sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

.: Keco Brandão lança novos singles do projeto "Com Vida 3"


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Keco Brandão lançou nas principais plataformas digitais os dois novos singles de seu projeto autoral "Com Vida",  que já está na 3ª edição. “Nasceu Uma Voz” é uma parceria com o compositor e baixista mineiro Yuri Popoff e vocal de Simone Guimarães. E É Designio Sim, com participação do músico Breno Ruiz.

Em "Nasceu Uma Voz", a poesia criada por Keco faz referência a voz da cantora e compositora Simone Guimarães, que, além de homenageada, também protagoniza a faixa como intérprete convidada. A gravação também conta com a participação do violonista Marcus Teixeira. Aliás, Keco e Marcus, outrora, já haviam gravado com Simone Guimarães no disco “Virada pra Lua”, lançado em 2001 pela gravadora Lua Music.

Keco anunciou também o lançamento da  canção "É Desígnio Sim", que irá compor o álbum.  O convidado nesta faixa é o compositor, cantor e pianista Breno Ruiz, que também divide a parceria nessa composição, cuja gravação conta com participação de Toninho Ferragutti no acordeon. E o projeto não vai parar por aí. Novos singles estção em fase de produção e aguardam a confirmação de novos convidados. Entre eles está a cantora Claudya, de quem Keco sempre admirou a obra. “Ela é uma cantora extraordinária. Vai ser uma honra e tanto para mim”.

Outra surpresa em fase de produção é a composição de Filó Machado, Olhos Parados. Segundo Keco, essa canção estava nos planos de Elis Regina, que acabou falecendo antes de conseguir gravá-la. Os dois singles "Nasceu Uma Voz" e "É Desígnio Sim" já foram disponibilizados nas plataformas de streaming.

"Nasceu Uma Voz"

"É Desígnio Sim"


.: "Estava Escrito nas Estrelas": Dalmo Medeiros lança projeto autoral


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Integrante do grupo vocal MPB4, Dalmo Medeiros está lançando seu projeto autoral, que reúne composições gravadas por outros artistas e algumas canções inéditas. Intitulado "Estava Escrito nas Estrelas", o projeto apresenta a versatilidade da obra de Dalmo, que passeia com a com maestria tanto pelo samba-rock como  nas canções mais introspectivas.

Ele escolheu algumas gravadas por artistas ou grupos, tais como, Roupa Nova, Elba Ramalho e MPB4. Para dividir os vocais nas faixas do disco, Dalmo convidou uma cantora da nova safra, Priscilla Frade, para cantar o Frevo “Proibir prá quê”, Composta em parceria com o saudoso baiano Carlos Pitta

O também parceiro Danilo Caymmi participa dividindo o bolero que fez há alguns anos atrás com Dalmo, com arranjos de Cristóvão Bastos e percussão de Marcelo Costa.E Zé Renato (Boca Livre) participa da canção Alta Costura. O projeto foi lançado pelo Sêlo Mills Records, com ProduçãoMusical Paulo Brandão e Dalmo Medeiros. Direção musical Paulo Brandão,  Dalmo Medeiros, Paulo Malagutti Pauleira e Fábio Girão, gravado, mixado e masterizado no Brand Studio. O disco foi disponibilizado nas plataformas de streaming.

"O Vento e o Tempo"

"Porta Retrato"

"A Flor da Pele"

.: #VivoLendo: “A Noite do Futuro”, de Murilo Alonso de Oliveira


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

... percebi que a grande noite havia chegado.

Segunda metade do Século XXI, o planeta assiste horrorizado a grande catástrofe denominada “tomada” ou a elevação acentuada do nível do mar sobre extensas regiões do globo terrestre. Cidades inteiras e suas populações submergem diante das avalanches aquáticas e das alterações climáticas e o que resta da  humanidade passa a sobreviver num círculo restrito à pesca, caça, trabalhos braçais e pequenos comércios alojados em  casebres incrustados nos povoamentos construídos nos picos mais altos dos morros, fora do alcance das águas. 

Essa inquietante ficção distópica nos alerta de forma direta e oportuna sobre como os rumos de uma civilização consumista e poluidora poderão resultar em uma involução de nossa sociedade. O livro “A Noite do Futuro” de Murilo Alonso de Oliveira, publicado pela Editora Costelas Felinas, retrata a cidade de Santos submersa, com a pequena população sobrevivente isolada e totalmente desassistida por um governo federal omisso, distante e centralizado. As escolas presenciais desaparecem e os estudos são conduzidos através de intra-redes em pequenos aparelhos eletrônicos e o assistencialismo social é protagonizado apenas pelas pequenas igrejas evangélicas. A comunicação entre as ilhas remanescentes é feita através de rústicas embarcações denominadas “navegáveis”, construídas de lona, cordas e garrafas plásticas. 

Neste cenário ingrato, o autor desenvolve a lida diária dos personagens litorâneos, suas angústias, carências e convivência familiar. A resignação coletiva diante da realidade potencialmente avassaladora nos remete a situações encontradas em outros textos em que Santos e seus habitantes são cruamente retratados, tais como Plínio Marcos, Afonso Schmidit e a prosa de Vicente de Carvalho. Um livro merecedor de maior visibilidade pelo conteúdo, pela estrutura e pela complexidade narrativa e, ainda, nos deixa perplexos quanto ao que poderá advir após a última página.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

.: Manual Crônico, de Thiago Sobral: Crime hediondo


Se é crime, me submeterei ao julgamento, ouvirei a sentença, aceitarei a condenação.

Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_.


Há pecados, pecadinhos, pecadões. Há crimes e crimes, diriam os relativistas. Pecado é sempre pecado, ressoa até hoje minha grudenta herança católica. Suporta-se mais ou menos o crime alheio conforme ele diz algo sobre nós. Disso decorre a absolvição ou sentença do réu.

Cometo crimes há muito tempo. O primeiro foi nascer, diz a Palavra. A mancha original, herdada do primeiro homem, firmou-se em mim até o meu batismo, coisa que ocorreu quase dois anos depois que fui parido. Três jorros de água em minha careca infante, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo, amém, apagaram o pecado. Os banhos de mamãe, ainda que diários, não foram suficientes, tadinha.

Também cometi outros crimes mais ou menos dignos ou indignos, que talvez causem identificação no leitor. Já furei sinal vermelho, dormi sem escovar os dentes ou tomar banho, bebi água na boca da garrafa, furei fila, ouvi conversa alheia, etc., etc. Já até fui parar na delegacia. Mas há um crime do qual tenho muita vergonha (fazer faxina no nariz enquanto, no carro, espero o sinal abrir). Juro que é só de vez em quando, por isso não vou contar nunca, mas o amigo deve saber qual é.

Espero, de coração, que eu não seja o único pecador e criminoso deste século. Houve uma época em que tinha certeza da existência de outros… Havia gente que assassinava o semelhante, desviava dinheiro público, roubava o pertence alheio, difamava o irmão e tantas outras coisas. Crimes e pecados para todos os gostos e métodos. A depender da empatia dos demais, a sentença era dura ou branda — ou nem existia. Não sei se hoje ainda existem tais criminosos e seus pecados…

O fato é que o crime praticado nem sempre é transgressão. Pode ser um mero ato de sobrevivência, um protesto, uma subversão. A depender de quem o comete, a depender dos olhos que assistem, da cabeça que julga e da mão que condena, a condescendência, muita vez, é generosa, e deixamos passar. Afinal, um pecadinho a mais não deixará o inferno superlotado, e no céu há sempre espaço para mais um ladrão arrependido.

Há um pecado, porém, que não pode ser cometido nunca. Para ele não há perdão. É o maior e mais ofensivo que se pode praticar. Um verdadeiro crime hediondo, diz a minha experiência. E, para mim, não há saída, pois o cometo frequentemente. Dele não consigo me livrar. É um vício: habita minha alma, corre nas minhas veias e domina minhas sinapses cerebrais. Sempre que o cometo, recebo olhares atravessados, reações de espanto, caretas de repulsa. Pessoas que não estão presentes me enviam mensagens de advertência, julgamento e condenação, preocupadas com minha sanidade mental.

Devo deixar claro que, apesar de hediondo, esse crime não me incomoda. Minha alma, ainda que batizada, já está condenada a ele. Cometo-o sem peso na consciência, antes, muito consciente da culpa e do dolo. Desconfio que a repulsa por esse crime diga mais sobre os outros do que sobre mim. Por isso, aviso a todos, grito a plenos pulmões: VOU CONTINUAR COMETENDO ESTE CRIME, DOA A QUEM DOER. E f*d@-53.

Mas que crime é esse, meu patrão? Confesso que é grave, gravíssimo, diria José Dias. O crime, caro leitor, é ler na praia. Algumas páginas bobas, um livrinho qualquer, nada demais. Não consigo agir de outro modo. Sou um praticante inveterado dessa tipologia criminal, mas o povo não se acostuma. Insiste em me julgar, em querer condenar. Ficam abismados com o fato de eu não aproveitar a praia com outras coisas, enquanto estou nela. Não dão conta de tamanha ofensa.

Paciência, Iracema, paciência…, diria Adoniran. Se ler na praia é pecado, morrerei pecando. Se é crime, me submeterei ao julgamento, ouvirei a sentença, aceitarei a condenação.

Factum est.

.: Crítica: "Pânico 7" é retorno triunfal de Sidney Prescott e do temível Ghostface

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


"Pânico 7" vai muito além do que qualquer fã de terror poderia esperar, ainda que tenha enfrentado diversos problemas, implicando em ausências. Nas mãos de Kevin Williamson, o roteirista criador original da franquia, assumindo a direção, sendo um estreante num longa da série, a sétima produção é marcada pelo aguardado retorno de Sidney Prescott (Neve Campbell, "Jovens Bruxas"), a "final girl" do temível, indestrutível e múltiplo Ghostface que carrega sempre uma faca pronta para entrar em ação.

Nas primeiras imagens, puro saudosismo na telona Cineflix Cinemas quando a casa que foi cenário de tantas mortes recebe uma casal pronto para vivenciar o mesmo que Sidney. Marcações de corpos no chão, cartazes da franquia fictícia "Stab", elemento importante para fazer a trama acontecer mais uma vez e até um Ghostface (ou Pânico, se preferir chamá-lo assim) eletrônico, com sensor assusta. Contudo, a simulação avança um nível quando a morte, de fato, espreita o casal.

O terror da franquia marca presença em "Pânico 7", novamente no seu estado mais bruto e assombroso em mortes de fazer cair o queixo. Cada enquadramento transpira a essência dos longas de terror dos anos 90 e trazem uma Sidney ainda mais ativa, embora o alvo seja a filha mais velha dela. No longa há espaço para discutir o formato dos longas do gênero, assim como as máximas da franquia de ser alguém próximo e de ser mais de um assassino. Até mesmo Jamie Lee Curtis é citada por "Haloween".

Assim, a mãe guerreira, mesmo vivendo em uma cidade tranquila em Indiana, precisa proteger a filha Tatum Evans, interpretada por Isabel May. Afinal, o assassino em série, escondido nas vestimentas de Ghostface, quer vê-la sofrer. Com direito a IA e muita modernidade, a trama fica impecável "ressuscitando" um dos assassinos do primeiro longa. Há ainda o retorno de Courteney Cox (Gale Weathers), Joel McHale e Jasmin Savoy Brown, mas, traz de quebra, aparições de Scott Foley, o irmão de Sidney e David Arquette, o policial Dewey. 

Citando brevemente os eventos passados com Sam (Melissa Barrera) e Tara (Jenna Ortega), protagonistas dos dois filmes anteriores, "Pânico 7" resgata a essência de "Pânico", o que foi a melhor escolha para reviver uma franquia importante e que gerou uma série também maravilhosa, "Scream", há pouco mais de 10 anos. O retorno para as mãos de seu criador, chega a remeter o que aconteceu com o brinquedo assassino, "Chucky", mas na série. É a essência em seu estado puro num mundo moderno. Filmaço imperdível! 

A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN

"Pânico 7". (Scream 7). Direção: Kevin Williamson. Sinopse: Com Sidney Prescott (Neve Campbell) de volta ao centro da história. Agora vivendo uma vida pacata com sua família, ela se torna novamente o alvo de um novo Ghostface, mas desta vez o perigo é mais pessoal, pois sua filha, Tatum Evans (Isabel May), é o alvo principal. Elenco: Neve Campbell retorna como Sidney Prescott. Courteney Cox reprisa seu papel como Gale Weathers. Isabel May interpreta a filha de Sidney. Patrick Dempsey (rumorado) e Joel McHale aparecem no elenco, com McHale interpretando o marido de Sidney.  Duração: 1 hora e 55 minutos.


Leia+

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.: Crítica: "Pânico 6" traz sequências de tirar o fôlego e se reinventa

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.: Scream 2x9 leva todos para "O Orfanato"

.: 1x9: As histórias fantasmagóricas de "Scream Queens" são de arrepiar

.: Cineflix Cinemas de Santos estreia indicado ao Oscar, "Sirât" e mais seis


Hoje, 26 de fevereiro, a unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, apresenta sete estreias: "Pânico 7""Sirât""A História do Som""Arco""É Tempo de Amoras""Epic: Elvis Presley in Concert" e "O Caso dos Estrangeiros". Já sábado e domingo vai exibir antecipadamente a nova animação Disney "Cara de Um, Focinho de Outro".

A Cineflix Santos segue com a exibição do Ghibli Fest, parte 2, como animações japonesas de sucesso como por exemplo, "A Viagem de Chihiro""Meu Amigo Totoro""O Castelo Animado" e "O Serviço de Entregas da Kiki", além do romance arrebatador "O Morro dos Ventos Uivantes" e a animação "Um Cabra Bom de Bola". Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Estão disponíveis para venda os baldes colecionáveis, de "Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

.: "Pânico 7": Cineflix Cinemas de Santos exibe hoje antecipadamente

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


Hoje, dia 25 de fevereiro, a Cineflix Cinemas de Santos exibe antecipadamente a nova sequência de terror do assustador Ghostface, numa sessão às 20 horas e 40 minutos, "Pânico 7". O sétimo filme retorna com a "final girl", a protagonista Sidney Prescott, sendo que Kevin Williamson, o roteirista criador original da franquia, assume a direção, marcando sua estreia na direção de um longa da série.

Após ficar de fora do sexto filme, Neve Campbell, que dá vida à Sidney, retorna à trama vivendo em uma cidade tranquila em Indiana, mas precisa proteger a filha Tatum Evans, interpretada por Isabel May, do assassino em série, escondido nas vestimentas de Ghostface, que a coloca como alvo de sua ambição maior.

O filme conta com o retorno de Courteney Cox (Gale Weathers), assim como Patrick Dempsey, Joel McHale e Jasmin Savoy Brown. No entanto, a produção exclui atrizes Melissa Barrera e Jenna Ortega, protagonistas dos dois filmes anteriores, por conta de mudanças criativas e polêmicas de produção ocorridas anteriormente. 

Assista na Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

"Pânico 7". (Scream 7). Direção: Kevin Williamson. Sinopse: Com Sidney Prescott (Neve Campbell) de volta ao centro da história. Agora vivendo uma vida pacata com sua família, ela se torna novamente o alvo de um novo Ghostface, mas desta vez o perigo é mais pessoal, pois sua filha, Tatum Evans (Isabel May), é o alvo principal. Elenco: Neve Campbell retorna como Sidney Prescott. Courteney Cox reprisa seu papel como Gale Weathers. Isabel May interpreta a filha de Sidney. Patrick Dempsey (rumorado) e Joel McHale aparecem no elenco, com McHale interpretando o marido de Sidney.  Duração: 1 hora e 55 minutos.


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.: Crítica: "Anêmona" flerta com a essência de filme cult, mas se perde

 

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


Nenhum diálogo ou uma enxurrada de falas com emoções fortes despejadas. Eis um ponto marcante no longa "Anêmona", estrelado por Daniel Day-Lewis ("Gangues de Nova York" e "Trama Fantasma") e Sean Bean (O Senhor dos Anéis) que estão na pele de dois irmãos que se reencontram numa cabana primitiva que para ser localizada, precisa de coordenadas uma vez que está nas profundezas das florestas do norte da Inglaterra.

Após tantos anos de distância, Jem Stoker (Sean Bean) decide procurar o ex-soldado britânico que vive em um exílio autoimposto, Ray Stoker (Daniel Day-Lewis) para entregar-lhe uma carta, uma vez que o filho, criado sem o verdadeiro pai está em crise. Logo, segredos guardados e ressentimentos vêm à tona.

Com uma fotografia belíssima e flores de anêmona em torno da cabana, a produção dirigida por Ronan Day-Lewis, em sua estreia no posto em longas-metragens, a partir de um roteiro que coescreveu com o pai (Daniel Day-Lewis, que também protagoniza e faz a produção executiva do longa com Brad Pitt), o drama psicológico transita pelos caminhos de um filme cult, chega a flertar, porém entrega imagens e ideias soltas, deixando no público a sensação de confusão e insatisfação. 

Em meio a tamanha frustração para o público, fica nítido o mal aproveitamento do duo Daniel Day-Lewis e Sean Bean ainda que o longa entregue uma trama com entrelinhas tão fortes. No fim, fica o gosto amargo de decepção, uma vez que Lewis retornou especialmente de sua aposentadoria anunciada há oito anos em algo descabido.


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN



* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm


"Anêmona" (Anemone)Gênero: drama. Direção: Ronan Day-Lewis. Elenco: Daniel Day-Lewis como Ray Stoker, Sean Bean como Jem Stoker, Samantha Morton como Nessa Stoker, Samuel Bottomley como Brian Stoker, Safia Oakley-Green como Hattie. Sinopse: Segredos ocultos e ressentimentos há muito guardados vêm à tona quando dois irmãos afastados se reencontram em uma cabana primitiva nas profundezas das florestas do norte da Inglaterra.

.: Cineflix Cinemas de Santos: última semana do Ghibli Fest, parte 2


Segue em cartaz na Cineflix Cinemas de Santos, o Ghibli Fest, parte 2. Na segunda semana do festival em 2026, os fãs de animação japonesa terão a oportunidade de revisitar alguns dos maiores sucessos do Studio Ghibli, em uma mostra especial que celebra os 40 anos do estúdio na telona de cinema. 

O evento cinematográfico reúne 14 longas-metragens que marcaram gerações, em sessões que prometem transportar o público para universos de fantasia, delicadeza e crítica social. O Cineflix Miramar, em Santos, está entre os cinemas que irá exibir os longas-metragens e exibe obras consagradas como "A Viagem de Chihiro", vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2003, "Meu Amigo Totoro", um dos símbolos mais reconhecíveis da cultura pop japonesa, e "Princesa Mononoke", marco da carreira de Hayao Miyazaki por sua abordagem madura e ecológica. Filmes como "O Castelo Animado", "Castelo No Céu", "O Serviço de Entregas da Kiki" e "Ponyo".

Fundado em 1985 por Hayao Miyazaki, Isao Takahata e Toshio Suzuki, o Studio Ghibli construiu uma filmografia que alia poesia visual, personagens memoráveis e narrativas atemporais. O Ghibli Fest não só homenageia essas quatro décadas de produção, como também oferece a chance de uma nova geração conhecer os clássicos na tela grande. 

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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

.: Entre silêncios e conveniências, a tragédia íntima de "As Traíras"


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas


"As Traíras", de Roberto Masssoni, publicado pela Costelas Felinas Editora apresenta-se como uma releitura contemporânea da tragédia clássica, ambientada em uma pequena comunidade insular onde tradição, moralidade e aparência social se entrelaçam de maneira sufocante. A obra articula uma narrativa que examina as fissuras das relações familiares e os mecanismos silenciosos de opressão que se instauram em espaços aparentemente pacatos.

No centro do enredo encontra-se a viúva Teodora e seus filhos, João e Sofia, cuja convivência é marcada por um vínculo proibido que desafia as convenções morais da comunidade. A partida de João para a guerra funciona como catalisador dramático, expondo tensões e desencadeando uma reorganização emocional entre as personagens femininas. Isoladas em sua própria dor e confinadas a uma convivência inevitável, mãe e filha transitam entre gestos de afeto e confrontos silenciosos, revelando ressentimentos acumulados, culpas veladas e ambiguidades afetivas que sustentam a densidade psicológica do romance.

Masssoni constrói personagens secundários expressivos, que desempenham papel decisivo na composição da crítica social. Suas vozes ecoam julgamentos e hipocrisias. Esse coro social não apenas observa, mas interfere simbolicamente na narrativa, ampliando o clima de vigilância e intensificando o conflito interno das protagonistas.

A linguagem do autor é marcada por introspecção e lirismo contido, privilegiando atmosferas densas e silêncios carregados de significado. O texto evita excessos dramáticos e aposta na construção gradual das tensões, o romance afirma-se como uma tragédia moderna que dialoga com a tradição literária ao mesmo tempo em que investiga as fragilidades contemporâneas.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

.: Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir no Teatro Sesc Santos

Fernanda Montenegro inaugura o palco renovado do Teatro do Sesc Santos, marcando a reabertura do espaço com a leitura “Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”. Foto: Guilherme Pires

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


A reabertura do Teatro Sesc Santos em 20 de fevereiro de 2026, às 20 horas, marcada com a apresentação da ilustre atriz brasileira Fernanda Montenegro fazendo a leitura dramática extraída da obra “A Cerimônia do Adeus”, de Simone de Beauvoir pode ser resumida como a grande oportunidade de estar diante de uma figura extremamente simbólica do teatro, televisão e cinema do Brasil. 

No palco escuro, com a iluminação direcionada para a dama do teatro vestindo preto, ela acomodada numa cadeira com uma mesa a frente com o texto da escritora francesa, tal imagem fica ainda mais emblemática com a iluminação do Teatro  Sesc Santos modernizada. Assim, a voz potente e transbordando impostação de voz, faz acontecer uma inesquecível aula de literatura das mais agradáveis possíveis, não pela escolha de um texto com toque pessoal e extremamente libertário, mas também pela interpretação impecável de Fernanda Montenegro.

Aos 96 anos, a atriz entrega paixão, encantamento e pura sedução na leitura interpretativa de um texto sobre a visão do feminino numa era em que aparentemente está no passado, mas, infelizmente, segue atual. Nessa a temporalidade, ao analisarmos hábitos mantidos por parte masculina que naturaliza a redução do papel da mulher na sociedade, sempre atrás e nunca ao lado, com igualdade.

A obra de texto poderoso, cuja temática é a visão libertária, estruturada por Simone de Beauvoir sobre o feminismo, uma vez que acreditava que a existência precedia a essência e, portanto, não se nasce mulher, torna-se. Em "A Cerimônia do Adeus" há espaço para tratar o companheirismo sem amarras e também o envelhecimento. 

Inserindo em cena, de forma comovente, sua ligação de vida a Jean-Paul Sartre. Acontece no palco ainda a união de Fernanda Montenegro e Simone de Beauvoir que é puro deleite literário. O resultado são provocações reflexivas a respeito do minúsculo avanço de ser feminino numa sociedade machista agarrada ao retrógrado.

E como toda escolha tem um significado, a seleção do texto por Fernanda Montenegro é um acerto, tanto é que os ingressos rapidamente tiveram esgotadas as vendas das três apresentações iniciais. Para atender tamanha demanda, foram acrescidos dois novos horários que também esgotaram com agilidade. 


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm


Serviço
“Fernanda Montenegro Lê Simone de Beauvoir”
Datas: 20 a 22 de fevereiro
Horários: sexta às 17h00, sábado, às 17h00 e 20h00; domingo, às 16h00 e 19h00
Classificação: não recomendado para menores de 14 anos
Ingressos: R$ 21,00 (credencial plena), R$ 35,00 (meia), R$ 70,00 (inteira)
Limite: até 2 ingressos por pessoa
Observação: não é permitida a entrada após o início da leitura

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos



.: Em "História da Violência", Édouard Louis narra consequências de um abuso


Um romance complexo que captura o impacto avassalador de uma agressão sexual, transformando um trauma em uma reflexão visceral sobre a nossa sociedade. A tradução é de Marilia Scalzo e a capa, de Luciana Facchini


Publicado dois anos depois do aclamado "O Fim de Eddy", o romance "História da Violência", publicado pela Editora Todavia, tem como ponto de partida uma noite de Natal do ano de 2012. Enquanto caminhava para casa pelas ruas desertas e frias de Paris após uma agradável ceia, passada na companhia de dois amigos, Édouard Louis cruza com um homem atraente, que o aborda com insistência. Dividido entre o desejo e a vontade de ficar sozinho para ler, o narrador acaba cedendo e convidando o homem para sua casa.

Após uma madrugada de trocas profundas e íntimas, em que Reda compartilha histórias de sua infância e da origem de sua família, como a da chegada de seu pai da Argélia à França, ele saca um revólver e ameaça matar Édouard. Em seguida, o narrador é agredido, estuprado, e Reda foge. Traumatizado, Édouard dá entrada nos procedimentos burocráticos para prestar queixa e se depara, entre outras coisas, com as dificuldades desse tipo de denúncia quando se é um homem gay.

A partir desta experiência traumática, que o leva de volta à pequena cidade do interior da França, o autor realiza um audacioso exercício de catarse literária, não apenas para analisar e compreender os impulsos mais vis de que o ser humano é capaz, mas também para explorar as múltiplas facetas da violência. O resultado é uma narrativa hipnótica que se movimenta entre o passado e o presente, e que se alterna entre várias vozes, como a de Édouard, de sua irmã e de Reda, registrando não apenas o racismo e a homofobia da sociedade francesa contemporânea, mas também seus efeitos sutis nos relacionamentos afetivos e familiares. Um livro intenso e inesquecível, que confirma o lugar sem igual de Édouard Louis na literatura de hoje. Compre o livro "História da Violência", de Édouard Louis, neste link.


O que disseram sobre o livro
"Uma obra de autoficção contundente... History of Violence é um romance conciso, porém densamente urdido, que se inicia com uma urgência crua e visceral." (Johanna Thomas-Coor, The Time)

"Intenso e desconfortavelmente envolvente, o romance parte dos eventos lancinantes daquela véspera de Natal para um exame implacável de classe, raça e discriminação." (Tash Aw)

"Evocando o misticismo e o poder das tragédias antigas, o jovem autor confirma sua habilidade de encenar o real." (Télérama)

"Uma explêndida e dolorosa busca pela verdade." (Le Monde des livres)


Sobre o autor
Édouard Louis
nasceu em Hallencourt (França), em 1992. Em seus relatos contundentes, inscritos em uma tradição que remonta a Annie Ernaux e Didier Eribon, a homossexualidade e as injustiças de classe são retratadas através de uma escrita honesta e afiada, marcada por altas doses de crítica social e política. Dele, a Todavia publica também "Quem Matou Meu Pai" (2023), "Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher" (2023), "Mudar: Método" (2024), "Monique se Liberta" (2024), "O Desabamento" (2025) e "O Fim de Eddy" (2025). Compre os livros de Édouard Louis neste link.

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