sábado, 11 de julho de 2026

.: Crítica: “Mamma Mia!", musical aposta no feminino e sai vitorioso no palco


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Sucesso retumbante no Rio de Janeiro e agora em São Paulo, o musical “Mamma Mia!” cumpre exatamente o que promete: divertir, emocionar e colocar uma plateia inteira para cantar. Em cartaz até este dia 9 de agosto no BTG Pactual Hall, em São Paulo, a temporada do musical criado a partir dos sucessos do grupo ABBA reafirma a força popular com uma montagem eficiente, vibrante e consciente do próprio impacto. Dirigido por Charles Möeller, com versão brasileira e supervisão musical de Claudio Botelho, o espetáculo aposta em uma encenação ágil, colorida e afinada com o gosto do público.

A história é clássica: em uma ilha grega, Sophie, prestes a se casar, convida três antigos amores da mãe, Donna, na tentativa de descobrir quem é o pai dela. O enredo, que mistura romance e comédia, serve de base para uma sequência de hits que o público reconhece nos primeiros acordes - “Dancing Queen”, “Mamma Mia”, “The Winner Takes It All”, “Money, Money, Money”. O que faz a montagem ser inesquecível, no entanto, está no elenco. 

Giovanna Rangel, que interpreta Sophie, domina a cena com muito carisma. A presença dela é leve, segura e magnética, dessas que organizam o espetáculo ao redor sem esforço. Ao lado dela, Sérgio Menezes, no papel de Sam Carmichael, constrói uma relação convincente, com química e momentos que sustentam o envolvimento emocional da plateia com a história dos dois personagens. Claudia Netto assume a protagonista Donna com experiência e firmeza, enquanto Totia Meireles circula com naturalidade e precisão, encontrando o humor certo em cada entrada. 

Gottsha, por sua vez, impõe respeito desde a primeira nota: o vozeirão da artista não passa despercebido e funciona como um selo de qualidade dos espetáculos em que participa. Entre os papéis masculinos de destaque, Claudio Galvan, como Harry Bright, surge como uma surpresa valiosa. Famoso pelas dublagens, ele ostenta uma presença cênica forte, domínio vocal e timing que eleva todas as cenas em que participa. É um prazer vê-lo no palco. A interpretação de Renato Rabelo, no papel Bill Austin, aposta na suavidade, que agrada sem esforço. Figura conhecida nos lares brasileiros, pelas produções que participou ou pelo podcast que apresenta, a presença dele é algo que torna tudo ainda mais aconchegante para a plateia.

Com mais de 20 artistas em cena, o conjunto funciona bem e garante números musicais que mantêm o ritmo elevado. A direção aposta na comunicação direta com o público, sem rodeios, e acerta ao não complicar o que já nasce promissor: canções conhecidas, personagens carismáticos e uma história que flerta com o absurdo sem perder a afetuosidade. 

Há ainda um aspecto que se destaca: a leitura do espetáculo como um elogio à autonomia feminina. Donna se basta sozinha, Sophie questiona o próprio destino, as amigas exalando liberdade. O texto, escrito na década de 1990, encontra eco imediato em plateias atuais, que respondem com entusiasmo. “Mamma Mia!” não tenta reinventar o musical e nem precisa. A montagem brasileira é executada com competência, apostando no talento do elenco e na força de um repertório que atravessa gerações. O resultado é um espetáculo leve, afiado e irresistivelmente comunicativo. 

Na reta final de temporada, a produção se confirma como uma escolha certeira para quem quer sair do teatro com um refrão na cabeça e a sensação de que o palco ainda sabe reunir gente em torno de algo simples e bem feito. “Mamma Mia!” acerta ao apresentar personagens que erram, confundem, metem os pés pelas mãos e, ainda assim, encontram um caminho possível. É dessa matéria imperfeita, cheia de tropeços e recomeços, que o espetáculo extrai a força de reconhecer, no riso e na música, a humanidade de quem insiste em seguir em frente.


Ficha técnica
"Mamma Mia - O Musical" 
Um espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho
Uma superprodução Aventura
Direção, cenário e figurinos: Charles Möeller
Versão brasileira e supervisão musical: Claudio Botelho
Direção musical: Marcelo Castro
Coreografia/Diretora residente (SP): Mariana Barros
Desenho de luz: Vinícius Zampieri
Desenho de som: André Breda
Coordenação artística: Tina Salles
Direção de produção: Bianca Caruso
Direção artística e produção geral: Aniela Jordan
Direção de negócios e marketing: Luiz Calainho
Elenco: Claudia Netto (Donna Sheridan), Totia Meireles (Tanya), Gottsha (Rosie), Sérgio Menezes (Sam Carmichael), Claudio Galvan (Harry Bright), Renato Rabelo (Bill Austin) Giovanna Rangel (Sophie Sheridan), Eduardo Borelli (Sky), Tabatha Almeida (Ali), Mari Marques (Lisa), Vicenthe Delgado (Pimenta), Murilo Armacollo (Eddie), Ju Romano (Grega), Talita Silveira (Grega), Leo Wagner (Grego/Padre Alexandrios), Vinicius Cafer (Grego), Lorena Fraga (Grega), Bruno Kimura (Grego), Guilherme Lopes (Grego), Thiago Garça (Grego), Hugo Lopes (Grego), Isabela Yunes (Grega), Yas Fiorelo (Grega), Bruna Lemberg (Swing), Henrique Reinesch (Swing).


Serviço
Espetáculo "Mamma Mia! - O Musical"
Temporada 2026 no BTG Pactual Hall
Até dia a 9 de agosto
Sextas-feiras, às 20h00. Sábados, às 16h00 e 20h00. Domingos, às 15h00.
Ingressos (1º lote): de R$ 50,00 (balcão) a R$ 300,00 (Plateia VIP)
Classificação indicativa: 12 anos

.: “Acerto de Contas” confronta ética e paixão nas ruas de Nova Orleans


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Acerto de Contas” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um dos títulos mais sedutores do cinema policial dos anos 1980. Dirigido por Jim McBride e escrito por Daniel Petrie Jr., o longa-metragem - cujo título original é “The Big Easy” e que, em Portugal, recebeu o nome de “Nas Teias da Máfia” - aposta na mistura de investigação criminal com tensão romântica, ambientada em uma Nova Orleans pulsante.

Na trama, Dennis Quaid vive o detetive Remy McSwain, um policial carismático que navega com naturalidade por práticas pouco ortodoxas dentro da corporação. A rotina dele muda quando passa a investigar uma série de assassinatos ligados à própria polícia. É nesse cenário que surge Anne Osborne, promotora interpretada por Ellen Barkin, enviada para enfrentar a corrupção. O envolvimento entre os dois cresce na mesma proporção em que o caso se complica, colocando ética, desejo e poder em rota de colisão.

O elenco ainda reúne nomes como John Goodman e Ned Beatty, que ajudam a dar corpo a esse retrato de uma instituição corroída por interesses paralelos. A química entre Quaid e Barkin se tornou um dos pontos mais comentados à época do lançamento, com ambos os atores apontando o filme como um dos favoritos de suas carreiras.

Filmado integralmente em Nova Orleans, o longa incorpora com força a identidade local, da música zydeco às paisagens urbanas e ao sotaque cajun que marca a performance de Quaid. A cidade não serve apenas de cenário, mas dita o ritmo e o humor da narrativa, contribuindo para que o filme seja lembrado como uma das representações mais autênticas da região no cinema mainstream daquela década.

Outro dado curioso envolve o desenvolvimento do roteiro, que inicialmente se passaria em Chicago e tinha outro título. A mudança para Nova Orleans redefiniu o projeto e ajudou a consolidar o tom híbrido entre policial e romance. O próprio diretor voltaria a trabalhar com Dennis Quaid em “A Fera do Rock” (1989), explorando um registro completamente diferente.

Lançado em meio à renovação do cinema noir, “Acerto de Contas” acabou associado ao movimento neo-noir dos anos 1980, ainda que opte por uma abordagem mais leve, sem abrir mão das zonas cinzentas de seus personagens. Entre investigações, jogos de poder e relações atravessadas por interesse, o filme constrói um retrato envolvente de uma cidade em que charme e corrupção caminham lado a lado.


Ficha técnica
“Acerto de Contas” | “The Big Easy” (título original) | “Nas Teias da Máfia” (título em Portugal)
Gênero: policial, romance, drama. Duração: 1h42m. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1986. Data de lançamento: 21 de agosto de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Jim McBride. Roteiro: Daniel Petrie Jr. Elenco: Dennis Quaid, Ellen Barkin, John Goodman, Ned Beatty, Grace Zabriskie. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Alanté Kavaïté conduz “Beladona” e desafia o olhar sobre a finitude


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beladona” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em uma ficção científica de atmosfera rarefeita para encarar um tema que ainda provoca desconforto: o envelhecimento. Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, o longa-metragem francês parte de uma premissa inquietante para construir sua narrativa. Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz), uma jovem que vive isolada em uma ilha cuidando de um grupo de idosos que escaparam de uma política estatal que os remove do convívio social. A rotina, marcada por um equilíbrio frágil, ganha novos contornos com a chegada de Aline (Daphné Patakia), David (Dali Benssalah) e uma criança. O que parece sopro de vitalidade logo se converte em tensão: os moradores mais velhos começam a morrer, um a um, enquanto a suspeita cresce em torno dos visitantes.

Exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, o filme dialoga com discussões contemporâneas sobre etarismo e políticas de controle dos corpos. A própria diretora revelou, em entrevistas à imprensa europeia, que o roteiro começou a ser desenvolvido ainda em 2016, mas ganhou novas camadas durante a pandemia de Covid-19, quando a vulnerabilidade da população idosa passou a ocupar o centro do debate global. Essa experiência atravessa a construção dramática do longa, especialmente na maneira como o cuidado é tensionado pela liberdade.

Kavaïté, que também assina o roteiro, opta por acompanhar o ponto de vista de quem cuida, e não dos idosos, escolha que desloca o eixo tradicional dessas narrativas. Gaëlle surge como uma personagem em conflito: ao mesmo tempo em que protege, também restringe, revelando contradições que atravessam relações afetivas marcadas pela finitude. Há ecos evidentes de outras produções recentes que exploram distopias sobre envelhecimento, como o brasileiro “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro - comparação reconhecida pela própria diretora. Ainda assim, “Beladona” prefere um caminho mais introspectivo, investindo em uma encenação contida, fotografia de luz natural e uma narrativa que preserva lacunas. O resultado pode dividir o público: enquanto alguns embarcam na ambiguidade proposta, outros podem sentir falta de respostas mais concretas.

O elenco reúne nomes experientes como Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart e Jean-Claude Drouot, que ajudam a sustentar a tensão silenciosa que percorre o filme. Nadia Tereszkiewicz, por sua vez, carrega o peso dramático da protagonista com intensidade contida, reforçando a sensação de isolamento que define a obra. Sem recorrer a grandes reviravoltas, “Beladona” aposta em uma inquietação progressiva. O filme provoca ao encarar o envelhecimento sem romantização, abrindo espaço para discutir desejo, autonomia e os limites do cuidado em uma sociedade que ainda hesita em lidar com a velhice de forma plena.


Ficha técnica
“Beladona” | “Belladone” (Título original) 
Gênero: ficção científica, drama. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção e roteiro: Alanté Kavaïté. Elenco: Nadia Tereszkiewicz, Daphné Patakia, Dali Benssalah, Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart, Jean-Claude Drouot. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Estreia "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo em nova montagem brasileira


Após temporada no Rio de Janeiro, o musical será apresentado no Teatro Viradalata em uma nova montagem brasileira da obra autobiográfica de Jonathan Larson, que inspirou o premiado filme estrelado por Andrew Garfield. Foto: Paulo Aragon


O musical "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo para uma curta temporada até dia 19 de julho, no Teatro Viradalata. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a produção da Play It! Produções leva à capital paulista uma nova montagem da obra, considerada um dos musicais mais emocionantes e pessoais do teatro musical contemporâneo. Aclamado desde sua estreia Off-Broadway, o espetáculo recebeu sete indicações ao Drama Desk Awards, incluindo Melhor Musical, e conquistou o Outer Critics Circle Award de Melhor Musical Off-Broadway. Os ingressos estão à venda pela Sympla.

Poucas obras retratam com tanta honestidade as dúvidas, as angústias e as esperanças de quem decide perseguir um sonho artístico quanto "tick, tick... BOOM!". Escrita por Jonathan Larson, criador do premiado musical "Rent", a obra nasceu de experiências pessoais do autor e acompanha Jon, um jovem compositor prestes a completar 30 anos que tenta concluir o musical que poderá mudar sua trajetória enquanto enfrenta as incertezas da vida adulta. Dividido entre a estabilidade e o desejo de viver da arte, ele se vê diante de escolhas que colocam à prova seus relacionamentos, suas convicções e o próprio futuro.

Embora ambientado no início da década de 1990, o musical permanece atual ao abordar temas como ansiedade, propósito, frustrações profissionais e o peso das decisões que acompanham a vida adulta. Com humor, emoção e uma trilha sonora vibrante, a obra transformou inquietações pessoais em uma narrativa universal, capaz de dialogar com artistas e com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se está no caminho certo.

A nova montagem brasileira reúne Matheus Boa no papel de Jon, Camille Dutra como Susan e Diego Montez como Michael. O elenco conta ainda com os covers João Ferreira e Mariana Ramirez. A direção é compartilhada por Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires - que somam passagens por produções como "Beetlejuice", "Querido Evan Hansen" e a novela "Garota do Momento", da TV Globo -, com direção musical de Caio Loureiro, arranjos vocais e orquestrações de Stephen Oremus, versão de Bruno Narchi e Thiago Machado e regência de Thalyson Rodrigues. A equipe criativa conta ainda com direção de movimento da 53 Produções, cenografia de Pugli, design de som de Fernando Sagas, desenho de luz de Dans Souza e Rodrigo Sawl, produção executiva de Flavio Boa e coordenação de produção de Gabriel Barbosa.

A encenação aposta na proximidade entre artistas e plateia para transformar o público em parte da jornada de Jon. Cenário, figurinos, movimentação e construção das cenas foram concebidos para criar uma experiência imersiva, aproximando os espectadores dos conflitos, sonhos e emoções vividos pelo protagonista.A atmosfera é potencializada por uma banda formada por quatro músicos que executam ao vivo as composições de Jonathan Larson, preservando toda a força e a energia da trilha original. A formação é composta por Thalyson Rodrigues (piano e regência), Ingrid Cavalcanti (baixo elétrico), Jorge Ervolini (guitarra e violão) e Kiko Andrioli (bateria), que conferem ainda mais potência e dinamismo às canções que conduzem a narrativa.

O alcance da obra foi ampliado em 2021, quando "tick, tick... BOOM!" ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Lin-Manuel Miranda, em sua estreia como diretor. Estrelado por Andrew Garfield, o longa recebeu elogios da crítica internacional, conquistou duas indicações ao Oscar e rendeu ao ator o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical, apresentando Jonathan Larson e sua trajetória a milhões de espectadores ao redor do mundo.

Produzido pela Play It! Produções, empresa carioca dedicada ao desenvolvimento de novos talentos do teatro musical, o espetáculo reúne uma equipe formada por artistas de diferentes trajetórias para revisitar uma obra que segue emocionando plateias ao transformar sonhos, frustrações e escolhas em uma narrativa profundamente humana. Mais de três décadas após sua criação, "tick, tick... BOOM!" reafirma seu lugar entre os títulos mais sensíveis e marcantes do teatro musical contemporâneo.


Serviço
Exspetáculo "tick, tick... BOOM!"

Temporada: 9 a 19 de julho de 2026
Sessões: Quintas e sextas, às 20h00. Sábados e domingos, às 16h00 e 20h00
Ingressos: a partir de R$ 60,00
Vendas: Sympla - https://bileto.sympla.com.br/event/121848?share_id=1-copiarlink
Local: Teatro Viradalata
Endereço: Rua Apinajés, 1387 - Sumaré / São Paulo
Abertura da casa uma hora antes do espetáculo
Gênero: teatro musical
Classificação etária: 16 anos
Duração: 100 minutos 

.: Itamar Vieira Junior realiza palestra e inspira Ciclo de Leitura na Caixa Cultural


Programação aproxima o público das temáticas que atravessam a obra do autor de "Torto Arado". Foto: Divulgação / Caixa


Em julho, a programação da Caixa Cultural São Paulo reúne a palestra “É Mesmo Ficção?”, conduzida por Itamar Vieira Junior, e o Ciclo de Leitura: "Vozes em Terra - Ecos de Resistência em 'Torto Arado'", realizado pelo Programa Educativo Caixa Gente Arteira. As atividades têm como ponto de partida a produção literária do escritor e questões presentes em seus livros. Autor de "Torto Arado", "Salvar o Fogo", "Coração Sem Medo" e "Doramar ou a Odisseia", Itamar Vieira Junior conduz, no dia 18, a palestra “É mesmo ficção?”, estruturada a partir de leituras comentadas e conversas sobre literatura, memória, território e processos de criação narrativa.

Voltado a leitores, estudantes, educadores, pesquisadores e interessados em literatura contemporânea, o encontro oferece uma aproximação com referências, contextos e elementos presentes na trajetória e na produção literária do escritor.

Em diálogo com a palestra, a atividade promove a leitura compartilhada de "Torto Arado" e a mediação de conversas sobre aspectos literários, culturais e históricos abordados no romance, estimulando a troca de interpretações entre os participantes. Ao reunir a leitura da obra e o encontro com seu autor, a programação oferece ao público um espaço de reflexão sobre a literatura brasileira contemporânea e sobre os múltiplos sentidos presentes na escrita de Itamar Vieira Junior.


Serviço
Palestra: “É Mesmo Ficção?”, com Itamar Vieira Junior

Caixa Cultural São Paulo | Praça da Sé, 111 - Centro / São Paulo
Dia 18 de julho de 2026, das 15h00 às 17h00
Duração: 2 horas
Classificação indicativa: 18 anos
Capacidade: 140 participantes
Informações: (11) 3321-4400
Site: caixacultural.gov.br | Instagram: @caixaculturalsp


Ciclo de Leitura "Vozes em Terra - Ecos de Resistência em 'Torto Arado'"
Local: Sala de Oficinas
Datas: 11 e 25 de julho de 2026,  das 10h00 às 12h00
Duração: 2 horas por encontro
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 20 participantes por encontro
Programação gratuita, sujeita à capacidade dos espaços.


 

.: "Contos Inclusivos e Travessos" promove encontros gratuitos de leitura e debate sobre Direitos Humanos para jovens em espaços culturais de São Paulo


Iniciativa de incentivo à leitura e promoção da oralidade é inspirada nos pilares sociais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e trata de temas como racismo, capacitismo, diversidade sexual e gênero. Foto: divulgação


A literatura como instrumento de transformação social é o ponto de partida de "Contos Inclusivos e Travessos", iniciativa de incentivo à leitura e promoção da cultura da oralidade voltada a jovens de 12 a 17 anos. Desde março, o projeto realizou encontros gratuitos nas bibliotecas Roberto Santos, Amadeu Amaral e Castro Alves, nos CEUs Paraisópolis, Sapopemba, Rosa da China e São Rafael e no Memorial da Resistência. Inspirada nos pilares sociais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a iniciativa aborda temas como racismo, capacitismo, diversidade sexual e de gênero, igualdade de gênero e etarismo, sempre de forma interseccional, evidenciando como essas questões se atravessam nas múltiplas camadas da experiência humana. Os próximos encontros acontecem nos dias 13 e 14 de julho de 2026, nos CEU Lajeado, CEU Inácio Monteiro e CEU Alvarenga.

O título “Contos Inclusivos e Travessos” brinca com o duplo sentido da palavra “travessos”: tanto como aquilo que atravessa diferentes temas e realidades quanto como expressão da inquietação criativa inerente à literatura e à juventude. Serão cinco encontros em cada equipamento cultural participante, totalizando 40 encontros de leitura. Cada sessão reunirá pelo menos 30 estudantes para escuta de contos literários, seguida de bate-papo com as narradoras, convidades especiais e as mediadoras dos encontros, que compartilharão suas vivências dentro do amplo espectro da diversidade.

As narradoras Alexandra Pericão, Melina Soulz e Renata Jambeiro conduzem as histórias, enquanto Fábia Mirassos, Pâm Herrera, Priscila Siqueira e Rachel Rocha participam como convidades nos debates. A mediação é realizada por Alexandra Pericão e Melina Soulz. O projeto também garante acessibilidade com serviço de tradução-intérprete no workshop e nos encontros que abordam o capacitismo.

Como contrapartida, será realizado um workshop voltado a professores, que traz a reflexão sobre contos e autores que enfrentam essas temáticas de forma transversal. O encontro será gravado e disponibilizado gratuitamente nas redes sociais, ampliando o alcance do conteúdo. Em um contexto de crescente violência escolar e polarização social, Contos Inclusivos e Travessos reafirma a literatura como espaço de empatia e construção de cidadania. Ao mergulhar nas histórias e nas perspectivas dos personagens, leitores e ouvintes ampliam sua capacidade de compreender diferentes existências e realidades.

O projeto parte do princípio de que o acesso à literatura é um Direito Humano e de que ninguém deve ser deixado para trás, premissa central dos ODS. Ao promover encontros continuados (e não ações pontuais), a iniciativa responde a uma demanda identificada junto a bibliotecários de equipamentos públicos, que apontaram a carência de projetos de leitura com frequência e aprofundamento. A proposta é fortalecer a cultura da leitura como instrumento para a construção de uma sociedade mais pacífica, inclusiva e socialmente responsável. Esse projeto foi aprovado pelo Pro-Mac - Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais, com patrocínio da Dasa - Líder em Medicina Diagnóstica no Brasil.


Ficha técnica
"Contos Inclusivos e Travessos"
Culturalistas Produções
Produção executiva e direção de produção: Melina Soulz
Curadora: Alexandra Pericão
Narradoras: Alexandra Pericão, Melina Soulz e Renata Jambeiro
Convidades: Fábia Mirassos, Pâm Herrera, Priscila Siqueira e Rachel Rocha
Serviços jurídicos: Cecília Lopes Santana
Assessoria Contábil, financeiro e prestação de contas: Claudia Viri de Oliveira e Nilton de Oliveira
Designer gráfico: Caio Matos
Analista de comunicação / redes sociais: Gabriela Gonzalez Tavares
Foto Still: Ronaldo Gutierrez
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio


Serviço
"Contos Inclusivos e Travessos"
Grátis
Datas e locais das próximas apresentações 

13 de julho de 2026
Narradora Melina Soulz
Convidada Fabia Mirassos
9h30 e 11h
Ceu Lajeado (R. Manuel da Mota Coutinho, 293 - Lageado) 

13 de julho de 2026
Narradora Melina Soulz
Convidada Fabia Mirassos
14h e 15h30
Ceu Inácio Monteiro (R. Barão Barroso do Amazonas, s/n - Conj. Hab. Inácio Monteiro)

14 de julho de 2026 
Narradora Melina Soulz
Convidada Fabia Mirassos
9h30, 11h, 14h e 15h30
Ceu Alvarenga (Estr. do Alvarenga, 3752 - Balneário São Francisco) 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Crítica musical: Alceu Valença, 80 anos de genialidade musical


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Um dos nomes mais importantes da nossa MPB, o pernambucano Alceu Valença completou 80 anos mantendo a mesma disposição para produzir verdadeiras pérolas musicais com aquele tempero nordestino inconfundível e irresistível.

Alceu é um talento multifacetado. Além da música teve passagens marcantes no cinema e até na literatura com um livro de poesias, Mas foi na música que ele se tornou conhecido, mesclando as influências  musicais de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro com outras que ele ouvia nas rádios.

Seu primeiro disco foi gravado em parceria com o igualmente genial Geraldo Azevedo em 1973. No ano seguinte lança o disco Molhado de Suor, frequentemente apontado como um de seus melhores trabalhos. E desde então não parou mais.

Basta um breve olhar em sua discografia para perceber a riqueza de sua obra. Álbuns como o "Espelho Cristalino" (1975), "Coração Bobo" (1980), "Cavalo de Pau" (1982). "Anjo Avesso" (1983) e "Mágico" (1985), só pra citar alguns exemplos, reúnem uma coleção de canções antológicas, algumas até se tornaram hits nas rádios, como a irresistível Tropicana.

A genialidade de Alceu se explica pelo fato de ele se manter autèntico, sem se render para concessões comerciais impostas pelas grandes gravadoras. E essa postura só comprovou que sua obra sempre teve o apelo popular. Basta ver seus shows sempre com grande presença de público.

Para nossa felicidade, Alceu segue em pela atividade comemorando merecidamente os seus 80 anos. E tomo emprestado os versos da canção Sete Desejos: E agora penso que a estrada/Da vida, tem ida e volta/Ninguém foge do destino/Esse trem que nos transporta.

"Estação da Luz"

"Sete Desejos"

"Coração Bobo"

.: “Tomo Controle Contigo”, novidade: Suzy McCalley lança novo single


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

A cantora brasileiro-americana Suzy McCalley está lançando um novo single. Bebendo na fonte das músicas brasileira e americana, Suzy está lançando a música “Tomo Controle Contigo”, pela Ada Brasil Music em todas as plataformas musicais. “A inspiração para essa música é o posicionamento da mulher no momento do flerte, da atração. Ela está entrando num clube, há aquele momento de tensão sexual, e no final é a mulher que escolhe o parceiro”, conta Suzy.

O single faz parte de um projeto chamado “Amor e Atitude”, que terá outras músicas lançadas ao longo do ano. No caso de “Tomo Controle Contigo”, a vocação de Suzy para extrapolar fronteiras aparece também numa batida meio caribenha, fruto da troca de experiências com o produtor Carlos Yael, vencedor de cinco Grammys.

Suzy nasceu no Brasil, filha de mãe brasileira e pai americano, ambos músicos. Mudou-se para os Estados Unidos aos 9 anos e mora lá até hoje, mas está sempre no Brasil e nos últimos três anos intensificou sua imersão musical, visitando Minas Gerais e o Nordeste, sempre em busca de novas influências e conhecimentos.  

Nos Estados Unidos, Suzy tornou-se uma espécie de embaixadora da cultura brasileira. Além de se apresentar com sua banda, realiza eventos que incluem, além de música, dança e gastronomia brasileiras. “É incrível compartilhar a cultura brasileira. Principalmente onde moro agora, na Carolina do Norte, onde as pessoas normalmente só conhecem “Garota de Ipanema” e uma ou outra música brasileira”,  concluiu.

"Tomo Contro Contigo"

.: Texto de Padre Antônio Vieira usa humor e música para falar de injustiça


De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, "Sermão de Santo Antônio aos Peixes", texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. Foto: Nil Caniné

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes", de Padre Antônio Vieira, é um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa. Com humor e crítica ácida, o espetáculo do século 17 toca em assuntos como desigualdade social, exploração econômica, corrupção e escravidão dos povos indígenas. De forma comunicativa e bem-humorada, além de uma ácida crítica à exploração dos povos indígenas e à ganância dos colonizadores, Sermão de Santo Antônio aos Peixes, texto de Padre Antônio Vieira, de 1654, ganha uma adaptação para os palcos e estreia no dia 16 de julho, quinta-feira, às 20h30, no auditório do Sesc Pinheiros. A montagem conta com direção e dramaturgia de Moacir Chaves, que também está em cena com Márcio Vito, além da música ao vivo executada por Gustavo Corsi, responsável pela direção musical. A temporada é de 16 de julho a 8 de agosto.

O espetáculo parte do Sermão de Santo Antônio aos Peixes, de Padre Antônio Vieira, considerado por Fernando Pessoa o "Imperador da Língua Portuguesa". No texto, os peixes são utilizados como metáforas para discutir a exploração do homem pelo homem, condenar a escravização dos povos indígenas e abordar temas como ganância, poder e corrupção. Em cena, dois atores e um músico apresentam o sermão por meio da interpretação, da música ao vivo e de recursos cênicos, revisitando um dos textos mais conhecidos da literatura em língua portuguesa.

“Padre Antônio Vieira é o nosso Shakespeare. Como o inglês, Vieira escreveu textos para serem falados, alcançou enorme sucesso popular e sua obra permanece viva e atual. Vieira era performático. É impossível ler seus sermões sem imaginar sua atuação cênica. O púlpito era seu palco, sempre diante de uma audiência numerosa. Suas palavras são inteligentes, curiosas, engraçadas e dialogam com o nosso tempo”, afirma o diretor.

Pregado em 13 de junho de 1654, em São Luís do Maranhão, durante as celebrações de Santo Antônio, o Sermão de Santo Antônio aos Peixes foi escrito em meio aos conflitos entre colonos e jesuítas em torno da escravização dos povos indígenas. Três dias após a pregação, Vieira embarcou para Lisboa para solicitar ao rei D. João IV a adoção de medidas que garantissem maior proteção aos indígenas diante da exploração promovida pelos colonos.

Sua atuação junto à Coroa portuguesa contribuiu para a criação de medidas voltadas à proteção dos povos indígenas. Além da atividade religiosa, Vieira exerceu funções diplomáticas e políticas. Seus sermões funcionavam como instrumentos de intervenção pública, abordando temas relacionados à organização social, à política, à religião e às relações humanas. Produzida ao longo do século XVII, sua obra discute intolerância, poder, conflitos e comportamento social, questões que permanecem presentes no debate contemporâneo.

"Sermão de Santo Antônio aos Peixes" realizou temporadas no Sesc Copacabana e no Centro Cultural Baukurs Botafogo, ambos no Rio de Janeiro. Nesta montagem, Moacir Chaves revisita a obra de Padre Antônio Vieira três décadas após sua primeira aproximação com o autor, quando dirigiu Sermão da Quarta-feira de Cinza, espetáculo protagonizado por Pedro Paulo Rangel (1948–2022).

Segundo o encenador, o texto de Vieira articula elementos lúdicos e críticos para discutir contradições humanas que permanecem atuais. “O público daquela época aceitava Cristo, mas o problema era viver de forma cristã, abrir mão dos próprios privilégios e enfrentar a desigualdade social, que acaba atravessando a história”, conclui.


Ficha técnica
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Texto: Padre Antônio Vieira. Direção, Concepção e Dramaturgia: Moacir Chaves. Elenco: Márcio Vito e Moacir Chaves. Composição e Música ao Vivo: Gustavo Corsi. Cenário: Sergio Marimba. Figurino: Inês Salgado. Iluminação: Aurélio de Simoni. Assistentes de Direção: Maria Clara Schwerdtner e Isis Pessino. Direção Técnica: Anderson Bispo. Fotos: Nil Caniné. Arte e Design Gráfico: Maurício Grecco. Assessoria de Imprensa: Renato Fernandes. Gestão e Conteúdo de Mídias: Sarah Marques. Produção Executiva: Flávia Primo. Produção: Ana Barroso e Monica Biel /BB Produções Artísticas.


Serviço
Espetáculo "Sermão de Santo Antônio aos Peixes"
Local: Sesc Pinheiros – Teatro Paulo Autran – R. Paes Leme, 195 – Pinheiros, São Paulo, SP
De 16 de julho a 8 de agosto. Quinta a sábado, às 20h30. Dias 31 de julho e 7 de agosto, sessões às 16h00 e às 20h30
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Vendas em sescsp.org.br, pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou nas bilheterias de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 60 minutos | Classificação: 14 anos.
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. Nos dias 31 de julho e 1° de agosto, as sessões contam com tradução em Libras.
Sesc Pinheiros | Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 10h00 às 22h00. Sábados, das 10h00 às 21h00. Domingos e feriados, das 10h00 às 18h30.
Estacionamento com manobrista
Como Chegar de Transporte Público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: “O Menino com Braços de Céu”: obra infantil aborda luto com delicadeza


Escrito por Vivian Caroline Lopes, o livro transforma perdas na infância em uma narrativa sensível sobre vida, finitude e afeto


Falar sobre perdas na infância é um desafio, seja nas famílias, nas escolas ou na sociedade. É nesse espaço sensível que a Editora Melhoramentos acaba de lançar "O Menino com Braços de Céu", livro de Vivian Caroline Lopes, que convida crianças e adultos a olharem para o luto a partir da delicadeza, do afeto e da poesia. A obra nasce de uma metáfora sobre a vida e sua finitude na figura de um carretel de fita, representando o fio a vida. Ao nascer, cada criança recebe alguns metros de fita, que simbolizam o tempo da vida. Ao longo da narrativa, o protagonista percebe que sua fita é mais curta e, ao desenrolá-lo, cria laços com tudo aquilo que ama, como pessoas, momentos, memórias e pequenas descobertas do dia a dia.

Com linguagem poética e visual, o livro constrói uma experiência sensorial sobre a finitude. O fio azul, presente também no acabamento da lombada, atravessa toda a narrativa como símbolo da trajetória da vida, dos vínculos que construímos e daquilo que permanece, mesmo diante da perda. As ilustrações elaboradas e aquareladas pela própria autora dialogam com o texto ao explorar vazios, traços incompletos e cores suaves, criando uma atmosfera de suspensão e contemplação. A escolha estética reforça a fragilidade da existência humana e a intensidade dos encontros que marcam a trajetória do menino. "O Menino com Braços de Céu" é um convite a falar e sentir a vida a partir de cada laço que se forma no caminho sob a perspectiva de uma criança.

Educadora e doutora em Literatura Brasileira, Vivian Caroline Lopes desenvolve projetos de incentivo à leitura e à escrita com crianças e adolescentes. A motivação para este livro, no entanto, nasceu de uma experiência profunda. Ao longo de sua trajetória como professora, a autora vivenciou perdas recorrentes de alunos em contextos atravessados pela violência, pelo crime e pela vulnerabilidade social.

“Foi a forma que encontrei para me expressar, ressignificar a ausência e honrar as memórias de quem partiu”, conta Vivian. A dedicatória da obra reforça esse propósito ao homenagear três jovens que tiveram suas histórias interrompidas.

Para Joice Castilho, gerente de Negócios da Editora Melhoramentos, o livro chega ao catálogo para ampliar a escuta e abrir conversas delicadas e necessárias no universo infantil. “Tratar de temas como o luto faz parte do compromisso da Editora em apoiar educadores e famílias na formação emocional das crianças. Ao abordar esse assunto com cuidado e responsabilidade, a obra se soma a um conjunto de títulos que contribuem para a discussão de questões essenciais do desenvolvimento infantil, com sensibilidade e profundidade”, afirma.

Títulos como “Agora Pode Chover”, “A Cabine Telefônica do Sr. Hirota” e "Menina Nina: Duas Razões para Não Chorar" já integram o catálogo da Editora e consolidam a atuação da Melhoramentos na construção de um repertório que acolhe as emoções da infância e contribui para a formação de leitores mais empáticos, capazes de compreender e elaborar experiências complexas. Compre o livro "O Menino com Braços de Céu", de Vivian Caroline Lopes, neste link.

Uma ferramenta para escolas e educadores
Ao tratar o tema com leveza, "O Menino com Braços de Céu" se apresenta como um recurso relevante para escolas, educadores e famílias, abrindo espaço para conversas difíceis e apoiando as crianças na nomeação de sentimentos, na compreensão das perdas e no reconhecimento da importância dos vínculos. A obra será lançada durante a 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), que acontece entre 22 e 26 de julho de 2026. A sessão de lançamento e encontro com leitores está marcada para 23 de julho, às 16h30, na Casa Árvore. O livro também pode ser encontrado nas principais livrarias físicas e digitais do país, com preço sugerido de R$ 69,00. Garanta o seu exemplar de "O Menino com Braços de Céu", escrito por Vivian Caroline Lopes, neste link.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

.: Cia. EmVersão fala sobre adoção e luto em "Jabuticaba Nasce no Tronco"


Com texto e direção de Bernardo Fonseca Machado, espetáculo encerra trilogia de peças Ensaios Sobre a Morte, composta ainda por Relicário Inventado e Epitáfio. Foto: Tomás Franco

Inspirado em casos reais de adoção, "Jabuticaba Nasce no Tronco", novo trabalho da Cia. EmVersão, com direção, texto e idealização de Bernardo Fonseca Machado, pode ser assistido até dia 12 de julho, no Teatro Alfredo Mesquita, com sessões gratuitas de quinta a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00. O espetáculo é estrelado por Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez.

O trabalho, que aborda o fim de vínculos antigos e o nascimento de novos laços, encerra a trilogia "Ensaios Sobre a Morte", que ainda contou com os trabalhos "Relicário Inventado" (2011), sobre a partida do outro; e "Epitáfio" (2013/2014), sobre a morte em si. Cada uma dessas obra é atravessada por um verbo que orienta dramaturgia, encenação e atuação: na primeira, a ação era “inventar” a memória; no segundo, “escolher” o próprio fim; e, agora no novo espetáculo, “costurar” histórias, raízes e pertencimentos.

Ambientado entre os anos de 1990 e 2008, na cidade de São Paulo, Jabuticaba nasce no tronco acompanha a trajetória de quatro crianças órfãs - Bento, Ifigênia, José e Miuza - que chegam juntas à casa de acolhimento de Maria, uma senhora viúva que recebe crianças para garantir sua subsistência. Após um período de convivência e algumas visitas de casais interessados em adotar, cada uma delas segue para um destino diferente. Dezoito anos depois, os quatro se reencontram em um velório, momento em que precisam revisitar suas histórias e lidar com a busca por suas origens.

Cada personagem representa um aspecto da experiência adotiva. Maria, figura central, é inspirada em mulheres que atuaram informalmente como cuidadoras nas décadas de 1980 e 1990. Bento é uma criança que sofre a troca de nome ao ser adotado por um casal de classe média alta, o que desencadeia uma crise de identidade. Ifigênia é deixada pela avó e depois devolvida pela família adotiva que buscava apenas uma criança de “companhia”. José nasce de uma gravidez indesejada e encontra afeto apenas após desencontros. Miuza é retirada da mãe pelo Estado e adotada por um pai solo que valoriza a educação.

Assim, o espetáculo aborda as expectativas das crianças e as experiências que enfrentam: o luto pelo fim das relações familiares originais, a dificuldade com os novos vínculos, suas fantasias, os desejos de parentalidade, a relação com a herança biológica, as ações de apagamento das famílias de origem, o surgimento de novas famílias (multirraciais, monoparentais) e a busca pelas origens. 

A encenação tem como eixo simbólico o tecido - elemento que sintetiza a representação das relações afetivas no universo da adoção. Pensando os vínculos familiares como uma trama de fios, a montagem parte da ideia de que o afeto pode ser costurado, mas também pode ser rompido, cortado ou desfeito. A adoção, nesse contexto, é compreendida como um gesto de unir partes distintas por meio de uma costura, que tanto pode formar um laço quanto um nó - frouxo ou apertado, simples ou complexo, que conecta ou tensiona os sujeitos envolvidos.

O texto transita entre o diálogo e a narração, promovendo um jogo cênico em que passado e presente se interpelam, isto é, uma cena cotidiana narrada em 1990 assume um significado áspero sob um diálogo ocorrido em 2008 e vice e versa.

A peça dialoga com os preceitos de consolidação do ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente e nasce do desejo de Bernardo Fonseca Machado de criar um trabalho que refletisse a perspectiva de quem viveu a experiência da adoção. Inclusive, o próprio autor e diretor, que é pretendente à adoção, tem pesquisado o tema desde 2018, tendo feito cursos de formação de instituições como o GAASP (Grupo de Apoio à Adoção em São Paulo) e o Tribunal de Justiça de São Paulo. O espetáculo faz parte de um projeto contemplado pela 21ª Edição do Prêmio Zé Renato — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa. 


Ficha técnica
Espetáculo "Jabuticaba Nasce no Tronco"
Texto, direção e idealização: Bernardo Fonseca Machado
Elenco: Barroso, Fábia Mirassos, Jennifer Souza, Rodrigo de Castro e Vitória Cortez
Musicistas em cena: Gago e Sérgio Wontroba
Trilha sonora: Guti Vellutini
Consultoria musical: Fernando Growald
Cenário: Andreas Guimarães
Figurino: Kleber Montanheiro
Costureira: Mariluce Constantina
Iluminação: Lui Seixas
Assistente de iluminação: Júlia Fávero
Design gráfico: Renan Marcondes
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Fotos: Tomás Franco
Direção de produção: Paula Malfatti
Audiodescrição: Ver com Palavras
Roteiro e narração: Lívia Motta
Consultoria: Roseli Garcia
Libras: Verena Teixeira e Rive Agra
Estágio: Larissa Alves da Silva
Administração: La Do B Educação e Artes
Gestão: Malfatti Paciência em Ato
Apoio: Teatro do Célia e Oficina de Atores Nilton Travesso


Serviço
Espetáculo "Jabuticaba Nasce no Tronco"

Até dia 12 de julho de 2026
De quinta-feira a sábado, às 20h00, e aos domingos, às 19h00
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana/São Paulo
Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão
Classificação: 10 anos
Duração: 130 minutos
Acessibilidade:teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: Musical “Donatello”, de Vitor Rocha, realiza últimas sessões


Após temporadas de destaque entre Rio de Janeiro e São Paulo, o premiado musical brasileiro “Donatello” entra em suas últimas semanas de cartaz nos palcos paulistanos, em temporada curta no Teatro do Núcleo Experimental. Foto: Junior Mandriola


Após temporadas de destaque entre Rio e São Paulo e reconhecimento da crítica especializada, o musical brasileiro “Donatello” retornou ao Teatro do Núcleo Experimental e pode ser visto até dia 19 em uma nova temporada na capital paulista. Com realização do Ministério da Cultura e da Encanto Artístico e patrocínio da Colormix, o espetáculo escrito e protagonizado por Vitor Rocha inicia um novo ciclo após conquistar duas indicações ao Prêmio Destaque Imprensa Digital, incluindo na categoria de Roteiro Original, além de três indicações ao Prêmio FITA, entre elas Melhor Espetáculo. Vitor também foi premiado como Revelação tanto como autor quanto ator na Festa Internacional de Teatro, consolidando o trabalho como um dos destaques recentes da cena autoral do teatro musical brasileiro. Pela primeira vez desde a estreia, a montagem passa a ocupar a grade regular de finais de semana, com sessões aos sábados e domingos. Os ingressos já estão à venda pela Sympla.

A nova temporada também reforça a trajetória da Encanto Artístico dentro da cena autoral paulistana. Responsável por montagens como “Cargas D’Água”, “Bom Dia Sem Companhia”, “O Mágico Di Ó” e “Se Essa Lua Fosse Minha”, a produtora vem consolidando um repertório marcado por musicais originais que transitam entre memória, relações humanas e identidade brasileira. Dentro desse percurso, “Donatello” retorna aos palcos após reunir mais de dois mil espectadores em sessões intimistas de lotação esgotada, reafirmando a força de produções autorais que seguem encontrando novas possibilidades de circulação no teatro musical contemporâneo. 

Com uma narrativa delicada e atravessada por humor, afeto e memória, “Donatello” constrói uma reflexão sobre envelhecimento, relações familiares e os impactos do Alzheimer na vida cotidiana. Sem recorrer ao melodrama, o texto acompanha as marcas deixadas pelo esquecimento enquanto propõe um olhar humano sobre aquilo que permanece vivo mesmo diante da perda gradual das lembranças. Ao longo da encenação, o musical também provoca reflexões sobre a maneira automática com que muitas vezes atravessamos a vida e como pequenas experiências afetivas acabam se tornando os vínculos mais duradouros da memória.

A história acompanha Amendoim, personagem vivido por Vitor Rocha, que revisita a relação com o avô após o diagnóstico da doença. Quando percebe que, apesar de esquecer nomes e acontecimentos, o avô ainda preserva lembranças ligadas aos sabores de sorvete, o jovem transforma experiências compartilhadas em sabores capazes de atravessar o tempo. Em pouco mais de uma hora de espetáculo, infância, adolescência e vida adulta se misturam em uma narrativa lúdica e sensível, conduzindo o público por diferentes fases da trajetória de Amendoim enquanto a relação entre os dois personagens ganha novas camadas emocionais ao longo da montagem.

A interatividade também ocupa papel importante na encenação e reforça o caráter vivo da experiência proposta pelo musical. A cada sessão, palavras sugeridas pelo público minutos antes do terceiro sinal são incorporadas à narrativa, criando pequenas variações no texto e transformando a dinâmica de cada apresentação. A proposta se une à direção de Victoria Ariante, que aposta em uma encenação intimista e sensível, embalada pelas músicas originais compostas por Elton Towersey e executadas ao vivo por Guilherme Gila ao piano, criando uma atmosfera que aproxima público e personagens de maneira delicada e afetiva.

Com direção de produção de Luiza Porto, preparação de elenco de Letícia Helena, design de luz de Wagner Pinto, design de som de Paulo Altafim, através da ÁUDIO S.A, e cenotecnia de Batata Rodriguez, “Donatello” segue ampliando sua trajetória dentro da nova geração de musicais brasileiros autorais que vêm encontrando no teatro intimista um caminho potente para aproximar público, memória e emoção.

Ficha técnica
Musical "Donatello"

Texto e letras: Vitor Rocha
Composição e direção musical: Elton Towersey
Direção: Victória Ariante
Assistente de direção e preparadora de elenco: Letícia Helena
Desenho de luz (original): Wagner Pinto
Remontagem de luz: Gabriel Greghi
Operadora de luz: Marina Gatti
Desenho de som: Guilherme Ramos (Mark)
Microfonista e operador de som: Thiago Venturi
Cenotécnica: Batata Rodriguez
Elenco: Vitor Rocha
Pianista e suporte cênico: Guilherme Gila
Produção executiva: Letícia Helena
Direção de produção: Luiza Porto
Coordenação de produção: Nathalia Gouvêa
Design
e comunicação: Xodó Comunicação
Assessoria de imprensa: GPress Comunicação
Realização: Ministério da Cultura e Encanto Artístico
Patrocínio: Colormix


Serviço
Musical "Donatello"
Local: Teatro do Núcleo Experimental
Rua da Barra Funda, 637 - Barra Funda / São Paulo
Até dia 19 de julho de 2026
Horários: Sábados, às 20h00 | Domingos, às 19h00
Duração: 90 minutos
Classificação etária: +10 

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