Dirigido por Jorge Brennand Junior, filme reúne depoimentos de artistas, familiares e parceiros para revisitar a trajetória de um dos criadores mais singulares da música brasileira. Foto: Rodrigo Palazzo
Com 1h45 de duração, o filme constrói um retrato do compositor por meio de sua própria voz e de depoimentos de artistas, músicos, intelectuais e familiares que acompanharam diferentes momentos de sua trajetória. Entre lembranças pessoais e reflexões sobre arte, o documentário acompanha o percurso de um criador que sempre tratou a música como campo de experimentação.
O compositor e pesquisador Luiz Tatit relembra a diferença de rumos dentro da geração tropicalista: enquanto Caetano Veloso e Gilberto Gil buscavam dialogar com a música que ocuparia o rádio nos anos seguintes, Tom Zé preferiu seguir investindo em processos experimentais. Para Tatit, é justamente essa disposição para testar caminhos que continua despertando o interesse de novas gerações.
Ao longo do filme, artistas de diferentes campos comentam o impacto de sua obra. A cantora Mallu Magalhães observa a capacidade do compositor de permanecer conectado ao presente e ao futuro. Já a cantora Fernanda Takai destaca sua imprevisibilidade criativa, enquanto Ná Ozzetti chama atenção para a habilidade técnica que sustenta suas invenções musicais. Para o compositor José Miguel Wisnik, a música de Tom Zé nasce de um processo de elaboração constante, em que ideias se expandem como “comprimidos de música”.
Outras vozes ajudam a compreender o alcance dessa trajetória. O jornalista Leonardo Lichote observa que a obra do artista reúne referências que vão do sertão baiano à publicidade, do jornalismo à cultura urbana. Diante dessa mistura, sugere uma imagem curiosa: Tom Zé seria uma espécie de “cientista do sertão”, alguém que investiga sons, palavras e comportamentos como quem conduz um experimento.
“Todos os Olhos” também revela o lado íntimo do músico. A produtora Neusa Martins, companheira de Tom Zé há mais de cinco décadas, fala do cotidiano e do processo criativo do artista. O médico Ewerton Martins, seu filho, relembra a distância da infância e o momento em que passou a compreender a dimensão do trabalho do pai. Já os netos Maria Clara e João Gabriel compartilham memórias familiares e a experiência de ver o avô no palco.
Entre relatos de criação, histórias de bastidores e reflexões sobre arte e vida, o documentário constrói um retrato de um artista que nunca se acomodou à própria trajetória. No filme, Tom Zé diz que não pensa em parar de trabalhar e que, se a morte vier, prefere que seja no palco. Mais do que revisitar uma carreira, “Todos os Olhos” acompanha o pensamento de um criador que continua tratando a música como pergunta. No SescTV, estreia dia 10 de abril, sexta-feira, às 22h00. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.
Direção: Jorge Brennand Junior | Produção: Eureka Imagens e Ideias | Realização: SescTV | Duração: 105 minutos | Classificação indicativa: livre | Grátis
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