e Figurinos: Ronald Teixeira. Iluminação: Paulo Cesar Medeiros. Direção de Movimento: Márcia Rubin. Trilha Sonora: Leonardo Netto. Mídias Sociais: Rafael Teixeira. Fotos: Nil Caniné. Design Gráfico: Gilberto Filho. Direção de Produção: Celso Lemos. Produção: Silvia Buarque. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.

 
Serviço
Espetáculo "A Menina Escorrendo dos Olhos da Mãe"   
CAIXA Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 – Centro – São Paulo/SP (próxima à estação Sé do Metrô).
Data: até dia 15 de março de 2026.
Horários: Quintas a sábado, às 19h00 | Domingos, às 18h00.
Sessões com acessibilidade dias 6 e 13 de março.
Entrada Franca: os ingressos serão distribuídos uma hora antes da sessão, limitados a um ingresso por pessoa. 
Duração: 75 minutos.
Classificação indicativa: 14 anos.
Gênero: drama 
Acesso a pessoas com deficiência  
Informações: (11) 3321-4400 | https://www.caixacultural.gov.br
Patrocínio: CAIXA e Governo Federal

.: A temporada de despedida: "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária"


A distopia criada por Nelson Baskerville a partir da tragédia carioca de Nelson Rodrigues ressurge como um espelho cruel das hipocrisias brasileiras, amplificadas pelo recente avanço da extrema direita. Foto: Jennifer Glass

"Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária ou no Brasil Todo Mundo É Peixoto", com direção de Nelson Baskerville, realiza sua temporada de despedida no histórico Teatro de Arena, um dos espaços mais emblemáticos do teatro brasileiro. Após duas temporadas de sucesso, a montagem da Cia da Borracha fica em cartaz de 12 a 29 de março de 2026. O espetáculo revisita a tragédia de Nelson Rodrigues em chave distópica para refletir sobre as hipocrisias do país e o avanço da extrema direita. A produção, encabeçada por Marcio Araujo, também marca a estreia da Companhia da Borracha, jovem núcleo teatral que surge na cena paulistana. Com um elenco numeroso e diverso, o grupo se propõe a reafirmar a potência da dramaturgia nacional como lente crítica para pensar o Brasil de hoje: suas contradições sociais, seus abismos éticos e suas disputas políticas. 

No elenco, estão Afonso Bispo Jr, Carol Rainatto, Duda Paiva, Filipe Barral, Gui de Rose, Isa Scoralick, Juliana Roberta, Lauro Fagundes, Leonardo Van der Neut, Luciana Marcon, Lia Bennatti, Manu Nahas, Marcio Araujo, Estela Modena, Mariah, Naiara de Castro, Nelson Fioque e Sabrina Larisse. Em um cenário sufocante de pneus e borracha, a peça acompanha Edgard (Lauro Fagundes), um homem marcado pela miséria apesar de anos de dedicação ao patrão Werneck (Nelson Fioque). Ele recebe do chefe uma proposta tentadora: casar-se com Maria Cecília (Sabrina Larisse), jovem rica e "bonitinha" , mas envolta em um passado controverso. O dilema entre dinheiro e moralidade o arrasta por um universo de desejos reprimidos, traições e valores distorcidos.

A encenação expõe as principais hipocrisias da sociedade brasileira, intensificadas pelo recente avanço da extrema direita no país, que ficou camuflada durante muitos anos. E, para representar essa sociedade corrompida pelo poder e pela aparência, aparecem em cena figuras mascaradas com sacolas plásticas de supermercado e vestidas com figurinos manchados por lama.

A trilha sonora do espetáculo, executada ao vivo, mescla sucessos de Astor Piazzolla ("Vuelvo al Sur" e "Adios Nonino") com uma variada lista de músicas brasileiras, que vão de Roberto Carlos a José Augusto. Elas embalam as desventuras de Edgard que, por uma situação de miserabilidade, vê-se na encruzilhada entre tornar-se um “próspero” milionário ou honrar a educação e ética transmitida por seu pai.


Ficha técnica
Espetáculo "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária ou no Brasil Todo Mundo É Peixoto"
Texto: Nelson Rodrigues 
Direção e encenação: Nelson Baskerville
Assistência de direção: Bruna Martins
Elenco: Afonso Bispo Jr, Carol Rainatto, Duda Paiva, Filipe Barral, Gui de Rose, Isa Scoralick, Juliana Roberta, Lauro Fagundes, Leonardo Van der Neut, Luciana Marcon, Lia Bennatti, Marcio Araujo, Manu Nahas, Estela Modena, Mariah, Naiara de Castro, Nelson Fioque e Sabrina Larisse. 
Desenho da coreografia: Fernando Fecchio 
Cenografia: Nelson Baskerville 
Figurino: Davi Parizotti 
Assistentes de figurino: Patrícia de Simone e Alex Andrade 
Costureira: Claudia Moreno 
Iluminação: Bruno Garcia
Sonoplastia/música ao vivo: Filipe Barral e Mariah
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Mídias Sociais: Júlia Castanheiro e Leonardo Van der Neut 
Identidade visual e programa: Alana Fagundes e Déborah Kovezi
Produção: Ocanga Produções
Apoio: Inbox Cultural

Serviço

Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária ou no Brasil todo mundo é Peixoto, com texto e direção de Nelson Baskerville
@bonitinhamasordinariasp


Temporada: 12 a 29 de março de 2026 

Quinta a sábado, 19h30 e domingos às 18h



Teatro de Arena Eugênios Kusnet - Rua Teodoro Baima, 94 - Consolação SP

Ingressos: 

Venda online neste link.

Gênero: Drama

Classificação indicativa: 18 anos

Duração: 110 minutos

.: Maxiane Rodrigues relembra alianças, avalia conflitos e conta quem quer levar


Após deixar o “BBB 26”, Maxiane Rodrigues relembra alianças, comenta os principais embates do jogo e revela quais amizades pretende manter fora da casa. Foto: 
Globo/ Beatriz Damy


Eliminada do “BBB 26” com 63,21% dos votos, Maxiane Rodrigues deixou a casa mais vigiada do país após enfrentar um paredão disputado contra Milena Moreira e Chaiany Andrade. A votação mobilizou o público e alcançou 3 milhões de CPFs únicos, tornando-se a maior desde a implantação do sistema que separa voto de torcida e voto único. Natural de Nazaré da Mata, em Pernambuco, a influenciadora digital faz um balanço de sua trajetória no reality, revisita alianças, comenta rupturas estratégicas e reflete sobre os conflitos que marcaram sua participação. Na conversa a seguir, Maxiane também fala sobre os aprendizados que leva da experiência e revela quais amizades pretende cultivar fora da casa.
 

Quais foram os momentos mais especiais do "BBB" para você?
Maxiane Rodrigues - Fazer alianças que se transformaram em amizades que quero levar para a vida toda foi muito especial. Entre elas, destaco a de Sarah e a de Marciele, que foram grandes parceiras minhas. Um dos pontos mais incríveis do programa também foi ser Líder, porque é o ápice do reality. Viver tudo aquilo foi extraordinário. A minha festa também foi marcante, pois me ajudou a me reconectar com minha identidade e origens. Em algum momento do jogo, a gente acaba se perdendo, porque a dinâmica nos faz focar demais no jogo. Mas quando olhamos para as fotos e lembramos de onde viemos, isso nos faz relaxar e sentir em casa. Sempre tive curiosidade sobre as festas do "BBB" e foi muito especial participar delas, conhecer os cantores de perto e viver todas as dinâmicas.


E os mais desafiadores?
Maxiane Rodrigues - Os momentos mais desafiadores foram lidar com a hostilidade. Aqui fora, quando não nos damos bem com alguém, simplesmente nos afastamos. Lá dentro, isso não é possível, e os embates acabam acontecendo. Muitas vezes falamos coisas que não deveríamos, por causa da raiva e da pressão. Além disso, a imprevisibilidade das dinâmicas também foi difícil. Em um dia pode haver um “sincerão” pesado, e no outro algo mais leve, o que muda completamente o clima da casa. Outro desafio foi ter que votar e tirar o sonho de alguém. Cada pessoa ali é vitoriosa e merece estar naquele lugar, então machucar e ser machucada fez parte dos momentos mais difíceis para mim.


Você começou o jogo em um grupo e depois acabou indo para o outro lado. Por que optou por esse movimento? Houve algum momento de virada?

Maxiane Rodrigues - O momento de virada foi a prova do Líder, mas isso já vinha acontecendo gradualmente. Eu e Marciele nos identificávamos mais com a forma de jogar de um grupo, especialmente com Sarah, com quem me conectei muito. Aos poucos, fomos nos afastando do outro grupo, e chegou um momento em que era preciso tomar decisões. A prova do Líder apenas consolidou essa escolha. Eu não queria ficar em cima do muro; preferia jogar com pessoas com quem me identificava, mesmo correndo o risco de sair. O "BBB" é muito sobre o dia a dia e a convivência, e foi isso que nos levou a essa mudança.

Nos últimos dias, também houve um rompimento da sua aliança com Breno e Marcelo. Por que acha que isso aconteceu? 
Maxiane Rodrigues - Eu e Marciele nos identificávamos mais com Sarah, Sol, Cowboy e Jonas, enquanto Breno e Marcelo tinham afinidades com Babu, Juliano e Boneco. Essa ruptura foi acontecendo gradualmente, não de forma repentina. O jogo exige que, muitas vezes, passemos por cima de sentimentos para seguir nossas razões, porque no final só um vence, só um sai no paredão. Cada um tomou suas decisões, pensando em si, e tudo bem.

Quando o Marcelo foi eliminado, você chorou a saída dele, embora já não estivessem mais jogando juntos. Sentiu-se culpada pela eliminação dele?
Maxiane Rodrigues - Quando ele saiu, foi um choque. Eu realmente não acreditava que ele fosse sair, e acho que ninguém na casa imaginava. Todo mundo lá dentro acreditava que ele movimentava o jogo, que articulava, tinha presença, opinião e boas relações. Então, imaginávamos que ele protagonizava e jamais sairia. Eu até falei para ele, minutos antes, que não iria sair. Quando anunciaram o nome dele, eu pensei: “Ué, Nossa Senhora!”. A gente acaba se sentindo culpada de alguma forma, embora ele já tivesse embates com Jonas. Se Jonas o colocou, é porque tinha motivos para isso. E se o Marcelo saiu, foi porque o público quis que ele saísse. Não era minha responsabilidade. Só que eu só consegui entender isso ao longo dos dias, porque lá dentro todo mundo acreditava que era paredão falso, inclusive o meu. Ficamos naquela expectativa de que ele voltaria. Eu sou muito emoção e agi com o coração. Por mais que uma pessoa saia pela porta, você não deseja mal a ela. A gente conhece as histórias das pessoas, e quando alguém sai, é também um sonho que vai embora, junto com seus propósitos e objetivos. Sofri muito com a saída dele porque não queria que acontecesse, embora todas as dinâmicas sejam cheias de surpresas. Fui pega de surpresa no contragolpe. Mesmo que tenhamos nos afastado, eu jamais desejaria que ele estivesse fora da casa. Desejava que continuássemos juntos ali, mesmo jogando em lados opostos. Isso vem do fundo do coração.. 


Enquanto eles se afastavam, Jordana acabou se aproximando de você e da Marciele. As duas foram suas maiores aliadas no reality?

Maxiane Rodrigues - A Jordana era parceira da Aline, que saiu, e depois da Sol, que também saiu. Ela sempre deixava claro que estava ali e poderia jogar com a gente. Minha relação com a Jordana e com a Marciele foi acontecendo de forma gradativa, e chegou um momento em que precisei decidir se jogava ou não com ela. Foi uma excelente decisão, porque Jordana é uma mulher inteligente, articulada e que vai para o embate sem abaixar a cabeça. Às vezes eu até dizia: “Jordana, menos, segura um pouco a onda”, porque ela é intensa e enfrenta tudo de frente. Temos histórias e profissões parecidas, e antes de sair ela me disse que me admirava muito. Isso foi especial, porque sempre quis que minhas conexões fossem naturais e não forçadas.

Seus embates com a Ana Paula fizeram parte da rotina da casa nas últimas semanas. Na sua opinião, o que provocou esses conflitos?
Maxiane Rodrigues - Foram as diferenças de pensamento e de forma de jogar. Ela já tem experiência, é uma mulher inteligentíssima e estratégica, com sua maneira própria de se posicionar. Eu tenho a minha forma de ver e de jogar. Por sermos muito diferentes, o afastamento aconteceu naturalmente. Em alguns posicionamentos, ela tinha total razão, mas só conseguimos enxergar isso depois que saímos, porque viver e assistir são coisas bem diferentes. Esses embates refletem personalidades distintas, e no BBB é inevitável ir para o confronto.

Por diversas vezes o seu grupo especulou que os eliminados às terças-feiras estariam em paredões falsos, o que não aconteceu. As eliminações não davam nenhuma pista do jogo para vocês lá dentro?
Maxiane Rodrigues - Não. Por exemplo, o discurso da Sarah foi tão suave que acreditávamos que ela ficaria. Eu a via como uma pessoa coerente, cautelosa, gentil e cuidadosa com o que dizia. Ninguém imaginava que ela fosse sair. Ficamos sete dias esperando que fosse um paredão falso. Lá dentro, todos estavam sempre com essa expectativa, mas nunca se confirmava.

Com que participantes deseja manter amizade fora da casa?
Maxiane Rodrigues - Estou com o coração muito tranquilo. Lá dentro sempre falei que, apesar dos conflitos, mágoas e ressentimentos, tudo ficaria naquela porta para dentro. Aqui fora quero levar apenas coisas boas. Quem quiser se aproximar de mim, estou de coração aberto; quem não quiser, está tudo bem também, porque cada um sente e reage de uma forma. Há muitas pessoas que quero levar para a vida: Marciele, Jordana, Breno, Babu, que é um cara que respeito muito, Chai, que tem uma história magnífica, Gabi, Cowboy... Enfim, muita gente. Mas isso precisa ser recíproco. Eu estou de peito aberto, porque tudo que foi ruim ficou lá dentro. Aqui é vida real.

Que aprendizados carrega dessa experiência?
Maxiane Rodrigues - Foram muitos aprendizados. Aprendi a falar menos e ouvir mais. A julgar menos. Muitas vezes é melhor refletir antes de falar ou decidir se vale a pena bater de frente. Esses são aprendizados que quero levar para a minha vida.

Já conseguiu assimilar o que muda na sua vida depois da passagem pelo "BBB"? Pretende seguir atuando como influenciadora digital?
Maxiane Rodrigues - Estou assimilando tudo aos poucos, porque é uma bomba de informações. Saímos de lá vulneráveis e desestabilizados, com a frustração de sair sem o prêmio. Acho que ainda não consegui absorver nem 10% de tudo. Mas eu amo trabalhar com o que faço. Já atuava como influenciadora na minha região, e até o Gil comentou isso no bate-papo. Quero continuar nesse caminho, mas também quero investir no meu negócio como empreendedora. Trabalhar é minha fonte inesgotável de energia e vigor, é o que me ajuda a perceber quem eu sou e aonde quero chegar. Então, quero seguir tanto como influenciadora quanto como empreendedora. Para mim, está tudo certo. É isso que eu quero. 

.: Elaine Frere e Flávvio Alves consolidam parceria com o lançamento de álbum


O primeiro álbum da cantora e compositora Elaine Frere em parceria com o poeta, compositor e produtor musical Flávvio Alves foi lançado. Gravado no estúdio Canto da Coruja, “Lá Onde o Agora Espera” chega ao público pelo selo Sete Sóis com distribuição da Tratore e com capa em aquarela da artista cearense Raísa Christina. Depois de três singles rodando nas plataformas digitais, a dupla resolveu produzir o álbum. Entre mais de duas dezenas de composições em parceria, Flávvio escolheu 12. As canções se conectam tematicamente e foram alinhavadas seguindo o formato vinil - no lado A estão seis faixas que falam sobre tempo e espaço; e no lado B estão as seis que discorrem sobre desilusão, medo e desesperança.

No álbum, que tem as participações especiais do cantor Rubi nos vocais e do guitarrista Estevam Sinkovitz, Elaine Frere é acompanhada por Ricardo Prado (sanfona, teclados, baixo, violão e bateria) e Guto Gonzales (bateria). A parceria começou quando Flávvio viu um post de Elaine junto com a filha. “A foto era tão significativa, eivada de amor fraterno e de tantos outros sentimentos implícitos, que emocionado resolvi comentar o post”, conta Flávvio. 

“Receber um poema de Flávvio para musicar é como atingir a maioridade! O comentário numa postagem na rede social era tão perfeito, que musiquei sem que ele soubesse. A coragem de mostrar demorou, mas rendeu uma enxurrada de escritos que me foram enviados pelo Flávvio, com uma mensagem para que eu escolhesse um para musicar. E eu musiquei praticamente todos! As melodias pulavam daquelas palavras na primeira leitura e era impossível reter aquele fluxo. Flávvio respira versos e os seus versos me tocam profundamente, fazendo perfeita aliança com as melodias que trago, engavetadas no tempo”, revela Elaine, contando sobre a conexão imediata com Flávvio e as diversas composições que brotaram depois do comentário na postagem.

“Eu me sinto traduzido nas melodias da Elaine, ela consegue encontrar o âmago das minhas palavras de uma maneira que somente o olhar feminino conseguiria. Cada parceiro transita em um universo diferente da minha criação artística, intuo para qual parceiro ou parceira devo mandar determinado tipo de letra. Encontrar este caminho me dá uma satisfação imensa”, completa Flávvio. Assim, Elaine entrou para o rol dos parceiros mais constantes de Flávvio, formado por  Kleber Albuquerque, Adolar Marin e Rubi.

Flávvio Alves e Elaine Frere, em aquarela de Raísa Christina


Flávvio Alves é poeta, compositor e produtor, um dos fundadores do selo Sete Sóis, que já lançou mais de 50 álbuns, já foi gravado por Ceumar, Renato Braz, Rubi, Kleber Albuquerque, Fred Martins, Zeca Baleiro, entre tantos outros. Tem composições em parceria com Alice Ruiz, Adolar Marin, Carlos Careqa, Daniel Groove, Fred Martins, Fernando Cavallieri, Kleber Albuquerque, Marco Vilane, Rubi, entre tantos outros. Lançou o CD Outras canções de Desvio, com a arte da capa feita por Lourenço Mutarelli, e com composições em parceria com diversos artistas de diferentes Estados do Brasil, lançou dois álbuns em parceria com Adolar Marin e um álbum em parceria com Kleber Albuquerque.

Elaine Frere é produtora cultural e artista independente que atua em diversas esferas da arte, como por exemplo o Circo e o Teatro. Escreveu, atuou, dirigiu, compôs trilhas sonoras e produziu espetáculos com parceiros como Hugo Possolo, Guga Stroeter e Vladimir Capela. Atuou como Coordenadora Geral de Produção, Financeira e Gestora de Comunicação no FIC - Festival Internacional de Circo de São Paulo, de 2018 a 2022. Como escritora, é autora de dois livros infantis de temática circense: “Trilha das letras” e “Napoleão”. A partir de 2019 volta-se inteiramente para a música autoral e lança seu primeiro single “Quando Adormeço”, com participação de Kleber Albuquerque. Em 2021, lançou o álbum “Quando os versos se uniram pra reclamar canção”, com produção de Felipe Mancini. Desde então, vem lançando singles em parceria ou solo.

.: Encontro de Leituras recebe a autora portuguesa Catarina Gomes nesta terça


Obra publicada em Portugal pela Gradiva e no Brasil pela Dublinense será discutida com leitores em evento on-line e gratuito na próxima terça-feira, dia 10 de março


O Encontro de Leituras de março recebe a escritora e jornalista lisboeta Catarina Gomes para uma conversa sobre o livro "Terrinhas", publicado em Portugal pela Gradiva em 2022 e no Brasil pela Dublinense em 2025. O evento acontece no dia 10 de março, terça-feira, às 19h do Brasil (horário de Brasília) e 22h de Portugal, de forma online e gratuita, pela plataforma Zoom. O clube é gratuito e aberto a todos que queiram participar. O evento pode ser acessado com o ID 842 8191 4937 e a senha 835758. Para participar, basta seguir este link.

Em "Terrinhas", vencedor do Prémio Literário Revelação Agustina Bessa-Luís, acompanhamos a história de uma designer de interiores que se vê obrigada a voltar à aldeia em que seus pais nasceram - e que visitava na infância - para tratar da herança deixada por eles. A trama mergulha em memórias e afetos, explorando as tensões entre raízes familiares e escolhas pessoais.

"Terrinhas" passou a integrar o Plano Nacional de Leitura de Portugal, consolidando sua relevância literária e social, e a autora tornou-se reconhecida por investigar e narrar temas ligados à memória e à história do país. Como jornalista, Catarina Gomes foi ainda finalista do Prémio de Jornalismo Gabriel García Márquez pela reportagem Quem foi o filho que António deixou na guerra?. Compre o livro "Terrinhas", de Catarina Gomes, neste link.


Sobre o Encontro de Leituras
O Encontro de Leituras resulta da colaboração editorial entre o jornal português Público e a revista Quatro Cinco Um, focando em obras literárias disponibilizadas em ambos os países. O Encontro reúne leitores de língua portuguesa e discute romances, ensaios, memórias, literatura de viagem e obras de jornalismo literário na presença de um escritor, editor ou especialista convidado.  Os encontros são gratuitos e acontecem sempre nas segundas terças-feiras de cada mês, às 19h00 do Brasil e 22h00 de Portugal. 

O evento não é transmitido nas redes sociais, nem disponibilizado depois. É uma experiência para ser vivida por aqueles que se juntam à sessão. Os melhores momentos são depois publicados no podcast Encontro de Leituras, disponível no Spotify, Apple Podcasts, SoundCloud ou outros aplicativos habituais. 

A parceria entre a Quatro Cinco Um e o Público conta com um espaço editorial fixo nos dois veículos e uma newsletter mensal sobre o trânsito literário e editorial entre os países de língua portuguesa. A editoria especial publica materiais jornalísticos sobre autores do Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau e Timor que tenham sido lançados dos dois lados do oceano. A newsletter mensal traz notas, curiosidades, imagens e informações sobre as novidades das livrarias e os eventos literários em Lisboa, São Paulo, Rio de Janeiro e outras cidades onde se fala português. De vez em quando, na programação de festivais e em outras ocasiões, eventos presenciais serão realizados.


Serviço
"Encontro de Leituras" com Catarina Gomes

Terça-feira, dia 10 de março
Horário: 19h00 do Brasil e 22h00 de Portugal
Modalidade: on-line e gratuito, via Zoom
Participe: https://us06web.zoom.us/j/84281914937?pwd=bbScBuXJg69a9IYhiPYxM2tmTcmbFZ.1
ID:842 8191 4937
Senha de acesso: 835758

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