sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

.: Entrevista com Nuno Mindelis, um simpático músico ranzinza


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: divulgação

Ele se autodenomina um músico ranzinza. Mas está muito longe de ser algo parecido. Angolano radicado no Brasil há anos, Nuno Mindelis desenvolve uma carreira sólida como músico ligado principalmente ao blues, muito embora sua formação musical eclética inclua os medalhões da Gravadora Stax Records e os ícones do hard rock dos anos 60 e 70. E claro, alguns elementos de nossa música popular brasileira. Mindelis conseguiu a proeza de gravar discos com a icônica banda de apoio de um de seus ídolos (Steve Ray Vaughan), a Double Trouble. E chegou a ter seu talento reconhecido com destaque em publicações no Exterior. Em entrevista para o portal Resenhando.com, ele conta um pouco sobre sua trajetória na música e seus planos para o futuro. “O blues precisa ser reinventado, assim como toda forma de arte”.

Resenhando.com - Você é reconhecido como um dos nomes mais marcantes do Blues. Mas sua formação é mais eclética, abrangendo inclusive a soul music da gravadora Stax Records, Fale sobre suas principais influências musicais.
Nuno Mindelis - Antes, quero agradecer pela oportunidade da entrevista. Ouvi absolutamente tudo que se fez em música desde pelo menos os cinco anos, é quando me lembro de mim, até aos 17, em 1975, quando fui exilado de guerra, partindo para o Canadá e depois para o Brasil. Na época, perdi tudo e precisei de mais de década para me recompor, recomeçar. Nesse período, ouvi sempre muita coisa, mas já com outros ouvidos. Não gostava de nada do final dos anos 70: disco, punk etc, e nem dos anos 80. Mas, com o tempo, passei a gostar de algumas coisas. Quando era muito pequeno, ouvia muita música erudita, meus pais ouviam muito, todas as sinfonias de Beethoven, Wagner, Tannhäuser, considero o coro dos peregrinos espetacular, e outros. Lá pelos seis anos ouvi The Shadows e Beatles e ali a coisa mudou de figura. Aquelas guitarras eletrizantes me reviraram as moléculas corpo e do cérebro. Logo depois, aos nove anos, tive a sorte de um cara mais velho me mostrar Otis Redding e era tão criança que me lembro de ter que decifrar aquela massa sonora mais densa. Mas havia algo importante na época: respeito pelos mais velhos. Se alguém mais velho me aconselhava algo, era porque era  para ser decifrado mesmo, nunca desistiria. Conheci tudo de Otis, da gravadora Stax, Booker T & The Mgs é a minha banda de cabeceira. Não gosto do clichê mas encaixa perfeitamente: as primeiras audições da música de Otis Redding eram como o primeiro sexo, pode doer mas você quer mais. Otis, Stax, Booker T & The MGs e todo o cast viraram meu templo. Costumo dizer que a minha vida mudou várias vezes, essa foi a terceira. A primeira, a descoberta da música, a música clássica e canção francesa: Gilbert Bécaud, George Brassens etc, que meu pai ouvia bem. A segunda: Beatles e Shadows e depois veio a, na época, chamada música progressiva: Steppenwolf, Grand Funk Railroad, Led Zeppelin, Deep Purple, The Doors, Pink Floyd etc., todos aqueles derivados do Blues, do Soul, do Country, Folk, Celta, depois o Woodstock que foi algo transcendental. Aos 11, ouvi Big Bill Broonzy e isso levou a ouvir todo o Blues produzido antes e depois no planeta, seja acústico, elétrico etc. O acesso a discos era tão fluido em Luanda como em Londres, vinha direto da fonte e rápido. Eu tinha cerca de 2000 LPs aos 17 anos, edições originais, fora as centenas de singles. Perdi tudo quando me exilei.

Resenhando.com - Em seu canal no YouTube há vários vídeos onde você comenta sobre determinados músicos ou outros assuntos ligados a música. Como foi que surgiu essa ideia?
Nuno Mindelis - Comecei a fazer videos do tipo zoando, ironia sutis, série tipo crimes e castigos. Se você for flagrado tocando Blues como amplificador transistorizado. Pena: dois anos de reclusão + escutar Kenny G e Galvão Bueno por duas horas seguidas com fones irremovíveis. Esse tipo de coisa. Na verdade nos anos 80 eu tinha inventado essa série, quase sem querer, numa revista de música, Cover Guitarra, a convite do editor que era o Regis Tadeu. A turma lembrava disso até hoje, acredita? Viviam me relembrando disso. Então resgatei, meio sem querer, de novo. A galera pirou com esses videos, são tipo shorts, ainda estão no canal, depois passei para videos mais longos ficaram um pouco mais sérios e tal, e um dia perfilei um guitarrista e percebi que a galera engajou um monte, então continuei perfilando guitarristas. Quando acabarem todos os guitarristas da Terra farei parte 2 ou passarei a outra coisa qualquer. Ou já terei morrido (risos).

Resenhando.com - Na sua opinião, o blues pode ser reinventado ou deve permanecer na forma tradicional?
Nuno Mindelis - Deve ser reinventado, como toda a forma de arte, mas não porque seja uma obrigação técnica ou moral ou algo assim. É o próprio artista que normalmente é, ou deveria ser, irrequieto, que sente que precisa desconstruir. Como Miles Davis, o tradicional foi a grande escola dele mas depois ele foi lá e derreteu tudo. Hendrix idem. Picasso, Van Gogh etc. O que me parece é que há 60 anos ninguém, exceto talvez Jeff Beck e um ou outro mais, teve esse ímpeto. Jovens americanos, e não só,  nascem por estes dias e continuam fazendo o que se fazia há 60 anos. É certo que é fundamental que se conheçam muito bem as regras e isso requer ouvir muito e aprender bem todo o tradicional mas é muito importante que se as quebrem depois de bem sabidas. Como dizia Zappa, "Without deviation from the norm progress is not possible" ("Sem desvios da norma, o progresso não é possível"). Vejo um monte de artistas de Blues que conhecem as regras como ninguém e não saem daquilo. 

Resenhando.com - Você gravou dois discos com os músicos da mítica banda Double Trouble, que acompanhou Steve Ray Vaughan. Fale sobre essa experiência.
Nuno Mindelis - Ajustei com um produtor de Austin, no Texas (Eddie) para fazer um disco para a gravadora Antone’s. Ele tinha ouvido um disco meu e gostado muito. Antone’s é um selo e casa noturna altamente cult, gente como Buddy Guy, Muddy Waters e outros frequentaram e gravaram por ali. Ele me pediu uma fita demo para ter ideia do que eu pensava para o disco novo. Para saber que músicos chamar, se mais  blues negro ou mais rock branco, essas coisas. Entrei no estúdio e gravei baixo, guitarra bateria e piano e mandei para ele o rascunho. Ele tocava aquilo na gravadora durante o dia, no sistema de som geral ,todo o mundo ouvia. Tommy Shannon entrou ali por alguma razão (pegar um cachê ou algo assim) e perguntou o que era. Ele explicou: “é um brasileiro que eu vou produzir, o Nuno etc." e ali o Eddie, falando sério fingindo ser brincando, sabe como é, para não parecer ousadia, perguntou: “quer participar?”. E o Tommy disse: “sim, gostaria”. Ele me ligou exultante, "Hey Beast", tinha saído artigo de capa da Revista Austin Blues “The Southamerican Beast Whos Coming To Your Town, "você não vai acreditar, Tommy vai gravar uma música no seu disco. E obviamente Chris também". Depois gravaram o disco todo. "Texas Bound" gravamos em 95, saiu em 96. Depois, gravei outro em 1999, "Blues On The Outside", saiu acho que já em 2000.


Resenhando.com - Como você avalia o blues na atualidade?
Nuno Mindelis - 
Na real, nem avalio mais. Quase não ouço. É tudo muito igual. E grandes revolucionários como Little Walter, John Lee Hooker, Skip James etc. são cada vez mais raros. Não é saudosismo, havia de fato algo que transcendia ali. Hoje parece meio fabricado em série, especialmente do lado branco. Atenção: não me refiro à habilidade, o pessoal detona pra caramba, são artistas altamente proficientes e habilidosos, músicos de quilate. Mas não saem daquilo, me refiro ao conceito, às suas obras. Qual será o legado? Haverá?

Resenhando.com - Você pretende lançar um novo disco?
Nuno Mindelis - Há duas direções aqui. Do ponto de vista prático, preciso lançar algo mais rapidamente porque os números das plataformas caíram um pouco. Spotify e afins são como redes sociais, se parar de mexer caem os números, acredite. E eu parei de lançar coisa por um tempo. Entre 2022 e 2025 anunciei uma série “um single por mês” (acabou sendo um a cada dois ou três meses na real. Em 2025, só gravei mas não lancei. Então vou ver se lanço uma coletânea com isso tudo mais os inéditos de 2025. Serão cerca de 12 ou 13 faixas até onde vasculhei. Penso em criar algo físico, cassete ou pendrive. Esse negócio de não ser dono do produto não funciona. Nas plataformas, você não é dono de nada, o pessoal que curte quer algo para chamar de seu. LP não penso, porque é caríssimo no Brasil, absurdo, extorsivo. A segunda direção é um trabalho novo que desconstrua o que fiz até agora. Enquanto soar previsível, para mim mesmo, pelo menos, não farei nada. Estou atrás dessa inspiração e desse laboratório mas os videos do Youtube me tomam muito tempo e energia. Mas está na pauta, só preciso conseguir tempo e alguma inspiração. Também gostaria de trabalhar com alguém de nova geração com afinidade com produções eletrônicas mas parece que essa turma foge. No meu tempo, era ao contrário, idolatrávamos os pioneiros e faríamos de tudo para poder colaborar com eles. Vide U2 com BB King, Santana e o álbum "Supernatural", etc. 

Resenhando.com - Como está o plano para shows ao vivo?
Nuno Mindelis - Vou fazer um em Florianópolis e soube que está “sold out” (com ingressos esgotados). Em 2026, não sei bem o que será, uma turnê média em Minas é certeza. Apresentações no Blue Note e no Bourbon Street em São Paulo podem acontecer. 

Vídeo sobre Steve Ray Vaughan

 
"I Know What You Want"

"Stormy Minded Man"

.: Mary Del Priore desmistifica a imagem de Chica da Silva em novo livro


Em "Meu Nome É Francisca - Uma história de Chica da Silva", publicado pela Editora José Olympio, a historiadora Mary Del Priore revisita a trajetória da mulher à frente de seu tempo, desmistificando a imagem polêmica que ficou eternizada pelo audiovisual. Com uma linguagem original que destaca os falares africanos em Minas Gerais no Brasil Colônia, a autora se debruça sobre Francisca desde a infância, e mostra como ela e muitas outras mulheres negras viveram como donas de casa, cuidando dos filhos, dedicadas aos companheiros em relações consensuais que não passavam pela Igreja, e constituindo o segundo grupo mais rico da região.

Neste livro, Mary Del Priore apresenta Francisca sob uma nova luz - não a figura folclórica ou sexualizada, mas a mulher histórica: mãe de 13 filhos, esposa dedicada, piedosa, proprietária de bens, senhora de centenas de escravizados e integrante de irmandades religiosas de elite. Assim como nos perfis anteriores de Tarsila do Amaral, da imperatriz Leopoldina e da filha, Maria da Glória, em Meu nome é Francisca a historiadora Mary Del Priore assume a narração em primeira pessoa, aliando sua vasta leitura crítica ao refinamento de seu estilo literário. 

O resultado é um texto primoroso, em que nos acercamos dos fatos históricos sem perder de vista as emoções que essa personagem icônica nos revela sobre o Brasil Colônia e seus desafios econômicos e morais. Mulher negra nascida escravizada, Chica da Silva foi alforriada e se tornou a mulher mais rica do Brasil. O amor foi o motivo de sua ascensão. Ela se apaixonou pelo seu senhorio e contratador de diamantes da região, João Fernandes de Oliveira, com o qual viveu uma relação amorosa intensa que marcou para sempre a história do Arraial do Tijuco, atual Diamantina, nas Minas Gerais. 

O casamento casamento deles, contudo, nunca pôde ser oficializado, pois as leis racistas da época não permitiam a união entre um branco e uma negra. Vivendo em concubinato, Chica da Silva e João Fernandes tiveram 13 filhos e do companheiro ela herdou toda a fortuna. Em "Meu Nome É Francisca", é possível compreender as complexidades do poder, do dinheiro, da influência e, sobretudo, dos papéis sociais que levaram uma mulher negra à posição de poder incomum para os padrões de sua época. A edição traz ainda um caderno de imagens.

Ao recuperar falares africanos, a autora reconstitui o cotidiano de mulheres negras que, por meio de uniões consensuais, alcançaram mobilidade social e segurança financeira. O livro também destaca um aspecto pouco explorado: o papel surpreendentemente ativo dos pais, atentos ao futuro e à proteção material de suas famílias. Francisca pertenceu ao segundo grupo economicamente mais rico das Minas Gerais coloniais - o das ex-escravizadas. E, como mostra a obra, não houve apenas uma Francisca: foram muitas. Compre o livro "Meu Nome É Francisca - Uma história de Chica da Silva" neste link.

Trecho do livro
“Passada a visita pastoral que o acusou de bigamia, meu senhor resolveu me vender. Vendas eram comuns quando o senhor empobrecia ou morria e seus parentes preferiam se desfazer da escravaria. Ou quando ele tinha dívidas e o cativo entrava como parte do pagamento. Ou, ainda, quando o cativo era doente, desobediente ou fujão. Ou quando o visitador exigia 'lançar fora' de casa a concubina escrava. O valor de cada cativo era determinado por sexo, idade, doenças e lesões. Ruim seria ser vendida para outra casa longe do Tijuco, onde eu conhecia tanta gente. Eu sabia de muitas histórias de escravos que se rebelavam e fugiam quando eram separados de familiares ou amigos. O senhor novo ofereceu bom preço? O senhor velho preferiu ficar com Francisca? Nunca soube os pormenores, mas fui vendida por 800 mil réis e minha vida mudou.”


Sobre a autora
Mary Lucy Murray Del Priore
(Rio de Janeiro/RJ, 1952) é historiadora, professora e escritora. Lecionou nos departamentos de história da Universidade de São Paulo (USP) e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Fez pós-doutorado em ciências sociais na École des Hautes Études, na França. Colabora com dezenas de jornais e revistas nacionais e estrangeiras. Entre outras distinções recebidas, foi vencedora do Prêmio Jabuti – Ciências Humanas, em 1998, por História das mulheres no Brasil (Unesp/Contexto); do Prêmio APCA – Não Ficção, em 2008, por "O Príncipe Maldito" (Objetiva); e do Prêmio Fundação Biblioteca Nacional, em 2009, por "Condessa de Barral" (Objetiva). Desde 2022, é membro da Academia Paulista de Letras. Lançou pela Editora José Olympio os volumes biográficos "Tarsila" (2022) e "Leopoldina" e "Maria da Glória" (2024). Compre os livros de Mary Del Priore neste link.

.: Filósofo Marcelo Perine propõe leitura da felicidade como prática inventiva


Por que somos infelizes? Essa foi a pergunta que levou o filósofo Marcelo Perine a escrever "Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral", obra recém-lançada pela PUCPRESS – editora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). O livro se insere no debate contemporâneo sobre ética e moralidade, propondo uma reflexão sofisticada e original sobre o sentido do bem viver, articulando a tradição filosófica às urgências do presente.

“Em poucas palavras, somos infelizes porque podemos fracassar na realização de nossos interesses e na satisfação de nossos legítimos desejos, que consistem, em última análise, em libertar-nos do descontentamento; somos infelizes porque somos e sabemos que somos finitos, contingentes, numa palavra, mortais”. A proposta do autor é compreender a felicidade não como um estado conclusivo, mas como uma prática em constante reinvenção - marcada pela incompletude e pela inventividade. Para desenvolver essa ideia, a obra apresenta-se como um ensaio que reúne dissertações livres e profundas sobre a condição humana, a moralidade e a possibilidade de uma felicidade vivida com consciência.

Perine, professor associado da PUC-SP e referência nacional em Filosofia, revisita criticamente autores clássicos e modernos para construir uma narrativa filosófica que entrelaça razão, liberdade e criação. Com linguagem acessível e rigor filosófico, ele propõe uma “moral viva” que articula a doutrina ética que afirma que a felicidade é o fim supremo da vida humana, alcançado através do exercício da razão e da prática das virtudes – o eudemonismo aristotélico –, a ética do dever kantiana, o imperativo da responsabilidade de Hans Jonas e o “dever de ser feliz” de Eric Weil.

A analogia final com as esculturas inacabadas de Michelangelo é emblemática: a felicidade não se realiza na plenitude, mas na forma que emerge da matéria, no gesto inacabado que revela o sentido. "Contentamento na liberdade" é a expressão que sintetiza a proposta filosófica de Perine, que se contrapõe à concepção utilitarista e performática da felicidade dominante na cultura contemporânea. Compre o livro "Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral", de Marcelo Perine, neste link.


Sobre o autor
Marcelo Perine
é professor associado da PUC-SP, com sólida formação acadêmica em Filosofia e Teologia, tendo obtido os títulos de mestre e doutor pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Com ampla atuação na graduação e na pós-graduação, destaca-se pela expressiva produção intelectual, que inclui 89 artigos, 49 capítulos de livros, 18 trabalhos em anais, sete livros autorais e outros sete organizados. Sua contribuição acadêmica também se evidencia na orientação de dezenas de trabalhos em diversos níveis, incluindo mestrado, doutorado e pós-doutorado. Foi coordenador da área de Filosofia da Capes em dois triênios e mantém colaboração internacional com o Institut Eric Weil da Université de Lille, coordenando um acordo de cooperação firmado em 2020. Compre os livros de "Felicidade Prisioneira: Ensaio de Filosofia Moral" neste link.

.: #VivoLendo indica o livro "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna"


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.
o poeta é feito de firmamento

A noite desnuda o improvável através da opacidade nebulosa das controvérsias interiores. Canções plangentes repletas de melancólicas melodias e suas íntimas referências complementam-se a versos fortes reveladores de incógnitas, descaminhos e misteriosos desvãos onde o poeta movimenta-se qual espectro de desejos inconcebíveis através de poemas fluídos, quase monólogos, repletos de conjecturas, questionamentos e rupturas ao trivial da realidade cotidiana.

Envolto em uma nebulosa consciência alterada por extrema inventividade poética, no livro "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna", publicado pela Editora Xará, o escritor Guilherme Andretta Pompermayer constrói um universo noturno, onírico e psicodélico com inúmeras pinceladas de anseios, musicalidade e inquietude onde os versos alimentam-se de suas próprias inquietações e procuras a nos remeter aos poetas beats, ao underground, à literatura das angústias, da solidão noturna e das canções revestidas no mais profundo arcabouço da alma humana onde a anti-realidade utópica de seres mágicos ganham voz e alento: entre imaginação e memória, existe uma divisória?

Em "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna" ( Editora Xará), Andretta destila sua imagética através de versos sonoros e viajantes envoltos em um diálogo constante consigo mesmo e, ainda, incorpora referências à canções de Tom Waits, Jeff Buckley e Curt Cobain a engrandecer e a expandir a dimensão de sua obra poética, além de nos revelar o caos mental fragmentado em que o livro navega, flutua e nos alimenta. Poesia intensa, atemporal e reveladora para aqueles que nutrem o hábito de se sentirem preenchidos pelos descaminhos aleatórios da poesia personal banhada na marginalidade literária e na estrita e mágica vivência pessoal: é assim que o sabor acre deságua em versos. Compre o livro "Canções Ciganas Para Uma Mulher Noturna", de Guilherme Andretta Pompermayer, neste link.

.: Arena B3 recebe o espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou a Morrer"


Montagem de Samir Murad aborda migração, memória e pertencimento a partir de relatos autobiográficos. Foto: divulgação

A Arena B3 recebe, neste final de semana, dias 17 e 18 de janeiro, o espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou a Morrer", criação, texto e atuação de Samir Murad. A peça inaugura a programação cultural de 2026 do espaço e convida o público a uma experiência sensível sobre identidade, ancestralidade e memória afetiva. Inspirado em vivências familiares do próprio autor, o espetáculo constrói uma narrativa íntima que atravessa temas como imigração, conflitos culturais, saúde mental e pertencimento. Alternando momentos de drama e humor, a montagem cria uma atmosfera poética e emocional, conduzindo o espectador por lembranças que dialogam com experiências universais.

A encenação combina atuação visceral, trilha sonora original, projeções e videocenário, ampliando a dimensão sensorial da obra e reforçando o caráter autobiográfico do relato. O resultado é uma peça delicada e potente, que valoriza a escuta e a memória como ferramentas de construção de identidade. As apresentações acontecem na Arena B3, espaço cultural localizado em um prédio histórico da antiga Bolsa de Valores, no Centro de São Paulo. Com sessões aos finais de semana e ingressos acessíveis, o local reafirma sua vocação para democratizar o acesso à cultura e estimular a ocupação artística do Centro Histórico da cidade. A curadoria da programação é assinada pela Aventura, produtora reconhecida nacionalmente por sua atuação no setor cultural e pela realização de espetáculos de relevância no cenário brasileiro.


Ficha técnica
Espetáculo "O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Criação, texto e atuação: Samir Murad
Direção: Delson Antunes e Samir Murad
Cenografia: José Dias
Figurino e Adereços: Karlla de Luca
Desenho de Luz: Thales Coutinho
Trilha Sonora: André Poyart e Samir Murad
Direção de Movimento: Samir Murad
Videocenário: Mayara Ferreira
Assistente de Direção: Gedivan de Albuquerque
Programação Visual: Fernando Alax
Fotos: Fernando Valle
Direção de produção: Fernando Alax
Produção executiva: Wagner Uchoa
Operação audiovisual: Marco Agrippa
Operação de luz: Chico Hashi
Realização: Cia Teatral Cambaleei, mas não caí... 


Serviço
"O Cachorro Que Se Recusou A Morrer"

Dias 17 e 18 de janeiro, sábado e domingo, sessões às 14h30 e 17h00
Arena B3 - Centro Histórico de São Paulo
Duração: 70 minutos
Classificação: L=livre
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114363/d/355043/s/2395277?

 
Sobre a B3

A B3, a bolsa do Brasil, tem o compromisso de apoiar a democratização do acesso à cultura, por meio de parcerias e patrocínios que facilitem o acesso da sociedade a esses espaços. Em 2023, a bolsa do Brasil apoiou 25 projetos, e possibilitou que mais de 95 mil pessoas acessassem os 7 museus patrocinados por meio do oferecimento também de dias de gratuidade. Dentre as instituições apoiadas estão o MASP, a Pinacoteca de São Paulo, o MIS, o Museu Judaico e MUB3, na capital paulista, o Instituto Inhotim, localizado em Minas Gerais, e o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. Além das gratuidades, a bolsa do Brasil patrocina ainda uma série de iniciativas culturais, como musicais, eventos e exposições.


Sobre a Aventura

Fundada em 2008, e liderada por Aniela Jordan, diretora artística e produção e geral, Luiz Calainho, diretor de marketing e negócios, e por Giulia Jordan, diretora geral de venues, a Aventura é referência na produção de espetáculos de altíssima qualidade, que tornou o mercado de teatro musical um dos principais segmentos da economia criativa no Brasil. A empresa se estabeleceu como uma grande aliada da multiplicidade artística, fundamental para o desenvolvimento social, econômico e cultural. A sua missão é transformar grandes ideias em realidade, criando fortes conexões entre marcas e projetos. São mais de 40 produções, de espetáculos inéditos e de versões da Broadway, como “Elis, a musical”, “A Noviça Rebelde”, “Sete”, “O Mágico de Oz”, “SamBRA”, “Chacrinha, o musical”, “Romeu & Julieta, ao som de Marisa Monte”, “Merlin e Arthur, um sonho de liberdade” e o infantil “Zaquim”. Em 2022, a produtora inovou com o primeiro musical em formato de série do país, o “Vozes Negras – A Força do Canto Feminino”, e com o musical “Seu Neyla”, apresentado em dois palcos com o uso da internet para criar uma experiência diferenciada no espectador, além de estrear uma parceria com a Disney - Pixar com o espetáculo “Pixar in Concert”. Com o objetivo de democratizar o acesso à cultura, criou a Cia Stone de Teatro, projeto de teatro itinerante no interior do Brasil e é a responsável pela produção da Cia de Ballet Dallal Achcar. Ao todo, foram mais de 3,8 mil apresentações e cerca de 4,5 milhões de espectadores, mais de 16 mil empregos diretos e indiretos gerados, números que não param de crescer. 

.: “Rei das pegadinhas”, Ítalo Sena em "Duas Conversas" no Teatro J. Safra


Humorista apresenta uma versão renovada do show, resultado de nove meses de intensa preparação. Foto: divulgação

No aguardado espetáculo "Duas Conversas", Ítalo Sena, considerado "o rei das pegadinhas", mergulha em dois lados de sua vida de forma inédita. Após percorrer o Brasil com o “Mostrando Meu Trabalho” , o humorista apresenta uma versão renovada, resultado de nove meses de intensa preparação. Com um cenário digital interativo, Ítalo surpreende a plateia, revelando um espetáculo totalmente envolvente.  O humorista se preparou não apenas mentalmente, mas também corporalmente para essa nova jornada, prometendo um show fora do comum. 

Ele compartilha sua expectativa com os fãs, enfatizando: "É algo que venho me dedicando para entregar o meu melhor. Quero que meu público saia do teatro com a garantia de que foi surpreendido". Brincando com um de seus bordões, Ítalo destaca: "Não se assuste se no show eu perguntar 'O que você pensou na hora?' Tem um cara gravando ali", contou ele com risadas.

Em "Duas Conversas", o texto é todo desenvolvido pelo próprio humorista, e conta com a colaboração criativa de Maurício Meireles. A preparação artística de Diógenes De Lima, a produção de Laura Ithamar, iluminação de Jathyles Miranda e as artes para o cenário virtual assinadas pelo VJ Koala Brito, prometem elevar o espetáculo a um patamar único, garantindo risos e surpresas inesquecíveis. Prepare-se para uma experiência que transcende as expectativas, com Ítalo Sena no comando do seu novo show "Duas Conversas".

Serviço
Ítalo Sena em "Duas Conversas"
Gênero: humor
Recomendação: 16 anos
Duração: 80 minutos
Sábado, dia 17 de janeiro de 2026, às 20h00
Ingressos: entre R$ 30,00 e R$ 100,00
Compras on-line: https://www.eventim.com.br/artist/italo-sena/?affiliate=JSA

Bilheteria
Quartas e quintas-feiras, das 14h00 às 21h00
Sextas, sábados e domingos, das 14h00 até o horário dos espetáculos
Aceita os cartões de débito e crédito: Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques.
Telefone da bilheteria: (11) 3611-3042
Teatro J. Safra | 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda / São Paulo
Telefone: (11) 3611 3042 e 3611 2561
Abertura da casa: duas horas antes de cada horário de espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do Teatro.
Acessibilidade para deficiente físico
Estacionamento: Valet Service (Estacionamento próprio do Teatro) - R$ 30,00

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

.: Cineflix Cinemas traz quatro estreias: “Hamnet”, "Marty Supreme" e mais!

Hoje, 15 de janeiro, a unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, apresenta quatro estreias nas telonas: os dramas "Marty Supreme" e  "Hamnet: A vida antes de Hamlet", o infantil nacional que saiu dos palcos de teatro para a telona, "O diário de Pilar na Amazônia" e a animação religiosa "Davi: Nasce um rei".

Seguem em cartaz o suspense psicológico "A Empregada", as animações "Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu" e "Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada", o drama "Valor Sentimental",  a produção brasileira premiada, "O Agente Secreto". Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Estão disponíveis para venda os baldes colecionáveis, de "Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada",  "Tom & Jerry: Uma Aventura no Museu" e "Avatar: Fogo e Cinzas"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.


"Hamnet: A vida antes de Hamlet". (“Hamnet”). Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não. Sinopse: William Shakespeare e a sua esposa, Agnes, celebram o nascimento do seu filho, Hamnet. No entanto, quando a tragédia os atinge, inspira Shakespeare a escrever a sua obra-prima, Hamlet.

"Marty Supreme". (Marty Supreme). Gênero: Biografia, Comédia Dramática, Esporte. Direção: Josh Safdie Roteiro: Josh Safdie, Ronald Bronstein Elenco Principal: Timothée Chalamet, Gwyneth Paltrow, Odessa A'Zion, Tyler, the Creator, Fran Drescher, Abel Ferrara. Duração: 2h 29min. Sinopse: Baseado na vida de Marty Reisman, um jogador de tênis de mesa que se tornou campeão aos 67 anos. 

"O diário de Pilar na Amazônia". (nacional). Gênero: aventura, drama, família. Classificação indicativa: livre.  Direção: Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Roteiro: João Costa Van Hombeeck e Flávia Lins e Silva. Elenco: Lina Flor, Miguel Soares, Sophia Ataíde, Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Babu Santana, Nanda Costa, Roberto Bomtempo. Duração: 90 minutos. Cenas pós-créditos: não. Sinopse: A jovem exploradora Pilar viaja até a Amazônia através de sua rede mágica. Após conhecer Maiara, ribeirinha que teve sua comunidade destruída, Pilar e os amigos buscam reencontrar a família da amiga e impedir o desmatamento da floresta.


"Davi: Nasce um rei". (David). Gênero: animação, família, biográfico, histórico. Classificação indicativa:10 anos. Direção: Phil Cunningham e Brent Dawes. Roteiro: Brent Dawes, Kyle Portbury e Sam Wilson. Elenco (vozes originais): Brandon Engman, Phil Wickham, Asim Chaudhry, Mick Wingert, Lauren Daigle. Dublagem brasileira: João Vitor Mafra, Maitê Cunha, Rodrigo Miallaret, Lara Suleiman, Alessandra Araújo, Victória Kíu, Luiza Caspary, Luci Saluzzi, Fernando Mendonça, Davi Barbosa. Duração: 109 minutos. Cenas pós-créditos: não. Sinopse: História bíblica de Davi, desde sua juventude como pastor de ovelhas até se tornar o maior rei de Israel.

"A Empregada". (The Housemaid). Gênero: Suspense Psicológico, Thriller. Direção: Paul Feig. Roteiro: Rebecca Sonnenshine, Freida McFadden. Ano de Lançamento: 2025. Data de Estreia (Brasil): 18 de Dezembro de 2025. País: EUA. Idioma: Inglês. Duração: 2h11m. Elenco Principal: Sydney Sweeney (Millie), Amanda Seyfried (Nina), Brandon Sklenar (Andrew), Michele Morrone. Baseado em: Livro de Freida McFadden. Sinopse: A história segue Millie Calloway, que, após sair da prisão, consegue um emprego como empregada na casa dos ricos Nina e Andrew Winchester, mas logo percebe a natureza perturbadora de Nina e as dinâmicas disfuncionais da família, levando a situações de manipulação e suspense, enquanto Millie tem seus próprios segredos. 

"Bob Esponja: Em Busca da Calça Quadrada". (The SpongeBob Movie: Search For SquarePants). Direção: Derek Drymon Roteiro: Pam Brady, Matt Lieberman, Marc Ceccarelli Elenco (Vozes originais): Tom Kenny, Clancy Brown, Rodger Bumpass Gênero: Animação, Aventura. Duração: 1h 28. Distribuidor: Paramount País de Origem: Estados Unidos  Sinopse: A história acompanha um Bob Esponja que descobre ter crescido e agora tem 36 mariscos de altura, querendo provar que não é mais um bebê, embarcando em uma aventura com o Holandês Voador para conseguir um certificado de aventureiro, o que o leva a uma jornada inesperada em Santa Monica.

"O Agente Secreto". Gênero: thriller, drama. Diretor: Kleber Mendonça Filho. Elenco: Wagner Moura, ao lado de Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone. Sinopse: Em 1977, Marcelo trabalha como professor especializado em tecnologia. Ele decide fugir de seu passado violento e misterioso se mudando de São Paulo para Recife com a intenção de recomeçar sua vida. Marcelo chega na capital pernambucana em plena semana do Carnaval e percebe que atraiu para si todo o caos do qual ele sempre quis fugir. Para piorar a situação, ele começa a ser espionado pelos vizinhos. Inesperadamente, a cidade que ele acreditou que o acolheria ficou longe de ser o seu refúgio.

"Valor Sentimental". (Sentimental Value). Direção: Joachim Trier. Roteiro: Eskil Vogt e Joachim Trier. Gênero: Drama, Comédia Duração: Aproximadamente 132 minutos País de Origem: Noruega (coprodução internacional). Distribuição no Brasil: Retrato Filmes e MUBI. Elenco Principal: Renate Reinsve (Nora) Inga Ibsdotter Lilleaas (Agnes) Stellan Skarsgård (Gustav) Elle Fanning (Rachel Kemp) Anders Danielsen Lie. Sinopse: As complexas dinâmicas de uma família após a morte da matriarca. Gustav, um cineasta outrora renomado, tenta se reconciliar com as filhas, Nora (uma atriz de teatro) e Agnes, ao oferecer a Nora o papel principal em seu novo filme autobiográfico. Diante da recusa da filha, ele escala uma jovem estrela de Hollywood (Elle Fanning), o que desencadeia novos conflitos e revisita traumas do passado. 


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.: “Susi, o Musical” chega aos palcos em produção inédita que revisita memórias


Com ingressos já à venda, o musical traz de volta a icônica boneca brasileira em uma história inédita que mistura memória afetiva, humor, crítica social e músicas originais, prometendo emocionar e divertir toda a família

Um dos maiores ícones da infância brasileira está prestes a ganhar nova vida nos palcos. A boneca Susi, lançada pela Estrela em 1966 e responsável por marcar gerações, retorna agora como protagonista de “Susi, o Musical”, idealizado e escrito por Mara Carvalho, com músicas de Thiago Gimenes e concepção e direção de Ulysses Cruz. Apresentado pelo Ministério da Cultura e com patrocínio do Itaú, o espetáculo estreia no dia 21 de fevereiro, no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, com ingressos disponíveis pelo site da Sympla e na bilheteria local. A produção é da Ulysses Cruz Arte & Entretenimento, em um projeto que articula fantasia, memória, crítica social e canções inéditas.

Na pele de Susi estará a cantora e atriz Priscilla, artista que iniciou sua trajetória ainda na infância, consolidou uma carreira sólida na música pop brasileira e vem ampliando sua atuação nos palcos e no audiovisual, destacando-se pela versatilidade vocal e cênica. A escolha da intérprete reforça o diálogo entre gerações proposto pelo musical e sublinha a força simbólica da personagem como representação de identidade, transformação e resistência cultural. Outros grandes nomes do elenco - que darão vida às diferentes versões da boneca, aos personagens simbólicos da narrativa e ao universo real da trama - serão revelados em breve.

O musical acompanha a trajetória de Victor, um menino de imaginação fértil, absorvido por um cotidiano mediado por telas que limitam sua percepção do mundo. Em um mergulho onírico que transita entre sonho e pesadelo, ele embarca em uma jornada fantástica na qual se confronta com seus medos e descobre novas perspectivas ao lado de Susi. 

Nesse universo simbólico, surge Vênus, personagem que encarna padrões importados, discursos de perfeição e as pressões contemporâneas do consumo e da imagem, atuando como força de oposição e provocação ao longo do percurso do protagonista. Entre aliados e antagonistas, Victor atravessa um verdadeiro rito de passagem, aprendendo a lidar com as transformações e contradições da infância rumo à adolescência.

Entre músicas, humor e emoção, o espetáculo aborda temas universais e contemporâneos, como identidade, autoestima, consumismo, feminismo, redes sociais, globalização e pertencimento. Ao longo dessa jornada, Victor descobre sua vocação e encontra caminhos de reconexão com a própria história, enquanto Susi luta para reafirmar sua relevância diante das novas gerações. Em cena, a personagem se multiplica em diferentes versões - que representam diversas profissões, etnias e possibilidades - refletindo a pluralidade da mulher brasileira e evidenciando sua resistência cultural frente ao brilho importado de padrões estrangeiros.

A ideia de transformar a boneca Susi em um musical surgiu em 2023, a partir de uma conversa entre Mara Carvalho e Ulysses Cruz sobre o impacto cultural recente de produções que revisitam ícones do imaginário coletivo. A provocação inicial deu origem a um projeto que vem sendo desenvolvido desde então, com o objetivo de resgatar memórias afetivas e, ao mesmo tempo, propor uma leitura crítica e contemporânea sobre identidade, pertencimento e consumo cultural.

Para o diretor Ulysses Cruz, o impulso criativo da montagem nasce do desejo de explorar a ousadia artística do teatro musical como linguagem capaz de ir além do entretenimento. Inspirado tanto pelo impacto cultural da boneca quanto por suas próprias memórias de infância ligadas aos brinquedos da Estrela, o diretor construiu uma narrativa que combina humor, fantasia e reflexão, utilizando o teatro musical como território fértil para discutir temas pouco usuais dentro do gênero, equilibrando diversão e pensamento crítico.

A autora e idealizadora Mara Carvalho também vê em Susi a oportunidade de dialogar com questões contemporâneas como autoconhecimento, amor-próprio e padrões de consumo. Ao lado de Ulysses Cruz, ela desenvolveu um enredo que combina humor, emoção e crítica social, resgatando um ícone da infância brasileira que, ao longo do tempo, foi substituído por referências estrangeiras. O musical propõe, assim, uma reflexão sobre identidade cultural, memória coletiva e a forma como o país lida com suas próprias criações.

Com diálogos afiados, projeções visuais e um desfile final apoteótico, "Susi, o Musical" alterna entre o universo real do quarto de Victor e o mundo simbólico das bonecas, promovendo reflexões sobre memória, individualidade e pertencimento, ao mesmo tempo em que discute o impacto da cultura de massa e a influência das novas gerações digitais.

A trilha sonora, assinada pelo diretor musical Thiago Gimenes, é parte essencial da dramaturgia. A instrumentação e a orquestração evidenciam a identidade de cada personagem e acompanham o ritmo da narrativa, transitando entre eletrônico e acústico, rock, pop, MPB, rap, trap e referências sonoras dos anos 1970. A música funciona como extensão do texto, revelando subtextos, impulsionando a ação e alternando entre momentos delicados e grandiosos para contar a trajetória atemporal de Susi e Victor.

Além da protagonista e de sua rival simbólica, o musical apresenta personagens icônicos do universo da boneca, inseridos em situações que equilibram humor e crítica. Ao propor uma experiência lúdica e emocional que costura passado e presente, diversão e reflexão, Susi, o Musical convida o público a revisitar memórias, questionar padrões impostos e reafirmar a autenticidade como valor essencial.

A montagem, que conta com o licenciamento da Estrela, reúne um time de diferentes criadores: Thiago Gimenes, responsável pelas músicas originais; Mara Carvalho e Thiago Gimenes, que assinam as letras; Rubens Oliveira, nas coreografias e direção de movimento; Verônica Valle, no cenário; Deborah Casares e Caia Guimarães, nos figurinos; Marcos Padilha, no visagismo; Aline Santini, no desenho de luz; Gabriel D’Angelo, no desenho de som; Vanessa Veiga, na produção de elenco; Thiago de Los Reyes, na direção executiva; e Andresa Gavioli, na produção executiva.


Serviço
"Susi, o Musical"

Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista / São Paulo
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h00
Temporada: de 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas, às 20h00, sábados e domingos 16h00 e 20h00
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia Entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia Entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114413) ou bilheteria local
Classificação etária: livre
Duração: 90 minutos
Capacidade: 827 lugares

.: Love Story: a biografia não autorizada da boate que marcou a noite paulistana


Durante mais de 20 anos, a Love Story foi um endereço que não cabia em rótulos. Mais do que uma boate, funcionou como ponto de encontro, refúgio momentâneo, lugar de fuga e, para muitos, espaço de pertencimento. Quem atravessava as portas da boate sabia que ali valiam outras regras, ou nenhuma. Agora, essa história ganha registro no livro "A Casa de Todas as Casas. Love Story", biografia não autorizada que se propõe a contar o que raramente ficou registrado sobre um dos símbolos mais controversos e fascinantes da noite de São Paulo.

Escrito pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste, o livro começou a ser elaborado a partir de um convite do empresário Luiz Paulo Fogguetti, personagem conhecido da cena paulistana e profundo conhecedor das memórias do centro da cidade. A proposta, desde o início, era clara: não se tratava de construir uma versão oficial nem de controlar o tom da narrativa. O convite foi justamente o oposto - mergulhar na história da Love Story sem filtros, sem censura e sem compromisso com idealizações.

O resultado é um livro-reportagem que cruza memória, jornalismo e comportamento urbano. A Love Story marcou épocas, costumes e contradições, localizada entre a Boca do Lixo e a Boca do Luxo, zonas que ajudam a entender o tipo de mistura que marcou sua trajetória. A narrativa se constrói a partir de mais de 25 horas de depoimentos. Estão ali artistas, empresários, jornalistas, personagens da noite, frequentadores anônimos e figuras públicas que circularam pela Love Story em momentos distintos, cada um carregando sua própria lembrança daquele espaço.

Os relatos revelam um lugar onde fama e anonimato conviviam de forma quase paradoxal. A atriz Luana Piovani lembra da casa como um raro espaço de liberdade musical e comportamental em meio à padronização da noite paulistana: “O Love era diferente porque tocava todo tipo de música. Era três degraus acima da loucura de qualquer trilha sonora de festa. Ali dava para se divertir de verdade”.

A chef Janaína Torres, hoje referência na gastronomia brasileira, fala da Love Story como um lugar onde hierarquias simplesmente não importavam: “Eu ia à Love para espairecer, dançar. Muitas vezes chegava direto do trabalho, com roupa de cozinheira, toda engordurada. E o tratamento era exatamente o mesmo”. Já a empresária Aritana Maroni associa a boate à mistura real de corpos, desejos e trajetórias: “Ali você entrava e via pessoas famosas escondidas, travestis, gente da noite, todo mundo junto. Era miscigenação de verdade”.

O livro também registra passagens discretas, quase cinematográficas, de figuras internacionais. O ator Chadwick Boseman passou uma noite inteira na Love Story sem ser reconhecido, protegido pelo acordo silencioso de discrição que a casa mantinha com seus frequentadores. O escritor Ari Behn, então marido da princesa Märtha Louise, da Dinamarca, chegou a gravar cenas de um programa europeu dentro da boate.

Essa relação delicada com a fama aparece também nos bastidores. Para preservar a privacidade de quem entrava, seguranças revistavam frequentadores e controlavam rigidamente o uso de câmeras. Alguns artistas, inclusive, evitavam o local com receio de virar pauta de colunas sociais. O cantor Thiaguinho é citado como alguém que preferia ir embora ao perceber que poderia ser exposto.

.: "Comédia Ao Vivo" celebra 20 anos de história e estreia no Teatro BDO Jaraguá


Reconhecido pelo Guinness Book como o show de stand-up comedy há mais tempo em cartaz no mundo, espetáculo inicia nova fase em um dos teatros mais tradicionais de São Paulo

O espetáculo "Comédia Ao Vivo", referência absoluta no humor brasileiro e reconhecido oficialmente pelo Guinness Book como o show de stand-up comedy há mais tempo em cartaz no mundo, celebra 20 anos de trajetória ininterrupta, estreia no Teatro BDO Jaraguá no próximo dia 16 de janeiro, com Luiz França, Marcelo Duque, Diogo Portugal, Maira Santos, Nil Agra e convidados.  A apresentação marca não apenas a chegada a um novo palco, mas também a comemoração de duas décadas de contribuição decisiva para a consolidação do stand-up comedy no Brasil. 

Criado com o objetivo de dar espaço a novos talentos e aproximar o público de um formato ainda pouco conhecido no país, o "Comédia Ao Vivo" rapidamente se transformou em um fenômeno. Ao longo dos anos, o espetáculo revelou grandes nomes do humor nacional, tornando-se uma verdadeira escola para comediantes e uma vitrine permanente para a renovação do gênero. Sua longevidade e relevância o colocam como um dos projetos culturais mais importantes da comédia brasileira. “O 'Comédia Ao Vivo 'é um marco do stand-up comedy, com mais de 20 anos de história, sendo o grupo mais antigo do Brasil e o espetáculo do gênero há mais tempo em cartaz no mundo, e voltar aos palcos de teatro após 18 anos no Teatro Renaissance, agora reestreando no Teatro BDO Jaraguá, é uma emoção imensa e a celebração de uma trajetória histórica”, diz Luiz França. 

A cada edição, o "Comédia Ao Vivo" mantém sua essência: apresentações dinâmicas, textos atuais, improviso e interação direta com a plateia. O formato permite que o espetáculo esteja em constante transformação, acompanhando os costumes, comportamentos e acontecimentos do cotidiano brasileiro, o que garante sua permanente conexão com o público e explica sua impressionante permanência em cartaz por 20 anos. 

A estreia no Teatro BDO Jaraguá, espaço tradicional da cena cultural paulistana, simboliza um novo capítulo nessa trajetória de sucesso. O público poderá assistir a um espetáculo afiado, contemporâneo e irreverente, que celebra o humor como linguagem artística e como ferramenta de reflexão, sem abrir mão da leveza e da diversão. Após a estreia, o show será apresentado toda sexta-feira, às 23h00, no mesmo local. 

Mais do que um show, o "Comédia Ao Vivo "se consolidou como um verdadeiro fenômeno cultural. Ao longo de duas décadas, contribuiu de forma decisiva para a popularização do stand-up comedy no Brasil, ajudando a formar plateias, fortalecer o mercado do humor e abrir caminhos para que o gênero se tornasse um dos mais relevantes do entretenimento nacional. “Voltamos com material novo e com a gravação do 'Desafio Comédia ao Vivo', quadro de grande sucesso no canal, com vídeos que alcançam milhões de visualizações. A proposta segue a mesma: criar piadas semanais a partir dos temas mais quentes da atualidade. A reestreia promete ser em grande estilo, com convidado surpresa”, completa Diogo Portugal. 


Serviço
Espetáculo "Comédia Ao Vivo - 20 Anos"
 
Elenco: com Luiz França, Marcelo Duque, Diogo Portugal, Maira Santos, Nil Agra e convidados
Estreia em 16 de janeiro, às 23h00. O show permanecerá no teatro todas as sextas-feiras, às 23h00.
Teatro BDO Jaraguá - Rua Martins Fontes, 71 - Novotel Jaraguá - Centro / São Paulo
Classificação: livre
Duração: aproximadamente 90 minutos 

.: Vencedor do Globo de Ouro, "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet" estreia


Em um vídeo de bastidores inédito divulgado pela Universal Pictures, a diretora Chloé Zhao comenta o processo de escolha de Paul Mescal e Jessie Buckley para interpretar o casal protagonista de "Hamnet: A Vida Antes de Hamlet", destacando a importância da química entre os atores para dar vida à intensidade emocional da narrativa. Vencedor do Globo de Ouro nas categorias de Melhor Filme de Drama e Melhor Atriz de Drama - prêmio concedido a Jessie Buckley - o longa-metragem estreia nesta quinta-feira, dia 15 de janeiro, na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil. 

No material divulgado, Mescal e Buckley falam sobre a construção da relação em cena, enquanto Zhao revela os bastidores do teste de elenco que selou a escolha da dupla. “Nossa diretora de elenco quis testar a química entre Jessie e Paul. Em segredo, eu torcia para que ele conseguisse criar um espaço seguro para que ela se entregasse completamente. A polaridade entre os dois explodiu diante de mim. Foi muito intenso - e eu soube ali que era a escolha certa”, afirma Zhao no vídeo. 

Inspirado no livro homônimo e premiado de Maggie O’Farrell, o filme foi o grande vencedor do Festival Internacional de Cinema de Toronto, ao conquistar o prêmio do público, e se consolidou como um dos títulos mais comentados da temporada após exibições internacionais. A produção também teve papel de destaque no circuito nacional ao encerrar o Festival do Rio de 2025. Produzido por Steven Spielberg e Sam Mendes, o longa tem roteiro assinado por Maggie O’Farrell em parceria com Chloé Zhao, que também assume a direção. 

No elenco, Paul Mescal, visto recentemente em “Gladiador II”, e Jessie Buckley, elogiada por sua atuação em “Entre Mulheres”, entregam performances amplamente aclamadas pela crítica internacional. A trama acompanha Agnes (Jessie Buckley), esposa de William Shakespeare (Paul Mescal), enquanto enfrenta o luto devastador pela perda do filho Hamnet. Com delicadeza e profundidade emocional, o filme reflete sobre a dor, a memória e a capacidade humana de ressignificar a perda, ao mesmo tempo em que lança luz sobre o contexto íntimo que teria influenciado a criação de “Hamlet”, a obra mais célebre do dramaturgo inglês.

Ficha técnica
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” | “Hamnet”
Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não.

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Cineflix Miramar | Santos
De 15 a 21 de janeiro | Sessões legendadas | 18h20 e 20h55 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: “O Diário de Pilar na Amazônia” leva a infância brasileira ao coração da floresta


A estreia de “O Diário de Pilar na Amazônia” marca um movimento raro e bem-vindo no cinema infantil brasileiro: o de tratar a infância como espaço de imaginação, mas também de escuta e responsabilidade. Adaptado da obra consagrada de Flávia Lins e Silva, o filme chega à Rede Cineflix e aos cinemas em 15 de janeiro apostando numa aventura que combina fantasia, educação ambiental e identidade cultural sem subestimar a inteligência do público jovem — nem a dos adultos que acompanham a sessão.

Primeiro live-action da personagem criada há mais de 25 anos, Pilar ganha vida na interpretação de Lina Flor, que sustenta com naturalidade a curiosidade e a coragem da menina que atravessa a Amazônia a partir de uma rede mágica herdada do avô. Ao lado de Breno (Miguel Soares) e do inseparável gato Simba, ela encontra Maiara (Sophia Ataíde), ribeirinha cuja comunidade foi destruída, e Bira (Thúlio Naab), menino da região. A jornada que se inicia como brincadeira se transforma em missão: reencontrar a família de Maiara e enfrentar forças que ameaçam a floresta.

Dirigido por Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put, com roteiro assinado por João Costa Van Hombeeck em parceria com a própria Flávia Lins e Silva, o longa equilibra ritmo narrativo e delicadeza temática. A Amazônia não aparece como pano de fundo exótico, mas como personagem viva, filmada em locações reais no Pará e no Amazonas, como Alter do Chão, Ilha do Combú e o Alto Rio Negro. A opção por cenários naturais reforça o discurso ambiental do filme e confere autenticidade à experiência visual.

O elenco adulto amplia o alcance do projeto. Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Rafael Saraiva e Babu Santana formam um quarteto de vilões caricatos, que flertam com o humor sem esvaziar o conflito central. Nanda Costa vive a mãe jornalista de Pilar, papel que dialoga diretamente com a proposta do filme ao associar informação, ética e responsabilidade social. Roberto Bomtempo, como o avô Pedro, oferece o lastro afetivo que sustenta a fantasia.

Outro acerto está na incorporação do folclore brasileiro à narrativa. Curupira, boto-cor-de-rosa e Iara surgem como forças simbólicas de proteção e memória, conectando crianças urbanas a um imaginário frequentemente relegado aos livros didáticos. Nesse sentido, o filme se alinha a uma tradição de obras que entendem o audiovisual infantil como ferramenta de formação cultural. Produzido pela Conspiração, com coprodução e distribuição da The Walt Disney Company no Brasil, “O Diário de Pilar na Amazônia” chega às telas num momento estratégico: as férias escolares.

Ficha técnica
“O Diário de Pilar na Amazônia” (título original)

Gênero: aventura, drama, família. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: português. Direção: Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Roteiro: João Costa Van Hombeeck e Flávia Lins e Silva. Elenco: Lina Flor, Miguel Soares, Sophia Ataíde, Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Babu Santana, Nanda Costa, Roberto Bomtempo. Distribuição no Brasil: The Walt Disney Company Brasil. Duração: 90 minutos. Cenas pós-créditos: não.

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De 15 a 21 de janeiro | Sessões dubladas | 16h20 
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