sábado, 23 de maio de 2026

.: Luiz Fernando Guimarães e Letícia Augustin na comédia “Curto-Circuito”


O espetáculo dirigido por Gustavo Barchilon estreia dia 16 de maio, em São Paulo, com 06 sessões aos finais de semana. Foto: Edgar Machado

Diferentes personagens se expõem em hilárias situações-limite de suas “pequenas grandes” vidas: um paciente prestes a ser “trancado” no tubo da ressonância magnética; um estudante que não sabe nada da matéria na hora da prova do Enem; um comissário de bordo em um voo com turbulência; uma celebridade, a 10 metros de altura, sendo homenageada por uma escola de samba; um indivíduo enfrentando a pressão de uma urina que teima em não sair no mictório masculino; um insone que luta para dormir antes que a manhã chegue. Dando vida a tudo isso e costurando as histórias, a mente ativa e hilária de um dos maiores atores do Brasil: Luiz Fernando Guimarães, que divide a cena com Leticia Augustin. Esse é o ponto de partida de ‘Curto-Circuito’, escrita por Gustavo Pinheiro especialmente para celebrar os 50 anos de carreira do ator. Após temporada de estreia no Rio de Janeiro, o espetáculo, dirigido por Gustavo Barchilon, chega a São Paulo para sua segunda temporada, em cartaz, no Teatro Renaissance. Serão no total seis sessões aos fins de semana.

Para comemorar o meio século de carreira, iniciada no grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone com a montagem de “O Inspetor Geral” (1974), Luiz se cerca de figuras fundamentais em sua história (com participações em áudios de grandes amigas e parceiras de cena, como Fernanda Montenegro, Fernanda Torres, Debora Bloch, Regina Casé, Patrycia Travassos), sem deixar de abrir os braços para as próximas gerações, dividindo a cena com a jovem Leticia Augustin que, entre outras intervenções, interpreta a amígdala cerebral do ator, prestes a pedir as contas e ir embora, exausta de viver dentro de uma mente que não para de pensar. “O Luiz tem uma coisa muito engraçada: um pensamento meio torto, nada óbvio e hilário para as coisas mais simples da vida. À medida em que ia conversando com ele, trocando ideia, me divertindo horrores, foi me caindo essa ficha: o jeito de ser e pensar do Luiz também tem que ser um personagem, tem que estar em cena. Então propus a ele uma comédia que se passa dentro da cabeça dele. Esse era o ponto de partida para aparecerem os personagens”, explica Gustavo Pinheiro. “Para mim, é uma enorme honra e alegria estar dividindo a cena e aprendendo com um dos maiores atores e comediantes do Brasil”, diz Leticia, em sua segunda incursão no teatro.

A escolha do texto se deu também por uma admiração mútua entre Luiz Fernando Guimarães e o autor. “Eu não escolhi. Na verdade, a peça me escolheu. Sempre procuro me associar a pessoas que eu tenho como exemplo. Já estava namorando o Gustavo, tenho acompanhado as peças que ele escreveu. Eu falei: ‘Gustavo, eu tenho muita vontade de trabalharmos juntos’. E eu acredito que a gente tenha muita coisa em comum. Ele tem uma brilhante escrita, é dinâmica, profunda, saborosa, divertida. Eu sou fã dele. Ele me trouxe esse texto sensacional, que foi amor à primeira vista”, explica Luiz Fernando. “Quando entreguei o texto, lemos juntos, demos muitas risadas e acho que consegui o meu principal objetivo: fazer uma dramaturgia que traduza o humor do Luiz”, celebra Gustavo Pinheiro.

Gustavo Barchilon também não esconde o entusiasmo com o texto e com o reencontro com o ator. “O que me atraiu foi justamente a oportunidade de revisitar o besteirol, do qual Luiz Fernando é uma das referências no gênero. Esse teatro tinha uma comunicação muito forte com o público jovem que, hoje em dia, já é adulto e trouxe um frescor que até hoje ecoa. Montar uma peça com ele é, para mim, uma forma de celebrar não só a carreira dele, mas os 45 anos do besteirol no Brasil”, exalta. “É um mergulho no espírito do besteirol, um teatro que nasceu da irreverência carioca, cheio de humor ácido, paródia e crítica social disfarçada de bobagem. É uma comédia que faz rir, mas também expõe nossas ansiedades e neuroses contemporâneas. O besteirol está em alta lá fora e aqui também começa a voltar, é um gênero que fala com o presente, que desarma o público e cria novas pontes com quem talvez não estivesse indo ao teatro”, acrescenta o diretor.

50 anos de carreira é um momento ímpar e Luiz Fernando Guimarães fez questão de voltar aos palcos com um texto inédito para essa celebração. “50 anos de carreira, matematicamente falando, têm um significado muito importante, porque 50 é metade de 100. E, diferente de todas as outras comemorações, é uma data para mim muito expressiva. Eu sempre procurei estar perto de pessoas que eu admiro e tenho como exemplo seguir”, afirma o ator.

A retomada da parceria com o diretor vem exatamente desse desejo de estar cercado de pessoas que admira, especialmente em uma data tão importante. “O Gustavo Barchilon foi realmente um encontro de almas, tivemos muita sintonia. Ele me convidou há um tempo para fazer ‘Ponto a Ponto’, que foi uma peça sensacional, um momento muito gostoso que a gente viveu. Ele é um diretor moderno, que está sempre à procura de soluções. É muito bom trabalhar com ele e vê-lo se divertindo, trocando com os atores, e eu me divertindo com a direção dele”, exalta Luiz Fernando.

Para Gustavo Barchilon esse reencontro também é muito importante. “Eu e o Luiz tivemos afinidade desde o nosso primeiro processo. Temos um humor parecido, gostamos das mesmas coisas e nosso dia a dia juntos é muito prazeroso. A minha função como diretor é conduzir o ritmo, as pausas, as respirações e criar o espaço para que ele brilhe. Como sempre, Luiz é generoso e, mesmo com tantos anos de carreira, ele gosta de ser dirigido, gosta quando marco intenções e proponho caminhos. Nossa troca é leve, divertida e, ao mesmo tempo, muito rica”, revela.

A história da comédia brasileira se entrelaça com a trajetória do ator Luiz Fernando Guimarães. Seja em momentos icônicos do teatro como o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone ou a montagem das peças "Fica Comigo Esta Noite" e "5x Comédia"; seja em clássicos do humor na televisão como "TV Pirata", "Brasil Legal", "Os Normais", "Programa Legal", "Vida ao Vivo Show", entre outros. “O Luiz é herói da minha infância e juventude! Ele estava em tudo que eu amava ver! Esse espetáculo é uma declaração de amor ao Luiz, ao jeito hilário de ser e pensar desse gênio, que faz o Brasil rir há cinco décadas”, celebra Gustavo Pinheiro. “A genialidade cômica do Luiz transforma qualquer direção em algo muito melhor”, exalta Gustavo Barchilon.


Serviço
Espetáculo "Curto Circuito"
Local: Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2233 – São Paulo / SP
Temporada até dia 31 de maio
Dias e horários: sábados, às 21h00, e domingos, às 18h30

.: Teatro: Antonio Fagundes celebra 60 anos de carreira e dirige "Sete Minutos"


A produção é assinada pelo Infoteatro e marca a primeira realização artística do Portal conduzido pela atriz Natália Beukers, que também integra o elenco. Foto: Ronaldo Gutierrez


O ator Antonio Fagundes celebra 60 anos de carreira e, sob uma nova perspectiva, retorna à casa que por tanto tempo ocupou - o Teatro Cultura Artística. Com texto de sua autoria, encenado por ele em 2002, Fagundes experimenta o papel de diretor do seu próprio espetáculo, "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo", em temporada que vai de 21 de maio a 1º de agosto, no Teatro Cultura Artística. 

A comédia inicia com o drama de um ator veterano que abandona o palco no meio da apresentação de Macbeth, irritado com celulares e outros incômodos vindos da plateia. Nos bastidores, o episódio desencadeia um embate sobre o pacto entre os atores e o público, e os limites dessa lúdica convivência. Entre humor e crítica, a peça é também uma declaração de amor ao teatro, definido pelo protagonista como “o último reduto de humanidade”. Antecipando a crise de concentração intensificada pela tecnologia, a peça questiona uma audiência habituada a blocos de atenção cada vez mais curtos - e reafirma o teatro como espaço de presença, escuta e encontro real. No elenco estão Norival Rizzo, Walter Breda, Fábio Esposito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e Natália Beukers. 

A produção da montagem atual é uma iniciativa do Infoeteatro, e marca a primeira realização artística do Portal conduzido por Natália Beukers: “É muito gratificante para mim contar com o Fagundes e aprender com ele, com a sua vasta experiência, sobre a formação de público para teatro, o que tem tudo a ver com o projeto Infoteatro e com a mensagem da peça, que apenas um grande ator poderia traduzir com tanta propriedade. Um texto reflexivo, mas, ao mesmo tempo, muito engraçado”, afirma. 

A relação de Fagundes com o espetáculo é atravessada por diferentes momentos de sua carreira: “A minha relação com o texto já tinha mudado lá na primeira montagem. Eu tinha escrito aquele texto, mas ele não era para mim como ator. Só que, de repente, percebi que aquele personagem era eu, de certa forma. Então, quando resolvi atuar no espetáculo, percebi que a minha visão de ator acrescentava coisas à minha visão de autor, e isso já configurava uma relação diferente com o texto. Agora, vou observar o texto como autor e também observar outros atores interpretando esse material. Então, realmente, vai ser um terceiro salto — bastante interessante”, avalia. 

"Sete Minutos", na montagem de 2002, chegou a receber mais de 200 mil espectadores, segundo Fagundes, que afirma o desejo de repetir o feito, embora sejam outros os tempos e também a estrutura do espaço. Em 2008, o Teatro Cultura Artística foi vitimado por um incêndio de grandes proporções, que destruiu completamente as duas salas de apresentação do local. “Ele tem uma relação diferente com a plateia, a capacidade da sala é outra, mas a localização já faz bater meu coração. Só de eu pegar o carro e ir naquela direção, já lembro dos 13 anos em que ocupei o Teatro Cultura Artística”, comenta o ator. 

Também foi lá onde Antonio Fagundes escreveu parte da sua história com o teatro, considerado por ele como sede da companhia que fundou e liderou nos anos 80. “Foram, primeiro, 10 anos com a Companhia Estável de Repertório, e a sede, basicamente, era o Teatro Cultura Artística. Depois, quando encerrei as atividades da companhia, fiz mais três espetáculos lá. Foi algo muito importante na minha vida e no teatro em São Paulo. Está sendo muito emocionante voltar, inclusive com uma peça que estreei ali em 2002 e que ficou mais de um ano em cartaz só no Cultura Artística”, relembra. 


Em comum, a formação de público como missão
Faz parte, tanto do texto quanto da montagem, a iniciativa de trazer o público para perto do teatro. Por isso, duas ações fizeram parte da preparação do espetáculo. Houve, em meados de março, uma primeira leitura pública do texto, com distribuição de 150 ingressos gratuitos. E ainda antes da estreia, a produção realizará ensaios abertos nos dias 18 e 25 de abril e 2 e 9 de maio, sempre às 14h00, no auditório do teatro. Nesses encontros, o público acompanha o processo de criação do espetáculo, observando o desenvolvimento das cenas e o trabalho conjunto da equipe artística e técnica. E está previsto, ainda, que ao fim de cada apresentação da temporada, o elenco retorne ao palco para um bate-papo com a plateia (sujeito à disponibilidade dos atores). 

O espetáculo "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo" será viabilizado exclusivamente com recursos de bilheteria, sem leis de incentivo, modelo que o Fagundes adota desde a criação da Companhia Estável de Repertório, em 1982. “Tem sido muito importante aprender com ele uma forma de produzir que permite que a gente se liberte dessa lógica dos editais e leis de incentivo, que hoje está entranhada na produção teatral. É claro que tudo isso tem sua importância e utilidade cultural, mas também é fundamental buscar outros caminhos e provar que é possível”, pontua Natália. 

Do texto à realização, "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo" é um convite de presença ao público. Sobre o fato de o espetáculo tratar justamente do pacto entre elenco e plateia e os limites dessa convivência, Fagundes revela: “Ainda há pessoas que se recusam ou demoram a entender que a grande vantagem do teatro é exatamente a possibilidade de se entregar, sem interferências, àquele mundo mágico que o palco oferece. Um tempo mais aprofundado do que os outros veículos, como a televisão, o cinema e, principalmente, a internet, costumam proporcionar. Então, eu ainda sinto um pouco de pena das pessoas que resistem - mesmo estando dentro do teatro - a essa entrega. Mas acho que 'Sete Minutos' conversa com a plateia nesse sentido e apresenta justamente as vantagens dessa entrega. Vamos ver se o espetáculo consegue mexer um pouco com a cabeça das pessoas nesse sentido”Compre o livro "Sete Minutos", de Antonio Fagundes, neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo"

Texto e direção: Antonio Fagundes. Assistente de Direção: Patricia Gasppar. Elenco: Norival Rizzo, Walter Breda, Fábio Esposito, Ana Andreatta, Conrado Sardinha e Natália Beukers. Figurinos e Cenários: Fábio Namatame. Designer de luz: Domingos Quintiliano. Música Original e Sonoplastia: Jonatan Harold. Fotógrafo: Ronaldo Gutierrez e Monique Maquiagem para Fotos: Beto França. Direção de Produção: Sonia Kavantan. Produção Executiva: Jess Rezende Administração: Gabriela de Sá e Madu Arakaki. Mídias Sociais e Identidade Visual: Nathalia Duarte e Saul Salles. Gestão de Tráfego: Michel Waisman. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli. Idealização: Natália Beukers. Realização: Infoteatro. Coprodução: Beijo Produções Artísticas. Redes Sociais: seteminutos@infoteatro.com.br / @seteminutosteatro / @infoteatro_


Serviço
Espetáculo "Sete Minutos - Uma Comédia no Tempo Certo"
Estreia 21 de maio, quinta, às 20h00.
Temporada: até 1º de agosto - Sessões sexta e sábado, às 20h00, domingo, às 18h00.
Não haverá espetáculo nos dias 14 e 21 de junho, e 3 de julho.
Ingressos: R$ 120,00 a R$ 180,00 (inteira) / de R$ 60,00 a R$ 90,00 (meia).
Site https://culturaartistica.org/
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo.
Planeje sua chegada ao teatro com antecedência. O espetáculo começa rigorosamente no horário marcado. Não haverá troca do ingresso e/ou reembolso dos valores pagos. É proibido fotografar ou filmar durante a apresentação.
Duração: 80 minutos
Gênero: comédia
Classificação: 12 anos
Teatro Cultura Artística - Rua Nestor Pestana, 196, Consolação/São Paulo
Telefones: (11) 3256-0223 / (11) 3258-3595



.: "Enreduana - O Musical" transforma histórias antigas em aventura


"Enreduana - O Musical" apresenta ao público infantil a trajetória da primeira autora da literatura, com direção de Roger Mello. Ilustração: Mariana Massarani

 
O Sesc Pinheiros recebe, nos dias 24 e 31 de maio, o espetáculo infantil "Enreduana - O Musical", com sessões aos domingos, às 15h00 e às 17h00, no Auditório. A montagem apresenta a trajetória de Enreduana, pensadora da antiga Mesopotâmia considerada a primeira escritora da história, que viveu há cerca de 4.300 anos. A peça utiliza música, narrativa e recursos visuais para contar a saga dessa mulher que escreveu poemas, atuou politicamente na cidade de Ur e enfrentou o exílio antes de reconquistar seu lugar como alta sacerdotisa.
 
A encenação é uma adaptação do livro "Enreduana", publicado pela Companhia das Letras, dirigida pelo próprio autor, Roger Mello, vencedor do prêmio de literatura infantil da Biblioteca Nacional. No palco, as ilustrações de Mariana Massarani e esculturas ganham vida em uma fábula operística conduzida por canções originais e pela sonoridade de uma releitura da histórica harpa de Ur, instrumento milenar reconstruído especialmente para o espetáculo.
 
A narrativa é conduzida por um grão de areia do deserto, que apresenta ao público aspectos da cultura mesopotâmica e propõe uma reflexão sobre o papel das mulheres na construção da cultura e da escrita. Ao mesmo tempo, o espetáculo aproxima crianças e adultos de tradições milenares ligadas a territórios como Iraque e Síria, frequentemente associados a conflitos contemporâneos, mas que guardam uma importante herança histórica e cultural. Com linguagem acessível e forte dimensão musical, a montagem articula teatro, literatura e artes visuais para construir uma experiência que atravessa memória, imaginação e ancestralidade.
 

Ficha técnica
"Enreduana - O Musical"
Elenco: Camila Marliere, Leo Thieze e Tibor Fittel
Música original, direção musical e arranjos: Tibor Fittel
Direção de arte: Mariana Massarani
Produção executiva: Instituto Quindim
Produção local: Nelio Teodoro
Figurinos: Ney Madeira e Dani Vidal
Consultoria histórico-filosófica: Sidney Babcock (Morgan Library, Nova York)
Luthier: Fabio Mukyana Simões (confecção de releitura da harpa milenar de Ur)
Dramaturgia, encenação e iluminação: Roger Mello


Serviço
"Enreduana - O Musical"
Teatro infantil  
Dias: 24 e 31 de maio de 2026. Domingos, às 15h00 e às 17h00.
Local: Sesc Pinheiros - Auditório - R. Paes Leme, 195 - Pinheiros/São Paulo
Ingressos: R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia entrada) e R$ 12,00 (credencial plena). Crianças de até 12 anos não pagam. Vendas em sescsp.org.br, pelo app Credencial Sesc SP ou nas bilheterias de todas as unidades do Sesc SP.
Duração: 50 minutos | Classificação: livre
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. No dia 24, as sessões contam com tradução em Libras.
Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: terça a sexta: 10h00 às 22h00. Sábados: 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30 
Estacionamento com manobrista
Como chegar de transporte público: 350m a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350m a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus).
Acessibilidade: A unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários acessíveis para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

.: Musical infantil propõe resgate da imaginação em meio a excesso de telas


“Além da Magia: Um Musical de Sonhos” será apresentado nos dias 24 e 31 de maio, no Teatro Jardim Sul, com canto ao vivo, fantasia e mensagem de coragem para crianças. Foto: divulgação

Em um cotidiano cada vez mais marcado por telas, estímulos rápidos e pouco tempo para o brincar livre, uma menina descobre que os livros também podem abrir caminhos para mundos extraordinários. Essa é a premissa de “Além da Magia: Um Musical de Sonhos”, espetáculo infantil que será apresentado nos dias 24 e 31 de maio, sempre às 16h00, no Teatro Jardim Sul – Sala 2, na Vila Andrade, em São Paulo.

Com direção geral, direção musical, texto e roteiro de Julia Perini, a montagem acompanha a história de Maria, uma menina alegre, curiosa e muito conectada ao celular. Incentivada pela mãe a descobrir o encanto dos livros, ela decide deixar a tela de lado por uma noite e mergulhar em uma história mágica. O que parecia apenas imaginação se transforma em uma grande aventura: Maria é transportada para um reino encantado, colorido e musical, onde encontra personagens que fazem parte do imaginário infantil.

Mas nem tudo está em harmonia nesse universo de fantasia. O temido feiticeiro Jaffar surge com um plano malvado: roubar a voz das princesas e acabar com a magia daquele lugar. Ao perceber que ainda consegue cantar, Maria descobre que foi escolhida para uma missão especial: devolver a música, a alegria e a esperança ao reino. Guiada por novos amigos e pela força da música, a personagem aprende que ser princesa vai muito além de coroas, vestidos e castelos. A jornada mostra às crianças que bondade, amizade, união, coragem e confiança em si mesmas também são formas de magia.

O espetáculo chega em sintonia com uma discussão cada vez mais presente entre famílias e educadores: como reaproximar as crianças da leitura, da imaginação, das interações reais e das experiências presenciais. Estudo internacional desenvolvido recentemente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou que 53% das famílias nunca ou raramente leem livros para crianças de 5 anos matriculadas na pré-escola em Ceará, Pará e São Paulo. O mesmo levantamento mostrou que 50,4% das crianças pesquisadas usam dispositivos digitais todos os dias, índice acima da média dos países participantes.

Nesse contexto, a montagem propõe uma vivência na contramão do consumo acelerado: uma experiência coletiva, musical e presencial, em que a criança é convidada a imaginar, escutar, cantar e se envolver com a história. “A história nasce desse olhar para a infância de hoje. Maria é uma menina que gosta do celular, como tantas crianças, mas descobre no livro uma porta para a fantasia, para a música e para o encontro. A ideia não é demonizar a tecnologia, e sim lembrar que a criança também precisa de presença, escuta, imaginação, convivência e experiências que envolvam o corpo inteiro. No teatro, ela não só assiste: ela canta, reage, se emociona e participa”, afirma Julia Perini, diretora do espetáculo.

A produção reúne canções ao vivo, composições autorais de Fernando Lima, coreografias de Giovanni Torres, figurinos do Ateliê Ozani e cenografia de Ricardo Santos. Com linguagem lúdica, visual colorido e momentos de interação, a proposta é envolver crianças e famílias em uma experiência afetiva, divertida e educativa.

Para Julia, produzir teatro infantil hoje também é um exercício de criatividade, cuidado e resistência. “Fazer teatro para crianças exige muita responsabilidade. Cada escolha precisa respeitar o universo infantil: o texto, a música, o ritmo da cena, o visual, a mensagem que fica. E produzir no Brasil é um desafio enorme. Tudo é feito com muito esforço, muito amor e uma equipe que acredita de verdade no que está levando para o palco. A nossa vontade é que cada criança saia do teatro com brilho nos olhos, cantando, imaginando e acreditando um pouco mais nos próprios sonhos”, destaca.

Além da relação com a leitura e a imaginação, o musical também reforça a importância das experiências culturais fora de casa. O estudo da OCDE aponta que atividades como visitas a bibliotecas, oficinas, aulas de música, dança, esportes e outras vivências presenciais são importantes para o desenvolvimento físico, cognitivo e socioemocional das crianças, além de contribuírem para criatividade, resolução de problemas e socialização. Com duração de 60 minutos e classificação livre, “Além da Magia: Um Musical de Sonhos” é indicado para famílias que buscam uma programação infantil afetiva, musical e visualmente encantadora para o fim de semana.


Ficha técnica
Espetáculo: "Além da Magia: Um Musical de Sonhos"
Direção geral: Julia Perini
Direção musical: Julia Perini
Texto e roteiro: Julia Perini
Músicas autorais: Fernando Lima
Coreografias: Giovanni Torres
Elenco: Giovanna Vieira, Thici Lemos, Polyana Porfirio, Fernando Lima, Giovanni Torres e Julia Perini
Figurinos: Ateliê Ozani
Cenografia: Ricardo Santos
Iluminação: Pedro Amaral
Sonoplastia: Pedro Amaral
Projeções: Pedro Amaral
Maquiagem e cabelo: Thici Lemos
Produção executiva: Carlos Jorge
Fotografia e vídeo: Ingrid Moraes
Operação de som: Pedro Amaral
Operação de luz: Pedro Amaral
Assessoria de Imprensa: Bruno Gambini
Realização: Luz e Magia Produções


Serviço
Espetáculo: "Além da Magia: Um Musical de Sonhos"
Datas: 24 e 31 de maio
Horário: 16h00
Duração: 60 minutos
Classificação: livre
Ingressos: a partir de R$ 45
Local: Teatro Jardim Sul – Sala 2
Endereço: Rua Itacaiúna, 61 – Vila Andrade, São Paulo – SP

.: Espetáculo "TIP" tem apresentação gratuita no Teatro Youtube neste sábado


Estrelado por Milla Fernandez, o espetáculo, que é considerado um dos mais impactantes do teatro contemporâneo, integra a programação da Virada Cultural. Excepcionalmente no sábado, o público poderá retirar seu ingresso gratuitamente. Foto: divulgação


Neste sábado, dia 23 de maio, às 20h00, o Teatro YouTube integra a programação da Virada Cultural 2026 com a apresentação gratuita de "TIP", um dos espetáculos mais impactantes do teatro contemporâneo. Em cena, Milla Fernandez compartilha, com coragem e honestidade, sua vivência como camgirl em uma obra indicada ao Prêmio APTR. O resultado é um relato potente que transita entre o humor e a dor, atravessando os limites entre realidade e performance. 

A peça é um corajoso relato de autoficção que partiu da experiência da atriz durante a pandemia. Diante das necessidades urgentes de se prover, e da falta de perspectivas, Milla encontrou no sexo virtual, com o apoio do marido e da família, a possibilidade de garantir uma fonte de renda imediata. Sem ideia do que encontraria, mergulhou no mundo do entretenimento adulto, satisfazendo como camgirl desejos de clientes anônimos em troca de gorjetas (TIPs, em inglês).

Com humor ácido, Milla Fernandez não se poupa e brinca com o medo do fracasso, revelando situações cômicas, constrangedoras e dolorosas que viveu na área do entretenimento e no universo pornô.


Ficha técnica
Espetáculo "TIP"
Dramaturgia e Performance: Milla Fernandez
Direção: Rodrigo Portella


Serviço
Espetáculo "TIP"
23 de maio, às 20h00
Local: Teatro YouTube  (antigo Eva Herz) - Galeria Magalu
Av. Paulista, 2073, 3º Andar  - Conjunto Nacional - São Paulo
Entrada gratuita: retirada de ingressos na porta do teatro a partir das 19h00.

.: Clássico do teatro judaico, “Dibuk - O Musical” ganha versão musical inédita


A obra retrata um amor trágico e impossível entre dois jovens, muito semelhante ao clássico "Romeu e Julieta" de Shakespeare, ambientado no universo do folclore, da cabala e do inquietante mundo espiritual judaico. Foto: Priscila Prade 

Com 31 atores em cena, coreografias pulsantes e um texto renovado, “Dibuk - O Musical” estreia no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, no dia 23 de abril, com curta temporada até 31 de maio de 2026. A montagem combina drama, música, dança e circo, colocando a dança tradicional judaica e a narrativa, como motores centrais da encenação. Com direção de Marcelo Klabin e texto de Alberto (Gingi) B. Worcman e Paula Targo, com consultoria de Luís Alberto de Abreu, o espetáculo adapta o clássico “O Dibuk”, de Sch. An-Ski, considerado um dos textos teatrais judaicos mais famoso e encenado do século XX. 

A obra retrata um amor trágico e impossível entre dois jovens, muito semelhante ao clássico "Romeu e Julieta" de Shakespeare, ambientado no universo do folclore, da cabala e do inquietante mundo espiritual judaico. Essa lenda foi registrada pela primeira vez em pergaminhos por volta de 1560, com outros contos populares trágicos surgidos no mesmo período histórico, marcados pela ideia de um amor impossível e de um destino predeterminado. 

A montagem foi inspirada em melodias ancestrais como o Klezmer transmitidas oralmente ao longo de séculos em uma linguagem musical própria. A direção musical e as músicas originais são de Gustavo Kurlat, vencedor do Prêmio Shell (Pequeno Sonho em Vermelho), que também assina as letras ao lado de Worcman. Os arranjos instrumentais e a regência são de Vicente Falek, e a preparação vocal, de Tarita de Souza.

O elenco reúne Verônica Goeldi (Wicked), Luis Vasconcelos (Sidney Magal), Dagoberto Feliz (Palhaços), além de Lilian Blanc (O Diário de Anne Frank), Nábia Vilela (Gota D’Água), Rafael Pucca, Romis Ferreira, Heitor Goldflus, entre outros - confira o elenco completo na ficha técnica abaixo. Estreado originalmente em 1916, "O Dibuk" rapidamente se espalhou pelos palcos da Europa e logo ao restante do mundo, tornando-se uma referência ao unir drama psicológico, espiritualidade e folclore. A obra reflete a perplexidade humana diante do desconhecido e o confronto com o destino. 

No centro da narrativa está a figura do "Dibuk" - a alma errante de um morto que, segundo crenças religiosas populares, pode possuir o corpo de um vivo, exigindo rituais exorcistas para sua expulsão. A encenação mistura várias linguagens artísticas, criando uma experiência visual e sensorial intensa. O texto forte e renovado conduz o público por uma narrativa de romance, suspense e espiritualidade, enquanto o humor surge como contraponto, trazendo leveza ao tom trágico.

As coreografias ocupam lugar central no espetáculo, incorporando a energia vibrante da dança tradicional judaica não apenas como complemento musical, mas como elemento dramatúrgico essencial, que traduz em movimento os conflitos emocionais e espirituais da história. O espetáculo será apresentado em dois atos, com duração aproximada de 150 minutos, com sessões de quinta a sábado, às 20h00, e domingos, às 16h00.


Ficha Técnica
“Dibuk - O Musical”
Da obra original de Sch. An-Ski
Texto: Alberto (Gingi) B. Worcman e Paula Targo
Consultoria: Luis Alberto de Abreu
Músicas originais e Direção Musical: Gustavo Kurlat
Direção Geral: Marcelo Klabin
Letras: Alberto (Gingi) B. Worcman e Gustavo Kurlat
Elenco: Verônica Goeldi, Luis Vasconcelos, Dagoberto Feliz, Rafael Pucca, Romis Ferreira, Nábia Villela, Heitor Goldflus, Lilian Blanc, Gustavo Waz, Fernanda Melém, Rodrigo Miallaret, Gabriela Melo, Lucas Marques, Eduardo Leão, Mateus Torres, Victor Froiman, Thiago Ledier, Éri Correia, Juliana Ferretti, Bel Nobre, Chiara Lazzaratto, Erick Carlier, Natalia Presser, Gui Boranga, Tamara Figueiredo, Geisa Helena, Luara Bolandini, Diego Oliveira, Juliano Alvarenga, Will Kreff e Alicio Zimmermann.
Arranjos instrumentais e Regência: Vicente Falek
Arranjos e Preparação Vocal: Tarita de Souza
Cenário: Marco Lima
Figurinos: Fábio Namatame
Designer de luz: Guilherme Bonfanti
Designer de som: Bruno Pinho
Coreografia: Alberto (Gingi) B. Worcman e Loba Targownik
Visagismo: Diego Durso                                                                                      
Direção de ilusionismo: Alicio Zimmermann
Coordenadora circense: Natalia Presser
Assistente de direção: Jade Ito
Produção executiva: Marcella Castilho e Wesley Lima
Direção de produção: Marisa Medeiros
Consultoria de projeto: Brancalyone Produções - Edinho Rodrigues
Idealização: Alberto (Gingi) B. Worcman e Paula Targo


Serviço
“Dibuk - O Musical”
Temporada: de 23 de abril a 31 de maio de 2026 
Horários: de quinta a sábado, às 20h00 e aos domingos, às 16h00
Local: Teatro Sérgio Cardoso 
Endereço:  Rua Rui Barbosa, 153 - Bela Vista/São Paulo

Setores

Plateia VIP central:  R$ 300,00 (inteira), R$ 150,00 (meia)
Plateia VIP lateral: R$ 230,00 (inteira), R$ 115,00 (meia)
Plateia central: R$ 200,00 (inteira), R$ 100,00 (meia)
Plateia lateral: R$ 180,00 (inteira), R$ 90,00 (meia)
Balcão: R$ 120,00 (inteira), R$ 60,00 (meia)
Visão parcial plateia VIP lateral: R$ 150,00 (inteira), R$ 75,00 (meia)
Visão parcial plateia lateral: R$ 120,00 (inteira), R$ 60,00 (meia)
Visão parcial balcão: R$ 80,00 (inteira), R$ 40,00 (meia)

Ingressos
Venda on-line em sympla.com.br
Bilheteria: Em dia de espetáculo, das 14h00 até o horário de início da sessão.
Classificação: 12 anos
Duração: aproximadamente 150 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

sexta-feira, 22 de maio de 2026

.: Crítica musical: Sergio Santos lança CD "Todo Samba"

O cantor e violonista Sérgio Santos ao lado do clarinetista Nailor Proveta. Foto de divulgação: Isabela Espíndola


Chegou às plataformas o novo álbum do compositor, violonista, cantor e arranjador Sergio Santos. “Todo samba” reúne 13 canções inéditas, baseadas no samba e suas diferentes possibilidades, para o qual Sergio convidou o clarinetista, compositor e arranjador Nailor Proveta, mestre na linguagem do samba e do choro.

As canções de “Todo Samba” (Biscoito Fino) bebem da raiz fundamental, mas cada uma delas foi construída a seu modo, evitando os jargões melódicos e harmônicos. No repertório, “Serenadas Pedras” tem a autoria da melodia dividida com Francis Hime, e letra sensível de Olivia Hime. Quanto à poética, Sergio Santos recorreu à sua parceria com Paulo César Pinheiro, ícone da poesia musical brasileira, com quem já compôs mais de 300 canções. Há também, além de suas próprias letras, a estreia da parceria de Sergio com o escritor e poeta Marcílio Godói.

O trabalho conta ainda com participações especialíssimas, que dividem os vocais com Sergio em três faixas: em "Trate Bem Seu Bem", o compositor canta com Maíra Manga, jovem e talentosíssima cantora de suas Minas Gerais. Já “Inquietude” é dividida com a magnífica Leila Pinheiro. A canção “Preciosas Pedras” conta com a participação impecável dos parceiros Francis Hime e Olivia Hime.

"Todo Samba' é um disco que mostra bem a proposta de trabalho de Sérgio Santos, além de comprovar a genialidade de Nailor Proveta. Vai agradar quem curte a nossa MPB de qualidade.


Senhoras do Samba



Entortando o samba


A Ordem do Rei



.: Crônica: Uma rampa guardada a sete chaves


Por Maria Paula Teperino, escritora

Outro dia fui conhecer um restaurante recém-inaugurado em uma ruazinha de Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Amigos já haviam ido e comentado que a comida era ótima, assim como o ambiente. Entrei na página do restaurante no Instagram e enviei uma mensagem perguntando se o local tinha acesso para pessoas que, como eu, se deslocam com cadeira de rodas.

Aqui faço um parêntese antes de retomar o objetivo desta escrita. É extremamente constrangedor ter que enviar mensagens ou telefonar para um determinado lugar de uso público — ou seja, que recebeu um alvará do poder municipal — para perguntar se o seu corpo pode ou não frequentar aquele espaço. Estamos entrando no segundo quarto do século XXI e, pelo menos na minha cidade, o Rio de Janeiro, muitos espaços públicos continuam sem acessibilidade para pessoas com deficiência.

Feito esse parêntese, recebi rapidamente uma resposta pela rede social informando que havia acesso. Ao chegar lá — talvez por ainda ser cedo para o almoço — alguns funcionários estavam na porta. Quando estacionei o carro, e suponho que tenham visto o cartão de estacionamento para pessoas com deficiência, uma funcionária avisou que haviam ido buscar a rampa, pois, embora a porta tivesse apenas dois degraus, quem fez a reforma, em vez de optar por rampear a entrada, deve ter pensado que degraus são mais estilosos do que acessibilidade. Assim, não restou alternativa senão mandar confeccionar uma rampa de metal.

A rampa não demorou a chegar. Pasmem: ela não fica guardada dentro do restaurante, mas sim na rua ao lado. Foi preciso uma moça e um rapaz para trazê-la. Pela dificuldade com que a carregavam, dava para perceber o quanto era pesada — eles chegaram a colocá-la no chão duas vezes, tomar fôlego e continuar o trajeto, até que finalmente pudesse ser posicionada no lugar onde deveria estar fixa.

Confesso que esse foi mais um constrangimento. Os funcionários que foram buscar a rampa — um garçom e a gerente — não foram contratados para isso. Eu, como cliente, deveria ter o direito de entrar no restaurante como qualquer outra pessoa, mas não foi o que aconteceu.

Por outro lado, quando um local se torna acessível, ele não se transforma em um espaço exclusivo para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. Pelo contrário: um lugar onde uma pessoa em cadeira de rodas entra com autonomia é justamente um espaço ao qual qualquer pessoa pode acessar. E foi exatamente isso que aconteceu: a referida rampa passou a ser utilizada por todos que chegaram ao restaurante durante as aproximadamente três horas em que permaneci ali.

Agora, gostaria que você refletisse comigo: por que um equipamento de acessibilidade, como essa rampa, é sempre visto como algo de uso exclusivo de pessoas com deficiência? E, mais importante, por que, quando existe, esse equipamento costuma ficar guardado — muitas vezes trancado? Acredito que o medo do contato com um corpo fora da normatividade contribua, senão como principal razão, ao menos como um fator importante para a ideia de que não existimos, de que não frequentamos lugares para além de clínicas de reabilitação, hospitais e afins.

Depois de me deparar inúmeras vezes com situações como essa — por dever de ofício, já que sou psicanalista — pude perceber que não se trata apenas de desconhecimento ou ignorância. Existe algo para além disso. A invisibilização imposta às pessoas com deficiência e às suas demandas não acontece somente por questões sociais ou pela forma como são tratados os grupos historicamente minorizados. Isso tem nome: capacitismo.

Resolvi, então, dedicar-me a tentar responder a essa questão a partir do ponto de vista da psicanálise. Fiz um mestrado e minha dissertação abordou esse tema. Ela está sendo publicada e, em breve, convido você a ler meu livro, "Não Desvie o Olhar - A Invisibilização das Pessoas com Deficiência sob o Ponto de Vista da Psicanálise", publicado pela Editora Appris, no qual discuto essa e outras questões relacionadas ao tema.


Sobre a autora
Maria Paula Teperino
construiu uma trajetória marcada pela pluralidade e pela profundidade intelectual. Graduada em Psicologia e em Direito, aprofundou sua formação no campo da psicanálise: é pós-graduada em Psicologia Clínica pela PUC-Rio e em Teoria Psicanalítica pela Universidade Veiga de Almeida (UVA/RJ), instituição onde também concluiu o Mestrado em Psicanálise, Saúde e Sociedade. Atualmente, integra o Fórum do Campo Lacaniano do Rio de Janeiro. Mulher com deficiência física, Maria Paula traz à sua prática e às suas reflexões uma perspectiva singular sobre corpo, sujeito e sociedade.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

.: Vencedor em Berlim, drama revela como progresso redesenha as relações


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Vencedor do Urso de Prata de Melhor Direção no Festival de Berlim, o filme “Living the Land” chega ao Brasil em estreia exclusiva na plataforma de streaming Reserva Imovision, nesta sexta-feira, dia 22 de maio, interessado em preservar gestos e modos de vida prestes a desaparecer. Dirigido e roteirizado pelo chinês Huo Meng, o longa-metragem mergulha na China rural de 1991 para observar, com rigor quase etnográfico, o impacto das transformações socioeconômicas sobre uma comunidade agrícola.

A trama acompanha Chuang (interpretado por Shang Wang), um menino de dez anos que permanece na aldeia enquanto parte da família migra para os centros urbanos. Ao redor dele, o vilarejo de Bawangtai se reorganiza diante da modernização que chega em ondas: tecnologia, industrialização e novas formas de trabalho começam a redesenhar a paisagem humana e simbólica. No elenco, destacam-se ainda Chuwen Zhang e Zhang Yanrong, que ajudam a compor um mosaico geracional em que tradição e ruptura coexistem em tensão permanente.

Huo Meng, que já havia chamado atenção com seu longa de estreia “Crossing the Border - Zhaoguan”, aprofunda aqui um cinema de observação, marcado pelo uso de não-atores e por uma encenação que dilui as fronteiras entre ficção e documentário. A câmera de Guo Daming percorre os espaços com discrição e horizontalidade, como se recusasse qualquer hierarquia dramática: tudo importa, o plantio, o luto, o casamento, o trabalho coletivo. 

A produção teve estreia mundial na competição oficial do Festival Internacional de Cinema de Berlim de 2025, onde rendeu a Huo Meng o Urso de Prata de Melhor Direção, reconhecimento que consolidou o filme no circuito internacional. Desde então, “Living the Land” vem acumulando recepção crítica amplamente positiva, com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes e elogios de veículos como The Hollywood Reporter, que destacou a precisão visual da obra, e Screen Daily, que a classificou como “imersiva e ambiciosa”.

Há também um componente autobiográfico que fica evidente o projeto. O diretor afirmou que buscava retratar o choque entre políticas coletivistas e tradições milenares, além de evidenciar as pressões - sobretudo em relação às mulheres - em um contexto de transição abrupta. Esse olhar se materializa em personagens como Xiuying, cuja trajetória evidencia o peso das estruturas familiares e sociais. Sem concessões ao ritmo acelerado do cinema comercial, “Living the Land” aposta na duração - são mais de duas horas - como estratégia de imersão. 


Ficha técnica
“Living the Land” | “Sheng Xi Zhi Di” (título original) | “Vivendo a Terra” (título em Portugal)
Gênero: Drama. Duração: 2h15. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: mandarim. Direção: Huo Meng. Roteiro: Huo Meng. Elenco: Shang Wang, Chuwen Zhang, Zhang Yanrong. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.

Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Assine a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

.: Crítica: "Mortal Kombat II" é puro entretenimento gamer com cultura pop


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O longa "Mortal Kombat II", dirigido por Simon McQuoid ("Mortal Kombat I"), é entretenimento gamer nostálgico estampado na telona de cinema em sua forma pura. A nítida evolução em relação ao filme de 2021, capaz de corrigir falhas do antecessor, ao focar diretamente no torneio e nas sequências de cenas de ação. Em 1 hora e 56 minutos, a produção entrega lutas coreografadas com excelência na atmosfera contagiante e facilitadora de estabelecer toda conexão com o clássico jogo.

Com muita pancadaria, sangue jorrando e momentos épicos em cenários que mudam constantemente, a produção automaticamente alimenta no público a sensação de estar assistindo a um modo história dos videogames. De fato, a ambientação com boa qualidade de computação gráfica, assim como cenários icônicos bem elaborados e as luta em meio a luz do dia ou antes do cair da noite, fugindo da constante escuridão para esconder falhas técnicas digitais, fazem o longa fluir a ponto de ser palatável, inclusive para quem não assistiu ao primeiro filme e/ou nunca jogou Mortal Kombat.

Sem tramas confusas, o longa de 2026 entrega a essência caótica e divertida da franquia clássica de lutas mortais por meio de personagens mais do que conhecidos. Assim, Johnny Cage (Karl Urban, saga "O Senhor dos Aneis", "The Boys"), personagem da série de jogos eletrônicos inspirado em Jean-Claude Van Damme, entra na história como todo o peso de ser um ator narcisista famoso por filmes de artes marciais, mas que está ultrapassado e até esquecido pelo público. No entanto, para lutar ele é necessário. Logo, o confuso Cage traz muito alívio cômico para a trama.

Contudo, cabe também a Josh Lawson ("O Fantástico Mundo de Blaze") interpretando Kano entregar muito bom humor com sacadas rápidas e divertidas, equilibrando a tensão e a violência garantindo boas risadas para o público. Destaque também para as cenas de protagonismo de Hanzo Hasashi, o Scorpion, na pele de Hanzo ("Trem Bala", "John Wick 4: Baba Yaga"), assim como a Kitana de Adeline Rudolph ("Hellboy e o Homem Torto"). 

"Mortal Kombat II" pode não ser o melhor filme de todos os tempos por ainda esbarrar em falhas pontuais, como certas representações de poderes, mas garante o seu lugar entre as melhores adaptações de videogames para o cinema. O resultado é um filme de puro entretenimento gamer regado de cultura pop que garante muita diversão. Vale a pena conferir na telona de cinema!

"Mortal Kombat II" ("Mortal Kombat II"). Gênero: Ação, artes marciais. Direção: Simon McQuoid. Roteiro: Jeremy Slater. Duração: 1h 56 minutos. Classificação Indicativa: 18 anos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Carl Urban (Johnny Cage), Adeline Rudolph (Kitana), Lewis Tan (Cole Young), Tadanobu Asano (Raiden), Martyn Ford (Shao Kahn), Hiroyuki Sanada (Scorpion). Sinopse: A sequência do longa de 2021 traz o aguardado torneio entre a Terra e a Exoterra.

Trailer de "Mortal Kombat II"




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.: Crítica: "Omen" é história de choque cultural em busca por pertencimento


"Omen" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


O primeiro longa congolês a estrear em uma mostra competitiva do Festival de Cannes, vencedor do prêmio Nova Voz, o drama fantástico "Omen" (Augure), é um mergulho em histórias distintas que se assemelham quando apresentadas em quatro capítulos que permeiam crenças que fortalecem feridas coloniais. De estética exuberante, repleta de simbolismos e sequências fascinantes, o filme que soma 1 hora e 30 minutos é uma crítica social onírica, que transita em contos de fadas, imprimindo a dinâmica do exílio, luto e desconexão com o próprio povo.

A narrativa de choque cultural pautada nas vidas de cultura africana, escrita e dirigida pelo artista belga-congolês Baloji apresenta histórias paralelas que se conectam por meio dos personagens Koffi (Marc Zinga), o rejeitado pela mãe na juventude por nascer com uma grande marca de nascença, Paco (Marcel Otete Kabeya), o menino de rua que lidera uma gangue que veste em roupas rosa e está em luto pela morte da irmã, Tshala (Eliane Umuhire), a irmã de Koffi, adepta do poliamor que se prepara para imigrar para a África do Sul e Mujila (Yves-Marina Gnahoua), mãe de Koffi, uma figura forte e controversa.

Ainda que Koffi seja introduzido primeiro na trama, a força da matriarca da família, Mama Mujila, o pilar da família, desenha o rumo do filho, Koffi que volta da Bélgica para a República Democrática do Congo acompanhado de sua noiva grávida. Sem conhecer a própria cultura devido a seu banimento, a relação conturbada com a mãe que o mandou para viver longe por considerá-lo feiticeiro. No entanto, é o desconhecido que conecta mãe, filho, filha (Tshala) e um garoto de rua. Todos marcados como um zabolo (feiticeiro maligno na língua suaíli).

Aliás, o ponto central de "Omen" (Augure) está no estigma de cada personagem ser rotulado pela sociedade local tradicional como "diabo" ou portador do "sinal do diabo". De um ritual para o descrédito instantâneo no outro seguindo uma crença para a anulação de cada indivíduo, a marcante colisão entre antigas crenças tribais, misticismo e as expectativas do mundo moderno, fazem com que a produção afrofuturista entregue um choque cultural brutal em meio a tentativas de pertencimento. Imperdível!

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"Omen" (Augure). Gênero: Drama, fantasia, thriller. Direção: Baloji. Roteiro: Baloji e Thomas van Zuylen. Duração: 1h 30 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: MUBI. Elenco: Marc Zinga (Koffi), Lucie Debay (Alice), Eliane Umuhire (Tshala), Yves-Marina Gnahoua (Mama Mujila) . Sinopse: A trama segue quatro personagens estigmatizados e acusados de serem "bruxos" ou "feiticeiros", que encontram uma maneira de se ajudar mutuamente para escapar de seus destinos socialmente impostos.

Trailer de "Omen"



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"Um Gato Em Paris" pode ser assistido no site e aplicativo Reserva IMOVISION

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em maio de 2026


A animação francesa "Um Gato Em Paris" (Une vie de chat) é uma perfeita história de gato e rato, cabendo ao felino em questão o trabalho de costurar toda a trama. De estética artesanal feita à mão, numa atmosfera inspirada no Cinema Noir (estilo cinematográfico, fortemente associado a suspenses e dramas criminais de Hollywood), a produção dirigida por Jean-Loup Felicioli e Alain Gagnol, apresenta a história da garotinha Zoé que perdeu o pai nas mãos de um mafioso e tem uma mãe policial muito atarefada.

A menina muda cuida de seu animal de estimação, o gato Dino, sem imaginar que seu bichinho é um autêntico representante da vida boêmia a ponto de levar uma vida dupla, uma vez que no cair da noite ele é parceiro de um gatuno, o ladrão de bom coração, Nico. Contudo, o crime volta a bater de frente com a pequena Zoé que ao ser raptada, acaba sendo a chave para a solução de uma rede de criminalidade e ajuda a mãe a chegar em quem tanto deseja.

O longa de 1 hora e 10 minutos de duração, tem traços à mão em visual vibrante e cores quentes que remetem a pinturas em movimento que contribuem para a criação da atmosfera perfeita de suspense. Logo, o enredo policial, em cenários de linhas tortas e distorcidas, prende a atenção, gerando curiosidade em torno das reviravoltas e do desfecho. 

De enorme prestígio internacional e indicado ao Oscar de Melhor Filme de Animação, "Um Gato Em Paris" é voltado para todas as idades por transitar com maestria por temas diversos como luto, traumas, vingança e corrupção com maturidade e sobriedade. Vale a pena conferir na Reserva IMOVISION!

PRÊMIOS: A produção de trajetória celebrada em eventos do cinema mundial acumulou indicações a prêmios, além do Oscar (2012), na categoria de Melhor Filme de Animação, também esteve entre os favoritos do Prêmio César (2011), na categoria Melhor Filme de Animação (a principal premiação do cinema francês), no European Film Awards (2011) na categoria Melhor Filme de Animação Europeu e no Annie Awards (2012) esteve na categoria de Melhor Direção em uma Produção de Longa-Metragem.

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"Um Gato Em Paris" (Une vie de chat). Gênero: Animação, aventura, policial, infantil. Direção: Alain Gagnol e Jean-Loup Felicioli. Roteiro: Alain Gagnol e Jacques-Rémy Girerd. Duração: 1h 10 minutos. Classificação Indicativa: livres. Distribuição: Bonfilm. Vozes originais: Dominique Blanc (Jeanne, a comissária de polícia), Bruno Salomone (Nico, o ladrão), Jean Benguigui (Victor Costa, o principal gângster/vilão), Bernadette Lafont ( Claudine), Oriane Zani (Zoé, a garotinha), Patrick Descamps (Lucas), Patrick Ridremont (Sr. Sapo). Sinopse: Dino, um gato que vive uma vida dupla: de dia mora com uma garotinha muda, e à noite ajuda um simpático ladrão a escalar os telhados da cidade.

Trailer de "Um Gato Em Paris"



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