domingo, 12 de julho de 2026

.: Documentário “Mãe D’Água” revela ritual inédito e tensiona fronteiras culturais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Mãe D’Água”, novo documentário dirigido por Karim A. Soumaïla, estreia na estreia plataforma de streaming Reserva Imovision com um mergulho sensível e rigoroso em práticas espirituais e na memória viva do povo Kariri-Xocó. A produção acompanha o próprio cineasta franco-africano em uma jornada de iniciação ao ritual da jurema, conduzida dentro da aldeia, em Alagoas, território historicamente marcado por disputas e resistência cultural.

A presença de Soumaïla no ritual carrega um peso simbólico: pela primeira vez na história recente, a comunidade autoriza a participação de um estrangeiro nesse processo, tradicionalmente restrito. A decisão amplia o alcance do filme e transforma a experiência em registro raro, que articula pertencimento, escuta e responsabilidade. O diretor não se coloca como observador distante; assume o risco da vivência e incorpora ao filme as tensões desse encontro.

Ao longo de 53 minutos, “Mãe D’Água” constrói um percurso que cruza espiritualidade, identidade e política. A narrativa percorre histórias de luta pela terra, evidencia vínculos entre povos indígenas e afrodescendentes e recupera memórias que permanecem fora dos arquivos oficiais. A jurema, elemento central do ritual, aparece não apenas como prática religiosa, mas como elo entre gerações e forma de preservação de saberes ancestrais.

Karim A. Soumaïla, conhecido por trabalhos que investigam deslocamentos culturais e identitários, mantém aqui uma abordagem direta, com imagens que privilegiam o tempo do ritual e a escuta dos participantes. O documentário evita didatismos e aposta na experiência como forma de aproximação, convidando o espectador a acompanhar um processo que altera a percepção do próprio realizador sobre o Brasil e sobre si.

Produzido no Brasil, o filme dialoga com debates contemporâneos sobre território, ancestralidade e reconhecimento, ampliando o olhar para comunidades que seguem defendendo seus modos de vida diante de pressões externas. A estreia na Reserva Imovision reforça o espaço do documentário como instrumento de circulação dessas narrativas.

Ficha técnica
“Mãe D’Água” 
Gênero: documentário. Duração: 53 minutos. Classificação indicativa: 10 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: português. Direção e roteiro: Karim A. Soumaïla. Elenco: Povo Kariri-Xocó e Karim A. Soumaïla. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Sesc destaca a diversidade literária brasileira e reúne personalidades nacionais e internacionais na Flip 2026


Angela Davis, Socorro Acioli, Itamar Vieira Junior, Wole Soyinka, Tati Bernardi, Bruna Lombardi, Elisa Lucinda, Luiza Romão, Jamil Chade, Fabiana Cozza, Marcelino Freire e Eliana Alves Cruz são alguns nomes da programação. Na imagem, Sesc Santa Rita em Paraty. Foto: divulgação
 

Com uma agenda que valoriza a diversidade de vozes, linguagens, expressões artísticas e regionalidades, o Sesc estará presente mais uma vez na Flip - Festa Literária Internacional de Paraty. Serão realizados cafés literários, shows, exposição, performances poéticas, rodas de conversa e oficinas. As atividades são gratuitas e acontecem de 23 a 26 de julho de 2026 em três espaços no Centro Histórico de Paraty: Sesc Santa Rita, Casa Edições Sesc e Casa Sesc. A instituição é ainda patrocinadora da programação oficial da Flip.

Além da pluralidade da literatura brasileira com convidados de diversas regiões do país, que já é marca registrada das ações do Sesc no evento, neste ano a programação contará ainda com convidados internacionais. A participação dialoga com duas importantes efemérides: os 80 anos do Sesc e os 70 anos da publicação de “Grande Sertão: Veredas”, obra-prima de João Guimarães Rosa, que segue influenciando gerações de leitores e escritores. A partir disso, foi elaborado o conceito Múltiplas Veredas, compreendido como metáfora dos vários caminhos que conectam literatura, cultura, território e transformação social.

Memória e saberes ancestrais se destacam em diferentes mesas e encontros, assim como temas urgentes da contemporaneidade, como sustentabilidade, cidadania, democracia e os impactos das tecnologias na vida cotidiana. Debates sobre leitura e formação de leitores abordam os desafios da circulação de ideias e o papel das práticas coletivas, como clubes de leitura e mediação literária. Para a diversão do público infantil, serão realizadas narrações de histórias e mediação de leitura.

O público também poderá visitar, no Sesc Santa Rita, uma exposição especial em celebração aos 80 anos do Sesc. Com fotografias históricas e registros contemporâneos, a mostra apresenta um panorama da trajetória da instituição, destacando sua contribuição para o desenvolvimento social do Brasil ao longo de oito décadas.

“No ano em que celebra oito décadas de atuação, a participação do Sesc na Flip ganha ainda mais relevância. A cultura amplia repertórios, fortalece a cidadania, incentiva a leitura e a formação de novos públicos, ao mesmo tempo em que movimenta o turismo, impulsiona a economia local e gera trabalho e renda. Ao reunir autores, artistas e leitores, o Sesc contribui para o desenvolvimento dos territórios e demonstra que investir em cultura também é investir no desenvolvimento social e econômico do país”, destaca Diana Abreu, Diretora de Saúde, Cultura, Lazer e Assistência do Departamento Nacional do Sesc.
 

Sesc na Flip acontece em três casas
No Sesc Santa Rita, unidade do Polo Sociocultural Sesc Paraty, o público poderá participar de atividades com a presença de autores como Eliana Alves Cruz, Marcelino Freire, Milena Martins Moura e Daniel Munduruku, primeiro escritor indígena a compor o acervo da Casa de Rui Barbosa que participa do encontro “Cosmologias da palavra” ao lado de Jama Wapichana.

A escritora Tati Bernardi comandará um talk show literário com os convidados Bruna Lombardi, Itamar Vieira Junior e Elisa Lucinda. O espaço também apresentará o espetáculo “Viola, Rosa e Sertão”, com o violeiro, compositor e pesquisador Paulo Freire. Haverá, ainda, na mesma casa, uma área de descompressão com enfoque em diversidade, equipada com sofás, pufes e fones com supressão de ruído, além de recursos de acessibilidade, como Libras, materiais em braile, assentos preferenciais e mobiliário adaptado.

Na Casa Sesc, as discussões abrangerão a circulação literária e novos formatos - como podcasts e plataformas digitais -, além de reflexões sobre acessibilidade, diversidade e inteligência artificial, com nomes como Nina da Hora, Sil Bahia e Lu Ain-Zaila. O público encontrará nomes centrais do pensamento contemporâneo, como a escritora e ativista americana Angela Davis, ao lado do Nobel Wole Soyinka; além do intelectual Muniz Sodré, em diálogo com o podcast "Angu de Grilo", de Flávia Oliveira e Isabela Reis.

Já na Casa Edições Sesc, autores da editora e convidados participam de debates que articulam literatura, artes visuais, pensamento crítico e temas contemporâneos. A programação - que conta também com mesas realizadas em parceria com o Senac São Paulo - promove encontros em torno de questões urgentes do presente, como geopolítica, saúde mental, educação midiática, sustentabilidade e direitos humanos.

Entre os destaques, estão conversas com Eustáquio Neves, artista visual em exposição na Bienal de Veneza; Jamil Chade, jornalista com atuação internacional em geopolítica; Bob Wolfenson, nome importante da fotografia brasileira; Natália Timerman, escritora e psiquiatra; e Mary del Priore, historiadora e autora referência em História do Brasil, além de encontros com autores, pesquisadores, educadores e artistas de diferentes áreas. Em uma parceria inédita entre o Sesc e a Estante Virtual, os vencedores do Prêmio Sesc de Literatura 2025 participarão de uma mesa na Casa Estante Virtual, fortalecendo o compromisso das instituições com a valorização da literatura e o encontro entre autores e leitores.


Sesc Mesa Brasil na Flip 2026
Pelo segundo ano consecutivo, os participantes poderão realizar, no Sesc Santa Rita, doações de alimentos não perecíveis ou contribuições financeiras via Pix para o Sesc Mesa Brasil, maior rede privada de bancos de alimentos da América Latina. Os insumos serão distribuídos para instituições sociais de Paraty que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social e insegurança alimentar.

Além disso, o público poderá participar de uma mesa de debate e experiência gastronômica com pesquisadoras e coletivos de Paraty para discutir os vínculos entre comida, memória e território e de uma oficina de escrita conduzida por Taís Bravo, que estimula os participantes a explorar memórias e afetos por meio da criação literária inspirada nos alimentos e nas refeições compartilhadas. Essas ações convidam à reflexão sobre o engajamento em ações solidárias e buscam estimular a consciência social, ampliando o impacto do Sesc na Flip para além da cultura. Toda a programação do Sesc é gratuita e está disponível no site sesc.com.br/sescnaflip.


Serviço
Espaços do Sesc no Centro Histórico de Paraty
Sesc Santa Rita - Rua Santa Rita, 133
Casa Sesc - Rua Marechal Santos Dias, 22
Casa Edições Sesc - Rua Marechal Santos Dias, 115

.: “O Rei e Eu” desembarca no streaming e reacende o fascínio dos grandes musicais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“O Rei e Eu” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte resgatando um dos musicais mais celebrados de Hollywood. Lançado em 1956, o filme dirigido por Walter Lang adapta para o cinema o sucesso da Broadway assinado por Richard Rodgers e Oscar Hammerstein II, com roteiro de Ernest Lehman. No elenco, Yul Brynner, Deborah Kerr e Rita Moreno conduzem uma narrativa que combina romance, embate cultural e espetáculo visual.

Ambientada no antigo Sião, a trama acompanha a professora britânica Anna Leonowens (Deborah Kerr), contratada para educar os filhos do rei Mongkut (Yul Brynner). O encontro entre os dois personagens se transforma em um jogo de forças marcado por diferenças de visão de mundo, protocolos rígidos e uma curiosidade crescente. Entre lições, rituais e tensões políticas, o vínculo que se estabelece evita simplificações e ganha densidade ao longo da narrativa.

O longa-metragem conquistou cinco Oscars, incluindo Melhor Ator para Yul Brynner, que superou nomes como James Dean e Kirk Douglas. A atuação consolidou o ator como a face definitiva do rei Mongkut, papel que ele interpretou milhares de vezes também nos palcos ao longo da vida. Deborah Kerr, por sua vez, teve suas canções dubladas por Marni Nixon, voz recorrente em grandes musicais da época, como “West Side Story” e “My Fair Lady”.

A produção também guarda episódios curiosos. Cogitou-se Marlon Brando para o papel do rei, enquanto Maureen O’Hara chegou a ser considerada para viver Anna. A escolha de Deborah Kerr partiu do próprio Brynner. Durante as filmagens, os figurinos pesados - alguns com mais de 15 quilos - exigiram esforço físico considerável da atriz. Já a famosa sequência ao som de “Shall We Dance?” demandou ensaios rigorosos para equilibrar elegância e tensão dramática.

Apesar do reconhecimento internacional e do sucesso de público, “O Rei e Eu” enfrentou resistência na Tailândia, onde foi proibido por ser considerado desrespeitoso à figura histórica do rei Mongkut. Ainda assim, o filme se mantém como referência estética e narrativa dentro do gênero musical, ocupando posição de destaque em listas do American Film Institute. A chegada ao streaming oferece uma nova oportunidade para revisitar um clássico que reúne cenários grandiosos, figurinos marcantes e uma história construída sobre choque cultural, poder e transformação.


Ficha técnica
“O Rei e Eu” | (“The King and I” (Título original)
Gênero: musical, romance. Duração: 133 minutos. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 1956. Data de lançamento: 28 de junho de 1956. Idioma: inglês. Direção: Walter Lang. Roteiro: Ernest Lehman. Elenco: Yul Brynner, Deborah Kerr, Rita Moreno, Martin Benson, Rex Thompson. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Grátis: Cia Cisne Negro apresenta tributo a David Bowie na praça de convivência do Sesc Bom Retiro


A obra é um mergulho interpretativo na genialidade de Bowie. Foto: Cassiano Rosrio

A Cisne Negro Companhia de Dança apresenta o espetáculo "Ziggy - Tributo a David Bowie" neste domingo, dia 12 de julho, às 16h00, gratuitamente, na praça de convivência do Sesc Bom Retiro. Baseado no legado de David Bowie, artista muito à frente do seu tempo e que influenciou diversas gerações, o espetáculo, de 2016, conta com coreografia do professor e bailarino brasileiro Mário Nascimento, a convite da bailarina, empresária e fundadora da Companhia Cisne Negro de Dança, Hulda Bittencourt (1934 – 2021).

A obra é um mergulho interpretativo na genialidade de Bowie, artista multidisciplinar que criou em diferentes linguagens e mídias, como na música, no cinema, nas artes plásticas, entre outras, marcando definitivamente a história da cultura pop na segunda metade do século XX, até as primeiras décadas do século XXI.


Serviço
Espetáculo "Ziggy - Tributo a David Bowie"
Com Cisne Negro Companhia de Dança
Domingo, dia 12 de julho, às 16h00
Sesc Bom Retiro | Alameda Nothmann, 185 | Campos Elíseos/São Paulo | Telefone: (11) 3332-3600
Praça de Convivência | Grátis
Venda de ingressos disponíveis pelo APP Credencial Sesc SP, no site sescsp.org.br/bomretiro, ou nas bilheterias.
O estacionamento do Sesc oferece espaço para pessoas com deficiência, além de bicicletário. A capacidade do estacionamento é limitada. Os valores são cobrados igualmente para carros e motos. Entrada: Alameda Cleveland, 529. Valores: R$ 10,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional (Credencial Plena). R$ 20,00 a primeira hora e R$ 5,00 por hora adicional (Outros). Horários: terça a sexta-feira: 9h00 às 20h00. Sábado: 10h00 às 20h00. Domingo: 10h00 às 18h00.
Transporte gratuito: o Sesc Bom Retiro oferece transporte gratuito circular partindo da Estação da Luz. O embarque e desembarque ocorrem na saída CPTM/José Paulino/Praça da Luz.


.: "Contos Inclusivos e Travessos" promove encontros gratuitos de leitura e debate sobre Direitos Humanos para jovens em espaços culturais de São Paulo


Iniciativa de incentivo à leitura e promoção da oralidade é inspirada nos pilares sociais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e trata de temas como racismo, capacitismo, diversidade sexual e gênero. Foto: divulgação


A literatura como instrumento de transformação social é o ponto de partida de "Contos Inclusivos e Travessos", iniciativa de incentivo à leitura e promoção da cultura da oralidade voltada a jovens de 12 a 17 anos. Desde março, o projeto realizou encontros gratuitos nas bibliotecas Roberto Santos, Amadeu Amaral e Castro Alves, nos CEUs Paraisópolis, Sapopemba, Rosa da China e São Rafael e no Memorial da Resistência. Inspirada nos pilares sociais dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, a iniciativa aborda temas como racismo, capacitismo, diversidade sexual e de gênero, igualdade de gênero e etarismo, sempre de forma interseccional, evidenciando como essas questões se atravessam nas múltiplas camadas da experiência humana. Os próximos encontros acontecem nos dias 13 e 14 de julho de 2026, nos CEU Lajeado, CEU Inácio Monteiro e CEU Alvarenga.

O título “Contos Inclusivos e Travessos” brinca com o duplo sentido da palavra “travessos”: tanto como aquilo que atravessa diferentes temas e realidades quanto como expressão da inquietação criativa inerente à literatura e à juventude. Serão cinco encontros em cada equipamento cultural participante, totalizando 40 encontros de leitura. Cada sessão reunirá pelo menos 30 estudantes para escuta de contos literários, seguida de bate-papo com as narradoras, convidades especiais e as mediadoras dos encontros, que compartilharão suas vivências dentro do amplo espectro da diversidade.

As narradoras Alexandra Pericão, Melina Soulz e Renata Jambeiro conduzem as histórias, enquanto Fábia Mirassos, Pâm Herrera, Priscila Siqueira e Rachel Rocha participam como convidades nos debates. A mediação é realizada por Alexandra Pericão e Melina Soulz. O projeto também garante acessibilidade com serviço de tradução-intérprete no workshop e nos encontros que abordam o capacitismo.

Como contrapartida, será realizado um workshop voltado a professores, que traz a reflexão sobre contos e autores que enfrentam essas temáticas de forma transversal. O encontro será gravado e disponibilizado gratuitamente nas redes sociais, ampliando o alcance do conteúdo. Em um contexto de crescente violência escolar e polarização social, Contos Inclusivos e Travessos reafirma a literatura como espaço de empatia e construção de cidadania. Ao mergulhar nas histórias e nas perspectivas dos personagens, leitores e ouvintes ampliam sua capacidade de compreender diferentes existências e realidades.

O projeto parte do princípio de que o acesso à literatura é um Direito Humano e de que ninguém deve ser deixado para trás, premissa central dos ODS. Ao promover encontros continuados (e não ações pontuais), a iniciativa responde a uma demanda identificada junto a bibliotecários de equipamentos públicos, que apontaram a carência de projetos de leitura com frequência e aprofundamento. A proposta é fortalecer a cultura da leitura como instrumento para a construção de uma sociedade mais pacífica, inclusiva e socialmente responsável. Esse projeto foi aprovado pelo Pro-Mac - Programa Municipal de Apoio a Projetos Culturais, com patrocínio da Dasa - Líder em Medicina Diagnóstica no Brasil.


Ficha técnica
"Contos Inclusivos e Travessos"
Culturalistas Produções
Produção executiva e direção de produção: Melina Soulz
Curadora: Alexandra Pericão
Narradoras: Alexandra Pericão, Melina Soulz e Renata Jambeiro
Convidades: Fábia Mirassos, Pâm Herrera, Priscila Siqueira e Rachel Rocha
Serviços jurídicos: Cecília Lopes Santana
Assessoria Contábil, financeiro e prestação de contas: Claudia Viri de Oliveira e Nilton de Oliveira
Designer gráfico: Caio Matos
Analista de comunicação / redes sociais: Gabriela Gonzalez Tavares
Foto Still: Ronaldo Gutierrez
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio


Serviço
"Contos Inclusivos e Travessos"
Grátis
Datas e locais das próximas apresentações 

13 de julho de 2026
Narradora Melina Soulz
Convidada Fabia Mirassos
9h30 e 11h
Ceu Lajeado (R. Manuel da Mota Coutinho, 293 - Lageado) 

13 de julho de 2026
Narradora Melina Soulz
Convidada Fabia Mirassos
14h e 15h30
Ceu Inácio Monteiro (R. Barão Barroso do Amazonas, s/n - Conj. Hab. Inácio Monteiro)

14 de julho de 2026 
Narradora Melina Soulz
Convidada Fabia Mirassos
9h30, 11h, 14h e 15h30
Ceu Alvarenga (Estr. do Alvarenga, 3752 - Balneário São Francisco) 

.: Centro Cultural Fiesp apresenta programação especial de férias sobre o humor gráfico brasileiro


Debates, oficinas e encontros gratuitos com grandes nomes do cartum e dos quadrinhos integram a agenda da exposição "Cartunistas" durante o mês de julho. Fotos: divulgação

Para as férias de julho, o Centro Cultural Fiesp preparou uma programação especial dedicada ao humor gráfico brasileiro. Com participação gratuita e aberta ao público, a agenda reúne debates, oficinas e encontros com importantes nomes do cartum, da caricatura e dos quadrinhos nacionais. As atividades integram a exposição fotográfica “Cartunistas”, que pode ser conferida na Galeria de Fotos do Espaço Cultural.

A programação começa neste domingo, dia 12 de julho, às 14h00, com o debate “A Presença da Mulher no Humor Gráfico Nacional”. Participam do encontro as artistas Dani Marino, Daniela Baptista e Helô D’Angelo, que irão discutir a trajetória e os desafios das mulheres no universo dos quadrinhos e do humor gráfico. Inscrições Meu Sesi.

No dia 25 de julho, também às 14h, o cartunista e jornalista José Alberto Lovetro (JAL), presidente da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB), conversa com Sidney Gusman, jornalista, editor e responsável pelas Graphic MSP. O bate-papo abordará os caminhos para a criação de roteiros de quadrinhos, o mercado editorial e oportunidades para novos profissionais da área. I

Encerrando a programação, no dia 26 de julho, às 14h, o caricaturista Baptistão ministra uma oficina voltada a interessados em caricaturas e mercado de trabalho. A atividade inclui sessão de autógrafos de seu mais recente livro sobre a música popular brasileira, com inscrições gratuitas pelo Meu Sesi. Os três eventos acontecem no Mezanino do Centro Cultural Fiesp, com vagas limitadas para cada apresentação, mediante inscrição prévia pela plataforma do SESI.

Além de promover o contato direto com profissionais reconhecidos da área, as atividades ampliam a experiência do público com a exposição “Cartunistas”, que apresenta retratos de mais de 140 artistas brasileiros realizados pelo fotógrafo Paulo Vitale, com curadoria de Eder Chiodetto. A mostra reúne nomes históricos e contemporâneos do humor gráfico nacional e oferece ainda vídeos com depoimentos e bastidores dos ensaios fotográficos. Entre os artistas retratados estão Mauricio de Sousa, Ziraldo, Angeli e Laerte, além de representantes da nova geração, como Helô D’Angelo e Carlos Ruas.

 
Serviço
Programação Especial - Palestras e Oficinas (gratuitas)
Atividades com vagas limitadas e inscrição prévia (quando indicado)
Programação completa será divulgada gradualmente
A presença da mulher no humor gráfico nacional
Data: 12 de julho de 2026, às 14h00
Mezanino do Centro Cultural Fiesp - Av. Paulista, 1.313 / São Paulo
Classificação: livre para todas as idades (crianças com acompanhantes)
Quantidade de vagas: 50
Entrada: gratuita

Panorama da edição de quadrinhos no Brasil com Sidney Gusman
Data: 25 de julho de 2026
Horário: 14h00
Local: Mezanino do Centro Cultural FIESP – Av. Paulista, 1.313
Classificação: livre para todas as idades (crianças com acompanhantes)
Quantidade de vagas: 50
Entrada: gratuita

Oficina de caricatura com o Baptistão
Data: 26 de julho de 2026
Horário: 14h00
Local: Mezanino do Centro Cultural FIESP – Av. Paulista, 1.313
Classificação: livre para todas as idades (crianças com acompanhantes)
Quantidade de vagas: 30
Entrada: gratuita

Exposição “Cartunistas”
Período: até dia 20 de setembro de 2026
Horários: terça a domingo, das 10h00 às 20h00
Local: Galeria de Fotos do Centro Cultural Fiesp - Av. Paulista, 1.313
Classificação: livre
Entrada: gratuita (não é necessário reservar ingresso)
Agendamento de grupos e escolas: ccfagendamentos@sesisp.org.br

sábado, 11 de julho de 2026

.: Crítica: “Mamma Mia!", musical aposta no feminino e sai vitorioso no palco


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Sucesso retumbante no Rio de Janeiro e agora em São Paulo, o musical “Mamma Mia!” cumpre exatamente o que promete: divertir, emocionar e colocar uma plateia inteira para cantar. Em cartaz até este dia 9 de agosto no BTG Pactual Hall, em São Paulo, a temporada do musical criado a partir dos sucessos do grupo ABBA reafirma a força popular com uma montagem eficiente, vibrante e consciente do próprio impacto. Dirigido por Charles Möeller, com versão brasileira e supervisão musical de Claudio Botelho, o espetáculo aposta em uma encenação ágil, colorida e afinada com o gosto do público.

A história é clássica: em uma ilha grega, Sophie, prestes a se casar, convida três antigos amores da mãe, Donna, na tentativa de descobrir quem é o pai dela. O enredo, que mistura romance e comédia, serve de base para uma sequência de hits que o público reconhece nos primeiros acordes - “Dancing Queen”, “Mamma Mia”, “The Winner Takes It All”, “Money, Money, Money”. O que faz a montagem ser inesquecível, no entanto, está no elenco. 

Giovanna Rangel, que interpreta Sophie, domina a cena com muito carisma. A presença dela é leve, segura e magnética, dessas que organizam o espetáculo ao redor sem esforço. Ao lado dela, Sérgio Menezes, no papel de Sam Carmichael, constrói uma relação convincente, com química e momentos que sustentam o envolvimento emocional da plateia com a história dos dois personagens. Claudia Netto assume a protagonista Donna com experiência e firmeza, enquanto Totia Meireles circula com naturalidade e precisão, encontrando o humor certo em cada entrada. 

Gottsha, por sua vez, impõe respeito desde a primeira nota: o vozeirão da artista não passa despercebido e funciona como um selo de qualidade dos espetáculos em que participa. Entre os papéis masculinos de destaque, Claudio Galvan, como Harry Bright, surge como uma surpresa valiosa. Famoso pelas dublagens, ele ostenta uma presença cênica forte, domínio vocal e timing que eleva todas as cenas em que participa. É um prazer vê-lo no palco. A interpretação de Renato Rabelo, no papel Bill Austin, aposta na suavidade, que agrada sem esforço. Figura conhecida nos lares brasileiros, pelas produções que participou ou pelo podcast que apresenta, a presença dele é algo que torna tudo ainda mais aconchegante para a plateia.

Com mais de 20 artistas em cena, o conjunto funciona bem e garante números musicais que mantêm o ritmo elevado. A direção aposta na comunicação direta com o público, sem rodeios, e acerta ao não complicar o que já nasce promissor: canções conhecidas, personagens carismáticos e uma história que flerta com o absurdo sem perder a afetuosidade. 

Há ainda um aspecto que se destaca: a leitura do espetáculo como um elogio à autonomia feminina. Donna se basta sozinha, Sophie questiona o próprio destino, as amigas exalando liberdade. O texto, escrito na década de 1990, encontra eco imediato em plateias atuais, que respondem com entusiasmo. “Mamma Mia!” não tenta reinventar o musical e nem precisa. A montagem brasileira é executada com competência, apostando no talento do elenco e na força de um repertório que atravessa gerações. O resultado é um espetáculo leve, afiado e irresistivelmente comunicativo. 

Na reta final de temporada, a produção se confirma como uma escolha certeira para quem quer sair do teatro com um refrão na cabeça e a sensação de que o palco ainda sabe reunir gente em torno de algo simples e bem feito. “Mamma Mia!” acerta ao apresentar personagens que erram, confundem, metem os pés pelas mãos e, ainda assim, encontram um caminho possível. É dessa matéria imperfeita, cheia de tropeços e recomeços, que o espetáculo extrai a força de reconhecer, no riso e na música, a humanidade de quem insiste em seguir em frente.


Ficha técnica
"Mamma Mia - O Musical" 
Um espetáculo de Charles Möeller & Claudio Botelho
Uma superprodução Aventura
Direção, cenário e figurinos: Charles Möeller
Versão brasileira e supervisão musical: Claudio Botelho
Direção musical: Marcelo Castro
Coreografia/Diretora residente (SP): Mariana Barros
Desenho de luz: Vinícius Zampieri
Desenho de som: André Breda
Coordenação artística: Tina Salles
Direção de produção: Bianca Caruso
Direção artística e produção geral: Aniela Jordan
Direção de negócios e marketing: Luiz Calainho
Elenco: Claudia Netto (Donna Sheridan), Totia Meireles (Tanya), Gottsha (Rosie), Sérgio Menezes (Sam Carmichael), Claudio Galvan (Harry Bright), Renato Rabelo (Bill Austin) Giovanna Rangel (Sophie Sheridan), Eduardo Borelli (Sky), Tabatha Almeida (Ali), Mari Marques (Lisa), Vicenthe Delgado (Pimenta), Murilo Armacollo (Eddie), Ju Romano (Grega), Talita Silveira (Grega), Leo Wagner (Grego/Padre Alexandrios), Vinicius Cafer (Grego), Lorena Fraga (Grega), Bruno Kimura (Grego), Guilherme Lopes (Grego), Thiago Garça (Grego), Hugo Lopes (Grego), Isabela Yunes (Grega), Yas Fiorelo (Grega), Bruna Lemberg (Swing), Henrique Reinesch (Swing).


Serviço
Espetáculo "Mamma Mia! - O Musical"
Temporada 2026 no BTG Pactual Hall
Até dia a 9 de agosto
Sextas-feiras, às 20h00. Sábados, às 16h00 e 20h00. Domingos, às 15h00.
Ingressos (1º lote): de R$ 50,00 (balcão) a R$ 300,00 (Plateia VIP)
Classificação indicativa: 12 anos

.: “Acerto de Contas” confronta ética e paixão nas ruas de Nova Orleans


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Acerto de Contas” chega ao catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um dos títulos mais sedutores do cinema policial dos anos 1980. Dirigido por Jim McBride e escrito por Daniel Petrie Jr., o longa-metragem - cujo título original é “The Big Easy” e que, em Portugal, recebeu o nome de “Nas Teias da Máfia” - aposta na mistura de investigação criminal com tensão romântica, ambientada em uma Nova Orleans pulsante.

Na trama, Dennis Quaid vive o detetive Remy McSwain, um policial carismático que navega com naturalidade por práticas pouco ortodoxas dentro da corporação. A rotina dele muda quando passa a investigar uma série de assassinatos ligados à própria polícia. É nesse cenário que surge Anne Osborne, promotora interpretada por Ellen Barkin, enviada para enfrentar a corrupção. O envolvimento entre os dois cresce na mesma proporção em que o caso se complica, colocando ética, desejo e poder em rota de colisão.

O elenco ainda reúne nomes como John Goodman e Ned Beatty, que ajudam a dar corpo a esse retrato de uma instituição corroída por interesses paralelos. A química entre Quaid e Barkin se tornou um dos pontos mais comentados à época do lançamento, com ambos os atores apontando o filme como um dos favoritos de suas carreiras.

Filmado integralmente em Nova Orleans, o longa incorpora com força a identidade local, da música zydeco às paisagens urbanas e ao sotaque cajun que marca a performance de Quaid. A cidade não serve apenas de cenário, mas dita o ritmo e o humor da narrativa, contribuindo para que o filme seja lembrado como uma das representações mais autênticas da região no cinema mainstream daquela década.

Outro dado curioso envolve o desenvolvimento do roteiro, que inicialmente se passaria em Chicago e tinha outro título. A mudança para Nova Orleans redefiniu o projeto e ajudou a consolidar o tom híbrido entre policial e romance. O próprio diretor voltaria a trabalhar com Dennis Quaid em “A Fera do Rock” (1989), explorando um registro completamente diferente.

Lançado em meio à renovação do cinema noir, “Acerto de Contas” acabou associado ao movimento neo-noir dos anos 1980, ainda que opte por uma abordagem mais leve, sem abrir mão das zonas cinzentas de seus personagens. Entre investigações, jogos de poder e relações atravessadas por interesse, o filme constrói um retrato envolvente de uma cidade em que charme e corrupção caminham lado a lado.


Ficha técnica
“Acerto de Contas” | “The Big Easy” (título original) | “Nas Teias da Máfia” (título em Portugal)
Gênero: policial, romance, drama. Duração: 1h42m. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1986. Data de lançamento: 21 de agosto de 1987 (EUA). Idioma: inglês. Direção: Jim McBride. Roteiro: Daniel Petrie Jr. Elenco: Dennis Quaid, Ellen Barkin, John Goodman, Ned Beatty, Grace Zabriskie. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: Alanté Kavaïté conduz “Beladona” e desafia o olhar sobre a finitude


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Beladona” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em uma ficção científica de atmosfera rarefeita para encarar um tema que ainda provoca desconforto: o envelhecimento. Dirigido pela cineasta lituana Alanté Kavaïté, o longa-metragem francês parte de uma premissa inquietante para construir sua narrativa. Ambientado em um futuro próximo, o filme acompanha Gaëlle (Nadia Tereszkiewicz), uma jovem que vive isolada em uma ilha cuidando de um grupo de idosos que escaparam de uma política estatal que os remove do convívio social. A rotina, marcada por um equilíbrio frágil, ganha novos contornos com a chegada de Aline (Daphné Patakia), David (Dali Benssalah) e uma criança. O que parece sopro de vitalidade logo se converte em tensão: os moradores mais velhos começam a morrer, um a um, enquanto a suspeita cresce em torno dos visitantes.

Exibido no Festival de Cinema Europeu Imovision 2026, o filme dialoga com discussões contemporâneas sobre etarismo e políticas de controle dos corpos. A própria diretora revelou, em entrevistas à imprensa europeia, que o roteiro começou a ser desenvolvido ainda em 2016, mas ganhou novas camadas durante a pandemia de Covid-19, quando a vulnerabilidade da população idosa passou a ocupar o centro do debate global. Essa experiência atravessa a construção dramática do longa, especialmente na maneira como o cuidado é tensionado pela liberdade.

Kavaïté, que também assina o roteiro, opta por acompanhar o ponto de vista de quem cuida, e não dos idosos, escolha que desloca o eixo tradicional dessas narrativas. Gaëlle surge como uma personagem em conflito: ao mesmo tempo em que protege, também restringe, revelando contradições que atravessam relações afetivas marcadas pela finitude. Há ecos evidentes de outras produções recentes que exploram distopias sobre envelhecimento, como o brasileiro “O Último Azul”, de Gabriel Mascaro - comparação reconhecida pela própria diretora. Ainda assim, “Beladona” prefere um caminho mais introspectivo, investindo em uma encenação contida, fotografia de luz natural e uma narrativa que preserva lacunas. O resultado pode dividir o público: enquanto alguns embarcam na ambiguidade proposta, outros podem sentir falta de respostas mais concretas.

O elenco reúne nomes experientes como Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart e Jean-Claude Drouot, que ajudam a sustentar a tensão silenciosa que percorre o filme. Nadia Tereszkiewicz, por sua vez, carrega o peso dramático da protagonista com intensidade contida, reforçando a sensação de isolamento que define a obra. Sem recorrer a grandes reviravoltas, “Beladona” aposta em uma inquietação progressiva. O filme provoca ao encarar o envelhecimento sem romantização, abrindo espaço para discutir desejo, autonomia e os limites do cuidado em uma sociedade que ainda hesita em lidar com a velhice de forma plena.


Ficha técnica
“Beladona” | “Belladone” (Título original) 
Gênero: ficção científica, drama. Duração: 94 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção e roteiro: Alanté Kavaïté. Elenco: Nadia Tereszkiewicz, Daphné Patakia, Dali Benssalah, Miou-Miou, Patrick Chesnais, Alexandra Stewart, Jean-Claude Drouot. Distribuição no Brasil: Reserva Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, o streaming que respeita a sua inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. 
Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Estreia "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo em nova montagem brasileira


Após temporada no Rio de Janeiro, o musical será apresentado no Teatro Viradalata em uma nova montagem brasileira da obra autobiográfica de Jonathan Larson, que inspirou o premiado filme estrelado por Andrew Garfield. Foto: Paulo Aragon


O musical "tick, tick... BOOM!" chega a São Paulo para uma curta temporada até dia 19 de julho, no Teatro Viradalata. Após temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a produção da Play It! Produções leva à capital paulista uma nova montagem da obra, considerada um dos musicais mais emocionantes e pessoais do teatro musical contemporâneo. Aclamado desde sua estreia Off-Broadway, o espetáculo recebeu sete indicações ao Drama Desk Awards, incluindo Melhor Musical, e conquistou o Outer Critics Circle Award de Melhor Musical Off-Broadway. Os ingressos estão à venda pela Sympla.

Poucas obras retratam com tanta honestidade as dúvidas, as angústias e as esperanças de quem decide perseguir um sonho artístico quanto "tick, tick... BOOM!". Escrita por Jonathan Larson, criador do premiado musical "Rent", a obra nasceu de experiências pessoais do autor e acompanha Jon, um jovem compositor prestes a completar 30 anos que tenta concluir o musical que poderá mudar sua trajetória enquanto enfrenta as incertezas da vida adulta. Dividido entre a estabilidade e o desejo de viver da arte, ele se vê diante de escolhas que colocam à prova seus relacionamentos, suas convicções e o próprio futuro.

Embora ambientado no início da década de 1990, o musical permanece atual ao abordar temas como ansiedade, propósito, frustrações profissionais e o peso das decisões que acompanham a vida adulta. Com humor, emoção e uma trilha sonora vibrante, a obra transformou inquietações pessoais em uma narrativa universal, capaz de dialogar com artistas e com qualquer pessoa que já tenha se perguntado se está no caminho certo.

A nova montagem brasileira reúne Matheus Boa no papel de Jon, Camille Dutra como Susan e Diego Montez como Michael. O elenco conta ainda com os covers João Ferreira e Mariana Ramirez. A direção é compartilhada por Luiza Lewicki, Julia Varga e Marcela Pires - que somam passagens por produções como "Beetlejuice", "Querido Evan Hansen" e a novela "Garota do Momento", da TV Globo -, com direção musical de Caio Loureiro, arranjos vocais e orquestrações de Stephen Oremus, versão de Bruno Narchi e Thiago Machado e regência de Thalyson Rodrigues. A equipe criativa conta ainda com direção de movimento da 53 Produções, cenografia de Pugli, design de som de Fernando Sagas, desenho de luz de Dans Souza e Rodrigo Sawl, produção executiva de Flavio Boa e coordenação de produção de Gabriel Barbosa.

A encenação aposta na proximidade entre artistas e plateia para transformar o público em parte da jornada de Jon. Cenário, figurinos, movimentação e construção das cenas foram concebidos para criar uma experiência imersiva, aproximando os espectadores dos conflitos, sonhos e emoções vividos pelo protagonista.A atmosfera é potencializada por uma banda formada por quatro músicos que executam ao vivo as composições de Jonathan Larson, preservando toda a força e a energia da trilha original. A formação é composta por Thalyson Rodrigues (piano e regência), Ingrid Cavalcanti (baixo elétrico), Jorge Ervolini (guitarra e violão) e Kiko Andrioli (bateria), que conferem ainda mais potência e dinamismo às canções que conduzem a narrativa.

O alcance da obra foi ampliado em 2021, quando "tick, tick... BOOM!" ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Lin-Manuel Miranda, em sua estreia como diretor. Estrelado por Andrew Garfield, o longa recebeu elogios da crítica internacional, conquistou duas indicações ao Oscar e rendeu ao ator o Globo de Ouro de Melhor Ator em Filme de Comédia ou Musical, apresentando Jonathan Larson e sua trajetória a milhões de espectadores ao redor do mundo.

Produzido pela Play It! Produções, empresa carioca dedicada ao desenvolvimento de novos talentos do teatro musical, o espetáculo reúne uma equipe formada por artistas de diferentes trajetórias para revisitar uma obra que segue emocionando plateias ao transformar sonhos, frustrações e escolhas em uma narrativa profundamente humana. Mais de três décadas após sua criação, "tick, tick... BOOM!" reafirma seu lugar entre os títulos mais sensíveis e marcantes do teatro musical contemporâneo.


Serviço
Exspetáculo "tick, tick... BOOM!"

Temporada: 9 a 19 de julho de 2026
Sessões: Quintas e sextas, às 20h00. Sábados e domingos, às 16h00 e 20h00
Ingressos: a partir de R$ 60,00
Vendas: Sympla - https://bileto.sympla.com.br/event/121848?share_id=1-copiarlink
Local: Teatro Viradalata
Endereço: Rua Apinajés, 1387 - Sumaré / São Paulo
Abertura da casa uma hora antes do espetáculo
Gênero: teatro musical
Classificação etária: 16 anos
Duração: 100 minutos 

.: Itamar Vieira Junior realiza palestra e inspira Ciclo de Leitura na Caixa Cultural


Programação aproxima o público das temáticas que atravessam a obra do autor de "Torto Arado". Foto: Divulgação / Caixa


Em julho, a programação da Caixa Cultural São Paulo reúne a palestra “É Mesmo Ficção?”, conduzida por Itamar Vieira Junior, e o Ciclo de Leitura: "Vozes em Terra - Ecos de Resistência em 'Torto Arado'", realizado pelo Programa Educativo Caixa Gente Arteira. As atividades têm como ponto de partida a produção literária do escritor e questões presentes em seus livros. Autor de "Torto Arado", "Salvar o Fogo", "Coração Sem Medo" e "Doramar ou a Odisseia", Itamar Vieira Junior conduz, no dia 18, a palestra “É mesmo ficção?”, estruturada a partir de leituras comentadas e conversas sobre literatura, memória, território e processos de criação narrativa.

Voltado a leitores, estudantes, educadores, pesquisadores e interessados em literatura contemporânea, o encontro oferece uma aproximação com referências, contextos e elementos presentes na trajetória e na produção literária do escritor.

Em diálogo com a palestra, a atividade promove a leitura compartilhada de "Torto Arado" e a mediação de conversas sobre aspectos literários, culturais e históricos abordados no romance, estimulando a troca de interpretações entre os participantes. Ao reunir a leitura da obra e o encontro com seu autor, a programação oferece ao público um espaço de reflexão sobre a literatura brasileira contemporânea e sobre os múltiplos sentidos presentes na escrita de Itamar Vieira Junior.


Serviço
Palestra: “É Mesmo Ficção?”, com Itamar Vieira Junior

Caixa Cultural São Paulo | Praça da Sé, 111 - Centro / São Paulo
Dia 18 de julho de 2026, das 15h00 às 17h00
Duração: 2 horas
Classificação indicativa: 18 anos
Capacidade: 140 participantes
Informações: (11) 3321-4400
Site: caixacultural.gov.br | Instagram: @caixaculturalsp


Ciclo de Leitura "Vozes em Terra - Ecos de Resistência em 'Torto Arado'"
Local: Sala de Oficinas
Datas: 11 e 25 de julho de 2026,  das 10h00 às 12h00
Duração: 2 horas por encontro
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 20 participantes por encontro
Programação gratuita, sujeita à capacidade dos espaços.


 

sexta-feira, 10 de julho de 2026

.: Crítica musical: Alceu Valença, 80 anos de genialidade musical


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Um dos nomes mais importantes da nossa MPB, o pernambucano Alceu Valença completou 80 anos mantendo a mesma disposição para produzir verdadeiras pérolas musicais com aquele tempero nordestino inconfundível e irresistível.

Alceu é um talento multifacetado. Além da música teve passagens marcantes no cinema e até na literatura com um livro de poesias, Mas foi na música que ele se tornou conhecido, mesclando as influências  musicais de Luiz Gonzaga e de Jackson do Pandeiro com outras que ele ouvia nas rádios.

Seu primeiro disco foi gravado em parceria com o igualmente genial Geraldo Azevedo em 1973. No ano seguinte lança o disco Molhado de Suor, frequentemente apontado como um de seus melhores trabalhos. E desde então não parou mais.

Basta um breve olhar em sua discografia para perceber a riqueza de sua obra. Álbuns como o "Espelho Cristalino" (1975), "Coração Bobo" (1980), "Cavalo de Pau" (1982). "Anjo Avesso" (1983) e "Mágico" (1985), só pra citar alguns exemplos, reúnem uma coleção de canções antológicas, algumas até se tornaram hits nas rádios, como a irresistível Tropicana.

A genialidade de Alceu se explica pelo fato de ele se manter autèntico, sem se render para concessões comerciais impostas pelas grandes gravadoras. E essa postura só comprovou que sua obra sempre teve o apelo popular. Basta ver seus shows sempre com grande presença de público.

Para nossa felicidade, Alceu segue em pela atividade comemorando merecidamente os seus 80 anos. E tomo emprestado os versos da canção Sete Desejos: E agora penso que a estrada/Da vida, tem ida e volta/Ninguém foge do destino/Esse trem que nos transporta.

"Estação da Luz"

"Sete Desejos"

"Coração Bobo"

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