domingo, 19 de abril de 2026

.: As "Antologias Mínimas" de Fernando Pessoa, lançadas pela Tinta-da-China


Organizadas por Jerónimo Pizarro, a novidade da Coleção Pessoa da editora Tinta-da-China Brasil inclui dois livros de bolso e uma caderneta mínima para o leitor escrever sua própria antologia

No dia 5 de maio celebra-se o Dia Mundial da Língua Portuguesa — e Fernando Pessoa, maior elo literário entre Portugal e o mundo contemporâneo, é um dos nomes que conferem peso e sentido à comemoração. Pessoa publicou pouco em vida, mas deixou uma quantidade gigantesca de textos em verso e prosa que foram e seguem sendo organizados, editados e lançados graças ao trabalho paciente dos estudiosos e a novas descobertas que vieram a público a partir de seu espólio continuamente revisitado.

É desse movimento que nascem as "Antologias Mínimas: Prosa e Poesia", publicadas pela Tinta-da-China Brasil e organizadas por Jerónimo Pizarro, o maior especialista nos manuscritos do escritor português e o responsável pela Coleção Pessoa na editora no Brasil e em Portugal. Com uma seleção significativa e enxuta de sua poesia e uma coletânea reveladora de sua prosa, o lançamento promove um encontro completo com Pessoa. Os volumes estão disponíveis separadamente e também em kit especial, que tem como brinde uma caderneta para estimular o leitor a criar sua própria antologia mínima.

Em formato de bolso e com grafia atualizada, as Antologias mínimas reforçam o projeto da casa editorial de trazer ao público edições caprichadas da obra pessoana, enriquecidas com fotografias e fac-símiles, além de materiais inéditos.  Só em 2025, por exemplo, quando se completaram noventa anos da morte de Pessoa, a coleção dirigida por Pizarro  ganhou dois títulos importantes - "Cartas de Amor" e "Obra Completa de Ricardo Reis" - somando-se a outros, como "Livro do Desassossego", "136 Pessoas de Pessoa", "Obra Completa de Álvaro de Campos" e "Obra Completa de Alberto Caeiro". Nas palavras do organizador da coleção: “Pessoa sempre foi pessoas e cada vez mais. Quão crescentemente múltiplo não será...”Compre as "Antologias Mínimas: Prosa e Poesia", de Fernando Pessoa, neste link.


"Antologia Mínima: Poesia"
Durante décadas, muitos dos poemas de Pessoa ficaram dispersos em arquivos ou soterrados entre papéis ainda por decifrar, o que tornava quase impossível propor uma seleção abrangente. Antologia mínima: poesia surge agora não como uma coletânea definitiva, mas como uma contribuição para o diálogo constante que se estabelece, geração após geração, entre os versos de Pessoa e seus leitores.

É complexa a tarefa de selecionar poemas de um autor que se desdobrou em vozes e heterônimos. Pessoa deixou planos editoriais, listas e projetos, mas também uma infinidade de versões e manuscritos que demandam escolhas delicadas. Optar por um texto em detrimento de outro, decidir entre variantes, incluir ou excluir determinados poemas — tudo isso faz parte do trabalho silencioso de quem edita. Ao lado dos textos, esta antologia apresenta fac-símiles que revelam detalhes preciosos: notas marginais ou até outros escritos que dividem o mesmo papel. É uma forma de partilhar o gosto pelo arquivo e de mostrar ao leitor os bastidores da obra.

O livro se divide em cinco partes. Na primeira, há poemas assinados pelo próprio Pessoa, enquanto a segunda, a terceira e a quarta são reservadas à poesia de seus três heterônimos principais: Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. A última parte da antologia inclui poemas assinados por autores fictícios, ou seja, uma pequena amostra dos mais de cem nomes inventados por Pessoa, como Dr. Pancrácio, Vicente Guedes, Charles Robert Anon, Alexander Search e Joaquim Moura-Costa.

Mais do que uma simples reunião de poemas, "Antologia Mínima: Poesia" é um convite à leitura para públicos diversos, tanto para quem deseja um primeiro contato com a poesia pessoana quanto para os que já a conhecem e desejam redescobri-la sob novos ângulos. É também uma chamada aos estudantes e aos “amadores” da poesia, no sentido mais nobre da palavra: aqueles que se deixam surpreender e que continuam a aprender e se admirar com cada verso.

Assim, esta antologia se inscreve numa tradição de leituras e releituras que jamais se esgotam. Pessoa foi sempre múltiplo, e cada nova seleta confirma sua incessante capacidade de reinvenção. Entre poemas consagrados — como “Autopsicografia” e “Ode marítima” — e joias menos difundidas, o leitor encontrará um testemunho da riqueza e da pluralidade de um dos maiores poetas do século XX.


"Antologia Mínima: Prosa"
Fernando Pessoa é celebrado especialmente como poeta, mas a maior parte de seu espólio está em prosa — e a Tinta-da-China Brasil traz um panorama dessa produção menos visível em Antologia mínima: prosa. Além de ficções breves e de excertos do incontornável Livro do desassossego, a seleção reúne escritos sociopolíticos, filosóficos, esotéricos, epistolares e teóricos, somando-se ainda notas e apontamentos que revelam um pensamento em constante atividade. Pessoa se aventurou também fora dos limites de sua língua nativa, escrevendo textos em inglês e francês que aqui são acompanhados de tradução. 

Reunir em antologia esse material vasto e heterogêneo significa lidar com escolhas nem sempre fáceis, em meio a versões múltiplas, fragmentos que se repetem e esboços que depois se desenvolvem em escritos mais longos. O resultado é inevitavelmente parcial, mas também revelador: cada seleção abre novas possibilidades de leitura e redescoberta.

"Antologia Mínima: Prosa" também se divide em cinco partes: a primeira é reservada a textos assinados pelo próprio Pessoa, enquanto a segunda, a terceira e a quarta contêm material dos três heterônimos mais conhecidos do escritor. A quinta parte, intitulada “E outros”, destina-se a produções textuais atribuídas a alguns dos tantos nomes inventados por Pessoa — como Horace James Faber, Charles Robert Anon, Jean Seul de Méluret, Sr. Pantaleão e Raphael Baldaya — que, embora não tenham alcançado o status de heterônimos, ganharam existência literária por meio daquilo que supostamente escreveram.

Entre os textos escolhidos por Pizarro estão páginas conhecidas, como a carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a origem dos heterônimos, mas também peças mais leves e divertidas — aforismos, contos, cartas a Ofélia — e algumas preciosidades que podem surpreender até leitores experientes, como a hilariante “Crônica Decorativa”.

Há espaço também para a própria reflexão de Pessoa sobre os limites entre poesia e prosa. Em textos críticos e teóricos, o autor discute as diferenças entre as duas formas da palavra escrita, ora aproximando-as, ora sublinhando suas especificidades. Essa dimensão metalinguística aponta a natureza experimental da obra pessoana e mostra como o escritor se pensava tanto poeta quanto prosador. Nas palavras de Pizarro no prefácio da edição, “se há mais antologias de sua obra em verso do que da sua obra em prosa é simplesmente porque os críticos costumam privilegiar os poetas em detrimento dos prosadores”.

Sem a pretensão de delimitar um corpus definitivo, "Antologia Mínima: Prosa" é um convite à descoberta. Ao lado de textos consagrados, o livro apresenta páginas que permitem “desaprender Pessoa”, para citar Alberto Caeiro, e reencontrar sua obra com o frescor da primeira leitura.


Fernando Pessoa
Fernando Pessoa (1888‑1935)
é hoje o principal elo literário de Portugal com o mundo. Sua obra em verso e em prosa é a mais plural que se possa imaginar, pois tem múltiplas facetas, materializa inúmeros interesses e representa um autêntico patrimônio coletivo: do autor, das diversas figuras autorais inventadas por ele e dos leitores. Algumas dessas personagens - Alberto Caeiro, Ricardo Reis e Álvaro de Campos - Pessoa denominou “heterônimos”, reservando a designação de “ortônimo” para si próprio. Diretor e colaborador de várias revistas literárias, autor do "Livro do Desassossego" e, no dia a dia, “correspondente estrangeiro em casas comerciais”, Pessoa deixou uma obra universal em três línguas que continua a ser editada e estudada desde que escreveu, antes de morrer, em Lisboa, “I know not what tomorrow will bring” [“Não sei o que o amanhã trará”].


Jerónimo Pizarro
Professor, tradutor, crítico e editor, Jerónimo Pizarro é o responsável pela maior parte das novas edições e novas séries de textos de Fernando Pessoa publicadas em Portugal desde 2006. Professor da Universidade dos Andes, titular da Cátedra de Estudos Portugueses do Instituto Camões na Colômbia e prêmio Eduardo Lourenço (2013), Pizarro voltou a abrir as arcas pessoanas e redescobriu a “biblioteca particular de Fernando Pessoa”, para utilizar o título de um dos livros da sua bibliografia. Foi o comissário da visita de Portugal à Feira Internacional do Livro de Bogotá (Filbo) e à Festa do Livro e da Cultura de Medellín, e coordena há vários anos a visita de escritores de língua portuguesa à Colômbia. Coeditor da revista Pessoa Plural, assíduo organizador de colóquios e exposições, dirige atualmente a Coleção Pessoa na Tinta‑da‑China no Brasil e em Portugal.


Sobre a Tinta-da-China Brasil
A Tinta-da-China Brasil foi fundada em 2012, no Rio de Janeiro, por Bárbara Bulhosa, para trazer ao país a excelência da casa fundada em 2005 em Lisboa. Em 2022, a editora brasileira passou para os cuidados da Associação Quatro Cinco Um, em São Paulo, organização sem fins lucrativos voltada para a difusão do livro no Brasil, que deu prosseguimento ao projeto editorial, concentrado nos eixos de literatura, história e ciência, com desvios pelo humor, jornalismo, quadrinhos e crítica literária.

.: O caso do ônibus 911, e por que errar, às vezes, pode valer a pena


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.


Calma, agora não tem mais jeito. Vamos relaxar e olhar a paisagem  — foi o que disse a avó à neta e ao bisneto, ao perceberem que estavam no ônibus errado.

Era uma viagem curta e a intenção era utilizar apenas uma linha de ônibus. Mas devido a distrações, embarcaram no ônibus errado, o que provocou um nervosismo hostil na neta, que bradava a todos uma insatisfação modorrenta:

Vó, não fala comigo que não tô pra conversa! Já não sei mais o que fazer.

E a velhinha insistia, com uma doçura de dar inveja:

Se o ônibus mudou a placa, que culpa temos nós? Pergunta ao chofer se ele vai voltar por São Vicente, que aí ficamos nesse ônibus mesmo. Vamos aproveitar para conhecer mais um lugar.

E a viagem transcorreu daquele jeito: a jovem nervosa e áspera em suas palavras torturantes; a velhinha, serena como uma criança que acaba de nascer. Era possível ler em seu semblante — mesmo estando com a saúde debilitada — a alegria de que desfrutava, brotada de um erro. Já a neta, em plena saúde, apresentava um rosto obscuro por causa do erro causador do fatal atraso.

O bisneto assistia a tudo. Em alguns momentos até tentou intervir, questionando sobre o itinerário que o coletivo estava tomando, mas era prontamente interrompido pela inteligência da mãe, que o inibia peremptoriamente.

No fim das contas, desceram em Cubatão, onde tomaram outra condução, que os deixaria no lugar de destino.

No ônibus, permaneceu a saudade da senhorinha.

E o bisneto, como será? Está entre a cruz a espada. Tomara que se pareça mais com a bisavó.

.: Comédia jovem "A.M.I.G.A.S." retorna a São Paulo a partir de 1º de maio


Ernesto Piccolo dirige texto de Duda Ribeiro adaptado por Julia Iorio, Luiza Lewicki e Isabel Castello Branco, numa montagem que transpõe afetos da vida real para o palco. A produção é de Joana Motta. Foto: Paulo Aragon

Sucesso de público a comédia "A.M.I.G.A.S.", criada para para o público jovem e adulto a partir no livro homônimo de Cláudia Mello, retorna a São Paulo para uma temporada de  1º a 31 de maio no Teatro Sabesp Frei Caneca, com apresentações às sextas e sábados às 20h00 e domingos às 19h00 (uma sessão acontece no dia 28 de maio às 20h00), O patrocínio é da Bradesco Seguros. A história gira em torno das amigas Aline, Dil e Dadá, com seus encontros e desencontros amorosos, suas expectativas nas relações, suas frustrações e seus desejos. Julia Iorio, Leticia Braga e Isabel Castello Branco interpretam essas personagens que criam a Associação das Mulheres Interessadas em Gargalhadas, Amor e Sexo. 

Para contracenar com o elenco feminino, o ator Bernardo Coimbra dá vida a vinte personagens diferentes no decorrer das cenas. Na montagem anterior, quem se desdobrava em diversos papéis era Ernesto Piccolo, diretor da montagem atual. A primeira montagem desse texto aconteceu há 26 anos com grande sucesso de público. A ideia de remontá-lo surgiu em 2025, motivada pelo encontro do diretor com Julia Iorio, filha do autor Duda Ribeiro, que faleceu em 2016. Essa reunião foi o impulso que faltava para viabilizar o sonho que ela tinha desde os 10 anos, quando assistia à fita da peça na casa do pai. 

Assim, Iório convidou suas amigas Isabel Castello Branco, filha de Maneco Quinderé (que também esteve na primeira versão da peça), e Luiza Lewicki para adaptar o texto para os nossos dias. Também foi convidada ao projeto a produtora Joana Motta, que, assim como o diretor, era muito amiga do autor. “O teatro é feito de equipe, então é muito legal, 26 anos depois, trabalhar com os filhos dos parceiros da primeira equipe. Julia, Luiza e Isabel são três meninas cheias de gás, de energia, muito criativas, que adaptaram o texto brilhantemente para os tempos modernos, mais o Bernardo arrebentando com suas várias personagens. Ando me divertindo muito. Tá sendo feito com amor”, diz o encenador.

Além da direção e da produção ficarem a cargo de profissionais experientes, o design de luz assinado por Quinderé e Ronald Teixeira, que também integrou a equipe anterior. Já os figurinos são assinados por Antonio Rocha; a programação visual e cenografia, por Antonia Motta; e a direção de movimento, por Julia Varga e Marcela Pires. O sucesso total de público na nova montagem de "A.M.I.G.A.S." garantiu outras temporadas no ano passado , e tanto Julia Iorio quanto Bernardo Coimbra foram indicados ao Prêmio FITA 2025 (Festa Internacional de Teatro de Angra), na categoria Ator Revelação. Bernardo foi o vencedor do prêmio. "A.M.I.G.A.S." é uma peça leve que promete divertir o público e que ressalta sobretudo, a amizade, com todas as dores, delícias, confusões e intensidades presentes nessa relação afetiva que desafia o tempo.


Ficha técnica
Espetáculo "A.M.I.G.A.S." 
Baseado no livro de Cláudia Mello
Elenco: Isabel Castello Branco, Julia Iorio, Leticia Braga e Bernardo Coimbra
Texto: Duda Ribeiro
Adaptação: Julia Iorio, Luiza Lewicki e Isabel Castello Branco
Direção: Ernesto Piccolo
Desenho de luz: Maneco Quinderé
Cenografia: Antonia Motta
Figurino 1ª temporada: Helena Araujo
Figurino: Antonio Rocha
Trilha musical: Rodrigo Penna
Stand in meninas: Carolina Matos
Assistência de direção: João Maia P
Assistência de cenografia: Felipe Loureiro
Supervisão e consultoria técnica de cenografia: Ronald Teixeira
Direção de movimento: Julia Varga e Marcela Pires
Programação visual: Antonia Motta
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Social media: Agência Nuah
Assistente administrativo: Marilene Teixeira
Controller - Físico Financeiro: Mariana Teixeira
Jurídico: Joaquim Motta
Fotos: Paulo Aragon
Produção geral: Joana Motta
Assistência de produção: Bels Ferrari


Serviço
Espetáculo "A.M.I.G.A.S."
Temporada: de 1° até 31 de maio - sextas e sábados às 20h00 e domingos às 19h00, com uma sessão extra na quinta dia 28 de maio, às 20h00.
Teatro SABESP Frei Caneca - Rua Frei Caneca, 569 - Consolação, São Paulo (dentro do Shopping Frei Caneca, 7º andar).
Ingressos: plateia baixa - R$150 (inteira), R$75 (meia-entrada); plateia - R$140 (inteira), R$70 (meia-entrada).
Venda on-line: https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/amigas-15904
Bilheteria: de terça a sexta-feira, das 12h00 às 15h00 e das 16h00 às 19h00; aos sábados, domingos e feriados, das 14h00 às 20h00. Em dias de evento, a bilheteria permanece aberta até 30 minutos após o início do espetáculo.
Duração: 80 minutos
Gênero: comédia
Classificação indicativa: 16 anos
Capacidade: 600 lugares
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Documentário sobre Quentin Tarantino retorna ao universo pessoal do diretor


Filme analisa construção da obra de Tarantino a partir de sua intimidade. Foto:Divulgação/Curta!

Existe o mundo real e existe o mundo de Quentin Tarantino. Assim seu biógrafo, Wensley Clarkson, define o cineasta, um dos mais celebrados e importantes do cinema contemporâneo. O documentário inédito “Escrito e Dirigido Por Quentin Tarantino”, que estreia com exclusividade no Curta!, explora esse universo ao analisar seus filmes a partir da sua vida. O filme está disponível no CurtaOn – Clube de Documentários. O documentário de France Swimberge apresenta um retrato da intimidade de Tarantino, realizador de obras que marcaram época e se tornaram cultuadas no universo pop. Com imagens de arquivo, depoimentos inéditos de personalidades como os diretores de arte David e Sandy Reynolds-Wasco, e entrevistas recuperadas do diretor, a produção evidencia como ele criou algumas das produções mais singulares do cinema moderno a partir de suas experiências pessoais.

“Acho que Tarantino viu mais filmes do que qualquer pessoa no mundo. Sua cultura e sua memória cinematográfica são uma coisa de louco. Essa é a sua riqueza, seu mundo”, exalta o diretor e ex-assistente do cineasta, Ziad Doueiri. Além de espectador inveterado, Tarantino é um observador atento do cotidiano. Suas memórias afetivas chegam à audiência, entre outros caminhos, por personagens complexos, convincentes e carismáticos inspirados na vida real.

Da figura de sua mãe, que o criou sozinha, desenhou suas personagens mulheres fortes e resilientes, como Shoshanna, de “Bastardos Inglórios”, e a noiva Beatrix Kiddo, protagonista de “Kill Bill”. O documentário mostra como o diretor também insere nas suas ficções fragmentos da realidade para expiar dores e traumas históricos, como fez em “Django Livre”. “Eu queria ir para o período mais sombrio da história dos Estados Unidos. Sem dúvida, o maior pecado já cometido nesse país e pelo qual pagamos até hoje. Eu queria situar a audiência moderna no Sul dos EUA pré-abolição para que vissem como era o país naquele período”, conta o cineasta em depoimento de arquivo.

A produção ressalta, ao visitar lugares que viriam a se tornar cenários de seus filmes, a importância que a cidade de Los Angeles tem em suas obras, fascínio que vem da infância. A ela, se uniu a experiência da juventude, num período de intensa produção artística, movida pela contracultura dos anos 70. “Eu adoro que ele faz vários tributos em seus filmes. Não só na cena, mas até mesmo no plano de fundo da filmagem. Adoro ver isso nos filmes dele”, elogia o amigo e ator Craig Hamman.

“Escrito e Dirigido Por Quentin Tarantino” é uma produção da ARTE France. O filme pode ser visto no CurtaOn – Clube de Documentários, disponível no Prime Video Channels, da Amazon, na Claro tv+ e no site oficial (CurtaOn.com.br).A estreia no canal é no dia temático Quartas de Cena & Cinema, 22 de abril, às 21h30.

.: Zayn lança o quinto álbum de estúdio, “Konnakol”, com o single “Side Effects”


Cantor fará participações no "The Tonight Show Starring Jimmy Fallon", em 21 de abril, e no "The Drew Barrymore Show", no dia 23 de abril. Foto: Nabil Elderkin. Foto: Nabil Elderkin


O artista multiplatinado, compositor, produtor e filantropo Zayn lança hoje seu aguardado quinto álbum de estúdio, “Konnakol”, pela Mercury Records. A versão física do álbum já está disponível para pré-venda na UMusic Store. “Konnakol” é o projeto mais culturalmente inspirado de Zayn até hoje. Embora ele sempre tenha incorporado em sua música tradições vocais e rítmicas do sul da Ásia, aqui essas influências ganham ainda mais destaque. O álbum, com forte pegada pop, expande o som que os fãs conheceram em seu álbum de estreia recordista, “Mind of Mine”. O disco foi coproduzido por ZAYN ao lado de Malay (Frank Ocean, Lorde), com quem o cantor já havia trabalhado em “Mind of Mine” e “Icarus Falls”. O leopardo-das-neves, um símbolo profundo no sul da Ásia, presente na capa do álbum, representa o quanto sua herança cultural inspirou o projeto.

O álbum de 15 faixas é precedido pelo single principal “Die For Me” e por “Sideways”, uma faixa de pop R&B atmosférico impulsionada pelo falsete característico de Zayn. A faixa de abertura, “Nusrat”, uma homenagem ao músico paquistanês Nusrat Fateh Ali Khan, funciona como o eixo criativo de “Konnakol”, definindo a experimentação vocal e a direção sonora do álbum. O single mais recente, “Side Effects”, aposta em um pop R&B elegante e radiofônico, combinando sintetizadores suaves com seu falsete marcante enquanto explora as complexidades do amor e da devoção. “Fatal” traz uma energia mais voltada para a dança, pensada para apresentações ao vivo, com linhas de baixo vibrantes e um ritmo contagiante, enquanto “Breathe” oferece um momento mais suave e atmosférico. Lista completa de faixas abaixo.

Para promover o lançamento, Zayn fará sua primeira entrevista em um talk show noturno, acompanhada de uma performance no programa “The Tonight Show Starring Jimmy Fallon”, em 21 de abril, seguida por uma participação no “The Drew Barrymore Show”, em 23 de abril. Ele também iniciou a semana de lançamento estampando a capa da ELLE India, destacando a influência cultural global por trás do álbum.

Zayn dará início à sua maior turnê solo até hoje, a “The Konnakol Tour”, em 12 de maio de 2026, em Manchester, no Reino Unido. A turnê passará por grandes cidades ao redor do mundo, incluindo Londres, Los Angeles, Cidade do México, São Paulo e outras, antes de encerrar em 20 de novembro, em Miami, no Kaseya Center. No início deste ano, Zayn concluiu sua primeira residência em Las Vegas, onde apresentou e antecipou músicas inéditas de “Konnakol”. A revista Variety elogiou sua performance: “ele entregou vocais impecáveis, seu falsete característico e uma presença de palco visivelmente mais forte do que em sua última turnê”.

O álbum chega após o aclamado álbum “Room Under the Stairs” (2024), seguido por sua primeira turnê solo pelos Estados Unidos, Reino Unido e México. Recentemente, ele colaborou com Jisoo, do Blackpink, em “Eyes Closed”, que recebeu uma indicação ao iHeartRadio Music Awards 2026 na categoria Colaboração K-Pop Favorita e teve grande impacto global - estreando em #10 na Billboard Global Excl. U.S. (43,9 milhões de streams na primeira semana), #72 na Billboard Hot 100 dos EUA, #21 no Spotify Global e alcançando o topo do iTunes em mais de 40 países.

Lista de faixas de “Konnakol”:
1. Nusrat
2. Betting Folk
3. Used to the Blues
4. Sideways
5. 5th Element
6. Prayers
7. Side Effects
8. Met Tonight
9. Fatal
10. Take Turns
11. Blooming
12. Like I have you
13. Loving The Way I Do
14. Breathe
15. Die For Me

.: Café Filosófico CPFL debate incertezas políticas e saúde mental


Miriam Debieux Rosa abordará os efeitos das tensões sociais e políticas na saúde mental | Foto: acervo pessoal

Em um mundo atravessado por instabilidades políticas, conflitos armados, radicalizações e ameaças a direitos, os impactos dessas tensões já não se limitam ao campo institucional, mas reverberam diretamente na saúde mental e nas formas de convivência. É a partir desse cenário que o Café Filosófico CPFL recebe a psicanalista Miriam Debieux Rosa para discutir o tema “Psicanálise e Democracia: a Sustentação do Laço Social em Contraposição às Distopias”. 

O encontro integra o módulo dedicado aos dilemas contemporâneos da saúde mental e propõe uma reflexão sobre como o imaginário distópico, marcado pela sensação de um mundo sem futuro, vem impactando a subjetividade e o cotidiano das pessoas. Com entrada gratuita, a gravação será realizada na próxima quinta-feira, dia 23 de abril, às 19h00, na sede do Instituto CPFL, em Campinas, com transmissão ao vivo pelo canal do programa no YouTube.

Ao abordar temas como guerras, destruição ambiental, ataques a direitos e a intensificação de discursos de ódio, Miriam analisa como essas dinâmicas alimentam uma lógica de ruptura dos laços coletivos e fragilizam a vida em comum. Segundo ela, esse processo tem efeitos subjetivos importantes, como desmobilização, isolamento e dificuldade de sustentar vínculos sociais e afetivos. “Quando a lógica da guerra e da destruição se impõe como forma de organização social, os laços coletivos se fragilizam e o outro passa a ser visto como ameaça. Isso produz desamparo, angústia e, muitas vezes, retração da vida social”, afirma a psicanalista.

Ao longo do encontro, a psicanalista também propõe uma reflexão sobre estratégias de resistência frente às formas contemporâneas de dominação, articuladas a estruturas como patriarcado, colonialidade e capitalismo. Nesse contexto, a democracia é apontada como um horizonte possível para a reconstrução dos laços sociais. “A democracia não elimina os conflitos, mas cria condições para que possamos sustentá-los sem recorrer à eliminação do outro. É nesse espaço de tensão, negociação e construção coletiva que se torna possível reinstaurar um horizonte comum”, analisa.


Sobre a palestrante
Miriam Debieux Rosa
é psicanalista e professora titular do Instituto de Psicologia da USP, onde coordena o Laboratório Psicanálise, Sociedade e Política (PSOPOL) e o Grupo Veredas, voltado aos estudos sobre psicanálise e imigração. Com pós-doutorado pela Université Paris Diderot (Paris 7), na França, desenvolve pesquisas sobre a dimensão sociopolítica do sofrimento, violência, migração e construção do laço social na contemporaneidade. Foi pró-reitora adjunta para Inclusão e Pertencimento da USP (2022–2025) e é autora e organizadora de diversas obras na área, com destaque para A clínica psicanalítica face ao sofrimento sociopolítico, vencedor do Prêmio Jabuti em 2017, além de Histórias que não se contam e As escritas do ódio, entre outros títulos.


Ambiente inspirador de troca e aprendizado
O Café Filosófico CPFL traz uma nova identidade visual e artística, incluindo cenário, para acompanhar a renovação do formato, que passa a ter a nova apresentadora, Tainá Müller, interagindo com os convidados e a plateia. O espaço do Café, na sede do Instituto CPFL, em Campinas, oferece uma atmosfera convidativa e aconchegante, onde cada detalhe é pensado para proporcionar uma experiência prazerosa. É possível tirar fotos em todos os lugares, incluindo o novo cenário. O local possui climatização e é acessível a pessoas com deficiência, além de contar com intérpretes de Libras para garantir a participação de todos. Há, ainda, um serviço de alimentação com cardápio de comidas e bebidas para consumo no local.

Após a gravação e exibição ao vivo, as palestras ganham uma versão editada que é exibida na TV Cultura, aos domingos, às 20h (com reprises às quartas, à 01h) e, posteriormente, disponibilizadas no YouTube. Vale destacar que os episódios transmitidos pela TV não correspondem necessariamente às gravações feitas durante a semana.


Serviço
Gravação Café Filosófico CPFL, com Miriam Debieux Rosa, psicanalista

Dia 23 de abril, quinta-feira, às 19h00
Instituto CPFL - Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1632 - Chácara Primavera, Campinas/SP
Entrada: gratuita, por ordem de chegada, a partir das 18h00
Participação on-line: canal do Café no YouTube

sexta-feira, 17 de abril de 2026

.: Crítica musical: Dino Galvão Bueno lança álbum autoral


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Bruno Conrado

O violonista, compositor e letrista Dino Galvão Bueno, um dos pilares da Bossa Nova paulista, lança o álbum autoral "Falando de Amigos" nas plataformas digitais de música,. Aos 83 anos, o artista celebra seis décadas de trajetória com canções compostas ao longo da carreira.

Com direção musical e arranjos de Ricardo Barros e direção artística de Anita Galvão Bueno, "Falando de Amigos" faz uma travessia musical pela memória afetiva e artística de Dino Galvão Bueno, que transita por estilos como samba-canção, bolero, valsa, bossa e frevo-canção. E traz parcerias com Theo de Barros, Daltony Nóbrega, Cau Pimentel, Edgard Poças, Adylson Godoy e J. Petrolino, amigos e importantes artistas da cena paulistana e brasileira.

O álbum também tem participações de músicos convidados, virtuoses como o maestro e pianista Nelson Ayres (que toca piano e assina o arranjo da canção “Estrela Guia”), o clarinetista israelense Oran Etkin, o trombonista Jaziel Gomes, o saxofonista Anderson Quevedo e o trompetista Diogo Duarte, além de Anita Galvão Bueno (filha de Dino, que canta em duas faixas) e a netinha Violeta Galvão Bueno (na faixa em sua homenagem). O time se completa com a banda base das gravações, formada por Ricardo Barros (violão), Paula Valente (flauta e sax), Mauricio Orsolini (piano), Daniel Amorin (contrabaixo) e André Kurchal (bateria e percussão), que acompanha Dino desde 2024.

Cada canção acende uma lembrança. Cada história ilumina um pedaço do mapa sonoro da vivência, do trabalho e dos afetos de Dino. O choro-canção que dá nome ao álbum, “Falando de Amigos” (Dino Galvão Bueno e Daltony Nóbrega), abre o repertório com participação de Oran Etkin no quarteto de clarinetes e clarone. Dino a compôs essa bossa em homenagem ao amigo Carlos Lyra (1933-2023). Posteriormente ganhou letra de Daltony, estendendo essa homenagem aos demais amigos e parceiros do compositor.

A valsa “Até Quando?” (Dino Galvão Bueno e Theo de Barros), segunda parceria entre Dino e Theo, gravada também no primeiro disco de Dino, Mestre Navegador, vem com a banda base completa no arranjo - violão, sopros, piano, baixo e bateria. Seguindo, “Todos os Cantos” (Dino Galvão Bueno e Daltony Nóbrega), é um samba cuja letra foi inspirada no cambacica, passarinho cuja figura também ilustra a capa do álbum. A faixa é interpretada por Anita Galvão Bueno, filha de Dino.

A quarta composição é o bolero “Pedaço Pior” (Dino Galvão Bueno), com letra carregada de sentimentos e dores de amores, também registrada no primeiro disco do autor. O arranjo potencializa o tema com solo de Paula Valente no sax soprano e a marcação cadenciada do bongô de Kurchal. Na sequência, “Versos de Amor” (Dino Galvão Bueno e Cau Pimentel) é uma canção romântica, cuja nostalgia ganha tons nas teclas do piano Orsolini.

Um momento afetuoso do disco está no medley “Violeta” (Dino Galvão Bueno e Edgard Poças) e “Cantiga para Violeta” (Dino Galvão Bueno e Sergio Lima), composições que Dino fez para sua netinha Violeta Galvão Bueno, que também participa da faixa. A primeira é uma cantiga de ninar, em tom camerístico, que deságua na segunda, uma valsa-jazz com arranjo mais pesado, tendo toda a banda na execução.

A sétima composição é a bossa nova “Quando o Amor Chegar” (Dino Galvão Bueno e Sergio Augusto). O arranjo limpo, minimalista, tem destaque para a percussão de Kurchal e para o nipe de flautas de Paula Valente. Esta é a única faixa em que Dino Galvão Bueno toca violão, além de interpretar. “Estrela Guia” (Dino Galvão Bueno e Adylson Godoy) é uma composição de Dino, criada ao piano, para sua esposa Vera, que desejava ouvi-la um dia sendo tocada pelo pianista Nelson Ayres. Esta é uma das três faixas não inéditas do trabalho, sendo já gravada no álbum Notas Brasileiras, de Adylson Godoy, Dino Galvão Bueno e Theo de Barros & Filhos, em 2023.

 A penúltima faixa, “Sob a Luz do Neon” (Dino Galvão Bueno e Daltony Nóbrega), canta e poetiza o brilho da vida; é um envolvente bolero que, no final, faz referência ao chileno Lucho Gatica (O Rei do Bolero). Fechando Falando de Amigos, “Bloco de Tudo” (Dino Galvão Bueno e J. Petrolino) é um frevo-canção de melodia marcante no qual Dino divide a interpretação com Anita Galvão Bueno. O arranjo traz o clima autêntico do frevo pernambucano com performances brilhantes de Jaziel Gomes, Anderson Quevedo e Diogo Duarte nos sopros, Destaque também para o sax de Paula Valente, fechando o naipe de metais.

"Falando de Amigos" é mais do que um simples disco autoral.  Mostra com clareza a riqueza poética e melódica da obra de Dino Galvão Bueno, que merece ser ouvida pelos amantes da boa música popular brasileira.

"Falando de Amigos"

 
"Quando o Amor Chegar"

"Estrela Guia"

.: #VivoLendo: "Rolidei - Histórias e Boatos Que Vivi Por Lá"


"Que sejamos livres, loucos, leves e felizes."

Primorosa edição comemorativa aos vinte três anos de intensa atividade criativa, cultural e terapêutica da troupe Coletivo TAMTAM. A partir de sua oca artística localizada no Café Teatro Rodidei, no Terceiro Piso do Teatro Braz Cubas, o grupo desenvolve um louvável trabalho de união entre inúmeras manifestações de arte e de terapias no intuito de inclusão, convivência e pertencimento. Agregando um vasto espectro de indivíduos, o projeto destaca-se no cenário nacional desde o aparecimento da icônica Rádio Tamtam, criada por Renato Di Renzo na Casa de Saúde Anchieta no final dos anos oitenta. Dando voz e espaço criativo aos internos da instituição o programa logo passou a ser transmitido pela Rádio Cacique de Santos e alcançou grande repercussão. A partir nos anos noventa, Di Renzo uniu-se à Cláudia Alonso e seu Grupo Teatral Orgone.

A partir dessa junção, as técnicas terapêuticas e de teatro experimental forjaram-se no espaço bar ZazarH e daí, em 2003, surge o Teatro Café Rodidei com a proposta de unir criatividade, pedagogia da convivência e local de apresentações artísticas. O espaço conquistou prestigio e aceitação popular por sua grade de apresentações teatrais, música, dança e acolhimento. O café com seus drinks peculiares e cardápios criativos tornou-se cult na noite santista. As peças encenadas conquistaram prêmios e destacaram-se como ferramenta terapêutica de inclusão social. As oficinas de literatura, com o Projeto Outras Palavras, deram voz a inúmeros participantes, inclusive, com publicações de antologias.

História riquíssima repleta de combatividade, persistência, superação e criatividade. O livro "Rolidei - Histórias e Boatos Que Vivi Por Lá", em capa dura, tem pesquisas e organização de André Azenha e, ainda, textos de Renato Di Renzo e Cláudia Alonso com excelente projeto gráfico de André Ghaoui mostrando cliques espontâneos de artistas e público em eventos relevantes desse histórico espaço cultural de nossa cidade.

quinta-feira, 16 de abril de 2026

.: Juventude em versos: a força da expressão de Eduarda Barbosa Trindade


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

“Poesia É Vida”, da autora Eduarda Barbosa Trindade, publicado pela Costelas Felinas Editora é uma obra que traduz, com sensibilidade e autenticidade, a experiência emocional da juventude. Escrita por uma autora de 17 anos, a coletânea se constrói a partir de uma voz poética ainda em formação, mas já marcada por intensidade, honestidade e desejo de expressão.

Ao longo dos poemas, observa-se uma escrita que privilegia a espontaneidade e o fluxo emocional. Os versos não se prendem a rigores formais, o que contribui para uma leitura fluida e acessível. Essa escolha estética dialoga diretamente com o conteúdo da obra: sentimentos que emergem de forma urgente e sempre carregado de emoções verdadeiras. Amor, ausência, dúvidas existenciais, recomeços e conflitos internos são temas recorrentes, tratados sob uma perspectiva íntima e confessional.

Um dos pontos mais relevantes do livro é a maneira como a autora transforma vivências pessoais em matéria poética. Há, nos textos, uma tentativa constante de compreender o mundo e a si mesma, características bastante representativas da adolescência.

“Poesia É Vida” evidencia o papel da poesia como instrumento de elaboração emocional. A escrita surge como espaço de acolhimento, organização do pensamento. Mais do que comunicar sentimentos, os poemas funcionam como tentativa de sobrevivência subjetiva. A obra de Eduarda Barbosa Trindade não apenas expressa sentimentos individuais, mas também ecoa experiências compartilhadas por muitos jovens, estabelecendo uma relação de identificação com o leitor.

quarta-feira, 15 de abril de 2026

.: Crítica: "Não me Entrego, não" brinda à biografia de Othon Bastos e ao teatro

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do portal Resenhando.comFoto: Beti Niemeyer

Em abril de 2026



“Não Me Entrego, Não!” é o primeiro monólogo do ator, que revisita mais de sete décadas de carreira.
 

Um espetáculo que é um verdadeiro brinde à biografia do grande ator Othon Bastos mesclada ao teatro brasileiro e os acontecimentos históricos. Eis o monólogo “Não Me Entrego, Não!” do ator de 92 anos que passou pelo palco do Teatro do Sesc Santos, nos dias 10 e 11 de abril. Organizando lembranças e pensamentos junto ao teatro, cinema, política, amor e profissão, tudo é entrelaçado em blocos temáticos que esbarram nas experiências individuais.

Tendo ao lado, numa carteira escolar em modelo similar a dos anos 50, a memória, interpretada pela atriz Marta Paret, que o auxilia no andamento da narrativa que deixa o público vidrado. Assim, com muita agilidade e um vozeirão que ecoa em toda sala do teatro, ele revisita mais de sete décadas de carreira com rápido e divertido raciocínio. O que se testemunha é a presença cênica ímpar de Othon Bastos. 

Para tanto, tudo começa ainda no período escolar, quando a professora o faz prometer não caminhar pelas artes. No entanto, é o destino que leva o jovem Othon ao teatro, inicialmente trabalhando na parte técnica, passando a personagens sem fala até ganhar fama nos palcos, o que esbarra no cinema. Ali, diante do público ele relembra a trajetória percorrida, a qual foi pontuada por Flávio Marinho, a partir de aproximadamente 600 páginas de anotações pessoais. Não atoa, a montagem já soma mais de 40 mil espectadores, prêmios e indicações (Prêmio Shell e o Prêmio APTR). 

O monólogo, escrito e dirigido por Flávio Marinho é um emocionante recorte da trajetória artística de Othon Bastos. Contudo, ao ser recriada no palco, consequentemente, homenageia o teatro e até o cinema. Ao recordar a atuação em "Deus e o Diabo na Terra do Sol", assim como o espetáculo "Um Grito Parado no Ar", reforça que o presente é o resultado do passado e que, os erros, tendem a querer se repetir, mas cabe a nós lutarmos, o que justifica o sábio título da montagem, “Não Me Entrego, Não!”. Imperdível!

Acompanhe as apresentações e programe-se: instagram.com/othonbastosnoteatro

Serviço
Espetáculo “Não Me Entrego, Não!”
Sexta-feira, dia 10, e sábado, dia 11 de abril, às 20h00

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento

Terça a sexta-feira, das 9h00 às 21h30 | Sábados e domingos, 10h00 às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos


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.: Cineflix Cinemas de Santos estreia "Rio de Sangue" e "Caso 137"

"Rio de Sangueé uma das estreias Cineflix Cinemas de Santos


A unidade Cineflix Cinemas de Santos, localizada no Shopping Miramar, apresenta a estreia de dois filmes, a partir de 16 de abril, o drama nacional "Rio de Sangue", com Giovanna Antonelli e o drama francês "Caso 137". Vale destacar que dia 21, feriado do Dia de Tiradentes, estreia a cinebiografia "Michael" que terá distribuição de mini cartaz ao público presente. 

A Cineflix Santos segue em cartaz com o romance "O Drama" com Zendaya e Robert Pattinson, o thriller político, o drama comédia com Adam Driver e Cate Blanchett, "Pai mãe irmã irmão", a animação "Super Mario Galaxy: O Filme", a comédia de ação policial nacional com Fernanda Montenegro e Ary Fontoura, "Velhos Bandidos" e a ficção científica "Devoradores de Estrelas". Compre antecipadamente os ingressos aquihttps://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.

Estão disponíveis para venda baldes colecionáveis da animação "Super Mario Galaxy: O Filme" e "Cara de Um, Focinho de Outro"A unidade de Cinemas Cineflix Santos, fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga.

"Rio de Sangue" (nacional). Gênero: Thriller, Ação, DramaDireção: Gustavo Bonafé. Roteiro: Felipe Berlinck, Dennison RamalhoDuração: 1h 46 minutos. Distribuição: Disney. Classificação Indicativa: 16 anos. Elenco: Giovanna Antonelli (Patrícia Trindade), Alice Wegmann (Luiza), Antônio Calloni, Felipe Simas, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa, Ravel Andrade. Sinopse: Patrícia, uma policial afastada após uma operação fracassada e jurada de morte, se refugia no Pará. A trama engrena quando sua filha Luiza, médica em missão humanitária, é sequestrada por garimpeiros, forçando Patrícia a agir.  

"Caso 137" (Dossier 137). Gênero: Thriller Policial, DramaDireção: Dominik Moll. Roteiro: Dominik Moll e Gilles MarchandDuração: 1h 55 minutos. Distribuição: Autoral DistribuidoraElenco: Léa Drucker (Stéphanie), Jonathan Turnbull, Mathilde Roehrich, Pascal Sangla. Sinopse: A trama acompanha Stéphanie, uma detetive da corregedoria (assuntos internos) da polícia francesa. Ela investiga um incidente onde um jovem foi gravemente ferido durante um protesto em Paris.


"O Drama" (The Drama). Gênero: Comédia, Drama, RomanceDireção e Roteiro: Kristoffer BorgliDuração: 1h 50 minutos. Distribuição: Diamond Films. Elenco: Zendaya, Robert Pattinson, Alana Haim, Mamoudou Athie, Zoë Winters. Sinopse: A trama acompanha um casal (Zendaya e Robert Pattinson) nos preparativos finais para o seu casamento. A relação é abalada quando revelações inesperadas e segredos inimagináveis vêm à tona, forçando-os a questionar o quanto realmente conhecem um ao outro e o futuro da união.

"Pai mãe irmã irmão" (Father Mother Sister Brother). Gênero: Comédia Dramática, TrípticoDireção e Roteiro: Jim JarmuschDuração: 1h 50 minutos. Distribuição: Mubi / Imovision Elenco: Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Cate Blanchett, Vicky Krieps, Sarah Greene, Indya Moore, Luka Sabbat, Françoise Lebrun. Sinopse: O filme narra três histórias focadas em relações entre filhos adultos e pais distantes, ambientadas em locais diferentes: o nordeste dos EUA (Pai), Dublin (Mãe) e Paris (Irmã/Irmão).

"Super Mario Galaxy: O Filme" (The Super Mario Galaxy Movie). Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic. Roteiro: Matthew Fogel. Duração: 1h 39 minutos.  Distribuição: Universal Pictures. Sinopse: Desta vez, a trama expande o universo cinematográfico para uma missão intergaláctica onde Mario e seus amigos devem deter uma nova ameaça cósmica. O filme marca a introdução da Princesa Rosalina e conta com a participação de Bowser Jr.

"Velhos Bandidos"(nacional). Gênero: Comédia, ação, policialDireção: Cláudio Torres. Roteiro: Cláudio Torres, Fábio Mendes e Renan Flumian. Duração: 1h 33min. Distribuição: Paris Filmes. Elenco: Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta, Lázaro Ramos. Sinopse: O longa acompanha o casal de aposentados que planeja um assalto audacioso a um banco para garantir uma aposentadoria tranquila. Para executar o plano, eles recrutam dois jovens comparsas, mas acabam sendo perseguidos por um obstinado investigador. 

"Devoradores de Estrelas"(Project Hail Mary). Gênero: Ficção Científica, Aventura, Ação. Direção: Phil Lord e Christopher Miller. Roteiro: Drew Goddard (baseado no livro de Andy Weir). Duração: 2h 36min. Distribuição: Sony Pictures. Elenco: Ryan Gosling, Sandra Hüller, Milana Vayntrub, Lionel Boyce, Ken Leung. Sinopse: Um astronauta acorda sozinho em uma espaçonave com amnésia e precisa reconstruir suas memórias para salvar a humanidade de uma crise solar.

VEM AÍ!

"Michael"(Michael). Gênero: Cinebiografia. Direção: Antoine Fuqua. Roteiro: John Logan. Duração: 2h 06min. Distribuição: Universal Pictures Brasil. Elenco: Jaafar Jackson, Colman Domingo, Nia Long, Miles Teller. Sinopse: A trajetória nos Jackson Five até se tornar o maior artista do mundo. Foca na ambição criativa e na vida pessoal do "Rei do Pop".



O Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021. Para acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no GonzagaConsulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN.


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terça-feira, 14 de abril de 2026

.: Crítica: “Pai Mãe Irmã Irmão” reflete silêncios e tensões entre pais e filhos

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


O drama "Pai mãe irmã irmão" que apresenta três inquietantes histórias sobre a relação entre pais e filhos, em cartaz na telona Cineflix Cinemas de Santos, leva o público para cidades distantes, quando em algum momento de cada história os personagens rotulam com o equivalente no Brasil, como o "reto de Judas", ou seja, lugar extremamente distante, remoto ou de difícil acesso, o "fim do mundo" ou "caixa-pregos. Assim tudo acontece primeiramente no Nordeste dos Estados Unidos, Nova Jersey (pai), depois em Dublin na Irlanda (mãe) e termina em Paris na França (irmã e irmão). 

Logo, nas três histórias os filhos vão até a casa de seus pais. Na trama inaugural, Jeff (Adam Driver, de "Infiltrado na Klan") e Emily (Mayim Bialik, de "The Big Bang Theory" e "Blossom") seguem viagem num carro e vão recordando sobre a infância, a mãe falecida e quem estão prestes a reencontrar: o pai (Tom Waits). O resultado é uma visita de médico, mas com um desfecho de derrubar o queixo e também fazer rir.

Na sequência, uma história mais feminina, tendo a mãe (Charlotte Rampling, da nova saga de "Duna") no centro da trama enquanto promotora do encontro com as filhas Timothea (Cate Blanchett, da saga "O Senhor dos Anéis" e "O Beco do Pesadelo") e Lilith (Vicky Krieps, de "Trama Fantasma" e "Uma Batalha Após a Outra"). Assim, num chá da tarde, o trio também discute sobre a água usada na bebida feita pela mãe. Algo similar ao pautado na conversa da primeira história. 

Para encerrar a tríade de histórias, pelas ruas da bela Paris, Skye (Indya Moore, de "Pose" e "Escape Room 2") e Billy (Luka Sabbat, de "Grown-ish") estão a caminho da casa dos pais. Num apartamento antigo e vazio, os dois recordam o que viveram sob os cuidados paternos e maternos estando diante de fotos e desenhos antigos de quando ainda eram crianças. 

Intrigante por provocar a refletir, a antologia "Pai mãe irmã irmão" dirigida e escrita pelo autêntico representante do cinema independente Jim Jarmusch ("Estranhos no Paraíso"), exige mais contemplação por parte do público. O longa-metragem que foi o grande vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza, leva cada um da sala de cinema a testemunhar os três recortes de histórias familiares, sem necessariamente precisar torcer para que algo mirabolante aconteça, pois torna evidente que o afastamento, mesmo entre pais e filhos esbarra na ausência de intimidade.

Contudo, o sensível "Pai mãe irmã irmão" deixa questionamentos diversos enquanto foca em reencontros familiares carregados de silêncios e tensões não resolvidas quando os filhos atingem a vida adulta. Seja sobre a existência de um líquido exclusivamente correto para um brinde ou entender a expressão "Bob's your uncle" (Tio Bob), muito comum no Reino Unido e nos países da Commonwealth, que significa "pronto", "está feito" ou "aí está". Vale a pena conferir o longa e refletir sobre as relações familiares!


A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"Pai mãe irmã irmão" (Father Mother Sister Brother). Gênero: Comédia Dramática, TrípticoDireção e Roteiro: Jim JarmuschDuração: 1h 50 minutos. Distribuição: Mubi / Imovision Elenco: Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Charlotte Rampling, Cate Blanchett, Vicky Krieps, Sarah Greene, Indya Moore, Luka Sabbat, Françoise Lebrun. Sinopse: O filme narra três histórias focadas em relações entre filhos adultos e pais distantes, ambientadas em locais diferentes: o nordeste dos EUA (Pai), Dublin (Mãe) e Paris (Irmã/Irmão)

Trailer de "Pai mãe irmã irmão"



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