sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Crítica musical: Alceu Valença, 80 anos de genialidade musical


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Um dos nomes mais importantes da nossa MPB, o pernambucano Alceu Valença completou 80 anos mantendo a mesma disposição para produzir verdadeiras pérolas musicais com aquele tempero nordestino inconfundível e irresistível.

Alceu é um talento multifacetado. Além da música teve passagens marcantes no cinema e até na literatura com um livro de poesias, Mas foi na música que ele se tornou conhecido, mesclando as influências  musicais de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro com outras que ele ouvia nas rádios.

Seu primeiro disco foi gravado em parceria com o igualmente genial Geraldo Azevedo em 1973. No ano seguinte lança o disco Molhado de Suor, frequentemente apontado como um de seus melhores trabalhos. E desde então não parou mais.

Basta um breve olhar em sua discografia para perceber a riqueza de sua obra. Álbuns como o "Espelho Cristalino" (1975), "Coração Bobo" (1980), "Cavalo de Pau" (1982). "Anjo Avesso" (1983) e "Mágico" (1985), só pra citar alguns exemplos, reúnem uma coleção de canções antológicas, algumas até se tornaram hits nas rádios, como a irresistível Tropicana.

A genialidade de Alceu se explica pelo fato de ele se manter autèntico, sem se render para concessões comerciais impostas pelas grandes gravadoras. E essa postura só comprovou que sua obra sempre teve o apelo popular. Basta ver seus shows sempre com grande presença de público.

Para nossa felicidade, Alceu segue em pela atividade comemorando merecidamente os seus 80 anos. E tomo emprestado os versos da canção Sete Desejos: E agora penso que a estrada/Da vida, tem ida e volta/Ninguém foge do destino/Esse trem que nos transporta.

"Estação da Luz"

"Sete Desejos"

"Coração Bobo"

.: “Tomo Controle Contigo”, novidade: Suzy McCalley lança novo single


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cantora brasileiro-americana Suzy McCalley está lançando um novo single. Bebendo na fonte das músicas brasileira e americana, Suzy está lançando a música “Tomo Controle Contigo”, pela Ada Brasil Music em todas as plataformas musicais. “A inspiração para essa música é o posicionamento da mulher no momento do flerte, da atração. Ela está entrando num clube, há aquele momento de tensão sexual, e no final é a mulher que escolhe o parceiro”, conta Suzy.

O single faz parte de um projeto chamado “Amor e Atitude”, que terá outras músicas lançadas ao longo do ano. No caso de “Tomo Controle Contigo”, a vocação de Suzy para extrapolar fronteiras aparece também numa batida meio caribenha, fruto da troca de experiências com o produtor Carlos Yael, vencedor de cinco Grammys.

Suzy nasceu no Brasil, filha de mãe brasileira e pai americano, ambos músicos. Mudou-se para os Estados Unidos aos 9 anos e mora lá até hoje, mas está sempre no Brasil e nos últimos três anos intensificou sua imersão musical, visitando Minas Gerais e o Nordeste, sempre em busca de novas influências e conhecimentos.  

Nos Estados Unidos, Suzy tornou-se uma espécie de embaixadora da cultura brasileira. Além de se apresentar com sua banda, realiza eventos que incluem, além de música, dança e gastronomia brasileiras. “É incrível compartilhar a cultura brasileira. Principalmente onde moro agora, na Carolina do Norte, onde as pessoas normalmente só conhecem “Garota de Ipanema” e uma ou outra música brasileira”,  concluiu.

"Tomo Contro Contigo"

.: Texto de Padre Antônio Vieira usa humor e música para falar de injustiça


De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, "Sermão de Santo Antônio aos Peixes", texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. Foto: Nil Caniné

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes", de Padre Antônio Vieira, é um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa. Com humor e crítica ácida, o espetáculo do século 17 toca em assuntos como desigualdade social, exploração econômica, corrupção e escravidão dos povos indígenas. De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, Sermão de Santo Antônio aos Peixes, texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. A montagem conta com direção e dramaturgia de Moacir Chaves, que também está em cena com Márcio Vito, além da música ao vivo executada por Gustavo Corsi, responsável pela direção musical. A temporada é de 16 de julho a 8 de agosto.

O espetáculo parte do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o "Imperador da Língua Portuguesa". No texto, os peixes são utilizados como metáforas para discutir a exploração do homem pelo homem, condenar a escravização dos povos indígenas e abordar temas como ganância, poder e corrupção. Em cena, dois atores e um músico apresentam o sermão por meio da interpretação, da música ao vivo e de recursos cênicos, revisitando um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa.

“Padre Antônio Vieira é o nosso Shakespeare. Como o inglês, Vieira escreveu textos para serem falados, alcançou enorme sucesso popular e sua obra permanece viva e atual. Vieira era performático. É impossível ler seus sermões sem imaginar sua atuação cênica. O púlpito era seu palco, sempre diante de uma audiência numerosa. Suas palavras são inteligentes, curiosas, engraçadas e dialogam com o nosso tempo”, afirma o diretor.

Pregado em 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, durante as celebrações de Santo Antônio, o Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi escrito em meio aos conflitos entre colonos e jesuítas em torno da escravização dos povos indígenas. Três dias após a pregação, Vieira embarcou para Lisboa para solicitar ao rei D. João IV a adoção de medidas que garantissem maior proteção aos indígenas diante da exploração promovida pelos colonos.

Sua atuação junto à Coroa portuguesa contribuiu para a criação de medidas voltadas à proteção dos povos indígenas. Além da atividade religiosa, Vieira exerceu funções diplomáticas e políticas. Seus sermões funcionavam como instrumentos de intervenção pública, abordando temas relacionados à organização social, à política, à religião e às relações humanas. Produzida ao longo do século XVII, sua obra discute intolerância, poder, conflitos e comportamento social, questões que permanecem presentes no debate contemporâneo.

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes" realizou temporadas no Sesc Copacabana e no Centro Cultural Baukurs Botafogo, ambos no Rio de Janeiro. Nesta montagem, Moacir Chaves revisita a obra de Padre Antônio Vieira três décadas após sua primeira aproximação com o autor, quando dirigiu Sermão da Quarta-feira de Cinza, espetáculo protagonizado por Pedro Paulo Rangel (1948–2022).

Segundo o encenador, o texto de Vieira articula elementos lúdicos e críticos para discutir contradições humanas que permanecem atuais. “O público daquela época aceitava Cristo, mas o problema era viver de forma cristã, abrir mão dos próprios privilégios e enfrentar a desigualdade social, que acaba atravessando a história”, conclui.


Ficha técnica
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Texto: Padre Antônio Vieira. Direção, Concepção e Dramaturgia: Moacir Chaves. Elenco: Márcio Vito e Moacir Chaves. Composição e Música ao Vivo: Gustavo Corsi. Cenário: Sergio Marimba. Figurino: Inês Salgado. Iluminação: Aurélio de Simoni. Assistentes de Direção: Maria Clara Schwerdtner e Isis Pessino. Direção Técnica: Anderson Bispo. Fotos: Nil Caniné. Arte e Design Gráfico: Maurício Grecco. Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes. Gestão e Conteúdo de Mídias: Sarah Marques. Produção Executiva: Flávia Primo. Produção: Ana Barroso e Monica Biel /BB Produções Artísticas.


Serviço
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran – R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo, SP
De 16 de julho a 8 de agosto. Quinta a sábado, às 20h30. Dias 31 de julho e 7 de agosto, sessões às 16h00 e às 20h30
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Vendas em sescsp.org.br, pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 60 minutos | Classificação: 14 anos.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Nos dias 31 de julho e 1° de agosto, as sessões contam com tradução em Libras.
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 10h00 às 22h00. Sábados, das 10h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h30.
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: “O Menino com Braços de Céu”: obra infantil aborda luto com delicadeza


Escrito por Vivian Caroline Lopes, o livro transforma perdas na infância em uma narrativa sensível sobre vida, finitude e afeto


Falar sobre perdas na infância é um desafio, seja nas famílias, nas escolas ou na sociedade. É nesse espaço sensível que a Editora Melhoramentos acaba de lançar "O Menino com Braços de Céu", livro de Vivian Caroline Lopes, que convida crianças e adultos a olharem para o luto a partir da delicadeza, do afeto e da poesia. A obra nasce de uma metáfora sobre a vida e sua finitude na figura de um carretel de fita, representando o fio a vida. Ao nascer, cada criança recebe alguns metros de fita, que simbolizam o tempo da vida. Ao longo da narrativa, o protagonista percebe que sua fita é mais curta e, ao desenrolá-lo, cria laços com tudo aquilo que ama, como pessoas, momentos, memórias e pequenas descobertas do dia a dia.

Com linguagem poética e visual, o livro constrói uma experiência sensorial sobre a finitude. O fio azul, presente também no acabamento da lombada, atravessa toda a narrativa como símbolo da trajetória da vida, dos vínculos que construímos e daquilo que permanece, mesmo diante da perda. As ilustrações elaboradas e aquareladas pela própria autora dialogam com o texto ao explorar vazios, traços incompletos e cores suaves, criando uma atmosfera de suspensão e contemplação. A escolha estética reforça a fragilidade da existência humana e a intensidade dos encontros que marcam a trajetória do menino. "O Menino com Braços de Céu" é um convite a falar e sentir a vida a partir de cada laço que se forma no caminho sob a perspectiva de uma criança.

Educadora e doutora em Literatura Brasileira, Vivian Caroline Lopes desenvolve projetos de incentivo à leitura e à escrita com crianças e adolescentes. A motivação para este livro, no entanto, nasceu de uma experiência profunda. Ao longo de sua trajetória como professora, a autora vivenciou perdas recorrentes de alunos em contextos atravessados pela violência, pelo crime e pela vulnerabilidade social.

“Foi a forma que encontrei para me expressar, ressignificar a ausência e honrar as memórias de quem partiu”, conta Vivian. A dedicatória da obra reforça esse propósito ao homenagear três jovens que tiveram suas histórias interrompidas.

Para Joice Castilho, gerente de Negócios da Editora Melhoramentos, o livro chega ao catálogo para ampliar a escuta e abrir conversas delicadas e necessárias no universo infantil. “Tratar de temas como o luto faz parte do compromisso da Editora em apoiar educadores e famílias na formação emocional das crianças. Ao abordar esse assunto com cuidado e responsabilidade, a obra se soma a um conjunto de títulos que contribuem para a discussão de questões essenciais do desenvolvimento infantil, com sensibilidade e profundidade”, afirma.

Títulos como “Agora Pode Chover”, “A Cabine Telefônica do Sr. Hirota” e "Menina Nina: Duas Razões para Não Chorar" já integram o catálogo da Editora e consolidam a atuação da Melhoramentos na construção de um repertório que acolhe as emoções da infância e contribui para a formação de leitores mais empáticos, capazes de compreender e elaborar experiências complexas. Compre o livro "O Menino com Braços de Céu", de Vivian Caroline Lopes, neste link.

Uma ferramenta para escolas e educadores
Ao tratar o tema com leveza, "O Menino com Braços de Céu" se apresenta como um recurso relevante para escolas, educadores e famílias, abrindo espaço para conversas difíceis e apoiando as crianças na nomeação de sentimentos, na compreensão das perdas e no reconhecimento da importância dos vínculos. A obra será lançada durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre 22 e 26 de julho de 2026. A sessão de lançamento e encontro com leitores está marcada para 23 de julho, às 16h30, na Casa Árvore. O livro também pode ser encontrado nas principais livrarias físicas e digitais do país, com preço sugerido de R$ 69,00. Garanta o seu exemplar de "O Menino com Braços de Céu", escrito por Vivian Caroline Lopes, neste link.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

.: Cia. EmVersão fala sobre adoção e luto em "Jabuticaba Nasce no Tronco"


Com texto e direção de Bernardo Fonseca Machado, espetáculo encerra trilogia de peças Ensaios Sobre a Morte, composta ainda por Relicário Inventado e Epitáfio. Foto: Tomás Franco

Inspirado em casos reais de adoção, "Jabuticaba Nasce no Tronco", novo trabalho da Cia. EmVersão, com direção, texto e idealização de Bernardo Fonseca Machado, pode ser assistido até dia 12 de julho, no Teatro Alfredo Mesquita, com sessões gratuitas de quinta a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00. O espetáculo é estrelado por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez.

O trabalho, que aborda o fim de vínculos antigos e o nascimento de novos laços, encerra a trilogia "Ensaios Sobre a Morte", que ainda contou com os trabalhos "Relicário Inventado" (2011), sobre a partida do outro; e "Epitáfio" (2013/2014), sobre a morte em si. Cada uma dessas obra é atravessada por um verbo que orienta dramaturgia, encenação e atuação: na primeira, a ação era “inventar” a memória; no segundo, “escolher” o próprio fim; e, agora no novo espetáculo, “costurar” histórias, raízes e pertencimentos.

Ambientado entre os anos de 1990 e 2008, na cidade de São Paulo, Jabuticaba nasce no tronco acompanha a trajetória de quatro crianças órfãs - Bento, Ifigênia, José e Miuza - que chegam juntas à casa de acolhimento de Maria, uma senhora viúva que recebe crianças para garantir sua subsistência. Após um período de convivência e algumas visitas de casais interessados em adotar, cada uma delas segue para um destino diferente. Dezoito anos depois, os quatro se reencontram em um velório, momento em que precisam revisitar suas histórias e lidar com a busca por suas origens.

Cada personagem representa um aspecto da experiência adotiva. Maria, figura central, é inspirada em mulheres que atuaram informalmente como cuidadoras nas décadas de 1980 e 1990. Bento é uma criança que sofre a troca de nome ao ser adotado por um casal de classe média alta, o que desencadeia uma crise de identidade. Ifigênia é deixada pela avó e depois devolvida pela família adotiva que buscava apenas uma criança de “companhia”. José nasce de uma gravidez indesejada e encontra afeto apenas após desencontros. Miuza é retirada da mãe pelo Estado e adotada por um pai solo que valoriza a educação.

Assim, o espetáculo aborda as expectativas das crianças e as experiências que enfrentam: o luto pelo fim das relações familiares originais, a dificuldade com os novos vínculos, suas fantasias, os desejos de parentalidade, a relação com a herança biológica, as ações de apagamento das famílias de origem, o surgimento de novas famílias (multirraciais, monoparentais) e a busca pelas origens. 

A encenação tem como eixo simbólico o tecido - elemento que sintetiza a representação das relações afetivas no universo da adoção. Pensando os vínculos familiares como uma trama de fios, a montagem parte da ideia de que o afeto pode ser costurado, mas também pode ser rompido, cortado ou desfeito. A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó - frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos.

O texto transita entre o diálogo e a narração, promovendo um jogo cênico em que passado e presente se interpelam, isto é, uma cena cotidiana narrada em 1990 assume um significado áspero sob um diálogo ocorrido em 2008 e vice e versa.

A peça dialoga com os preceitos de consolidação do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente e nasce do desejo de Bernardo Fonseca Machado de criar um trabalho que refletisse a perspectiva de quem viveu a experiência da adoção. Inclusive, o próprio autor e diretor, que é pretendente à adoção, tem pesquisado o tema desde 2018, tendo feito cursos de formação de instituições como o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo) e o Tribunal de Justiça de São Paulo. O espetáculo faz parte de um projeto contemplado pela 21ª Edição do Prêmio Zé Renato — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. 


Ficha técnica
Espetáculo "Jabuticaba Nasce no Tronco"
Texto, direção e idealização: Bernardo Fonseca Machado
Elenco: Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez
Musicistas em cena: Gago e Sérgio Wontroba
Trilha sonora: Guti Vellutini
Consultoria musical: Fernando Growald
Cenário: Andreas Guimarães
Figurino: Kleber Montanheiro
Costureira: Mariluce Constantina
Iluminação: Lui Seixas
Assistente de iluminação: Júlia Fávero
Design gráfico: Renan Marcondes
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Fotos: Tomás Franco
Direção de produção: Paula Malfatti
Audiodescrição: Ver com Palavras
Roteiro e narração: Lívia Motta
Consultoria: Roseli Garcia
Libras: Verena Teixeira e Rive Agra
Estágio: Larissa Alves da Silva
Administração: La Do B Educação e Artes
Gestão: Malfatti Paciência em Ato
Apoio: Teatro do Célia e Oficina de Atores Nilton Travesso


Serviço
Espetáculo "Jabuticaba Nasce no Tronco"

Até dia 12 de julho de 2026
De quinta-feira a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana/São Paulo
Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão
Classificação: 10 anos
Duração: 130 minutos
Acessibilidade:teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: Musical “Donatello”, de Vitor Rocha, realiza últimas sessões


Após temporadas de destaque entre Rio de Janeiro e São Paulo, o premiado musical brasileiro “Donatello” entra em suas últimas semanas de cartaz nos palcos paulistanos, em temporada curta no Teatro do Núcleo Experimental. Foto: Junior Mandriola


Após temporadas de destaque entre Rio e São Paulo e reconhecimento da crítica especializada, o musical brasileiro “Donatello” retornou ao Teatro do Núcleo Experimental e pode ser visto até dia 19 em uma nova temporada na capital paulista. Com realização do Ministério da Cultura e da Encanto Artístico e patrocínio da Colormix, o espetáculo escrito e protagonizado por Vitor Rocha inicia um novo ciclo após conquistar duas indicações ao Prêmio Destaque Imprensa Digital, incluindo na categoria de Roteiro Original, além de três indicações ao Prêmio FITA, entre elas Melhor Espetáculo. Vitor também foi premiado como Revelação tanto como autor quanto ator na Festa Internacional de Teatro, consolidando o trabalho como um dos destaques recentes da cena autoral do teatro musical brasileiro. Pela primeira vez desde a estreia, a montagem passa a ocupar a grade regular de finais de semana, com sessões aos sábados e domingos. Os ingressos já estão à venda pela Sympla.

A nova temporada também reforça a trajetória da Encanto Artístico dentro da cena autoral paulistana. Responsável por montagens como “Cargas D’Água”, “Bom Dia Sem Companhia”, “O Mágico Di Ó” e “Se Essa Lua Fosse Minha”, a produtora vem consolidando um repertório marcado por musicais originais que transitam entre memória, relações humanas e identidade brasileira. Dentro desse percurso, “Donatello” retorna aos palcos após reunir mais de dois mil espectadores em sessões intimistas de lotação esgotada, reafirmando a força de produções autorais que seguem encontrando novas possibilidades de circulação no teatro musical contemporâneo. 

Com uma narrativa delicada e atravessada por humor, afeto e memória, “Donatello” constrói uma reflexão sobre envelhecimento, relações familiares e os impactos do Alzheimer na vida cotidiana. Sem recorrer ao melodrama, o texto acompanha as marcas deixadas pelo esquecimento enquanto propõe um olhar humano sobre aquilo que permanece vivo mesmo diante da perda gradual das lembranças. Ao longo da encenação, o musical também provoca reflexões sobre a maneira automática com que muitas vezes atravessamos a vida e como pequenas experiências afetivas acabam se tornando os vínculos mais duradouros da memória.

A história acompanha Amendoim, personagem vivido por Vitor Rocha, que revisita a relação com o avô após o diagnóstico da doença. Quando percebe que, apesar de esquecer nomes e acontecimentos, o avô ainda preserva lembranças ligadas aos sabores de sorvete, o jovem transforma experiências compartilhadas em sabores capazes de atravessar o tempo. Em pouco mais de uma hora de espetáculo, infância, adolescência e vida adulta se misturam em uma narrativa lúdica e sensível, conduzindo o público por diferentes fases da trajetória de Amendoim enquanto a relação entre os dois personagens ganha novas camadas emocionais ao longo da montagem.

A interatividade também ocupa papel importante na encenação e reforça o caráter vivo da experiência proposta pelo musical. A cada sessão, palavras sugeridas pelo público minutos antes do terceiro sinal são incorporadas à narrativa, criando pequenas variações no texto e transformando a dinâmica de cada apresentação. A proposta se une à direção de Victoria Ariante, que aposta em uma encenação intimista e sensível, embalada pelas músicas originais compostas por Elton Towersey e executadas ao vivo por Guilherme Gila ao piano, criando uma atmosfera que aproxima público e personagens de maneira delicada e afetiva.

Com direção de produção de Luiza Porto, preparação de elenco de Letícia Helena, design de luz de Wagner Pinto, design de som de Paulo Altafim, através da ÁUDIO S.A, e cenotecnia de Batata Rodriguez, “Donatello” segue ampliando sua trajetória dentro da nova geração de musicais brasileiros autorais que vêm encontrando no teatro intimista um caminho potente para aproximar público, memória e emoção.

Ficha técnica
Musical "Donatello"

Texto e letras: Vitor Rocha
Composição e direção musical: Elton Towersey
Direção: Victória Ariante
Assistente de direção e preparadora de elenco: Letícia Helena
Desenho de luz (original): Wagner Pinto
Remontagem de luz: Gabriel Greghi
Operadora de luz: Marina Gatti
Desenho de som: Guilherme Ramos (Mark)
Microfonista e operador de som: Thiago Venturi
Cenotécnica: Batata Rodriguez
Elenco: Vitor Rocha
Pianista e suporte cênico: Guilherme Gila
Produção executiva: Letícia Helena
Direção de produção: Luiza Porto
Coordenação de produção: Nathalia Gouvêa
Design
e comunicação: Xodó Comunicação
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Realização: Ministério da Cultura e Encanto Artístico
Patrocínio: Colormix


Serviço
Musical "Donatello"
Local: Teatro do Núcleo Experimental
Rua da Barra Funda, 637 - Barra Funda / São Paulo
Até dia 19 de julho de 2026
Horários: Sábados, às 20h00 | Domingos, às 19h00
Duração: 90 minutos
Classificação etária: +10 

.: "Coração Satânico" conduz o público a um labirinto sem saída


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"Coração Satânico" chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte  reafirmando seu lugar como um dos títulos mais perturbadores do cinema dos anos 1980, dirigido e roteirizado por Alan Parker. Lançado originalmente como "Angel Heart" e exibido em Portugal sob o título "Angel Heart – Nas Portas do Inferno", o longa-metragem mergulha no território onde o noir encontra o horror psicológico com uma segurança rara.

Na trama, o detetive particular Harry Angel, interpretado por Mickey Rourke em um de seus trabalhos mais marcantes, aceita investigar o paradeiro de um cantor desaparecido. O que começa como um caso aparentemente convencional ganha contornos cada vez mais inquietantes à medida que surgem mortes brutais, pistas desconexas e uma sensação constante de ameaça. Robert De Niro surge em cena como Louis Cyphre, figura enigmática e elegante, cuja presença carrega um peso que dispensa explicações imediatas. No elenco, ainda estão Charlotte Rampling e Lisa Bonet, esta última em um papel que causou forte repercussão à época do lançamento.

Baseado no romance "Falling Angel", de William Hjortsberg, o filme preserva a espinha dorsal da obra literária, mas altera pontos decisivos, sobretudo no desfecho, ampliando o impacto da revelação final. Parker opta por abandonar a narração típica do gênero policial e aposta na construção visual e sensorial, explorando o calor sufocante do sul dos Estados Unidos e a atmosfera carregada de Nova Orleans, cenário que substitui a Nova York do livro.

A produção também ficou marcada por episódios fora da tela. Marlon Brando chegou a ser cogitado para o papel de Louis Cyphre, enquanto Al Pacino e Jack Nicholson foram considerados para viver Harry Angel antes da escolha por Rourke. Já Robert De Niro, em uma composição precisa e controlada, teve liberdade incomum no set, conduzindo suas próprias cenas. O nome do personagem que interpreta não esconde a natureza da história, funcionando quase como um enigma à vista de todos.

Outro ponto que alimentou discussões foi a participação de Lisa Bonet, então conhecida por seu trabalho na televisão. As cenas de nudez e sexualidade provocaram controvérsia e levaram a cortes em algumas versões, além de debates sobre classificação indicativa em diferentes países. Décadas depois, o impacto permanece.

Visualmente, "Coração Satânico" sustenta um diálogo com o cinema noir clássico, ainda que em cores, com fotografia assinada por Michael Seresin e trilha de Trevor Jones, que ajudam a construir um ambiente inquietante e denso. O resultado é um filme que escapa de definições simples e se mantém como referência quando o assunto é a fusão entre investigação policial e horror metafísico.


Ficha técnica
“Coração Satânico” | "Angel Heart" (título original) | "Angel Heart – Nas Portas do Inferno" (título em Portugal)
Gênero: Suspense, terror. Duração: 113 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1987. Data de lançamento: 1987. Idioma: Inglês. Direção: Alan Parker. Roteiro: Alan Parker, baseado na obra de William Hjortsberg. Elenco: Mickey Rourke, Robert De Niro, Charlotte Rampling, Lisa Bonet, Brownie McGhee, Stocker Fontelieu. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Bruce Lee explode na tela e redefine o kung fu em “A Fúria do Dragão”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Segundo filme de Bruce Lee, “A Fúria do Dragão” chega ao catálogo da plataforma de streaming Reserva Imovision reafirmando o impacto duradouro de Bruce Lee no cinema de ação. Dirigido e escrito por Wei Lo, o longa de 1972 - originalmente intitulado “Jing Wu Men” e conhecido em mercados internacionais como “Fist of Fury”, além de receber em Portugal o título “O Invencível” - permanece como uma peça-chave na consolidação do kung fu nas telas e na construção do mito em torno de seu protagonista.

A trama acompanha Chen Zhen (Bruce Lee), discípulo do mestre Huo Yuanjia, que retorna a Xangai para se casar e encontra seu mentor morto sob circunstâncias suspeitas. Durante o funeral, a humilhação imposta por um dojo japonês acirra tensões já latentes. Ao descobrir que houve envenenamento, Chen abandona qualquer contenção e parte para uma escalada de vingança que rapidamente ganha contornos trágicos. O elenco reúne ainda Nora Miao, James Tien, Maria Yi e Robert Baker, compondo um quadro típico das produções da Golden Harvest no início dos anos 1970.

Filmado em Hong Kong com orçamento modesto, o longa-metragem transformou limitações em estilo. As cenas de luta, coreografadas pelo próprio Bruce Lee, apostam na contundência dos golpes e na fisicalidade do ator, afastando-se do tom mais coreografado que dominava o gênero até então. Foi também nesse filme que Lee popularizou o uso do nunchaku no cinema, elemento que se tornaria inseparável da imagem dele.

O contexto histórico, ambientado na Xangai sob influência estrangeira no início do século XX, ecoa tensões reais entre chineses e japoneses, ainda frescas na memória coletiva à época da produção. Essa camada política impulsionou a recepção do filme na Ásia, onde se tornou um enorme sucesso de bilheteria e ajudou a projetar Bruce Lee internacionalmente. Nos Estados Unidos, chegou a ser relançado como “The Chinese Connection”, em uma tentativa de evitar confusão com o título anterior do ator.

Há curiosidades que ampliam o fascínio em torno do filme. Jackie Chan aparece brevemente como figurante em cenas de luta, antes de se tornar estrela global. O próprio Bruce Lee dublou o vilão interpretado por Robert Baker nas versões em mandarim e cantonês. Divergências criativas e pessoais levaram Lee a romper com o diretor Wei Lo após este trabalho, encerrando uma parceria que havia rendido seus primeiros sucessos no cinema. E o final abrupto, congelado no instante de um salto em direção ao confronto inevitável, tornou-se uma das imagens mais lembradas de sua filmografia.

“A Fúria do Dragão” se sustenta pela presença magnética de Bruce Lee e pela intensidade de suas sequências de combate. O filme cristaliza a figura do herói que reage à humilhação com fúria e paga o preço por isso continua sendo um retrato que dialoga com o imaginário de resistência de uma época e segue mobilizando plateias décadas depois.

Ficha técnica
“A Fúria do Dragão” | “Jing Wu Men” (título original) | “O Invencível” (título em Portugal)
Gênero: ação, drama. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1972. Data de lançamento: 22 de março de 1972 (Hong Kong). Idioma: mandarim, cantonês e inglês. Direção e roteiro: Wei Lo. Elenco: Bruce Lee, Nora Miao, James Tien, Maria Yi, Robert Baker, Fu Ching Chen, Shan Chin, Ying-Chieh Han, Chikara Hashimoto. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision (streaming). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
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quarta-feira, 8 de julho de 2026

.: Com primeiro romance, Bethânia Pires Amaro é confirmada na Flip


Foto da autora: Divulgação/ Lorena Vinturini e capas dos livros

A escritora Bethânia Pires Amaro é uma das convidadas da programação oficial da Festa Literária Internacional de Paraty 2026, que será realizada de 22 a 26 de julho na cidade do sul fluminense. Revelada em 2023 com o livro de contos "O Ninho", publicado pela Editora Record, que venceu os prêmios Jabuti, APCA e Sesc e foi segundo lugar no Prêmio Clarice Lispector da Fundação Biblioteca Nacional, ela agora está lançando seu primeiro romance, "Ressalga", também pela Editora Record.

“Este convite para a programação principal da Flip é, para mim, um imenso reconhecimento ao meu trabalho, que recebo com muito entusiasmo e responsabilidade", disse a autora. “Paraty tem uma energia incrível de celebração das artes e do pensamento crítico, e fico muito feliz por fazer parte desta conversa coletiva, celebrando a força e a diversidade da nossa produção literária nacional”.

Pernambucana criada na Bahia e hoje morando em São Paulo, Bethânia traz no livro uma história forte e emocionante sobre memórias de três gerações de mulheres na Bahia que lutam contra heranças de um tempo que não deveria mais existir. Percorrendo o Recôncavo até Salvador, seguindo os rios da região, a narrativa fala de ancestralidades, escolhas e possibilidades. 

Bethânia Pires Amaro nasceu em Recife, no Pernambuco, em 1988, mas foi criada na Bahia, em Ilhéus e Salvador. Graduada em Direito pela Universidade Federal da Bahia e mestre em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo, é escritora, advogada e ministrante de cursos e palestras. "Ressalga" é uma narrativa sobre três gerações de mulheres que atravessam as geografias da Bahia e experimentam a dissolução das fronteiras entre o corpo e o mundo.

Janaína nasce sob o clarão dos fogos-fátuos, no interior do estado. Fascinada pelos olhos azuis da estátua de Nossa Senhora, envolve-se num escândalo que a leva a abandonar a cidade e atravessar o sertão, seguindo o curso dos rios na condição de lavadeira. Ao chegar ao Recôncavo, encontra morada às margens do rio Paraguaçu, numa casa constantemente inundada pelas cheias. A comunhão que estabelece com a água evanesce os contornos entre o cotidiano e a correnteza que arrasta diante do quintal os corpos de animais afogados.

Graça, sua filha, aprende cedo que narrar é também uma forma de sobreviver. Com ossos leves de pássaro e imaginação afiada, ela parte para Salvador na década de 1950, após um casamento arruinado, para trabalhar em “casa de família”. Da curiosidade e do desejo, nascem suas decisões mais audaciosas: transformando o próprio corpo em empreendimento, assume diversas identidades até se converter na Garça Preta, proprietária do cabaré mais renomado da Ladeira da Montanha, transitando pela era de ouro da boemia e pelo rigor dos anos de chumbo.

Flora, a neta, cresce à sombra das histórias da mãe e da avó. Décadas após o evento que levou à ruptura de sua família, ela retorna a Salvador em busca da memória da Mulher de Roxo, tentando decifrar se a lenda urbana que habita o imaginário soteropolitano é, na verdade, o paradeiro final de Graça. O retorno não é apenas geográfico, mas uma tentativa de costurar os fios de uma linhagem que sempre viveu entre a realidade e o mito.

Em "O Ninho", Bethânia Pires Amaro mergulhou em um mosaico de imperfeições e doenças familiares para desvelar esse ninho estranho, disforme, inseguro, destruindo as idealizações que pairam sobre as relações familiares, sobretudo quando se trata de maternidade. Seus quinze contos acompanham personagens femininas que habitam e produzem lares repletos de complexidade. O livro, vencedor dos prêmios Jabuti, APCA e Sesc, já está na quinta edição. Compre os livros de Bethânia Pires Amaro neste link.

.: CineSesc promove mostra gratuita de clássicos e ambientação histórica


Os antigos cinemas de rua que marcaram gerações de paulistanos voltam a ocupar o imaginário da cidade a partir do feriado de 9 de julho, no CineSesc. A iniciativa "Cinemas de Rua: Da Augusta à Cinelândia Paulistana" vai transformar o hall da unidade em um espaço de imersão histórica e afetiva por meio de uma ambientação cenográfica inédita - equipada com letreiros luminosos, pôsteres reinterpretados e um grande mapa iconográfico. Para complementar a homenagem à era de ouro dos cinemas de rua, o CineSesc realiza uma mostra gratuita com clássicos restaurados da cinematografia mundial.

A escolha do CineSesc como palco para esta celebração reforça o valor do próprio espaço. Localizado na Rua Augusta, o cinema inaugurado em 1979 ocupa um endereço historicamente ligado ao circuito exibidor paulistano e preserva a tradição da calçada, do letreiro luminoso e da experiência de assistir a um filme em uma sala de rua. A nova ambientação permite discutir como, apesar de transformações, a cidade pode preservar experiências coletivas.

Ação convida o público a refletir sobre a permanência da experiência coletiva do cinema em meio às transformações da cidade. Programação conta com exibições de clássicos restaurados, como "Este Mundo É Um Teatro", dia 9, às 20h30, “Casablanca”, dia 10, às 20h00, e “Cantando na Chuva”, dia 17, às 20h00, conectando a memória das antigas salas de exibição aos filmes que ajudaram a construir a mística dessas telas urbanas.

Uma viagem no tempo pelo hall do CineSesc
A ambientação inédita idealizada pela equipe do CineSesc, com curadoria e direção de arte de Mauro Amorim e produção executiva de Patrícia Almeida, recriará a atmosfera de encanto das salas que funcionaram entre as décadas de 1940 e 1970 na capital paulista. O projeto oferece um mergulho na paisagem urbana do centro histórico de São Paulo por meio de intervenções visuais e artísticas. Confira os destaques.

Pinturas artísticas dos pôsteres: desenvolvidas pela artista Fernanda D’Boer, a série de cinco pinturas sobre papel (no formato clássico de cartazes de 100 × 70 cm) homenageia salas históricas do centro, como o Cine Marabá, Cine Comodoro, Cine Ipiranga, Cine Marrocos e o próprio CineSesc. As artes entrelaçam as fachadas arquitetônicas desses espaços a referências iconográficas de clássicos como Tubarão, La Dolce Vita, Vertigo, Bye Bye Brasil e Laranja Mecânica.

Grande mapa ilustrado: criado pelo estúdio Radiográfico, um painel detalhado guiará o público em uma jornada geográfica e cronológica, conectando os tradicionais cinemas da Rua Augusta à efervescente Cinelândia paulistana. Efeito cromático RGB: uma intervenção visual assinada por Marcos Muzi e Rafael Cotait propõe novos jogos de luzes e cores na recepção do público.

Cenografia nostálgica: o espaço contará ainda com uma fachada cenográfica inspirada nos antigos cinemas da cidade, um letreiro em neon exclusivo, vitrines expositivas com objetos históricos do universo cinematográfico e referências às saudosas bombonieres.

Programação de filmes – Mostra Especial Cinemas de Rua
Conectando a ambientação do hall à magia da projeção na tela grande, o CineSesc exibirá uma seleção especial de filmes de época com sessões gratuitas para o público. A programação vai contar com exibições de cópias restauradas de obras que fazem parte da história da arte cinematográfica.


Quinta-feira, dia 9 de julho, às 20h30 - "Este Mundo É Um Teatro" ("Stage Struck")
Direção: Allan Dwan, EUA, 1925, 70 minutos. 12 anos.

Uma jovem sonha em se tornar uma grande atriz. Quando seu namorado começa a flertar com uma artista de verdade, ela é consumida pelo ciúme e decide enfrentar sua rival. Entrada Gratuita.

Sexta-feira, dia 10 de julho, às 20h00 – "Casablanca"
Direção: Michael Curtiz, EUA, 1942, 102 minutos. 12 anos.
Durante os tensos anos da Segunda Guerra Mundial, o amargurado Rick reencontra um amor do passado em sua movimentada casa noturna na cidade de Casablanca, no Marrocos. Entrada Gratuita.

Sexta-feira, dia 17 de julho, às 20h00 – "Cantando na Chuva" ("Singin' in The Rain")
Direção: Stanley Donen e Gene Kelly, EUA, 1952, 103 minutos. Livre.

Uma das maiores obras-primas do cinema musical acompanha os bastidores de Hollywood e os desafios hilários e complexos enfrentados por uma produtora e seu elenco na transição do cinema mudo para o cinema falado. Entrada gratuita.

Serviço
CineSesc
Exposição Cinemas de Rua - Da Augusta à Cinelândia Paulistana

Início da visitação: dia 9 de julho
Horários: segunda a domingo, das 13h15 às 22h00
Local: Hall | CineSesc - Rua Augusta, 2075 - São Paulo


Mostra de filmes
9 de julho, às 20h30 |
"Este Mundo É Um Teatro"
10 de julho, às 20h00 | "Casablanca"
17 de julho, às 20h00 | "Cantando na Chuva"
Entrada gratuita.Classificação indicativa: livre. 

.: Os novos contos de Mariana Enriquez, que combinam horror e sobrenatural


Nos 12 contos de terror de "Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria", que chega às livrarias em junho pela Intrínseca, Mariana Enriquez, cujos textos já foram comparados aos de Franz Kafka, constrói mundos em que o mal está sempre à espreita e os monstros emergem sem aviso nas realidades mais corriqueiras, seja em grandes cidades ou em pequenas vilas remotas.

O conto de abertura, "Meus Mortos Tristes", foi a principal inspiração para a série da Netflix com estreia prevista para 2026. No enredo construído por Mariana, a protagonista conversa com os fantasmas que vagam livremente por um subúrbio de Buenos Aires, entre eles o da mãe, que morreu de uma doença dolorosa, além de outras figuras que refletem a situação de empobrecimento da sociedade argentina. A produção audiovisual também vai contar com personagens e passagens de outros textos da obra. Entre eles, o de uma jornalista que ao investigar o arrepiante caso de uma jovem que desapareceu em um hotel de Los Angeles, acaba confrontando outra lenda local.

Inspirando-se na tradição - de romances góticos a Stephen King e Thomas Ligotti -, Mariana Enriquez explora novas formas de  nos conduzir pelos brilhantes caminhos de sua imaginação. A partir destas e outras referências da literatura mundial, ela transforma histórias com temas perturbadores em narrativas envolventes, como no enredo sobre voluntários de uma ONG que distribuem alimentos em bairros pobres e são perseguidos por crianças com olhos escuros assustadores. Mais uma vez, ela trabalha com maestria as diversas facetas do medo.

Após seu monumental e aclamado romance "Nossa Parte de Noite", a autora retorna aos contos e prova que permanece no auge da carreira como uma figura proeminente e inovadora do gênero do terror, que ela elevou aos mais altos patamares literários. Compre o livro de "Um Lugar Ensolarado para Gente Sombria", de Mariana Enriquez, neste link.


Sobre a autora
Mariana Enriquez
nasceu em Buenos Aires, em 1973. É escritora, jornalista e professora. Pela Intrínseca, publicou as coletâneas de contos "As Coisas que Perdemos no Fogo" e "Os Perigos de Fumar na Cama" e os romances "Este é o Mar" e "Nossa Parte de Noite", que ganhou na Espanha o Premio Herralde de Novela e o Premio de la Crítica 2019. Compre os livros de Mariana Enriquez neste link.

.: Saga familiar resgata um capítulo pouco explorado da história do Brasil


A premiada escritora Anna Mariano entrelaça ficção e acontecimentos históricos para narrar a trajetória de famílias que deixaram o Sul rumo ao Centro-Oeste e ao Norte em busca de novas oportunidades

Ao longo da segunda metade do século XX, milhões de brasileiros deixaram suas casas rumo ao interior do país em um dos maiores movimentos migratórios da história nacional. Essa jornada transformou cidades, impulsionou a agricultura e ajudou a moldar o Brasil contemporâneo, mas permanece pouco retratada na literatura. É esse capítulo da história que a premiada escritora Anna Mariano resgata em "Murmúrios da Terra", romance que entrelaça ficção e realidade em uma emocionante saga familiar sobre coragem, pertencimento e memória. O livro será lançado na sexta-feira, dia 17 de julho, das 17h00 às 20h00, no Instituto Ling, em Porto Alegre.

"Na segunda metade do século XX, levando nos ombros apenas esperança e alguns metros de lona preta para se abrigarem, milhões de brasileiros abandonaram suas casas e, na busca por uma nova vida, terminaram por construir um novo país", afirma Anna Mariano. No centro da narrativa estão Cecília e Palmira, duas mulheres fortes e resilientes cujas trajetórias atravessam quatro décadas de mudanças profundas. Enquanto enfrentam perdas, preconceitos e recomeços, seus caminhos se cruzam em um Brasil marcado pelo avanço da fronteira agrícola e pelos movimentos migratórios que levaram milhares de famílias a deixar as colônias do Sul e se lançar às amplitudes então solitárias do Centro-Oeste e do Norte do país.

Ao acompanhar os segredos, os afetos e os conflitos de duas famílias, Anna Mariano também aborda as contradições da ocupação do território brasileiro, marcada pela expansão da fronteira agrícola, pela busca por novas terras e pelos impactos sociais e ambientais desse processo. Entre as transformações retratadas no romance está a expansão da cultura da soja, que impulsionou a ocupação do Centro-Oeste e mudou profundamente a economia brasileira. "A história dessa planta e dos milhões de pessoas que a ela se dedicaram merece ser contada", diz Anna Mariano.

Com sensibilidade e apuro histórico, Anna Mariano transforma um dos maiores movimentos migratórios da história brasileira em uma narrativa profundamente humana, mostrando que a verdadeira herança de uma família não está no que ela acumula, mas nas histórias que escolhe preservar. Compre o livro "Murmúrios da Terra", de Anna Mariano, neste link.

Sobre a autora
Anna Mariano
nasceu em Porto Alegre e passou a infância no interior de São Borja, cidade fronteiriça entre Brasil e Argentina. Formada em Direito pela UFRGS, deixou a advocacia para se dedicar à literatura. É autora premiada de prosa e poesia. "Murmúrios da Terra" é seu primeiro livro publicado pela Globo Livros.

Serviço
Evento de lançamento do livro "Murmúrios da Terra"

Sexta-feira, dia 17 de julho de 2026, das 17h00 às 20h00
Instituto Ling - R. João Caetano, 440 - Três Figueiras / Porto Alegre

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