sábado, 2 de maio de 2026

.: Crítica: "Rio de Sangue" é filme-denúncia sobre garimpo ilegal na Amazônia

"Rio de Sangue" está em cartaz na Cineflix Cinemas

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


No longa nacional de ação, suspense e policial, "Rio de Sangue", em cartaz na Cineflix Cinemasa policial Patrícia Trindade (Giovanna Antonelli)afastada da corporação, foge de São Paulo para o Pará após ser jurada de morte pelo narcotráfico, numa operação fracassada. Ao tentar se reaproximar da filha, a médica Luiza (Alice Wegmann), ela esbarra numa nova problemática em que põe a vida em risco, quando a jovem é sequestrada por garimpeiros ilegais durante uma missão humanitária no Alto Tapajós.

Unindo amor materno e a experiência profissional Patrícia corre contra o tempo para resgatar Luiza na selva, refém do cabeça dos esquemas, Polaco (Antonio Calloni, de "Anjos de Sol" e "Jogo de Xadrez") que a usa para salvar o filho, Jadson (Ravel Andrade). Na situação desesperadora, ela se vê forçada a ingressar entre os garimpeiros para enfrentar os poderosos que dominam a região empunhando armas e nenhum escrúpulo.

Na telona, as cenas de ação realistas, intensas e cruas, passam longe dos exageros caricatos e impactam, o que é nitidamente favorecido pelo talento do elenco, principalmente da protagonista que desenha a força da trama de modo convincente. Todo o conjunto da produção nacional bem realizada, empolga, facilitando para que o público embarque na história de mãe e filha lutando para sobreviver em meio a um cenário de crime ambiental.

Num papel de fortaleza pronta para a defesa tal qual o personagem Rambo, Antonelli consegue passar vulnerabilidade na medida que torna o filme visceral. "Rio de Sangue" é filme-denúncia sobre a realidade do garimpo ilegal na Amazônia, contra a exploração ambiental e a violência na região. O "grito da floresta" que soma 1 hora e 46 minutos imprime certa angústia e prende a atenção do início ao fim. Vale a pena conferir!

"Rio de Sangue" (nacional). Gênero: Thriller, Ação, DramaDireção: Gustavo Bonafé. Roteiro: Felipe Berlinck, Dennison RamalhoDuração: 1h 46 minutos. Distribuição: Disney. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Giovanna Antonelli (Patrícia Trindade), Alice Wegmann (Luiza), Antônio Calloni, Felipe Simas, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade. Sinopse: Patrícia, uma policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte, se refugia no Pará. A trama engrena quando sua filha Luiza, médica em missão humanitária, é sequestrada por garimpeiros, forçando Patrícia a agir.  

Trailer

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.: Cia. Ludens estreia "Uma Velha Canção, Quase Esquecida" no Sesc Pompeia


Com direção e tradução de Domingos Nunez, espetáculo investiga a demência progressiva no Alzheimer a partir do drama de um ator que tenta a todo custo preservar sua memória. Foto: Ronaldo Gutierrez


Concebida para ser representada por dois atores, a versão mais velha e mais jovem do mesmo homem, "Uma Velha Canção, Quase Esquecida", da autora irlandesa Deirdre Kinahan, propõe uma reflexão sobre a doença de Alzheimer. O espetáculo da Cia Ludens, com tradução e direção de Domingos Nunez, tem sua temporada de estreia no Sesc Pompeia de 2 a 24 de maio, com sessões às quartas, quintas e sábados, às 20h00, às sextas, às 16h00 e às 20h00, e aos domingos, às 18h00.

A peça narra a jornada para dentro da alma e da vida de um velho ator, interpretado por Genezio de Barros, que, vivendo com Alzheimer, escreve obstinadamente, na tentativa de manter na memória os registros de pessoas e fatos que marcaram a sua história. Durante um concerto no asilo onde mora, impulsionado pela música e auxiliado pela duplicação mais jovem de si mesmo, papel de Iuri Saraiva, ele tenta reconstruir sua carreira e relembrar de sua família e seus amores.

Escrita em 2023, com o título original de" An Old Song, Half Forgotten", a peça estreou no palco Peacock do Abbey Theatre, o teatro nacional da Irlanda, em 14 de abril de 2023, e foi publicada na coletânea de peças curtas de Deirdre Kinahan, Shorts – Five Plays, pela editora Nick Hern Books, de Londres, no mesmo ano. 

O texto propõe investigar a demência progressiva que afeta irrecuperavelmente a memória e o comportamento daqueles acometidos pelo Alzheimer. Evidenciando esse processo degenerativo, com o protagonista muitas vezes metalinguisticamente lendo as falas escritas por ele mesmo – em seu esforço para não esquecer fatos e sensações de sua trajetória – a encenação pretende explorar a relação desse homem consigo mesmo que, por intermédio de sua duplicação, identifica e interpreta as pessoas e peças que marcaram a sua vida e sua carreira de ator. No entanto, mesmo essas anotações escritas não são garantias de que os acontecimentos e indivíduos ficarão retidos na lembrança. 

Tanto a criação musical contundente da montagem, assinada pelo violonista brasileiro Mario da Silva, quanto a partitura verbal transposta para o português são aspectos de suma importância neste texto curto de grande intensidade poética, uma vez que os episódios e as figuras surgem a partir delas e os sentimentos e atmosferas são igualmente desencadeados e sublinhados por elas em seus diversos timbres, ritmos e possibilidades sonoras. 

Desde o início os músicos Aline Reis, Mafê e Vinícius Leite estão em cena. Em um primeiro momento, eles parecem estar simplesmente tocando um concerto na casa de repouso onde vive o protagonista, mas, gradativamente, entende-se que se trata também de uma projeção da mente do protagonista, de mais uma possibilidade, como a palavra escrita, de organizar e reter as recordações de uma mente confusa acerca do tempo presente e de ocorrências do passado. 

A investigação pretende explorar as manifestações sonoras de uma maneira mais ampla, não restringindo sua materialização apenas às execuções de partituras musicais, mas expandindo seu campo de combinações às estruturas, ritmos e significados linguísticos suscitados pelo Alzheimer e pela palavra escrita, além dos recursos dos sons fomentados pela cena e pelas sonoridades do silêncio.


Sobre a autora
Deirdre Kinahan nasceu em Dublin, em 1968 e atualmente reside no condado de Meath. Fundou e dirigiu por 15 anos a Cia teatral Tall Tales, escrevendo e produzindo diversas peças teatrais para a Companhia. Tem colaborado ao longo dos anos com os principais teatros em atividade na Irlanda e no circuito internacional. Atuou como membro do conselho do Theatre Forum Ireland e do Abbey Theatre e é membro da Aosdána, um corpo de artistas condecorados por sua notável contribuição à vida cultural irlandesa. 

Autora de inúmeras peças desde 1999, e com diversos prêmios no currículo, teve "Knocknashee - A Colina das Fadas", peça de 2002, publicada no Brasil em 2025 pela Editora Iluminuras, com tradução de Beatriz Kopschitz Bastos e Lúcia K. X. Bastos. Este texto, juntamente com outros quatro de autores contemporâneos, também publicados pela Editora Iluminuras, fizeram parte do V Ciclo de Leituras da Cia Ludens: Teatro Irlandês, deficiência e protagonismo.


Ficha técnica
"Uma Velha Canção, Quase Esquecida"
Dramaturgia Original: Deirdre Kinahan 
Curadoria: Beatriz Kopschitz Bastos 
Tradução e direção artística: Domingos Nunez
Elenco: Genezio de Barros e Iuri Saraiva
Trilha sonora original: Mario da Silva
Direção musical: Vinícius Leite
Músicos em cena: Aline Reis, Mafê e Vinícius Leite
Figurinos: Chico Cardoso 
Costureira: Lili Santa Rosa 
Cenografia: Marisa Rebollo
Cenotecnia: Alício Silva/ Casa Malagueta
Designer de luz e Operação Técnica: Zerlô
Técnico de som: Valdilho Oliveira 
Fotografia artística: Ronaldo Gutierrez
Identidade visual: Dalua Criações
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Captação e edição: Ícarus Filmes
Tradução em Libras: Fabiano Campos
Produção executiva: Luísa Silva
Direção de produção: André Roman
Produção: Cia Ludens / Teatro de Jardim 


Serviço
"Uma Velha Canção, Quase Esquecida", de Deirdre Kinahan
Temporada: 2 a 24 de maio de 2026
Quartas, quintas e sábados, às 20h00; sextas-feiras, às 16h00 e às 20h00; e domingos, às 18h00 (sessões em Libras nos dias 8, 15 e 22 de maio)
Sesc Pompeia -  Rua Clélia, 93, Pompeia, São Paulo
Ingressos: R$ 60,00 (inteira), R$ 30,00 (meia-entrada) e R$ 18,00 (credencial plena)
Vendas on-line em sescsp.org.br e presencialmente nas bilheterias de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Classificação: 12 anos
Duração: 70 minutos
Capacidade: 302 lugares
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

.: MIS segue em cartaz com exposição inédita sobre Janis Joplin até 14 de junho


Público irá conferir uma seleção de mais de 300 itens, como figurinos, manuscritos e muitas outras peças originais, diretamente de Los Angeles/EUA

Fãs de Janis Joplin, um dos maiores ícones da história do rock, podem conferir de perto uma exposição inédita sobre a lendária cantora norte-americana no Museu da Imagem e do Som de São Paulo, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo. Até dia 14 de junho, o MIS abriga a exposição "Janis”, mostra que conta com um grande e variado acervo de itens originais, além de uma expografia sensorial que fará o público imergir na contracultura e espírito transgressor dos anos 60, sob a luz da vida e obra de Janis Joplin. Os ingressos, nos valores de R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia), podem ser adquiridos no site: megapass.com.br/mis.

A exposição apresenta uma seleção de mais de 300 itens, como figurinos, adereços, manuscritos e muitas outras peças originais, diretamente de Los Angeles/EUA. “Tivemos acesso à família de Janis e estamos trazendo ao MIS um grande acervo da cantora, nunca visto no Brasil”, afirma André Sturm, diretor geral do Museu da Imagem e do Som e curador da mostra. “E mais: para além dos objetos pessoais, nós fizemos um profundo levantamento fotográfico da vida e carreira de Janis para compor a exposição. Destaco as imagens do Monterrey Pop, um grande festival de música da década de 60, onde ela foi descoberta, ocorrido antes mesmo de Woodstock”.

O público conta, ainda, com a já tradicional cenografia imersiva das exposições do MIS, com elementos visuais e audiovisuais pensados em levar o visitante a uma grande experiência sensorial na vida e obra da artista. São mais de dez salas expositivas, sendo um dos pontos altos a área dedicada ao amor da cantora ao Brasil - que mostrará os momentos marcantes em que Janis passou no Rio de Janeiro, durante o Carnaval de 1970.


Sobre Janis Joplin
Aquela voz – aguda, rouca, terrena, explosiva – permanece entre as mais distintas e eletrizantes da história da música. Ela reivindicou o blues, o soul, o gospel, o country e o rock com autoridade e entusiasmo inquestionáveis, transitando destemidamente entre jams psicodélicas de guitarra, raízes intimistas e tudo o que há entre esses dois extremos. Suas performances vulcânicas deixavam o público atônito e sem palavras, enquanto seu magnetismo sexual, sua postura experiente e seu estilo extravagante quebravam todos os estereótipos sobre artistas femininas – e, essencialmente, inventavam o paradigma da “mãe do rock”.

Nascida em Port Arthur, Texas, em 1943, Joplin foi influenciada por Leadbelly, Bessie Smith e Big Mama Thornton na adolescência, e a autenticidade dessas vozes impactou fortemente sua decisão de se tornar cantora. Autodenominada "desajustada" no ensino médio, ela sofreu praticamente ostracismo, mas se aventurou na música folk com os amigos e na pintura. Frequentou brevemente a faculdade em Beaumont e Austin, mas se sentiu mais atraída pelas lendas do blues e pela poesia beat do que pelos estudos; logo abandonou a faculdade e, em 1963, partiu para São Francisco, acabando por se estabelecer no notoriamente problemático bairro de Haight-Ashbury, marcado pelo uso de drogas. Lá, conheceu o guitarrista Jorma Kaukonen (que mais tarde integraria a lendária banda de rock de São Francisco, Jefferson Airplane) e os dois gravaram uma série de canções com a esposa dele, Margareta, que tocava na máquina de escrever. Essas faixas – incluindo clássicos do blues como “Trouble in Mind” e “Nobody Knows You When You're Down and Out” – viriam à tona mais tarde no infame bootleg “Typewriter Tapes”.

Ela retornou ao Texas para escapar dos excessos do bairro Haight-Ashbury, matriculando-se como estudante de sociologia na Universidade Lamar, adotando um penteado colmeia e levando uma vida geralmente "certinha", apesar de ocasionais apresentações em Austin. Mas a Califórnia a atraiu de volta para seu abraço cintilante em 1966, quando ela se juntou à banda de rock psicodélico “Big Brother and the Holding Company”. Sua adoção de um estilo de vestimenta extravagante – com óculos de aros grossos, cabelo frisado e roupas chamativas que faziam alusão, ao estilo hippie, à era do burlesco – impulsionou ainda mais sua crescente reputação.

O inovador Festival Internacional de Pop de Monterey – realizado de 16 a 18 de junho de 1967 – transformou a carreira de Janis Joplin e lançou as bases para festivais como Woodstock. Janis chegou ao bucólico Parque de Exposições do Condado de Monterey como membro do Big Brother and the Holding Company, um grupo praticamente desconhecido fora de São Francisco. Ao final do fim de semana, ela era o centro das atenções da mídia mundial e passou a ser cortejada pelo presidente da Columbia Records, Clive Davis, e pelo empresário de Bob Dylan, Albert Grossman.

Anunciado como "três dias de paz e música", o Woodstock de 1969 foi o ponto culminante das mudanças culturais que ocorreram ao longo da década. Tudo, desde música, literatura e moda até as atitudes em relação ao sexo e às drogas, foi afetado pela convulsão social – enquanto a guerra no Vietnã continuava, quase meio milhão de pessoas compareceram para demonstrar que a paz e o amor eram possíveis. Saiba mais em: https://janisjoplin.com/biography/


Serviço | Exposição “Janis”
Data: até dia 14 de junho de 2026
Local: MIS - Avenida Europa, 158 - Jd. Europa - São Paulo
Horários: terças a sextas, das 10h às 19h; sábados, das 10h às 20h; domingos e feriados, das 10h00 às 18h00. Ingressos: terças-feiras: gratuito; de quarta a domingo: R$ 60,00 (inteira) e R$ 30,00 (meia) | megapass.com.br/mis
Classificação: livre

A programação é uma realização do Ministério da Cultura, Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas de São Paulo, e MIS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, ProAC e Promac. O MIS tem patrocínio institucional da Livelo, Vivo, Goldman Sachs, Ituran e Goodstorage e apoio institucional das empresas Delboni, EAÍ?! Marketing, Unisys, Volkswagen Caminhões e Ônibus, Unipar, Campari, Colégio Albert Sabin, PWC, Telium, Kaspersky, Gabriel e Play Audiovisual.

.: A obra de Milton Hatoum, o novo imortal da ABL


Romancista, contista, ensaísta, tradutor e professor universitário, Milton Hatoum é um dos principais autores da literatura brasileira contemporânea. Foto: Renato Parada

No último dia 24 de abril, o escritor Milton Hatoum tomou posse como imortal da Academia Brasileira de Letras, assumindo a cadeira 6. Romancista, contista, ensaísta, tradutor e professor universitário, nasceu em Manaus, em 1952. Estreou no romance em 1988, com "Relato de Um Certo Oriente", que ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Romance. Ambientado entre o Oriente e o Amazonas, este retrato é a busca de um mundo perdido, que se reconstrói nas falas alternadas das personagens, ecos longínquos da tradição oral dos narradores orientais.

Em 2000, publicou o romance "Dois Irmãos", eleito o melhor romance brasileiro no período 1990-2005 em pesquisa feita pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. De intensa dramaticidade, o romance ganhou adaptações para televisão e quadrinhos e figura na lista de leituras obrigatórias de diversos vestibulares, como a Fuvest. 

 De lá até aqui, publicou outros títulos, como "Cinzas do Norte", "A Cidade Ilhada" e "Órfãos do Eldorado", no Brasil e em 17 países, todos com uma extensa fortuna crítica e listas de premiações brasileiras e estrangeiras. Com a Companhia das Letras, Milton Hatoum atingiu a marca de mais de 500 mil exemplares vendidos no Brasil. Em 2025, encerrou a trilogia "O Lugar Mais Sombrio", na qual dramas familiares se entrelaçam à história da ditadura militar. Juntos, "A Noite da Espera", "Pontos de Fuga" e "Dança de Enganos" nos fazem a pergunta-chave de toda ficção que remonta o passado: a memória, afinal, escolhe o que ela esquece?

Em sua literatura, Hatoum pensa a casa, a identidade e a família como coisas que se espraiam no espaço geográfico, prontos para se tornarem metáforas das ruínas e da passagem do tempo. Se o desejo ou a viagem levam as personagens a transpor as barreiras da infância e da moral, estes mesmos elementos, mais cedo ou mais tarde, recaem sobre os heróis como uma fatalidade que os traz de volta a um centro imóvel: "para onde vou, Manaus me persegue".

Se nos romances os personagens de Milton Hatoum tentam reconstruir os cacos do passado, o autor também escreve ora como testemunha, ora como quem ouviu e guardou, mudo, as histórias dos outros. Agora imortal, o escritor eterniza com ele a cidade, o rio e todas as metáforas das ruínas e da passagem do tempo.

.: Mateus Solano volta ao Teatro Renaissance com "O Figurante" após turnê por Portugal


Com mais de 250 apresentações e público de 150 mil espectadores, monólogo de Mateus Solano retorna a São Paulo após circulação internacional. Foto: Dalton Valério


Após temporada em Lisboa e passagem por dez cidades portuguesas, com 250 apresentações e público de 150 mil espectadores, O Figurante retorna a São Paulo para nova temporada no Teatro Renaissance, a partir de 2 de maio, com sessões aos sábados, às 19h00, e domingos, às 17h00. No monólogo, Mateus Solano dá vida a um figurante do audiovisual que passa a questionar sua própria existência e seu lugar em um mundo que insiste em mantê-lo em segundo plano. Com direção de Miguel Thiré, que retoma a parceria com o ator após Selfie, o espetáculo conta com dramaturgia desenvolvida em colaboração por Isabel Teixeira, Mateus Solano e Miguel Thiré.

A trama mergulha na rotina de Augusto, um figurante que luta para encontrar a si próprio em meio a uma rotina pobre de sentido, que o mantém num lugar muito aquém da sua potência como ser humano.  O Figurante reflete sobre a dificuldade de se conectar com a própria essência e sobre os desafios de assumir o controle da própria narrativa. “Somos um animal que cria histórias para viver e um mundo para acreditar. Na ânsia em fazer parte desse mundo, acabamos por nos afastar de nós mesmos a ponto de não saber se somos protagonistas ou figurantes de nossa própria história”, reflete Mateus Solano.

A dramaturgia foi construída a partir do método Escrita na Cena, desenvolvido por Isabel Teixeira, que estimulou o ator a explorar sua própria criatividade por meio de improvisos. As cenas criadas por Mateus foram gravadas, transcritas e reelaboradas por Isabel para compor o texto final, preservando a autenticidade das reflexões do personagem.

“Atores e atrizes escrevem no ar da cena, onde vírgula é respiração e texto é palavra dita e depois encarnada no papel. Essa é a tinta de base usada para escrever ‘O Figurante’. Partimos de improvisos de Mateus Solano e posteriormente mergulhamos no árduo e delicioso trabalho de composição e estruturação dramatúrgica. ‘O Figurante’ coloca no centro o que normalmente é deixado de lado, ampliando o olhar para o que muitas vezes passa despercebido”, explica Isabel Teixeira.

A peça dá continuidade à pesquisa de linguagem desenvolvida há anos por Miguel Thiré e Mateus Solano: uma encenação essencial, que se vale basicamente do corpo e da voz como balizas do jogo cênico. No palco nu, Mateus dá vida ao Figurante e demais personagens através do trabalho mímico. 

“Sempre acreditei em um teatro que debate direto com a sociedade, que toca o público. O que queremos dizer? Como vamos dizer? Neste quinto trabalho juntos, ao invés de dividirmos o palco, passo eu para esse lugar de ‘espectador profissional’ que é a direção. Acompanho o trabalho desse brilhante ator (Mateus Solano) que dá vida a um outro ator (o personagem) que, por sua vez, não consegue brilhar. “O Figurante busca colocar o foco onde normalmente não há. O trabalho é fazer este personagem quase desaparecer, estar fora de foco, ser parte do cenário”, explica Miguel Thiré, diretor.


Ficha técnica
Espetáculo "O Figurante".
Dramaturgia: Isabel Teixeira, Mateus Solano e Miguel Thiré. Atuação: Mateus Solano. Direção: Miguel Thiré. Direção de Produção: Carlos Grun. Direção de Movimento: Toni Rodrigues. Desenho de Luz: Daniela Sanches. Direção Musical e Trilha Original: João Thiré. Design Gráfico: Rita Ariani. Desenho de Som: João Thiré. Fotos: Guto Costa. Equipe de Produção: Flavia Espírito Santo, Glauce Guima, Kakau Berredo e Cleidinaldo Alves. Idealização e Realização: Mateus Solano, Miguel Thiré e Carlos Grun. Produção: Bem Legal Produções. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli.


Serviço
"O Figurante". De 2 de maio a 26 de julho de 2026 - Sábados às 19h00 e domingos às 17h00. Duração: 70 minutos. Classificação etária: 12 anos. Ingressos: R$ 75,00 (meia) a R$ 150,00 (inteira), disponíveis em https://teatrorenaissance.com.br/.

Teatro Renaissance
Alameda Santos 2233 - Jardim Paulista, Piso E1
Bilheteria de sexta a domingo das 14h00 ao início do espetáculo.

.: Exposição "Cartunistas" une fotografia e arte ao vivo no Centro Cultural Fiesp


Além da mostra inédita de Paulo Vitale, que estreia em 28 de abril, o público também poderá participar de palestras e oficinas com os maiores nomes do desenho nacional

A exposição fotográfica "Cartunistas", do fotógrafo Paulo Vitale, com curadoria de Eder Chiodetto, que acontece até 20 de setembro, com entrada gratuita, na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp, será acompanhada por uma agenda de palestras, oficinas e performances. No próximo domingo, dia 3 de maio, às 14h00, o cartunista e jornalista José Alberto Lovetro (JAL) - que também é presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) - apresenta o tema “Como Utilizar Quadrinhos na Sala de Aula”.

Coautor do livro "Efeito HQ" - direcionado a educadores, professores e interessados na área da linguagem dos quadrinhos - fala da utilização das HQs como ferramenta educativa. Os autores utilizaram na prática em duas escolas de periferia indicadas pela Secretaria de Educação do Município de São Paulo, e tiveram resultado surpreendente; e, hoje, milhares de professores utilizam para matéria de qualquer nível de ensino. 

“Fernandes e o Humor Gráfico na Mídia” será o tema de Luiz Carlos Fernandes, no dia 17 de maio, às 14h. Premiado no Brasil e no exterior, o chargista do Diário do Grande ABC traz sua vasta experiência para analisar o mercado editorial e a força das caricaturas na comunicação atual. O encontro, voltado a pesquisadores, desenhistas e educadores, será encerrado com uma sessão de autógrafos. A programação detalhada das atividades dos próximos meses será divulgada gradualmente.


A Exposição “Cartunistas”
Retratos de 143 grandes nomes do cartum brasileiro foram registrados pelas lentes do renomado fotógrafo Paulo Vitale, e estarão em temporada especial na Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp. A exposição já passou pelas cidades de Sorocaba, Rio Claro, São José do Rio Preto, Itapetininga e Campinas, com sucesso de público, atingindo mais de 40 mil visitantes. Nesta montagem exclusiva em São Paulo, a mostra ganha o reforço de mais de 20 fotos inéditas. Além das imagens que traduzem provocações políticas, sociais e existenciais, os visitantes poderão assistir a vídeos com depoimentos e making of dos ensaios, revelando os bastidores do processo criativo de novos e antigos talentos.

Dentre os retratados, estão Mauricio de Sousa, Ziraldo, Paulo Caruso, Jaguar, Angeli, Laerte, Baptistão, Fernandes, entre outros. Nessa nova fase, foram inseridos também os quadrinistas, nomes da nova geração que atingem números impressionantes de seguidores nas redes sociais, como Helô D’Angelo e Carlos Ruas.

Ao olhar o ensaio como um todo, a curadoria de Eder Chiodetto adotou o caminho de equacionar o espaço expositivo para que ele recebesse a totalidade dos retratos realizados pelo fotógrafo. Como a maioria dos(as) cartunistas olhava diretamente para a lente do fotógrafo, agora o fotógrafo desaparece na exposição. Cada retratado olha nos olhos do espectador, criando uma conexão mais íntima e direta entre público e cartunistas. Compre o livro "Cartunistas", de Paulo Vitale, neste link.


Serviço
Exposição "Cartunistas"
Temporada: até dia 20 de setembro de 2026
Horários: terça a domingo, 10h00 às 20h00
Local: Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp - Avenida Paulista, 1.313 (em frente à estação de metrô Trianon-Masp)
Classificação: livre
Gratuito: não requer reserva de ingressos
Agendamentos de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br

sexta-feira, 1 de maio de 2026

.: "Flashdance - O Musical" engajado que fala sobre sonhos e o preço que se paga


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Caio Callucci

Em cartaz até 31 de maio no Teatro Claro Mais SP, "Flashdance - O Musical" pulsa com uma vitalidade que dispensa atalhos. Inspirado no clássico do cinema "Flashdance", o espetáculo encontra no presente um modo de existir que não se limita à reverência. Perigosamente honesto e engajado, o musical não pede desculpas por ser popular, mas também não aceita ser raso. Sob a direção sensível de Ricardo Marques e Igor Pushinov, com direção musical de Paulo Nogueira e coreografias de Tutu Morasi, a versão teatral respira frescor.

O elemento que mais surpreende é a recusa em se limitar ao entretenimento escapista. O contraste entre mundos, o da sobrevivência imediata e o da projeção de futuro, é manifestado nos cenários, nos figurinos e nas relações de poder que atravessam a cena. A divisão entre classes, entre quem pode sonhar e quem precisa pagar o aluguel antes, aparece sem didatismo e com eficácia. 

O público se vê diante de um musical que trata o sonho de forma concreta. Para esses personagens, sonhar custa e exige corpo, fome, insistência. Um tipo de abordagem raro em produções assumidamente “pop”, como se leveza e densidade ocupassem territórios incompatíveis. "Flashdance" dissolve essa falsa oposição com suor, voz e uma coragem que há tempos não se via no teatro musical.

Manter as canções no idioma original revela respeito pela experiência do público. Músicas como “What a Feeling” e "Maniac" já ultrapassaram a condição de trilha sonora. Traduzi-las correria o risco de cair no ridículo e ouvi-las como foram concebidas devolve ao espectador uma dimensão sensorial que atravessa décadas sem perder força.

Na pele de Alex Owens, jovem operária que divide o dia na usina de aço e a noite como dançarina, Marisol Marcondes apresenta uma energia que remete à presença magnética de Kiara Sasso em sua fase mais emblemática. Há precisão vocal, domínio corporal e uma entrega que transforma cada número em experiência. O palco parece expandir quando ela entra em cena. A Alex dela concentra desejo, cansaço e ambição sem fragmentar essas camadas. Canta com segurança, dança com entrega e ocupa o espaço com uma coragem física que não se negocia. Vê-la “colocar o corpão para jogo” com tamanha exposição se transforma em uma declaração de amor da artista ao teatro.

Ao lado dela, Rhener Freitas constrói um Nick Hurley equilibrado entre força e escuta. A voz tem calor, e o carisma sustenta a relação com naturalidade. Giovana Brandão imprime brilho às cenas como Glória, amiga da protagonista, e ultrapassa a função de apoio ao se firmar como eixo emocional. Júlio Oliveira, recém-saído de "O Segredo de Brokeback Mountain", reafirma aqui algo que já parecia evidente: trata-se de um ator que respeita a palavra. A dicção dele é cristalina, um detalhe que, no teatro musical brasileiro, ainda deveria ser regra. Yelon Daniel conduz seu personagem, um humorista em formação, por um arco consistente; o humor surge com leveza e, quando canta, revela uma expressividade que amplia o impacto da trajetória.

As cenas avançam com fluidez, como se cada elemento soubesse o momento exato de entrar e sair, mantendo a engrenagem em movimento. O espetáculo atualiza o desejo sem diluí-lo. Em cena, sonhar não aparece como promessa aparece como esforço. E isso muda tudo.

Serviço
"Flashdance, o Musical"

Temporada: 9 de abril a 31 de maio de 2026
Às quintas e sextas-feiras, às 20h; aos sábados, às 16h30 e às 20h30; e aos domingos, às 15h30 e às 19h30.
Teatro Claro Mais SP - Shopping Vila Olímpia - Olimpíadas, 360, 5º Piso - Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000
Ingressos: de R$ 25,00 a R$ 250,00
Vendas on-line em https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/flashdance-15824
Bilheteria: de segunda a sábado, das 10h00 às 22h00; e aos domingos e feriados, das 12h00 às 20h00
*Clientes Claro Clube têm 50% de desconto em até quatro ingressos
Classificação: 18 anos
Duração: 120 minutos
Capacidade: 801 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Valter Lobo apresenta "Melancólico Dançante" em show no Sesc 24 de Maio


Com mais de uma década de carreira, o cantor e compositor traz o repertório inspirado em viagens pela América Latina. Foto: Guillermo Calvin
 

O Sesc 24 de Maio recebe, no dia 7 de maio, o cantor Valter Lobo. O artista traz a São Paulo o show de seu novo álbum, Melancólico Dançante, trabalho que funde o folk e o indie a ritmos solares colhidos em suas passagens pela América Latina. Com 13 anos de trajetória, Valter Lobo é conhecido por uma escrita poética profunda. Se em discos anteriores como "Mediterrâneo" (2016) e" Primeira Parte de Um Assalto" (2022) o tom introspectivo ditava o ritmo, no novo projeto o artista explora um universo rítmico mais leve. 

O contraste entre a melancolia lírica e as batidas dançantes marca esta nova fase, oferecendo uma sonoridade mais aberta e vibrante em comparação ao álbum de estreia, "Inverno" (2013). No palco do Sesc 24 do Maio, Valter lobo se apresenta acompanhado por banda completa e recebe convidado especial, o músico e poeta, Helio Flanders. 


Serviço 
Valter Lobo 
Quinta-feira, dia 7 de maio de 2026, às 20h00 
Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô 
Classificação: 12 anos 
Ingressos: disponíveis no site sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP - R$50 (inteira), R$25 (meia) e R$15 (Credencial Sesc). 
Duração do show: 90 minutos 
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

.: Vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025 participam da Flipoços


Marcus Groza, Leonardo Piana e Abáz estão circulando pelo país em uma série de encontros com leitores, que vai até novembro. Foto: Alexandre Brum

Os autores vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025 estarão no Festival Internacional Literário de Poços de Caldas 2026 no próximo sábado (2/05) compartilhando seus processos criativos, falando dos temas que atravessam suas obras e debatendo os caminhos da literatura brasileira atual. A participação faz parte do circuito nacional de encontros que os autores iniciaram em março e que vai até novembro, passando por mais de 20 cidades pelo país. Na Flipoços 2026, Marcus Groza, autor do romance “Goiás”; Abáz, autor do livro de contos “Massaranduba”; e Leonardo Piana, poeta de “Escalar Cansa”, vão compor a mesa “Vozes do Prêmio Sesc de Literatura: romance, conto e poesia em diálogo”, apresentado ao público suas obras e trajetórias na escrita contemporânea. O encontro será às 18h30, no Parque José Affonso Junqueira.

O circuito nacional dos autores é uma iniciativa que promove o diálogo direto entre os escritores e o público, ampliando o alcance da literatura brasileira e fortalecendo a formação de leitores. Ao longo do ano, os autores participarão de bate-papos e mesas-redondas em unidades do Sesc e eventos culturais. O apoio a esse encontro literário pelo país reafirma o compromisso do Sesc com a democratização do acesso ao livro e à leitura, aproximando escritores premiados de públicos diversos em diferentes regiões do Brasil.

“O Circuito do Prêmio Sesc de Literatura proporciona aos autores a possibilidade de estar ao lado dos leitores, ouvir suas opiniões e compartilhar o processo de construção de suas obras. Trata-se de uma experiência enriquecedora, onde eles conhecem novos públicos e outras realidades, que podem trazer inspiração para suas próximas obras”, destaca Leonardo Minervini, gerente de Cultura do Departamento Nacional do Sesc.


A Premiação
Criado em 2003, o Prêmio Sesc de Literatura já recebeu cerca de 24 mil originais e revelou ao mercado editorial 43 novos autores. Em 2025, os vencedores foram Marcus Groza (SP), com o romance “Goiás”; Leonardo Piana (MG), com o livro de poesias “Escalar Cansa”; e Abáz (BA), com a coletânea de contos “Massaranduba”.


Serviço
Flipoços: Mesa Prêmio Sesc de Literatura “Vozes do Prêmio Sesc de Literatura: romance, conto e poesia em Diálogo”

Data: sábado, dia 2 de maio, às 18h30
Local: Palco Coreto Cultural EPTV - Parque José Affonso Junqueira

.: Pré-estreia de "Fraternura": novo filme sobre Frei Betto que trata de amizades


"Fraternura" é o terceiro documentário da tetralogia que a Mirar Lejos está produzindo em parceria com a Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura, sobre o legado plural do frei dominicano. Foto: Luís Monteiro


A produtora brasileira Mirar Lejos apresenta "Fraternura", filme que lança um olhar sensível e pessoal à trajetória de Frei Betto. Revisita suas memórias da adolescência em Belo Horizonte, os laços afetivos com a família e amigos, e revela as marcas profundas deixadas pelo período em que esteve preso durante a ditadura militar. O filme surpreende com imagens raras e depoimentos emocionantes de familiares a amigos. A pré-estreia, em São Paulo, com a presença de Frei Betto e dos diretores, acontece no dia 5 de maio, no Cine Marquise, da Av. Paulista, às 19h00, com entrada gratuita sujeita à lotação da sala.

"Fraternura" é o terceiro documentário da tetralogia que a Mirar Lejos está produzindo em parceria com a Secretaria do Audiovisual/Ministério da Cultura, sobre o legado plural do frei dominicano. O projeto dos quatro documentários temáticos tem direção de Evanize Sydow e Américo Freire, que são biógrafos de Frei Betto. O primeiro, lançado em abril de 2024, “A Cabeça Pensa Onde os Pés Pisam”, disponível nas plataformas da produtora, trata da trajetória do frade como educador popular e foi destaque em festivais como o Festival Internacional Del Nuevo Cine Latinoamericano, em Cuba, e na Mostra de Cinema de Ouro Preto.

O segundo documentário, “Múltiplos: os Percursos Literários de Frei Betto”, mergulha na vasta produção do autor, revelando sua força como escritor. Entre memórias, ensaios, literatura infantojuvenil, contos e romances, o filme destaca a riqueza de sua obra e o reconhecimento da crítica, que consagra Frei Betto como uma das vozes mais relevantes da literatura brasileira contemporânea. E por fim, o quarto documentário a ser lançado será o “Cartas da Prisão”, baseado no período em que o frei dominicano foi preso pela ditadura militar com outros frades. Além da tetralogia, a Mirar Lejos também prepara o longa-metragem Betto, com o ator Enrique Díaz como protagonista, e que será gravado em Cuba.


Frei Betto
Escritor, teólogo e ativista brasileiro, Frei Betto desempenha papel significativo na política e na sociedade do país. Na sua trajetória, muitas vezes desafiadora das estruturas de poder opressivas, como foi na ditadura militar brasileira, entre 1964 e 1985, são marcantes a conexão com comunidades populares e movimentos sociais, além da interlocução entre a Igreja Católica e o Estado.


Mirar Lejos
Produtora brasileira que atua nos campos da cultura, direitos humanos e comunicação. A Mirar Lejos conta com uma equipe de profissionais experientes em projetos relacionados ao patrimônio cultural, preservação da memória, e defesa dos direitos humanos, com conhecimento e experiência no desenvolvimento de conteúdos audiovisuais, digitais, artísticos e culturais. Reúne uma ampla rede de colaboradores, incluindo pesquisadores, jornalistas, produtores, roteiristas, editores e diretores.


Serviço
Pré-estreia de "Fraternura: Frei Betto"
Data: terça-feira, dia 5 de maio, às 19h00
Local: Cine Marquise – Av. Paulista, 2073 – São Paulo / SP
Grátis - entrada sujeita à lotação da sala

.: García Márquez de volta ao começo em "Viagem à Semente"


Ao visitar a antiga casa de seus avós, Gabriel García Márquez compreendeu a chave para sua literatura: voltar ao lugar onde tudo começou. Na mais recente edição de "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", com novo projeto gráfico e trechos extras, Dasso Saldívar narra com detalhes a trajetória do maior escritor colombiano de todos os tempos. O livro marca o início das comemorações do centenário de nascimento de Gabo, em 2027.  A tradução é de Eric Nepomuceno.

Considerado o mestre do realismo mágico latino-americano, Gabriel García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura, é um dos autores mais importantes do século XX. Só no Brasil, já vendeu quase 3 milhões de livros. Suas obras foram adaptadas para filmes e minisséries. "Cem Anos de Solidão" ganhou uma megaprodução recente da Netflix. 

A primeira parte foi lançada no fim de 2024 e a segunda parte estará disponível ainda em 2026. “Li seu livro em três noites seguidas porque não consegui largá-lo. É um grande livro, não sei como o fez. Está muito bem escrito e documentado, e gosto dele porque é a biografia que mais se parece comigo”, disse Gabriel García Márquez a Dasso Saldívar. Compre o livro "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", de, Dasso Saldívar, neste link.

 Aos 25 anos, Gabriel García Márquez acompanha a mãe em uma viagem a Aracataca para consumar a venda da antiga casa de seus avós maternos. O jovem, que então dava seus hesitantes primeiros passos na literatura, não poderia imaginar que aquela visita se revelaria, anos depois, como um dos momentos mais decisivos de sua vida de escritor. Naquele vilarejo poeirento onde havia passado a infância, Gabo reencontra as imagens, vozes e atmosferas que haviam moldado sua imaginação.

Em "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", Dasso Saldívar reconstrói a trajetória desse mesmo jovem, que se tornaria o maior escritor colombiano e uma das figuras centrais da literatura do século XX. A biografia não se inicia com seu nascimento, ela vai além ao recuar no tempo para narrar a história de seus avós maternos - talvez os personagens mais decisivos em sua formação - e de seus pais. Ao fazê-lo, ficam para trás os limites do relato individual e se estabelece uma verdadeira saga familiar, marcada por guerras civis, amores censurados, deslocamentos e perdas. É desse legado de conflitos, memórias e afetos que emerge o universo simbólico que, mais tarde, se cristalizaria na ficção de García Márquez.

Ao acompanhar os anos de estudo no liceu e a adoção do jornalismo como ofício, Saldívar ilumina os momentos centrais da formação literária, social e política de Gabo. O texto mergulha em suas leituras formativas - Kafka, Faulkner, Virginia Woolf -, em sua aproximação com o pensamento de esquerda e em sua inserção nos mais diversos círculos intelectuais e afetivos, que foram verdadeiras redes de convivência e amizade, fundamentais tanto para o amadurecimento estético do escritor como para sua sobrevivência em períodos de instabilidade econômica.

Com rigor histórico, sensibilidade crítica e fôlego narrativo, Dasso Saldívar assina uma biografia exemplar. Esta nova edição de Viagem à semente convida o leitor a acompanhar o percurso do menino de Aracataca até sua consolidação como autor de Cem anos de solidão, em uma leitura envolvente e esclarecedora. Longe de pretender esgotar as formas de compreender a vida e a obra de García Márquez, este livro oferece, antes, um caminho de retorno às origens. Como nos ensina Saldívar, só há uma maneira de chegar a Macondo: voltando à semente.  Garanta o seu exemplar do livro "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente", de, Dasso Saldívar, neste link.


Sobre o livro
“Leitura cativante. Esta biografia é lida como um romance e como um manual da história da América Latina e da Colômbia.” – Frankfurter Rundschau

“Um trabalho enorme e rigoroso, e Saldívar desempenha minuciosamente todas as etapas da vida deste Prêmio Nobel.” – StadtRevue

“O jornalista, que investiu vinte anos de sua vida neste trabalho, produziu um minucioso estudo que inclui entrevistas, testemunhos, anedotas […] Saldívar relaciona cada paisagem, personagem ou situação com a vida de Gabriel García Márquez. Um trabalho amplo que encantará os fãs do escritor.” – El País


Sobre o autor
Dasso Saldívar nasceu em San Julián, Colômbia, em 1951. Estudou Sociologia e Ciências Políticas na Universidad Complutense de Madrid, cidade onde reside, e atuou como jornalista e escreveu várias críticas literárias para diversos jornais e revistas da Europa e da América. Foi redator de programas culturais da Televisão Espanhola e cofundador da revista Margen. Em 1981, ganhou o Prêmio Jauja de Contos e, em 2002, foi agraciado pelo Ministério da Cultura da China com o Prêmio Nacional de Excelência Literária Estrangeira em Versão Chinesa por "Gabriel García Márquez: Viagem à Semente".

.: "Cláudia Vera Feliz Natal", o novo livro de Mariana Salomão Carrara


Novo romance de uma das mais celebradas escritoras brasileiras de hoje, "Cláudia Vera Feliz Natal", escrito por Mariana Salomão Carrara, chega às livrarias publicado pela Editora Todavia, com capa de Ana Heloisa Santiago. No centro da questão, está a liturgia jurídica que exige o cumprimento de certos protocolos. Um processo, por exemplo, por mais complicado que seja, não deve se estender indefinidamente, ou o juiz responsável deverá justificar sua demora. Às vezes, no entanto, há impasses que desafiam a contagem dos dias e expõem os limites do que pode ser decidido dentro de um rito - e mesmo dentro de um código.

É nesse ponto de tensão que se inicia este romance vigoroso. Um jovem magistrado, em resposta a uma representação por excesso de prazo, precisa prestar contas de sua lentidão em um caso sensível que o acompanha há meses. Aos seus superiores, dirige uma espécie de defesa-autobiografia em que revisita os anos de carreira nas pequenas comarcas de Cláudia, Vera e Feliz Natal, no interior do Mato Grosso.

Entre audiências, despachos e tentativas de conciliação, acumulam-se histórias extravagantes que expõem a afetação e o ridículo de todo um sistema que se quer solene, revelando as fissuras do universo de servidores que orbitam os fóruns, figuras tragicômicas como o próprio juiz, unidas pela contingência do cargo e quase nada mais. E enquanto sela o destino dos outros, o jovem juiz vê o seu lhe escapar. Transferido de cidade em cidade, cercado de relações provisórias e com dificuldade de construir laços duradouros - amigos, companheira, uma família possível -, enfrenta a experiência de ter autoridade sobre tudo, exceto a própria solidão.

Em "Cláudia Vera Feliz Natal", Mariana Salomão Carrara confirma a singularidade de um projeto literário que se reinventa a cada obra. Com arquitetura narrativa ousada e domínio cada vez mais surpreendente da linguagem, a autora transforma o universo jurídico em matéria de ficção de alta voltagem e escancara o desconcerto cômico de quem acredita que a lei pode dar forma ao mundo apenas para descobrir que o


Sobre a autora
Mariana Salomão Carrara nasceu em 1986, em São Paulo. É autora de "Fadas e Copos no
Canto da Casa", "Se Deus Me Chamar Não Vou" e "É Sempre a Hora da Nossa Morte Amém". Com
"Sabor Paciência", publicado pela Baião, estreou na literatura para as infâncias. Pela Todavia, publicou "Não Fossem as Sílabas do Sábado" e "A Árvore Mais Sozinha do Mundo", com os quais venceu as edições de 2023 e 2025 do Prêmio São Paulo de Literatura na categoria Melhor Romance. Garanta o seu exemplar de "Cláudia Vera Feliz Natal", de Mariana Salomão Carrara, neste link.
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