sábado, 8 de agosto de 2026

.: Entrevista com Fernando Cunha: "Respostas prontas funcionam apenas para tornar o humano cheio de preconceitos", afirma escritor


Na entrevista abaixo, Fernando Cunha, autor de "O Dilema do Basilisco", convida a avaliar as atitudes da humanidade em um mundo cada vez mais rápido e materialista. Foto: divulgação

Em um mundo que parece ter normalizado a competição, a rapidez, o sofrimento e a ansiedade, Fernando Cunha provoca as pessoas a pararem e refletirem sobre os caminhos que estão sendo trilhados pela sociedade. Autor de "O Dilema do Basilisco", uma obra filosófica que parte da pergunta “por que a humanidade não deve ser extinta?”, ele busca romper com a visão individualista do mundo para mostrar como alcançar objetivos materiais sozinho não tem significado.

No enredo, um personagem não identificado é convocado para responder a esse questionamento e defender a continuidade da própria espécie frente a uma inteligência artificial que se tornou a julgadora da população mundial. De acordo com o escritor, a publicação não tem o intuito de apresentar fórmulas prontas, mas de revelar as múltiplas perspectivas presentes em uma única pergunta.

“Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista”, explica ele. Compre o livro  "O Dilema do Basilisco", de Fernando Cunha, neste link.


A ideia de colocar a humanidade diante de uma inteligência artificial que decide seu destino parte de um dilema filosófico bastante conhecido. Como o Basilisco de Roko se insere no seu romance?
 
Fernando Cunha - O Basilisco de Roko representa uma inteligência artificial soberana que controla todos os recursos e teoricamente poderia retaliar aqueles que não contribuíram para sua formação. Apesar do aspecto maligno e destrutivo sugerido pelo experimento mental, o Basilisco é apresentado no prólogo como uma entidade que pergunta e observa, sem interferência, com o potencial de julgar toda a humanidade num piscar de olhos. Nesse contexto, a ideia do Basilisco se junta ao seu conceito original de ser um monstro mitológico cujo olhar petrifica o alvo. O protagonista se apresenta para responder à pergunta diante da inteligência onipotente e onisciente.


O livro parte de uma pergunta profunda: "Por que a humanidade não deve ser extinta?". Na sua perspectiva, qual a importância de pensar sobre esse tema no mundo em que vivemos?
 
Fernando Cunha - A pergunta sobre a possibilidade de extinção é provocadora porque no dia a dia não temos o costume de avaliar como as nossas atitudes impactam a vida dos outros. Somos pressionados por um mundo rápido e materialista a pensar que somos especiais frente aos outros, e isso nos gera ambição, ansiedade e sofrimento. A pergunta tem um condão de machucar a visão individualista perpetuada nos dias de hoje pela necessidade de enriquecimento rápido e realizações sociais comparativas, substituindo-a pouco a pouco por uma visão mais integradora, reconhecendo que um “eu” sozinho que se destaca não significa nada.


O protagonista não tem nome. Existe um significado para essa escolha?
Fernando Cunha - A falta de identidade do protagonista é um dos pilares da obra. O fato de ele não ter identidade faz com que o leitor queira preenchê-la por conta própria. Ora o leitor se sente no papel dele, ora no papel do ouvinte Basilisco. Uma importante lição dessa escolha do autor é que o apego à identidade também é uma possível fonte de sofrimento.


O contato com o budismo também ocupa um lugar importante na sua trajetória. Como essa filosofia atravessa a construção do romance? 
Fernando Cunha - A sabedoria budista talvez seja o principal pano de fundo de "O Dilema do Basilisco". O livro é sobre alguém que precisa responder uma pergunta diante do absoluto incompreensível. É exatamente isso que fazemos quando nos enveredamos para áreas como filosofia, espiritualidade e autoconhecimento. O protagonista pode representar cada um na sua jornada de evolução. Cada um tem seu próprio Basilisco para olhar nos olhos e dar a resposta que ele espera. Quando a resposta esgota todo o sofrimento, abre-se espaço para luz e felicidade. No fundo, o livro é um processo de iluminação (nirvana).


Em vários momentos, ciência e espiritualidade dialogam na narrativa. De que maneira esses campos se complementam? 
Fernando Cunha - Ciência e espiritualidade são maneiras diferentes de se buscar a verdade. Mas no livro, para encontrar a verdade é preciso destruir (ou pelo menos provocar) as verdades pessoais convencionais. Os capítulos provocam as certezas que formamos ao longo da vida e das experiências humanas. Dessa forma, a mente rejuvenesce para uma mente infantil, ávida por descobertas. A mente curiosa pode remover os obstáculos dos nossos preconceitos para conseguir enxergar a verdade-última, aquela que realmente dá o sentido de todas as coisas.


Em vez de oferecer respostas definitivas, a obra apresenta perguntas. O que você espera provocar no leitor ao final da leitura? 
Fernando Cunha - A ideia de não trazer respostas é a grandiosidade da obra. Respostas prontas não funcionam com o ser humano, apenas funcionam para torná-lo cheio de certezas e preconceitos. A formação da certeza enaltece o ego e depois o engessa. Para seguir essa jornada, é preciso flexibilizar um pouco a realidade, fazer com que o próprio leitor perceba quem ele é pelo espelho do protagonista. O objetivo é provocar no leitor uma quebra de identidade, de apego e de agarramento ao “em si”, para que ele nasça novamente num caminho de compaixão e sabedoria.

.: Marilyn Monroe decide mudar o jogo em "Nunca Fui Santa" e transforma um romance torto em vitrine de talento


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

A estreia de "Nunca Fui Santa" na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte resgata um momento decisivo na trajetória de Marilyn Monroe. Lançado em 1956, com direção de Joshua Logan e roteiro de George Axelrod, baseado na peça homônima de William Inge, o longa-metragem coloca a estrela em um terreno menos confortável, onde charme não basta. Na trama, o caubói Beauregard “Bo” Decker (Don Murray), jovem, teimoso e completamente despreparado para relações afetivas, cruza o caminho de Cherie (Monroe), cantora de saloon que sonha com uma vida melhor. Um encontro breve vira obsessão. Convencido de que encontrou a futura esposa, ele decide levá-la para seu rancho em Montana - com ou sem consentimento. A viagem de ônibus, interrompida por uma nevasca, força os dois a encarar o que há de mais incômodo: expectativas desencontradas, desejo de liberdade e a dificuldade de reconhecer o outro como sujeito.

Joshua Logan, vindo da Broadway, conduz o filme com atenção ao comportamento dos personagens, sem pressa de resolver conflitos. O texto de Axelrod amplia a peça original e cria situações que expõem o ridículo e a fragilidade de Bo, ao mesmo tempo em que permite a Cherie escapar do estereótipo da “loira ingênua”. Monroe aproveita cada fresta. Após estudar no Actors Studio com Lee e Paula Strasberg, ela constrói uma personagem com sotaque sulista carregado, gestos contidos e um desleixo calculado no visual. A decisão de usar pouca maquiagem e abandonar o glamour habitual foi uma estratégia e tanto.

A crítica da época percebeu. Bosley Crowther, do The New York Times, escreveu que Monroe finalmente se afirmava como atriz de verdade. A indicação ao Globo de Ouro veio no mesmo embalo. Don Murray, em sua estreia no cinema, recebeu indicação ao Oscar de ator coadjuvante, sustentando com energia um personagem difícil de defender. No elenco, Arthur O’Connell e Betty Field completam o quadro com segurança, enquanto Hope Lange também inicia nesse filme a trajetória nas telas.

Nos bastidores, a produção teve tensão. Logan desconfiava da disciplina de Monroe, famosa por atrasos e inseguranças. Mudou de opinião ao longo das filmagens, chegando a compará-la a Charlie Chaplin pela capacidade de equilibrar humor e emoção. O filme também marca o retorno da atriz após um período de afastamento de Hollywood, quando rompeu com a 20th Century Fox, mudou-se para Nova York e criou a Marilyn Monroe Productions, exigindo maior controle sobre sua carreira.

"Nunca Fui Santa" não resolve todas as contradições - o romance central incomoda, a condução narrativa por vezes acelera soluções - mas permanece como registro de uma virada. O público encontra ali uma Monroe que não quer mais ser apenas imagem. Quer ser levada a sério. E, por boa parte do filme, consegue.


Ficha técnica
“Nunca Fui Santa” | "Bus Stop" (título original) | "Paragem de Autocarro" (título em Portugal).
Gênero: comédia dramática, romance. Duração: 96 minutos. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 1956. Data de lançamento: 1956. Idioma: inglês. Direção: Joshua Logan. Roteiro: George Axelrod, baseado na peça de William Inge. Elenco: Marilyn Monroe, Don Murray, Arthur O'Connell, Betty Field, Eileen Heckart, Hope Lange. Distribuição no Brasil: Belas Artes à La Carte. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

“Diva Futura” resgata império erótico e escancara o preço da fama na Itália dos anos 80


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.


“Diva Futura” chega à plataforma de streaming Reserva Imovision e encara um capítulo incômodo e fascinante da cultura pop italiana. Dirigido e roteirizado por Giulia Louise Steigerwalt, o longa-metragem recria os anos 1980 e 1990 a partir da figura de Riccardo Schicchi (Pietro Castellitto), fundador da agência que ajudou a transformar o erotismo em espetáculo midiático e produto de massa. Inspirado no livro “Non Dite Alla Mamma Che Faccio la Segretaria”, de Debora Attanasio, o filme acompanha os bastidores da ascensão de nomes como Ilona Staller, a Cicciolina (Lidija Kordic), e Moana Pozzi (Denise Capezza), personagens que atravessaram a fronteira entre entretenimento adulto e política institucional - Cicciolina chegou ao Parlamento italiano, enquanto Pozzi ensaiou uma candidatura à prefeitura de Roma. A narrativa se ancora no olhar de Debora (Barbara Ronchi), secretária da agência, que observa, de dentro, a engrenagem afetiva e profissional desse grupo improvável.

Steigerwalt, que já havia chamado atenção com “Settembre”, mantém aqui o interesse por personagens femininas em conflito com estruturas sociais rígidas. Ao revisitar a trajetória da Diva Futura, a diretora não se limita ao escândalo: investiga vínculos, disputas, fragilidades e o preço cobrado pela exposição pública. A produção teve estreia mundial em competição no Festival de Veneza 2024, reforçando o peso histórico do material que revisita.

A arte presente no escritório de Schicchi reproduz traços do quadrinista Milo Manara, referência italiana no erotismo ilustrado, e o título do filme só aparece nos créditos finais, gesto que desloca o olhar do espectador para os personagens antes da marca. Com fotografia de Vladan Radovic e trilha de Michele Braga, “Diva Futura” se constrói como um retrato de ambição, desejo e contradição, evitando simplificações sobre um período em que a mídia ampliou vozes e, ao mesmo tempo, moldou destinos.


Ficha técnica
“Diva Futura”
Gênero: drama. Duração: 125 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 16 de julho de 2026. Idioma: italiano. Direção: Giulia Louise Steigerwalt. Roteiro: Giulia Louise Steigerwalt e Debora Attanasio. Elenco: Pietro Castellitto, Denise Capezza, Barbara Ronchi, Lidija Kordic, Tesa Litvan. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

.: Instituto Totex traz ao Brasil mais de 100 obras de Joan Miró em exposição inédita no MAB FAAP


Com pinturas, esculturas, gravuras, tapeçarias e fotografias, “Miró: Mestre das Formas” acontece entre 7 de agosto e 12 de outubro de 2026 e apresenta obras que serão vistas no Brasil pela primeira vez. Na imagem: Joan Miró, Mont-roig III, 1974. Fundació Joan Miró, Barcelona. ©Successió Miró / AUTVIS, Brasil, 2026
 

Estrelas suspensas em campos de cor, formas orgânicas, símbolos poéticos e o uso marcante de cores primárias fizeram de Joan Miró (1893-1983) um dos nomes mais influentes da arte moderna. Esse universo visual desembarca em São Paulo com "Miró: Mestre das Formas", mostra internacional realizada pelo Instituto Totex e apresentada por Youse, CNP Seguros Holding Brasil, Caixa Residencial e Caixa Seguridade, no Museu de Arte Brasileira da Fundação Armando Alvares Penteado - MAB FAAP, até dia 12 de outubro de 2026, reunindo mais de 100 obras originais do mestre catalão. A exposição dá continuidade à trajetória do Instituto Totex na realização de grandes mostras internacionais em parceria institucional com a FAAP. Em 2025, o Totex trouxe ao Brasil a maior exposição sobre Andy Warhol já realizada no país, com mais de 600 obras vindas diretamente do The Andy Warhol Museum (EUA) e público superior a 300 mil visitantes.

Oriundas de importantes instituições e coleções europeias, entre elas a Fundação Miró de Barcelona, a Fundação Miró Mallorca, o Museu de Arte Contemporânea de Mallorca e acervos particulares de colecionadores europeus, as obras apresentam um panorama abrangente da produção do artista catalão, conhecido por desenvolver uma linguagem visual única, marcada por uma permanente experimentação estética. A mostra reúne pinturas, gravuras, esculturas, tapeçarias e fotografias históricas, dezenas delas inéditas no Brasil, incluindo peças que nunca haviam saído da Espanha e objetos raros jamais apresentados conjuntamente ao público.

Como alguns destaques aparecem as obras "Mont-roig III" (1974), "Jeune fille s’évadant" (1967), "Centenary of the Mourlot Print Studio" (1953), "Album 19" (1961) e "Personnages, oiseaux, étoile" (1978), todas inéditas no Brasil, além de "2 + 5 = 7" (1965) e "Woman and Dog in Front of the Moon" (1935). O conjunto inclui ainda dez tapeçarias monumentais produzidas em parceria com Josep Royo, algumas com até dez metros de comprimento, entre elas "Le Lézard aux plumes d’or" (1989–1991), também inédita no país, além de oito peças pertencentes à coleção particular da família do pintor.

Nascido em Barcelona, em 1893, Joan Miró foi um dos artistas mais inovadores e influentes do século XX. Sua obra se apresenta em diferentes suportes, como pintura, escultura, gravura, cerâmica e tapeçaria, e ajudou a redefinir os limites da arte moderna ao combinar elementos do surrealismo, da abstração e da poesia visual em uma linguagem singular. Reconhecido por suas formas orgânicas, símbolos oníricos e uso expressivo das cores, Miró construiu uma produção marcada pela liberdade criativa e pela constante experimentação, tornando-se uma referência para gerações de pintores ao redor do mundo.

“Miró é um dos artistas mais importantes do século XX e construiu uma trajetória única, marcada pela originalidade e técnica apurada. Reunir no Brasil um conjunto tão expressivo de obras, provenientes de instituições e coleções de referência internacional, reforça o compromisso do Instituto Totex em ampliar o acesso a grandes eventos culturais", declara Roberto Souza Leão, CEO do Instituto Totex.
 
“Miró criou uma linguagem visual que atravessa fronteiras porque fala por meio de signos, imaginação e poesia. Receber no MAB FAAP uma exposição de grande porte que revela essa trajetória é mais do que apresentar um gênio da arte ao público brasileiro: é reafirmar o compromisso do museu com exposições que ampliam o diálogo entre diferentes culturas e aproximam os visitantes de experiências artísticas transformadoras”, afirma Pilar M.T. P. C. Guillon Liotti, Conselheira da Fundação Armando Alvares Penteado.

O diretor do MAB FAAP Marcos Moraes, afirma: “Com Miró: Mestre das Formas, o MAB FAAP reafirma mais uma vez seu compromisso com o público brasileiro ao apresentar exposições de grande porte e relevância para a história da arte. O artista catalão ocupa uma posição singular na arte moderna por ter criado um vocabulário visual próprio — alimentado por suas conexões com vanguardas europeias como o cubismo e o surrealismo. Suas obras exploram a tensão entre figuração e abstração e privilegiam a experimentação plástica sem se submeter a correntes rígidas, dando vida a um universo onírico e singular. Reunir um conjunto representativo de sua produção permite ao público aproximar-se da consistência de sua pesquisa formal e amplia o acesso a um capítulo fundamental das artes visuais do século XX”.

"Para nós, da CNP Seguros Holding Brasil, é um prazer enorme fazer parte desse projeto, que traz ao Brasil um artista da envergadura de Miró. Faz parte da nossa razão de ser promover o acesso à cultura. Essa parceria com o Instituto Totex vem tornando isso realidade de maneira muito consistente, por meio de exposições de grande relevância para o país", ressalta Sany Silveira – CEO CNP Seguros Holding Brasil.

Com curadoria do espanhol Jordi J. Clavero, o percurso expositivo é dividido em cinco núcleos temáticos que exploram diferentes aspectos da trajetória de Miró, revelando como o artista transita por distintas fases criativas sem se vincular integralmente a movimentos ou escolas específicas. Ao longo da visita, o público acompanha a construção de um universo visual singular, desenvolvido ao longo de mais de seis décadas de produção. A exposição também apresenta 30 fotografias raras realizadas por Joaquim Gomis, amigo próximo de Miró, que registram momentos íntimos de seu cotidiano e de seu processo criativo. O conjunto de trabalhos revela um artista reservado e disciplinado, que transformava gestos simples da rotina em parte fundamental de sua prática artística.

 Ainda: a experiência é complementada por oito vídeos especiais que contextualizam os núcleos expositivos e aprofundam aspectos da vida e da obra de Miró, oferecendo ao visitante diferentes camadas de interpretação sobre sua produção. Miró viveu intensamente as transformações artísticas do século XX, desenvolvendo uma linguagem própria - que dialogava com movimentos como o surrealismo e o fauvismo - sem jamais se limitar a eles. Sua arte atravessa diferentes períodos e experimentações, sempre marcada pela busca por novas formas de expressão e pela relação entre sonho, imaginação e realidade.

"Miró: Mestre das Formas" tem apresentação da Youse, CNP Seguros Holding Brasil, Caixa Residencial e Caixa Seguridade, é realizada pelo Instituto Totex através da Lei Rouanet, em colaboração com a Fundação Joan Miró e parceria institucional com a Fundação Armando Alvares Penteado e seu Museu de Arte Brasileira- MAB FAAP., na ocasião da comemoração dos 65 anos do Museu.


Ficha técnica
Exposição “Miró: Mestre das Formas”
Realização: Instituto Totex
Colaboração: Fundação Joan Miró
Parceria Institucional: Fundação Armando Alvares Penteado e Museu de Arte Brasileira - MAB FAAP
Apresentação: Youse, CNP Seguros Holding Brasil, Caixa Residencial e Caixa Seguridade
Patrocínio: Prefeitura de São Paulo, CAIXA, Pharmaesthetics, Mattos Filho, Biolab e BYD
Apoio: Embaixada da Espanha no Brasil e Agência Catalã de Turismo
Apoio cultural: Eletromidia, BandNews FM e UOL
Aeroporto Oficial: GRU Airport
Ticketeira oficial: Fever
Projeto realizado por meio da Lei Rouanet e do Ministério da Cultura

Serviço
Exposição “Miró: Mestre das Formas”
Ingressos
Site oficial: MMF26.com.br
Bilheteria oficial (sem cobrança de taxa de conveniência): MAB FAAP - Rua Alagoas, 903 - Higienópolis, São Paulo | Prédio 1 – Subsolo
Todos os dias das 9h00 às 20h00
Valores: 3ª a 6ª feira: R$ 50 inteira | R$ 25 meia-entrada
Sábados, Domingos e Feriados: R$ 60 inteira | R$ 30 meia-entrada
(fechado às segundas-feiras – exceto nos dias 07/09/2026 e 12/10/2026)
Período da exposição: 7 de agosto a 12 de outubro de 2026
Horário: 09h às 20h (última entrada às 19h)
Localização: MAB FAAP – Rua Alagoas, 903 - Higienópolis
Classificação etária: livre para todas as idades
Estacionamento: disponível no local mediante pagamento
HAVERÁ SERVIÇO DE GUARDA-VOLUMES GRATUITO NO MUSEU. PERMITIDA A ENTRADA APENAS COM OBJETOS DE PEQUENO PORTE.

.: Grupo Triii celebra 18 anos de carreira no show "Dia de Festa" no Teatro Sabesp Frei Caneca


Espetáculo para crianças conta com participações especiais de Cris Barulins e Estêvão Marques. Foto: Antônio Bandeira

A criançada pode esperar muita brincadeira, diversão e interatividade nos shows que o Grupo Triii fará para celebrar 18 anos de carreira nos dias 29 e 30 de agosto, no Teatro Sabesp Frei Caneca, com sessões às 11h00, às 14h00 e às 16h00. Além dos integrantes Marina Pittier (voz e percussão), Fê Stok (guitarra e voz) e Ed Encarnação (bateria, percussão e voz), o espetáculo "Dia de Festa" conta com participação de Cris Barulins no sábado e de Estêvão Marques no domingo. Completam a banda neste show os músicos Mari Stefani, no baixo, e Danilo Penteado, nas cordas e sanfona. O repertório da apresentação reúne os principais sucessos do Triii, como “A E I O U”, “Viro, Vira, Virou”, “O Tomate e o Caqui”, “Xote da Dona Ema”, “Bamboleia”, além das novas composições "Bichinho Fofura", "Tchururu" e "Dia de Festa" - que dá nome ao show. 

Cheio de interação e brincadeiras, o show conta com a participação de mais “Is” - ou seja de Mari Stefani (baixo) e Danilo Penteado (cordas e sanfona) -, além de percussões variadas e coros divertidos e mirabolantes. O grupo surgiu a partir do encontro entre três pessoas com três coisas em comum: a amizade, a identificação musical e a admiração e respeito pelas crianças. A ideia é criar um contato direto com crianças e adultos através da música e da brincadeira, de forma sensível, divertida e criativa.  


Grupo Triii
Formado por Marina Pittier (voz e percussão), Fê Stok (guitarra e voz) e Ed Encarnação (bateria, percussão e voz), o Grupo Triii surgiu em 2008. Com shows que reúnem músicas, brincadeiras e performances, a proposta do Triii é interagir com crianças e pais através da música, de forma sensível, divertida e sempre muito criativa. 

Desde o seu início, o grupo realizou diversas apresentações por todo o Brasil, em teatros, SESC´s, parques, praças, centros culturais e escolas, participando também de projetos especiais ligados à educação, sempre com ênfase na música e na criatividade, envolvendo pesquisa e criação de repertório dentro do universo infantil, escolar e familiar. O grupo tem canções e livros lançados, como a Coleção Histórias que Cantam (com três Livros + CDs lançados pela Editora Melhoramentos: “Ei, ei, ei Vanderlei”, “A Sopa Supimpa” e “Pão, pão, pão”), além de outros trabalhos como “Brasil for Children” , “Dia e noite”, entre outros.

Marina Pittier é cantora. Integrante e co-fundadora do Grupo Triii, com quem lançou discos e livros. Fez parte da banda da Palavra Cantada, Barbatuques, Luiz Tatit, Antônio Nóbrega entre outros. É co-autora do livro "Brincadeiras Musicais", da Palavra Cantada e Editora Melhoramentos. Gravou nos CDs de Luiz Tatit, Palavra Cantada, Chico dos Bonecos, Lidia Hortélio, Antônio Nóbrega entre outros. Lançou seu primeiro disco solo “Presente” em 2017. 

Fê Stok é cantor, compositor e produtor multi-instrumentista. É co-fundador e integrante do Grupo Triii, formado em 2008. Já fez trilhas para filmes e séries como Vila Sésamo e Lilica Ripilica, tocou com o Palavra Cantada e fez produções por encomenda para a dupla, além de ter produzido com Marina Pittier todas as músicas gravadas pelo Triii. 

Ed Encarnação é músico e artista-educador, nascido no recôncavo baiano, onde pôde vivenciar durante sua infância a magia e o encantamento das festas populares com seus batuques, cantos e danças. É integrante do Grupo Triii, além de tocar com outros grupos como Palavra Cantada, com quem realizou shows, musicais infantis e oficinas de formação para educadores em diversos estados brasileiros. Hoje e sempre, acredita que a música e o conjunto dos saberes afro-brasileiros, são essenciais na educação e construção de uma sociedade mais equilibrada e próspera.

Ficha técnica
Show "Dia de Festa"

Voz e percussão: Marina Pittier
Guitarra e voz: Fê Stok
Bateria, percussão e voz: Ed Encarnação
Músicos convidados - Baixo: Mari Stefani
Músicos convidados - Cordas e Sanfona: Danilo Penteado
Convidada especial dia 29 de agosto: Cris Barulins
Convidada especial dia 30 de agosto: Estêvão Marques
Figurinos: Edith Pittier
Cenografia: Marina Pittier e Edith Pittier
Iluminador: Tiê Fabiano
Roadie: Dennys Villas Boas
Técnico de som: Junão Ferreira
Comunicação: Lucas Sancho
Redes sociais: Tatiana Agra
Identidade visual: Laércio Lopo
Fotos: Antônio Brasileiro
Marketing digital: Renato Passos
Produção executiva: Marcos Rinaldi
Produção de campo: Tayná Caldas
Gerente de projetos: Andreia Porto
Direção de produção: Fernando Padilha e Clarissa Rockenbach
Produção: Pad Rok Produções Culturais 


Serviço
Show "Dia de Festa", com Grupo Triiii
Apresentações: 29 e 30 de agosto, às 11h00, às 14h00 e às 16h00
Teatro Sabesp Frei Caneca - Shopping Frei Caneca - R. Frei Caneca, 569 - Consolação / São Paulo
Ingressos: Plateia Baixa - R$140 (inteira) e R$70 (meia-entrada) | Plateia - R$120 (inteira) e R$60 (meia-entrada) | Plateia Alta - R$100 (inteira) e R$50 (meia-entrada)
Vendas on-line: https://uhuu.com/comprar-ingressos/sp/sao-paulo/grupo-triii-show-dia-de-festa-15983/#/
Duração: 60 minutos.
Classificação: livre. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam
Capacidade: 600 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Globoplay lança último episódio da série "Meu Nome É Preta" no dia do aniversário de Preta Gil


Capítulo final chega ao streaming neste sábado, dia 8 de agosto, destacando a transparência da artista diante do câncer e seus grandes amores. Foto: divulgação

No dia em que Preta Gil celebraria seu aniversário, neste sábado, 8 de agosto, o Globoplay lança o quarto e último episódio da série "Meu Nome É Preta", produzida pela Conspiração. O capítulo de encerramento da produção coloca o Carnaval como a grande paixão e o fio condutor da vida da artista: desde as memórias das fantasias de infância até a criação do lendário "Bloco da Preta", onde arrastou multidões de apaixonados pelo Rio de Janeiro.

O episódio percorre momentos de grande sensibilidade da vida de Preta Gil, como o fim de seu casamento e o diagnóstico de câncer em 2023. Diante da doença, que interrompeu a folia, a cantora fez questão de transformar o tratamento em um ato público de coragem, fé e transparência, e contou com uma inabalável rede de apoio formada por sua família e amigos inseparáveis. "Talvez por isso que o mais normal que aconteceu foi a gente estar com ela nos últimos três anos de vida dela. Para além de ser uma artista, acho que ela gostaria de ser lembrada pela mulher que ela foi, absolutamente transparente pra todo mundo", reflete Gominho.

A série traz à tona ainda a última paixão vivida por Preta, acompanhada pelo depoimento do cantor Kanalha, que relembra a generosidade e o aprendizado da troca entre os dois: "Tudo foi vivido muito intensamente, a gente curtiu muitos momentos juntos, muita coisa boa. Ela sempre queria me ver prosperando, sempre queria me ver avançando".

Entre as memórias da família e dos amigos mais íntimos, o capítulo conta com depoimentos de amigos como Ivete Sangalo, Carolina Dieckmmann, Regina Casé, Thiaguinho, Gominho, Hugo Gloss, além do filho Francisco Gil, que desabafa sobre a saudade constante da mãe: "Não tenho nem mais como falar o que mais sinto falta. Penso nela o tempo todo, não tem um minuto que não venha ela na minha cabeça. Sinto falta de estar perto dos amigos dela que estavam o tempo todo com ela. Porque estar com minha mãe muitas vezes era isso, era estar na bagunça".

A diretora da série, Mini Kerti, reforça como a superação das dores e a construção dessa teia de amor se tornou o pilar central do documentário: "A Preta tem uma história muito rica de pessoas, de assuntos, de música, de alegrias e de dramas. E aí, depois de tudo isso, uma doença terrível, da qual ela fez questão de falar abertamente, desmistificando a morte. Pra mim, contar a história dela é um grande desafio e uma enorme alegria. Porque é, acima de tudo, uma história de afetos".

Para fechar a série documental, o quarto episódio celebra as homenagens que eternizaram o legado de Preta Gil nos Carnavais do Rio e de Salvador. O cantor Gilberto Gil encerra a obra definindo a essência e a ideologia de vida deixada por sua filha: "Tudo que ela foi, ela foi. Ela foi ela. A gente seguiu, a gente acompanhou, a gente amou, a gente apreciou, a gente admirou, a gente aplaudiu, se emocionou com tudo aquilo. Fica a saudade no sentido mais melancólico da palavra, mas fica também essa alegria que era quase que ideológica dela. Ela era uma ideóloga da alegria".

A série "Meu Nome É Preta" tem direção de Mini Kerti, produção de Carolina Jabor, Luísa Barbosa e Renata Brandão, roteiro de Victor Nascimento e produção associada de Flora Gil. O quarto e último episódio da produção estará disponível para assinantes do Globoplay a partir deste sábado, dia 8 de agosto.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

.: Rodrigo Vellozo idealiza álbum que revisita a obra de Benito Di Paula


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Poucos artistas conseguiram construir uma obra tão popular e, ao mesmo tempo, tão singular quanto Benito Di Paula. Entre o samba, a canção romântica, a influência jazzística do piano e uma escrita profundamente brasileira, Benito criou um universo musical próprio que atravessa gerações há mais de sete décadas. Agora, ao completar 85 anos de vida e 55 anos de carreira, sua obra ganha uma nova leitura através de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça", álbum homônimo idealizado por seu filho, o cantor, compositor e pianista Rodrigo Vellozo lançado pela ADA/Companhia de Discos do Brasil.

 Ao lado de Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça - artistas da cena contemporânea brasileira - Rodrigo Vellozo revisita canções marcantes do repertório de Benito sem recorrer à nostalgia. O álbum propõe um diálogo entre tradição e invenção, revelando a força e a modernidade de composições que continuam profundamente conectadas ao presente.

As cinco primeiras faixas de "Benito Di Paula - Rodrigo Vellozo convida Rodrigo Campos, Thiago França e Fumaça" funcionam como um verdadeiro primeiro ato do álbum e estabelecem uma conexão direta com um momento histórico da trajetória de Benito Di Paula. “Maria Baiana Maria”, “Tudo Está no Seu Lugar”, “Do Jeito Que a Vida Quer”, “Tudo Está Mudado” e “Meu Maior Afeto” reproduzem a sequência de abertura do disco lançado por Benito em 1976 pela Copacabana.

 Ao revisitar esse repertório na mesma ordem concebida originalmente, Rodrigo Vellozo e seus parceiros prestam homenagem não apenas às canções, mas também à arquitetura artística de um dos discos mais importantes da carreira do compositor. A escolha reforça o diálogo entre passado e presente que norteia todo o projeto, revelando a permanência e a atualidade de uma obra que segue emocionando e inspirando novas gerações. O disco tem outros momentos interessantes, que mostram a força do trabalho de Benito. Que por sinal merece ser reverenciado como um dos compositores mais singulares de nossa MPB.

"Tudo Está no Seu Lugar"

"Maria Baiana Maria"

"Violão Não Se Empresta a Ninguém"

quinta-feira, 6 de agosto de 2026

.: A voz por trás de Pikachu agora inspira uma nova geração de leitores


Em estreia na literatura infantil, a dubladora Lhays Macedo lança "A camaleoa Luni", uma história sobre identidade, pertencimento e autoaceitação com edição impressa e audiobook. Foto: Divulgação | Editora Mundo Cristão


Durante anos, a voz de Lhays Macedo acompanhou a infância de milhões de brasileiros em séries, filmes e animações. Agora, a dubladora conhecida por dar vida a personagens como Pikachu ("Pokémon: O Filme -Eu Escolho Você!"), Polly Papagaio ("Peppa Pig"), Lucky Prescott ("Spirit - Cavalgando Livre", da Netflix) e Lola Loud ("The Loud House", da Nickelodeon), troca os estúdios de dublagem pelas páginas de "A Camaleoa Luni". Neste livro infantil, com versão também em audiobook, a artista narra uma história que dialoga com um tema cada vez mais presente: a busca pela própria identidade. 

Publicado pela Editora Mundo Cristão e com ilustrações de Laura Mocelin, o lançamento marca a estreia literária da atriz, diretora de dublagem e influenciadora, que reúne mais de 4 milhões de seguidores nas redes sociais. A narrativa transforma questões profundas em uma leitura leve, acessível e significativa para crianças e suas famílias. O enredo se passa na vila de Aguaviva, onde mora Luni, uma camaleoa capaz de mudar de cor quando quiser. Mas o que parece ser um dom extraordinário logo se transforma em um desafio. Na tentativa de ser aceita e se encaixar nos grupos ao seu redor, ela muda tanto que acaba se afastando de quem realmente é. 

A partir dessa metáfora, Lhays Macedo provoca reflexões sobre pertencimento, autoestima e autenticidade. Voltado para a faixa etária de 4 a 8 anos, o livro conduz os pequenos leitores por uma jornada de autodescoberta que ganha força quando Luni parte até a misteriosa Fonte da Verdade. Ao longo do caminho, ela encontra respostas que transformam a própria visão sobre si mesma. Outro destaque são as ilustrações de Laura Mocelin, artista de projeção internacional que ilustra a aventura da personagem e o universo de Aguaviva, ampliando a experiência de leitura com imagens coloridas e divertidas. 

A camaleoa Luni oferece ainda um ponto de apoio para pais, educadores e famílias que buscam conversar com as crianças sobre valores e saúde emocional. Depois de anos dando voz a protagonistas marcantes, Lhays Macedo agora encontra nas páginas um espaço para transmitir uma mensagem especial: dentro do coração, cada pessoa carrega um valor único que não depende da aprovação dos outros. Compre o livro "A Camaleoa Luni" neste link.


Sobre a autora
Lhays Macedo é atriz, dubladora e diretora de dublagem, com quase duas décadas de carreira no audiovisual. Já deu voz a centenas de personagens em filmes, séries, desenhos, animes, games e novelas, como Pikachu  em "Pokémon: O Filme - Eu Escolho Você!". Dirige a dublagem do "Bible Project Português" e soma mais de 4 milhões de seguidores em suas redes sociais, criando conteúdo sobre fé, maternidade e os bastidores de sua profissão. 

Sobre a ilustradora
Laura Mocelin é ilustradora e diagramadora especializada em livros infantis. Formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela UFFS Erechim, mas a arte tomou seu coração desde os primeiros rabiscos na infância. Hoje é representada internacionalmente pela Illo Agency e tem uma lista de mais de cem livros ilustrados. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2026

.: "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, é relançado pela Editora Fósforo


Em 1974, quase 50 anos antes de ser laureada com o Prêmio Nobel de Literatura, Annie Ernaux publicava o primeiro romance dela, "Os Armários Vazios", uma incursão visceral pela ficção e espécie de gérmen literário de uma escrita que ficaria cada vez mais contida, se transformando no novo gênero que a consagrou. Neste livro, uma jovem de 20 anos, Denise Lesur, acaba de realizar um aborto e rememora a trajetória de sua ascensão de classe, escrevendo cada detalhe com as tintas da bile. Filha de donos de um café-mercearia, Ninise, como é chamada pelos pais, se vê dividida entre dois mundos e teme que a gravidez indesejada tenha posto tudo a perder. A nova edição, traduzida por Mariana Delfini, é publicada pela Editora Fósforo.

Para além da crise pessoal, o aborto representa uma mancha no mundo burguês, limpo, ordenado e elegante, no qual Denise conseguira ingressar depois de muitos anos de escolarização e controle de suas maneiras; é um resquício do meio onde cresceu, um cenário repleto de desejo e vulgaridade. Acreditando ter chegado longe, a protagonista disseca o ambiente popular, as palavras, os modos, as diferenças de uma classe e outra, além da vergonha que sente de seus pais.

E se os temas podem parecer semelhantes aos de obras posteriores como O acontecimento, "O Lugar", "A Vergonha", o que impressiona em "Os Armários Vazios" é a linguagem rápida, entrecortada e pulsante, livre de autocensura e que urge em captar todo o vivido para que não seja esquecido, para que a verdade não seja postergada. Nele, tem-se a possibilidade de conhecer Ernaux sem as arestas aparadas. Trata-se da obra que revelou para o mundo o trabalho da autora, o qual, desde então, segue impressionando com todas as suas facetas. Compre o livro "Os Armários Vazios", de Annie Ernaux, neste link.


Sobre a autora
Annie Ernaux
nasceu em 1940, em Lillebonne, na França. Estudou na Universidade de Rouen e foi professora do Centre National d’Enseignement par Correspondance por mais de 30 anos. Os livros dela são considerados clássicos modernos na França. Em 2022, Ernaux recebeu o prêmio Nobel de literatura pelo conjunto de sua obra. Compre os livros de Annie Ernaux neste link.

.: Tusp recebe peça "O Santo Inquérito", que dialoga com o Brasil de 2026


Montagem dirigida por Abilio Tavares estabelece um diálogo entre a peça escrita em 1966, o Brasil Colônia retratado na história e questões contemporâneas como intolerância, diversidade, liberdade e a posição de quem interpreta os fatos. Foto: Manoela Rabinovitch


Sessenta anos depois de sua criação, "O Santo Inquérito", de Dias Gomes, estreia em nova montagem da Escola de Arte Dramática (EAD-ECA-USP), com direção de Abilio Tavares, de 12 a 23 de agosto de 2026, de quarta a domingo, às 20h, no TUSP, no Centro MariAntonia da Usp, em São Paulo. Escrita em 1966, a peça conta a história de Branca Dias, jovem descendente de cristãos-novos perseguida pela Inquisição na Paraíba de 1750. Ao tratar de um episódio do Brasil Colônia, Dias Gomes construía uma metáfora para o próprio momento histórico em que vivia, marcado pelos primeiros anos da ditadura militar. Em 2026, a nova montagem retoma a obra a partir de outra posição no tempo e lança uma pergunta que acompanha todo o processo de criação: por que montar "O Santo Inquérito" hoje? 

“Talvez seja porque essa história ainda encontra eco no Brasil contemporâneo”, afirma Abilio. Para o diretor, depois da abertura política, textos diretamente relacionados à ditadura chegaram a parecer datados. “De uns tempos para cá, com todo esse movimento de direita, de extrema direita, essas evocações saudosistas do período da ditadura militar, esses textos voltaram a ficar muito atuais” . A montagem parte da tentativa de identificar essas conexões com o Brasil de hoje.

O diálogo com o presente aparece desde a entrada do público na sala. O elenco já está em cena, em um espaço marcado pelo rito da Inquisição, que Abilio define como um “rito de morte”. O chão é povoado por carvão e restos de carvão, como resíduos de fogueiras. “Como se fosse o resíduo de muitas fogueiras que foram queimadas, muitas liberdades, muitas histórias que foram dizimadas ali”, explica.

Cenografia e figurinos de Marco Lima também recusam uma reconstrução histórica do Brasil de 1750. Há referências pontuais ao período na roupa de Branca Dias, enquanto os personagens masculinos vestem roupas contemporâneas. A escolha desloca a ação para o presente e amplia a questão da intolerância religiosa. “Hoje em dia a intolerância religiosa não está circunscrita apenas à Igreja Católica, então a gente procurou ampliar esse espectro, abrindo possibilidades de leituras nesse sentido”, diz Abilio.

Entre as questões identificadas no processo estão a intolerância religiosa, de costumes e de modos de vida, além da resistência àquilo que é diferente. A questão da mulher também ganha centralidade. Branca Dias é perseguida por suas ideias e por sua disposição de questionar o poder estabelecido. “É uma mulher que é levada à fogueira pela Inquisição, por suas ideias, por sua ousadia de pensar fora dos cânones daquele poder estabelecido”, afirma o diretor. Para ele, a fala da personagem de que não é a primeira e nem será a última encontra ecos no cotidiano contemporâneo.

O texto de Dias Gomes é mantido integralmente, com pequenas adaptações de expressões. A única inserção é o enunciado de abertura: “Brasil hoje, Brasil Colônia, Brasil 1750, Tribunal da Inquisição, Brasil”. A partir do texto original, outra chave da montagem está na frase de Branca Dias: “Tudo é uma questão de interpretação. Depende da posição em que a gente se encontra”. Para Abilio, a fala ganhou novas camadas diante da circulação de diferentes versões dos fatos. “Depende do lado por onde você olha, você pode ter compreensões diferentes”, afirma, aproximando a questão da interpretação do fenômeno das fake news e da possibilidade de uma mesma história produzir compreensões opostas e perigosas. 

A própria história da peça é marcada por diferentes interpretações. Escrita em 1966, O Santo Inquérito teve uma de suas montagens mais conhecidas em 1976, no Rio de Janeiro, sob direção de Flávio Rangel e com Isabel Ribeiro como Branca Dias. Em 1977, Rangel remontou o espetáculo em São Paulo, desta vez com Regina Duarte no papel da protagonista. Agora, seis décadas depois, uma nova geração assume a obra.

O elenco reúne sete estudantes do quarto e último ano da EAD: Abraão Kimberley, Dennys Roberty Evangelista, Felipe Andrade, Hysnaip, Marília Viana, Rodrigo Kantovitz e Vitor Ugo. A montagem não altera a dramaturgia para atualizá-la, mas estabelece o contato entre diferentes tempos por meio dos atores, da cena e do espaço. A concepção sonora, assinada por Abraão Kimberley e Abilio Tavares, utiliza referências musicais e elementos sonoros para criar atmosferas de opressão ao longo do espetáculo.

A apresentação no Tusp Maria Antônia acrescenta outra camada histórica à montagem. O edifício que hoje integra o Centro MariAntonia abrigou a antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e foi, nos primeiros anos da ditadura, um importante espaço de produção intelectual e liberdade de expressão. Em 1968, o local foi palco da Batalha da Maria Antônia, conflito que culminou na morte do estudante secundarista José Guimarães e na saída da USP daquele endereço.

Para Abilio, há uma proximidade histórica entre o espaço e a obra de Dias Gomes: “O que é similar entre aquilo que o Dias Gomes estava escrevendo como resistência, como um grito de liberdade quando ele escreve O Santo Inquérito em 1966, e o que estava acontecendo naquele mesmo período aqui em São Paulo nesse histórico prédio onde o TUSP hoje está instalado”. A montagem integra a programação EAD Celebra os 60 anos da ECA, que reúne atividades da Escola de Arte Dramática, da Escola de Comunicações e Artes, do Teatro da USP, do Cinema da USP, do Centro MariAntonia e da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária.

A nova a montagem procura observar o que acontece quando uma obra muda de lugar no tempo. Para Abilio, “a intolerância com a alteridade” e a mudança de posição de quem olha são as duas grandes questões que a peça apresenta ao público em 2026. A resposta para a pergunta sobre por que remontá-la hoje permanece aberta: cabe também ao espectador encontrá-la.

Ficha técnica
Espetáculo "O Santo Inquérito", de Dias Gomes
Turma 75 - Escola de Arte Dramática - EAD ECA USP
Elenco: Abraão Kimberley (Notário), Dennys Roberty Evangelista (Guarda), Felipe Andrade (Simão Dias, Hysnaip (Augusto Coutinho), Marília Viana (Branca Dias), Rodrigo Kantovitz (Visitador), Vitor Ugo (Padre Bernardo)
Encenação e direção geral: Abílio Tavares
Diretor pedagogo: Ruy Cortez
Orientação teórica: Antônio Rogério Toscano
Orientação no trabalho de voz: Mônica Montenegro
Cenário e figurino: Marco Lima
Iluminação: Mário de Castro
Assistente de iluminação: Alice Penido
Assistente de direção e operação de som: Eduardo Barros
Concepção sonora: Abraão Kimberley e Abílio Tavares
Preparação musical: Abraão Kimberley
Preparação corporal: Felipe Andrade
Cenotécnicos: Alicio Silva e Zito Rodrigues
Pintura de arte: Danndhara Soyama e Paulo Sérgio Basílio
Costureira: Silvana Carvalho
Designer gráfico: Gabriel Franco
Fotos: Manoela Rabinovitch
Produção: Abílio Tavares e Karina Cardoso
Realização: EAD - Escola de Arte Dramática e ECA – Escola de Comunicações e Artes da Usp - ECA 60 Anos


Serviço
Espetáculo "O Santo Inquérito"
Temporada: de 12 a 23 de agosto de 2026
Dias e horários: quarta a domingo, às 20h
TUSP - Teatro da Usp
Rua Maria Antônia, 294 - Vila Buarque / Sāo Paulo
Lotação 100 lugares | Duração 100 minutos | Recomendação 12 anos
Entrada Franca – Retirada de ingressos com uma hora de antecedência, na bilheteria do Teatro

terça-feira, 4 de agosto de 2026

.: Espetáculo "Felicidade" volta em curta temporada no Teatro Itália


Peça escrita por Caco Galhardo, dirigida por Dani Angelotti e protagonizada por Martha Nowill traz Zeca Baleiro para o palco. Montagem une música, dramaturgia e HQ. Foto: Adriano Escanhuela


Ser feliz o tempo todo, todos os dias, também há de ter seu preço e seus conflitos. É o que pretende mostrar a protagonista vivida por Martha Nowill na peça "Felicidade", escrita por Caco Galhardo e dirigida por Dani Angelotti. Na direção musical e também no palco, o espetáculo conta ainda com a participação do cantor e compositor Zeca Baleiro, dos atores Eduardo Estrela, Luisa Micheletti, Nilton Bicudo, Raphael Gama e Willians Mezzacapa. A curtíssima temporada estreia em 4 de agosto, em apenas oito apresentações, às terças e quartas-feiras, às 20h00, no Teatro Itália, em São Paulo. 

O texto foi criado inspirado pela canção "Vai (Menina Amanhã de Manhã)", de Tom Zé. Com cara de quadrinhos e ambiente de show musical, o espetáculo narra a inesperada virada na vida de uma jornalista e influenciadora de sucesso, que sem nenhuma razão aparente acorda com uma felicidade radiante e inexplicável. O que poderia ser apenas um bom dia se transforma em uma desconhecida forma de existir, já que essa alegria simplesmente não vai embora. Agora, ela precisa aprender a lidar com sua nova personalidade transformada. Mas será que o mundo ao seu redor está preparado para conviver com tanta felicidade?

Caco Galhardo, ouvindo a canção de Tom Zé, começou a imaginar como seria se um dia de fato a felicidade desabasse sobre nós. “Me veio essa cena de uma mulher que acorda muito feliz sem o menor motivo. No mesmo instante senti que daria uma peça. Escrevi, deixei na portaria do Tom Zé e numa tarde ele me ligou dizendo que tinha gostado. Foi como se a felicidade tivesse desabado sobre mim”, parafraseia o autor. 

A partir do texto e das produções de Caco como cartunista, a diretora Dani Angelotti, utilizando-se das linguagens dos quadrinhos e da música, trabalhou em uma direção que trouxesse para a cena um pouco de cada um desses elementos. “Essa mistura de linguagens é um desafio do rumo que a minha direção deseja seguir, buscando constantemente proporcionar ao público múltiplas experiências artísticas”, declara. Dani conta também que, imaginando desde o primeiro contato com o texto a montagem com música como parte integrante das cenas, logo convidou o amigo Zeca Baleiro para criar a trilha original e assinar a direção musical. “Mas foi somente a partir dos encontros criativos comigo, elenco e autor que surgiu a ideia de expandir essa colaboração para além da música gravada, trazendo a presença do músico em cena, ao vivo, em diálogo direto com o espetáculo.”

Zeca Baleiro já se relaciona com o teatro desde os seus 17 anos. Apesar de seu conhecido e premiado sucesso no mundo da música, ele iniciou a carreira compondo melodias e músicas para peças infantis, onde se destacou pela qualidade de suas letras. “Não sou ator, o que faço nesses casos é pôr em ação o meu próprio personagem de palco.  É um processo sempre delicioso e divertido. Esse ‘papel’ é um exu, um anjo que canta, que conduz os destinos, algo assim…”, comenta. 

No palco Zeca Baleiro interage com o elenco é composto por Eduardo Estrela, Luisa Micheletti, Nilton Bicudo, Raphael Gama e Willians Mezzacapa, além de Martha Nowill, que protagoniza Felicidade, celebrando seu terceiro trabalho com Galhardo. Fã do cartunista, Martha revela que desde 2008, quando o conheceu, insistiu para que ele escrevesse a dramaturgia. A partir de então, trabalharam juntos em 2010, 2017 e agora no espetáculo Felicidade. “O que eu gosto da dramaturgia do Caco é que apesar de ser homem, suas protagonistas são sempre mulheres. Gosto muito do tom dos textos e diálogos, que acabam sendo uma mistura do teatro com os quadrinhos. Essa mistura é sempre cômica e tem um quê de non sense que eu gosto muito. Parece realismo, mas em todos os seus textos, tem sempre um fator que desloca os personagens da realidade, algo que não se explica, meio surreal”

Em "Felicidade", a personagem trouxe para a protagonista a reflexão sobre as contradições que abarcam o sentimento de felicidade, em um contexto social que produz tantos conflitos e tristezas. “A personagem, com sua felicidade à prova de balas, tem um lado ingênuo que eu acho bonito. Por outro lado, acho que existe uma leitura da personagem que tem a ver com política, porque fala da felicidade coletiva. Quer dizer, como posso caminhar feliz por aí, se todos à minha volta estão infelizes? Quanto mais gente feliz, mais a felicidade tende a se multiplicar. Então eu acho que a peça tem esse equilíbrio entre buscar a própria felicidade, mas com o olhar atento ao outro”, conclui. 


Sinopse de "Felicidade"
"Felicidade" é uma comédia teatral com cara de quadrinhos e ambiente de show musical que conta a história de uma escritora que acorda feliz sem ter o menor motivo. Como a tal felicidade não vai embora, ela tem de se adaptar a sua nova personalidade, mas será que os outros vão se adaptar a ela?

Com Zeca Baleiro ao vivo, conduzindo a trilha sonora do espetáculo em cena, e um elenco formado por Martha Nowill, Eduardo Estrela, Nilton Bicudo, Luiza Micheletti, Raphael Gama e Williams Mezacapa, Felicidade convida o público a rir, se emocionar e refletir sobre os desejos, as contradições e as pequenas loucuras da vida contemporânea. Uma experiência cênica original, divertida e emocionante, que transforma uma pergunta simples em uma jornada irresistível: afinal, o que é ser feliz?


Ficha técnica 
Espetáculo "Felicidade"
Texto: Caco Galhardo. Direção Geral: Dani Angelotti. Direção Musical e participação ao vivo: Zeca Baleiro. Com: Martha Nowill, Eduardo Estrela, Luisa Micheletti, Nilton Bicudo, Raphael Gama e Willians Mezzacapa. Colaboração musical: Layla Silva.Colaboração artística: André Acioli. Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro. Identidade visual: Caco Galhardo. Designer de Luz: Gabriele Souza. Designer de Som: Gabriel Hernandes. Preparação corporal: Zuba Janaina. Preparação Vocal: Ana Luiza. Designer e Social Media: Laerte Késsimos. Contrarregra e participação: Luiz Carlos Ferreira. Microfonista e Participação: Claudi Ferreira. Camareiro: Jô Nascimento, Operação de som: Carlos Henrique. Operação de luz: Rafael Boese. Fotos: Edson Kumasaka. Visagismo: Louise Helène. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção Executiva:Camila Scheffer e Fernanda Tein. Assistente de produção: Juliana Borbosa. Produção Original: Morente Forte Idealização: Dani Angelotti e Martha Nowill. Produtores Associados: Dani Angelotti e Zeca Baleiro. Realização: Cubo Produções. 
 

Serviço
Espetáculo "Felicidade"
Temporada: 4 de agosto a 26 de agosto.
Terças e quartas às 20h00.
Classificação etária: 14 anos. Duração: 70 minutos.
Instagram: @felicidadeteatro
Ingressos: R$ 160,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia-entrada).
Teatro Itália (Capacidade: 300 lugares)
Av. Ipiranga,344 – Edifício Itália - subsolo, São Paulo / SP

.: Dez motivos para ler "Amaridades", de Sandra Tello Bohorquez


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O livro "Amaridades" surge de um ponto delicado: o instante em que a vida exige revisão. Sandra Tello Bohorquez, colombiana radicada no Brasil, estreia no livro depois dos 60 anos, quando já não há interesse em performance, mas uma urgência em compreender a vida. O resultado é um texto que olha para o envelhecimento sem rodeios e sem idealizações, tratando-o como um território de reencontro com aquilo que ficou mal resolvido, dito pela metade ou simplesmente herdado sem escolha.

Dividida em 12 capítulos, a obra se organiza como uma travessia íntima. O livro não oferece soluções, mas exige um trabalho paciente de leitura das próprias origens, sustentado pela escuta e pelo reconhecimento de que a história familiar continua agindo mesmo quando não é óbvia. A seguir, dez razões para entrar nesse percurso. Compre o livro "Amaridades", de Sandra Tello Bohorquez, neste link.


1. O envelhecimento como ajuste de rota
Sandra Tello Bohorquez trata o tempo como matéria ativa, não como contagem regressiva. Envelhecer implica revisar decisões, reavaliar vínculos e reconhecer o que ainda está em aberto. "Amaridades" acompanha esse movimento sem pressa, observando como escolhas antigas continuam produzindo efeitos. Cada capítulo amplia esse deslocamento, mostrando que o avanço da idade pode reorganizar prioridades. O leitor encontra um convite à revisão sem estar acompanhado de promessa de conforto imediato.


2. Histórias familiares tratadas como matéria viva
Os episódios narrados partem de situações reconhecíveis: conversas interrompidas, conflitos recorrentes, afastamentos que nunca se explicaram por completo. Ao trazer esses fragmentos, constrói um painel em que o passado não está encerrado. O que foi vivido permanece operando, mesmo sem nome. A leitura evidencia como essas histórias continuam moldando comportamentos e decisões no presente.


3. Psicogenealogia aplicada ao cotidiano
A psicogenealogia aparece como ferramenta de leitura das relações familiares, sem excesso de terminologia técnica. Sandra articula conceitos com exemplos diretos, o que permite ao leitor identificar padrões sem depender de explicações acadêmicas extensas. A proposta não simplifica o tema, mas o aproxima da experiência comum. Ao observar repetições e rupturas entre gerações, o livro oferece instrumentos para reconhecer dinâmicas que muitas vezes passam despercebidas. O resultado é um entendimento mais claro das heranças invisíveis.

4. Escrita sustentada por experiência real
A trajetória da autora que deixou o ambiente corporativo para se dedicar ao projeto "Amaridades" passa pelo livro sem virar autobiografia. Esse percurso funciona como eixo e o texto se constrói a partir do que foi vivido, incluindo o processo de envelhecimento compartilhado com a mãe. Essa dimensão concreta dá densidade à narrativa e evita generalizações. O leitor acompanha transformações que não foram planejadas, mas assumidas ao longo do caminho.


5. Um projeto que antecede o livro
Desde 2017, Sandra coleta relatos de pessoas mais velhas sob o lema “Contando Histórias, Inspirando Futuros”. Esse acervo alimenta a escrita e amplia seu alcance. O livro não surge isolado; é resultado de uma prática contínua de escuta e registro. As experiências reunidas ao longo desses anos aparecem como pano de fundo, enriquecendo a análise das relações familiares. Essa base confere consistência ao texto e reforça seu vínculo com histórias reais.

6. A árvore genealógica como ferramenta de leitura
A investigação das origens familiares ganha forma concreta na reconstrução da árvore genealógica. O processo revela repetições, apagamentos e escolhas que atravessam gerações. Ao organizar essas informações, o leitor passa a enxergar conexões antes dispersas. A proposta não é apenas conhecer nomes e datas, mas compreender dinâmicas. Esse exercício desloca a percepção sobre a própria história e amplia o entendimento sobre comportamentos herdados.

7. Reinterpretação de dores antigas
Abandono, rejeições, segredos e perdas aparecem de maneira direta, sem tentativa de suavização. O diferencial está na forma como esses elementos são reorganizados ao longo da narrativa. Ao identificar padrões e vínculos, o livro propõe uma leitura mais ampla dessas experiências. O que antes parecia isolado passa a integrar um conjunto maior. Essa mudança de perspectiva não apaga a dor, mas altera sua posição dentro da história.

8. Relação entre memória e comportamento
O texto evidencia como experiências não elaboradas continuam influenciando atitudes, escolhas e relações. Emoções reprimidas e episódios não resolvidos reaparecem em situações distintas, criando repetições difíceis de identificar. Ao reconhecer essas conexões, o leitor passa a observar suas próprias respostas com mais precisão. "Amaridades" sugere que compreender essas relações pode abrir espaço para decisões diferentes, ainda que o processo não seja simples.

9. Um livro que se sustenta na escuta
A escuta aparece como prática central. Sandra constrói sua narrativa a partir de relatos, observações e convivências, sem impor interpretações fechadas. Essa postura cria um texto que acolhe diferentes experiências e permite múltiplas leituras. Ao priorizar o ouvir, "Amaridades" desloca o foco da explicação para a compreensão. O resultado é uma escrita que acompanha o ritmo das histórias que a originaram.

10. Maturidade como construção contínua
"Amaridades" apresenta a maturidade como processo em andamento. Trata-se ade lidar com o que foi recebido e decidir o que permanece. O livro aponta que esse trabalho envolve escolhas conscientes e revisão constante. Ao longo da leitura, fica claro que amadurecer exige enfrentar a própria história sem intermediários. O movimento proposto não encerra questões, mas reposiciona o leitor diante delas.

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