sábado, 14 de fevereiro de 2026

.: Crítica: "O Morro dos Ventos Uivantes" é apimentado, mas cheio de romance

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


A nova adaptação cinematográfica do clássico literário "O Morro dos Ventos Uivantes" transborda romance suspirante entre Catherine Earnshaw (Margot Robbie, "Barbie" e "Esquadrão Suicida") e Heathcliff (Jacob Elordi, de "Priscilla" e "A Barraca do Beijo"). Com toque apimentado cada evolução na relação dos dois, iniciada ainda na infância, desperta emoção suficiente para cada um na sala de cinema torcer pelo sucesso da história de amor.

A produção dirigida por Emerald Fennell que escreveu e dirigiu dois sucessos, "Bela Vingança" (vencedor do Oscar de melhor roteiro em 2021) e "Saltburn", mergulha na era vitoriana com a história de uma das irmãs Brontë, Emily. Na tela, planos de encher os olhos, não somente apoiados na bela fotografia do cenário bucólico, mas também em tomadas internas e abertas em que a saia vermelha de Catherine diz muito, por exemplo.

O longa que soma 2 horas e 14 minutos começa na infância de Cathy que passa a ter ao lado o garoto bruto e aparentemente mudo retirado das ruas pelo pai. Assim, o jovem é batizado por ela de Heathcliff. Os dois crescem juntos no Morro dos Ventos Uivantes, mas não administram bem os sentimentos que alimentam um pelo outro. Numa casa degradada, até sem lenha para se aquecer, já com a idade avançada e sem propostas de casamentos, vê uma chance de boa vida com a chegada de um magnata dos tecidos: Edgar Linton (Shazad Latif, de "Nautilus").

Após não ser cortejada pelo novo vizinho, coloca um plano em prática e, assim, traça uma mudança brutal em seu destino e no de Heathcliff. Com a ajuda da dama de companhia Nelly (Hong Chau, de "A Baleia", "Tipos de Gentileza"), o corte da convivência entre os dois, leva Cathy a uma vida de luxo, mas sem amor. Contudo, o retorno de quem realmente ama gera reviravoltas e traições com força para convocar a morte. 

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* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm

"O Morro dos Ventos Uivantes". Gênero: drama, romance. Direção: Emerald Fennell. Elenco: Margot Robbie (Catherine Earnshaw), Jacob Elordi (Heathcliff), Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif e Ewan Mitchell. Sinopse: A tragédia acontece quando Heathcliff se apaixona por Catherine Earnshaw, uma mulher de uma família rica na Inglaterra do século 18.

.: Crítica: no teatro, "A Baleia" é humana pela culpa e busca de aceitação


Por
 Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do portal Resenhando.com

Em fevereiro

O cinema consegue emocionar visualmente, mas o teatro, quando reúne um elenco impecável, é capaz de ir além e criar uma ponte única de aproximação com o público para mexer com sentimentos diversos, além de lançar inquietações. Ao testemunhar o espetáculo teatral "A Baleia", em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca, cada provocação reverbera semanas depois. 

Em vivências posteriores, reflexões sobre o rumo da história surgem na mente, gerando debates internos a respeito da humanização de cada personagem que no palco tornam a montagem do diretor Luís Artur Nunes inesquecível. Há no protagonista de Emílio de Mello o ponto de partida do desenvolvimento de toda a trama, assim como a escolha determinante.

A interpretação mansa e comovente de Mello entranha no público estabelecendo uma conexão com profundidade emocional sobre dependência e isolamento. Com empatia, o público é convidado a assumir o posto de Charlie (Emílio de Mello), em meio a seus erros e acertos diante de um grande chamado. 

Cada personagem que interage pessoalmente com o protagonista, é agregado a ele, como tentáculos. Todos distantes, mas unidos num único motivo. Importantes para o homem que optou se anular aos poucos, mergulhando na comorbidade e que abraça uma visão amorosa, totalmente questionável, de uma filha execrável, Ellie (Gabriela Freire). 

Portanto, recai para Ellie o retrato do desamor e asco, que mantém vivo pelo pai e, com atitudes, faz o público sentir o mesmo por ela. Mérito inquestionável de Gabriela Freire, que com categoria entrega a interpretação de uma filha necessariamente horrorosa a um pai que a acompanhou sempre distante, apesar da admiração.

A enfermeira e amiga, Liz (Luisa Thiré) representa o equilíbrio e a razão diante dos fatos, alguns extremamente absurdos, respingando um pouco desta postura para a ex-mulher, Mary (Alice Borges). Há ainda a interferência do missionário Thomas de Eduardo Speroni com imposições religiosas questionáveis que fazem refletir sobre as escolhas, mas também rir quando, no debate, percebe que a vida não é uma lista de atividades a ser cumprida.

Em "A Baleia" há muita poesia na produção. Seja a sonoplastia que funciona como que um chamado ou na leitura amorosa de uma pequena análise de "Moby Dick". No entanto, o que mais conta é a total entrega de um elenco magistral que rapidamente leva o público para mergulhar num temporal de sentimentos que encaminham a baleia a seu destino final. Imperdível!

Sinopse: Charlie é um professor de inglês com obesidade severa que vive recluso e busca redenção. Após a morte do namorado, ele tenta se reconectar com sua filha adolescente, Ellie, de quem se afastou, enfrentando culpa e busca por aceitação. 


Ficha técnica

Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.


Serviço:

Teatro Sabesp Frei Caneca

Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026

Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.


Ingressos

Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)

Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)

Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)

Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)

Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 

Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza

Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.


Agradecimentos de "A Baleia"


Leia+ 


.: "Pietà - Um Fractal de Memórias" reestreia dia 28 na SP Escola de Teatro

Espetáculo "Pietà - Um Fractal de Memórias", ambientado nos anos 1980, aborda questões ligadas a depressão e ao suicídio, em curtíssima temporada na cidade de São Paulo. Foto: divulgação


Reestreia no dia 28 de fevereiro na SP Escola de Teatro o espetáculo "Pietà - Um Fractal de Memórias", texto de Marcelo Novazzi, com direção de Paulo Gabriel e protagonizado pelos atores Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto.  A peça teatral fez temporada em 2025 e recebeu indicação de melhor ator pelo site Arte 8 para Dan Rosseto. A peça se passa na década de 1980 em uma noite de Natal, data em que as pessoas estão mais sensibilizadas e emotivas. 

Os fantasmas, as frustrações e os traumas afloram no protagonista com intensas ideações suicidas. Movido por este ímpeto de dar cabo a sua vida, de dentro da sala de estar da sua casa iremos ver o testemunho fractal de suas memórias em relatos vertiginosos do jornalista Pedro, que já tomado pela depressão, não consegue mais separar com clareza o que é real e o que é ficção. Tomado por um peso enorme sobre si, busca as devidas justificativas para tirar sua vida.

Cenicamente, de um lado, a peça traz à tona as lembranças do protagonista que se traduzem em fragmentos de memória, que misturam realidade e imaginação, distorcidos pelo quadro depressivo já instalado. Neste mosaico de lembranças, Pedro evoca situações com pessoas que passaram e marcaram sua vida, como a sua mãe Odete (Giselle Tigre) e a namorada Carol (Mayara Mariotto). Já no outro extremo, vemos Pedro tentando sair dessa espiral que o congela para a vida. Aos poucos, ele se entrega aos cuidados da terapeuta Susan Helena (Giovana Yedid) que vai trazendo ao seu paciente certa lucidez e entendimento na caminhada de Pedro. Através de dinâmicas da recém-chegada ‘’Constelação Familiar’’ ao Brasil, vai desatando os nós e ressignificando os traumas da sua caminhada.

A peça aborda temas importantes e atuais, como a depressão, que segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é o principal fator de risco para o suicídio considerado por especialistas, um dos grandes problemas do século. Outro tema abordado é a saúde mental, a conscientização e expansão da importância do assunto nos dias de hoje e da gama de processos terapêuticos convencionais e não convencionais, como forma de tratamento desses padrões comportamentais.

"Este é um dos trabalhos mais complexos, os temas abordados no texto são profundos, urgentes e necessários. Como ator eu preciso criar conexões com o personagem de forma técnica, para que o jogo cênico aconteça todos os dias e a plateia crie empatia comigo e com o personagem. Fui convidado para este projeto em 2019 e de lá pra cá, estamos tentando encontrar formas de viabilizar que ele acontecesse, por isso a importância de todos os envolvidos”, conta o ator Dan Rosseto.

Ficha técnica
"Pietà - Um Fractal de Memórias"
Texto: Marcelo Novazzi
Adaptação e direção: Paulo Gabriel
Direção de produção: Fabio Camara
Elenco: Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto
Assistente de direção: Giovanna Campanharo, Isabelli Zavarello e Karla Marcon
Assistente de produção: Natália Rabelo
Preparação vocal: Gilberto Chaves
Preparação corporal: Bruna Longo
Figurino e cenário: Fabio Camara
Arquitetura Cênica: Paulo Gabriel
Iluminador: Wagner Pinto e Carina Tavares
Operador de luz: Beto Boing
Operador de som: Sophia Dário
Fotos: Rafa Marques
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Produtora associada: Girassol em Cena Produções e Candeal Produtora
Realização: Applauzo Produções, Lugibi Produções e E!motion Cultural


Serviço
"Pietà - Um Fractal de Memórias" 
SP Escola de Teatro - Unidade Roosevelt, Praça Franklin Roosevelt 210 – Bela Vista. 60 lugares.
De 28 de fevereiro até 15 de março. Sextas e sábados, às 20h30. Domingos, às 18h00.
Outras informações: (11) 3775 8600
Vendas pela internet: https://www.sympla.com.br/eventos?s=piet%C3%A0,%20Um
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos

.: Vencedor do Festival de Cannes, "Eu, Daniel Blake" está no Sesc Digital




Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano de 2016, "Eu, Daniel Blake", de Ken Loach, que expõe com sobriedade e empatia os efeitos da burocracia sobre os mais vulneráveis, numa crítica direta ao desmonte do estado de bem-estar social na Inglaterra.

Mo longa-metragem, após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, Daniel Blake busca receber os benefícios concedidos pelo governo a todos que estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na extrema burocracia instalada pelo sistema, amplificada pelo fato dele ser um analfabeto digital. Numa de suas várias idas a departamentos governamentais, ele conhece Katie, a mãe solteira de duas crianças, que se mudou recentemente para a cidade e também não possui condições financeiras para se manter. Após defendê-la, Daniel se aproxima de Katie e passa a ajudá-la. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Eu, Daniel Blake"
Direção: Ken Loach | Inglaterra | 2016 | 97 minutos | Ficção | 12 anos
Elenco: Dave Johns, Hayley Squires  
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 

.: Carolina Maria de Jesus: do Sambódromo às telas de cinema


Um dos nomes mais celebrados da literatura brasileira será homenageada pela Unidos da Tijuca e ganha filme inspirado no livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada". Foto: João Wesley

Carolina Maria de Jesus, uma das principais escritoras brasileiras, será homenageada em dose dupla ao longo de 2026: com o longa "Carolina - Quarto de Despejo" que tem previsão de estreia para o segundo semestre, e com o enredo “Carolina Maria de Jesus", da Unidos da Tijuca, que vai ocupar a Marquês de Sapucaí durante o Carnaval do Rio de Janeiro. Mineira, apelidada de Bitita, ela ganhou fama mundial em 1960, com a publicação de seu livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada", em que narra com autenticidade e força poética a vida na favela do Canindé, em São Paulo.

Maria Gal, protagonista do filme "Carolina: Quarto de Despejo", marcou presença no Baile da Vogue, neste sábado, no Rio de Janeiro. A atriz, que interpreta Carolina no longa e que vai atravessar o Sambódromo como escritora com a Unidos da Tijuca, escolheu um vestido feito exclusivamente para o evento e que é estampado com matérias sobre Carolina. Assinado pela estilista Agatha Lacerda, a roupa reforça a relevância e importância da escritora no cenário cultural. Com apenas dois anos de educação formal, a autora vendeu mais de três milhões de exemplares, teve sua obra traduzida para 14 idiomas e se tornou a primeira escritora negra brasileira a alcançar reconhecimento internacional.


Do set ao Sambódromo
A Unidos da Tijuca vai contar a história de Carolina Maria de Jesus no Sambódromo este ano. Com o desfile no dia 16 de fevereiro, a escola é a quarta a entrar na avenida e vai passar pelas diferentes fases da história da escritora. Maria Gal será destaque na abertura do desfile, interpretando a própria Carolina, com o mesmo figurino que usou durante as filmagens do longa. A atriz vai atravessar o Sambódromo ao lado do presidente da escola Fernando Horta, que estará caracterizado como Dr. Eurípedes Barsanulfo, médico espírita, que profetizou que Carolina seria poetisa quando ela tinha apenas 4 anos.

“O convite para fazer parte do desfile começou através da Fernanda Felisberto, historiadora que contribui com a Unidos da Tijuca. Ela sabia que eu estava com o projeto do filme e me apresentou aos integrantes da escola, e foi amor à primeira vista”, brinca Maria Gal. Ela explica que estava fora do país quando soube que o enredo sobre a vida de Carolina seria anunciado como a escolha da escola, mas a sua data de volta coincidia com a véspera deste evento, então, no final, conseguiu estar presente e viu de perto a euforia dos componentes com a decisão.  

O enredo intitulado "Carolina Maria de Jesus" é dividido em cinco capítulos, que correspondem à infância, ao começo da juventude e vida adulta, à mudança para São Paulo e o baque ao se ver marginalizada na Favela do Canindé, ao dia a dia e os registros escritos em seus diários e à força da sua imagem retinta que apontou para outros horizontes. O samba-enredo oficial é de autoria de Lico Monteiro, Samir Trindade, Leandro Thomaz, Marcelo Adnet, Marcelo Leopiane, Telmo Augusto, Gigi da Estiva e Juca. O carnavalesco responsável é Edson Pereira, com consultoria de Fernanda Felisberto e pesquisa de enredo de Gabriel Melo.


Sobre o filme ‘Carolina - Quarto de Despejo’  (Título provisório)
Dirigido por Jeferson De, com roteiro de Maíra Oliveira e produção de Clélia Bessa, o longa é uma adaptação do livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada" e explora aspectos menos conhecidos da autora: o afeto, os desejos, a vaidade, a maternidade e sua consciência política. A narrativa utiliza trechos de seus diários como base de uma trama mais complexa. Não se trata de biografia. O recorte vai do momento da escrita do livro até sua publicação.

Protagonizado por Maria Gal, que dá vida a Carolina Maria de Jesus, a produção conta ainda com Raphael Logam, Clayton Nascimento, Liza Del Dala, Carla Cristina Cardoso, Ju Colombo, Caio Manhente, Jack Berraquero, Fabio Assunção, Alan Rocha, Thawan Lucas e grande elenco. O filme é uma produção da Move Maria, Raccord Produções e Buda Filmes, com coprodução da Globo Filmes e distribuição da Elo Studios.

As gravações aconteceram no Rio de Janeiro, em novembro e dezembro de 2025 em locações como na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), no bairro do Recreio dos Bandeirantes, e nos Estúdios Quanta Rio de Janeiro, onde a equipe de arte, liderada por Billy Castilho, reproduziu a Favela do Canindé dos anos 1950 em um cenário de mais de 400m². Além do minucioso trabalho de arte, o cenário também contou com dois painéis de led com 12x5cm e 4x3cm, que estamparam ora o horizonte de São Paulo, ora uma outra perspectiva da favela do Canindé e ajudaram a dar profundidade e ainda mais realismo ao cenário. Juntos, a favela e os telões de LED ocuparam mais de 700m².


O início
Em 2014, Maria Gal comprou os direitos do livro "Quarto de Despejo: Diário de Uma Favelada" e, desde então, se aproximou de Vera Eunice, filha da escritora, com o desejo de fazer outros projetos sobre Carolina. Em 2019, Gal e Clélia Bessa, da Raccord Filmes, se encontraram e decidiram começar a produzir o filme. O primeiro nome que veio à cabeça de Clélia, para dirigir o filme foi Jeferson De, profissional que já tinha uma história com a escritora e que aceitou de primeira embarcar no projeto.


Maria Gal e Carolina Maria de Jesus
Muito antes de adquirir os direitos do livro, Maria Gal já se aprofundava na vida da escritora. Em 2007 ela interpretou Carolina no teatro e, a partir de então, surgiu a vontade de ver a história dela no cinema. “Conforme os anos passam, essa obra se torna mais atual. A Carolina falava de segurança alimentar, protagonismo feminino e negro, saneamento básico, maternidade solo, violência contra a mulher. Ela escreveu para gente de hoje”, afirma.

Para o papel no cinema, Gal passou por diversas mudanças. Os cabelos foram cortados e, segundo a atriz, contam aquilo que poucas palavras conseguem alcançar. “Quando eu aceito transformar meu cabelo pela história de Carolina, não estou apenas mudando o visual, estou abrindo espaço para acessar uma verdade que vai além da minha. Estou entrando no território dessa mulher gigante, que ainda hoje é uma das autoras mais importantes da literatura mundial. Carolina não é só um papel, ela é uma força literária que atravessou séculos, fronteiras e desigualdades, escrevendo de um lugar de silêncio imposto e, mesmo assim, fazendo ecoar a própria voz para o mundo inteiro”, explica Gal. Ainda como parte da composição da personagem, a atriz passou por um grande processo de emagrecimento, chegando a perder mais de 11 quilos e iniciou sua preparação como atriz há um ano, passando por profissionais do Brasil e dos EUA.


Jeferson De e Carolina Maria de Jesus
A história de Jeferson e Carolina começa muito antes deste longa. O diretor já havia feito dois curtas que envolviam o personagem Carolina de Jesus. O primeiro foi lançado em 2001, com Ruth de Souza no papel da escritora e, em 2003, ele dirigiu a premiado ‘Carolina’, que teve Zezé Motta no papel principal. A produção teve grande destaque no Festival de Cinema de Gramado, e venceu os prêmios de Melhor Curta-Metragem e o Prêmio da Crítica. Em 2004, a produção também recebeu o prêmio do Festival É Tudo Verdade e, no mesmo ano, a Cinemateca Brasileira, em parceria com o Museu Afro, realizou uma sessão especial de ‘Carolina’ curta para homenagear os 110 anos da escritora.

"Eu já estava muito feliz com a repercussão das minhas produções sobre a Carolina, acho que, principalmente, o segunda curta ajudou a dar ainda mais visibilidade ao nome desta figura tão importante para a literatura brasileira. Até que, mais de 20 anos depois, a Clélia me faz um convite irrecusável para encontrar com essa grande amiga Carolina Maria de Jesus”, celebra Jeferson.


Participações especiais e visitas ao set
A adaptação cinematográfica de um dos livros mais importantes da literatura brasileira contou com participações muito especiais. Vera Eunice, filha de Carolina Maria de Jesus, atuou ao lado de Maria Gal e de Laura Vick, que interpretou Vera criança. Em um dia marcante, elenco e equipe se emocionaram ao ouvir as palavras de Vera e vê-la relembrando sua infância ao lado de sua mãe. Em outro momento emocionante, as escritoras Conceição Evaristo, Eliana Alves Cruz e Fernanda Felisberto participaram de uma cena que faz referência ao premiado "Central do Brasil" (1998), quando Dora (Fernanda Montenegro) cobra para redigir cartas para pessoas analfabetas que desejam se comunicar com familiares distantes. No filme atual, Carolina preenche as fichas de despejo dos moradores da favela do Canindé, e as escritoras representam mulheres da comunidade que pedem sua ajuda.

Enquanto rodavam o filme, a equipe também recebeu visitas no set. Lázaro Ramos e o diretor musical Jarbas Bittencourt estiveram presentes no início dos trabalhos. A atriz Glória Pires também marcou presença nas gravações, assim como a cineasta Rosane Svartman, produtora associada do filme. Durante toda a preparação e filmagem, a equipe manteve, como forma de homenagem, um altar com as fotos de Carolina Maria de Jesus e de Lucas Colombo, filho da atriz Ju Colombo, que faleceu de mal súbito nos EUA em abril deste ano.


Carolina e o mundo da moda
Além de ser conhecida internacionalmente como escritora, Carolina também é vista, atualmente, como um ícone de estilo e sustentabilidade, influenciando o mundo da moda através de sua estética de sobrevivência e autoafirmação. Ela citou: “Agora que vendi mais de 15 mil livros na Tchecoslováquia poderei me vestir com esse tal de Dior”

Muito antes da sustentabilidade e do upcycling serem tendência no universo da moda, Carolina já os colocava em prática. Como catadora, ela ressignificava materiais, incluindo roupas e objetos descartados, dando a eles novo uso e significado. Suas vestimentas também eram um ato de resistência e, mesmo vivendo em condições precárias, ela cuidava da aparência, utilizando a moda como um ato de dignidade contra a invisibilidade imposta pela pobreza.

Fotos de arquivo e registros publicados dão conta da relação de Carolina com estilistas e sua preocupação e interesse em se vestir de acordo com as ocasiões. Vale lembrar uma imagem que repercutiu bastante na época e mostra Carolina em frente a um avião da AirFrance, pronta para embarcar para o Uruguai para lançar seu livro, com  com um look de luxo com pérolas.  Ela era vaidosa, gostava muito de roupas elegantes e do cabelo à mostra, crespo e natural, elaborando penteados que comportavam adornos diversos, ampliando o uso dos lenços, parte de sua estética fartamente veiculada, como um de suas fotos mais conhecidas.

Em 2021, Carolina foi tema central de uma exposição no IMS Paulista, em São Paulo, e teve 15 núcleos temáticos com aproximadamente 300 itens entre fotografias, cartas, matérias de imprensa e vídeos, muitos deles desconhecidos do grande público. A mostra dedicou um olhar especial para as experiências de Carolina com a costura, por exemplo, quando confeccionou uma fantasia para usar no carnaval de 1963. Em fotos expostas, foi possível ver sua elegância ao misturar estampas, pérolas e adornos que completavam o elegante visual.

Carolina Maria de Jesus não foi uma "fashionista" no sentido tradicional como é visto atualmente, mas sua capacidade de criar estilo próprio com o que tinha disponível a torna um símbolo potente de moda resistente.

.: Dias de folia: as cinco curiosidades mais impressionantes sobre o Carnaval


Uma das festas mais populares do mundo, o Carnaval tem suas origens na Antiguidade pré-cristã e foi incorporado, delimitado e datado pelo calendário do cristianismo. “Antes de sua validação pela Igreja, era um período de festas profanas, invernais, regidas pelo ano lunar. Os povos pagãos realizavam rituais, utilizavam fantasias e máscaras, dançavam para seus deuses - essa manifestação destacava a sobrevivência humana em face aos rigores do frio e aos riscos da morte por enfermidades ou por violência”, explica Ana Beatriz Dias Pinto, especialista em comportamento humano e professora da Escola Politécnica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Confira cinco curiosidades que ajudam a entender o Carnaval.


1. Qual o significado da palavra Carnaval?
Para alguns, o nome da expressão latina carne vale!  (adeus, car-ne!), anunciaria entrada na abstinência quaresmal. Em Roma, com os povos pagãos, havia uma festa, a Saturnália, na qual um carro no formato de navio abria caminho em meio à multidão, que usava máscaras e promovia as mais diversas brincadeiras em honra ao imperador. A origem da palavra carnaval seria carrum navalis (carro naval) . Essa interpretação é contestada pela Igreja (que passou a realizar procissão semelhante, mas para seus santos). Atualmente, a etimologia mais aceita liga a palavra carnaval à expressão carne levare, ou seja, afastar a carne, do latim levare,  "tirar, sustar, afastar". No início do cristianismo, no hemisfério norte, a manifestação de sobrevivência ao inverno através de comilanças pantagruélicas era um último momento de consumo de carne e de festejos antes do período de abstinência e de conversão à qual a Quaresma convidava. Portanto, sair às ruas para dançar, festejar os Santos, beber e comer carne era uma oportunidade de alegria, que só voltaria com a Páscoa (40 dias depois).


2. O que inspirou os desfiles de Carnaval?
As procissões inspiraram os desfiles de Carnaval. Elas consistem em marchas solenes de caráter religioso, organizadas pela Igreja Católica, geralmente pelas ruas de uma cidade. Os padres e outros clérigos saem paramentados, carregando imagens, crucifixos, à frente de andores, estandartes, pálios ricamente decorados, velas, lanternas, archotes, cruzes alçadas, lampadários e bastões. Eles são levados por fiéis, também paramentados, das diversas irmandades e confrarias, religiosos e religiosas, e pelos leigos, em geral, formados em duas ou mais alas. As procissões rezam e entoam cantos, hinos e motetos, acompanhadas por fanfarras, bandas, música de instrumentistas, corais e cantores. Além do som de sinos ou matracas, e até de rojões, dependendo do caráter da procissão. Nas procissões há cumprimento de promessas e alguns andam de pé descalço, carregam pedras, andam um trecho de joelhos... As passeatas e manifestações de rua, de operários, estudantes e grevistas, por exemplo, adotaram a liturgia católica das procissões e saem com seus símbolos, estandartes, cantos e palavras de ordem (às vezes desordem) ao mesmo estilo. Os blocos, maracatus, cordões e vários grupos carnavalescos construíram suas coreografias, apresentações e forma de desfiles sobre o modelo das procissões. Há até estudos antropológicos sobre essa contribuição da sagrada procissão ao desfile do Carnaval.


3. O que o Carnaval representa hoje em dia?
“Com o Carnaval, as pessoas expressam a esperança, a chegada de tempos melhores (primavera no Hemisfério Norte) e a oportunidade de extravasar antes de iniciar um período mais introspectivo e reflexivo para os cristãos, por ocasião da Quaresma (um período de 40 dias de orações e jejum em preparação para a Páscoa)”, conta a especialista.


4. Quando é comemorado o Carnaval?
Em algumas localidades, como na Europa, o "tempo" do Carnaval começa no Dia de Reis (Festa da Epifania) e acaba na Quarta-feira de Cinzas, às vésperas da Quaresma. Ainda é assim na Itália, no famoso Carnaval de Veneza, onde após a Festa de Epifania começam as apresentações de bandas de flautas e tamborins com desfiles de máscaras. No Brasil, é celebrado na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas (sofrendo variações a depender da região onde é celebrado).


5. O Carnaval fora de época é uma festa católica?
Sim, é mesmo - em tese. O nome que se dá ao carnaval fora de época é micareta, que significa literalmente "meio da Quaresma". E não tem nada a ver com careta, cara feia ou máscaras. O nome micareta deriva da festa católica francesa, chamada de  micarême. Ela acontecia na França, desde o século XV, bem no meio do período de quarenta dias de penitência da Igreja Católica. No meio da Quaresma havia uma suspensão do jejum, da abstinência e uma pequena celebração. “A introdução da micareta, da micarême,  como festa urbana ocorreu primeiramente em capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. Desde os anos 1990 a micareta vem se espalhando por várias capitais e cidades brasileiras, como Curitiba, com bloquinhos que se reúnem em praças centrais e mesmo no Largo da Ordem”, afirma. As micaretas também ocorrem em países como Itália, Canadá e Portugal. Hoje, no Brasil, uma micareta é essencialmente um carnaval fora de época, pois perdeu seu sentido religioso. É muito comum na Bahia, onde diversas cidades definem datas para as suas micaretas ao longo de todo ano.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

.: Entrevista com Guilherme Arantes: 50 anos de carreira e no jogo na música


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Leo Aversa

Ele está completando 50 anos de carreira e segue no jogo na música. Uma trajetória na qual pôde estar presente ao lado de ídolos. Nomes consagrados como Tom Jobim, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa Roberto Carlos e tantos outros nomes importantes da nossa MPB. E ainda conseguiu produzir uma obra de valor inquestionável. Desde o primeiro álbum até o mais recente, o disco "Interdimensional". 

Guilherme Arantes sempre demonstrou ser um caldeirão de influências que ele absorveu ainda na adolescência e conserva acesa a chama da criatividade para produzir novas pérolas musicais. Em entrevista para o portal Resenhando.com, ele conta como vê o momento atual para a música e se considera um !transgressor’ dos tempos atuais. Ao invés de lançar singles de forma homeopática, ele chega com um álbum completo de canções inéditas. “Vivemos um tempo muito imediatista, na velocidade de um vídeo de Tik Tok”.


Resenhando.com - Passados 50 anos, o que o motiva a continuar produzindo novas canções?
Guilherme Arantes - Eu ainda conservo a mesma vontade de buscar coisas novas. Recentemente eu me vi mentalmente transportando para 1975, e me perguntei – Guilheme, quem você quer ser daqui a 50 ano? E a resposta é ser eu mesmo, sem mudar nada. Tudo o que conquistei na música valeu a pena. E continua valendo muito. Sem dúvida, eu sou uma alma inquiet... Apenas quero mostrar minha música e continuar me aperfeiçoando cada vez mais.

Resenhando.com - Ao longo de sua trajetória você colecionou hits e canções que permanecem vivas na memória popular. O que tornou sua obra perene?
Guilherme Arantes - Acho que foi o fato de buscar as inspirações no cotidiano. As pessoas acabam se identificando com as mensagens. “Amanhã, ser´um lindo dia”. As canções românticas falam sobre  amor de uma forma verdadeura.  Tem um trecho de Cheia de Charme  em que eu falo “ Investi tudo naquele olhar”. Uma metáfora bem bolada de conquista.


Resenhando.com - Como foi trabalhar e ter canções gravadas por outros nomes da MPB?
Guilherme Arantes -  Eu me considero um privilegiado. Caetano Velkoso, Gal Costa, Giberto Gil, Sandra de Sá,Fafa de Belém,  Roberto  Carlos. Lembro de morar em 1985 ho Rio de Janeiro e encontrar Tom Jobim. Teve um outro encontro surreal em Belo Horizonte. O Milton Nascimento veio no hotel em que eu estava hospedado para gravar uma entrevista comigo. O Roberto Carlos me recebeu na casa dele, Cinversamos sobre vários assuntos e acabei compçonro pra ele Toda Vâ Filosofia. Depois que gravou ele me ligou para agradecer.  Ter uma canção gravada pelo Roberto é um privilégio  e tanto.


Resenhando.com - Os anos 80 foram bastante produtivos?
Guilherme Arantes - Eu acabei surfando naquela onda do rock nacional. Não fazia rock como os outros. Eu vim da geração dos anos 70. Minha ambição sempre  foi diferente.


Resenhando.com - Você tem uma produção autoral e algumas parcerias com nomes como Nelson Motta. Ronldo Bastos entre outros. Há alguma vontade de compor com outros parceiros?
Guilherme Arantes - Se é para sonhar alto, gostaria de produzir algo com a Adele, Alicia Keys e Ed Sheeran. No Brasil, tenho vontade de convidar o Caetano Veloso. Ainda não tive chance. Mas se rolar seria muito especiql.


Resenhando.com - Os tempos atuais são muito imediatistas?
Guilherme Arantes - É incrível. A vida parece correr na velocidade de um vídeo do tik tok. Para quem trabalha com música pe importante buscar o nicho certo para fazer valer o trabalho. Recentemente viralizou um vídeo no qual apareço mostrando os acordes de Meu Mundo e Nada Mais em uma loja da Santa IIfigêni, em São Paulo. Alcançpu uma marca que eu mumca imaginei conseguir. Aliás nem tive mesmo essa intenção, pois era somente para ele gravar a sequência dos acordes no piano. Virou essa loucura de corrida pela visualização.

 "Coisas do Brasil"

"Meu Mundo e Nada Mais"

"Amanhã"


.: Crítica: Guilherme Arantes explorando o interdimensional em novo álbum


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Quando fiquei sabendo que Guilherme Arantes iria lançar um novo disco autoral, fiquei  curioso para ouvir essa sua nova produção musical. Afinal de contas., ele estava indo pelo caminho mais desafiador, ao invés de se ancorar nos seus antigos hits, que por sinal permanecem sempre atuais apesar dos 50 anos que passaram desde o seu primeiro disco.

O trabalho intitulado "Interdimensional", mostra a sua genialidade. Sim, Guilherme continua cantando o amor e buscando no seu cotidiano as fontes de inspiração. Sua voz continua forte e sem sentir ao efeitos do tempo que passou. Os arranjos instrumentais seguem a linha do rock progressivo, de forma harmônica com o seu universo pop. O resultado é uma massa sonora irresistível que sempre funciona junto ao seu público.

Destaco as canções "Libido da Alma" (cujo arranjo parece lembrar Tom Jobim), "A Vida Vale a Pena" e  "Intergalática Missão". Com essa última fazendo  uma ponte com a "Nave Errante" de seu primeiro álbum solo. As faixas "Enredo de Romance", "Sob o Sol", "O Espelho" e "Luar de Prata" mantém a mesma pegada pop característica da obra de Guilherme.

Com o disco "Interdimensional", Guilherme Arantes consegue atingir seu objetivo de continuar produzindo canções novas mantendo seu padrão de qualidade.

Em uma entrevista dada a um podcast, Guilherme Arantes disse que parte da classe jornalística classificava sua obra como “desimportante”. Não vou julgar os críticos de sua obra, mas creio que os 50 anos de carreira servem como resposta para quem disse isso . Sua música pode ser menos interessante para alguns, porém para o grande público ela continua sendo relevante e valendo muito a pena ser conferida. 


"Enredo de Romance"

"Intergalática Missão"

"Libido da Alma"


.: #VivoLendo indica "Anna Costa - Muito Além de Uma Avenida"


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.
O que seria da civilização
sem os pesquisadores históricos?

"Anna Costa - Muito Além de Uma Avenida", de Fabíola Savioli e Alejandro Nascimento, é um relevante e oportuno documento histórico retratando a atmosfera e o aspecto urbano de Santos em meados do Século XIX. Com a densidade demográfica do centro da cidade impulsionada pela movimentação crescente das atividades portuárias e com a dinâmica vertiginosa das empresas em torno do setor cafeeiro e dos estabelecimentos comerciais, a problemática da escassez de moradias se acentuou. Em vista disso, o perímetro central tornou-se limitado em contraste com as vastas áreas despovoadas após o Morro do Monte Serrat até a orla praiana.

Com acentuada visão futurista o comerciante, exportador de café e administrador de inúmeros negócios na cidade, Mathias Casemiro da Costa adquiriu vastas extensões dessas terras inutilizadas até então e iniciou um grande loteamento, com ruas traçadas, sistema de esgoto, água canalizada e uma grande avenida, com 30 metros de largura, ligando o início do empreendimento até a Barra (praia). Os terrenos, vendidos a preços populares, obtiveram enorme sucesso de vendas e os próprios adquirentes batizaram o bairro com o nome de Vila Mathias em homenagem ao visionário empreendedor.

Mathias Casemiro da Costa denominou essa ampla e pioneira artéria urbana com o nome de Avenida Dona Anna Costa em homenagem à sua jovem esposa e, ainda, implantou uma linha de bondes da Vila Mathias à praia, até onde estava localizado o bar do marceneiro Gonzaga. Dona Anna Costa residiu em Santos até o trágico assassinato de seu esposo, aos 35 anos, e logo após fixou residência no Rio de Janeiro,

O livro, publicado pela Editora Comunicar, conta com vastíssimo teor documental, relevantes fotos pertencentes ao acervo particular dos descendentes da homenageada, apurada pesquisa genealógica e recortes de jornais da época embasando com extensa ficha bibliográfica todo o rigor acadêmico referente ao estudo e pesquisa implementados por Fabíola Savioli e Alejandro Nascimento. Conta, ainda, com prefácios de Carolina Ramos, Ives Gandra Martins e Heloisa Mathias Costa, autêntica bisneta dessa importante personagem da história santista.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

.: Cineflix estreia "O Morro dos Ventos Uivantes" e "Um Cabra Bom de Bola"

Hoje, 12 de fevereiro, a unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, apresenta duas estreias nas telonas: o romance "O Morro dos Ventos Uivantes" e a animação "Um Cabra Bom de Bola".

Seguem em cartaz os dramas "Des(controle)""Marty Supreme" e "Hamnet: A vida antes de Hamlet", o musical, documentário e show "Stray Kids: The dominATE experience", o suspense psicológico "A Empregada" e a produção brasileira premiada, "O Agente Secreto". Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Estão disponíveis para venda os baldes colecionáveis, de "Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.

"O Morro dos Ventos Uivantes". Gênero: drama, romance. Direção: Emerald Fennell. Elenco: Margot Robbie (Catherine Earnshaw), Jacob Elordi (Heathcliff), Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif e Ewan Mitchell. Sinopse: A tragédia acontece quando Heathcliff se apaixona por Catherine Earnshaw, uma mulher de uma família rica na Inglaterra do século 18.

"Um Cabra Bom de Bola". Gênero: animação. Direção: Tyree Dillihay. Elenco: Carolina Dieckmann (Kátia), Júlia Rabello (Léo) e Caco Ciocler (Zeca). Sinopse: Uma pequena cabra com grandes sonhos recebe uma oportunidade única na vida de se juntar aos profissionais. A história acompanha Zeca Brito (Will na versão original), uma pequena cabra com grandes sonhos que recebe uma oportunidade única de se juntar aos profissionais e jogar berrobol — um esporte de alta intensidade que lembra o basquete. Zeca precisa provar que, mesmo sendo pequeno, tem talento para brilhar no esporte e mudar a história do jogo.

"Stray Kids: The dominATE experience". Gênero: musical, documentário e show. Direção: Paul Dugdale, Farah X. Elenco: Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin, I.N. Sinopse: Um filme-concerto documental que registra a turnê mundial do grupo Stray Kids, destacando performances no estádio SoFi e bastidores, com direção de Paul Dugdale e Farah X. Lançado em fevereiro de 2026, o longa mostra a trajetória dos oito membros, com foco na relação com os fãs, os STAYs, e no ritmo da turnê. 

"Des(controle)". Gênero: drama. Diretoras: Rosane Svartman e Carol Minêm. Elenco: Carolina Dieckmann (Kátia), Júlia Rabello (Léo) e Caco Ciocler (Zeca). Sinopse: A trama acompanha Kátia Klein, uma escritora bem-sucedida e mãe, que vive uma crise criativa, problemas no casamento e sobrecarga doméstica. Tentando encontrar alívio para a rotina caótica, ela passa de uma taça de vinho ao descontrole, sucumbindo ao alcoolismo e enfrentando uma recaída.

"O Agente Secreto". Gênero: thriller, drama. Diretor: Kleber Mendonça Filho. Elenco: Wagner Moura, ao lado de Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone. Sinopse: Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.

"Marty Supreme". (Marty Supreme). Gênero: Biografia, Comédia Dramática, Esporte. Direção: Josh Safdie Roteiro: Josh Safdie, Ronald Bronstein Elenco Principal: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A'Zion, Tyler, the Creator, Fran Drescher, Abel Ferrara. Duração: 2h 29min. Sinopse: Baseado na vida de Marty Reisman, um jogador de tênis de mesa. 


"Hamnet: A vida antes de Hamlet". (“Hamnet”). Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não. Sinopse: William Shakespeare e a sua esposa, Agnes, celebram o nascimento do seu filho, Hamnet. No entanto, quando a tragédia os atinge, inspira Shakespeare a escrever a sua obra-prima, Hamlet.


"A Empregada". (The Housemaid). Gênero: Suspense Psicológico, Thriller. Direção: Paul Feig. Roteiro: Rebecca Sonnenshine, Freida McFadden. Ano de Lançamento: 2025. Data de Estreia (Brasil): 18 de Dezembro de 2025. País: EUA. Idioma: Inglês. Duração: 2h11m. Elenco Principal: Sydney Sweeney (Millie), Amanda Seyfried (Nina), Brandon Sklenar (Andrew), Michele Morrone. Baseado em: Livro de Freida McFadden. Sinopse: A história segue Millie Calloway, que, após sair da prisão, consegue um emprego como empregada na casa dos ricos Nina e Andrew Winchester, mas logo percebe a natureza perturbadora de Nina e as dinâmicas disfuncionais da família, levando a situações de manipulação e suspense, enquanto Millie tem seus próprios segredos. 


O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


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