segunda-feira, 28 de setembro de 2026

.: Crítica: "Coração Selvagem" é um "Sempre Ao Seu Lado" de aventuras

Imagem de "Coração Selvagem"


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em setembro de 2026


O longa de aventura "Coração Selvagem" (Heart of the Beast), estrelado por Brad Pitt ("Trem-Bala", "F1 - O Filme") com participação de J.K. Simmons ("Homem-Aranha", 2002) e de Anna Lambe (The Grizzlies) entrega a potência que um cachorro pastor-alemão Odin (Uber) é capaz de imprimir numa história de amor e parceria. A produção dirigida por David Ayer de fotografia impecável trabalha o desenvolvimento da sensibilidade e sintonia entre um homem e um animal. 

O intenso drama de sobrevivência começa quando uma moça na estrada tem seu caminho "pausado" por um cachorro. Dali, em diante o público vivencia a aventura de sobrevivência do ex-agente das forças especiais James Belmont (Brad Pitt) ao lado de seu cão de combate aposentado, o pastor-alemão Odin (interpretado pelo cão Uber). Após esbarrar no andarilho Witkins (J. K. Simmons) e ser avisado sobre a tempestade que estava vindo, James e Odin acabam perdidos no Alasca após um acidente aéreo.

No entanto, Odin sofre de estresse pós-traumático tendo pesadelos de guerra, assim como seu parceiro James. Logo, o sofrimento dos dois vira um. Humanizando o cachorro e colocando-o no posto de um autêntico veterano de combate. Em enquadramentos amplos de uma natureza digna de ser apreciada com alegria, a telona do cinema enche os olhos do público com encontros animais. Seja a tensão pura diante de um urso ou quando lobos atacam de modo coordenado a dupla.

"Coração Selvagem" consegue ser uma nova leitura do clássico "Sempre Ao Seu Lado" (2009), com adrenalina, mas passa longe da cidade e seus deveres agitados, pois é repleto de pesadelos do passado e aventuras em busca de sobrevivência na natureza indomada. É notório que Brad Pitt entrega interpretação intensa e teatral, ainda que por vezes tenha seu brilho roubado pelo carisma e olhar expressivo do cachorro. Vale a pena conferir!


Trailer de "Coração Selvagem"


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.: "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos e abre novos horizontes


Edição especial da Companhia das Letras revisita o romance de João Guimarães Rosa com material inédito e reafirma a vitalidade de um livro que atravessou gerações, leitores, linguagens e diferentes formas de interpretação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com. 

Setenta anos depois de chegar às livrarias, “Grande Sertão: Veredas” continua encontrando novos caminhos para chegar aos leitores. O romance de João Guimarães Rosa, publicado originalmente em 1956, ganhou em 2026 uma edição especial pela Companhia das Letras, que recupera parte da história editorial do livro e acrescenta novos olhares a uma obra que permanece aberta a interpretações, releituras e descobertas. A comemoração vem acompanhada de um novo projeto gráfico, capa criada a partir de uma obra da artista mineira Sonia Gomes e um ensaio inédito do pesquisador Érico Melo sobre o percurso dos rascunhos até a forma final do romance. 

O volume também reúne depoimentos de escritores, artistas, críticos e leitores contemporâneos influenciados pela literatura de Rosa, entre eles Mia Couto, Alison Entrekin, Caetano W. Galindo, Eduardo Giannetti, Milton Hatoum, Bia Lessa, Ana Martins Marques, Geovani Martins, Amara Moira, Silviano Santiago, Heloisa Murgel Starling e Itamar Vieira Junior. A escolha dos nomes já indica uma das características mais interessantes da permanência de “Grande Sertão: Veredas”: o livro não pertence a uma única geração, escola literária ou maneira de ler, já que continua provocando escritores com experiências muito diferentes, pesquisadores, artistas e leitores que chegam ao romance décadas depois da primeira edição.

Pedro Süssekind, professor titular da Universidade Federal Fluminense e autor de “O Mar, o Rio e a Tempestade: sobre Homero, Rosa e Shakespeare”, resume uma das razões dessa permanência ao lembrar uma formulação de Italo Calvino: um clássico é um livro que nunca terminou de dizer o que tinha para dizer. Em entrevista ao portal Resenhando.com, Süssekind também rejeitou a ideia de que “Grande Sertão: Veredas” deva ser tratado como peça de museu ou como um livro reservado aos especialistas. Para ele, cada nova leitura tira o romance do pedestal e o coloca novamente em movimento. “Um livro fechado não tem vida, um livro já entendido não precisa ser relido”, afirmou. É uma chave interessante para entrar nos 70 anos do romance. Afinal, “Grande Sertão: Veredas” atravessou sete décadas porque nunca se deixou encerrar por uma única explicação.


Um mundo que cabe no sertão
João Guimarães Rosa nasceu em Cordisburgo, Minas Gerais, em 1908. Médico, diplomata e escritor, teve uma trajetória que passou por diferentes territórios antes de desembocar na literatura que o consagraria. Publicou “Sagarana” em 1946, depois de uma primeira experiência literária com “Magma”, e nos anos seguintes construiu uma obra marcada pela invenção linguística, pela oralidade, pela observação do sertão e por uma relação muito particular entre realidade e imaginação.

Em 1952, quatro anos antes da publicação de “Grande Sertão: Veredas”, Rosa percorreu durante dez dias o sertão mineiro acompanhando uma comitiva de vaqueiros. A viagem começou em Cordisburgo e atravessou parte da região do rio São Francisco. Ele registrou a experiência em cadernetas, anotando palavras, paisagens, histórias, nomes, costumes e situações que mais tarde alimentariam a produção literária dele.

O sertão que aparece no romance, portanto, não é apenas uma imaginação distante diante de um mapa. Há nesse lugar uma atmostera que carrega uma experiência concreta de deslocamento, escuta e observação. Ao mesmo tempo, a literatura de Guimarães faz esse território ultrapassar os próprios limites geográficos, o sertão dele é o mundo inteiro. Em entrevista ao portal Resenhando.com, Pedro Süssekind lembra uma das frases mais conhecidas de Riobaldo: “o sertão é do tamanho do mundo”. Para o pesquisador, o sertão roseano não deve ser compreendido apenas como uma região determinada, mas como uma dimensão existencial.

Essa perspectiva ajuda a explicar porque o romance continua encontrando leitores muito além de Minas Gerais. O sertão do autor tem jagunços, rios, veredas, fazendas, guerras e travessias, mas também carrega questões que não ficam presas à geografia: amor, amizade, violência, medo, desejo, morte, fé, culpa, escolhas e a tentativa de compreender o próprio lugar no mundo. Riobaldo narra a trajetória dele como quem tenta reorganizar a própria memória enquanto conta. Diadorim ocupa o centro de uma relação que desafia as certezas do narrador. Os jagunços formam uma espécie de sociedade em movimento, marcada por alianças, conflitos, códigos de honra e disputas. E o sertão, longe de funcionar apenas como cenário, participa da construção dessa experiência.


Uma língua que inventa caminhos
Parte da força de “Grande Sertão: Veredas” está na linguagem. Rosa recolhe expressões populares, regionalismos, palavras arcaicas, construções inesperadas e invenções próprias para produzir uma narrativa que parece nascer da fala de Riobaldo e, ao mesmo tempo, ultrapassá-la. É nesse ponto que o romance pode intimidar quem ainda não o leu. O livro ganhou uma reputação de obra difícil, erudita e até mesmo inacessível. Pedro Süssekind contesta essa distância entre o clássico e o leitor comum. Para ele, a crítica e a pesquisa podem oferecer caminhos de aproximação, desde que não substituam a experiência da leitura.

A questão também aparece no projeto comemorativo de 70 anos. Ao lado da nova edição da Companhia das Letras, a celebração inclui o audiolivro narrado por Caio Blat, com trilha sonora e participações de viola de Ivan Vilela. Em agosto, a editora programou um ciclo de debates em parceria com o Museu da Língua Portuguesa, além de outras ações relacionadas ao aniversário da publicação. A literatura, nesse caso, ganha novas vozes e formatos sem deixar de ser o que é.


O livro que virou muitas obras
Ao longo das décadas, “Grande Sertão: Veredas” saiu das páginas do romance e encontrou outras linguagens. Teatro, televisão, cinema, ensaios, estudos acadêmicos, livros de memória e releituras literárias ajudaram a construir uma espécie de cartografia paralela da obra. Antes mesmo da atual comemoração dos 70 anos, o romance já havia voltado diversas vezes ao centro da programação cultural brasileira.

Em 1985, a TV Globo exibiu a minissérie “Grande Sertão: Veredas”, com Tony Ramos como Riobaldo e Bruna Lombardi como Diadorim. Décadas depois, Bruna Lombardi recuperaria a experiência em “Diário do Grande Sertão”, livro originalmente publicado a partir dos registros feitos durante as gravações e relançado em 2026 pela Autêntica como parte das comemorações dos 70 anos.

A relação entre literatura e audiovisual ganhou outra versão com “Grande Sertão”, dirigido por Guel Arraes e roteirizado por Arraes e Jorge Furtado. A adaptação deslocou a narrativa para uma periferia urbana dominada por organizações criminosas, mantendo no centro personagens, conflitos e relações inspirados no romance de Rosa. Também houve o teatro de Bia Lessa, estudos críticos, oficinas, programas especiais de televisão e expedições pelo sertão mineiro. Em 2023, o “Globo Repórter” refez parte dos caminhos percorridos por Rosa e visitou lugares relacionados ao universo que alimentou a criação do livro. Cada uma dessas experiências acrescenta uma camada à história de “Grande Sertão: Veredas”.


Setenta anos de um livro ainda em movimento
A nova edição da Companhia das Letras chega em um momento em que o romance continua sendo lido, estudado, adaptado e discutido. O aniversário redondo oferece a oportunidade de voltar ao livro, mas também de observar tudo aquilo que se construiu ao redor dele. Há uma cronologia de vida e obra, há os cadernos da viagem pelo sertão, há os manuscritos, as diferentes edições, os estudos críticos, as adaptações, os leitores que se tornaram escritores e os escritores que continuam encontrando Rosa pelo caminho.

Em “Grande Sertão: Veredas”, Riobaldo passa boa parte da narrativa tentando compreender aquilo que viveu. Setenta anos depois, o próprio romance continua produzindo esse efeito em quem se aproxima dele: cada leitura reorganiza o que parecia conhecido e abre uma nova passagem. Talvez seja essa uma das melhores maneiras de celebrar o aniversário de uma obra como essa. Não transformá-la em monumento, mas voltar a atravessá-la nos 70 anos de um livro que continua encontrando leitores, personagens, paisagens, intérpretes e novas formas de existir.


Dossiê Resenhando: “Grande Sertão: Veredas” - 70 anos
  • "Grande Sertão: Veredas" completa 70 anos e abre novos horizontes
  • João Guimarães Rosa: o homem, o médico, o diplomata e o escritor que inventou um sertão universal
  • Riobaldo, Diadorim e os jagunços: os personagens que continuam provocando leitores
  • O sertão de Rosa: as paisagens, as viagens e os lugares que entraram para a literatura
  • Da página para a tela: “Grande Sertão” de Guel Arraes e as outras adaptações do romance
  • Diadorim em cena: Bruna Lombardi, Luisa Arraes e as diferentes faces da personagem
  • Setenta anos depois: por que “Grande Sertão: Veredas” continua vivo

.: Johnny Massaro leva “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” ao palco


Espetáculo inspirado no best-seller de Ana Suy conduz o público por uma visita bem-humorada ao coração humano, entre desejos amorosos, términos e a solidão que acompanha a vida. 
Foto: Hudson Rennan

Com mais de 500 mil exemplares vendidos, o livro “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão”, da psicanalista e escritora Ana Suy, chega ao teatro pelas mãos de Johnny Massaro, que idealiza e protagoniza a montagem. O espetáculo estreia no Auditório do Sesc Pinheiros, onde permanece em cartaz até dia 31 de outubro, com produção artística de Pablo Sanábio, dramaturgia de Júlia Portes e direção de Helena Varvaki.

A adaptação parte de uma obra psicanalítica que não nasceu com personagens ou uma narrativa dramática convencional. No palco, esse material ganha corpo por meio de um guia turístico que conduz o público por uma espécie de passeio pelo coração humano. Entre a expectativa pelo encontro com a pessoa amada e os sentimentos que aparecem quando uma relação chega ao fim, o personagem transforma a visita em uma experiência existencial, afetiva e bem-humorada.

A ideia surgiu para Johnny Massaro há cerca de três anos, quando ele encontrou o livro em meio a um período complicado de um relacionamento. “Exigem de nós, e a gente exige de nós mesmos, que saibamos agir no exercício do amor, quando, na verdade, não é algo para o qual fomos educados. É como Ana diz: ‘É porque alguém, em algum momento, nos amou, mesmo que tenha nos amado mal, que a gente aprende a amar’. Eu me via falhando e repetindo os mesmos erros de relação em relação, geralmente culpando o outro pela falta de consciência dos meus próprios padrões e desejos. Estava cansado e curioso. A consciência de que eu precisava aprender de alguma forma aquelas informações do livro foi muito intensa e pareceu inevitável levá-lo ao palco”, revela.

A própria autora acompanhou o processo com entusiasmo. Para Ana Suy, a adaptação provocou uma sensação curiosa de reconhecimento diante de algo que, ao mesmo tempo, se apresentava de maneira nova. “Foi um susto delicioso ver a interpretação do Johnny na adaptação do meu livro! Senti um misto de estranheza e de reconhecimento, se aproximando muito do que Freud chamou de ‘infamiliar'. Para ele, o infamiliar contempla o familiar e foi isso que vivi. Trata-se de um texto emocionante, bastante original... ao mesmo tempo em que reconheço minhas ideias, palavras e a centralidade da minha tese em "a gente mira no amor e acerta na solidão". Só uma equipe muito talentosa e com muito cuidado (que talvez seja um bom nome para o que surge quando somamos amor e solidão) poderia construir uma peça tão bonita!”

Para Pablo Sanábio, o projeto também nasceu de uma coincidência feliz. Quando recebeu a mensagem de Johnny propondo a montagem, estava justamente lendo o livro de Ana Suy. “Acho muito bonita essa coisa da sincronicidade da vida. Quando o Johnny me escreveu falando da ideia de montar a peça, eu estava justamente lendo o livro. Esse projeto tem ainda um significado especial para mim, porque ele nasce também da nossa amizade. Eu e Johnny temos uma relação de muito afeto, troca e admiração. E falar de amor, para mim, é falar também sobre o amor entre amigos. Sobre essas pessoas que a vida coloca no nosso caminho e que acabam se tornando parte da nossa história”.


Da psicanálise ao teatro
Adaptar um livro de psicanálise para o palco exigiu encontrar uma estrutura dramática capaz de transformar ideias e reflexões em ação teatral. Johnny conta que chegou a apresentar o projeto a diversos dramaturgos e dramaturgas, recebendo respostas semelhantes sobre a dificuldade da empreitada. A solução apareceu durante um trabalho para uma série da Netflix, quando o ator conheceu Júlia Portes, que interpretaria sua esposa em “Emergência Radioativa”. A relação profissional acabou levando a outro encontro: o livro “O céu no meio da cara”, escrito por Júlia e finalista do Prêmio Jabuti.

“O desafio de transpor qualquer livro para o teatro já é imenso. Tratando-se de um livro de psicanálise, a coisa se intensifica. Levamos essa ideia a muitos dramaturgos e dramaturgas, que foram unânimes em dizer que seria impossível. Quando parecia que havíamos esgotado todas as nossas possibilidades, fui fazer uma série na Netflix, ‘Emergência Radioativa’, e fui apresentado à Júlia Portes, que faria minha esposa. Nos demos superbem e, em dado momento, ela me presenteou com seu livro, ‘O Céu no Meio da Cara’, que havia sido finalista no Prêmio Jabuti. Li, amei e, meses depois, fui ver a adaptação do livro para o teatro. Foi quando pensei em convidá-la. É um felicíssimo encontro da Julia com a Ana, da Julia comigo, da gente com a Helena, nossa diretora, e de todas as pessoas que, organicamente, foram se juntando ao processo”, conta Massaro.

Na dramaturgia, Júlia encontrou no ofício do personagem a chave para organizar a adaptação. O guia turístico conhece bem a função que desempenha, mas não necessariamente domina o território que apresenta aos visitantes. A contradição serve como ponto de partida para falar sobre as relações amorosas. “Gosto de pensar a partir de uma personagem e acredito que os hábitos dos personagens guardam segredos sobre eles. Por isso, a profissão exercida pode ser uma boa pista para esse enigma que é escrever uma dramaturgia. Foi assim que surgiu o Guia Turístico. Um guia que não conhece muito bem o lugar que está apresentando, no entanto quer que as pessoas acreditem que ele domina o que está falando. No amor, também é assim: a gente se apaixona e tenta parecer no controle, mas, na verdade, não estamos”.

A personagem também permite ampliar o alcance das ideias presentes no livro. “Faço essa analogia e muitas outras se abrem através da figura do Guia Turístico. O livro, para falar das parcerias amorosas, do amor e da nossa solidão, indissociáveis, fala de várias outras parcerias, também amorosas, mas não necessariamente românticas. A dramaturgia está na intersecção entre o percurso íntimo do Guia Turístico e a descoberta do recorte do livro que nos interessava”, acrescenta.


Um coração no palco
Na encenação de Helena Varvaki, a relação entre experiência pessoal e construção teatral ocupa um lugar central. O personagem conta histórias enquanto também se modifica pela própria experiência de contá-las. A diretora explica que a montagem “investe no processo de escuta de nós mesmos, que fazemos ao narrar algo pessoal. É no processo de contar o vivido que repensamos o viver. Ao escorregar no que se propôs, fazer uma visita guiada ao coração, nosso guia reinventa a si mesmo. Fazemos a passagem entre teoria e criação ficcional”.

Essa visita terá um elemento bastante concreto em cena: o coração. O órgão aparece como instrumento para compreender a anatomia, com suas câmaras e passagens, e também como objeto plástico nas mãos do ator, aproximando a dimensão biológica de uma leitura poética. A direção aposta ainda na proximidade entre ator e plateia. “A atuação parte de um lugar de vulnerabilidade - aquele que todos reconhecemos quando imersos em nosso desejo de amor. Um personagem que guia e é, ao mesmo tempo, guiado pelos espectadores numa troca sensível e atenta, usufruindo e manejando a química particular que, na arte teatral, se estabelece e se renova a cada novo encontro com o público”, adiciona Helena.

Para Johnny Massaro, a montagem marca ainda sua estreia em um monólogo depois de 22 anos de carreira. Ao falar sobre a experiência, ele recupera outra passagem do livro de Ana Suy: "É fato que nascemos e morremos sozinhos, mas entre uma ponta e outra a nossa vida se dá em relação, com várias pessoas. Nada nos livra da solidão, mas certas coisas, como os amigos e o teatro, nos lembram que não estamos, sempre, tão sozinhos”, conclui.


Ficha técnica
Espetáculo “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” 
Baseado no best-seller de Ana Suy
Idealização e Atuação: Johnny Massaro
Produtor Artístico: Pablo Sanábio
Dramaturgia: Júlia Portes
Direção: Helena Varvaki
Figurino: Sasha Meneghel
Direção de Produção: Roberta Dias
Uma produção: Johnny Massaro e Pablo Sanábio
Cenografia: Aurora dos Campos
Iluminação: Nina Balbi
Trilha Sonora: Pedro Sodré e Frederico Santiago
Programação visual: Ton Zaransa
Preparação Corporal: Esther Weitsman
Produção Executiva: Camila Sequeira
Fotos: Hudson Rennan
Assistente de direção: Lucas Garbois
Assistente de Cenografia: Rachel Merlino
Controller Financeira: Natália Simonete - Estufa de Ideias


Serviço
Espetáculo “A Gente Mira no Amor e Acerta na Solidão” 
Temporada: 24 de setembro a 31 de outubro de 2026
Sesc Pinheiros - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros
Ingressos: R$ 50 (inteira), R$ 25 (meia-entrada) e R$ 15 (credencial plena)
Vendas on-line pelo Sesc São Paulo ou presencialmente na bilheteria de qualquer unidade do Sesc São Paulo
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos

.: Psicanálise involuntária, livro "O Mago" volta em nova edição com texto extra


Biografia que ultrapassou 1 milhão de exemplares ganha posfácio inédito e será relançada pela Realejo Edições com bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria da Travessa, em São Paulo


Fernando Morais volta a "O Mago", livro em que mergulhou na vida de Paulo Coelho e que se tornou um dos grandes sucessos editoriais da trajetória dele. Lançada originalmente em 2008, a biografia ganha nova edição pela Realejo Edições, agora acompanhada de um posfácio inédito escrito pelo autor. O relançamento será no dia 14 de outubro, às 19h00, com bate-papo e sessão de autógrafos na Livraria da Travessa, em Pinheiros, São Paulo. A mediação ficará a cargo de José Luiz Tahan, sócio da livraria e da editora.

A nova edição de "O Mago" já está em pré-venda, com entregas e retiradas previstas a partir de 26 de setembro. O livro chega novamente às prateleiras depois de ter sido traduzido e publicado em 20 países e ultrapassado a marca de um milhão de exemplares vendidos. Morais costuma apontar "O Mago" como um de seus livros favoritos e relaciona parte do resultado à personalidade pouco previsível do personagem central. "Eu tive sorte de um personagem tão espantoso e surpreendente como o Paulo Coelho cair no meu colo. O livro é o oposto da obra dele: enquanto a obra é plácida e toca a alma, a biografia é uma sucessão de polêmicas e tragédias. Paulo é um antipersonagem que te surpreende a cada página”, revela Morais.

A pesquisa conduzida pelo jornalista percorre diferentes fases da vida de Paulo Coelho, desde a infância e as internações em hospitais psiquiátricos até a aproximação com o ocultismo, a parceria musical com Raul Seixas nos anos 1970, a prisão e a tortura durante a ditadura militar e a posterior transformação espiritual que contribuiu para sua projeção internacional. No centro dessa trajetória está uma ambição que acompanha o escritor desde a juventude: tornar-se um dos autores mais importantes e lidos do mundo. A biografia acompanha as mudanças de rumo, os conflitos e as escolhas que fizeram parte desse percurso.

Para escrever as mais de 600 páginas de "O Mago", Fernando Morais teve acesso a um material particular guardado por Paulo Coelho: diários íntimos e confessionais mantidos pelo escritor desde a juventude, além de dezenas de fitas gravadas ao longo dos anos. "Quando abri aquele ‘baú’ em Copacabana, encontrei ouro puro: quase 200 diários e dezenas de fitas gravadas desde a juventude dele. Ao ver aquilo, joguei fora as 300 páginas que já tinha escrito e recomecei o livro do zero. Os diários puseram a biografia num patamar completamente diferente”, relembra Fernando Morais.

O trabalho também seguiu o compromisso ético adotado pelo biógrafo nas obras dele. Morais teve acesso ao conteúdo sem censura prévia e entregou o exemplar a Paulo Coelho somente depois da publicação comercial. A leitura da biografia pelo próprio escritor teria provocado um efeito curioso. Ao se deparar com memórias e episódios que estavam guardados no passado, Paulo Coelho contou ao biógrafo ter se assustado com a força do relato e comparou a experiência a uma espécie de "psicanálise involuntária".

O sucesso da primeira edição levou "O Mago" para diferentes mercados internacionais. A obra foi publicada em países como Espanha, Estados Unidos, Itália, França, Rússia, Polônia e Alemanha, entre outros, alcançando mais de um milhão de exemplares vendidos. Para José Luiz Tahan, da Realejo Edições, o relançamento aproxima uma nova geração da história de um escritor brasileiro com enorme alcance internacional. “Estamos diante de uma obra relevante por seu conteúdo, por seu autor e por apresentar às novas gerações uma história que envolve um dos maiores vendedores de livros em todo o mundo, o escritor Paulo Coelho. É uma obra que fala de música, política, literatura, família, rompimentos e recomeços”, comenta.

A nova edição preserva, assim, uma biografia construída a partir de uma quantidade incomum de documentos pessoais e chega ao público com material inédito, recolocando nas livrarias a trajetória de um dos escritores brasileiros de maior circulação internacional. Compre o livro "O Mago", de Fernando Morais, neste link.

Serviço
Lançamento do livro "O Mago", com bate-papo e sessão de autógrafos com Fernando Morais
Dia 14 de outubro, a partir das 19h00
Livraria da Travessa - Rua dos Pinheiros, 513, Pinheiros / São Paulo
À venda pelo site da Realejo Edições

.: “O Deus das Urnas” investiga a força da religião nas eleições brasileiras


Livro de Alexandre Landim acompanha as disputas presidenciais de 2010 a 2022 e analisa como católicos e evangélicos passaram a ocupar lugar de destaque nas estratégias eleitorais

Nas últimas eleições presidenciais brasileiras, a religião ganhou espaço nos palanques, nos discursos de candidatos e nas estratégias de campanha. O movimento despertou debates sobre a relação entre fé e política e serviu de ponto de partida para o sociólogo Alexandre Landim escrever “O Deus das Urnas: Evangélicos e Católicos em Eleições Presidenciais no Brasil”, lançado pela Editora Telha. A obra acompanha as eleições realizadas entre 2010 e 2022 para investigar como as identidades religiosas se relacionam com as escolhas políticas dos brasileiros. 

Ao longo da pesquisa, Landim observa a presença crescente de temas religiosos nas campanhas e procura compreender de que maneira questões como aborto, costumes, valores familiares e diferentes concepções sobre o papel do Estado passaram a integrar a disputa pelo voto. Em “O Deus das Urnas”, o discurso religioso aparece também como instrumento de mobilização eleitoral. A pesquisa mostra que católicos e evangélicos não formam grupos homogêneos e que suas identidades religiosas apresentam diferenças no comportamento político. Segundo os estudos reunidos pelo sociólogo, essa distância nas preferências eleitorais aumentou nas últimas décadas, especialmente a partir de 2010.

O resultado ajuda a iluminar uma mudança no cenário político brasileiro. A filiação religiosa passou a dialogar de maneira mais evidente com fatores sociais, econômicos e ideológicos na formação das preferências eleitorais. Igrejas, lideranças religiosas e candidatos também passaram a participar de maneira mais intensa da construção das agendas públicas. Para sustentar a investigação, Landim reúne mais de uma centena de pesquisas de opinião, além de um amplo conjunto de materiais publicados pela imprensa. O levantamento permite observar a presença da religião na política brasileira ao longo do tempo, acompanhando mudanças de comportamento e estratégias eleitorais que ganharam força nas últimas campanhas presidenciais.

A pesquisa evita tratar a participação religiosa na política como fenômeno passageiro. Ao acompanhar diferentes eleições, o autor examina a maneira como candidatos incorporaram referências religiosas aos discursos e como essas mensagens passaram a dialogar com parcelas específicas do eleitorado. Sociólogo formado pela Universidade de São Paulo, mestre pela Universidade Estadual do Ceará e doutor pela Universidade Federal do Ceará, Alexandre Landim pesquisa religiões no Brasil há mais de uma década. Professor de Sociologia do Instituto Federal do Ceará, ele transforma parte dessa trajetória acadêmica em um livro voltado tanto a pesquisadores quanto a leitores interessados em política, comportamento, religião e cultura.


Sobre o autor
Alexandre Landim é paulistano e radicado em Fortaleza, no Ceará, desde 2012. Sociólogo e escritor, dedica-se há mais de dez anos ao estudo das religiões no Brasil. É cientista social pela Universidade de São Paulo (USP), mestre pela Universidade Estadual do Ceará (UECE) e doutor em Sociologia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), com período de estágio na École des Hautes Études en Sciences Sociales, na França. É professor de Sociologia do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE). Também publicou o romance “De onde estou já fui embora” (2019), vencedor do edital das Artes da Secretaria de Cultura de Fortaleza.

.: "Cansei de Ser Belo" cutuca a vaidade e leva galã de novela ao teatro


Comédia inédita de Emílio Boechat estreia em outubro no Teatro YouTube e acompanha um astro da televisão disposto a abrir mão da própria beleza para conquistar o respeito da crítica. Foto: divulgação

A beleza pode abrir muitas portas. Para Rodrigo Contreiras, personagem de Fernando Pavão em "Cansei de Ser Belo", ela também virou uma espécie de prisão. Galã absoluto das novelas, rosto requisitado por marcas e dono de milhões de seguidores, ele chega a uma conclusão bastante peculiar: se quiser ser levado a sério como ator, terá de acabar com a própria imagem de homem perfeito. Essa é a premissa da nova comédia de Emílio Boechat, que estreia no dia 3 de outubro, no Teatro YouTube, dentro da Galeria Magalu, em São Paulo. Com direção de Kleber Montanheiro, o espetáculo reúne no elenco Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes. A produção é assinada por Boechat e Marília Toledo.

Rodrigo está cansado de ser visto apenas como um "corpo sarado com milhões de seguidores". Na tentativa de conquistar reconhecimento artístico, ele resolve destruir a própria imagem de perfeição e escolhe o teatro como atalho. Afinal, segundo sua lógica bastante conveniente, montar uma peça é mais rápido do que produzir um filme ou uma série. A ideia para a comédia surgiu depois que Emílio Boechat assistiu à leitura de uma peça protagonizada por um conhecido galã de novelas. “Pensei: por que esse homem tão bonito e bem sucedido ainda se dá ao trabalho de fazer teatro? Foi então que eu lembrei que, segundo o filósofo Henri Bergson, a vaidade é o ‘vício cômico’ mais engraçado. A partir disso decidi escrever sobre a vaidade de uma perspectiva diferente”, revela.

A obsessão de Rodrigo pelo reconhecimento chega ao ponto de fazê-lo encarar aquilo que considera o submundo da profissão: o teatro alternativo e experimental. A provocação, porém, não mira esse segmento teatral. Boechat esclarece que a peça volta suas atenções para quem busca prestígio a qualquer preço e enxerga o teatro experimental como um lugar menor. “Nossa crítica é voltada às pessoas que buscam o reconhecimento a qualquer preço, que têm uma visão distorcida de quem são e tratam esse teatro experimental como algo menor, que dá trabalho pra quem ‘não é bonito o suficiente pra fazer televisão’”, comenta.

Erica Montanheiro vê no absurdo uma das principais fontes de humor do espetáculo. “O texto cria situações limítrofes nas quais, dificilmente, alguém iria se colocar. Essas situações criam constrangimento e, ao mesmo tempo, um olhar debochado sobre o ‘ser artista’. E é, através desse deboche, que as fragilidades do fazer artístico são expostas. Em um país como o Brasil - que não valoriza os trabalhadores da cultura - cada vez mais os próprios artistas são responsáveis por criar situações para vender sua imagem”, diz.

Na pele de Rodrigo, Fernando Pavão também enxerga uma conexão direta entre o personagem e a busca contemporânea por visibilidade. “Acho que o texto acerta a mão em cheio ao espelhar esse Rodrigo, um ator que precisa desesperadamente de visibilidade e reconhecimento com o tempo em que vivemos hoje, em que muita gente busca isso via o mundo fantástico das redes sociais. Uma comédia deliciosa onde o universo dos atores e seus exageros é primorosamente retratado”. A direção de Kleber Montanheiro parte do jogo cênico típico da comédia de Boechat e acrescenta uma camada surrealista à encenação. A proposta trabalha o exagero como ferramenta para criar um espelho da sociedade.

Na cenografia e nos figurinos, a ideia é apostar na simplicidade com bastante movimento. “Queremos que a cenografia seja muito simples, mas muito mutante, que tenha elementos que se transformam. Então, eles se transformam numa sala, num escritório, num camarim, quase como um grande contêiner que vai abrindo e dando origem a diferentes espaços físicos. E isso remete um pouco a essa velocidade das redes sociais, quase como uma tela de celular”, comenta o diretor.


Sobre Emílio Boechat
Emilio Boechat tem 35 anos de carreira escrevendo para rádio, teatro, cinema, TV e plataformas de streaming. Junto com Marilia Toledo ganhou o Prêmio Bibi Ferreira de Melhor Dramaturgia Original em Musicais (2023) por "Ney Matogrosso - Homem com H". Já foi indicado aos prêmios Destaque Imprensa Digital (2023 e 2022), Rio Web Fest (2021), Troféu Mambembe (1998) e APETESP (1991). Ao lado dela, escreveu também os musicais "Uma Noite na Broadway", "Silvio Santos Vem Aí" e "Os Dez Mandamentos".

É autor das comédias "Camila Backer Lives in Concert", "Eu era tudo pra ela e ela me deixou"; do longa-metragem "Barraco de Família" e da série "A Secretária do Presidente" (Multishow/Mixer). É co-produtor e head-writer da série "Camila Baker", premiada pela Lei Paulo Gustavo em 2023. Com Miguel Falabella e Rosana Hermann escreveu a minissérie "O Som e a Sílaba" e a 2ª temporada de "O Coro - sucesso aqui vou eu" (Disney+), ainda inédita.

Foi head-writer da segunda temporada da série "Na Fama, Na Lama" (Multishow). Escreveu com Ingrid Guimarães, por três anos, os roteiros do programa "Mulheres Possíveis" (GNT). De 2005 a 2020, foi roteirista da Record TV, onde escreveu novelas e minisséries como "Bela, a Feia", "Rebelde" e "Os Dez Mandamentos".


Sobre Kleber Montanheiro
Multiartista com 30 anos de carreira, Kleber Montanheiro é diretor cênico, cenógrafo, figurinista e artista visual em expografia. Indicado a mais de 25 prêmios (FEMSA, APCA, Shell, Prêmio Bibi Ferreira e Prêmio DID - Destaque Imprensa Digital) em diversas categorias, foi contemplado pela maioria delas.

Entre seus trabalhos de direção estão espetáculos como "Ópera do Malandro", de Chico Buarque de Holanda; "Carmen, a Grande Pequena Notável", de Heloísa Seixas e Júlia Romeu; "Nossos Ossos", baseado no livro homônimo de Marcelino Freire; e "Tatuagem", musical adaptado do filme de Hilton Lacerda, trabalho que recebeu diversas indicações ao Prêmio Bibi Ferreira e lhe rendeu o prêmio APCA de melhor diretor.

Por "Carmen, a Grande Pequena Notável", recebeu o Prêmio São Paulo de melhor figurino. Dirigiu, concebeu e criou cenografia e figurinos do musical da Broadway "Cabaret", de John Kander e Fred Ebb, que cumpriu temporada no 033 Rooftop, do Teatro Santander - SP, recebendo os prêmios Bibi Ferreira de melhor direção e melhor figurino. Em 2025, dirigiu e concebeu o musical brasileiro original "João", indicado a melhor direção nos prêmios Bibi Ferreira, DID e APCA. Em "Gal - o musical", assina a direção e o figurino.


Sobre o Teatro YouTube
O Teatro YouTube ocupa o Conjunto Nacional, em São Paulo, dentro da Galeria Magalu, sob gestão da Aventura Teatros. O espaço aproxima a experiência presencial do universo digital e recebe espetáculos, projetos de criadores de conteúdo elegíveis, iniciativas de marcas e diferentes formatos de interação com o público. A estrutura também comporta transmissões ao vivo, gravações de podcasts e eventos. O local recebe ainda projetos institucionais, como o YouTube Music Nights, série de shows intimistas lançados exclusivamente nos canais dos artistas convidados.


Sobre a Aventura
Fundada em 2008 e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e de produção geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura atua na produção de espetáculos e no desenvolvimento do teatro musical no Brasil. A empresa soma mais de 40 produções, entre espetáculos inéditos e versões da Broadway, como "Elis, a musical", "A Noviça Rebelde", "Mamma Mia", "Hair", "Sete", "O Mágico de Oz", "SamBRA", "Chacrinha, o musical", "Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte", "Merlin e Arthur, um sonho de liberdade" e o infantil "Zaquim".

Em 2022, a produtora lançou "Vozes Negras – A Força do Canto Feminino", primeiro musical em formato de série do país, e "Seu Neyla", apresentado em dois palcos com uso da internet para criar uma experiência diferenciada para o público. No mesmo período, estreou a parceria com a Disney-Pixar em "Pixar in Concert". Com a proposta de ampliar o acesso à cultura, a Aventura criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil, e também responde pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, são mais de 3,8 mil apresentações, cerca de 4,5 milhões de espectadores e mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados.


Ficha técnica
Espetáculo "Cansei de Ser Belo" 
Texto: Emilio Boechat
Direção, cenário e figurino: Kleber Montanheiro
Elenco: Fernando Pavão, Erica Montanheiro, Wilson de Santos e Marcelo Goes
Direção de Produção: Marilia Toledo e Emilio Boechat


Serviço
Espetáculo "Cansei de Ser Belo" 
Temporada: 3 de outubro a 22 de novembro de 2026
Sextas e sábados, às 20h00, e domingos, às 18h00
Teatro YouTube (Galeria Magalu - Conjunto Nacional) - Av. Paulista, 2073 - Bela Vista / São Paulo
Ingressos: R$ 120,00 (inteira) e R$ 60,00 (meia-entrada)
Vendas online: Eventim
Classificação: livre
Duração: 70 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

domingo, 27 de setembro de 2026

.: Teatro em SP: "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia"


Espetáculo premiado de Lucca Marques e Rafael Salmona reúne amor, luto, saúde mental, masculinidade e vulnerabilidade emocional ao colocar dois homens diante das lembranças de uma relação marcada por afeto, violência e culpa. Foto: Arthur Romão

O espetáculo "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia", de Lucca Marques e Rafael Salmona, com direção de Áurea Liz, chega a São Paulo para uma curta temporada no Espaço Cia da Revista, de 1º a 11 de outubro. A montagem acompanha dois homens que se reencontram à beira de uma ponte depois de anos afastados e revisitam uma relação marcada por afeto, violência, culpa e sentimentos que ficaram pelo caminho. Com dramaturgia poética e fragmentada, a peça investiga os mecanismos da memória e as marcas deixadas por experiências que permaneceram sem elaboração. João e Felipe transitam entre gravações, lembranças e melodias enquanto tentam compreender o que viveram juntos e as versões que construíram de si mesmos e um do outro.

A montagem estreou no Festival Internacional de Teatro do Atlântico, em Cabo Verde, e passou por Portugal e Espanha, onde ganhou também uma versão em língua espanhola. A estreia nacional aconteceu em Brasília, em janeiro de 2026. Em setembro, o espetáculo participou do FESTEI – Festival Nacional de Teatro de Ibiúna, realizado entre os dias 3 e 7, e voltou para casa com três prêmios: melhor cenografia, melhor dramaturgia e melhor ator, para Rafael Salmona.

No festival, "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia" recebeu ainda indicações em oito categorias: melhor cenografia, melhor sonoridade, melhor iluminação, melhor dramaturgia, melhor direção, melhor ator para Lucca Marques, melhor ator para Rafael Salmona e melhor espetáculo. Na encenação, música, palavra e movimento aproximam presente e passado, realidade e lembrança. A estrutura fragmentada acompanha uma memória que não se apresenta de maneira linear: recordações se sobrepõem, versões entram em conflito e acontecimentos aparentemente encerrados reaparecem sob outras perspectivas.

A pergunta que atravessa a montagem está relacionada ao que fazemos com as experiências que continuam reverberando depois que uma relação chega ao fim. “Quando uma melodia se rompe, é possível simplesmente seguir adiante ou levamos para as relações seguintes os ecos daquilo que nunca conseguimos escutar?", questionam os dramaturgos Lucca Marques e Rafael Salmona, que também estão em cena. A trajetória da montagem ganhou ainda uma extensão literária. A dramaturgia foi publicada em edição bilíngue português-espanhol pela editora Giostri. Compre o livro "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia" neste link.


Ficha técnica
Espetáculo "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia"
Direção: Áurea Liz
Dramaturgia e atuação: Lucca Marques e Rafael Salmona
Concepção de luz: Caio Maciel
Operação de luz: Caio Maciel
Cenotécnica: Artur Ribeiro
Trilha sonora original: Andrei Machado, Fábio Gesteira e Lucca Marques
Colaboração artística: Irina Buss e Vinícius Ávlis
Produção: Casa dos Quatro e Coletivo Levante
Produtor local: Ricardo Corrêa

Serviço
Espetáculo "Os Nós Desafinados Sempre Tocam Uma Nova Melodia"
Temporada: 1º a 11 de outubro de 2026. 1º de outubro, quinta, às 20h00; 2 e 9 de outubro, sextas, às 20h00; 3 e 10 de outubro, sábados, às 20h00; e 11 de outubro, domingo, às 19h00.
Local: Espaço Cia da Revista (Alameda Nothmann, 1135 - Campos Elíseos / São Paulo) 
Ingressos: R$ 90,00 (inteira) e R$ 45,00 (meia-entrada), à venda pela Sympla.
Duração: 70 minutos
Classificação indicativa: 14 anos

.: “A História dos Meus Peitos” coloca o desejo feminino no centro da narrativa


Romance de estreia de Mariana Guimarães revisita memórias de uma mulher a partir da relação com o próprio corpo e chega a São Paulo em noite de lançamento na Livraria Megafauna

“Nenhum homem nunca mais chupou meus peitos desde que minhas filhas botaram suas boquinhas neles.” É com essa frase que Luiza se apresenta ao leitor. Diante do espelho, ela examina o corpo até chegar aos seios, insatisfeita com as mudanças provocadas pelo tempo e pela maternidade. Depois de marcar uma consulta com um cirurgião plástico, o choque inicial dá lugar a uma viagem pelas lembranças que ajudaram a construir sua relação com o desejo e com o próprio corpo. 

O que começa diante do espelho, entre incômodos com o próprio corpo e a decisão de procurar um cirurgião plástico, logo ganha outros contornos em “A História dos Meus Peitos”, romance de estreia de Mariana Guimarães, publicado pela Editora Record. A protagonista Luiza transforma a própria memória em matéria literária e percorre infância, adolescência, descobertas do prazer, casamento e maternidade a partir de uma perspectiva bastante particular: a dos próprios peitos. 

A escritora Natalia Timerman assina o texto de orelha. O lançamento do livro será no dia 8 de outubro, às 19h00, na Livraria Megafauna do Copan, em São Paulo. Após o bate-papo, a autora participa de uma sessão de autógrafos. A conversa será conduzida pela jornalista Cris Bartis, do Mamilos Podcast.

A narrativa acompanha essa trajetória com intimidade e bom humor, revisitando diferentes momentos da vida da personagem e as maneiras pelas quais ela experimentou o prazer, fez escolhas e passou a enxergar a própria sexualidade. Os peitos, que poderiam ocupar apenas o papel de parte do corpo, ganham voz dentro dessa memória afetiva e se tornam uma espécie de fio condutor da história. 

O romance parte de uma experiência real vivida pela autora e transforma uma inquietação pessoal em literatura. Ao colocar o desejo de Luiza no centro, Mariana Guimarães também desloca a maneira como o corpo feminino costuma aparecer nas narrativas, especialmente quando observado pelo olhar alheio. Compre o livro "A História dos Meus Paitos", de Mariana Guimarães, neste link.


Sobre a autora
Mariana Guimarães nasceu em 1980, em São Paulo. Formada em Direito e Psicologia, trabalhou como advogada criminalista e atualmente atua como psicóloga e psicanalista. Mãe de três meninas, estreia na literatura com “A história dos meus peitos”.


Serviço
“A História dos Meus Peitos”
Lançamento: 8 de outubro, às 19h00
Local: Livraria Megafauna do Copan
Av. Ipiranga, 200, loja 53 - Centro / São Paulo

.: “Os Assassinatos da Casa Decagonal” desafia leitores a decifrar clássico


Clássico de Yukito Ayatsuji, considerado um dos romances policiais mais importantes da literatura japonesa, chega em setembro pela Intrínseca em edição inédita no país. Foto: Naoto Otsubo / Kodansha Ltd.


Yukito Ayatsuji é um dos grandes nomes do honkaku, vertente do mistério japonês marcada pela construção de enigmas e pela valorização do raciocínio lógico na solução dos crimes. Publicado originalmente em 1987, “Os Assassinatos da Casa Decagonal” ajudou a renovar o gênero no Japão, tornou-se referência para uma geração de escritores e chega ao Brasil, pela Intrínseca, em uma edição inédita por aqui, com tradução de Lídia Ivasa. O romance também foi incluído pela revista Time entre os 100 thrillers mais importantes do mundo e tem como uma de suas inspirações “E Não Sobrou Nenhum”, clássico de Agatha Christie.

A história começa alguns meses depois de um crime que chocou o país. Um grupo de universitários decide viajar até uma ilha remota na costa do Japão, cenário de um homicídio quádruplo ainda sem solução. O destino escolhido é a Casa Decagonal, residência projetada pelo arquiteto Seiji Nakamura, uma das vítimas do caso e dono da propriedade. Apaixonados por romances policiais, os jovens chegam ao local esperando aproveitar a viagem entre enigmas, livros e aquela dose de excitação que acompanha uma boa história de mistério. 

O passeio, porém, ganha contornos bem menos divertidos quando um deles é encontrado morto. Isolados na ilha e sem possibilidade de contato com o continente, os universitários percebem que o conhecimento acumulado nas leituras de romances policiais pode ser a única ferramenta disponível para descobrir quem está por trás dos assassinatos - e, principalmente, permanecer vivos.

Com uma morte atrás da outra, a tensão cresce dentro da casa enquanto o grupo tenta compreender a lógica do criminoso e encontrar uma saída antes que seja tarde. No continente, a investigação ganha uma segunda frente quando um ex-integrante do grupo recebe uma carta misteriosa assinada por Seiji Nakamura, morto meses antes. Desconfiado de que a mensagem tenha relação com os crimes, ele começa a seguir as pistas por conta própria. Enquanto os jovens presos na ilha tentam solucionar o enigma que os cerca, a investigação no continente procura entender o que realmente aconteceu naquela casa e qual ligação existe entre a carta e os assassinatos.

Livro de estreia de Ayatsuji, “Os Assassinatos da Casa Decagonal” ocupa um lugar importante na história do mistério japonês e ajudou a consolidar o honkaku como uma vertente de grande força na literatura policial do país. A estrutura de quebra-cabeça, os personagens isolados e a sucessão de pistas fazem da obra uma espécie de jogo literário em que o leitor também é convidado a desconfiar de cada detalhe. Compre o livro “Os Assassinatos da Casa Decagonal”, de Yukito Ayatsuji, neste link.


Sobre o autor
Yukito Ayatsuji nasceu em 1960 e se tornou um dos principais escritores japoneses de suspense e terror. É um dos fundadores do Honkaku Mystery Writers Club, grupo formado por autores dedicados a histórias de mistério construídas em torno de enigmas, investigação e raciocínio lógico, com forte influência dos clássicos policiais. A relação de Ayatsuji com o gênero começou ainda na Universidade de Quioto, quando participou do clube de mistério da instituição. 

O ambiente reunia alguns dos nomes que posteriormente se destacariam na literatura policial japonesa e serviu de inspiração para o grupo de estudantes retratado em “Os assassinatos da Casa Decagonal”. Com o romance de estreia, Ayatsuji recuperou elementos tradicionais do policial de enigma e ajudou a impulsionar uma nova geração de escritores dedicados ao honkaku. O livro se tornou uma referência do gênero no Japão e consolidou o autor entre os principais nomes da literatura de mistério do país. Compre os livros de Yukito Ayatsuji neste link.

sábado, 26 de setembro de 2026

.: Giovanna Gold, sucesso de "A Fazenda", tem personagem esquecida. Saiba qual


De volta aos holofotes no reality da Record, atriz merece ser lembrada por personagem de sucesso na novela de Manoel Carlos, que acabou escondida pelas lembranças de Zefa, Alzira e Carmen

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com. Foto: Acervo/TV Globo

Giovanna Gold está de volta ao centro das atenções. Aos 62 anos, a atriz integra a temporada 18 de “A Fazenda”, tornando-se a protagonista da temporada, e reencontra um público que conhece o rosto dela muito antes de saber quantas personagens importantes ela acumulou na televisão brasileira. Quando o nome da atriz aparece nas listas de personagens mais lembradas, três figuras costumam tomar a frente: Zefa, de “Pantanal”; Alzira, de “Mulheres de Areia”; e Carmen, a vilã de “Chiquititas”. A associação faz sentido. São personagens marcantes, cada uma à sua maneira, e que ajudaram a construir a imagem de Giovanna Gold na televisão.

Existe, porém, uma quarta personagem que merece sair do cantinho esquecido da memória televisiva: Kátia, de “Por Amor”. Exibida pela Globo entre 1997 e 1998, a novela de Manoel Carlos foi um enorme sucesso e reuniu personagens que continuam habitando o imaginário do público. Helena, Maria Eduarda, Branca, Milena, Nando e Orestes ganharam vida própria na memória afetiva de quem acompanhou a trama.

Kátia também estava nessa novela. Interpretada por Giovanna Gold, ela era mãe de Cecília (Alessandra Aguiar) e amiga de Lídia (Regina Braga). A personagem era de destaque e circulava por uma das tramas paralelas da novela, em uma época em que as produções de televisão ainda conseguiam reservar espaço para uma quantidade generosa de personagens secundários com vida, relações e conflitos próprios.

Em 2019, quando “Por Amor” voltou ao “Vale a Pena Ver de Novo”, Giovanna Gold falou sobre a personagem ao Gshow. A atriz explicou que Kátia tinha “uma trama própria” e contou que imaginou a personagem com um jeito meio “mamma”. A reprise também fez com que voltasse a ser reconhecida nas ruas. É curioso como a memória da televisão funciona. Uma novela pode ser um fenômeno, um personagem pode aparecer durante centenas de capítulos e, algumas décadas depois, a lembrança coletiva escolhe alguns rostos para guardar e deixa outros em uma gaveta qualquer.

Kátia acabou nessa gaveta. Talvez porque não tivesse o temperamento peculiar de Alzira, de “Mulheres de Areia”, ou a maldade de Carmen, de “Chiquititas”. Também não carregava a aura de Zefa, personagem de “Pantanal” que marcou uma das primeiras fases de grande popularidade de Giovanna. 

Alzira, aliás, é outro capítulo curioso da carreira de Giovanna Gold. A personagem de “Mulheres de Areia” ficou marcada pela paixão por Tonho da Lua, vivido por Marcos Frota, mas seu destino poderia ter sido bem diferente. O plano original era terminar a novela com Alzira de mãos dadas com Damião, personagem de João Carlos Barroso, numa solução romântica que não convenceu a atriz. Giovanna contou que procurou Wolf Maya, diretor da novela, para reclamar do desfecho. “Quando veio o final da novela e a 'Magrela' (apelido da personagem) terminava de mão dada com outro, e não com o Tonho, foi punk. Não acreditei, como assim? Falei com o Wolf (Maya) e ele concordou, 'final muito careta'”.

A conversa mudou o rumo da personagem. Em vez de ganhar um novo amor no último capítulo, Alzira terminou sozinha, diante da partida de Tonho da Lua, que deixou Pontal d'Areia para acompanhar um circo. Na cena final da personagem, ela aparece na praia diante de uma escultura de areia com o rosto do homem por quem era apaixonada. Um desfecho melancólico, certamente, mas muito mais afinado com a história que a novela havia contado.

A participação de Giovanna nessa mudança diz bastante sobre a força que ela emprestou à personagem. Alzira não era simplesmente uma mulher apaixonada por Tonho da Lua: tinha uma personalidade própria e uma trajetória que, para a atriz, merecia um encerramento coerente. E foi assim que aquela imagem de Alzira chorando na praia acabou entrando na memória de quem acompanhou “Mulheres de Areia”.

Depois veio “Por Amor” e Kátia ficou pelo caminho da lembrança. Durante a reprise, Giovanna voltou a ser reconhecida nas ruas e falou com carinho sobre o trabalho. A novela trouxe de volta uma personagem que havia ficado escondida atrás de outras três figuras muito mais fáceis de identificar. 
Agora, “A Fazenda 18” produz uma situação diferente. Em vez de aparecer em uma reprise, Giovanna Gold está sendo apresentada a uma nova audiência por meio da própria personalidade. O reality coloca a atriz diante de espectadores que podem conhecê-la pela televisão, pelo nome ou simplesmente pela participante que está na casa. E essa exposição acaba puxando uma série de lembranças da trajetória dela. Giovanna Gold não chegou ao reality carregando somente a lembrança de uma vilã de “Chiquititas” ou da mulher apaixonada por Tonho da Lua. Antes de Carmen, Zefa e Alzira se tornarem as referências mais imediatas, mas houve Kátia, uma personagem de “Por Amor” que integrou uma novela de enorme repercussão e que tinha uma história própria dentro daquela trama.

A televisão brasileira é cheia dessas pequenas injustiças da memória. Alguns personagens viram bordão, fantasia, meme, chamada de retrospectiva. Outros simplesmente desaparecem das listas, mesmo tendo participado de novelas que o público jurava nunca ter esquecido. Kátia está nesse segundo grupo. A entrada de Giovanna Gold em “A Fazenda 18” cria uma boa desculpa para abrir o álbum de fotografias da carreira da atriz e procurar aquela imagem que quase sempre fica atrás das outras.

.: As novas cenas de "Ultimato Encore", filme requentado para "Doutor Destino"


Relançamento de "Vingadores: Ultimato" acrescenta cenas inéditas que conectam Steve Rogers, o colapso do multiverso e o Doutor Destino ao próximo capítulo da Marvel

Atenção: o texto a seguir contém spoilers de "Vingadores: Ultimato Encore"

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Sete anos depois de levar a Saga do Infinito a uma conclusão que parecia definitiva, "Vingadores: Ultimato" voltou aos cinemas com uma nova versão. Batizada de "Vingadores: Ultimato Encore", a produção mantém praticamente intacta a aventura lançada originalmente em 2019, mas acrescenta material inédito que muda a maneira como aquele encerramento conversa com o futuro do Universo Cinematográfico Marvel.

O relançamento chegou aos cinemas brasileiros em setembro de 2026 e foi pensado como uma espécie de ponte para "Vingadores: Doutor Destino", próximo grande encontro dos heróis da Marvel. O resultado é curioso: o público revê praticamente o mesmo filme que já conhece, mas descobre que a despedida de Steve Rogers, afinal, ainda tinha uma visita para receber. A primeira novidade aparece quando "Ultimato" parecia ter terminado.

Steve Rogers (Chris Evans) e Peggy Carter (Hayley Atwell) finalmente vivem o momento que o personagem esperou durante décadas. Os dois dançam na casa de Peggy ao som de "It's Been a Long, Long Time", mas, desta vez, a cena não termina ali. Uma batida na porta interrompe a dança.

Peggy atende e encontra Loki (Tom Hiddleston), usando o uniforme da Autoridade de Variância Temporal, a mesma organização apresentada na série "Loki". Steve observa a situação escondido e, quando Loki entra, fica claro que a visita não é casual. A nova versão do longa-metragem deixa os três diante de uma situação que o filme de 2019 jamais apresentou: o Capitão América encontra uma versão de Loki que teve uma trajetória completamente diferente daquela conhecida por ele.

É uma pequena sequência, mas com potencial para alterar a leitura daquele desfecho. O Steve Rogers que decidiu permanecer no passado para viver com Peggy agora parece ter sido alcançado por acontecimentos que envolvem o multiverso. Depois, "Ultimato Encore" começa a olhar para um problema ainda maior.

Na Autoridade de Variância Temporal, Mobius (Owen Wilson), O.B. (Ke Huy Quan) e Miss Minutes acompanham uma situação que foge rapidamente do controle. Duas realidades entram em processo de incursão e, em pouco tempo, o número de universos ameaçados cresce de maneira vertiginosa. Entre eles está o Universo 10005, associado aos X-Men dos filmes da Fox. A situação evolui de algumas colisões para centenas e, depois, milhares de incursões. O.B. percebe a dimensão do desastre enquanto a TVA acompanha a destruição das realidades. A conclusão é direta: o multiverso está entrando em colapso.

A sequência funciona como uma explicação visual para um conceito que deve ganhar peso em "Vingadores: Doutor Destino": as incursões, quando universos diferentes entram em rota de colisão e ameaçam destruir uns aos outros. Se Steve Rogers recebe uma visita inesperada, Bruce Banner ganha uma ainda mais problemática. Após os acontecimentos de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", Banner (Mark Ruffalo) aparece isolado em uma instalação militar subterrânea, a quilômetros abaixo da superfície. Ele registra seus experimentos e trabalha numa maneira de controlar a radiação gama para impedir que o Hulk volte a assumir o controle.

O isolamento, porém, dura pouco. A instalação começa a apresentar interferências. As imagens falham, os equipamentos sofrem alterações e uma presença surge no local. É Doutor Destino (Robert Downey Jr.), interpretado pelo próprio Robert Downey Jr., embora o personagem não seja mostrado integralmente nessa sequência. Banner pergunta o que ele está fazendo ali. Destino responde que veio "coletá-lo". O cientista se transforma no Hulk e parte para o confronto. A luta, porém, não chega a ser mostrada de maneira convencional. A câmera cai e, quando a situação volta a ser observada, Banner e Destino desapareceram. No chão e nas paredes, ficam as marcas da magia de Destino, sugerindo que os dois foram transportados para outro lugar.

A quarta novidade trabalha com a presença de Robert Downey Jr. no novo capítulo da Marvel. "Ultimato", em sua versão original, terminava com uma referência sonora ao primeiro "Homem de Ferro", de 2008: as batidas metálicas remetiam à construção da armadura de Tony Stark, criando um círculo simbólico para a Saga do Infinito. Em "Ultimato Encore", essa lembrança ganha outro significado. As batidas acompanham imagens de Doutor Destino trabalhando na própria máscara metálica. A associação é inevitável: Tony Stark e Victor von Doom são interpretados por Robert Downey Jr., mas agora o ator ocupa uma posição completamente diferente dentro do universo Marvel.

"Vingadores: Ultimato Encore" não acrescenta uma nova aventura às três horas de filme que o público conhece. O que muda está concentrado principalmente no material adicional, criado para aproximar a conclusão da Saga do Infinito dos acontecimentos de "Vingadores: Doutor Destino". Além dessas sequências, a nova apresentação conta com materiais especiais antes da sessão, incluindo uma mensagem de Robert Downey Jr. e Chris Evans e um vídeo produzido para o público dos cinemas.

O efeito é quase o de uma pós-produção feita anos depois para reposicionar um final conhecido. Steve e Peggy ganham uma visita inesperada; Banner deixa de ser apenas um personagem distante do próximo grande conflito; a TVA identifica o avanço das incursões; e Doutor Destino passa a ocupar um espaço cada vez maior na história.

Para quem esperava cenas deletadas de "Ultimato" ou uma versão significativamente diferente do filme de 2019, a novidade é mais pontual. Para os fãs interessados na continuidade do MCU, entretanto, poucos minutos bastam para transformar um encerramento conhecido em uma espécie de prólogo para a próxima reunião dos Vingadores. "Vingadores: Ultimato" já havia encerrado uma era. "Ultimato Encore" acrescenta algo que o filme original não precisava ter: uma porta aberta para a próxima.


Serviço
"Vingadores: Ultimato Encore"
Gênero: ação, aventura, ficção científica.
Direção: Anthony Russo e Joe Russo.
Elenco: Robert Downey Jr., Chris Evans, Mark Ruffalo, Chris Hemsworth, Scarlett Johansson, Jeremy Renner, Tom Hiddleston, Owen Wilson, Ke Huy Quan, entre outros.
Distribuição: Marvel Studios / Disney.
Estreia nos cinemas brasileiros: setembro de 2026.
Atenção: a disponibilidade de determinados materiais adicionais pode variar de acordo com o formato e a sala de exibição. "Vingadores: Doutor Destino" está previsto para chegar aos cinemas brasileiros em dezembro de 2026.

.: "Rodrigo Santos Canta Nelson Motta" é mais do que uma mera celebração


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. 

Ex-baixista da banda Barão Vermelho, Rodrigo Santos tem desenvolvido vários projetos interessantes em sua carreira solo; Agora ele apresenta um disco com releituras de canções de Nelson Motta. com várias participações especiais de convidados. Jogar luz sobre a obra de Nelson Motta foi uma ideia muito feliz, porque apesar de ser um compositor de várias parcerias de sucesso. Nelson Motta sempre foi pouco citado por essa sua contribuição na música. 

Em que pese o fato dos vários hits nas rádios, o repertorio se concentra mais nos férteis anos 80, tem parcerias com Lulu Santos ("Tudo Azul", "Como Uma Onda", "Certas Coisas"). e Guilherme Arantes ("Coisas do Brasil"), passandos por outras canções tipo lado B que mereciam ser resgatadas. Com espírito agregador, Rodriho reuniu um seleto elenco de nomes conhecidos como Leila Pinheiro, Sandra Sá, Fernanda Abreu. Ivo Meirelles, Luiz Caldas, Lobão, Sergio Britto (Titãs), Frejat entre outros.

Difícil destacar uma única faixa ou participação especial. Paula Toller está em "Como Uma Onda". Leo Jaime canta "Sereia". E até Chico Chico, filho da Cassia Eller, canta o rock "Perigosa" (o antológico hit das Frenéticas). Mas eu estaria sendo leviano citando apenas essas faixas. O disco merece ser ouvido na integra. "Rodrigo Santos Canta Nelson Motta" é mais do que uma mera celebração. Ele mostra bem a importância de Nelson Motta na nossa música popular. Vale a pena ser conferido.

 "Coisas do Brasil" (Fernanda Takai)


"Como Una Onda" (Paula Toller)


"De Repente Califórnia" (Rogério Flausino)

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