sexta-feira, 6 de março de 2026

.: Crítica: "A Noiva!" é saboroso delírio em thriller gótico feminista efervescente

 "A Noiva!" está em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em março de 2026


Transbordando energia, "A Noiva!", entrega puro caos numa história de amor monstruosa, para a criatura famosa internacionalmente, da escritora britânica Mary Shelley. O longa dirigido por Maggie Gyllenhaal, reúne na telona Cineflix Cinemas o saboroso talento de Jessie Buckley (A Noiva) e Christian Bale (Frankenstein) e o que se vê é puro deleite. As atuações memoráveis são o brilho do longa com cenas soturnas que remetem aos filmes de criminosos e vampiros, flertando com grandes filmes como "Inimigos Públicos", "Sin City", "Entrevista com o Vampiro", "30 Dias de Noite" e "Anjos da Noite".

É indiscutível que Jessie Buckley ("Hamnet: a Vida Antes de Hamlet") e Christian Bale ("Batman Begins", "Trapaça", "Vice"), numa química contagiante de um Bonnie & Clyde mesclados com terror, são o coração da produção intensa e repleta de ironia. No entanto, o longa vai além entregando uma protagonista autônoma, elétrica, anárquica, ainda que romântica, estampando com afinco a luta feminina contra o machismo. Mesmo que a história dela ao lado de Frankenstein volte a Adão e Eva. Sim! Ele estava sozinho e procurou o cientista pioneiro Dr. Euphronious (Annette Bening, de "Beleza Americana", "Meu Querido Presidente") para ter uma companheira.

Assim, Frankie vive aventuras com uma jovem ressuscitada. Os elementos literários e cinematográficos também enriquecem a produção, não pelo fato de a protagonista ter Mary (a própria Mary Shelley, escritora) como a voz da consciência, mas por fazer diversas referências, como por exemplo, instigar que a atriz favorita dela era a atriz e cantora alemã, Marlene Dietrich ("O Anjo Azul", "Julgamento em Nuremberg", "Testemunha de Acusação").

"A Noiva!" ainda presta uma linda homenagem ao cinema quando coloca Frankie como um grande consumidor de tal arte e fã do astro de musicais de Hollywood, Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal, de "Zodíaco", "O Segredo de Brokeback Mountain", "Donnie Darko"). Como obra do destino, enquanto segue num alucinante circuito cinematográfico com a companheira, esbarra com o ator numa festa e o resultado é uma cena memorável que começa numa declaração de admiração confusa de um fã, passa por uma sequência icônica de dança e termina com tiros e muita correria. 

Em tempo, ver Jake Gyllenhaal e Christian Bale frente a frente, torna a sequência ainda mais emblemática, tendo em vista que o irmão da diretora também foi um dos finalistas para interpretar o papel de Bruce Wayne em "Batman Begins" (2005), mas perdeu a disputa para Christian Bale, que estrelou a trilogia de Christopher Nolan. 

Diante de tamanha ebulição de emoções estourando a cada cena, há ainda o toque apimentado do puro suco do caos ofertado pela protagonista. No efervescente thriller gótico feminista "A Noiva!" há ainda espaço para outra mulher ganhar destaque: Myrna Mallow (Penélope Cruz, de "Vanilla Sky", "Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas"), a grande mente que trabalha com o detetive Jake Willes (Peter Sarsgaard, de "A Órfã", "Plano de Voo"). 

Considerando ainda que quem proporcionou a ressurreição da protagonista foi uma mulher (não um homem), fica inevitável afirmar que o longa punk é feminista. Todavia, o filme é totalmente libertário passando longe de estereótipos. Com uma fotografia de "absolute cinema" e figurinos impecáveis, o empolgante "A Noiva!" é um filmaço para se ver e rever. Imperdível!


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


"A Noiva!"(The Bride!). Gênero: terror, ficção científica. Direção e roteiro: Maggie Gyllenhaal. Duração: 127 minutos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Jessie Buckley como A Noiva, Christian Bale como Frankenstein, Penélope Cruz, Annette Bening, Peter Sarsgaard. Sinopse: Na Chicago da década de 1930, um Frankenstein solitário busca a ajuda da Dra. Euphronia para criar uma companheira para si. Eles revivem uma jovem assassinada, dando origem à Noiva. No entanto, ela transcende as intenções de seus criadores, desenvolvendo uma identidade própria e desencadeando um romance fervoroso e mudanças sociais radicais.

Trailer de "A Noiva!"



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.: “Cotidiano” de Andre Pivetti participa da Expo Arte SP


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O artista visual carioca André Pivetti participa da próxima edição da Expo Arte SP, que acontece nos dias 28 e 29 de março de 2026, no Solar Fábio Prado, em São Paulo. A feira, reconhecida por valorizar artistas independentes e promover o acesso à arte contemporânea, chega à sua 45ª edição reunindo criadores de diferentes linguagens em um espaço de conexão direta com o público e o mercado.

Para a ocasião, Pivetti apresenta a coleção completa “Cotidiano”, composta por obras em acrílica sobre canvas. Com forte presença gestual, traço urbano e construção simbólica marcante, as peças possuem tiragem limitada a dez unidades cada, reforçando o caráter autoral e colecionável do conjunto.

A série “Cotidiano” investiga o caos urbano e as transformações emocionais provocadas pela vida nas grandes cidades. Pressões sociais, conflitos internos, vícios emocionais e a constante adaptação ao ritmo acelerado da vida contemporânea atravessam as narrativas visuais das obras, que convidam o público à identificação e ao reconhecimento de experiências universais.

O artista destaca que o público encontrará um espaço expositivo autêntico, com linguagem direta e múltiplas camadas de interpretação. “Minhas obras carregam significados claros, mas também permitem diferentes leituras. A principal sensação que desejo provocar é identificação. Todos, em algum momento, já se sentiram pressionados, sobrecarregados ou em conflito interno. Essa conexão emocional cria um diálogo imediato entre a obra e o espectador”, completa.

.: “Novos Tempos” de Claudia Amorim: novo álbum e show


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O amor como antídoto e último artifício em meio ao caos. Um alerta para que o sentimento ocupe maior espaço em nossas vidas. Esse é o ponto de partida de “Novos Tempos”, quarto álbum da cantora Claudia Amorim, que conta com composições de hico Buarque, Ilessi, Thiago Amud, Cacau da Bahia, Beto Guedes, entre outros.

Com arranjos feitos por Bruno Danton e Aline Gonçalves, dois jovens e premiados músicos), O show de lançamento de "Novos Tempos" conta com a direção musical de Roberto Kauffmann, responsável pela adaptação dos arranjos do disco para o palco. A cantora, sempre que possível, procura compor a banda com instrumentistas mulheres, para reforçar e amplificar a atuação feminina no cenário musical.

O disco "Novos Tempos" traz à tona a reflexão sobre a humanidade diante de tantas questões climáticas, sociais e guerras. “Diante da possibilidade do fim, o que nos resta fazer? O que sobrevive depois que tudo acaba? Que sentimento fica?” - indaga a cantora. Esse novo trabalho acredita que o sentimento do amor pela família, arte, artistas, companheiros e companheiras, natureza e por fim o planeta é o que rege o ser humano em momentos de desespero e também de reconstrução. O projeto gráfico do álbum resume este conceito de devastação, mas com a firmeza da reconstrução (representada por uma flor de algodão) ao lado do sofrimento e das perdas (representadas por um coração sangrando).

A voz de Claudia Amorim é doce e suave, assim como suas interpretações. O clima de paz, tão necessário nesses conturbados tempos atuais, predomina nos arranjos que são executados por músicos, sem usar recursos de IA ou de computadores.Isso proporcionou um resultado final bem interessante no plano musical. Destaco as faixas "Musa Música", "Prá Onde Foi o Amor" e "Sal da Terra", essa última com um arranjo mais denso do que a versão original com Beto Guedes.

Intérprete com repertório diverso, Claudia Amorim é uma das pioneiras da música independente no Brasil e tem mais de 25 anos de estrada. Possui quatro álbuns lançados, sendo o disco “Sede” pré-selecionado ao Prêmio da Música Brasileira em 2013 e com menção honrosa como um dos 100 melhores álbuns do ano. E nesse novo trabalho ela confirma a sua vocação para produzir música com qualidade e bom gosto. Espero que continue lançando novos discos e se apresentando ao vivo. Os ouvintes da boa música irão agradecer de bom grado.

"Musa Música"

 "
Pra Onde Foi o Amor"

"Sal da Terra"

.: #VivoLendo: "Canto do Alaúde", de Rosani Abou Adal


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Não teve tempo de salvar a boneca, de dizer adeus aos pais.

A crueldade avassaladora movida e arquitetada pela supremacia bélica sionista sobre populações árabes civis indefesas, inclusive crianças, ressoa, grita e nos abala nas páginas de “Canto do Alaúde” de Rosani Abou Adal (Edição da Autora sob o selo Linguagem Viva). A arma da poética da indignação é manuseada pela autora com imenso pesar, um versejar pungente e, ao mesmo tempo, de denúncia e alerta contra a aflição que envolve um cotidiano repleto de sofrimentos, perdas e escombros. A sonoridade plangente do instrumento musical milenar ecoa através das cenas retratadas em cada verso. O pesadelo que se abate diariamente com mísseis, tanques e drones, vem escancarar de maneira cruel e insensível a tragédia humanitária que se abate sobre os indefesos habitantes das áreas ocupadas.

A guerra em balbúrdia, navalha que dilacera.

Utilizando uma linguagem crua e direta, Rosani absorve, reflete e expõe a ausência de futuro infantil imediato, os pesadelos e horrores do dia a dia, a falta de perspectiva alimentar e de moradia para uma imensa quantidade de famílias destroçadas e de um séquito de órfãos atônitos e desamparados. Notamos que o livro torna-se atemporal, enquanto manifesto pacifista, ético e humanista. Uma poética consciente, consistente e sobretudo combatente contra os desvios perpetrados pelo autoritarismo militarista que campeia e nos ameaça neste início de milênio.

Dormir acordado entre os destroços, sem sonhos.

O prefácio de Ronaldo Cagiano intitulado “Uma poética aguerrida num cântico de intervenção” avaliza todo o teor de coerência e combatividade em que Rosani Abou Adal maneja sua adaga fonética, e ainda, emoldurado pela capa e ilustrações de Janaina Adal da Costa Millan temos em mãos um livro contundente a refletir o trágico e dramático quadro das relações de prepotência militar e de desigualdade entre os povos.

quinta-feira, 5 de março de 2026

.: Crítica: "Cara de Um, Focinho De Outro" une avó e neta pela natureza

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em março de 2026


Uma animação cativante que revela a forte essência Disney de seus tempos áureos focando nos laços da relação familiar e a necessidade de preservação da natureza. "Cara de Um, Focinho De Outro" apresenta a garotinha Mabel, muito raivosa até que passa a conviver com a avó em um espaço natural de encher os olhos e acalmar qualquer estressado.

A produção da Pixar Animation Studios, dirigida e escrita por Daniel Chong, remete a clássica animação "Pocahontas", quando avó e neta interagem, criando forte conexão entre ambas tendo a força da natureza. O carinho com os avós em idade avançada também estabelece uma conexão com o belo "Viva! A Vida é uma Festa" (neste, neto e avó). "Cara de Um, Focinho De Outro" ainda lembra de outra animação um pouco mais recente, "Operação Big Hero" quando caminha pela tecnologia e, inclusive, tem como cenário um laboratório de experimentos, mas é definitivamente uma nova e única história. 

Com personalidade forte e determinada, como as protagonistas de "Mulan" e "Valente", Mabel ainda garotinha é apresentada em fuga após resgatar animais mantidos em gaiolas na escola. Ao aprender com a avó a importância da biodiversidade em um espaço natural perto de casa, ela cresce amando os animais e a natureza. Na tentativa de proteger os animais que habitam o espaço que sempre lhe deu paz, vive em pé de guerra com o prefeito Jerry.

Assim, o anti-animal age de modo selvagem devastando a região, mesmo que afete as áreas naturais da cidade. Na tentativa de conter o homem, Mabel descobre uma grande inovação tecnológica de "salto", ainda em teste, pela professora e cientista, a Dra. Sam. O grande feito é o de transferir a consciência de um humano para um castor robótico, explorando o equilíbrio entre natureza e tecnologia com humor e consciência ambiental. 

Impulsiva, Mabel faz uso da tecnologia a seu modo e gera um caos, levando até mesmo o seu adversário de ideias, o prefeito Jerry, a fazer o mesmo. Contudo, a maior surpresa vem da própria natureza, mais precisamente de uma pupa. Refletindo sobre empatia e coexistência, a animação é puro deleite, mesmo misturando política urbana com preservação ambiental, pois até os embates acontecem com uma pitada de graça. 

Sem apresentação de um curta-metragem antes do início, "Cara de Um, Focinho De Outro" faz valer esperar os créditos, com a exibição de cenas, uma no meio e outra após rolarem todos os nomes envolvidos na produção. Imperdível e para assistir com toda a família!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN

"Cara de Um, Focinho De Outro"(Hoppers). Gênero: Animação. Direção e roteiro: Daniel Chong. Duração: Aprox. 106 minutos. Distribuição: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures. Vozes: Piper Curda (Mabel), Jon Hamm (Prefeito Jerry). Sinopse: A história acompanha Mabel, uma amante dos animais que utiliza uma tecnologia revolucionária para transferir sua mente para um castor robô hiper-realista. Ao se infiltrar no mundo animal, ela descobre mistérios inimagináveis e precisa agir contra os planos de Jerry, um prefeito hostil aos seres não humanos.


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.: Crítica: "A História do Som" é história de amor na primeira guerra mundial

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em março de 2026


A história de amor de Lionel (Paul Mescal, de "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" e "Todos Nós Desconhecidos") e David (Josh O'Connor, de "Rivais") costura o sensível e intenso longa "A História do Som". O drama romântico sutil, melancólico e com fotografia deslumbrante ambientado durante a primeira guerra mundial, apresenta o primeiro encontro de Lionel e David já proporcionado pela música. Numa paixão fulminante, ambos se entregam e tentam aproximação usando a preservação da música folk americana.

Após um afastamento, os dois voltam a ficar juntos quando partem em viagem pelos Estados Unidos , mesmo em guerra, gravar as vidas e as vozes de seus compatriotas. Assim, a música não é somente o pano de fundo da narrativa, mas um gesto de preservação das emoções humanas, colocando o cancioneiro no posto de verdadeiro protagonista do longa dirigido por Oliver Hermanus ("Beleza", "O Rio Sem Fim")

Tal qual a postura da época, o reflexo é impresso na telona em ações e reações educadas demais entre David e Lionel, sem explorar a paixão dos personagens de forma mais vibrante. De fato, além de se apoiar na atuação impecável de Mescal e O'Connor, há sustentação e fortalecimento da trama de "A História do Som" para a conclusão surpreendente da história de amor dos dois. Assim como "O Segredo de Brokeback Mountain", escrito por Annie Proulx, o texto original vem de um conto, de Ben Shattuck. Filmaço imperdível!


Em parceria com a Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm

"A História do Som"(The History of Sound, 2025). Gênero: Drama, Romance, Histórico, Musical. Direção: Oliver Hermanus. Duração: Aprox. 2h08. Distribuição: Universal Pictures Brasil. Elenco Principal: Paul Mescal (Lionel), Josh O'Connor (David). Sinopse: Ambientado em 1917, dois homens se conhecem no Conservatório de Boston e iniciam uma jornada para registrar vozes e músicas tradicionais de americanos durante a Primeira Guerra, apaixonando-se no processo. O filme é baseado no conto de Ben Shattuck.

.: Manual Crônico, de Thiago Sobral: Era pra ser um filme... mas não é


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", a ser publicado pela Editora Patuá.


Era pra ser uma emoção de cinema a cada míssil lançado sobre o inimigo. Uma iluminação fraca; paleta de cores em tons terrosos - marrom, cinza e verde-musgo - pra parecer sujo, desgastado e caótico. Era pra deixar os músculos tensos, os olhos arregalados, a mandíbula cerrada e a respiração suspensa. Contemplar aviões em voos rasantes sobre cidades semidestruídas, com antigos belos prédios virando escombros, o que excita a mente do telespectador.

Era pra ter soldados com cara de herói enfrentando inimigos maldosos que queriam destruir a humanidade, mas foram barrados pela “Nação boazinha”. Isso nos causaria orgulho, mesmo que a tal “Nação boazinha” não fosse a nossa, afinal, no fundo, sempre desejamos imitá-la.

Era pra ser emocionante ver metralhadoras cuspindo fogo e acertando balas em homens com feições diferentes, a cara da maldade. Seus rostos seriam focados, ocupariam, em primeiro plano, toda a tela e arrancariam sorrisos de satisfação do público logo que visse um corpo inimigo tombando.

Era pra ser um exército inimigo causando repugnância nos olhos atentos de quem foi à pré-estreia. Todos teriam comprado seus ingressos antecipadamente, ansiosos por ver o monstro fundamentalista ser combatido pela “Nação dos sonhos”.

Era pra ver os inimigos opressores serem derrotados pela nação imperialista. Assim, os ânimos do mundo se acalmariam e, no final da sessão, todos aplaudiriam, porque, apesar do saldo de mortes, teríamos mais uma guerra pra preencher as páginas dos livros de história e inspirar cineastas.

Era pra ser um grupo extremista sendo exterminado, porque no mundo não há espaço pra fundamentalistas opressores. Diante deles, o povo que cruzou o deserto no passado teria o direito de matar e destruir e assim livrar os vizinhos de uma opressão. Os streamings liberariam a película de graça, na faixa – porque é justamente na Faixa que o sangue molha o chão – e, sim, há quem goste disso.

Era pra tudo isso repercutir nas redes sociais o sucesso que foi tal produção. Um campo aberto aos experimentos de novas tecnologias que agilizam a guerra, fazem mais vítimas, se enquadram bem nas tomadas de cena e criam mercados pra inúmeros releases e notícias bombásticas.

Era pra ser retratado um mundo em lutas e embates generalizados, passado distante, sonho dissonante, sobre o qual apenas se lê, ao qual apenas se assiste, e depois gera debates boquiabertos que não conseguem conceber como foram capazes de realmente fazer isso no passado… Chamaríamos de arte, pois seriam belos filmes, com belos atores que ganhariam prêmios disputadíssimos e permitiriam a nós percebermos o quão bons somos em retratar nossas mazelas já superadas.

Era pra ser…

Mas não é.

Não é porque não é filme. Não é porque não é série da Netflix. Não é porque não é novela da Rede Globo. Não é porque não é filme cult iraniano. Não é porque não é aquela aula de história sobre guerras do passado que mais parecem ficção e que nunca mais vão acontecer.

É a realidade que nos rodeia, devora e aflora em nós o sentimento de medo de que tudo aconteça novamente. Os personagens não mudaram muito. Os motivos também não. Talvez o público de agora seja um pouco diferente de antigamente, pois parece que acompanha os fatos como se fossem uma obra de arte. Há ainda os que torcem por algum lado, como se os que promovem a guerra fossem equipes esportivas ou agremiações de carnaval. E isso não é só triste…

Era pra ser um filme… mas não é.

quarta-feira, 4 de março de 2026

.: Bárbara Bruno e Vanessa Goulartt estrelam novela vertical


Projeto aposta em formato inovador para o digital e celebra o encontro de duas gerações de atrizes no mesmo elenco. Foto: Fernando Diaz

O palco, a câmera e as novas plataformas digitais se tornam território afetivo e criativo para Bárbara Bruno e Vanessa Goulartt. Mãe e filha vivem um momento raro e simbólico na carreira: estão juntas em três produções simultâneas, atravessando diferentes linguagens e reafirmando a força de uma parceria que mistura herança, admiração e identidade própria. No cinema, integram o elenco do longa-metragem “É Tempo de Amoras”, de Anahi Borges, em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, obra que aborda afetos, memórias e recomeços, em uma narrativa sensível sobre o tempo e suas delicadas transformações. Diante das câmeras, a cumplicidade transborda da vida real para a ficção, criando uma camada extra de verdade às personagens.

Nas novelas verticais, formato contemporâneo pensado para o consumo digital, mãe e filha experimentam uma linguagem ágil e direta, conectada aos novos modos de contar histórias. A experiência evidencia a versatilidade de ambas, que transitam com naturalidade entre o clássico e o inovador. As produções são da VRA Production e esrarão disponíveis no aplicativo Sua Novela.

Já nos palcos, recentemente, estiveram juntas na aclamada montagem de “Gertrude, Alice e Picasso”, texto de Alcides Nogueira, espetáculo que mergulha no universo de Gertrude Stein, Alice B. Toklas e Pablo Picasso. A peça, dirigida por Vanessa e com Barbara no elenco, propõe um encontro entre arte, memória e vanguarda - temas que dialogam diretamente com a própria trajetória da família, marcada por gerações dedicadas às artes cênicas.

Filha de Bárbara Bruno e neta de Paulo Goulart e Nicette Bruno, Vanessa Goulartt carrega um legado artístico que honra com personalidade e humor próprios. Ao dividir cena com a mãe em três frentes distintas, reafirma não apenas a continuidade de uma tradição teatral, mas a construção de uma nova camada dessa história - agora escrita a quatro mãos. Mais do que coincidência de agenda, o encontro nas três produções simboliza um momento de maturidade artística e afetiva. Entre câmeras, roteiros e bastidores, Bárbara e Vanessa demonstram que o palco pode ser também extensão da casa - e que o amor, quando compartilhado em cena, ganha novas formas de permanência.

.: Cineflix estreia "A Noiva!", "Cara de Um, Focinho De Outro" e "Mother´s baby"

A unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, apresenta três estreias a partir de 5 de março, são elas: a animação Disney "Cara de Um, Focinho De Outro", a ficção científica de terror "A Noiva!" e o suspense psicológico "Mother´s baby".

A Cineflix Santos segue com a exibição do terror "Pânico 7", do drama indicado ao Oscar "Sirât", da animação "Um Cabra Bom de Bola", do romance arrebatador "O Morro dos Ventos Uivantes" e o suspense psicológico "A Empregada". Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Na sexta-feira, às 14 horas, haverá sessão TEA da animação "Um Cabra Bom de Bola". Programe-se e não perca!

Estão disponíveis para venda os baldes colecionáveis da animação "Cara de Um, Focinho de Outro"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.

"A Noiva!"(The Bride!). Gênero: terror, ficção científica. Direção e roteiro: Maggie Gyllenhaal. Duração: 127 minutos. Distribuição: Warner Bros. Elenco: Jessie Buckley como A Noiva, Christian Bale como Frankenstein, Penélope Cruz, Annette Bening, Peter Sarsgaard. Sinopse: Na Chicago da década de 1930, um Frankenstein solitário busca a ajuda da Dra. Euphronia para criar uma companheira para si. Eles revivem uma jovem assassinada, dando origem à Noiva. No entanto, ela transcende as intenções de seus criadores, desenvolvendo uma identidade própria e desencadeando um romance fervoroso e mudanças sociais radicais.

"Cara de Um, Focinho De Outro"(Hoppers). Gênero: Animação. Direção e roteiro: Daniel Chong. Duração: Aprox. 106 minutos. Distribuição: Pixar Animation Studios / Walt Disney Pictures. Vozes: Piper Curda (Mabel), Jon Hamm (Prefeito Jerry). Sinopse: A história acompanha Mabel, uma amante dos animais que utiliza uma tecnologia revolucionária para transferir sua mente para um castor robô hiper-realista. Ao se infiltrar no mundo animal, ela descobre mistérios inimagináveis e precisa agir contra os planos de Jerry, um prefeito hostil aos seres não humanos.

"Mother´s baby"(Mother´s baby). Gênero: thriller psicológico. Direção e roteiro: Johanna Moder. Roteiro (Adicional): Arne Kohlweyer. Duração: 108 minutos. Distribuição: Autoral Filmes. Elenco: Marie Leuenberger (Julia), Hans Löw (Georg), Claes Bang (Dr. Vilfort), Julia Franz Richter (Gerlinde). Sinopse: Julia, uma maestrina de sucesso, enfrenta um pós-parto traumático e, ao reencontrar seu bebê, passa a desconfiar que a criança não é sua, mergulhando em uma espiral de paranoia e mistério.


"Pânico 7". (Scream 7). Direção: Kevin Williamson. Elenco: Neve Campbell retorna como Sidney Prescott. Courteney Cox reprisa seu papel como Gale Weathers. Isabel May interpreta a filha de Sidney. Patrick Dempsey (rumorado) e Joel McHale aparecem no elenco, com McHale interpretando o marido de Sidney.  Duração: 1 hora e 55 minutos. Sinopse: Com Sidney Prescott (Neve Campbell) de volta ao centro da história. Agora vivendo uma vida pacata com sua família, ela se torna novamente o alvo de um novo Ghostface, mas desta vez o perigo é mais pessoal, pois sua filha, Tatum Evans (Isabel May), é o alvo principal. 

"Sirât". (Sirât, 2025). Gênero: drama/thriller imersivo, road movie. Direção: Oliver Laxe. Roteiro: Oliver Laxe e Santiago Fillol. Duração: 1h55. Países de Origem: Espanha / Marrocos. Sinopse: O filme acompanha um pai e um filho que, após a filha/irmã desaparecer em um rave no Marrocos, iniciam uma busca desesperada que os leva a um perigoso e místico deserto. O filme é conhecido por sua atmosfera de suspense e uso de cenas de raves autênticas.


"O Morro dos Ventos Uivantes". Gênero: drama, romance. Direção: Emerald Fennell. Elenco: Margot Robbie (Catherine Earnshaw), Jacob Elordi (Heathcliff), Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif e Ewan Mitchell. Sinopse: A tragédia acontece quando Heathcliff se apaixona por Catherine Earnshaw, uma mulher de uma família rica na Inglaterra do século 18.

"Um Cabra Bom de Bola". Gênero: animação. Direção: Tyree Dillihay. Elenco: Carolina Dieckmann (Kátia), Júlia Rabello (Léo) e Caco Ciocler (Zeca). Sinopse: Uma pequena cabra com grandes sonhos recebe uma oportunidade única na vida de se juntar aos profissionais. A história acompanha Zeca Brito (Will na versão original), uma pequena cabra com grandes sonhos que recebe uma oportunidade única de se juntar aos profissionais e jogar berrobol — um esporte de alta intensidade que lembra o basquete. Zeca precisa provar que, mesmo sendo pequeno, tem talento para brilhar no esporte e mudar a história do jogo.

"A Empregada". (The Housemaid). Gênero: Suspense Psicológico, Thriller. Direção: Paul Feig. Roteiro: Rebecca Sonnenshine, Freida McFadden. Ano de Lançamento: 2025. Data de Estreia (Brasil): 18 de Dezembro de 2025. País: EUA. Idioma: Inglês. Duração: 2h11m. Elenco Principal: Sydney Sweeney (Millie), Amanda Seyfried (Nina), Brandon Sklenar (Andrew), Michele Morrone. Baseado em: Livro de Freida McFadden. Sinopse: A história segue Millie Calloway, que, após sair da prisão, consegue um emprego como empregada na casa dos ricos Nina e Andrew Winchester, mas logo percebe a natureza perturbadora de Nina e as dinâmicas disfuncionais da família, levando a situações de manipulação e suspense, enquanto Millie tem seus próprios segredos. 


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


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