quarta-feira, 15 de julho de 2026

.: Crítica: "Moana" é o live action que ninguém pediu, mas é agradável

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2026


A história da princesa de uma comunidade da etnia Motonui, a desbravadora da Disney, "Moana" virou live action e antes mesmo de as gravações ganharem força, choveram críticas sobre a real necessidade de adaptar "Moana: Um Mar de Aventuras", recente animação de sucesso, com atores reais. Eis que "Moana" chega as telas de cinema (sem o público pedir) trazendo uma adaptação bastante fiel ao infantil de 2016.

Muito agradável de se ver na tela gigante de cinema, mesmo com os efeitos visuais defeituosos. De fato, há pontos favoráveis pela coragem de manter a história bastante solar, o que evidencia tais problemas, muito por movimentos bruscos. Contudo, a história repleta de magia faz lembrar que ali há uma trama de ficção.

Assim, "Moana" tem sequências nitidamente preparadas por computação gráfica, mas entrega o respeito de seguir a obra original e, claro, trazer Dwayne Jackson como o semideus egocêntrico Maui. E é um deleite vê-lo em carne e osso no papel que é a cara dele.

Como aquela que dá o nome da produção está a novata Catherine Laga'aia que encarna todo carisma e poder de Moana. De rostinho delicado e bem mais bonita do que a da animação, a atriz ganha o público já nos primeiros minutos de apresentação e fica fácil torcer pela Moana humana. 

"Moana' é extremamente agradável de se assistir e é uma excelente opção de entretenimento. As sequências musicais mantém as letras conhecidas e a empolgação de quem é fã simplesmente acontece. Na versão dublada Moana Waialiki leva a voz de Bia Vasconcellos, enquanto que Maui segue com Saulo Vasconcelos (o mesmo da animação de 2016) e a Vovó Tala tem a voz de Nabia Villela. Vale a pena conferir!


"Moana" (Moana). Gênero: Animação, Aventura, Musical. Direção: Ron Clements e John Musker. Roteiro: Jared Bush, Ron Clements, John Musker, entre outros. Trilha Sonora Original: Lin-Manuel Miranda, Opetaia Foa'i e Mark Mancina. Elenco de Voz (Original): Auli'i Cravalho (Moana), Dwayne Johnson (Maui). Duração: 107 minutos. Sinopse: Moana acompanha uma corajosa jovem que, para salvar seu povo, parte em uma jornada épica pelo oceano para encontrar o semideus Maui e devolver o coração místico de Te Fiti

Trailer de "Moana"



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.: "Escreviventes", o novo livro de Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz


Livro derivado de documentário inédito, com Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz, é o primeiro volume da Coleção Memórias Brasileiras. Conceição Evaristo e Eliana Alves Cruz durante a gravação do documentário "Escreviventes". Foto: de Thiago dos Santos


Em dezembro de 2025, durante dois dias, Conceição EvaristoEliana Alves Cruz se sentaram frente a frente na Kaza 123, um quilombo urbano no bairro de Vila Isabel, no Rio de Janeiro. Não foi entrevista, não foi bate-papo de lançamento, foi conversa entre amigas. E o registro dela é "Escreviventes", que a Pallas Editora lança em 2026, primeiro volume da nova Coleção Memórias Brasileiras.

O livro nasce de um projeto idealizado por Estevão Ribeiro, que também assina a direção do longa-metragem documental homônimo, atualmente em pós-produção, com estreia em festivais prevista para 2027 e chegada ao circuito comercial em 2028. As páginas de Escreviventes antecipam, portanto, o que o público só vai ver na tela dentro de dois anos. Um material de arquivo afetivo que já existe mesmo antes do filme estar fechado. 

O ano marca dois números redondos: Conceição completa 80 anos, Eliana completa 60. Uma já consolidada como a criadora do conceito de escrevivência, autora dos clássicos Ponciá Vicêncio (2003), Becos da memória (2006), Olhos d’água (2014) e Canção para ninar menino grande (2018), pela Pallas. A outra, jornalista de formação, chegou à ficção em 2015 pelo Prêmio Oliveira Silveira e hoje soma o Jabuti de 2022 com A vestida e o Prêmio Guimarães Rosa da ABL na categoria Melhor Livro de Ficção com Meridiana. Pela Pallas, Eliana publicou Nada digo de ti, que em ti não veja, em 2019. Juntas, quase 20 livros publicados e uma amizade que atravessa gerações.

A conversa percorre temas que não costumam vir lado a lado num único livro: racismo, maternidade, sexualidade, envelhecimento. Conceição lembra o nome que deu a essas semelhanças entre as duas: parecenças, termo que dá o tom afetivo de toda a obra. Entre um capítulo e outro, a conversa das duas escritoras é entremeada por depoimentos de Itamar Vieira Junior, Renato Noguera, Teresa Cárdenas e Flávia Oliveira - vozes que ampliam, de fora, o que Conceição e Eliana constroem de dentro da amizade.

"Escreviventes" chega como desdobramento da própria escrevivência, não como um conceito a ser explicado, mas como o que ele sempre foi: duas mulheres negras contando suas próprias histórias, pelas próprias mãos, num livro que existe antes mesmo do filme que o originou chegar às telas. Compre o livro "Escreviventes" neste link.

Sobre as autoras
Conceição Evaristo
é escritora, ficcionista e ensaísta mineira radicada no Rio de Janeiro. Graduada em Letras pela UFRJ, mestre em Literatura Brasileira pela PUC-Rio e doutora em Literatura Comparada pela UFF, é autora de "Ponciá Vicêncio", "Becos da Memória", "Olhos D'Água" (Jabuti 2015) e "Canção para Ninar Menino Grande", entre outros títulos publicados pela Pallas.

Eliana Alves Cruz nasceu no Rio de Janeiro em 1966. É jornalista, escritora e roteirista. Venceu o Prêmio Jabuti 2022 com A vestida, o Prêmio Oliveira Silveira com Água de barrela e o Prêmio Guimarães Rosa da Academia Brasileira de Letras (ABL) na categoria Melhor Livro de Ficção, com "Meridiana". Apresenta o programa "Trilha de Letras", na TV Brasil, e foi indicada ao International Emmy Awards 2024 como roteirista da série "Anderson Spider Silva".


Sobre o organizador
Estevão Ribeiro
é escritor, roteirista e diretor audiovisual capixaba. Criador da personagem Rê Tinta e autor de dezenas de publicações, entre livros infantis, quadrinhos e prosa. No audiovisual, colaborou como roteirista para séries como "Cidade de Deus - A Luta Não Para" (2024, HBO) e é criador da série animada "Vovó Tatá" (2024, Globoplay). Estreou como diretor com o curta-metragem "Salve, Rainha!" (2026) e "Escreviventes" será seu primeiro longa-metragem documental.

.: Memórias da periferia: Wesley Barbosa lança “Os Barraquinhos da Favela”


Obra marca a estreia do autor na literatura infantil e será apresentada em roda de conversa na Casa da Favela, durante a Festa Literária Internacional de Paraty, no dia 23 de julho, às 10h00

Para celebrar sua estreia na literatura infantil, o escritor Wesley Barbosa apresenta "Os Barraquinhos da Favela", publicado pela Editora Moderna, em uma roda de conversa na Casa da Favela, no dia 23 de julho, às 10h, durante a Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP). Na obra, Wesley Barbosa transforma memórias da periferia em narrativa literária. Escrito em primeira pessoa e atravessado por um tom afetivo e saudosista, o livro reconstitui a paisagem da periferia pelos olhos de quem a viveu de dentro. 

Há, nessas páginas, a lembrança dura das casas de madeira arrancadas pelo vento, mas também a poesia de quem guarda, no embrulho da memória, o cheiro do arroz e do feijão quentinhos, e a visão do horizonte recortado por estrelas vistas de uma janela quebrada. É nessa janela que reside a síntese do livro, o convite a olhar para o horizonte e para os próprios barraquinhos como metáforas de sonhos que a infância não deixou morrer, e da força de quem cresceu sem nunca esquecer de onde veio. Compre "Os Barraquinhos da Favela", de Wesley Barbosa, neste link.

Memórias da periferia
As ilustrações são de Tainan Rocha, artista cujo trabalho já dialogou com temas ligados à infância e se destaca pelo uso de texturas, relevos e cores. A junção entre o texto de Barbosa e a sensibilidade visual de Rocha resulta em uma obra recomendada para crianças a partir de 6 anos, mas capaz de tocar leitores de qualquer idade que reconheçam nessas páginas parte da própria história. "Já morei em muitas casas na periferia e em barracos na favela. Desde adolescente, adoro ler, e isso me inspirou a começar a escrever. Os Barraquinhos da Favela é apenas um ponto de partida para muitas conversas sobre lembranças, desafios e afetos", conta o autor.


Sobre o autor
Wesley Barbosa nasceu em Itapecerica da Serra, em São Paulo, em 1990. Autor de cerca de cinco obras, construiu uma trajetória literária marcada pela presença da oralidade e da cultura periférica contemporânea, com livros que discutem identidade, território e vivência urbana. Os Barraquinhos da Favela é sua primeira incursão pela literatura infantil.

 
Sobre o ilustrador
Tainan Rocha
é quadrinista e ilustrador formado pela Quanta Academia de Artes, em São Paulo, onde leciona atualmente. Já ilustrou diversos livros e histórias em quadrinhos no Brasil e no exterior. Hoje vive no litoral com a esposa e o filho, e, quando precisa de inspiração, coloca os pés na areia.


Serviço
Lançamento "Os Barraquinhos da Favela"
Casa da Favela - Flip 26
Dia: 23 de julho, às 10h00

.: "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, o quinto romance do escritor


O pano de fundo de "O Tardio", quinto romance de Maurício Melo Júnior, é o Brasil dos anos 1970, período mais duro da ditadura militar: o AI-5 em vigor, a tortura como prática de Estado. Em meio a isso, uma geração de jovens escolheu o caminho oposto - a estrada, a contracultura, a busca por paz e liberdade. Mas o que significa liberdade quando tudo ao redor conspira para impedi-la? Será que eles estão dispostos a pagar o preço que for para conquistá-la?

A vida de Sérgio parecia seguir um caminho bastante tradicional. Uma infância e adolescência comuns, marcadas pela forte presença do catolicismo - à época, quase uma regra em todo o país, inclusive em Pernambuco, onde nasceu. Sua família já não possuía o status social de outrora, mas ele conseguiu se formar em Direito. Casou-se. A esposa, professora, dividia-se entre a casa, os estudos e as salas de aula. Tiveram filhas. Tudo dentro do convencional.

No entanto, a perda de um parente próximo fez reaparecer uma figura há muito aprisionada no silêncio familiar: a de Roberto, seu irmão. Anos atrás, a morte de Roberto e suas escolhas de vida sempre foram um tabu acobertado por seus pais e por todos. O caçula Sérgio, que sempre recebera poucas informações a respeito de seu irmão, agora tinha em mãos mais do que imaginara em toda a sua vida. Ainda assim não era suficiente. Ele precisava de mais. Tinha necessidade de descobrir novas peças da história de seu irmão, cuja morte coincidira com a data de seu próprio nascimento. Angustiado, Sérgio deixa tudo para trás e põe o pé na estrada.

A trajetória de Sérgio em busca de respostas é guiada por cartões-postais encontrados na casa de seu tio, logo após seu falecimento. As correspondências foram escritas por seu irmão durante suas andanças e enviadas ao tio ao longo dos anos. Por onde passa, o advogado abandona a gravata, adota a bata indiana e o pano vermelho do artesanato, recolhe informações e vivências que o ajudam a montar o quebra-cabeças da história de Beto. Nesse percurso, Sérgio começa também a questionar suas próprias escolhas, desejos e certezas, colocando à prova tudo o que havia construído, inclusive o casamento e a vida profissional deixados para trás no Recife.

Aos poucos, a figura de Roberto ganha corpo: um rapaz calado e religioso que, no fim dos anos 1970, abandonou a casa dos pais em Palmares e se tornou hippie ao lado de Caliandra. Juntos, os dois percorreram o país em busca de um modo de viver mais livre. O rastro some no interior de Goiás. E é até lá que Sérgio precisa chegar.

O escritor Maurício Melo Júnior nos conduz por essa jornada na qual o protagonista atravessa cidades do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste do país, refazendo o caminho do irmão. Sua maneira de nos apresentar esse mundo, transforma paisagem em estado de espírito: “o asfalto do sertão é uma cobra negra e rastejante”, “o calor sobe do chão como nuvem”, “cada lugar carrega o peso de quem passou por ele”. O Brasil que emerge dessas páginas é místico e distante do modo de vida tradicional. Nessa leitura, fazemos uma travessia ao lado de andarilhos que esperam e buscam a chamada Era de Aquarius.

"O Tardio" é o romance da busca e do desencontro: de um homem que chega sempre depois do tempo, como o irmão que nunca conheceu, como a era que nunca veio. Uma narrativa instigante, densa e profundamente brasileira, em que o passado e o presente se entrelaçam na estrada aberta de um país que ainda busca a sua própria liberdade. Compre o livro "O Tardio", de Maurício Melo Júnior, neste link.


Sobre o autor
Maurício Melo Júnior é escritor, jornalista, crítico literário e documentarista. Pernambucano radicado em Brasília, formou-se em Comunicação Social, com pós-graduação em Economia e Ciência Política. Atuou em alguns dos principais veículos de comunicação do país, como o Correio Braziliense. Há 25 anos apresenta o programa Leituras, na TV Senado, o primeiro dedicado à literatura brasileira. Assina resenhas literárias para o jornal Rascunho (Curitiba/PR) e é colaborador da revista literária Pernambuco (Companhia Editorial de Pernambuco. Recife/PE). Presidiu o Instituto Casa de Autores, de Brasília, além de ser membro da Associação Nacional dos Escritores. 

É também autor de romances, contos, crônicas e livros infantojuvenis, com destaque para "Não Me Empurre para os Perdidos" e "Sujeito Oculto". Ao todo, já escreveu 35 livros e "O Tardio" é seu quinto romance. É curador da FLIPIRI curador (Festa Literária de Pirenópolis – GO) e da Flipenedo - Festa Literária de Penedo (GO). Como documentarista, dirigiu mais de 20 filmes e escreveu para o teatro, com peças encenadas em diversas regiões do país. Garanta o seu exemplar de "O Tardio", escrito por Maurício Melo Júnior, neste link.

.: Luiz Felipe Pondé debate guerra e natureza humana em SP nesta quinta


Luiz Felipe Pondé recebe Fernando Schuler para um debate sobre guerra e natureza humana nesta quinta-feira, dia 16, em São Paulo. O filósofo lança o livro "Por que a guerra? Einstein pergunta, Freud responde, Pondé comenta", em evento gratuito, na Livraria das Perdizes


Nesta quinta-feira, dia 16 de julho, o filósofo Luiz Felipe Pondé lança "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta", em conversa com o cientista político Fernando Schuler, em São Paulo. Ambos debaterão sobre guerra, violência e natureza humana, a partir da histórica correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud. O diálogo entre dois dos maiores intelectuais do século 20, realizado nos anos 1930, discutiu as raízes psicológicas da agressividade, o papel das instituições políticas e os limites da civilização diante da barbárie. 

Esta edição brasileira, publicação da Amarilys Editora, apresenta uma nova tradução do texto original e inclui um prefácio crítico de Pondé, que examina a atualidade dessas ideias à luz dos conflitos do século 21. A sessão de autógrafos com coquetel e palestra acontece a partir das 19h00, com entrada franca, na Livraria das Perdizes, e deve encerrar às 21h30. Compre o livro "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta" neste link. Confira a agenda da livraria para julho:


Quinta-feira, dia 16 de julho 
19h00 às 21h30 - Lançamento de "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta"
Bate-papo com o filósofo Luiz Felipe Pondé e o cientista político Fernando Schuler sobre guerra, violência e natureza humana, a partir da histórica correspondência entre Albert Einstein e Sigmund Freud. O encontro discute a atualidade das reflexões dos dois pensadores diante dos conflitos contemporâneos. Compre o livro "Por que a Guerra? Einstein Pergunta, Freud Responde, Pondé Comenta" neste link.

Sábado, dia 18 de julho 
10h00 às 12h00 - Oficina Carta por Carta "Eu Também Já Fui Criança", com Mariana Ferrari
O encontro propõe uma experiência de escrita a partir da memória da infância. Por meio de exercícios corporais e literários, os participantes são convidados a resgatar lembranças, sensações e afetos para desenvolver uma narrativa mais sensível e criativa. 

14h00 às 16h00 - Aniversário de 1 ano de Sete Centímetros | Clube do Livro Café com Nat + Sentadas na Janela
Encontro especial em comemoração ao primeiro aniversário do romance Sete Centímetros, de Natália Marques. Ao lado da comunicadora Juliana Mazza, a autora conversa sobre os bastidores da escrita, luto, câncer, cuidados paliativos e a naturalidade da morte, temas centrais da obra que mistura autoficção e realismo mágico. 

Quinta-feira, dia 23 de julho 
19h00 às 21h00 – Lançamento dos livros Esquerda e direita, a fé na trincheira e "Manual do Comportamento Político dos Evangélicos" (2ª edição)
Os autores Gustavo Sanches e André Anéas promovem um diálogo sobre religião, política e democracia a partir de suas obras. O encontro propõe uma reflexão crítica sobre a relação entre fé e polarização política, discutindo o papel dos evangélicos no cenário brasileiro e incentivando uma participação cidadã mais consciente, plural e comprometida com o bem comum. 


Livraria das Perdizes

Rua Bartira, 317 - Perdizes / São Paulo
Entrada: franca - estacionamento no local

.: "Entre Lugares" reúne cinco artistas marcados por deslocamentos


Exposição "Entre Lugares" reúne cinco artistas com trajetórias atravessadas por deslocamentos, diásporas e intercâmbios culturais. Mostra apresenta obras de Gerson Fogaça, Alexis Iglesias, J. Pavel Herrera, Ivonne Ferrer e Bernardo Medina e poderá ser visitada no Instituto Cervantes de São Paulo entre os dias 14 de julho e 14 de agosto.Na imagem, o
bra do artista Bernardo Media


O Instituto Cervantes de São Paulo recebe, entre os dias 14 de julho e 14 de agosto, a exposição "Entre Lugares - Práticas Contemporâneas entre Brasil, Cuba e Porto Rico", reunindo obras de cinco artistas cujas trajetórias são marcadas por experiências de deslocamento, migração e intercâmbio cultural: Gerson Fogaça (Brasil), Alexis Iglesias e J. Pavel Herrera (Cuba, radicados no Brasil), Ivonne Ferrer (Cuba, residente em Miami) e Bernardo Medina (Porto Rico).

A mostra propõe uma reflexão sobre como os deslocamentos geográficos, afetivos e culturais se transformam em matéria de criação artística. Mais do que representar diferentes nacionalidades, os artistas compartilham experiências de mobilidade que atravessam fronteiras e influenciam suas pesquisas visuais, revelando novas formas de pertencimento, memória e construção da identidade. Cada obra apresenta uma perspectiva singular sobre essas experiências. Permanência, migração, adaptação e reinvenção aparecem em diferentes linguagens e materiais, evidenciando como as transformações pessoais dialogam com processos históricos e culturais mais amplos.

Brasil, Cuba e Porto Rico compartilham trajetórias marcadas pelos movimentos migratórios, pela mestiçagem e pelas intensas trocas culturais que moldaram a história do Caribe e da América Latina. Nesse percurso, Miami também ocupa papel central como espaço contemporâneo de encontro entre diferentes diásporas latino-americanas e caribenhas, onde identidades permanecem em constante transformação.

Essas relações constituem o eixo curatorial de "Entre Lugares", que reúne obras nas quais corpos, memórias, materiais e linguagens visuais revelam as marcas visíveis e invisíveis dos encontros entre culturas, territórios e vivências individuais. A exposição integra as iniciativas internacionais do Museum of Contemporary Art of the Americas (MoCA Américas), instituição dedicada à valorização de artistas de sua coleção e ao fortalecimento do intercâmbio cultural entre Brasil, Caribe e Estados Unidos.

Como parte desse programa, artistas vinculados ao museu participam de exposições, encontros e atividades em instituições brasileiras, enquanto artistas contemporâneos do Brasil são convidados a apresentar seus trabalhos em Miami, desenvolver ações educativas e estabelecer conexões com a comunidade artística local. Mais do que aproximar diferentes países, "Entre Lugares" propõe uma reflexão sobre a condição contemporânea de viver entre culturas. Em vez de construir uma narrativa única, a exposição assume a multiplicidade como princípio, apresentando cada obra como um ponto de conexão dentro de uma rede de experiências em permanente transformação, onde identidades se deslocam, se reinventam e se constroem continuamente por meio do encontro e da convivência.

Serviço
Exposição "Entre Lugares - Práticas Contemporâneas entre Brasil, Cuba e Porto Rico"
Instituto Cervantes de São Paulo - Unidade Paulista
Avenida Paulista, 2.439, térreo, próximo à Estação Consolação do Metrô - São Paulo/SP
Abertura: 14 de julho de 2026, às 19h00
Visitação: até 14 de agosto de 2026
Artistas: Gerson Fogaça, Alexis Iglesias, J. Pavel Herrera, Ivonne Ferrer e Bernardo Medina
Realização: Museum of Contemporary Art of the Americas – MoCA Américas

.: "Água Demais Mata a Planta", primeiro livro de poemas de Nanete Neves


Depois de uma longa trajetória na imprensa, e com mais de 20 anos de atuação no mercado editorial como autora, editora e comandando oficinas e cursos literários, Nanete Neves lança no sábado, 23 de maio, “Água Demais Mata a Planta”, o seu primeiro livro de poemas pela Lavra Editora.

Ora lírica, ora irada ou bem-humorada, a autora nos brinda com poemas curtos e contundentes que foram produzidos desde 2008 - quando ainda assinava como Laura Fuentes, sua versão mais sexy e desbocada -, depois quando foi assumindo seu próprio nome, até os mais recentes com temas atuais que a afetam, como as guerras, o feminicídio e as injustiças.

Alguns desses poemas já participaram de antologias, outros foram publicados no blog “Instintos da pele”, de Laura Fuentes (que atualmente consta como “escritora em manutenção”), vários foram postados nas redes sociais da autora e uns são inéditos. 

No texto de apresentação, Paula Valéria Andrade, a poeta, escritora, artista multimídia e idealizadora do projeto “Feminino Infinito” diz: “A poeta nasce dos sentidos das entranhas, visíveis na carne e imateriais, onde não habitam certezas, destinos ou coisas que assim o digam. Nasce, enfim cria musgos e raízes, e escreve de um lugar só dela, pedra e humus onde ali sim, habitam histórias, segredos, cenas, múltiplos sons e olhares retratados na palavra e na poesia, prosa poética, foto-poemas visuais e imagens, contornos de uma vida rica de sentidos, tocada e bem-humorada, dedilhada aqui, em versos intensos e compostos ali, de uma arquitetura da memória”.

Nanete Neves é autora do ebook paradidádico Transforme sua vida em livro (2020, Amazon Kindle); da novela De âmbar e trigo (Alink Editora, 2016); do livro de memórias-reportagem O Poeta e a foca (2015, agora disponível como livro físico e digital na Amazon/Kindle), em que conta como conseguiu a primeira entrevista de Drummond para a imprensa quando ainda era novata na carreira; Batendo ponto: uma colherada de humor na hora do cafezinho, ao lado de Nelson de Oliveira e Marcelino Freire (Novo Século, 2013), de mini e microcontos, e de Lavoura dourada (Évora, 2010). Participa de diversas antologias de contos no Brasil e em Portugal, entre elas, Um mar vivo de corações expostos, coletânea de crônicas (Lavra Editora, 2021).

terça-feira, 14 de julho de 2026

.: Bianca Bin e Sérgio Guizé estreiam "Meu Deus!" dia 24 no Teatro das Artes


Produção da Morente Forte para texto da dramaturga israelense Anat Gov tem figurino de Fábio Namatame, luz de Wagner Pinto e cenário de Rebeca Oliveira. Foto: Caio Oviedo
 
A química entre os atores, o texto na ponta da língua e o timming imprimido durante o ensaio deram mostras do que está por vir. Numa tarde de sol e frio, final de maio, em um casarão na Vila Leopoldina, o encontro organizado pela produção apresentou o espetáculo à equipe e revelou uma dinâmica deliciosa de parceria entre os dois artistas. Morando em Indaiatuba, no Interior de São Paulo, Bianca Bin e Sérgio Guizé tirava proveito do trajeto de carro até a Capital para decorar o texto da peça "Meu Deus!", com estreia no dia 24 de julho no Teatro das Artes para temporada até 1º de novembro.
 
O casal aproveitou um ao outro o tempo todo. “Eu venho dirigindo de lá pra cá; da marginal até aqui dá mais ou menos uma hora. Ele, com o texto no banco do passageiro; a gente vem batendo as falas. Dá para fazer uma passada completa no percurso”, conta ela. O casal dribla a rotina e transforma a estrada em laboratório de ensaio. Uma cumplicidade que transborda no palco e na vida real.
 
"Meu Deus!", da dramaturga israelense Anat Gov, tem adaptação de Jorge Schussheim, tradução de Eloísa Cantom, versão brasileira de Célia Regina Forte e direção de Elias Andreato, figurino de Fábio Namatame, iluminação de Wagner Pinto. Na trama, Deus (Sérgio Guizé), assolado pela depressão que o persegue nos últimos dois mil anos, decide fazer terapia e espera que a psicóloga Ana (Bianca Bin) o ajude. Um texto espirituoso, com diálogos ágeis e verdadeiros, mesmo que aparentemente improváveis. Plateias do mundo inteiro surpreendem-se, riem, compactuam, torcem e, finalmente, se emocionam com essa sessão de terapia.
 
Ana (Bianca Bin) é uma psicóloga que vive uma rotina marcada por tensões pessoais: ela é mãe solo de Paulo, um filho adulto com autismo, e lida diariamente com os desafios emocionais dessa relação. Certo dia, recebe um telefonema urgente e misterioso de alguém que insiste em se consultar com ela imediatamente. Esse paciente, que se identifica apenas como “D”, revela-se nada menos que Deus — o Criador (Sérgio Guizé). Ele está profundamente deprimido.
 
Sentindo-se responsável pela “criação” que, segundo Ele, fugiu ao controle, Deus admite pensar no suicídio, tomado pela desesperança diante da humanidade e de tudo aquilo que se tornou. Ana tem apenas uma sessão para ajudar Deus a ver sentido novamente, a encontrar forças para continuar enfrentando o mundo. A peça entrelaça humor, emoção e questionamentos teológicos e existenciais. A história, embora pareça fantasiosa, aproxima o espectador através do diálogo com temas universais: culpa, fé, responsabilidade, abandono, esperança.
 

Os ensaios e o diretor 
A experiência e o talento do diretor Elias Andreato foi salientada pelos atores, que se sentiram à vontade para construir suas personagens. “A confiança em nos deixar livres, seguros e confortáveis para irmos em frente, sem ficar parando para marcar ou dar ênfase a alguns sentimentos, foi muito importante”, afirma Sérgio.
 
Guizé ressalta a troca como fator importante durante a etapa de ensaios. “Sob o olhar atento e a direção precisa do Elias, o processo ganhou muita sensibilidade. E dividir a cena com a Bianca é um privilégio absoluto; ela é uma atriz genial e a minha maior parceira na vida e na arte". Bianca completa: “Ter um grande diretor por trás faz toda a diferença. Elias pontua e extrai o melhor que a gente tem pra dar. Recebe e aproveita o que apresentamos. Sou muito fã desse cara”, fala.
 
Sobre a ótima interação de Bianca e Sérgio em cena, Andreato aponta: “Independente do fato de vocês se amarem, o jogo na cena é muito difícil quando a química não rola. Eles são maravilhosos”. Bianca concorda que dar certo na relação amorosa não garante que o mesmo aconteça na interpretação. “Eu me divirto muito com ele, na vida e no palco. Nessa história também”.
 
Elias Andreato cita a importância de reconhecer o talento do outro e trabalhar para que ele floresça. “O prazer é mais relevante que o sucesso, acredita Elias, comentando que hoje o mundo vive em função do ego e o mais importante é a escolha que fazemos como artistas”.
 
Para Andreato, o humor ácido de Meu Deus exige dos atores um caminho verdadeiro, sem buscar a graça no jogo cênico. “A situação inusitada já é suficiente. Assim, poderemos equilibrar a comédia e a visão crítica que a autora desenhou em sua dramaturgia, tão bem escrita e inteligente, ao trazer Deus para a terapia em um quadro de depressão”.
 
Sobre sua direção, reflete como ele próprio aprendeu com esse olhar mais jovem sobre a dramaturgia de uma autora que fala sobre o momento político mundial, de uma transformação gritante. “Somos representantes de um gueto. A gente pode tocar alguém, divertir, levar à reflexão, fazer a comédia com alguma utilidade”.
 

Leveza e humor
O Deus de Sérgio Guizé é humanizado, deprimido e com um humor ácido. “Às vezes até meio agressivo. Ele está em crise, tentando digerir os rumos do mundo e as próprias escolhas que fez nos últimos dois mil anos". Sobre como usar a leveza e o humor do texto sem esvaziar a gravidade de um personagem que cogita o suicídio, Sérgio diz: “A inteligência do texto já nos dá esse equilíbrio. O humor aqui não serve para mascarar a tragédia, mas para torná-la suportável. A leveza é o que nos permite mergulhar em um tema tão denso sem perder o fôlego”.
 
Acostumado a papéis intensos e explosivos na TV e no cinema, o ator conta como fazer para humanizar um Deus frágil e deprimido sem cair na caricatura: “O desafio é encontrar o humor na dor e na verdade, sem ceder à tentação da piada fácil. O trunfo está em construir um personagem vulnerável com o qual o público consiga se identificar, e não apenas rir dele”.
 
Terapeuta brilhante, mãe solo, ateia, sobrevivente de um casamento falido e dos desafios de uma maternidade exaustiva - assim Bianca enxerga sua personagem. “Ela acredita profundamente na razão, na ciência e na escuta, até que surge o maior desafio de sua carreira: receber Deus como paciente em seu consultório”. A mistura de força e vulnerabilidade da Ana encanta a atriz. “É uma mulher que cuida de todos, mas que também carrega suas próprias feridas e questionamentos”.
 
Conhecida pelo público em geral pelas protagonistas dramáticas que tem interpretado nas novelas de TV, a atriz rompe com este estereótipo para viver uma mulher exausta, que representa a "resistência humana" e precisa encarar Deus no divã. “Para mim, a próxima personagem é sempre o maior desafio, justamente por representar o desconhecido. Existe sempre um mistério a ser desvendado, e isso é o que mais me instiga na profissão. A Ana me convida a mergulhar em questões humanas muito profundas, e isso é especialmente estimulante".
 

Por que montar "Meu Deus!" de Anat Gov 
Por mais fantasiosa que a história possa parecer à primeira vista, no decorrer da peça plateias do mundo inteiro acreditam nesse encontro inusitado. Elas se surpreendem, riem, se reconhecem, torcem e, por fim, se emocionam com essa sessão de terapia tão improvável quanto plausível.
 
A trama acontece em um único dia na vida da psicóloga Ana, interpretada por Bianca Bin, que recebe um misterioso telefonema de um homem em desespero - papel de Sergio Guizé - insistindo em marcar uma consulta naquele mesmo instante. Quando chega ao consultório, ele se apresenta como sendo... Deus. Um Deus profundamente deprimido com a situação do Paraíso que um dia criou.
 
Ana tem apenas uma sessão para convencê-lo do contrário - e talvez salvar o mundo. É nesse embate que se desenrola uma comédia inteligente, cheia de humor ácido, revelações surpreendentes e reflexões que nos fazem imaginar: como seria, afinal, encontrar-se com Deus?
 

A importância de tratar desse tema
 
Vivemos um tempo em que todos, de alguma forma, sentem-se um pouco “deuses” - donos da verdade, juízes da vida alheia, criadores de suas próprias regras. As redes sociais amplificam essa sensação: cada opinião parece absoluta, cada gesto ganha dimensão divina, cada indivíduo acredita ter o poder de decidir o certo e o errado.
 
Montar "Meu Deus!" é mergulhar justamente nessa contradição. Ao colocar o próprio Deus numa sessão de terapia, a peça humaniza o divino e nos lembra da fragilidade que compartilhamos. Questiona o poder absoluto, relativiza certezas e convida o público a rir e refletir sobre nossas arrogâncias cotidianas.
 
Falar desse tema é urgente porque mostra que, quando todos se sentem deuses, corremos o risco de perder a humildade, a escuta, a compaixão. E talvez seja justamente no reconhecimento da nossa vulnerabilidade que esteja a verdadeira grandeza humana. (texto de Elias Andreato)
A fúria de Deus e a fúria dos homens 
Desde a criação, a relação entre Deus e os homens é atravessada pela fúria. A fúria de um Deus decepcionado, que vê sua obra escapar do controle e mergulhar em guerras, injustiças e destruição. Um Deus que se pergunta se valeu a pena criar o mundo, e que, no limite da sua impotência, ameaça virar as costas para a humanidade.
 
Mas há também a fúria dos homens contra Deus. Homens que cobram respostas, que se revoltam diante do silêncio, que não compreendem a dor, a miséria, a desigualdade. Homens que ousam julgar o Criador, acusando-o de abandono ou crueldade. E, talvez ainda mais devastadora, está a fúria dos homens contra os próprios homens. A violência, o ódio, a indiferença cotidiana que revelam como nos tornamos deuses uns dos outros - prontos a punir, condenar, excluir.
 
Essa peça nasce desse conflito. Ao colocar Deus no divã, ela nos obriga a encarar nossa própria fúria refletida na fúria d’Ele. Rir desse encontro improvável é também rir de nós mesmos, e perceber que a salvação, se existe, talvez não esteja em um milagre divino, mas em nossa capacidade de escutar, perdoar e reinventar a convivência. (texto de Elias Andreato)

 
Ficha técnica
Espetáculo "Meu Deus!"
Texto Anat Gov.
Adaptação: Jorge Schussheim.
Tradução: Eloísa Canton.
Versão: Célia Regina Forte.
Direção Elias Andreato. 
Elenco Bianca Bin, Sérgio Guizé e D. Enzo Morente.
Cenário: Rebeca Oliveira.
Figurino: Fábio Namatame.
Iluminação: Wagner Pinto.
Música: original Jonatan Harold.
Designer gráfico: Vicka Suarez.
Fotos: Caio Oviedo.
Assistente de direção: Zé Guilherme Bueno.
Assessoria de imprensa: Fernanda Teixeira e Maurício Barreira – Arte Plural Comunicação.
Produtoras: Selma Morente e Célia Forte. 
Lei Rouanet: Patrocínio Laboratório Cristália.
Uma produção Morente Forte Produções Teatrais.
Realização: Ministério da Cultura, Governo do Brasil.


Serviço
Espetáculo "Meu Deus!"
De 24 de julho a 1.° de novembro. Teatro das Artes no Shopping Eldorado, em São Paulo. Sessões: sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00. Ingressos - de R$ 25,00 a R$ 160,00. Vendas Eventim. Gênero: comédia. Duração: 80 minutos. Classificação indicativa: 12 anos.

.: Angel Ferreira estreia o sucesso "Sidarta" em São Paulo no Teatro Estúdio


Criada ao longo de 5 anos, a peça é inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse e narra a jornada interna do protagonista em busca de si mesmo. Espetáculo comemora 2 anos em cartaz e chega, pela primeira vez, na capital paulista. Foto: Claudio Pitanga

A vida e a iluminação de Buda são o ponto de partida para a criação do solo "Sidarta", do ator e diretor Angel Ferreira, que celebra dois anos em cartaz com este trabalho. O espetáculo estreia em São Paulo no Teatro Estúdio, de 8 a 31 de agosto, com apresentações aos sábados e domingos, às 17h00, com sessões extras às segundas, 20h00.

A peça, ambientada na Índia no período de vida do Buda histórico, é livremente inspirada no livro homônimo de Hermann Hesse, vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, que narra, de forma ficcional, uma viagem que o próprio autor realizou em sua juventude, abarcando temas de valor existencial e mergulhos na ambiguidade entre os pólos sagrado-profano, sucesso-fracasso, prazer-privação, solidão-pertencimento.

Nesta história, Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte. 

Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e aprofundam sua subjetividade.

Sobre essa jornada interior em busca da essência,  Angel Ferreira comenta: “Quando a gente põe em perspectiva o nosso tempo de vida, a efemeridade de tudo, não faz sentido basear a vida numa busca distraída por sucesso, bens, poder. Gosto do conforto, e não sou um asceta, como os samanas da floresta que o Sidarta encontra. Se libertar do materialismo pra mim não é sobre abdicar e renunciar a vida material, ao mundo dos objetos e da relação com as coisas, pra mim é sobre aprender a brincar com elas, mas sem ficar obcecado, sem se viciar nesse jogo. Então, a peça me ensina a pensar e escolher quais hábitos me centram e me trazem calma. Como o trabalho é bastante físico, ele me convida a ter uma vida amorosamente disciplinada, com alongamento, fortalecimento, meditação - e se eu não faço eu me machuco em cena”.

Angel também destaca a relação da peça com temas atuais e urgentes, principalmente os ambientais. “Quando eu penso que nós vivemos num mundo em colapso climático, no qual o negacionismo encontra força justamente no fato de que deixamos de conviver com as árvores, os bichos, as águas limpas, fazer uma peça que conta a história de uma pessoa que encontra a paz se dedicando a ouvir a voz do rio, me encanta! Isso pra mim é urgente de ser trabalhado nas artes. Uma nova compreensão da centralidade da natureza nas nossas vidas”, acrescenta.

Preparado ao longo de cinco anos, o espetáculo narra a jornada do protagonista em busca de si mesmo, em uma apresentação que mescla narrador, personagens e ator a partir de uma montagem minimalista, com colaboração na direção de Beth Martins (Intrépida Trupe) e Renato Livera (Shell 2026 de Melhor Ator). Livera também é responsável pela iluminação da peça, ao lado de João Gioia, com quem foi indicado ao Prêmio Shell 2025 na categoria Iluminação.

“‘Sidarta’ é um desses projetos que te chamam para algo a mais do que a criatividade artística puramente dita. É um chamado também espiritual. Foi assim que recebi o convite do Angel Ferreira para estar junto. E como a espiritualidade está ligada a um movimento interno de conexão que vai para além de nós mesmos, entendemos que o resultado que tivemos com a iluminação seguiu o princípio desse sopro, dessa troca, da escuta e da generosidade. É uma luz muito simples, mas ela habita e dá lugar à imensidão da história contada. Isso foi reconhecido e resultou na indicação, a qual agradeço imensamente ao Angel, ao João Gioia e à Thatyane Calandrini. Sem esse coletivo inspirado e inspirador, nada disso teria acontecido”, comenta Livera.


Ficha técnica
Espetáculo "Sidarta"
Direção, adaptação e atuação: Angel Ferreira
Direção de produção: Marcela Casarin
Diretores colaboradores: Beth Martins e Renato Livera
Diretora assistente: Thatyane Calandrini
Interlocução dramatúrgica: Walter Daguerre
Iluminação: João Gioia e Renato Livera
Colaboração artística: Lavinia Bizzotto
Preparação em parateatro: João Maia P
Colaboração em movimento: Alexandre Maia
Fotografia: Philipp Lavra e Claudio Pitanga
Produção: Mãe Joana Produções
Agradecimentos: Felipe Habib, Nina Harper e Ricardo Cabral


Sinopse de "Sidarta"
Nesta história, acompanhamos Sidarta, inteligente filho de Brâmane, a deixar a casa dos pais. Seguido por seu melhor amigo, Govinda, ambos aderem aos samanas, vertente espiritual que busca a iluminação através da mortificação do corpo. Em seguida, desconfiado e desiludido com as doutrinas, Sidarta conhece o próprio Buda e dele também se afasta, determinado a encontrar seu próprio caminho ou a morte. Estabelece relação com uma cortesã da cidade, torna-se comerciante, embrenha-se no vício e no materialismo, para novamente deixar tudo para trás e retornar à simplicidade, junto a um barqueiro que se revela um mestre e amigo. Continuamente, encontramos ao longo do texto dramaturgias de aprisionamento e libertação, que descortinam suas ilusões e aprofundam sua subjetividade.


Serviço
Espetáculo "Sidarta", com Angel Ferreira
Temporada: 8 a 31 de agosto de 2026
Sábados e domingos, às 17h00. Segundas, às 20h00
Teatro Estúdio - R. Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos
Ingressos: R$ 100 (inteira) e R$ 50 (meia-entrada)
Bilheteria: segunda a sábado, a partir das 17h00; e aos domingos, a partir das 15h00
Serviço de Vallet com Estacionamento no local (a partir de 1h30 antes do início do espetáculo).
Duração: 120 minutos
Capacidade: 112 lugares
Classificação: 18 anos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida
Não é permitida a entrada após o início do espetáculo. 

.: Musical brasileiro transforma clássico de Shakespeare em festa junina


Livremente inspirado em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, espetáculo ambientado nas festas juninas celebra a cultura brasileira ao misturar romance, comédia e fantasia. Foto: 
João Pedro Hachiya

Em uma vila tomada pelo céu estrelado e pela magia das festas juninas, nasce uma história de amor que vai conquistar o seu coração. Com direção de Thereza Falcão, que assina o texto com Mariana Mesquita, “Festa no Arraial, O Musical” estreia no Teatro Sabesp Frei Caneca, no Shopping Frei Caneca, na Consolação, temporada de 24 de julho a 16 de agosto, com sessões de sexta a domingo em diferentes horários. No palco, um grande elenco com Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati, Bernardo Mesquita, Erika Affonso, Danilo Dal Farra, Sofie Orleans, Rafa Canedo, Júlia Perré, Nestor Fonseca, Caio Padilha, Benji Iuler, Jude Fontenelle e Mariana Braga.

Livremente inspirado em “Sonho de Uma Noite de Verão”, de William Shakespeare, o espetáculo transporta para o universo das festas juninas uma trama envolvente sobre desejos, escolhas e os caminhos inesperados do amor. Vibrante, emocionante e divertido, mistura romance, comédia e fantasia para celebrar a cultura brasileira em uma experiência única para toda a família. "Festa no Arraial é um convite para que o público volte a acreditar na força dos encontros, dos sonhos e do amor. É uma história que celebra nossas raízes, nossa cultura e tudo aquilo que faz o coração bater mais forte. Queremos que cada pessoa saia do teatro com a sensação de ter vivido uma noite mágica", conta Thereza Falcão, diretora e autora do espetáculo.

O elenco, formado por 14 atores, cantores e instrumentistas, dão vida a personagens apaixonantes em uma história cheia de reviravoltas, encontros e desencontros, na qual o amor precisa enfrentar tradições, interesses e até forças encantadas da natureza. Com músicas que vão fazer você se divertir, se emocionar e cantar junto do início ao fim, o espetáculo convida o público a mergulhar em um universo onde o amor é desafiado, os sonhos ganham voz e a magia pode transformar destinos.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e criaturas encantadas da mata, “Festa no Arraial” nos lembra que o amor verdadeiro não se impõe, e sim floresce. Um musical inédito, brasileiro e feito para emocionar todas as idades. Venha se apaixonar, se divertir e celebrar. Porque nessa festa, o coração também entra na dança. Apresentado pelo Ministério da Cultura e Brasilprev, com patrocínio do Laboratório Cristália, produção e marketing da Inova Brand e realização da Everybody Entretenimento, Ministério da Cultura e Governo do Brasil.

"Patrocinar um musical original e autoral como 'Festa no Arraial' reafirma nosso compromisso com a cultura nacional e a valorização de histórias que conectam gerações. Celebrar tradições como as festas juninas e suas múltiplas expressões, em um espetáculo que reúne música, dramaturgia e elementos da arte popular brasileira, é um estímulo para que mais pessoas vivenciem essa experiência e um meio de democratizar o acesso cultural", diz Laura Beltran, gerente de Comunicação da Brasilprev.


Sinopse de “Festa no Arraial, O Musical”
Em uma pequena vila nordestina, tomada pela magia das festas juninas, na noite mais brilhante do ano, quando o céu se ilumina para celebrar, nasce uma história de amor guiada pelas forças da natureza encantada. Hérmia e Lisandro são dois jovens apaixonados que sonham em se casar durante a grande noite do arraial. Mas, quando algo inesperado surge em seus caminhos, seus planos tomam rumos imprevisíveis, o amor dos dois é colocado à prova e o destino de todos ao seu redor começa a se transformar.

Entre fogueiras acesas, quadrilhas animadas e canções que embalam a festa, a trama ganha novos contornos quando a floresta revela seus mistérios e o mundo dos encantados atravessa o caminho dos personagens. Em meio a encontros e desencontros, cada um será levado a entender o que realmente significa amar. Livremente inspirado em Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare, “Festa no Arraial, O Musical” é um espetáculo vibrante, emocionante e divertido, que mistura romance, comédia e fantasia em uma grande celebração da cultura brasileira, para toda a família.

Ficha técnica
“Festa no Arraial, O Musical”
Texto: Thereza Falcão e Mariana Mesquita
Direção: Thereza Falcão
Idealização e produção geral: Sérgio Lopes
Elenco: Claudia Ohana, Lorena Tucci, Cadu Libonati, Bernardo Mesquita, Erika Affonso, Danilo Dal Farra, Sofie Orleans, Rafa Canedo, Júlia Perré, Nestor Fonseca, Caio Padilha, Benji Iuler, Jude Fontenelle e Mariana Braga
Marketing e comercial: Mauricio Tavares
Direção musical: Marcelo Alonso Neves
Pesquisa musical: Rodrigo Faour
Cenários e figurinos: Mauro Leite
Coreografias: Renato Vieira
Iluminação: Adriana Ortiz
Produção de elenco: Felipe Ventura
Assistente de direção: Luiz Fernando Bruno
Direção de produção: Filomena Mancuzo
Produção executiva: Neco Fx
Assessoria de imprensa: Carlos Pinho
Produção e marketing: Inova Brand
Realização: Everybody Entretenimento, Ministério da Cultura e Governo do Brasil


Serviço
“Festa no Arraial, O Musical”

Teatro Sabesp Frei Caneca - Shopping Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569, Consolação / São Paulo
Temporada São Paulo: de 24 de julho a 16 de agosto de 2026

Sessões
Sextas-feiras, às 20h00: dias 24 e 31 de julho; 7 e 14 de agosto.
Sábados, às 17h00: 1°, 8 e 15 de agosto.
Sábados, às 20h00: dias 25 de julho, 8 e 15 de agosto.
Domingos, às 18h00: dia 2, 9 e 16 de agosto.
Domingo, às 19h00: dia 26 de julho


Ingressos
Bilheteria do Teatro Sabesp Frei Caneca e no site https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/festa-no-arraial-o-musical-16282

Valores
Plateia I: R$ 150,00 (inteira) / R$ 75,00 (meia-entrada)
Plateia II: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada)
Plateia Superior: R$ 80,00 (inteira) / R$ 40,00 (meia-entrada)

Ingresso Solidário:
50% de desconto mediante a doação de 1kg de alimento não perecível
Classificação: livre
Duração: 90 minutos
Rede social: @festanoarraial

.: Estreia "Antes Que Seja Tarde" da obra de Carpinejar com Vânia Brito


Consagrado pelo público carioca e destacado pela Veja Rio como um dos melhores monólogos em cartaz em 2026, o espetáculo protagonizado pela atriz Vânia de Brito — inspirado na obra "Cuide dos Pais Antes que Seja Tarde", de Fabrício Carpinejar — emociona o público com uma delicada reflexão sobre a memória, os laços familiares e o afeto. Foto: Guga Melgar

Após três temporadas no Rio de Janeiro e apresentações em Niterói, Belo Horizonte e São José dos Campos, o monólogo "Antes Que Seja Tarde", inspirado na obra de Fabrício Carpinejar, chega a São Paulo para temporada de 8 a 30 de agosto, sempre aos sábados e domingos, na Sala Gil Vicente do recém-reinaugurado Teatro Ruth Escobar. Estrelado por Vânia de Brito, com direção de Delson Antunes e da própria atriz, e adaptação dramatúrgica de Antonio Januzelli e Rodolfo Amorim, o espetáculo vem construindo, desde sua estreia em 2023, uma trajetória marcada pela forte identificação do público com sua delicada reflexão sobre memória, família e afetos.

Publicado em 2018 e considerado um dos maiores sucessos editoriais do escritor gaúcho, Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde parte da relação do autor com seus próprios pais para refletir sobre um tema universal: a dificuldade de cuidar de quem passou a vida cuidando de nós. Em uma sequência de crônicas, o autor aborda a inversão dos papéis entre pais e filhos, convidando o leitor a repensar a presença, o afeto e o tempo compartilhado antes que a ausência transforme o amor em saudade. 

Livremente adaptado, o monólogo acompanha uma mulher que revisita episódios da infância e da vida adulta, dando voz a personagens, lembranças e situações que atravessam diferentes fases da existência. Entre humor, emoção e poesia, a narrativa constrói um retrato sensível das relações familiares e do modo como o tempo transforma a nossa percepção do mundo. 

A produção marcou o retorno de Vânia de Brito aos palcos em 2023, após 16 anos afastada do teatro. Desde então, a atriz percorreu diferentes cidades brasileiras com o espetáculo, consolidando um trabalho construído de forma independente e sustentado pela permanência em cartaz e pela resposta do público ao longo de sucessivas temporadas. A encenação aposta na simplicidade como principal recurso dramático. O cenário de José Dias, a iluminação de Aurélio de Simoni e a trilha sonora original de Beatriz Parisi Pinheiro criam uma atmosfera intimista, na qual a palavra e a interpretação assumem o protagonismo. "O livro me pegou pelo coração. Foi ele que me fez voltar aos palcos. Essa história fala sobre a urgência da vida e do amor que tantas vezes deixamos para depois", afirma a atriz e produtora. 

Ao longo de sua circulação, "Antes Que Seja Tarde" transformou cada apresentação em um espaço de encontro entre palco e plateia. Não são raros os espectadores que permanecem no teatro após as sessões para compartilhar histórias despertadas pela narrativa - um reflexo da capacidade do universo literário de Fabrício Carpinejar de tocar experiências comuns e estabelecer conexões que permanecem muito além do encerramento da sessão. “Em tempo de relações cada vez mais apressadas, o espetáculo nos lembra que o amor nunca chega cedo demais - mas pode chegar tarde”, reflete Vânia.


Ficha técnica
Espetáculo "Antes Que Seja Tarde"
Baseado na obra "Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde", de Fabrício Carpinejar
Direção: Delson Antunes e Vânia de Brito
Adaptação: Antonio Januzelli e Rodolfo Amorim
Elenco: Vânia de Brito
Cenário: José Dias
Figurino: Vânia de Brito
Iluminação: Aurélio di Simoni
Trilha sonora original: Beatriz Parisi Pinheiro

 
Serviço
Espetáculo "Antes Que Seja Tarde"
Baseado na obra "Cuide dos Pais Antes Que Seja Tarde", de Fabrício Carpinejar
Direção: Delson Antunes e Vânia de Brito
Adaptação: Antonio Januzelli e Rodolfo Amorim
Elenco: Vânia de Brito
Duração: 60 minutos.
Recomendação: 8 anos.
Gênero: drama.
Temporada: de 8 a 30 de agosto, sábados e domingos, às 20h30.
Ingressos: a partir de R$ 60,00
Bilheteria: de terça a domingo a partir das 14h
Teatro Ruth Escobar – Sala Gil Vicente (320 lugares)
Rua dos Ingleses, 209 - Morro dos Ingleses
Telefone (11) 3289.2358
Acessibilidade, cafeteria e valet

.: Beto Matos estará na Flip em debate sobre fragmentação do tempo


Evento na Casa Urutau durante a FLIP discutirá memória, aceleração e as novas formas de narrar o presente

A literatura contemporânea e os desafios de representar um mundo marcado pela fragmentação estarão no centro da participação do escritor e ator Roberto Basílio de Matos na 4ª edição da Casa Urutau, espaço integrante da programação paralela da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). No dia 25 de julho, sábado, às 16h00, o autor participa da mesa "Este Velho Mundo Novo (e Louco): O Tempo do Fragmento", ao lado de Leonardo Mourão Carrara e Zeh Gustavo, em um encontro dedicado a refletir sobre como a literatura responde às experiências do presente por meio da memória, do tempo e das narrativas fragmentadas.

O convite reforça o momento vivido por Roberto Basílio de Matos com o romance ** Longitude 33º Oeste **, publicado pela Editora Urutau. A obra transporta o leitor para o isolamento do Atol das Rocas, onde acompanha a luta de uma família para sobreviver em meio à escassez, ao silêncio e à força da natureza, transformando esse cenário em uma reflexão sobre pertencimento, resistência e a própria condição humana.

A construção narrativa do romance dialoga diretamente com o tema da mesa da Flip. Com estrutura fragmentada e múltiplos pontos de vista, Longitude 33º Oeste apresenta diferentes perspectivas de seus personagens para revelar como memória, tempo e experiência moldam a percepção humana. O autor, com experiência como ator e dramaturgo, utiliza a locução em seu processo de escrita, dando particular importância ao ritmo e sonoridade do texto. A obra combina lirismo, oralidade e regionalismo em uma narrativa que rompe a linearidade para aproximar o leitor das inquietações de cada integrante da família retratada.

"A fragmentação não é apenas uma escolha estética. Ela traduz a forma como vivemos, lembramos e compreendemos o mundo. A literatura precisa encontrar novas maneiras de narrar essa experiência contemporânea sem perder sua capacidade de provocar reflexão", afirma Roberto Basílio de Matos. Ao mesmo tempo em que mergulha em um território geograficamente isolado, o romance amplia sua discussão para temas universais como solidão, deslocamento, memória e sobrevivência. "Somos seres sociais, não isolados. O livro aborda essa fragilidade do humano perante o outro e a si mesmo, quando os laços externos são cortados. Que mundo queremos para nós, quando destruímos aquilo que nos mantém vivos?", destaca o autor.

A participação na Casa Urutau consolida a presença de Roberto Basílio de Matos entre os autores que discutem os caminhos da literatura brasileira contemporânea durante a FLIP. Ao levar Longitude 33º Oeste para um dos principais encontros literários do país, o escritor amplia o debate sobre as novas formas de narrar o presente e reafirma a literatura como espaço de reflexão sobre as transformações do mundo e da experiência humana.

 
Sobre o autor
Roberto Basílio de Matos (Beto Matos) acumula uma trajetória premiada nas artes. Cofundador da Cia. De teatro Phila7 e vencedor do Prêmio Funarte de Dramaturgia em 2005, já publicou Guarda-chuva? Guarda-chuva!  (Prêmio Lusofonias em Portugal) e Nosso diário (2019). Em "LONGITUDE 33° Oeste", ele une seu olhar biológico sobre a natureza e sua experiência dramática para construir uma narrativa sensível sobre a condição humana.


Serviço
Mesa: "Este Velho Mundo Novo (e Louco): O Tempo do Fragmento"
Sábado, dia 25 de julho, às 16h00
Casa Urutau – Flip 2026
Participantes: Roberto Basílio de Matos, Leonardo Mourão Carrara e Zeh Gustavo
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