Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
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sexta-feira, 8 de maio de 2026
.: Pianista pernambucano Amao Freitas ganha o prêmio Paul Acket
Por Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.
.: Filme “Valor Sentimental”, vencedor do Oscar, em cartaz no Cine Arte Posto 4
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.
“Valor Sentimental” | “Sentimental Value” (título original)
Gênero: drama.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: inglês.
Direção: Joachim Trier.
Roteiro: Joachim Trier e Eskil Vogt.
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Elle Fanning, Inga Ibsdotter Lilleaas, Anders Danielsen Lie.
Distribuição no Brasil: Retrato Filmes / MUBI.
Duração: 2h13.
Cenas pós-créditos: não.
Em cartaz até dia 13 de maio
quinta-feira, 7 de maio de 2026
.: “Luta Pelo Amanhã” usa muay thai para reconstruir relações quebradas
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.
A estreia de "Luta Pelo Amanhã", nesta quinta-feira, dia 7 de maio, aposta na fisicalidade das artes marciais para narrar uma história que, no fundo, é menos sobre golpes e mais sobre vínculos partidos. Dirigido por Chan Tai-Lee, o longa-metragem distribuído pel A2 Filmes conduz o espectador pelas ruas densas de Hong Kong, onde passado e presente colidem com a mesma intensidade de um ringue.
No centro da narrativa está Shi San-lung, ex-líder do submundo que tenta reconfigurar a própria existência após anos afastado do crime. O reencontro com o filho, no entanto, não oferece redenção imediata: ao contrário, funciona como gatilho para que antigas rivalidades retornem com força, arrastando ambos para um ciclo de violência que parecia encerrado. É nesse contexto que o Muay Thai surge não apenas como ferramenta de combate, mas como linguagem simbólica: cada luta encena aquilo que não foi dito, cada movimento carrega o peso de culpas acumuladas.
Há um esforço evidente do filme em equilibrar o espetáculo físico com um drama familiar que busca densidade emocional. A presença de Patrick Tam, nome veterano do cinema asiático, contribui para dar corpo a esse conflito, sustentando a ambiguidade de um personagem que oscila entre a brutalidade do passado e a tentativa - talvez tardia - de reconstrução afetiva. Em paralelo, a ambientação reforça esse embate: a Hong Kong retratada aqui não é cartão-postal, mas território de tensões, onde tradições e transformações urbanas coexistem de maneira instável.
Curiosamente, produções recentes do cinema de ação asiático têm investido nesse cruzamento entre combate e melodrama, aproximando-se de um modelo que dialoga tanto com o público global quanto com questões locais de identidade e pertencimento. “Luta Pelo Amanhã” se insere nesse movimento ao utilizar o ringue como extensão do espaço doméstico - um lugar onde pai e filho precisam, literalmente, se enfrentar para que qualquer possibilidade de reconciliação exista.
Sem reinventar o gênero, o filme encontra força na maneira como articula seus elementos: a coreografia das lutas, a tensão entre gerações e a ideia de que o futuro, como sugere o título, é sempre uma conquista instável. Ao final, o que permanece não é apenas a memória dos combates, mas a sensação de que algumas batalhas, especialmente as familiares, jamais se encerram por completo. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Ficha técnica
“Luta pelo Amanhã” | "Fight For Tomorrow" (título original)
Gênero: ação, drama.
Duração: 101 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2024.
Idioma: cantonês.
Direção e roteiro: Chan Tai-Lee.
Elenco: Patrick Tam, (demais nomes não amplamente divulgados).
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
.: “Deixando Neverland 2" desafia legado de Michael Jackson e reacende feridas
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.
Com abordagem direta e sem recorrer a reconstituições dramáticas, o filme investe novamente na força dos depoimentos, ampliando o escopo para além da denúncia inicial e mergulhando nas engrenagens legais que atravancam processos dessa natureza. A narrativa expõe audiências, recursos e entraves jurídicos que, mais do que adiar decisões, revelam o quanto a figura pública de Jackson ainda mobiliza estruturas de defesa institucional e emocional. Ao mesmo tempo, Reed opta por manter o foco nas consequências íntimas: relações familiares tensionadas, traumas persistentes e o custo psicológico de enfrentar uma opinião pública frequentemente hostil.
A nova produção também surge em um contexto simbólico: enquanto cinebiografias e revisões da obra de Michael Jackson voltam a ganhar força na indústria, o documentário atua como contraponto incômodo, tensionando a memória coletiva e questionando a facilidade com que o entretenimento absorve ou silencia controvérsias. Há, inclusive, um dado curioso que atravessa sua trajetória recente: diferentemente do original - que estreou no Festival de Sundance e teve ampla difusão pela HBO -, esta sequência enfrentou dificuldades de distribuição internacional, chegando a ser disponibilizada de forma mais restrita e até considerada insatisfatória pelo próprio diretor em termos de alcance.
Esse deslocamento, longe de diminuir sua relevância, reforça o caráter quase insurgente da obra. Ao escapar dos circuitos tradicionais, “Deixando Neverland 2” se posiciona como um produto que insiste em existir apesar das barreiras, sejam comerciais, jurídicas ou simbólicas. O resultado é um filme que amplia o campo de discussão sobre abuso, poder e memória, reafirmando o documentário como instrumento de confronto e não de conciliação. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
Ficha técnica
“Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson” | "Leaving Neverland 2" | "Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson"
Gênero: documentário.
Duração: 53 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: Inglês.
Direção e roteiro: Dan Reed.
Elenco: Wade Robson, James Safechuck.
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.
.: Manual Crônico: “Sabor média”, a nova e triste receita
Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.
Como não apareço por aqui há algum tempo, penso que a dona de casa esteja com saudade - ou deveria, pelo menos. E, por isso, o paciente leitor há de ouvir, de forma condescendente, as minhas lamúrias advindas do mau trabalho feito pelos padeiros de hoje em dia.
Pois bem. A média pode ser muita coisa. Podemos andar por aí a fazer média com nossos pares. A Matemática nos deu a média aritmética, que tanto custou a entrar em meus miolos. O Direito nos informa sobre o homem médio, que não sei bem pra que serve. E as padarias, universo afora, servem aos clientes a boa e velha média que, para Noel Rosa, não pode ser requentada.
Por aqui, a coisa é diferente. A média de sempre não é média, é pingado, ainda que ali a proporção de leite e café vá além de um simples pingo. Não obstante as diferenças terminológicas, a coisa vai de mal a pior. Veja bem: aqui em nossa província santista (como diz um amigo cronista da região), a média não apresenta estado líquido. Ela é sólida, muito sólida e, hoje em dia, quase um tijolo. E os padeiros… ah, os padeiros! Meu amigo! Eu não sei bem o que está acontecendo com as padarias por aí. Não sei se são todas, mas sei que são muitas.
Talvez o curioso leitor esteja se perguntando o porquê de eu estar metendo o padeiro num assunto sobre média, pois, na prática, não é ele quem prepara e serve a média comum, saboreada por quase todos. Digo quase todos, porque aqui na Baixada não bebemos a média, mas a comemos - ou comíamos, não sei mais… E acabo de me dar conta de que ainda não informei o que é, para nós, a média.
Voilà:
A média aqui é pão. Sim, pão. Aquele pão gostoso, crocante, salgado, composto por apenas quatro ingredientes básicos: farinha de trigo, água, sal e fermento biológico. A boa e velha média, que hoje se tem que buscar à padaria, mas que antes chegava à porta de casa, cedinho, pelas mãos do padeiro, que dizia “não é ninguém, não. É o padeiro”, e nos despreocupávamos da pressa — a não ser que tivéssemos pressa para comê-la quentinha.
Esse mesmo pão, que por aqui se nomeia média, é, em outros lugares, pão de sal, pão francês, cacetinho, pãozinho, pão de trigo, carioquinha, pão careca, pão Jacó, filão, pão de massa grossa, ou o que se queira dizer para nomeá-lo, agora é um ex-manjar dos deuses.
Triste, muito triste…
E a culpa só pode ser dos padeiros. Se não deles, então, dos donos das padocas, que, certamente, seguindo a onda de simplificação na composição dos alimentos, tentam economizar nos ingredientes. Não encontro mais por aqui a boa e velha média, a crocante e saborosa média. Aquela que cabe na boca a cada bocada e faz crec crec durante a manducação. Antes, recebo da moça no balcão uma massa disforme, grande e boluda, que mais se assemelha a um sapo boi.
Indignadamente, protesto contra os padeiros! Abaixo os donos muquiranas das padocas contemporâneas! Sejam honestos e informem nas vitrinas de cada padaria: NESTE ESTABELECIMENTO VENDEMOS PÃO “SABOR MÉDIA”. “Sabor média”, entendeu? Porque média, mesmo, a verdadeira média da Baixada Santista, não existe mais.
Uma pena.
Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.
.: “12.12: O Dia” reconstrói golpe de 79 e estreia na Reserva Imovision
Ficha técnica
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
.: "Botão em Flor e o Jardim", onde a memória floresce em afeto
.: Na Reserva Imovision, “Omen” expõe feridas coloniais e provoca o espectador
Ficha técnica
“Omen” | “Augure” (título original)
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segunda-feira, 4 de maio de 2026
.: Editora Record relança "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos
Relançado pela Editora José Olympio, o livro "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos é um convite à reflexão sobre dilemas humanos de um dos autores mais populares da poesia brasileira, conhecido como o "Poeta da Morte", e referendado por nomes como Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux e Antônio Houaiss
O que disseram sobre as poesias de Augusto dos Anjos
“A leitura do 'Eu' foi para mim uma aventura milionária. Enriqueceu minha noção de poesia. Vi como se pode fazer lirismo com dramaticidade permanente, que se grava para sempre na memória do leitor. Augusto de Anjos continua sendo o grande caso singular da poesia brasileira.” – Carlos Drummond de Andrade
Sobre os autores
.: Beth Goulart retorna a São Paulo com "Simplesmente Eu, Clarice Lispector"
Beth Goulart, que dirige e protagoniza o premiadíssimo espetáculo, dá continuidade às comemorações da sua carreira que completa 52 anos. Foto: Fabian
Serviço
.: CineSesc 2026 homenageia Zezé Motta
Projeto do Sesc reúne produções nacionais e internacionais em temas que trazem memória, ancestralidade, família e diversidade cultural. Foto: divulgação
Uma das artistas mais completas e influentes do Brasil, Zezé Motta é a grande homenageada do CineSesc 2026. Quatro filmes protagonizados pela atriz compõem o acervo do projeto, dentro do recorte Retrospectiva Brasil, que celebra grandes nomes do cinema brasileiro. Entre eles, o icônico "Xica da Silva" (1976), papel que lhe rendeu os principais prêmios do cinema nacional. No total, o CineSesc licenciou este ano 50 obras cinematográficas para serem exibidas gratuitamente nas salas de cinema da Instituição até dezembro.
“A decisão de homenagear a Zezé Motta e sua carreira de seis décadas de atuação, marcada por talento, versatilidade e engajamento social, reafirma o compromisso do Sesc com a valorização de trajetórias que transformaram a cultura brasileira e abriram caminhos para novas gerações”, afirma o gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, Leonardo Minervini.
O catálogo do CineSesc 2026 reúne lançamentos premiados do cinema brasileiro contemporâneo até produções independentes autorais, além filmes de países como Cuba, Estados Unidos, França, Finlândia e Bélgica. O acervo também explora temas como ancestralidade, terror e longevidade, além de um recorte com sete produções voltadas ao público infantojuvenil.
São alguns destaques da programação: o “Auto da Compadecida 2”, com Matheus Nachtergaele e Selton Melo reprisando os papéis de João Grilo e Chicó, “Que Horas Ela Volta?”, estrelado por Regina Casé, “Meu Pé de Laranja Lima”, um clássico da literatura brasileira, “Malu”, premiado no Sundance Film Festival 2024, e “Meu bolo favorito”, dos diretores iranianos Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha, que explora as temáticas da solidão na terceira idade e repressão do regime fundamentalista islâmico sobre as mulheres.
.: Crônica: os lamentos da perda do que não faz parte do gosto da massa santista
Por: Mary Ellen Farias dos Santos
Em maio de 2026
* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Instagram: instagram.com/maryellen.fsm
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