sexta-feira, 13 de março de 2026

.: Livro de Gisèle Pelicot revela caso que chocou a França e mobilizou o mundo


A história de Gisèle Pelicot tornou-se, nos últimos anos, um dos relatos mais contundentes sobre violência de gênero e sobre a força de quem decide transformar dor em denúncia. A trajetória dela, marcada por uma revelação devastadora e por uma coragem incomum diante da exposição pública, ultrapassou os limites da experiência individual para se converter em símbolo internacional da luta contra a violência sexual e pela dignidade das mulheres. Agora ela conta a história do que passou no livro "Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado", publicado no Brasil pela Companhia das Letras, com tradução de Julia da Rosa Simões.

Em 2020, quando tinha 68 anos, a francesa foi chamada a comparecer a uma delegacia acompanhando o marido, Dominique Pelicot, que havia sido flagrado filmando mulheres por baixo da saia em um supermercado. O episódio parecia, à primeira vista, um caso de voyeurismo - grave, mas restrito. No entanto, durante a investigação, a polícia encontrou algo muito mais perturbador. Em computadores e dispositivos eletrônicos pertencentes ao marido, havia um vasto acervo de fotografias e vídeos que documentavam estupros cometidos por ele e por outros homens contra uma mulher inconsciente.

O choque foi absoluto quando Gisèle percebeu que a mulher registrada nas imagens era ela própria. As provas revelavam que, durante mais de uma década, vinha sendo sedada com medicamentos administrados pelo marido sem o conhecimento dela. Enquanto estava desacordada, ele permitia que outros homens a violentassem, registrando os crimes em vídeo. A descoberta desestruturou completamente a vida que Gisèle acreditava ter construído ao longo de 50 anos de casamento. O homem com quem dividira juventude, o primeiro amor, o pai de seus três filhos e companheiro de toda uma vida havia sido também o responsável por um sistema de violência contínua e planejada.

O caso abriu um longo e doloroso processo judicial que mobilizou a opinião pública na França e em diversos países. Em vez de permanecer no anonimato - um direito garantido a vítimas de crimes sexuais - Gisèle tomou uma decisão que mudaria o rumo da história: escolheu tornar sua identidade pública. Com isso, deslocou o centro do debate. A postura dela afirmava que o peso da vergonha não deveria recair sobre quem sofreu violência, mas sobre quem a cometeu.

A partir desse gesto, Gisèle Pelicot passou a ser reconhecida como um símbolo de resistência e de enfrentamento à cultura que frequentemente silencia vítimas e protege agressores. O testemunho dela provocou discussões profundas sobre consentimento, violência doméstica e as estruturas sociais que ainda sustentam a desigualdade de gênero. Essas reflexões aparecem reunidas no livro "Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado", no qual a autora narra pela primeira vez a trajetória que atravessa tanto a devastação quanto o processo de reconstrução. 

A obra alterna duas linhas narrativas. De um lado, revisita a infância de Gisèle no interior da França, o encontro dela com Dominique, os anos de casamento, a criação dos filhos e a chegada dos netos - capítulos que compõem a memória de uma vida que imaginava envelhecer em tranquilidade. De outro, acompanha o turbilhão iniciado com a ligação da polícia que revelou os crimes, passando pela preparação para o tribunal, pelo confronto com o passado e pelo longo caminho de elaboração do trauma. A escrita dela aponta para a necessidade de romper o silêncio que frequentemente envolve a violência sexual e busca encorajar outras pessoas que enfrentam situações semelhantes.

Mesmo diante de uma realidade que poderia ter destruído definitivamente sua identidade, o que emerge das páginas é a imagem de uma mulher que reivindica o direito de continuar vivendo. O relato revela alguém que se recusa a ser definida exclusivamente pela violência sofrida e que insiste em preservar, na memória, os fragmentos de vida que existiram antes da tragédia. Compre o livro "Um Hino à Vida: A Vergonha Precisa Mudar de Lado", de Gisèle Pelicot, neste link.

.: "Moscou para Principiantes" chega à Funarte SP com duas apresentações


Com texto e direção de Aline Filócomo, espetáculo inspirado em "As Três Irmãs", de Anton Tchekhov, investiga os sentidos contemporâneos do trabalho a partir da relação entre desejo, criação e memória. Apresentações acontecem nos dias 28 e 29 de março na Sala René Gumiel. Foto: MaGon
 

O espetáculo "Moscou para Principiantes", com texto e direção de Aline Filócomo, faz duas apresentações no Complexo Cultural Funarte SP, na Sala René Gumiel, nos dias 28 de março, às 20h, e 29 de março, às 19h. Inspirada em "As Três Irmãs", de Anton Tchekhov, a montagem investiga os sentidos do trabalho na contemporaneidade a partir da relação entre desejo, criação e sobrevivência no mundo atual.

No palco, as atrizes Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo conduzem uma dramaturgia construída a partir da transcrição poética de conversas entre três atrizes em processo de criação e um grupo de mulheres aposentadas. Camadas de ficção e realidade se sobrepõem, evocando as personagens Olga, Macha e Irina, ao mesmo tempo em que revelam memórias, frustrações e projetos de vida das próprias intérpretes.

"Moscou Para Principiantes" marca o início da trajetória da Boneca Russa | Cia de Teatro. Escrita e dirigida por Aline Filócomo, integrante da Cia Hiato, a obra foi contemplada por importantes editais e prêmios:  PROAC Publicação de Textos Inéditos/2019, 12ª Edição do Prêmio Zé Renato, e Difusão e Circulação de Projetos Artísticos Culturais 27/2024. A primeira versão, em formato experimental on-line, foi lançada em 2021. No ano seguinte, o espetáculo estreou presencialmente no TUSP - Teatro da USP, em São Paulo, com temporada entre 13 de agosto e 18 de setembro de 2022, recebendo excelente retorno de público e crítica. 

Em 2025, o projeto circulou pelo interior paulista, com apresentações realizadas em Campinas, Bragança Paulista, Santos, São Caetano do Sul, Bauru e São Carlos. Ao todo, foram realizadas 12 apresentações gratuitas. Em cada cidade, aconteceu uma sessão com tradução simultânea em Libras, além de uma oficina gratuita de Transcrição Poética voltada para mulheres 60+ e um bate-papo mediado aberto ao público.


Uma dramaturgia em camadas
Publicado em outubro de 2020 pela Editora Javali, o texto recorre à transcrição poética de uma série de conversas promovidas em dois núcleos de mulheres: três atrizes em processo de criação e um grupo de aposentadas da terceira idade. Como nas bonecas russas que inspiram o nome da companhia, camadas de ficção e realidade se sobrepõem: em cena, ora vemos Olga, Macha e Irina; ora, três idosas evocando memórias; ora, as próprias atrizes, refletindo sobre seus desejos, frustrações e suas pequenas "moscous" pessoais. 

A linguagem dramatúrgica e cênica opera por tentativas, desvios e falhas,  que também se associam a nossa atual dificuldade de compreensão das alteridades. Espaços de erro e incompletude se instalam como parte do discurso e da forma, propondo uma crítica sensível ao imperativo de produtividade que marca o mundo contemporâneo. “Temos a sensação de que hoje não basta sobreviver do trabalho - é preciso sobreviver ao trabalho. Mas produzir o quê? A partir de quê? Para quem? E o que resta quando isso tudo acaba?”, provoca Aline Filócomo.


Matrioscas, memória e descompasso
As matrioscas - bonecas russas que abrigam camadas sucessivas de figuras - servem de metáfora central à encenação, revelando histórias dentro de histórias, identidades que se multiplicam. Esse jogo é traduzido também na estrutura da peça, que transita entre teatro, cinema e instalação. Os figurinos, feitos de sobreposições, e os dispositivos sonoros e visuais reiteram esse deslocamento constante.

As três atrizes – Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo – conduzem a ação por meio da palavra: falas sobrepostas, lapsos de memória, delays e repetições criam um ritmo fragmentado, em sintonia com o próprio processo de fabulação do espetáculo. A tentativa de traduzir em frases e sentidos o ritmo frenético dos seus pensamentos ocupa espaço e produz movimento na cena.

O espetáculo tangencia poeticamente questões urgentes do contexto político e social brasileiro. Quando a existência se vê cada vez mais associada à capacidade humana de produzir e o tempo se converte em matéria consumível, "Moscou para Principiantes" reivindica o direito à criação, ao desejo e à contemplação.


Sobre Aline Filócomo
Diretora, dramaturga e atriz, graduada em Artes Cênicas pela ECA-USP, e doutoranda em Estética e Poéticas Cênicas pela UNESP. É integrante da Cia Hiato, coletivo que sempre se dedicou a investigar novas dramaturgias e formatos cênicos, construindo uma trajetória de relevância e destaque no cenário teatral brasileiro e internacional. Na companhia, criou e atuou nos oito projetos do seu repertório: Cachorro Morto, Escuro, O Jardim, Ficção, 02 Ficções, Amadores, Odisseia e Litoral. Integrou o elenco do CPT do SESC, coordenado por Antunes Filho, e foi atriz-criadora do Prêt-à-Porter 8. Dirigiu os espetáculos O Desejo do Outro, Cantos de Xícaras, A Última Cena, libolli e m.o.f.o. moscou para principiantes é seu trabalho mais recente, com texto publicado pela Editora Javali.

 
Sinopse
"Moscou para Principiantes" investiga, de uma forma provocativa e bem-humorada, os sentidos contemporâneos do trabalho e sua relação com o desejo e a capacidade de criação de outras realidades possíveis em tempos instáveis. Com procedimentos livremente inspirados nos diálogos de As Três Irmãs, de Anton Tchekhov, a dramaturgia recorre à transcrição poética de uma série de conversas promovidas em dois núcleos de mulheres, três atrizes em processo de criação e um grupo de aposentadas da terceira idade.


Ficha técnica
Direção e Dramaturgia: Aline Filócomo 
Elenco: Natacha Dias, Paula Arruda e Rita Grillo
Produção: Aura Cunha
Produção executiva: Yumi Ogino
Cenário e iluminação: Marisa Bentivegna 
Figurino: Anne Cerutti 
Projeção: Grissel Piguillem
Trilha sonora: Kuki Stolarski
Colaboração: Fabrício Licursi e Mackaylla Maria
Operação de vídeo, luz e som: Cezar Renzi
Programação Visual e Fotos: MaGon
Classificação: dez anos 
Duração: 55 minutos


Serviço
Complexo Cultural Funarte SP | Sala René Gumiel
Endereço - Alameda Nothmann, Nº 1058, Campos Elíseos / São Paulo.
Dia 28 de março, às 20h00. Dia 29 de março, às 19h00.

Ingressos
R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia-entrada)
Retirada pelo Sympla

.: No Dia do Pi, debates simultâneos em São Paulo e no Rio de Janeiro celebram


Às 3 horas e 14 minutos da tarde de 14 de março - representando duplamente os primeiros dígitos do Pi (3,14) -, professores e especialistas se reúnem nas livrarias Bibla (São Paulo) e Janela Laranjeiras (Rio de Janeiro). Na ocasião, a editora Tinta-da-China Brasil lança o livro "Pi: Uma Autobiografia Infinita", obra em que o número narra a história da matemática em primeira pessoa. Escrito pela matemática iraniana Mahsa Allahbakhshi e pelo divulgador científico chileno Andrés Navas, com ilustrações da designer mexicana Verena Rodríguez, o livro percorre a história do número irracional Pi desde as civilizações antigas - egípcios, babilônios, gregos e chineses - até a era dos computadores, que já calcularam trilhões de dígitos do número. No caminho, o curioso narrador encontra personagens como Arquímedes e o indiano Ramanujan, cujos métodos revolucionaram o cálculo do número infinito. A tradução é de Maria Cecilia Brandi, e a capa, de Isadora Bertholdo.

Em 2019, a Unesco escolheu o Dia do Pi como Dia Internacional da Matemática. Ou seja, coube a Pi representar todo o seu universo. Em 2026, o tema oficial da data será “Matemática e Esperança”. A comemoração do Dia do Pi chega ao Brasil com dois debates simultâneos. No próximo sábado, 14 de março, duas livrarias reúnem professores e matemáticos em encontros marcados às 3h14 da tarde, horário que também homenageia os primeiros dígitos do número infinito. Os eventos, promovidos pela Tinta-da-China Brasil, acontecem na livraria Bibla, na Vila Madalena, em São Paulo, e na livraria Janela Laranjeiras, no Rio de Janeiro, e concluem com o lançamento de Pi: uma autobiografia infinita, que traz a história do número contada em primeira pessoa, com humor, leveza e precisão histórica. 


O evento
Todos sabem na ponta da língua pelo menos cinco dos seus infindáveis dígitos: 3,1415… O desejo impossível de conhecer todos eles, ou pelo menos o máximo de casas decimais depois da vírgula, se tornou a obsessão de matemáticos, engenheiros e curiosos em geral. Conhecido dos velhos tempos da sala de aula e dos manuais escolares, volta e meia Pi ressurge de surpresa em pesquisas de tecnologia de ponta, em estudos teóricos e até mesmo na arte. 

Mas pouco sabemos sobre a história completa desse número, talvez o mais famoso de todos eles. Para celebrar a sua importância e o fascínio infinito que proporciona, desde 1988 o Dia do Pi, 14 de março (14/3, ou 3/14, na datação utilizada em inglês), é comemorado em todo o mundo, de formas diferentes — desde chamar os amigos para comer uma torta, palavra que em inglês (“pie”) tem a mesma pronúncia de “Pi”, até debates e eventos em escolas, bares, museus, universidades e livrarias. 

Professores de matemática vão discutir a mística e a ciência por trás do Pi: no Rio, o diretor-geral do IMPA Marcelo Viana, vai conversar com o professor Matheus Freitas, que dá aulas de matemática no colégio Eliezer Max. Em São Paulo, o autor e professor sênior da Faculdade de Educação da USP (Feusp) Nílson José Machado vai conversar com o professor e autor de livros de matemática José Luiz Pastore Mello, professor do Colégio Santa Cruz. 

O livro equilibra episódios históricos, curiosidades biográficas e explicações claras sobre fórmulas universais e aplicações cotidianas - tudo isso em linguagem leve e bem-humorada e em estrutura romanceada.  A obra inclui ainda um capítulo escrito exclusivamente para a edição brasileira, em que Pi e seus “amigos números” chegam ao Brasil para o Congresso Internacional de Matemática (ICM 2018), realizado no Rio de Janeiro. 

"Pi: Uma Autobiografia Infinita" chega ao Brasil em um momento de crescimento do mercado de divulgação científica. Marcelo Viana, diretor do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e responsável pela indicação editorial, destaca: “Faltava o relato na primeira pessoa, diretamente da boca do protagonista. É o próprio Pi que nos conta sua vida no ouvido. Uma delícia.” Pela Tinta-da-China Brasil, Viana lançou "Histórias da Matemática" e "A Descoberta dos Números", sucessos de venda. 

A história une rigor teórico à leveza narrativa, trazendo também ilustrações que ajudam a dar vida a conceitos abstratos e personagens importantes. Ao final do volume, um glossário facilita a compreensão dos termos técnicos, tornando a leitura acessível a jovens e adultos com ou sem formação em ciências exatas. Compre o livro "Pi: Uma Autobiografia Infinita" neste link.


Serviço
Rio de Janeiro
Bate-papo com Marcelo Viana e Matheus Freitas
Data: 14/03/2026
Horário: 3:14 da tarde
Local: Livraria Janela Laranjeiras – R. Gen. Glicério, 324. Laranjeiras, Rio de Janeiro (RJ)

São Paulo
Bate-papo com Nílson José Machado e José Luiz Pastore Mello
Data: 14/03/2026
Horário: 3:14 da tarde
Local: Livraria Bibla – Praça Prof.ª Emília Barbosa Lima, 58. Vila Madalena, São Paulo (SP)

.: TV Cultura exibe o premiado longa-metragem "Vermelho Russo" no sábado


A TV Cultura exibe neste sábado, dia 14 de março, às 23h00, o premiado longa-metragem "Vermelho Russo", dirigido por Charly Braun, na faixa CineCult. O filme acompanha duas atrizes brasileiras que se mudam para a Rússia em busca de aperfeiçoamento artístico e acabam enfrentando desafios pessoais e profissionais longe de casa. O elenco reúne Martha Nowill, Maria Manoella, Soraia Chaves, Michel Melamed e Vladimir Poglazov.
 
Coproduzido pelas empresas Muiraquitã Filmes e Waking Up Films, o longa segue Marta e Manu, duas amigas que decidem ir para Moscou estudar o célebre método de atuação criado por Constantin Stanislavski. Na capital russa, elas se envolvem com um diretor de teatro e passam a viver um complexo triângulo amoroso, enquanto lidam com as diferenças culturais e emocionais de viver em outro país.
 
Lançado em 2016, "Vermelho Russo" passou por importantes festivais de cinema no Brasil e no exterior, como a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e o Festival do Rio, onde conquistou o prêmio de Melhor Roteiro. O filme também integrou a programação do Festival do Cinema Brasileiro de Moscou e recebeu Menção Honrosa no Festival Luso-Brasileiro de Santa Maria da Feira, em Portugal. Além disso, foi indicado ao Prêmio Guarani de Cinema Brasileiro na categoria de Melhor Roteiro Adaptado.

.: Crítica musical: com álbum antológico, Fagner também é Bossa Nova


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Ouvir um trabalho novo de Raimundo Fagner tem sido uma atividade cada vez mais prazeirosa. Agora ele brinda o público com um disco temático recheado de canções antológicas que marcaram o movimento da "Bossa Nova". E acompanhado por ninguém menos do que Roberto Menescal, um dos ícones do movimento musical que marcou definirtivamente o Brasil no mundo.

"Fagner - Bossa Nova", foi lançado nas plataformas de streaming pela gravadora Biscoito Fino com produção, arranjos e violões de Roberto Menescal, idealização do próprio Fagner e direção vocal do experiente produtor José Milton. A capa foi elaborada com inspiração nos lançamentos da antiga gravadora Elenco nos anos 60.

O repertório é um capítulo a parte. Fagner fez questão de incluir canções que marcaram a sua formação musical. Tem "Chega de Saudade", um dos marcos da Bossa Nova, passando por clássicos como "Samba de Verão" (dueto com Marcos Valle), "Teresa da Praia" ( dueto com Zeca Baleiro), "Samba em Preludio" (dueto com Wanda Sá), "Wave", "Águas de Março", "Por Causa de Você", "Rio" e "O Negócio É Amar".

Engana-se quem imagina que interpretar canções em Bossa Nova foi fácil para Fagner. Sem precisar usar seus conhecidos vibratos, ele teve que ajustar sua voz para tons mais graves e adequados para o estilo musical. O acompanhamento de Menescal foi um fator certo para Fagner poder interpretar com desenvoltura as canções clássicas.

O disco é dedicado a Tom Jobim, Vinícius de Morais e Ronaldo Boscoli, este último considerado um padrinho de Fagner, que chegou a levar o cearense para morar em sua casa no início dos anos 70. Naquela época, Boscoli era casado com Elis Regina e Fagner ainda era um aspirante na música. Trata-se de um disco que soa diferente dos seus últimos trabalhos. E que confirma o potencial de Fagner como intérprete. Ele não se intimidou ao cantar canções consagradas da Bossa Nova.

"Chega da Saudade"

"Aguas de Março"

"Samba de Verão"

.: Crítica musical: Banduo lança "Dobras", o primeiro disco


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O Banduo - formado pelos bandolinistas Maik Oliveira e Rafael Esteves lançou o álbum "Dobras" nas plataformas digitais de música. O lançamento integra o projeto "Banduo - O Bandolim e Suas Texturas", lançado pelo duo, em 2025, no qual exploram as possibilidades sonoras do bandolim.

Com direção musical de Alisson Amador, o álbum apresenta dez faixas inéditas, entre composições próprias e de ouros autores, feitas especialmente para o Banduo. Os arranjos trazem assinaturas de quatro instrumentistas, referências na cena contemporânea - Edmilson Capelupi, Milton Mori, Marcílio Lopes e Alisson Amador, além do próprio Rafael Esteves.

Nesse dueto, o virtuosismo de Maik Oliveira e Rafael Esteves é aplicado às possibilidades do bandolim, mesclando influências do choro com a música instrumental e de câmara (com destaque para J.S. Bach) em busca de sonoridades inovadoras e potentes. O flerte com a música camerística traz uma singularidade muito em virtude da formação inusitada de dois bandolins.

O "Banduo - O Bandolim e Suas Texturas" é um projeto realizado com recursos do edital PNAB 24/2024 de Gravação e Lançamento de Álbum Musical Inédito, com apoio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB); do Programa de Ação Cultural - ProAC, da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Governo do Estado de São Paulo; e do Ministério da Cultura e do Governo Federal.

Além da gravação do álbum, o Banduo vem realizando circulação com sete apresentações: dois concertos didáticos e cinco shows (pré-lançamento e lançamento). Os concertos didáticos, realizados em polos do Projeto Guri, têm o objetivo de compartilhar com os alunos o processo criativo, a preparação do disco, a criação dos arranjos e a construção do repertório, além de abordar o bandolim e sua história.

"Valsa Evocativa"

"Leonor"

"Joropo"

quinta-feira, 12 de março de 2026

.: “O Testamento de Ann Lee” mergulha na fé radical e provoca o espectador


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“O Testamento de Ann Lee” chega à Rede Cineflix e aos cinemas de todo o Brasil como uma experiência cinematográfica que flerta com o transe espiritual. Dirigido pela cineasta norueguesa Mona Fastvold, que também assina o roteiro ao lado de Brady Corbet, o longa transforma a história da fundadora do movimento religioso Shaker em um híbrido de drama histórico e musical místico. No centro da narrativa está Amanda Seyfried, cuja interpretação da líder religiosa inglesa foi amplamente celebrada pela crítica internacional e apontada como uma das performances mais marcantes da carreira dela.

Ambientado no século XVIII, o filme acompanha a trajetória de Ann Lee, nascida em Manchester em 1736, que cresceu em meio à pobreza e a uma relação conflituosa com a sexualidade - experiência que moldaria a visão espiritual dela e a defesa da abstinência. A partir de encontros com grupos religiosos dissidentes, Lee passa a liderar um movimento que combina confissão pública, dança, cânticos e estados de êxtase coletivo, prática que daria origem aos chamados “Shaking Quakers”, ou simplesmente Shakers. Os seguidores dela passaram a vê-la como uma figura messiânica e, em alguns círculos, como a encarnação feminina de Cristo.

Fastvold constrói esse percurso como uma espécie de ópera espiritual. O filme incorpora mais de uma dezena de hinos tradicionais dos Shakers, recriados em números coreografados pela artista Celia Rowlson-Hall, enquanto a trilha sonora original fica a cargo do compositor Daniel Blumberg, vencedor do Oscar por “The Brutalist”. Em vez de tratar a fé apenas como tema histórico, o longa-metragem tenta traduzir cinematograficamente o fervor religioso, aproximando canto, dança e narrativa dramática.

Além de Seyfried, o elenco reúne nomes como Thomasin McKenzie, Lewis Pullman, Tim Blake Nelson, Christopher Abbott, Stacy Martin, Matthew Beard e Scott Handy. A produção, estimada em cerca de 10 milhões de dólares, estreou mundialmente na competição oficial do Festival de Veneza de 2025, onde disputou o Leão de Ouro. Desde então, o filme tem dividido espectadores entre o fascínio e o estranhamento, uma reação que parece coerente com a própria natureza radical da protagonista.

Parte da curiosidade em torno do projeto surgiu das escolhas ousadas de produção. Algumas sequências musicais foram gravadas ao vivo no set, reunindo dezenas de cantores para recriar a sensação de rituais religiosos coletivos. Em entrevistas, Seyfried revelou ainda detalhes curiosos das filmagens - incluindo o uso de próteses para cenas que exigiam nudez - evidenciando o grau de preparação e imersão exigido pelo papel.

Entre o fervor religioso e a ambição estética, “O Testamento de Ann Lee” parece interessado em algo mais amplo: investigar como a fé pode ser tanto um gesto de libertação quanto uma força capaz de reorganizar comunidades inteiras. Ao transformar essa história real em espetáculo musical, Fastvold cria um filme que oscila entre o sagrado e o teatral.


Ficha técnica
“O Testamento de Ann Lee” | “The Testament of Ann Lee” (Título original)

Gênero: drama histórico, musical, biografia
Classificação indicativa: 14 anos
Ano de produção: 2025
Idioma: inglês
Direção: Mona Fastvold
Roteiro: Mona Fastvold e Brady Corbet
Elenco: Amanda Seyfried, Thomasin McKenzie, Lewis Pullman, Tim Blake Nelson, Christopher Abbott, Stacy Martin, Matthew Beard, Scott Handy, Viola Prettejohn, Jamie Bogyo, David Cale
Distribuição no Brasil: Searchlight Pictures
Duração: 137 minutos
Cenas pós-créditos: não

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
De 12 da 18 de março | Sessões legendadas | 18h00 e 20h50 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: “A Pequena Amélie” transforma a infância em filosofia animada


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Mais do que uma narrativa infantil, a animação francesa “A Pequena Amélie” propõe uma experiência sensorial que atravessa gerações. Crianças podem reconhecer o frescor da descoberta; adultos, por sua vez, podem encontrar algo ainda mais raro: a memória do momento em que aprenderam a olhar para o mundo pela primeira vez. O filme chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 12 de março, depois de uma trajetória de destaque em festivais internacionais e na temporada de premiações, e trata da descoberta do mundo como uma aventura íntima e silenciosa.

Indicada ao Oscar de Melhor Animação e também ao Globo de Ouro na mesma categoria, a produção estreia no Brasil com distribuição da Mares Filmes e da Alpha Filmes, apostando numa narrativa sensível que transforma as primeiras experiências da vida em matéria poética. A animação traz vozes originais de Loïse Charpentier, Victoria Grobois e Yumi Fujimori, enquanto a versão brasileira conta com Beta Cinalli, Danilo Diniz e Mônica Toniolo, entre outros nomes, sob direção de dublagem de Renato Marcio. 

Dirigido por Maïlys Vallade e Liane-Cho Han Jin Kuang, o longa-metragem é uma adaptação do romance autobiográfico “Métaphysique des Tubes”, da escritora belga Amélie Nothomb. A obra literária, publicada em 2000, inspirou um filme que observa o mundo pelos olhos de uma criança - mais precisamente entre o primeiro e o terceiro ano de vida da protagonista. Nascida no Japão em uma família belga expatriada, Amélie vive os primeiros anos cercada por um ambiente que mistura encantamento, estranhamento cultural e descobertas afetivas. O vínculo com a governanta Nishio-san, figura central em sua formação emocional, conduz a menina por um universo feito de pequenas epifanias, onde natureza, linguagem e memória passam a ganhar significado.

Com 78 minutos, o filme aposta em um estilo visual delicado e autoral, explorando cores suaves e uma narrativa que privilegia sensações, lembranças e pequenos rituais da infância. A proposta dialoga com a própria origem do projeto: o livro de Nothomb revisita suas memórias de infância no Japão, país onde a autora viveu durante os primeiros anos de vida.

A repercussão internacional ajudou a consolidar a obra como uma das animações mais comentadas do circuito recente. “A Pequena Amélie” estreou mundialmente no Festival de Cannes de 2025 e circulou por eventos como o Festival Internacional de Cinema de Toronto e o Festival de Annecy, onde conquistou o Prêmio do Público. O filme também acumulou sete indicações ao Annie Awards - considerado o “Oscar da Animação” - e recebeu elogios da crítica especializada, alcançando índices de aprovação próximos de 98% em agregadores de avaliação.

Em tempos em que grandes estúdios dominam o mercado com produções de alto orçamento, a animação franco-japonesa aposta em outra direção: prefere a contemplação e a introspecção, convidando o público a revisitar o instante em que tudo ainda estava sendo descoberto - a linguagem, os afetos, o medo e o encanto diante do mundo. E, nesse processo, construir uma pequena filosofia da infância, em que cada detalhe cotidiano pode ganhar uma dimensão existencial.

Ficha técnica
“A Pequena Amélie” | “Amélie et la Métaphysique des Tubes” (título original) | “A Pequena Amélie ou a Personagem da Chuva” (título em Portugal)
Gênero: animação, aventura
Classificação indicativa: 6 anos
Ano de produção: 2025
Idioma: francês / japonês
Direção: Maïlys Vallade, Liane-Cho Han Jin Kuang
Roteiro: Amélie Nothomb, Liane-Cho Han Jin Kuang, Aude Py
Elenco (vozes originais): Loïse Charpentier, Victoria Grobois, Yumi Fujimori
Distribuição no Brasil: Mares Filmes e Alpha Filmes
Duração: 78 minutos
Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 12 da 18 de março | Sessões dubladas | 14h05 
De 12 da 17 de março | Sessões legendadas | 18h30 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Musical “Prazer, Zezé!” estreia no Sesc 14 Bis e revisita trajetória de Zezé Motta


O musical entra em cartaz dia 20 de março e percorre seis décadas da carreira de Zezé Motta, da juventude ao protagonismo histórico no cinema, na televisão, na música, no teatro e no ativismo cultural. Na imagem, Larissa Noel como Zezé Motta. Foto: Priscila Prade / Divulgação


Zezé Motta é uma referência central da cultura brasileira contemporânea. Mais do que atriz e cantora, é uma artista que ajudou a abrir caminhos e a ampliar possibilidades de existência para mulheres negras nas artes do país. Sua trajetória foi construída em diálogo permanente com seu tempo, enfrentando limites impostos pelo mercado e pelo imaginário social; transformando presença em linguagem; voz em afirmação e corpo em cena. Essa história ganha forma em “Prazer, Zezé! O Musical”, uma produção da Gávea Filmes que estreia em 20 de março no Teatro Raul Cortez, Sesc 14 Bis, em São Paulo, e fica em cartaz de quinta a domingo, até o dia 21 de abril de 2026.

E ninguém melhor para falar sobre o musical do que a homenageada Zezé Motta: “Olhar para trás e me ver ali, no palco, com a minha própria história sendo contada, é uma emoção difícil de explicar. Estou com 81 anos, viva, lúcida, trabalhando, podendo assistir à minha trajetória ganhar voz, corpo e cena… é um presente. Eu venho de um tempo em que nada foi fácil, cada passo que eu dei foi uma conquista, resistência, amor pela arte. Então me sentar na plateia e perceber que aquela menina cheia de sonhos atravessou décadas e continua aqui, pulsando, é uma sensação de vitória e gratidão profunda. É como se a vida estivesse me aplaudindo de volta.”

“O ponto de partida foi pensar que a trajetória da Zezé não cabe em um retrato confortável. A história dela é a de uma artista que precisou disputar cada espaço em um país que sempre naturalizou a exclusão de corpos negros dos lugares de protagonismo. O musical nasce deste embate entre desejo, talento e estruturas que tentam limitar quem pode ocupar o centro da cena”, afirma a diretora artística Débora Dubois.

A montagem percorre seis décadas de atuação pública e criação artística. Da juventude em Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, à formação no Teatro Escola Tablado. Do impacto de “Roda Viva”, sob direção de Zé Celso, à projeção nacional com “Xica da Silva”, no cinema de Cacá Diegues. Da consagração popular como cantora e atriz à construção de uma identidade que nunca se moldou ao olhar alheio. Não se trata de uma narrativa linear. O texto articula episódios, embates, conquistas, quedas e retomadas, compondo o retrato de uma mulher que precisou abrir espaço onde não havia lugar garantido.

O elenco reúne 11 intérpretes, acompanhados por uma banda de oito músicos, integrando música e teatro ao vivo. Em cena, Larissa Noel interpreta Zezé Motta em diferentes fases da vida. "Desde que comecei o processo de estudo ouço palavras como: ousadia, potência, entidade, força, carisma, alegria, leveza  para definir Zezé em cena e fora dela. Os relatos são sempre muito intensos, calorosos e afetuosos, quando se fala dela e das relações que as pessoas tiveram com ela. Então, conseguir imprimir tamanha grandeza, é um desafio. Mas um desafio muito delicioso, justamente pela fluidez e alegria que ela transmite. Estar em cena representando a Zezé me estimula, faz ter vontade de viver cada vez mais fazendo arte”, afirma Larissa.

E a história de Zezé é recheada de encontros marcantes e significativos. Desde o seu namoro e amizade com Antônio Pitanga, vivido na peça por Hipólyto que também interpreta Luiz Melodia. “Estar fazendo esses dois personagens é uma honra. Dois artistas negros com muita personalidade. Foram duas pessoas muito importantes na vida da Zezé”, avalia Hipólito. Sua parceria com os diretores Augusto Boal, que a levou para Nova York, onde a artista assumiu seu cabelo afro, e com Zé Celso, vividos ambos por Adriano Tunes, também estão em cena. "Eles foram os 'olhos' que enxergaram o potencial da Zezé antes mesmo dela se dar conta da própria magnitude. Eles a ajudaram a transformar talento bruto em manifesto vivo. Interpretar Augusto Boal e Zé Celso no mesmo espetáculo é um exercício de esquizofrenia criativa deliciosa. São os dois pilares do nosso teatro: de um lado, a estrutura e a consciência social do Boal; do outro, a liberdade dionisíaca e a catarse do Zé”, conceitua Adriano.

Outras duas personalidades, só que dessa vez femininas, também muito marcante na vida da artista foram Marieta Severo e Marília Pera. Sua amizade com Mariela Severo,  interpretada no musical por Luciana Ramanzini, vem do tempo em que moravam no mesmo prédio onde o tio de Zezé era porteiro e depois o reencontro das duas na peça “Roda Viva”. “Marieta e Zezé trazem em sua amizade, uma memória afetiva que vem marcada da infância. Ambas representam trajetórias de afirmação feminina no teatro e na televisão brasileira”, diz Luciana.

Já Marília foi responsável pelo nome artístico de Zezé e  abriu várias portas para ela. "Marília foi muito amiga de Zezé e vejo que foi grande incentivadora da carreira dela. Viveram uma amizade bastante longa e sincera. E isso aparece no espetáculo”, diz Luciana Carnieli, que interpreta a atriz no espetáculo.

Toda essa história é costurada pela trilha sonora que inclui canções associadas à trajetória da protagonista e ao período histórico retratado, como “Senhora Liberdade”, “Tigresa” e “Muito Prazer, Zezé”. A direção musical é de Cláudia Elizeu, responsável por dar nova roupagem á sucessos icônicos. "O desafio foi equilibrar respeito à memória que o público já traz dessas canções com a necessidade de ressignificá-las dentro da cena.  Trabalhamos timbres, respirações, silêncios e dinâmicas para que cada canção surgisse como extensão do gesto e da palavra, revelando novos sentidos sem perder sua essência”, analisa Claudia.

A direção de arte de Billy Castilho estabelece a conexão entre a linguagem teatral e as novas tecnologias, criando um backstage onde se conta a carreira e a vida  da artista Zezé Motta desde o DNA e sua africanidade  até os dias atuais onde Zezé Motta conquistou o espaço nas novas linguagens tecnológicas e continua à frente do seu tempo como a minha artista  brasileira mais completa. "Meu desafio para criar a direção de arte e a cenografia teve a parceria  criativa com a diretora Débora Dubois que foi fundamental  junto ao texto perfeito e amoroso do autor Toni Brandão. Chegamos na linguagem criativa sobre os 'bastidores' da vida da artista Zezé Motta. A partir daí condensei toda a linguagem em um backstage teatral, onde tudo está em cena, pensando em uma paleta de cores preto e ferrugem que envolve o teatro com ferro e tecnologia, o expectador vai ter sensação de estar dentro da coxia teatral , dialogando com a movimentação dos atores, trocas de perucas e figurinos sugerido pela direção”, explica Billy.

O figurino de Lena Santana, o desenho de luz de Wagner Pinto e a coreografia de Tainara Cerqueira e Priscila Borges reforçam a narrativa significativa da vida de Zezé. Uma mulher negra, com uma trajetória de superação e sucesso, que também representa a história da dança negra brasileira. "Zezé com seu corpo e sua expressão artística, conta a história da arte negra no Brasil, e a dança faz parte desse contexto. Ao coreografar, pensei em respeitar essa história, valorizar o elenco que tenho e, sobretudo, exaltar Zezé Motta, homenageando sua linhagem ancestral. Gosto muito da cena de Oxum, porque é nela que ela revela ao público toda a base que a sustentou até aqui”, diz Tainara.

Com idealização e dramaturgia de Toni Brandão, direção artística de Débora Dubois e produção artística de Bianca de Felippes, “Prazer, Zezé! O Musical” afasta-se da lógica da celebração protocolar. O espetáculo propõe um olhar crítico sobre a trajetória de uma mulher negra que construiu relevância artística em um campo cultural atravessado por desigualdades estruturais. Poder, racismo, desejo, contradição e permanência estruturam a encenação.

“São 60 anos de uma estrutura que nunca parou. A vida de Zezé daria um espetáculo de 18 horas. Hoje, uma mulher de quase 82 anos, com quase 1 milhão de seguidores, que aos 75 posou nua e é uma excelente influenciadora digital. O que mais me surpreende na trajetória dela é o poder de transformação, ela sempre foi capaz de seguir adiante, com pouca reclamação, sem submissão. Zezé acha o lugar de ser quem ela é sem mudar, transformando o mundo ao seu redor para ela ser que ela quer ser”, define Toni.

“Prazer, Zezé! O Musical”, produção da Gávea Filmes, é realizado pelo Ministério da Cultura e Sesc São Paulo, com patrocínio do Bradesco Seguros, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.


Ficha técnica
“Prazer, Zezé! O Musical”
Idealização e dramaturgia: Toni Brandão
Direção artística: Débora Dubois
Direção musical: Cláudia Elizeu
Direção de arte: Billy Castilho
Figurinos: Lena Santana
Desenho de Luz: Wagner Pinto
Coreografia / Assistente de direção: Tainara Cerqueira e Priscila Borges
Produção de elenco: Giselle Lima
Produção artística: Bianca De Felippes
Produção: Gávea Filmes
Apresentado por: Bradesco Seguros
Realização: Sesc São Paulo e Ministério da Cultura
Elenco: Larissa Noel como Zezé Motta, Anastácia Lia, Arthur Berges, Adriano Tunes, Fernando Rubro, Luciana Ramanzini, Luciana Carnieli, Hipólyto, Maria Antônia Ibraim, Moara Sacchi, William Sancar
Banda: Dan Motta - Maestro/Teclado, Ana Maga - Percussão 1, César Roversi - Sax, Flauta e Clarinete, Gabi Gonzalez - Guitarra, Juliana Silva - Trompete, Karol Preta - Bateria, Priscila Borges - Percussão 2, Rafael Gomes - Contrabaixo

Serviço
“Prazer, Zezé! O Musical”
Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar – Bela Vista, São Paulo
Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 - Verde)
Telefone: (11) 3016-7700
Temporada
De 20 de março a 21 de abril de 2026
Horários: quintas, às 15h00 e 20h00, sextas e sábados, às 20h00, domingos e feriados, às 18h00
Dia 1° de abril, quarta 20h00
Dia 21 de abril, terça 20h00
Não haverá sessão dia 3 de abril
Sessões com tradução em Libras: 9 a 12 de abril, quinta-feira, às 15h00 e 20h00, sexta e sábado, às 20h00, domingo, às 18h00. Sessões com audiodescrição: 11 de abril, às 20h00; 12 de abril, às 18h00
Classificação 12 anos
Ingressos: R$ 70,00 (inteira); R$ 35,00 (meia-entrada) e R$ 21,00 (credencial plena)

.: O inquilino - Há no país uma legenda: sem-terra se mata com tiro


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", a ser publicado pela Editora Patuá.

Há poucas casas no país, é preciso encontrar terreno. Há poucos lares no país, é preciso erguer moradias. Há no país uma legenda: sem-terra se mata com tiro. E no país há também uma lei: a propriedade privada é inviolável. Não se pode tomá-la, mas se pode matar para protegê-la. Penso ser de suma importância proteger a propriedade de inquilinos indesejados. Por isso, sou a favor do despejo. Não há lágrimas que segurem um morador inadimplente. Que importa que parta para as ruas? Que importa que durma ao relento? Dá-se-lhe duas bordoadas no pé da orelha para que se vá e aprenda a dizer “Estrelas, para que vos quero, senão para que me sirvam de lençol?”, e vida que segue.

Foi por isso que, num passado distante, libertaram os escravizados a toque de caixa. Antes, vê-los livres rapidamente do que donos de terra. Repartir significaria empobrecer, uma puta sacanagem com quem se esforçou para possuir, ainda que não usufruísse do naco de terra que angariou. Portanto, viva aos abolicionistas! Viva aos homens de bem que mandaram os negros às ruas!

Pelo mesmo motivo, dia desses, desmanchei umas casinhas de marimbondo - ou vespa, não sei - que apareceram nas telas de proteção de minha janela e sacada. Pois minha propriedade, ainda que alugada, é privada e, portanto, posso matar por ela. Economia e sociologia à parte, acho marimbondos fofinhos, embora me pele de medo. Sobretudo, depois de descobrir a variedade que há deles.

Lembro-me do dia em que dirigia para o trabalho e, na subida da Ponte do Mar Pequeno, uma vespa-oleira invadiu o carro. Meus músculos se contraíram só um tantinho - juro por Deus -, as mãos sufocaram o volante e desabei para o acostamento. Com sopros suaves, cheios de gratiluz, encaminhei a mocinha para a janela e respirei aliviado (e talvez borrado).

Esse povo que não tem propriedade adora invadir a propriedade alheia. Começa assim, chegando devagar, sorrateiro, e vai ocupando espaço, como em “Casa tomada”, do Cortázar. E tem disso em toda espécie: crianças abandonadas, orquídeas hospedeiras, rêmoras no tubarão, gatinhos de rua (a Cecília, lá de casa, é uma), e até marimbondos marombeiros. Estávamos na faxina das férias, quando a Pietra, minha esposa, convocou-me à sacada:

Olha aquilo ali na tela — apontou, receosa.

Mirei a trama de segurança. Umas bolinhas de barro amontoadas e grudadas. Na janela ao lado, outras.

Isso é casa de marimbondo — decretei na força do ódio-proprietário que ser inquilino me proporciona.

Não sei — ponderou ela, já puxando do celular para pesquisar pelo Google Lens, dado o seu espírito sherlockiano.

Eram casinhas de vespas. Armei-me de uma bela vassoura e, zás!, está salva a propriedade. De dentro das bolinhas, saíram larvas verdes. O gérmen do MTST ali, querendo brotar: o parasita do meu lar alugado, o inquilino de minha propriedade comprada a cada mês, sem garantia de permanência. A noite geral prossegue, a manhã custa a chegar. Mas chegou. Foi nesse último final de semana, domingo. Eu estava prestes a sair de casa para ir à farmácia, quando a Helena gritou:

Pai! Uma formiga vermelha voando! — retraiu-se no sofá.

Outro invasor, pensei. Não era. Era, na verdade, uma vespa, uma maldita vespa - ou marimbondo, não sei -, pairando no ar, tal como um helicóptero criminoso. Enchi o peito e parti para a guerra contra o inseto proletário. O chinelo saltou para a minha mão e alcançou o bicho-inquilino que, certamente, já queria erguer nova morada em minha não-propriedade. Lançado ao chão violentamente, ele agonizava. Como bom sinhô que sou, espragatei-o, torci o chinelo sobre o chão, e fim. Quando descobri, contemplei o resultado: cabeça para um lado, corpo para o outro.

Parti feliz para a farmácia. Minutos depois, recebi um vídeo da minha esposa. A cabeça do inquilino ainda se mexia, esticando a língua para fora. Pouco importa. Exerci o meu direito: matei. Está salva a propriedade, ainda que eu continue a ser nela o principal inquilino.

quarta-feira, 11 de março de 2026

.: Crítica: "Arco" emociona com robô cuidador e amizade entre Arco e Iris

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em março de 2026


A produção francesa de ficção científica e fantasia, indicada ao Oscars 2026 na categoria Animação, "Arco" traz um garoto com o nome título, vindo do ano 2075, com costumes diferentes do que a humanidade volta e meia supõe. Numa sequência de erros, Arco de 10 anos, rouba a capa da irmã para viajar no tempo, mas pela inexperiência, cai na Terra em tempos atuais. Por sorte, é encontrado na mata pela corajosa Iris que o resgata e dá abrigo.

Ao tentarem corrigir os desencontros, Arco e Iris criam um elo de amizade e apoio, uma vez que Iris vive sem a presença dos pais, por trabalharem muito, e é cuidada pelo robô Mikki, de tecnologia já ultrapassada, também babá de seu irmãozinho ainda bebê. O robô que gerencia a casa e as crianças no futuro distópico de 2075, representa algo no estilo inteligência artificial com uma pitada de apoio emocional para a garota solitária.  

Enquanto Arco precisa voltar para o futuro e reencontrar os pais e a irmã, ele ainda esbarra num trio vestindo blazers em cores vibrantes, Dougie, Stewie e Frankie, agindo num estilo "Os Trapalhões", sempre à espreita para registrar numa gravação tamanho acontecimento, mesmo que escondidos em arbustos. As interferências são hilárias.

Cheio de apontamentos críticos sobre a solidão, as relações familiares, conexões entre as gerações, o uso confuso da tecnologia e, claro, o futuro da humanidade com a relação a natureza, "Arco" se mostra como uma animação primorosa produzida por Ugo Bienvenu, Natalie Portman, Félix de Givry, Sophie Mas, Audrey Tondre.

Os traços e cores vibrantes na telona de encher os olhos, entregam um visual nitidamente influenciado por Moebius, pseudônimo de Jean Giraud, um artista francês de história em quadrinhos, além do Studio Ghibli, estúdio de animação japonesa, fundado em 1985 por Hayao Miyazaki, Isao Takahata e Toshio Suzuki, com produções estilo artístico em 2D detalhado em narrativas fantásticas.

"Arco", uma fábula sobre infância, responsabilidade e esperança em um futuro coexistente, transita por temas importantes de modo maduro e sensível. O resultado é impressionante, até mesmo quando entra em cena um robô capaz de impactar o público emocionalmente. Além da indicação ao Oscar, o longa venceu o prêmio de Melhor Animação no National Board of Review. Imperdível! 

A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN

"Arco" (Arco). Gênero: animação, ficção científica, aventuraDireção: Ugo Bienvenu. Duração: 1h 29m. Sinopse: Arco é um menino de dez anos de um futuro pacífico que acidentalmente viaja no tempo para o ano de 2075. Ao descobrir um mundo em perigo, ele se une a uma jovem e seu robô cuidador em uma jornada para voltar para casa. 


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.: Entrevista: Babu Santana reflete sobre a polêmica participação no "BBB 26"


Ao analisar a trajetória no programa, ator destaca o que faria diferente. Foto: Globo/ Beatriz Damy

Ator consagrado, Babu Santana se permitiu viver mais uma vez a experiência de participar do "Big Brother Brasil". Seis anos depois de inaugurar o grupo Camarote, o ator virou veterano no "BBB 26" e, nessa nova jornada, acredita que a postura anteriormente “passiva”, como diz, deu lugar a uma posição enérgica de jogo. Foi nesta edição que Babu alcançou a famigerada liderança, realizou o sonho de desfrutar de uma festa a seu gosto e integrou um grande grupo que mais tarde viria a se dividir por divergências internas. O embate do participante com a também já conhecida Ana Paula Renault marcou uma virada em sua trajetória no reality show e contribuiu para sua segunda ida ao paredão, já que a recreadora Milena Moreira definiu em consenso com Jonas a indicação do brother. 

Na berlinda contra Milena e a amiga Chaiany Andrade, o ator acabou eliminado com 68,62% dos votos. Ao analisar a trajetória no programa, Babu destaca o que faria diferente: “Depois da conquista da liderança, eu pisaria mais no freio para poder sair com alguma coisa da casa. Com a condição de ser TOP 10 para ganhar o apartamento, eu desaceleraria aquele embate com a Ana Paula, deixaria o meu incômodo um pouco mais guardado para depois, então, pensar de forma mais tranquila o que fazer com aquela insatisfação”. Na entrevista a seguir, Babu Santana observa como o jogo deve seguir depois de sua saída e conta sobre próximos passos depois do "BBB".

 
Depois de inaugurar o grupo Camarote no "BBB 20", você retornou ao programa como um Veterano nesta edição. Quais foram as maiores diferenças entre essas duas experiências? 

Babu Santana - A maior diferença foi que da primeira vez eu entrei a esmo total, à revelia, a pura atitude de aventura. Não tinha nenhum tipo de malícia nem expectativa. E agora, no "BBB 26", eu acho que eu entro com a intenção de não ser tão passivo. Eu adoto uma postura de jogar, de tretar e acelerar o jogo. Eu vim com esse intuito de ter mais atitude para que o entretenimento se tornasse mais interessante. O "BBB 20" tem o Babu mais passivo e o "BBB 26", o Babu mais ativo.
 

No início da temporada, você chegou a comentar que não sabia como era ser querido dentro da casa, comparando a recepção dos brothers nas duas edições. O que mudou de lá para cá, na sua opinião?
Babu Santana É muito engraçado, porque no "BBB 20", quando eu entrei, eu só sabia quem era a Manu Gavassi. E no "BBB 26", eu já entro com a Solange Couto e o Henri Castelli, que são pessoas que já trabalharam comigo; o Edilson (Capetinha), que é um cara em que eu me amarro pra caramba; a Sol,  que já fez parte do Nós do Morro; a Sarah (Andrade), que em algum momento a gente havia se encontrado aqui fora; o Jonas (Sulzbach)... Ali eu já encontro familiaridades e me sinto mais acolhido logo ao abrir a porta. E por eu já ter esse acolhimento externo eu acho que aquilo se espalhou e me deu um conforto que me incomodou. Eu falei: “Opa, não vim aqui para ficar confortável”. Essa foi a principal mudança. Já no "BBB 20", eu me sentia um bicho acuado.

Acredita ter sido por isso que levou um certo tempo para se estabelecer em um grupo de aliados para jogar? 
Babu Santana Sim. Começou a me incomodar ter o conforto, ainda mais pilhado com a Ana Paula falando que o pessoal estava num resort. Aí eu falei: “Opa, não vamos transformar o 'BBB' num sarau”. Logo ali eu comecei a tentar identificar pessoas com linhas filosóficas e de vida mais compatíveis com a minha e também a tentar entender quem eram aquelas pessoas, sem criar uma panelinha de veteranos. Eu gosto de misturar. Logo cedo a gente começou a entender quem teria a filosofia de jogo parecida e eu acho que isso foi bem interessante.

Você voltou do paredão que eliminou a Sarah Andrade um mês atrás. A que atribui a sua eliminação agora, nessa segunda berlinda?
Babu Santana O ataque em excesso à Ana Paula (Renault). Eu querer trazer uma questão tão complexa em um programa editado num mundo fragmentado. Acho que faltou inteligência emocional nesse quesito. E isso tudo foi desencadeando outros problemas.

Na segunda semana da temporada, você conquistou a liderança pela primeira vez e celebrou bastante essa vitória. Como foi essa experiência?
Babu Santana Foi lindo! Acho que foi a melhor experiência que eu tive nos dois "BBB"s. Quarto do líder, o roupão, o "contato" com as pessoas que eu tinha deixado aqui fora, a festa... Poder celebrar a minha liderança com uma festa que homenageava o grupo que originou toda a minha carreira foi especial. Dessas dores todas, eu vou guardar esse momento bom.

 
Depois de uma briga com o Jonas, você decidiu se aliar à Ana Paula. Mas em determinado momento do jogo, optou por se distanciar dela e da Milena, e também por não falar mais de jogo com o Juliano, que era um de seus principais aliados. Por que tomou essa decisão sem que houvesse uma conversa com o grupo antes? 
Babu Santana A convivência com elas começou a me incomodar e, para que eu não brigasse, eu saí. Para que eu não conflitasse com o Juliano - eu não deixei de jogar com ele - eu falei: “Eu não vou falar mais de jogo com você, mas também não vou participar de nenhuma estratagema que inclua você para votar”. Isso nos afastou, até porque a gente já tinha tido algum tipo de discussão boba ali. E me incomodava muito - foi quase um ciúme - ele estar mais próximo da Ana Paula e não de mim. Depois da insatisfação dela de ter sido tirada da prova do anjo, ele também ficou chateado. Eu falei para ele: “Por que você acha que fui eu que te tirei se foi ela que te chamou e ainda debochou falando que você é o filho do Babu? Por que era óbvio? Desculpa, era óbvio que ela iria te tirar e de repente era até uma forma de te mostrar que você não era prioridade dela”. E aí, como ele disse para mim que não queria mais ver a gente brigando, que era uma coisa que o estava incomodando, eu continuei no jogo com o mesmo foco, que foi até o final. Porém, a minha convivência com a Ana Paula não estava agradável para mim. Como ele optou por ficar com ela - e em termos de jogo fez o certo - eu não quis atrapalhá-lo. Então, eu acho que foram esses exageros, ter jogado toda a minha revolta em cima de uma pessoa só, mas também me recuso a dizer que eu deixei de jogar com o Juliano, porque eu jamais deixaria votarem nele. Inclusive votei quase todas as vezes igual a ele.

Naquele momento você decidiu seguir jogando com Solange Couto, Leandro (Rocha), Chaiany e Breno (Corã). Foram eles seus maiores aliados nesta edição? 
Babu Santana Sobretudo Solange Couto, Boneco e Chaiany. O Breno é uma figura flutuante, um ser humano interessantíssimo. Eu acho que talvez ele consiga se esgueirar e chegar longe. Sabendo aqui da preferência do público, talvez ele não ganhe, mas acho que ele vai conseguir chegar longe.

 
Dentro da casa, você foi visto pelos adversários como uma espécie de “pai” desse terceiro grupo que se formou. Acreditava exercer algum tipo de liderança naquele contexto do quarto “Sonho do Amor”?
Babu Santana Houve uma dinâmica em que a gente tinha que decidir um líder. Quando a gente foi fazer a votação para essa ação, foi solicitado um líder para aquele grupo de pessoas e não fui eu o escolhido. E eu nem questionei ser ou não ser. Eu julgava haver ali pessoas maduras, com exceção da Chaiany que era a mais nova. O momento que talvez eu tenha errado foi a indignação que eu tive com a manipulação da Samira (Sagr) para com a Chai, que a levaria a retirar o anjo da amiga dela (Gabriela Saporito), o que eu achava que seria um erro na linha histórica do jogo da Chaiany. Esse foi o único momento que eu impus uma condição para ela pensar. Eu disse: “Cara, você está jogando o tempo todo com a menina (Gabriela), que te deu o anjo mesmo sendo sua adversária. Você não vai fazer o mesmo? Não vai ser recíproco, por causa de uma pessoa que não está ameaçada? A pessoa fala que tem uma cama vaga lá em cima, diz para você ir para lá, te expulsa e é sua aliada?”. Eu acho que nos dois meses essa foi a única questão na qual eu posso ter influenciado algum jogador. Sobre o resto, eu sempre fui uma pessoa que propõe o debate e que cada um defenda a sua autonomia. Eu não me vejo numa posição de liderança em momento algum.

Olhando para sua trajetória, faria algo diferente, se tivesse a chance?
Babu Santana Faria muitas coisas diferentes. Depois da conquista da liderança, eu pisaria mais no freio para poder sair com alguma coisa da casa. Com a condição de ser Top 10 para ganhar o apartamento, eu desaceleraria aquele embate com a Ana Paula, deixaria o meu incômodo um pouco mais guardado para depois, então, pensar de forma mais tranquila o que fazer com aquela insatisfação.

Que movimentos você vislumbra no jogo a partir da sua saída?
Babu Santana Eu acho que a galera vai ter uma certeza da força da dupla Milena e Ana Paula. Eu acho que eles vão se inclinar mais a essa dupla e a esse estilo de jogo. Eu espero que a Solange e o Boneco não cometam os mesmos erros que eu.

E para quem fica a sua torcida?
Babu Santana Para a Chaiany.

O que deseja realizar profissional e pessoalmente após essa segunda passagem pelo reality?
Babu Santana Eu vou me concentrar para exercer uma nova função na minha profissão, que é dirigir um projeto, e também pretendo voltar à direção do Nós do Morro. 

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