domingo, 2 de agosto de 2026

.: Obra finalista do International Booker e mais livros de Ana Paula Maia em box


A premiada Ana Paula Maia reúne em nova edição, no box "Saga dos Brutos", os sucessos "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos""Carvão Animal""De Gados e Homens" e "Assim na Terra como Embaixo da Terra". Este último, vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura em 2018, chegou em 2026 a finalista do International Booker Prize, prêmio literário britânico e um dos mais importantes do mundo dado a obras traduzidas para o inglês. O projeto gráfico é do premiado Leo Iaccarino.

Maia dialoga com o cinema, com inspirações no horror e no suspense. Enterre seus mortos, também vencedor do prêmio São Paulo, ganhou adaptação para o cinema em 2025, e a autora roteirizou a série Desalma (Globoplay). "A Saga dos Brutos" reúne histórias de homens que abatem porcos, recolhem o lixo, desentopem esgoto, quebram asfalto, apagam incêndios, cremam corpos e comandam prisões. O retrato da vida amarga desses seres embrutecidos pelas tarefas que executam também é uma fotografia cruel do meio onde vivem. Compre o box de livros "Saga dos Brutos" neste link.

Duas narrativas retratam homens submetidos à brutalidade do cotidiano. Em um subúrbio sufocante, Edgar Wilson e Gerson sobrevivem abatendo porcos e apostando em rinhas de cães. Na segunda história, trabalhadores da limpeza urbana enfrentam o caos após uma greve de coletores de lixo, enquanto Erasmo Wagner inicia uma jornada de acerto de contas com o passado. Compre o livro neste link.

Ernesto Wesley, Ronivon e Edgar Wilson são trabalhadores marginalizados, presos à dureza de suas funções e escolhas. Em uma atmosfera claustrofóbica, Ana Paula Maia revela personagens ambíguos, marcados pela violência, pela morte e pela perda de dignidade. Compre o livro neste link.

Dois anos após Carvão animal, Edgar Wilson trabalha em um matadouro bovino. Mortes inesperadas de animais levam funcionários a questionamentos sobre trabalho, destino e existência em um cotidiano brutal e invisível. Compre o livro neste link.

Em uma colônia penal construída sobre um passado de tortura e assassinatos, o projeto de ressocialização dá lugar a um campo de extermínio. Nos últimos dias de funcionamento da prisão, horrores vêm à tona em uma narrativa impactante que analisa cenários de violência e desumanização. Compre o livro neste link.


Sobre a autora
Ana Paula Maia é escritora e roteirista. Tem nove livros publicados, incluindo "Assim na Terra como Embaixo da Terra", "Carvão Animal", "De Gados e Homens" e "Entre Rinhas de Cachorros e Porcos Abatidos", publicados pela Editora Record; e foi traduzida na Alemanha, Estados Unidos, Sérvia, França, Argentina e Itália. Vencedor do Prêmio São Paulo de Literatura, "Assim na Terra como Embaixo da Terra" foi finalista do International Booker Prize 2026, um dos principais prêmios da literatura mundial. Compre os livros de Ana Paula Maia neste link.

.: Após a Flip, Valter Hugo Mãe percorre cidades brasileiras com novo romance


Autor português participa de bate-papos, festivais literários e sessões de autógrafos para celebrar o lançamento de "O Século dos Imbecis". Foto: divulgação

Após participar da Festa Literária Internacional de Paraty, o escritor Valter Hugo Mãe segue pelo Brasil para uma turnê de lançamento de "O Século dos Imbecis", novo romance publicado pela Biblioteca Azul, selo da Globo Livros. Até dia 15 de agosto, o escritor passará por São Luís, integrando a programação do Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa, do Festival da Palavra de Curitiba; do Festival Literário de Niterói (FLIN) e Rio de Janeiro, em sessão de autógrafos na
Livraria da Travessa de Ipanema. Ele já passou por Brasília e São Paulo,

Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os vícios e as virtudes da sociedade contemporânea. Com capa dura e projeto gráfico assinado pelo artista português Albuquerque Mendes, o livro acompanha Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, que vive em um palacete no alto das montanhas e exerce enorme fascínio sobre os habitantes de um pequeno vilarejo. O personagem é conhecido por uma característica insólita: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe a montanha, mais lúcido e brilhante se torna. Entre o realismo mágico, o humor e a delicadeza característica da obra do autor, o romance reflete sobre o que há de mais contraditório na experiência humana. Compre o livro "O Século dos Imbecis", de Valter Hugo Mãe, neste link.


"A felicidade estava tão disponível no espetáculo da burrice, que todos se aproveitavam daquela que fosse alheia tanto quanto podiam" 
Um homem que emburrece ao descer a montanha. Um vilarejo movido por ambições, paixões e ressentimentos. Mulheres que, com gestos discretos e revolucionários, desafiam convenções e transformam a vida coletiva. Em "O Século dos Imbecis",, novo romance de Valter Hugo Mãe, a realidade e o fantástico se entrelaçam em uma narrativa que investiga, com humor, ironia e sensibilidade, aquilo que há de mais contraditório na experiência humana.

No alto das montanhas ergue-se a Malandrinha, palacete que domina a paisagem de uma pequena comunidade. Ali vive Agilulfo, o excêntrico Marquês da Malandrinha, conhecido por uma característica peculiar: quanto mais desce em direção ao nível do mar, mais emburrece; quanto mais sobe, mais lúcido se torna. Em torno dessa figura fascinante, desenrola-se uma trama em que desejo, inveja, vergonha, ganância, empatia, solidariedade e estupidez atravessam a vida dos personagens e revelam os mecanismos mais íntimos da convivência humana.

Entre a sátira social e o realismo mágico, Valter Hugo Mãe constrói uma alegoria sobre os excessos, os preconceitos, as crenças e as fragilidades que moldam a vida em comunidade. Ao mesmo tempo, o romance encontra nas personagens femininas uma força transformadora capaz de desafiar hierarquias, reinventar destinos e apontar novos caminhos para a coletividade.

Considerado um dos mais importantes escritores da literatura contemporânea em língua portuguesa, Valter Hugo Mãe é autor de obras marcantes como O filho de mil homens, adaptado para o cinema pela Netflix, A desumanização e A máquina de fazer espanhóis, entre outros sucessos. Depois de Educação da tristeza, livro em que se aproximou da biografia para refletir sobre a experiência do luto, o autor retorna ao terreno da ficção com a mesma prosa lírica e singular que o consagrou internacionalmente. 

Em "O Século dos Imbecis", Valter Hugo Mãe revisita temas centrais de sua obra - pertencimento, afeto, poder, fragilidade e esperança - para criar um romance ao mesmo tempo divertido e inquietante, capaz de provocar o riso enquanto lança um olhar mordaz sobre quem somos. Uma história que transforma o absurdo em beleza e convida o leitor a reconhecer, nos personagens da Malandrinha, algo de si mesmo. Publicado em edição de capa dura com ilustração assinada pelo artista português Albuquerque Mendes, "O Século dos Imbecis" já chegou às livrarias em pela Biblioteca Azul. 


Sobre o autor
Valter Hugo Mãe é um dos mais destacados autores portugueses da atualidade. Sua obra foi traduzida para diversas línguas, e recebeu prestigiado acolhimento em muitos países. É autor dos romances "Deus na Escuridão", "As Doenças do Brasil", "Contra Mim" (Grande Prêmio de Romance e Novela - Associação Portuguesa de Escritores); "Homens Imprudentemente Poéticos";  "A Desumanização";  "O Filho de Mil Homens";  "A Máquina de Fazer Espanhóis" (Prêmio Oceanos);  "O Apocalipse dos Trabalhadores";  "O Remorso de Baltazar Serapião" (Prêmio Literário José Saramago);  "O Nosso Reino" e "O Século dos Imbecis". Escreveu "Educação da Tristeza", uma não-ficção, e também alguns livros para todas as idades, entre os quais:  "Contos de Cães e Maus Lobos", "O Paraíso São os Outros", "As Mais Belas Coisas do Mundo",  "Serei Sempre o Teu Abrigo" e "A Minha Mãe É a Minha Filha". Todas essas obras são publicadas no Brasil pela Biblioteca Azul. Compre os livros de Valter Hugo Mãe neste link.


Confira a programação:

São Luís (MA)
Conversações de Além-mar – Encontro Internacional de Literatura de Língua Portuguesa
Bate-papo e sessão de autógrafos

Dia 6 de agosto, quinta-feira, às 18h00.
São Luís Hall - Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, Jaracati - São Luís (MA)

Curitiba (PR)
Festival da Palavra de Curitiba
Bate-papo “A Delicadeza Contra a Brutalidade” e sessão de autógrafos
Dia 8 de agosto, sábado, às 20h00
Auditório do Museu Oscar Niemeyer - Rua Marechal Hermes, 999, Centro Cívico - Curitiba (PR)

Niterói (RJ)
Festival Literário de Niterói (FLIN)
Bate-papo e sessão de autógrafos

Dia 14 de agosto, sexta-feira, em horário a confirmar
Reserva Cultural Niterói — Avenida Visconde do Rio Branco, 880, São Domingos - Niterói (RJ)

Rio de Janeiro (RJ)
Lançamento de "O Século dos Imbecis"
Sessão de autógrafos

Dia 15 de agosto, sábado, às 18h00
Livraria da Travessa de Ipanema - Rua Visconde de Pirajá, 572, Ipanema - Rio de Janeiro (RJ)

.: Treze autoras transformam canções de Taylor Swift em contos


Em "13 Histórias de Amor", antologia juvenil que chega às livrarias em agosto pela Intrínseca, nomes de peso da literatura contemporânea internacional se inspiram em canções de Taylor Swift para explorar temas como o primeiro amor, as dores de um coração partido, a força da amizade, as incertezas do amadurecimento e o processo de descobrir quem se é para além de um relacionamento. Escritas por Lynn Painter, Jesse Q. Sutanto, Elise Bryant, J. Elle, Jennifer Dugan, Jessica Goodman, Julie Murphy, Katharine McGee, Krystal Marquis, Laura Sebastian, Sara Shepard, Crystal Maldonado e Sloan Harlow, as histórias acompanham personagens em momentos decisivos da juventude.

Com tradução de  Beatriz D’Oliveira e Nathália Dimambro, os contos são organizados como as faixas de uma playlist e alternam estilos, atmosferas e interpretações sobre sentimentos presentes nas músicas que os inspiraram. Para os fãs da cantora, a leitura também está repleta de referências do universo de Taylor Swift. Ao mesmo tempo, as histórias funcionam de maneira independente e acompanham personagens que tentam compreender as próprias emoções em fases marcadas por mudanças e decisões difíceis.

Em um dos contos, uma estudante do ensino médio prepara um grande gesto para demonstrar à melhor amiga a importância daquela relação. Em outro, dois jovens no último ano da escola tentam conciliar a atração que sentem com os caminhos distintos que pretendem seguir depois da formatura. Há ainda uma universitária prestes a iniciar uma carreira promissora que precisa reavaliar o relacionamento no qual depositou seus planos para o futuro. O amor funciona como o fio que conecta a antologia, mas surge em diferentes formas. 

As autoras de "13 Histórias de Amor" estão entre alguns dos principais nomes contemporâneos da literatura jovem. O grupo reúne escritoras best-sellers do New York Times e do USA Today, autoras premiadas e donas de obras adaptadas para o audiovisual. Lynn Painter, por exemplo, autora de "Melhor do que nos Filmes", já ultrapassou a marca de um milhão de exemplares vendidos no Brasil.  Compre o livro "13 Histórias de Amor" neste link.

.: Da era “Bruceploitation”, filme “Jogo da Morte II”, traz Bruce Lee de volta

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Jogo da Morte II” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision como um artefato curioso de um momento em que a indústria de Hong Kong ainda tentava lidar com a ausência de Bruce Lee e, ao mesmo tempo, explorava a imagem dele até o limite. Lançado em 1981, o longa-metragem dirigido por Ng See-yuen, com sequências supervisionadas por Sammo Hung e Corey Yuen, reorganiza fragmentos do astro em uma narrativa de vingança que rapidamente troca de protagonista para seguir com outro corpo em cena.

Na trama, Billy Lo “retorna” em imagens de arquivo enquanto investiga a morte suspeita do amigo Chin Ku. O roteiro, assinado por Ting Chak-luen e Ho Ting-sing, conduz a história por caminhos abruptos até eliminar o personagem e transferir o eixo dramático para Bobby Lo, interpretado por Tong Lung (na verdade Kim Tai-chung), um dos vários dublês associados ao fenômeno que ficou conhecido como “Bruceploitation” - nome dado a uma onda de filmes produzidos após a morte de Bruce Lee, nos anos 1970 e início dos 80, que exploravam a imagem e popularidade dele. Esses longas-metragens usavam dublês fisicamente parecidos, nomes artísticos semelhantes (como Bruce Li, Bruce Le, Dragon Lee) e até cenas reaproveitadas do próprio ator para simular sua presença. 

Era uma estratégia comercial para manter o público atraído pelo mito de Bruce Lee, muitas vezes com resultados irregulares, mas que acabou se tornando um subgênero cult do cinema de artes marciais. A partir daí, o filme assume de vez sua vocação de espetáculo físico, com combates coreografados que sustentam o ritmo mesmo quando a narrativa se mostra irregular. O elenco reúne nomes recorrentes do cinema de artes marciais da época, como Hwang Jang-lee, Roy Horan e Roy Chiao.

Nos bastidores, o projeto carrega a marca da Golden Harvest, produtora que capitalizou o legado de Bruce Lee após sua morte em 1973. Parte das cenas com o ator foi reaproveitada de “Operação Dragão”, estratégia que já havia gerado controvérsia em “Jogo da Morte” (1978), dirigido por Robert Clouse. Em "O Jogo da Morte 2", a montagem tenta integrar melhor esse material, ainda que o resultado revele suas costuras.

Há momentos que beiram o delírio - um caixão roubado por helicóptero durante um funeral, um palácio comandado por um vilão excêntrico cercado por leões - e que ajudam a explicar por que o filme ganhou status de peça cult entre fãs do gênero. Longe de ser unanimidade, “Jogo da Morte II” segue despertando curiosidade por aquilo que representa: um cinema que improvisa, recicla e insiste em transformar ausência em presença.


Ficha técnica
“Jogo da Morte II” | “Si Wang Ta” (título original) | “Torre da Morte” (título em Portugal)
Gênero: ação / artes marciais. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1981. Data de lançamento: 21 de março de 1981. Idioma: cantonês. Direção: Ng See-yuen, Sammo Hung, Corey Yuen. Roteiro: Ting Chak-luen, Ho Ting-sing. Elenco: Bruce Lee, Tong Lung (Kim Tai-chung), Hwang Jang-lee, Roy Horan, Roy Chiao. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: "As Cores do Tempo", novo filme de Cédric Klapisch, em cartaz nos cinemas


Selecionado para o Festival de Cannes e sucesso de público na França, longa chega aos cinemas brasileiros com Suzanne Lindon no papel principal


O premiado cineasta francês Cédric Klapisch, diretor da aclamada trilogia formada por “O Albergue Espanhol”, “Bonecas Russas” e “O Enigma Chinês”, retorna às telas com "As Cores do Tempo", que estreia nos cinemas brasileiros em 30 de julho, com distribuição da Imovision. Selecionado para o Festival de Cannes, o longa conquistou o público francês ao vender quase 1 milhão de ingressos, consolidando-se como um dos destaques do cinema francês recente.

A protagonista é Suzanne Lindon, uma das jovens atrizes mais promissoras do cinema francês, conhecida por seu trabalho em “Jovens Amantes”. Filha do premiado ator Vincent Lindon e Sandrine Kiberlain, Suzanne conduz uma narrativa que transita entre diferentes épocas para refletir sobre herança, identidade e os laços invisíveis que conectam gerações.

Em "As Cores Do Tempo", quatro primos distantes se reencontram ao herdar uma antiga casa da família, preservada praticamente intacta desde 1940. Enquanto exploram o imóvel, encontram quadros, cartas e objetos da trajetória de Adèle, uma jovem de 20 anos que viveu ali em 1895 antes de partir para Paris em busca de um novo destino.

À medida que acompanham os passos dessa familia enigmática, passado e presente passam a dialogar de forma surpreendente. A investigação sobre a vida de Adèle revela segredos familiares esquecidos e proporciona uma viagem no tempo para a França da Belle Époque, com as contribuições das obras de grandes artistas como Claude Monét, estabelecendo paralelos entre os desafios enfrentados no final do século XIX e aqueles vividos pelos descendentes em 2025, em uma narrativa sensível sobre o universo artístico, memória e transformação.

Com seu olhar característico para as relações humanas, Cédric Klapisch constrói um filme que combina drama, emoção e delicadeza, reafirmando sua habilidade em retratar personagens em momentos decisivos de suas vidas. “Passado, presente e uma generosa dose de licença poética se fundem de forma divertida em As Cores do Tempo”, elogiou o veículo Screen Daily. Já a Variety afirmou que “o genial filme de Cédric Klapisch fala sobre arte e ancestralidade, com uma narrativa em duas linhas temporais, que agrada ao público”. 

.: “Diabo no Corpo” expõe desejo, política e escândalo no cinema de Bellocchio


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Marco Bellocchio dirige “Diabo no Corpo” , filme que chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, carregando a fama que atravessou décadas: a de obra que dividiu plateias, irritou setores conservadores e alimentou debates sobre erotismo, poder e representação no cinema europeu dos anos 1980. Lançado em 1986, o longa-metragem adapta o romance de Raymond Radiguet, publicado em 1923, e desloca a trama original para o clima tenso da Itália dos chamados anos de chumbo, período marcado por radicalização política, terrorismo e instabilidade social.

A história acompanha Andrea (Federico Pitzalis), um estudante que se envolve com Giulia (Maruschka Detmers), mulher mais velha e noiva de um militante preso por terrorismo. O encontro entre os dois evolui rapidamente para uma relação marcada por obsessão, impulsos destrutivos e uma dinâmica que desafia convenções morais. Bellocchio constrói esse vínculo com um olhar direto, sem recuos, o que ajuda a explicar tanto a repercussão quanto a rejeição que o filme provocou desde sua estreia no Festival de Cannes, em 1986.

Maruschka Detmers se tornou o centro das atenções à época. A atuação intensa da atriz, aliada à exposição física e às cenas explícitas, fez dela um símbolo sexual cult no cinema europeu. O figurino assinado por Giorgio Armani reforça a construção dessa personagem ambígua, ao mesmo tempo sofisticada e instável. A atriz, anos depois, admitiria certo arrependimento pela cena mais comentada do filme, a de sexo oral verdadeiro, que acabou ofuscando outras realizações da carreira dela.

O roteiro, assinado por Marco Bellocchio, Ennio De Concini e Enrico Palandri, amplia o alcance do material original ao inserir o romance em um contexto político mais explícito. O noivo de Giulia, ligado a grupos radicais de esquerda, funciona como pano de fundo para uma narrativa em que o desejo se mistura com a sensação de colapso social. A relação entre os protagonistas não se desenvolve isolada; ela responde a um ambiente em ebulição, em que instituições, famílias e certezas parecem frágeis.

A recepção crítica nunca encontrou consenso. Parte da imprensa enxergou ousadia e vigor na forma como Bellocchio articula erotismo e política; outra parte acusou o filme de recorrer ao choque como estratégia. O tempo, no entanto, consolidou “Diabo no Corpo” como um dos títulos mais lembrados da filmografia do diretor, seja pela coragem formal, seja pelo impacto cultural que provocou.

Ficha técnica
“Diabo no Corpo” | “Diavolo in Corpo” (título original)
Gênero: drama, romance. Duração: 1h54. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1986. Idioma: italiano. Direção: Marco Bellocchio. Roteiro: Marco Bellocchio, Ennio De Concini, Enrico Palandri. Elenco: Maruschka Detmers, Federico Pitzalis, Anita Laurenzi, Alberto Di Stasio, Riccardo De Torrebruna. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming para quem ama cinema de verdade
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

.: Com mais dez anos de trajetória, Soul de Brasileiro lança o primeiro album


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Formado por Negra Silva, José Junior e Ge Vieira, o trio Soul de Brasileiro lançou o primeiro álbum, “Sou” pelo Selo Toca Discos, com distribuição da Universal Music. O álbum conta com as participações especiais de Paula Lima, do músico Josiel Konrad e do rapper baiano Hiran. Junto com o álbum, será lançado o videoclipe da música “Oxum Rabane”.

Com mais de uma década de trajetória, o Soul de Brasileiro conecta soul music, samba, MPB, jazz, funk e matrizes afro-brasileiras. Nascidos na Vila Kennedy, zona oeste do Rio de Janeiro, e unidos pela música, inicialmente em igrejas, Ge Vieira, José Junior e Negra Silva descobriram ainda jovens a potência de suas vozes e transformaram esse encontro em um projeto que celebra identidade, pertencimento, ancestralidade, afeto, espiritualidade, resistência e uma constante busca por excelência musical.

Depois dos singles “De Onde Eu Vim”, “Minha Vibe” e “Aí Tem Coisa”, o álbum “Sou” reafirma a maturidade criativa do grupo, que construiu uma linguagem própria na qual as vozes assumem protagonismo absoluto. Com direção artística de Constança Scofield e produção musical de Felipe Rodarte, gravado no icônico estúdio Toca do Bandido, o álbum reúne composições autorais que transitam com naturalidade entre o soul brasileiro, o neo soul, a MPB contemporânea, o R&B, o samba e diferentes expressões da música afrodiaspórica, dialogando com referências como Cassiano, Tim Maia, Sandra Sá, Jorge Ben, Marvin Gaye, Lauryn Hill, Jill Scott, Fela Kuti e Erykah Badu, sem abrir mão de um identidade profundamente brasileira.

 Em entrevista para o portal Resenhando.com, Gê Vieira disse que o trip conhece bem o público do Litoral Paulista. Eles se apresentaram no Sesc de Santos. “Foi uma energia muito positiva; Houve uma interação nem legal com o nosso trabalho.  Se houver possibilidade, queremos voltar, sim”.

"Aí Tem Coisa"

 "De Onde Eu Vim"

"Eu Sou"

.: O Baú da Hora Fértil": documentário inédito desvenda história dos Tribalistas


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

O documentário inédito "Tribalistas - O Baú da Hora Fértil", dirigido por Dora Jobim, faz pré-estreia para convidados no 4º Curta! Festival, dia 3 de agosto.  O longa mergulha na história do grupo formado por Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, revelando bastidores dos álbuns homônimos e do processo criativo do trio.


A obra, viabilizada em parceria com o Curta!, chegará ao canal com exclusividade no primeiro semestre de 27. Antes, no entanto, participa de festivais nacionais e internacionais. A produção é da Phonomotor, Kappamakki e Estúdio Morro Dois Irmãos.


Além da pré-estreia, o 4º Curta! Festival realiza na terça, 4, e quarta, 5, atividades presenciais gratuitas abertas ao público com retirada de senhas no Sympla neste link. Serão realizadas masterclasses com o cineasta Jorge Furtado e com o pesquisador de imagens Antônio Venâncio; sessões ‘Sala de Montagem’, com exibição de trechos exclusivos e bate-papo com profissionais das equipes dos longas “Dos à Deux”, de Roberto Bomtempo, “Aqueles Olhos de Carvão Acesso”, de Isabella Poppe, e “Gonzaguinha, da Maior Liberdade”, de Susanna Lira; além de um debate sobre “As Novas Fronteiras da Pós-Produção” reúne os profissionais Marcelo Pedrazzi e Thiago Anjos.


As atividades marcam a última etapa do evento, iniciado com exibição e votação de cerca de 170 produções de ficção e documental, entre filmes e episódios de séries. Os vencedores serão conhecidos na sexta, 7, em evento com transmissão ao vivo pelo youtube do canal: https://www.youtube.com/@canalcurta/streams.

quinta-feira, 30 de julho de 2026

.: Crítica: "Homem-Aranha: Um Novo Dia" é "absolute cinema" dos heróis

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em julho de 2026


Sozinho e esquecido por aqueles que amava, o amigo da vizinhança agora vive no último andar de um prédio, antes em condições bastante precárias e transformado por Peter Parker (Tom Holland, "A Odisseia") num lar doce lar. Sem cursar uma graduação, ele trabalha em conjunto com a polícia combatendo o crime em Nova York. Em "Homem-Aranha: Um Novo Dia", lidando também conta o luto da tia May (Marissa Tomei) e a ausência dos amigos, o Teioso passa pelo processo de amadurecimento (aliado ao da mutação) diante dos olhos do público.

Sendo reconhecido pelo público como herói, o escalador de paredes acompanha à distância o sucesso escolar de Michelle Jones-Watson (Zendaya, "O Drama") e Ned Leeds (Jacob Batalon, "Novocaine: À Prova da Dor"). Com o retorno da dupla para a Grande Maçã, Peter faz uma visita que o deixa magoado e com a certeza de que o feitiço do Doutor Estranho não foi quebrado.

Contudo, o Cabeça de Teia esbarra num implacável ser repleto de vilanias capaz de entrar na mente de múltiplos indivíduos e superar a vontade de cada um. Até mesmo o clássico inimigo do Homem-Aranha, o Escorpião, acaba sendo manipulado. Mesmo com a mente ágil e o sentido aranha, o Miranha que não tem poder de impedir tamanha invasão, em "Homem-Aranha: Um Novo Dia" repele a telepatia da ainda iniciante Jean Grey (Sadie Sink, "Stranger Things" e "A Baleia").

Em meio as situações hilárias da categoria que só o Miranha é capaz de entregar, o ágil e repleto de ação "Homem-Aranha: Um Novo Dia" reserva uma boa e bem trabalhada dose de drama (provocando até lágrimas). Não somente por conta da solidão de Peter Parker, mas por ele enfrentar além dos poderosos vilões (até o Hulk aparece na sua essência, externando o seu lado ameaçador e bem distante de um integrante de "Os Vingadores"), a árdua passagem para uma nova etapa da vida sem tropeçar no desejo de vingança. 

O longa de 2 horas e 25 minutos de duração, com cena pós-créditos (que indicam a presença de uma variante do Homem-Aranha ou uma ponte para os próximos filmes dos Vingadores, no caso, "Guerras Secretas") entrega tudo, além de confrontos de "absolute cinema" dos filmes de heróis. Não só do Hulk, mas a sequência com os ninjas que é de deixar qualquer um boquiaberto. Perfeita, inclusivo nas cores na telona. Redondinho e sem deixar pontas soltas, mesmo com a grande responsabilidade por vir após o emocionante e marcante encontro dos três Miranhas, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" consegue ser estupendo. Filmaço imperdível!


"Homem-Aranha: Um Novo Dia". (Spider-Man: Brand New Day). Diretor: Destin Daniel Cretton. Roteiro: Chris McKenna e Erik Sommers. Gênero: Ação, Aventura e Ação. Duração: 145 minutos (2h 25min). Elenco principal: Tom Holland (Peter Parker/Homem-Aranha), Zendaya, Jon Bernthal e Sadie Sink. Trilha Sonora: Ludwig Göransson. Sinopse: Após o mundo ter esquecido seu nome, Peter Parker inicia um novo capítulo em sua vida, conciliando as aulas da faculdade, um trabalho de meio período e sua responsabilidade como o Homem-Aranha. Mas quando uma força misteriosa começa a desmantelar a cidade de dentro para fora, Peter se vê preso entre inimigos poderosos, legados antigos e aliados inesperados.

Trailer de "Homem-Aranha: Um Novo Dia"



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quarta-feira, 29 de julho de 2026

.: "Elogio da Loucura" chega à Caixa Cultural São Paulo: apresentações grátis


Montagem inspirada na obra de Erasmo de Rotterdam será apresentada de 30 de julho a 9 de agosto e contará com oficina ministrada pelo diretor Eduardo Figueiredo. Foto: Conceito e Cena
 

A Caixa Cultural São Paulo recebe, de 30 de julho a 9 de agosto, "Elogio da Loucura", protagonizado por Leona Cavalli e dirigido por Eduardo Figueiredo, com entrada gratuita. As apresentações serão realizadas de quinta a sábado, às 19h00, e aos domingos, às 18h00. A programação inclui ainda a oficina Dramaturgia da Imagem, ministrada pelo diretor no dia 1º de agosto. A montagem é baseada na obra "O Elogio da Loucura", de Erasmo de Rotterdam, adaptada para o teatro por Leona Cavalli e Eduardo Figueiredo. O texto apresenta a personagem Loucura conduzindo reflexões sobre aspectos da sociedade, das relações de poder e da condição humana.

No palco, Leona Cavalli interpreta a personagem central da narrativa. A encenação conta ainda com música executada ao vivo por Matheus Vieira, no violoncelo, e Cika, na percussão. A oficina "Dramaturgia da Imagem" explora a importância da concepção estética na encenação teatral a partir dos espetáculos "Frida y Diego" e "Um Beijo em Franz Kafka". A atividade reúne referências da fotografia, das artes visuais e das artes cênicas, incluindo trabalhos de Tim Walker, Sebastião Salgado, David LaChapelle, Jan Saudek, Tadeusz Kantor e Pina Bausch.


Sobre Leona Cavalli
Leona Cavalli atua no teatro, cinema e televisão. Entre seus trabalhos estão montagens como "Hamlet", "Toda Nudez Será Castigada", "Um Bonde Chamado Desejo", "Frida Y Diego" e "Gatão de Meia-Idade". No audiovisual, participou de produções como "Um Céu de Estrelas", "Amarelo Manga", "Carandiru", "Olga" e de produções televisivas exibidas nacionalmente.


Sobre Eduardo Figueiredo:
Eduardo Figueiredo é diretor e produtor teatral, mestre em teatro pela Universidade de São Paulo (USP). Atua como sócio da Manhas & Manias Projetos Culturais e desenvolveu projetos como Mulheres Alteradas, Frida Y Diego, Gatão de Meia-Idade, Um Beijo em Franz Kafka e O Veneno do Teatro.

 
Serviço
Espetáculo "Elogio da Loucura"
Local: Caixa Cultural São Paulo – Praça da Sé, 111, Centro, São Paulo (SP)
Período: 30 de julho a 9 de agosto de 2026
Horários: quinta a sábado, às 19h ; domingo, às 18h
Duração: 80 minutos
Classificação indicativa: 16 anos
Entrada: gratuita, com distribuição de ingressos uma hora antes de cada apresentação, limitada a um ingresso por pessoa

Oficina "Dramaturgia da Imagem"
Data: 1º de agosto de 2026 - sábado
Das 15h00 às 17h00
Duração: 120 minutos
Local: Sala de Oficinas da Caixa Cultural São Paulo
Vagas: 15 participantes, com possibilidade de lista de espera
Classificação indicativa: 18 anos
Inscrições: gratuitas na página do evento no site da CAIXA Cultural São Paulo
Acessibilidade: acesso para pessoas com deficiência
Informações: (11) 3321-4400

.: BB Seguros apresenta "Meu Filho É Um Musical" com estreia em São Paulo


Espetáculo em homenagem a Paulo Gustavo chega ao Teatro Renault e permanece em cartaz até outubro. Foto: divulgação

Depois de uma temporada de sucesso no Rio de Janeiro, a BB Seguros traz para São Paulo o musical que emocionou o público ao percorrer a trajetória do comediante Paulo Gustavo. A estreia de "Meu Filho É Um Musical" nos palcos paulistanos, agendada para 20 de agosto, no Teatro Renault, marca as duas décadas da primeira apresentação de "Minha Mãe É Uma Peça", obra que transformou o humorista em um dos maiores fenômenos do entretenimento brasileiro. Até o mês de outubro, as sessões estarão disponíveis de quinta a domingo.

Idealizado por Déa Lúcia, mãe do ator, o espetáculo retratar momentos marcantes da sua infância até a consagração nacional, celebrando sua criatividade e a relação com a família. Pensado a partir de um sonho do próprio humorista de protagonizar uma grande produção no estilo Broadway, o musical reúne 32 atores, uma orquestra com 13 músicos e uma estrutura inédita que combina música, teatro e recursos tecnológicos em uma experiência imersiva.

O patrocínio a iniciativas de cultura e entretenimento faz parte da agenda estratégico-negocial da BB Seguros desde início dos anos 2010. Até agora, mais de 470 projetos incentivados beneficiaram cerca de 27 milhões de pessoas em todo o Brasil. Em 2026, outros dois espetáculos teatrais são patrocinados pela companhia: “Marrom, o Musical” (uma homenagem à cantora Alcione) e o infantil “Da Janela”. A expectativa para este ano é proporcionar experiências culturais para cerca de 500 mil pessoas por meio de ações em diferentes regiões do país, ampliando o acesso à arte e também buscando conectar a sociedade a soluções de proteção.


Serviço
Espetáculo “Meu Filho É Um Musical”
Estreia dia 20 de agosto de 2026
Local: Teatro Renault | Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo
Temporada: até 11 de outubro de 2026
Quintas, às 20h00, sextas, às 20h00, sábados, 15h00 e 20h00, e domingos, às 14h30 e 19h30
Classificação: livre
Duração: 2h30 (com intervalo de 15 minutos)
Ingressos: Tickets for Fun 

.: Ivan Lins lança álbum dedicado ao samba com grandes parcerias


"Sambadouro" traz composições da carreira do músico carioca com arranjos tradicionais do samba, além de uma faixa inédita. Na imagem, capa do álbum. Projeto gráfico: Alexandre Amaral

"Sambadouro", novo álbum de Ivan Lins lançado pelo Selo Sesc, retoma as raízes de um dos maiores nomes da música brasileira, trazendo composições consagradas do músico, além de canções menos conhecidas do público, com arranjos tradicionais de samba. O álbum chega às principais plataformas de áudio em 24/7, sexta-feira. Além da versão digital, o álbum chega também em versão física nas Lojas Sesc. O Sesc Pinheiros recebe os shows de lançamento do disco nos dias 29 e 30 de agosto.

Uma das preciosidades de Sambadouro são as participações de peso do álbum: Zeca Pagodinho, Xande de Pilares, Mart’nália, Péricles, Ferrugem e Diogo Nogueira nas vozes, Carlinhos 7 Cordas, Paulão 7 Cordas e Rafael dos Anjos nos arranjos, além de Hamilton de Holanda no bandolim. “Quando eu decido fazer um disco só de samba, estou realizando um sonho que eu sempre carreguei durante muitos anos. Tô quase morrendo do coração aqui porque eu tô ouvindo a minha música de uma maneira que eu, pessoalmente, não me sentiria capaz de fazer exatamente dessa forma”, declara Ivan.

"Sambadouro" surge como um álbum que preza pela criação coletiva e realiza o sonho de Ivan de prestar uma homenagem ao samba, reafirmando o amor pela música de um dos grandes mestres da Música Popular Brasileira, que completou 80 anos em 2025. “O samba sempre conviveu comigo, e ele foi entrando devagar porque eu já vinha com outras influências. Eu sempre gostei muito de tudo quanto é tipo de música. Isso é um dom que eu recebi. E o samba cada vez foi se incorporando mais. Foi me levando a esse amor pelas nossas raízes, pelo meu próprio país. O samba me ajudou a amar mais o meu país”.
 
"Sambadouro" abre com "Nosso Samba Já É Um País", canção de 2014 presente no álbum "América, Brasil". "Diplomação", canção de 2001 de "Basta Um Tambor Bater" traz Zeca Pagodinho em parceria com Ivan, seguida de "Prece ao Samba", de 2006. Xande de Pilares empresta sua voz a "Saravá, Saravá", canção de 2004 comporta em parceria com Martinho da Vila. Em "É de Deus", de 1995, do disco "Anjo de Mim", precede "Porta Entreaberta", de "Cantando Histórias", lançado em 2004 e que em "Sambadouro" Ivan vem acompanhado de Diogo Nogueira. Ambas de 1974, presentes em "Modo Livre", o disco segue com "Não Tem Perdão" e "Deixa Eu Dizer", esta com participação de Ferrugem. Entre elas, homônima ao álbum, "Sambadouro", de 1993, presente em "Coisas de Brasil". Ivan Lins e Hamilton de Holanda trazem "Parei Contigo", novamente de "Contando Histórias", seguida da parceira com Mart'nália com "Sou Eu", canção de 1990 de "A Doce Presença de Ivan Lins". Fechando o disco, Ivan Lins entoa "Maravilhado", faixa inédita que condiz com a sensação da realização do disco.
 
“O samba significa, para mim, uma identidade. Inclusive uma identidade citadina. É uma identidade urbana no Brasil. Desde que eu me senti capaz de entender e compreender música, eu escuto samba”, completa Ivan. A capa do álbum foi inspirada na única foto da casa de Tia Ciata, local que teve papel central para o samba enquanto gênero e na sua relação com o carnaval e que foi frequentado por figuras como João da Baiana, Pixinguinha, Hilário Jovino e Sinhô, hoje demolido. A foto pertence ao Arquivo Geral do Rio de Janeiro.
 
Reconhecido internacionalmente, Ivan Lins construiu uma carreira que atravessa mais de cinco décadas, com mais de 20 álbuns autorais, e canções suas gravadas por importantes nomes da música nacional e internacional como Elis Regina, Gonzaguinha, Sting e Barbara Streisand. Vencedor por cinco vezes do Grammy Latino, o artista recebeu o último deles em 2025 com o Prêmio à Excelência Musical, um reconhecimento à sua produção e à sua relevância na música, que é corroborada agora com Sambadouro.
 

Faixas 

1 – "Nosso Samba Já É Um País" (Ivan Lins e Vitor Martins)
2 – "Diplomação" (Ivan Lins e Celso Viáfora) part. Zeca Pagodinho 
3 – "Prece ao Samba" (Ivan Lins e Nei Lopes)
4 – "Saravá, Saravá" (Ivan Lins e Martinho da Vila) part. Xande de Pilares 
5 – "É de Deus" (Ivan Lins e Vitor Martins)
6 – "Porta Entreaberta" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Diogo Nogueira 
7 – "Não Tem Perdão" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Péricles 
8 – "Sambadouro" (Ivan Lins e Vitor Martins)
9 – "Deixa Eu Dizer" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza) part. Ferrugem 
10 – "Parei Contigo" (Ivan Lins e Paulo Cesar Pinheiro) part. Hamilton de Holanda 
11 – "Sou Eu" (Ivan Lins e Chico Buarque) part. Mart’nália 
12 – "Maravilhado" (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)
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