"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros", publicado pela Costelas Felinas Editora, leva o leitor a percorrer diferentes gêneros e estilos, pois cada capítulo é como uma parada em uma nova estação, onde podemos conhecer autores renomados e suas obras, bem como redescobrir histórias que marcaram época. Assunção não apenas resume os enredos, mas também analisa temas, estilos e a relevância cultural de cada obra, proporcionando ao leitor uma visão ampliada e enriquecedora.
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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026
.: #LeituraMiau: "Rota 69", de Maycon Assunção, um olhar e muitas rotas
"Rota 69 - Uma Viagem pelos Livros", publicado pela Costelas Felinas Editora, leva o leitor a percorrer diferentes gêneros e estilos, pois cada capítulo é como uma parada em uma nova estação, onde podemos conhecer autores renomados e suas obras, bem como redescobrir histórias que marcaram época. Assunção não apenas resume os enredos, mas também analisa temas, estilos e a relevância cultural de cada obra, proporcionando ao leitor uma visão ampliada e enriquecedora.
.: Alexandre Lino expõe conflitos familiares e desafia rótulos em “A Miss”
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação
Aos poucos, Alexandre Lino construiu uma trajetória marcada pela recusa ao óbvio. Ator de presença discreta, mas de escolhas contundentes, ele passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão interrogando papéis, estereótipos e expectativas - sobretudo aquelas projetadas sobre corpos, sotaques e origens. No filme "A Miss", em breve em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, ele dá vida a Athena, personagem marcado por angústias, disputas familiares e ambiguidades morais, reafirmando a vocação dele em dar vida a personagens que incomodam mais do que confortam. Nesta entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, o ator reflete sobre protagonismo tardio, humor como linguagem política, identidade nordestina, processos criativos e a responsabilidade ética de existir em cena sem se render à caricatura.
Resenhando.com - Você passou décadas sendo um ator essencial, mas muitas vezes coadjuvante no audiovisual. O sucesso tardio no cinema muda o ego ou apenas confirma uma espera que sempre fez sentido para você?
Resenhando.com - Em "A Miss", o desejo da mãe fala mais alto que a escuta dos filhos. Na sua leitura, esse filme fala mais sobre identidade de gênero ou sobre o autoritarismo disfarçado de amor dentro das famílias brasileiras?
Resenhando.com - Depois de dar voz a personagens socialmente invisíveis - porteiros, migrantes, figuras à margem - o que ainda o assusta mais: a invisibilidade ou a caricatura quando finalmente se ganha destaque?
Resenhando.com - Você transita com naturalidade entre o riso popular e o drama sensível. Existe preconceito dentro do próprio meio artístico contra quem domina o humor antes de ser reconhecido como “ator sério”?
Resenhando.com - Em "O Porteiro", você inverte o foco e coloca o “figurante da vida real” como protagonista. Em "A Miss", a inversão é de gênero e expectativa. A subversão virou um projeto político na sua arte?
Resenhando.com - Depois de tantos anos criando pontes entre teatro, cinema e educação artística, o que ainda move você: reconhecimento, sobrevivência ou a necessidade quase física de contar histórias que incomodam?
Resenhando.com - Você já afirmou que “ser homem hoje é reinventar-se”. O que o cinema brasileiro ainda precisa desaprender para representar novas masculinidades sem medos ou clichês?
Resenhando.com - Se "A Miss" fosse menos sobre concursos de beleza e mais sobre o Brasil atual, que faixa simbólica você acha que o país está tentando usar, e qual ele definitivamente não merece?
.: Livro de Joël Dicker é ode à literatura e ao poder de proporcionar diálogos
Democracia, igualdade e respeito às diferenças. Em novo livro, o autor best-seller Joël Dicker se baseia nesses três pilares para construir uma história que visa promover leituras conjuntas em família, além de refletir sobre a polarização ao tentar unir pessoas com pensamentos distintos. Em "O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico", o autor suíço inova ao dar protagonismo à uma criança em uma narrativa, que embora seja breve, passa uma mensagem poderosa. O lançamento chega às livrarias brasileiras em fevereiro pela Intrínseca. A tradução é de Debora Fleck.
No enredo, o leitor acompanha Joséphine e seu grupo de amigos, formado apenas por crianças com características que as distinguem das demais crianças, em uma investigação sensível sobre o misterioso fechamento de sua escola após uma inundação. Elas estão convencidas de que não foi um acidente e não pouparão esforços para descobrir o verdadeiro culpado dessa pequena catástrofe. Enquanto isso, terão que frequentar a instituição de ensino do outro lado da rua, que acolhe um número grande de alunos. Do dia para a noite, as crianças terão que sair de suas zonas de conforto para conviver com pessoas diferentes e, no caminho, aprender conceitos fundamentais para todos.
À medida que a apuração avança, os pequenos são confrontados com vários desafios impostos pela mudança de suas rotinas. Mas, mesmo com os percalços, as crianças conseguem descobrir respostas com ajuda da avó de um deles, que, por ser fã de séries policiais, sabe tudo sobre como conduzir uma investigação. A partir daí, o grupo atravessa várias desventuras hilárias em busca da verdade, que culminam em um passeio caótico ao zoológico. Ao final, os amigos descobrem que as aparências podem enganar quando o caso toma um rumo totalmente diferente do que imaginaram.
O supercatastrófico passeio ao zoológico é um livro escrito com o desejo de fazer as pessoas lerem juntas. Como Dicker descreve na nota do autor, ao final do livro, o autor queria elaborar algo que “despertasse a vontade de ler e de fazer os outros lerem, sem distinção. E que fizesse a gente se reencontrar. De verdade”. Compre o livro "O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico", de Joël Dicker, neste link.
Sobre o autor
Joël Dicker nasceu em Genebra, na Suíça, em 1985. É autor de "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", fenômeno mundial adaptado para série homônima, que foi finalista do prêmio Goncourt e vencedor do Grande Prêmio de Romance da Academia Francesa. São dele também "Os Últimos Dias de Nossos Pais", agraciado com o Prêmio dos Escritores de Genebra; "O Livro dos Baltimore"; "O Desaparecimento de Stephanie Mailer"; "O Enigma do Quarto 622"; "O Caso Alaska Sanders" e "Um Animal Selvagem", todos publicados pela Intrínseca. Foto: Anoush-Abrar. Compre os livros de Joël Dicker neste link.
.: Tainá Müller estreia como apresentadora do "Café Filosófico"
As noites de domingo vão ganhar uma novidade para quem gosta de uma boa conversa e estava com saudade de um dos rostos mais famosos e talentosos da TV. A partir da segunda quinzena de abril, o programa "Café Filosófico", que está no ar há 23 anos na TV Cultura, em parceria com o Instituto CPFL, passa a ser apresentado pela atriz, roteirista, diretora e jornalista Tainá Müller. A atração vai ao ar às 20h00.
domingo, 1 de fevereiro de 2026
.: “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” vai do felizes para sempre e cai no real
Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com
Em fevereiro de 2025
"Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" apresenta a história da vida real de Mike (Hugh Jackman) e Claire Sardina (Kate Hudson), um casal da cidade de Milwaukee, Wisconsin, que não alcançou o estrelato global no meio musical, embora tenha construído uma existência sustentada pela arte e o desejo de estar no palco como Lightning & Thunder, uma banda-tributo a Neil Diamond que vai além do sucesso "Sweet Caroline" e interpreta "Soolaimon".
De forma nua e crua a trama coloca os solteiros, mas com filhos num "encontro" nos bastidores de um show de imitação. Ele como Don Ho e ela como Patsy Cline. Claire que já o conhecia de apresentações em eventos anteriores cai na mira dele e o amor acontece. O longa de 2 horas e 13 minutos de duração parece ser uma linda e florida história de amor mesclada com o trabalho musical que tem como empecilho somente a breve resistência dos filhos.
Contudo, "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" divide toda a carga emocional com o público quando em casa, Claire, quer dar uma cor no seu jardim plantando flores. Diante da janela da sala, acaba sendo vítima de um carro desgovernado. A cena impactante que tira o sorriso do rosto dela, acaba com todo o ar de felizes para sempre que vinha crescendo no filme.
Perdida numa profunda tristeza, ela passa o peso do fardo para Mike e os três filhos. Todos sem saber qual rumo tomar diante da situação, uma vez que a mãe só está presente fisicamente e tudo mais distante. Dirigido e roteirizado por Craig Brewer (“Ritmo de Um Sonho”), "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" é inspirado no documentário homônimo de 2008, incluindo o encontro do casal com Eddie Vedder, do Pearl Jam.
A produção emocionante tem ainda os vocais de Hugh Jackman, experiente em musicais da Broadway e Kate Hudson, que lançou carreira no meio musical em 2024, tendo participado do seriado "Glee" com a professora Cassie. O resultado é uma dupla em perfeita sincronia, seja na interpretação ou no vocal. "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" toca no público não por somente fugir de uma história de ascensão meteórica e que não chega sucesso global, mas por apesar de tudo, seguir as trilhas do coração mesmo quando a matriarca da família tem a vida remexida de cabeça para baixo e todos os seus sofrem com tal impacto. No elenco ainda estão nomes como Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Jim Belushi, Michael Imperioli, Fisher Stevens e Hudson Hilbert Hensley. Imperdível!
* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm
Ficha técnica
“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” | "Song Sung Blue" (título original)
Gênero: comédia musical, drama. Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: inglês. Direção e roteiro: Craig Brewer. Elenco: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Hudson Hilbert Hensley. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h13m. Cenas pós-créditos: não.
Trailer
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.: Entrevista: Victor Garbossa reinventa “O Alienista” para fazer o Brasil repensar
Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Joaquim Araújo
Em um país onde o clássico frequentemente é visto como sinônimo de inacessível, "O Alienista" -adaptação teatral protagonizada por Victor Garbossa e dirigida por Eduardo Figueiredo - surge como uma espécie de rebelião poética: leve, irônica, musical e, ao mesmo tempo, profundamente crítica. Inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, a montagem reimagina o médico Simão Bacamarte que, além de um estudioso da razão e da loucura, é també, alguém que faz parte das contradições e obsessões de nosso tempo.
Em cartaz até o dia 1º de fevereiro no Teatro J. Safra, em São Paulo, "O Alienista" convida cada espectador a revisitar Machado de Assis. Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, Victor Garbossa fala sobre arte, identidade, redes sociais, fé cega e o ofício performático que transita entre palco, estúdio de dublagem e tela.
Com uma linguagem que dialoga diretamente com o público jovem e familiar, o espetáculo propõe uma aproximação radical entre palco e plateia - que começa ainda na recepção do teatro, quando um ator se mistura aos espectadores para compartilhar como a leitura de um clássico transformou sua vida. Ao longo de 60 minutos, humor e reflexão se misturam à música ao vivo e à multiplicidade de personagens encarnados por Garbossa, convidando o público a rir, pensar e questionar a própria noção de normalidade.
Resenhando.com - "O Alienista" é uma obra sobre o poder de definir quem é “normal”. Em 2026, quem você acredita que ocupa esse lugar de alienista na sociedade brasileira: a ciência, a política, o mercado ou as redes sociais?
Victor Garbossa - Eu acredito que o tribunal das redes sociais seja um antro onde pessoas de todos os segmentos se sentem autorizadas - e empoderadas - a julgar o que é certo, o que é errado, o que é normal e o que não é. Existe uma crença perigosa de que qualquer um pode opinar sobre qualquer assunto sem embasamento algum, e as redes sociais reforçam isso ao oferecerem anonimato e sensação de impunidade. Basta um perfil fechado ou falso para que atrocidades sejam ditas e, na maioria das vezes, nada acontece.
Resenhando.com - Ao se misturar ao público logo na recepção e contar sua própria “queda” em Machado de Assis, você rompe a quarta parede e também a hierarquia entre ator e espectador. Esse gesto é mais teatral ou mais político?
Victor Garbossa - É mais humano. A partir do momento em que busco equalizar a nossa relação, tento trazer para as pessoas uma proximidade que muitas vezes o estereótipo de um texto difícil cria logo de início. Quando somos apresentados a um texto clássico, geralmente temos a impressão de algo arcaico, chato ou de difícil leitura. O que eu busco dizer, por meio desse ato, é que estamos juntos. Ao fazer isso, rompo previamente uma barreira que, por exemplo, no cinema, existe de forma clara entre tela e espectador. Aqui, apesar de também existir uma separação, estamos todos dentro da mesma história.
Resenhando.com - Machado de Assis escreveu "O Alienista" como sátira, mas muitos hoje o leem quase como profecia. Em cena, você ri mais de Simão Bacamarte ou sente medo dele?
Victor Garbossa - A primeira coisa que busco é a empatia. Não posso ser leviano ou ingênuo a ponto de dizer que nunca julguei algo com preconceito ao longo da minha trajetória, nem condenar o personagem como um tipo de monstro. Esse discernimento vem primeiro do lugar de leitor e espectador, para só depois se transformar em intérprete. Procuro entender as motivações do personagem, mas também faço questão de analisar o resultado final disso tudo nos dias de hoje. Existem pessoas com comportamentos muito semelhantes aos de Bacamarte, e elas me assustam. Como disse na primeira pergunta, a sensação de impunidade lhes dá uma falsa segurança para rotular, julgar e aprisionar pessoas e situações conforme lhes convém, sustentadas por atitudes egoicas, absurdas e prepotentes. Talvez o riso surja justamente desse desconforto: perceber que, ainda hoje, há quem prefira julgar em vez de acolher.
Resenhando.com - Interpretar vários personagens sozinho exige rapidez, precisão e risco. O que mais o assusta num solo: o silêncio da plateia ou o riso que vem no tempo errado?
Victor Garbossa - O que mais me assusta é suprir uma expectativa que muitas vezes eu mesmo crio. Fazer um solo exige, antes de tudo, estar despido de vaidade, permitir ser vulnerável e generoso a tudo o que pode acontecer. É evidente que ensaiamos muito e nos preparamos intensamente para que a piada entre no tempo certo, para que a comoção chegue até a plateia, mas também é fundamental estar atento e disponível para saber lidar com os reveses quando situações fora do nosso controle acontecem.
Resenhando.com - Sua carreira transita entre teatro, dublagem, televisão e literatura infantil. Em qual desses territórios você sente que pode errar mais - e por que errar ainda é essencial para um artista?
Victor Garbossa - Eu vejo o "erro"na verdade como o que funciona e o que não funciona às vezes uma técnica uma expressão uma piada funciona e/ou não funciona para um espetáculo em específico o teatro acaba sendo esse espaço mais fértil pois muitas vezes ele nasce desse inesperado ele nasce da experimentação de apostar de sair um pouco do óbvio Em contrapartida, a dublagem e a televisão exigem um estado de mais prontidão existe ensaio existe preparo mas poucas vezes você pode fugir muito a regra E são poucos os momentos em que você pode improvisar com algo que pode acontecer de inesperado numa apresentação com uma plateia diferente.
Resenhando.com - Como dublador, você empresta voz a outros corpos; como ator solo, empresta corpos a muitas vozes. O que essa inversão ensinou a você sobre identidade e atuação?
Victor Garbossa - Toda experiência artística nos transforma de alguma maneira. Mesmo quando utilizo apenas a minha voz, o corpo está atuando e vice-versa. Criar personagens amplia minha gama e meu repertório, para que, quando estou diante de um estande, eu tenha mais arsenal para trabalhar com a voz. O bonito do nosso trabalho é que, para aqueles que sabem aproveitar, toda ocasião se torna uma oportunidade de aprendizado e de enriquecimento do próprio ofício.
Resenhando.com - Machado de Assis ironiza a obsessão científica de Bacamarte. Hoje, que tipo de “fé cega” você enxerga substituindo a religião ou a ciência no imaginário coletivo?
Victor Garbossa - Acredito que hoje basta alguém pensar diferente para que um conflito se instale. Quando trazemos à tona questionamentos que demandam fatos e estudos, o mais coerente seria permitir que aquilo que se aproxima da verdade se sobreponha à sua antítese. No entanto, a disseminação de notícias falsas e o uso malicioso da inteligência artificial acabam confundindo e influenciando pessoas que chegam a confrontar fatos que não deveriam sequer ser contestados. Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam trazer à luz argumentos e opiniões infundadas apenas pelo prazer de estarem certas, mesmo quando não estão. Isso, por si só, já é suficiente para alimentar uma nova forma de “fé cega”, capaz de gerar atrito, ruído e discussão.
Resenhando.com - A montagem aposta em uma linguagem jovem e musical sem “simplificar” Machado de Assis. Existe um preconceito silencioso contra o público jovem quando o assunto é clássico brasileiro?
Victor Garbossa - Da nossa parte, é justamente o contrário. Acreditamos que o jovem tem plena capacidade de absorver e se entreter com um texto clássico, respeitando sua forma original, fazendo apenas as adequações necessárias. Talvez isso não se trata nem de preconceito, mas de uma preocupação genuína em resgatar, junto aos jovens, o acesso aos nossos livros clássicos e à nossa identidade cultural. Vivemos um tempo em que eles são diariamente bombardeados pelas redes sociais e, muitas vezes, têm acesso mais fácil ao que vem de fora do que ao que é nosso. Nesse contexto, o espetáculo acaba se tornando também um evento familiar, no qual o jovem pode trazer sua família e amigos para consumir e compartilhar arte e literatura brasileira.
Resenhando.com - Você atua em produções bíblicas na TV e, ao mesmo tempo, encarna um personagem que questiona moral, razão e poder. Como conciliar fé, dúvida e crítica no mesmo artista?
Victor Garbossa - Eu não vejo por que elas não podem coexistir. A fé não deveria nos enclausurar; deveria nos sustentar, mas também abrir espaço para o questionamento e para o conhecimento das coisas, como forma de nos apaziguar, e não de nos prender ou limitar. Como artista, acredito que personagens diversos e temas conflituosos tendem a nos enriquecer, ampliando nossa dialética e nosso repertório. O saber não deve ser visto como algo assustador, mas como algo libertador.
Resenhando.com - Se Machado de Assis sentasse hoje na plateia do Teatro J. Safra, o que ele estranharia mais: o espetáculo, o Brasil ou nós mesmos?
Victor Garbossa - Sinceramente eu espero que tudo. Ele faleceu em 1908, um salto centenário de princípios de valores, de regras que mudaram, de meios de se contar histórias. Eu espero que ele se choque com tudo, no entanto esperaria que ele tivesse a empatia de compreender essas mudanças e assimilar que elas fazem parte de um novo cotidiano.
.: "Rua" ocupa o Sesc Pinheiros e convida a juventude a olhar o outro lado
A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00, e sessões especiais terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, nos mesmos horários. Foto: Sérgio Silva
O espetáculo "Rua", que estreia dia 1º de março no Auditório do Sesc Pinheiros, marca o terceiro projeto infantojuvenil da dramaturga e atriz Fran Ferraretto, indicada ao Prêmio APCA 2024 pelo texto de "Valentim Valentinho". Antes disso, ela estreou como idealizadora em "A Minicostureira", espetáculo dirigido por Débora Falabella e Cynthia Falabella, que se destacou na temporada de 2018 pelo sucesso de público e de crítica. Com direção de Eugênio Lima, fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o novo espetáculo propõe um olhar sensível e necessário sobre temas como desigualdade social, família, sonhos e oportunidades. O elenco reúne Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza e Rodrigo Pavon, em uma encenação que aposta na força da música, da dança e da linguagem urbana para dialogar com o público jovem.
A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00, e sessões especiais terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, nos mesmos horários. Na trama, o público acompanha a história de Jeffinho, um menino talentoso que adora criar rimas e passos de dança. Morador de uma comunidade separada por apenas uma rua de um dos bairros mais ricos da cidade, ele conhece Lucas, garoto da mesma idade que vive “do outro lado”. A partir desse encontro, nasce uma amizade que atravessa diferenças sociais e revela, de forma lúdica e potente, descobertas sobre o mundo, a convivência e as desigualdades estruturais da sociedade.
Com ritmo, afeto e diversão, "Rua" fala sobre sonhos possíveis, oportunidades negadas e a força transformadora da amizade. Além da direção geral, Eugênio Lima assina também a direção musical, ao lado de Barroso, responsável pela trilha sonora original. A ficha técnica inclui ainda Luaa Gabanini na preparação corporal, Khalifa Idd no workshop de passinho, Claudia Schapira no figurino, Matheus Brant no desenho de luz e Vic von Poser na videografia. A produção é conduzida por Paula Malfatti, com coordenação da FATTO Realizações, e conta com assessoria de imprensa da Canal Aberto.
Ficha técnica
Espetáculo "Rua"
Idealização e texto: Fran Ferraretto
Direção: Eugênio Lima
Elenco: Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza, Rodrigo Pavon
Direção musical: Eugênio Lima
Trilha sonora: Barroso e Eugênio Lima
Preparadora corporal: Luaa Gabanini
Workshop Passinho: Khalifa Idd
Figurino: Claudia Schapira
Desenho de luz: Matheus Brant
Videografia: Vic von Poser
Operação de som: Viviane Barbosa
Cenotécnico: Wanderley Wagner
Design gráfico: Murilo Thaveira
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Mídias sociais: Rafael Américo
Fotos: Sérgio Silva
Direção de Produção: Paula Malfatti
Coordenação de produção: FATTO Realizações
Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso
Serviço
Espetáculo "Rua"
Temporada: 1° a 29 de março, aos domingos, às 15h00 e às 17h00. Terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, às 15h00 e 17h00.
Sesc Pinheiros
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h00 às 22h00. Sábados, 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista
Como chegar de transporte público
São 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350 metros a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus). Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.
sábado, 31 de janeiro de 2026
.: Escrevivência de Conceição Evaristo vira ópera no Theatro São Pedro
A temporada 2026 do Theatro São Pedro ganha um ponto de inflexão simbólico e artístico com “Conceição Evaristo - Uma Ópera Escrevivência”, criação que coloca no centro do palco uma das vozes mais decisivas da literatura brasileira contemporânea. Em um gesto que ultrapassa a programação cultural e toca a história, o teatro dedica uma ópera inteira à autora mineira justamente no ano em que ela completa 80 anos - e o faz com texto assinado pela própria escritora.
A estreia está marcada para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data que não poderia ser mais precisa para a proposta do espetáculo. As récitas seguintes acontecem nos dias 22, 25, 27 e 29 de novembro, esta última coincidindo com o aniversário de Conceição Evaristo. Não se trata apenas de uma homenagem, mas de uma afirmação estética e política: a ópera, gênero historicamente associado a narrativas europeias e cânones brancos, abre espaço para a escrevivência - conceito criado pela autora para nomear uma escrita atravessada por memória, corpo, experiência e ancestralidade.
Com composição musical de Juliana Ripke, a obra articula palavra e música a partir da própria matéria literária de Evaristo, marcada por vozes femininas negras, silêncios históricos e afetos forjados na resistência cotidiana. No elenco estão Edna D’Oliveira, Juliana Taino e Vinicius Costa, que dão corpo e voz a uma narrativa que não busca acomodação, mas escuta. Na mesma temporada, o teatro ainda apresenta títulos como “Orfeu no Inferno”, “Don Pasquale”, produções da Academia de Ópera, criações inéditas do Atelier de Composição Lírica, além de uma programação que envolve cinema, dança, música de câmara e concertos especiais.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026
.: Benito de Paula canta seus sucessos pelo Brasil com o filho, Rodrigo Vellozo
.: Pélico faz show de lançamento de “A Universa Me Sorriu” sábado no CCSP
Sobre o artista
.: “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” em três sessões
Monólogo autoral de Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, mistura sátira histórica, humor físico e narrativa direta ao público em uma comédia sobre fé, ciência e desinformação — agora em curta reta final, aos finais de semana. Foto: Ronaldo Gutierrez
.: "A Fratura" transforma um pronto-socorro em microcosmo da França
"A Fratura", de Catherine Corsini, transforma um pronto-socorro em microcosmo da França contemporânea, entre conflitos afetivos e a ebulição política dos protestos dos coletes amarelos. Foto: Photo 5 LF © / Carole Bethuel
O encontro com Yann, um manifestante ferido e furioso, vai chacoalhar suas certezas e preconceitos. Lá fora, a tensão aumenta e logo o hospital tem que fechar as portas, fazendo com que a equipe fique sobrecarregada. A noite será longa, trágica e hilária. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.
Aplicativo Sesc Digital
Sesc Digital
A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital.


























