quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

.: “O Segredo de Brokeback Mountain” recria no teatro a história que marcou


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.Foto: Terci Melo

“O amor que não ousa dizer seu nome”, verso escrito por Lord Alfred Douglas no fim do século XIX e eternizado no julgamento que condenou Oscar Wilde, segue sendo uma das frases mais duras já formuladas sobre as relações humanas. Não porque fale sobre a falta de amor, mas porque expõe a interdição. Esse amor proibido, silencioso é a principal característica “O Segredo de Brokeback Mountain” na versão teatral, que estreia nesta quarta-feira, dia 14 de janeiro, em São Paulo.

A história, imortalizada no cinema pela direção de Ang Lee e pelas atuações de Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, surge do conto seco e preciso de Annie Proulx. Levá-la ao palco é um risco evidente. A montagem brasileira, dirigida por Moacyr Góes, assume esse risco sem tentar suavizá-lo. O espetáculo confia na contenção, aceita o desconforto e preserva a espinha emocional do texto original. Na estreia paulistana, em sessão especial para convidados, o silêncio da plateia durante a apresentação dizia mais do que qualquer reação imediata. Os aplausos prolongados ao final vieram como um gesto de elaboração, era quase um respiro coletivo.

Marcéu Pierrotti e Júlio Oliveira constroem Ennis e Jack a partir de uma química que se impõe sem esforço. Não há excesso nem teatralidade inflada. O impacto nasce dos gestos interrompidos, dos corpos que se aproximam e recuam, do afeto que tenta existir apesar de tudo. Brokeback Mountain deixa de ser apenas um lugar e passa a funcionar como um estado permanente, algo que os personagens carregam mesmo quando estão longe dali.

Francis Helena Cozta entrega a personagem Alma, esposa de um deles, com rara precisão. A interpretação dela se sustenta menos na fala e mais no olhar, no desgaste silencioso de quem compreende aos poucos o que nunca foi dito. Não há caricatura, nem vitimização. Há uma mulher marcada por frustrações acumuladas e por uma lucidez dolorosa que se impõe sem alarde. É uma atuação que exige atenção do público.

Eduardo Rieche se destaca pela versatilidade ao interpretar Joe Aguirre, Bill e o pai de Jack. Os personagens dele na peça teatral ajudam a desenhar o entorno áspero da narrativa: um universo masculino rígido, violento, que empurra tudo para o campo da negação. Cada aparição reforça a engrenagem social que transforma desejo em culpa e silêncio em regra. A banda formada por Breno Ganz, Milena Suzano e Júlia Maez ocupa um lugar essencial na encenação. A música ao vivo não comenta a cena, nem tenta conduzir emoções: acompanha, sustenta, tensiona.

No palco, “O Segredo de Brokeback Mountain” segue sendo uma história sobre vidas vividas pela metade. Continua sendo uma história sobre pessoas que poderiam ser felizes, mas escolhem, ou são obrigadas a escolher, outros caminhos. Como em tantas narrativas sobre o amor interditado, o que dói não é a impossibilidade do encontro, mas a vida inteira gasta tentando negar aquilo que se é. Em um país e em um tempo em que o amor volta a ser tratado como ameaça, essa montagem lembra que o verdadeiro escândalo nunca foi amar: sempre foi obrigar alguém a viver como se não amasse.


Serviço
"O Segredo de Brokeback Mountain"
Idealização: Marcelo Brou
Texto: Ashley Robinson
Tradução: Miguel Góes
Direção: Moacyr Góes
Elenco: Marcéu Pierrotti, Júlio Oliveira, Arlete Heringer, Daniel Tonsig, e Eduardo Rieche Francis Helena Cozta e Marcelo Brou.
Banda: Breno Ganz, Júlia Maez e Milena Suzano
Duração: 90 minutos.
Classificação: 16 anos.
Gênero: drama
Temporada: de 14 de janeiro a 26 de março de 2026, as quartas e quintas, às 20h00
Ingressos: R$ 100,00 | R$ 50,00 (meia-entrada)
Vendas pelo site: https://bileto.sympla.com.br/event/113440

Horário de bilheteria
Abre duas horas antes do início do espetáculo
Teatro Itália | 302 lugares
Av. Ipiranga, 344 - República - São Paulo

Ficha técnica
Idealização: Marcelo Brou
Texto: Ashley Robinson
Tradução: Miguel Góes
Direção: Moacyr Góes
Elenco: Marcéu Pierrotti (Ennis del Mar), Júlio Oliveira (Jack Twist), Daniel Tonsig (alternante de Ennis Del Mar), Marcelo Brou (Ennis Del Mar mais velho), Arlete Heringer (Garçonete e Mãe de Jack), Francis Helena Cozta (Alma), Eduardo Rieche (Joe Aguirre, Bill e Pai de Jack)
Atenção: o elenco desse espetáculo pode sofrer alterações sem aviso prévio.
Banda: Breno Ganz, Milena Suzano e Júlia Maez
Assistência de Direção: Daniela Stirbulov
Preparadora vocal: Ângela Castro
Direção de produção: Júlio Oliveira
Assistência de produção: Yelon Daniel
Direção de musical: Breno Ganz
Designer de luz: Adriana Ortiz
Designer: Júlia Maez
Figurino: Ana Elisa Schumacher
Assessoria de imprensa: Flavia Fusco Comunicação
Produção: Avante Produções

.: "Quando Somos Quando", adaptação do romance de Virgínia Woolf, reestreia


Com direção de Ines Bushatsky e dramaturgia de João Mostazo, o espetáculo propõe uma releitura desse clássico da literatura e narra a vida do protagonista depois dos acontecimentos do livro. Foto: Wilian Aguiar


O Laboratório Siameses de Dança abre sua temporada de 2026 com a reestreia do espetáculo "Quando Somos Quando", uma leitura livre do romance “Orlando: Uma Biografia”, da escritora britânica Virginia Woolf (1882-1941).  O trabalho, com direção de Ines Bushatsky e texto de João Mostazo, fica em cartaz no Galpão do Folias até 8 de fevereiro (veja as datas abaixo), com entrada gratuita. A peça acompanha a vida de Orlando depois dos acontecimentos do livro e suas desventuras para reinventar sua vida na restauração de arte, um esforço tão grande que acaba o fragmentando em dois. 

A obra escrita em 1928 por Virginia Woolf conta a história de um jovem nascido no século 16 que vive por mais de 300 anos. Aos 30 anos, na metade do livro, Orlando passa por uma misteriosa mudança de sexo e se transforma numa mulher. Aos 36, ela é vista pela última vez, no dia 11 de outubro de 1928. O que aconteceu com Orlando depois disso, ninguém sabe bem. 

Ao longo do século 20, ele percorreu dezenas de países trabalhando como bailarina em diversas companhias. Também dominou a técnica da mudança de sexo e da oscilação de gênero: ora aparecia como mulher, ora como homem. No início do século 21, cansado e angustiada com o rumo do mundo, Orlando decide esquecer toda a sua vida e apagar da memória os quatro séculos que viveu. Pressentindo que o tempo está se esgarçando ao limite, e que o passado talvez seja maior do que o futuro, Orlando se refugia num pequeno estúdio e passa a dedicar todo o seu tempo ao restauro de obras de arte.

Ao imaginar o que aconteceu com o personagem depois disso, "Quando Somos Quando" nos abre um caminho para pensar a própria natureza da Dança. Aqui, o livro se mistura às memórias reais e ficcionais dos bailarinos Maurício de Oliveira e Mariana Muniz (representada em cena por Danielle Rodrigues). E, assim como Orlando, cada dançarino carrega em seus corpos séculos de tecnologias que conhecemos como dança. O trabalho estreou em 2025 e garantiu indicações a Oliveira e Rodrigues ao Prêmio APCA 2026 pela sua atuação. O espetáculo ainda conta com a cenografia de Fernando Passetti, figurino de Ana Luiza Fay, desenho de luz de Pedro Moura e uma trilha sonora original composta pelo MaatDuo e Dudu Damazzio.  Este projeto tem o apoio do Proac Editais, do Governo do Estado de São Paulo.


Ficha técnica
Espetáculo "Quando Somos Quando"
Direção: Ines Bushatsky
Assistente de direção e dramaturgia: João Mostazo
Pesquisa dramatúrgica: Maurício de Oliveira e Mariana Muniz
Elenco: Maurício de Oliveira e Danielle Rodrigues
Voz (prólogo): Laura Paro
Direção musical: Izandra Machado e Dudu Damazzio
Violino: Izandra Machado
Harpa: Nalu Pimenta
Piano: Dudu Damazzio
Desenho de luz: Pedro Moura
Cenografia: Fernando Passetti
Design de figurino: Ana Luiza Fay
Corte e costura: Judite de Lima
Modelagem: PW L'atelier
Vestido: Polyana Wiendl
Aventais: Pontogor
Adereço: Ziane Campelo
Peruca: Eli Viegas
Videoarte: Suka
Fotos de divulgação: Victor Otsuka
Assistente de fotografia: Eduardo Pontes
Fotos do espetáculo: William Aguiar
Videografia: Thiago Capella
Mídias sociais: Lyvia Gamerc
Supervisão de acessibilidade: Joselba Fonseca
Libras: Talita Messias - Sign Consultoria e Comunicação em Libras
Concepção e direção de projeto: Tono Guimarães
Gestão de projeto: Leonardo Birche
Agradecimentos: Einat Falbel, Claúdio Gimenez Filho, Aline Assumpção, Rafaela Malta, Sarah Bernardo e toda a equipe do Núcleo de Restauração do MASP, Diego Rimaos, Eduardo Couto (Santa Marcelina), Jane Oliveira, Cássia Navas, Felipe Lemos, Victor Hugo Mattos, Alex Merino e Sala Cênica Barra Funda, Museu do Ipiranga. 

Serviço
"Quando Somos Quando", com Laboratório Siameses de Dança

Dias 16, 17 e 18 de janeiro, de sexta a sábado, às 20h, e no domingo, às 19h
Dias 31 de janeiro e 1º de fevereiro, no sábado, às 20h e no domingo, às 19h
Dias 7 e 8 de fevereiro, no sábado, às 20h e no domingo, às 19h
**As sessões de sábado e domingo serão acompanhadas de interpretação em Libras e Audiodescrição.
Galpão do Folias - Rua Ana Cintra, 213, Campos Elíseos, São Paulo
Ingressos: Grátis, retirados no local uma hora antes de cada sessão ou pelo site https://www.sympla.com.br/evento/quando-somos-quando-a-partir-do-romance-orlando-uma-biografia-de-virginia-woolf/3267576?algoliaID=fec598df59a1eb236323f6272385043b
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos

.: Gaía Passarelli lança "Deslumbre" na Livraria Ponta de Lança em São Paulo


Nesta quinta-feira, 15 de janeiro, a partir das 19h00, a escritora Gaía Passarelli lança "Deslumbre - Histórias de Obsessão Musical" na Livraria Ponta de Lança em São Paulo. A autora conversa com Camilo Rocha, autor de “Bate-Estaca: como DJs, Drag Queens e Clubbers Salvaram a Noite de São Paulo”, e Rodrigo Carneiro, autor de “Crônicas de Paixão, Política e Cultura Pop”. A mediação é da jornalista Camila Yahn, que tem larga experiência na cobertura de noite, música e moda e é uma das personagens do livro de Gaía. Editor: Marcelo Viegas. Projeto gráfico: Renata Coelho. Ilustração: Tiago Lacerda.

Do mítico Espaço Retrô ao Peel Acres, passando pelo histórico after-hours Hell’s Club e pelos corredores da MTV Brasil, Gaía traça uma verdadeira linha do tempo dos gostos e descobertas da Geração X paulistana: crianças nos anos 1980, jovens nos anos 1990 e adultos nos anos 2000, atravessando as intensas transformações tecnológicas, sociais e comportamentais da virada do século. Entre cada capítulo, as seções Backstage ampliam o universo do livro com listas pessoais de músicas, discos, filmes e livros que marcaram época — referências que vão de Joy Division, Bauhaus e The Cure a Sonic Youth, Guided by Voices, Underworld, Björk, Aphex Twin, Prodigy, Battles e Crystal Castles.

“Esse é um exemplo do encanto de Deslumbre: quanto mais música Gaía descobre, mais ela descobre sobre si mesma. Com habilidade, a escrita maneja um constante zoom in e zoom out entre a pessoa Gaía, suas sensações, seus sentimentos e fases da vida, e a paisagem cultural mais ampla do momento. O livro consegue ser ao mesmo tempo um relato muito pessoal e um panorama da vida alternativa em São Paulo entre o fim e o início do segundo milênio” , afirma o mediador Camilo Rocha.

Em "Deslumbre - Histórias de Obsessão Musical", Gaía Passarelli mergulha na própria formação cultural para contar como a música atravessou e moldou sua vida. Com prefácio de Camilo Rocha e ilustrações de Tiago Lacerda, o livro mistura memória, jornalismo e crônica cultural para revisitar quatro momentos decisivos da trajetória musical da autora, que atuou como repórter e apresentadora.


Serviço
Lançamento de “Deslumbre: Histórias de Obsessão Musical”, de Gaía Passarelli
Com Camilo Rocha, Rodrigo Carneiro e Camila Yahn (mediação).
Nesta quinta-feira, dia 15 de janeiro, das 20h00 às 21h30
Livraria Ponta de Lança - R. Aureliano Coutinho, 26, Vila Buarque / São Paulo


Sobre a autora
Gaía Passarelli
é escritora, repórter e curadora de conteúdo. Desde muito jovem aprendeu que a música podia ser um mapa. Foi VJ da MTV Brasil, repórter de viagens, colaboradora de veículos como Folha de S.Paulo e Marie Claire, além de autora de "Mas Você Vai Sozinha?" (Globo Livros, 2016) e Tá Todo Mundo Tentando (Editora Nacional, 2024). Publica newsletters, apresenta podcasts e escreve ensaios sobre cultura e comportamento. Em "Deslumbre: histórias Sobre Obsessão Musical", Gaía revisita artistas, sons e cenas que moldaram sua vida – do rock alternativo dos anos 1990 às pistas de dança do início da internet. Nascida e criada em São Paulo, a autora mora em um apartamento antigo na região central da cidade com os gatos Meia-Noite, Jezebel e Café.

.: Kleiton & Kledir se apresentam no The Cavern Club São Paulo neste sábado


Ícones da música gaúcha e nomes fundamentais da MPB celebram mais de 40 anos de carreira em apresentação intimista, repleta de clássicos e memória afetiva. Foto: Rodrigo Lopes
 
Poucos artistas conseguiram transformar memória, identidade regional e canção popular em um legado tão duradouro quanto Kleiton & Kledir. Neste sábado, dia 17 de janeiro, a dupla sobe ao palco do The Cavern Club São Paulo para apresentar "Histórias e Canções", um show intimista que revisita mais de 40 anos de uma trajetória essencial para a música brasileira. Os ingressos estão à venda em ticketmaster.com.br.
 
Em clima intimista e descontraído, o show propõe uma experiência próxima e emocional: dois irmãos, apenas com seus instrumentos, revisitando grandes sucessos em versões acústicas e compartilhando histórias divertidas e marcantes que atravessam gerações. No repertório, clássicos como “Deu Pra Ti”, “Vira Virou”, “Paixão”, “Maria Fumaça”, entre outros temas que se tornaram parte do imaginário musical brasileiro.
 
Com um estilo inovador, melodias sofisticadas e o inconfundível sotaque gaúcho, Kleiton & Kledir são referências centrais para compreender a música popular produzida no Brasil contemporâneo. Desde os anos 1970, a dupla construiu uma obra autoral sólida, sensível e universal, capaz de dialogar com o pop, o folk, a MPB e a música regional sem jamais perder identidade.
 
Ao longo da carreira, gravaram mais de 20 discos no Brasil e no exterior, com passagens por Los Angeles, Nova York, Lisboa, Paris, Miami e Buenos Aires, e realizaram turnês de sucesso pelos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e América Latina. Suas composições foram eternizadas nas vozes de grandes nomes da música brasileira e internacional, consolidando sua relevância artística muito além das fronteiras do país.
 
O reconhecimento institucional acompanha a importância cultural da dupla: Kleiton & Kledir receberam o título de Embaixadores Culturais do Rio Grande do Sul, a Medalha do Mérito Farroupilha e venceram por duas vezes o troféu de Melhor Álbum no Prêmio da Música Brasileira. No palco do The Cavern Club São Paulo, espaço que celebra a história da música, Kleiton & Kledir reafirmam seu lugar como patrimônio vivo da canção brasileira, em um espetáculo que une memória, afeto, humor e excelência musical. Uma apresentação imperdível para fãs de longa data e para novas gerações que desejam compreender, sentir e celebrar a força da música nacional.
 
São Paulo é a primeira cidade do mundo a receber uma unidade internacional do lendário The Cavern Club, de Liverpool, berço dos Beatles e um dos espaços mais emblemáticos da história da música. Com 1.100 m² dedicados à música, à gastronomia e à cultura, o endereço no Shopping Vila Olímpia se consolida como um dos maiores projetos de entretenimento da América Latina e um novo ponto de interesse no circuito gastronômico e cultural da capital paulista.
 
Serviço São Paulo
Kleiton & Kledir - "Histórias e Canções"
Data: 17 de janeiro de 2026
Local: The Cavern Club São Paulo
Endereço: Shopping Vila Olímpia - Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000
Horário do Show: 22h30
Classificação: 18 anos. Menores acompanhados somente dos pais ou responsável legal.
*Sujeito a alteração por Decisão Judicial.

Valores:
Frontstage: A partir de R$ 225,00 + R$ 45,00
Vip Lateral: A partir de R$ 190,00 + R$ 38,00
Vip A: A partir de R$ 190,00 + R$ 38,00
Premium Extra: A partir de R$ 150,00 + R$ 30,00
Mesas Bar: A partir de R$ 115,00 + R$ 23,00
Banquetas Bar: A partir de R$ 200,00 + R$ 40,00
Camarote 1: A partir de R$ 120,00 + R$ 24,00

Bilheteria Oficial – sem taxa de serviço
Shopping Ibirapuera
Endereço: Av. Ibirapuera, 3103 – Indianópolis, São Paulo/SP - Piso Jurupis (subsolo)
Ponto de referência: próximo ao restaurante Frutaria e à Academia Bio Ritmo
Horário de funcionamento:
Terça a sábado: das 10h00 às 22h00
Domingos e feriados: das 14h00 às 20h00
Fechado às segundas-feiras
*Cota de ingressos do tipo meia-entrada, limitada a 40% da capacidade, conforme a Lei Federal n.º 12.933/2013. Idosos não fazem parte destes números e não estão submetidos à limitação, por estarem enquadrados na Lei 10.741/2003.

.: Ricardo Domeneck retorna a seu muso inspirador em nova combustão poética


Depois de "Homem com Homem", a Editora Ercolano retoma a parceria com Ricardo Domeneck e lança "Memorando: Maximin". Domeneck, poeta cuja obra ocupa lugar central na lírica contemporânea em língua portuguesa, retorna aqui ao território afetivo e delirante que o consagrou, expandindo o gesto iniciado em "Odes a Maximin" (Garupa, 2018) e erguendo um dos seus livros mais intensos, sensuais e formalmente ousados.

Em "Memorando: Maximin", a paixão é uma força que se serve largamente da ironia, do humor e de um pathos vibrante, revelando uma linguagem que é ao mesmo tempo clássica e anárquica. O livro aprofunda o relacionamento do poeta com Maximin, figura mítica que atravessa uma Berlim imaginada, onde seu magnetismo contagia os homens e provoca o desejo à sua volta. As novas odes conduzem o leitor de clubes noturnos à penumbra dos quartos, dos jogos de sedução à consumação amorosa. Em cada poema, Domeneck explora um erotismo que transita entre o melodrama e a austeridade, sem jamais ser leviano — um erotismo que recupera, subverte e ilumina uma forma de amor sui-generis: a das relações de interesse, tensão e fascínio entre o “velhote” e o “novinho”.

A obra também traz uma poderosa seção em prosa, que funciona como um contracanto aos versos. Segundo Matheus Guménin Barreto, autor do posfácio, esta edição se lê como “uma combustão da língua e do corpo”: o fogo que arde nos poemas agora se alastra pelas margens da prosa, revelando a maturidade de um poeta que construiu um “hábitat próprio” dentro da literatura contemporânea. "Memorando: Maximin" reafirma Domeneck como um autor raro, capaz de articular erotismo, mitologia pessoal, invenção formal e humor num registro profundamente singular. O livro chega para renovar o campo poético brasileiro com sua franqueza, sua inteligência e sua delícia de excessos.


Sobre o autor
Ricardo Domeneck
é poeta, performer e escritor, autor de mais de dez livros de poemas e contos. Em 2024, conquistou o Prêmio Jabuti e o Prêmio Alphonsus de Guimaraens de Poesia, da Biblioteca Nacional, com "Cabeça de Galinha no Chão de Cimento" (Editora 34). Organizou a antologia Homem com homem: Poesia homoerótica brasileira no século XXI, publicada pela Ercolano. Vive e trabalha em Berlim, onde desenvolve pesquisa poética e performática reconhecida internacionalmente.

.: CCBB SP apresenta mostra inédita do cineasta Todd Haynes, pioneiro


Mostra inédita do aclamado cineasta Todd Haynes traz mais de 20 títulos no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo. Diretor é reconhecido por seu trabalho no cinema independente e pioneiro do movimento New Queer Cinema

 
O Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo recebe, de 21 de janeiro a 12 de fevereiro, a mostra inédita do aclamado cineasta Todd Haynes, pioneiro do movimento "New Queer Cinema" e reconhecido por seu trabalho no cinema independente contemporâneo, com entrada gratuita. Com a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo, a mostra traz um total de 23 títulos, entre obras dirigidas por Haynes e filmes de outros realizadores que dialogam diretamente com sua filmografia. “Pensamos na retrospectiva a partir de três vibrações que atravessam toda a filmografia de Haynes: a herança vanguardista do New Queer Cinema, o diálogo entre diferentes linguagens artísticas e o melodrama como forma de expor as contradições da vida doméstica e social”, comentam as curadoras.
 
Reconhecido internacionalmente, Todd Haynes acumula importantes prêmios e indicações ao longo da carreira. O longa "Carol"​ (2016), seu maior sucesso comercial e seu filme mais distribuído ao redor do mundo, além de grande sucesso de crítica, foi indicado a seis Oscars e por "Longe do ​Paraíso" (2002), o diretor foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro, além de prêmios como o Grande Prêmio do Júri no Festival de Sundance (1991), o Teddy Award no Festival de Berlim (1991), o Grande Prêmio do Júri no Festival de Veneza (2007) e a Palma Queer no Festival de Cannes (2015). Além disso, três de seus filmes foram incluídos na tradicional lista dos dez melhores do ano da revista Cahiers du Cinéma: "Velvet Goldmine" (1998), "Carol" (2016) e "Segredos de Um Escândalo" (2024).

A obra de Haynes é marcada por uma leitura crítica do chamado “sonho americano”, explorando temas como sexualidade, identidade de gênero e as normas sociais que estruturam a vida privada. O cineasta também investiga a construção da identidade artística e cultural em retratos de figuras icônicas, como David Bowie em "Velvet Goldmine" (1998) e Bob Dylan em "Não Estou Lá" (2007).

Além dos títulos citados acima, a programação apresenta também os filmes "Veneno" (1991), "Mal do Século" (1995) e o documentário "The Velvet Underground" (2021), assinados por Haynes, e obras de outros cineastas como "Uma Mulher Sob Influência", de John Cassavetes, "Desencanto", de David Lean, "Tudo que o Céu Permite", de Douglas Sirk, "Canção de Amor", de Jean Genet, "Peggy e Fred no Inferno: o Prólogo", de Leslie Thornton, Jollies, de Sadie Benning, Jeanne Dielman, de Chantal Akerman, "Vento Seco", de Daniel Nolasco, e "Primavera", de Fábio Ramalho, que estabelecem paralelos estéticos e conceituais com o trabalho de Todd Haynes.

A sessão de abertura acontece no dia 21 de janeiro, quarta-feira, às 17h00, com a exibição do filme “Longe do Paraíso", de Todd Haynes, com Julianne Moore, Dennis Quaid, Dennis Haysbert, Viola Davis e grande elenco. Na trama, Cathy (Moore), uma dona de casa com vida aparentemente perfeita descobre que seu marido Frank (Quaid) mantém um relacionamento com outro homem. Abalada, ela se aproxima de Raymond, um jardineiro negro, gerando preconceito e desconfiança na comunidade. Enquanto Cathy e Frank mantêm o casamento por aparência, nasce entre ela e Raymond uma paixão silenciosa e proibida. Após a exibição, a sessão será comentada pelo cineasta Marcelo Caetano.
 
Além das exibições, a mostra conta com atividades formativas com seis sessões comentadas, duas mesas de debate, entre eles sobre o legado de Todd Haynes para os novíssimos cinemas queer, sessão educativa, um curso de oito horas com o tema "Uma Leitura da In/Visibilidade Lésbica a Partir de 'Carol', de Todd Haynes" e ações de acessibilidade. Como parte do projeto, será lançado um catálogo em versões impressa e digital, reunindo textos de pesquisadores brasileiros e estrangeiros, entre eles, um texto inédito de uma das maiores referências da crítica de cinema feminista, a pesquisadora Mary Ann Doane. Para retirar o catálogo, basta apresentar os ingressos de cinco sessões e informar o CPF na bilheteria do CCBB SP.
 
Ao realizar este projeto, o CCBB São Paulo apresenta ao público títulos raros e obras consagradas deste diretor que é considerado um dos nomes centrais do cinema independente contemporâneo, reafirmando seu compromisso com a democratização do acesso à arte. Com patrocínio do Banco do Brasil, a “Mostra Todd Haynes” é uma produção da Caprisciana Produções, com a idealização, coordenação geral e produção executiva de Hans Spelzon e a curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo. A programação está disponível em bb.com.br/cultura e no catálogo virtual, que poderá ser baixado gratuitamente durante o período do evento. A mostra acontece também no CCBB Rio de Janeiro, de 14 de janeiro a 9 de fevereiro e no CCBB Brasília, de 3 a 22 de março.
 

Serviço
Mostra Todd Haynes
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
De 21 de janeiro a 12 de fevereiro de 2026.
Entrada gratuita: Ingressos disponíveis a partir das 9h00, no dia de cada sessão, na bilheteria do CCBB e em bb.com.br/cultura.
Classificação indicativa: consultar a classificação indicativa de cada sessão no site do CCBB SP
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro Histórico / São Paulo 
Funcionamento: aberto todos os dias, das 9h00 às 20h00, exceto às terças-feiras
Informações: (11) 4297-0600
Estacionamento: O CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14,00 pelo período de 6 horas – necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h às 21h.
Transporte público: o CCBB fica a cinco minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista.
Táxi ou aplicativo: desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m).
Van: ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h00 às 21h00.
 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

.: Romance de Fabiane Secches, "Ilhas Suspensas" equilibra ensaio e ficção


Estreia de Fabiane Secches no romance, "Ilhas Suspensas", publicado pela Companhia das Letras, equilibra ensaio e ficção para contar não apenas uma história sobre saudade e solidão, como também sobre amor, família e amizade. No livro, Mariana tem encarado a maternidade sob diferentes formas: primeiro, com a morte de sua mãe; depois, com a frustração de várias fertilizações in vitro malsucedidas; por fim, com o distanciamento da própria língua materna, quando se vê migrando com o marido para um país cujo idioma, "composto de fonemas desconhecidos", ela não compreende. A dinâmica de constantes perdas leva Mariana a um quadro depressivo que só é aliviado pela companhia dos livros e de seu cachorro, Quincas.

Entre se adaptar ao novo bairro, acostumar-se ao clima estranho e se moldar à atual rotina do marido - que, devido ao trabalho, se ambientou às mudanças com muito mais facilidade -, Mariana se dedica à escrita de sua tese de doutorado, sobre a presença de animais na literatura, enquanto coleciona trechos das obras de Donna Haraway, Susan Sontag e Carola Saavedra, entre outras, na tentativa de encontrar algum tipo de resposta para as suas inquietações. De fato, é na literatura que ela experimenta esse acalanto, mas é ao lado de um grupo de amigas imigrantes que a possibilidade de recomeçar se apresenta. Compre o livro "Ilhas Suspensas", de Fabiane Secches, neste link. 
 

O que disseram sobre o livro

"Lendo 'Ilhas Suspensas', o leitor desbrava com a protagonista um caminho promissor: o do esforço, atento e compassivo, pela transposição das barreiras sensíveis -- do Umwelt, para citar um dos conceitos que irrigam o texto -- entre os diferentes seres e pessoas. Com uma voz narrativa que combina ficção e ensaio, ternura e lucidez, este belo romance de Fabiane Secches nos convida a encarar os impasses da vida contemporânea de olhos bem abertos, ávidos por enredamentos possíveis." - Daniel Galera 

"Entre espécies, países e línguas, Fabiane Secches encontra o lugar terno e candente onde a solidão de uma mulher cabe nas palavras. Ilhas suspensas não parece um romance de estreia, parece mais um retorno -- o retorno de uma longa viagem à devastação da perda, à renúncia da maternidade. Uma longa viagem a si própria, cuja estação de chegada e de partida é a mesma: a literatura." - Natalia Timerman


Sobre a autora
Fabiane Secches nasceu em Minas Gerais, em 1980. Psicanalista, tradutora e pesquisadora, fez mestrado em teoria literária e literatura comparada na Universidade de São Paulo. É colaboradora dos jornais Folha de S.Paulo e das revistas Cult e Quatro cinco um, entre outros veículos. Ilhas suspensas é seu primeiro romance. Compre os livros de Fabiane Secches neste link. 

.: Marcos Damigo retrata as origens de SP em peça sobre a História do Brasil


Comédia farsesca, Entre a Cruz e os Canibais explora o desajuste entre o projeto colonial e a realidade da Vila de São Paulo de Piratininga. Foto: Heloisa Bortz


Com a proposta de fomentar novos imaginários, provocando outras percepções sobre o nosso passado, Marcos Damigo tem se dedicado a pesquisar e encenar peças sobre a história do Brasil. Seu novo espetáculo, "Entre a Cruz e os Canibais", lança luz sobre a construção do mito bandeirante e, consequentemente, de São Paulo. O trabalho faz sua temporada de estreia no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, entre os dias 22 de janeiro e 15 de fevereiro, de quinta a sábado, às 20h00, e, aos domingos, às 19h00. 

Em tom de comédia farsesca, a peça, que estreia na semana do aniversário de São Paulo, revisita essa narrativa histórica e sonda o desencontro entre o projeto colonial e a realidade da Vila de São Paulo de Piratininga. Damigo lembra que, por muito tempo, os bandeirantes não foram considerados heróis. Mas, atendendo a interesses de uma nova elite econômica que surgiu com o ciclo do café no século XIX, essa noção se modificou, culminando na criação de uma identidade para São Paulo atrelada à ideia de trabalho e desenvolvimento.

"Entre a Cruz e os Canibais" é ambientada em 1599 e conta com quatro personagens em cena: o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador. A trama se inicia com a chegada do Governador-geral do Brasil Dom Francisco de Souza à pequena Vila de São Paulo de Piratininga, única aglomeração de europeus fora da costa, isolada pela íngreme Serra do Mar.

Os moradores estão revoltados com os mandos e desmandos do Juiz. Mas ele está apavorado com a iminência de um ataque indígena, pois o Vereador sequestrou tupis aliados. Já o Procurador, um degredado que foi salvo pelos tupis e tem portanto uma relação de proximidade com eles, espera que a vinda do Governador-geral faça valer a lei que proíbe a escravização de indígenas.

No entanto, Dom Francisco de Souza, ou “das Manhas” como indicava seu apelido, quer resolver os conflitos de maneira a atender melhor seus interesses. Descortina-se, assim, o maior paradigma do projeto nacional: justamente quando São Paulo tem seu primeiro impulso de progresso econômico, com o avanço dos bandeirantes pelo interior, é que seus moradores começam a explorar a mão de obra indígena em larga escala.


Encenação
“Encontramos no humor a melhor estratégia para questionar essa ideia de que os bandeirantes foram heróis. Por isso, criamos o que eu chamo de comédia de escárnio, que dialoga com uma tradição de comédias populares desde a Antiguidade, passando por grandes autores brasileiros também, como Arthur Azevedo e Martins Pena. Assim, conseguimos colocar em destaque o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”
, comenta Damigo.

A primeira inspiração de Marcos, diretor e autor da montagem, foi há mais de 30 anos, quando leu o livro "São Paulo nos Primeiros Anos 1554-1601-  São Paulo No Século XVI", de Afonso D'Escragnolle Taunay. A obra clássica descreve as dificuldades enfrentadas pelos fundadores daquela que se tornaria a maior cidade das américas. “Ao ler os relatos, logo pensei que aquelas histórias renderiam uma boa comédia. A tentativa de fundar uma civilização europeia em um lugar tão distante – e distinto – revela muitas das contradições do projeto colonial que estão presentes até hoje. Explorar isso pelo viés do humor é uma maneira de revelar os absurdos que foram sendo normalizados simplesmente porque nos acostumamos a eles”, afirma o diretor. 

Para escrever "Entre a Cruz e os Canibais", Damigo contou com as consultorias do premiado dramaturgo e roteirista Luís Alberto de Abreu e do historiador Paulo Rezzutti, graças aos recursos de um edital Proac do Governo do Estado de São Paulo em 2020. Para a montagem, o artista também contou com o apoio do historiador Rodrigo Bonciani. Damigo lembra que a transformação do bandeirante em herói nacional é relativamente recente. “Com a Proclamação da República, em 1889, e o poder econômico conquistado por São Paulo por conta do café, eles passaram a ser cultuados na forma de estátuas, nomes de ruas, estradas e até o palácio do governo”, acrescenta. “E cada vez mais estamos olhando criticamente para essa ideia de desenvolvimento a qualquer custo”.

Nesse sentido, o espetáculo não pretende fazer uma reconstituição histórica, os personagens são tratados como tipos, e a trilha sonora, originalmente composta por Adriano Salhab, estabelece mais explicitamente essa relação entre passado e presente. Tudo isso exige atores experientes: José Rubens Chachá (o Juiz), integrante do antológico grupo Ornitorrinco; Fábio Espósito (o Vereador), ator e palhaço com experiência internacional, incluindo trabalhos no Cirque du Soleil; Daniel Costa (o Procurador), indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator por Urinal, o Musical; e Thiago Claro França (o Governador-geral), artista presente em diversas criações da Cia. do Tijolo. “Eu disse aos atores, no primeiro dia de ensaio, que eles precisavam destruir o meu texto, no sentido de transformar a pesquisa histórica em jogo de cena e comédia. E nisso eles foram excepcionais”, ri Damigo.

O figurino desenvolvido por Marichilene Artisevskis incorpora elementos visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que propuseram uma releitura da nossa história na busca por uma identidade nacional. O cenário é composto de lonas pintadas à mão pelos artistas e grafiteiros Jonato e Ever. Além deles, o cineasta guarani Richard Wera Mirim, morador da Terra Indígena Jaraguá, é responsável pela criação de um vídeo para o espetáculo. O espetáculo tem patrocínio da Google Cloud através da lei municipal de incentivo, PROMAC.


Ficha técnica
Espetáculo "Entre a Cruz e os Canibais"

Dramaturgia, Direção artística, Desenho do cenário e Idealização: Marcos Damigo
Direção de produção: Vi Silva
Direção musical: Adriano Salhab
Atores: José Rubens Chachá, Fabio Esposito, Daniel Costa e Thiago Claro França
Música ao vivo: Adriano Salhab e Thiago Claro França
Assistente de direção e Contrarregra: Warner Borges
Figurinista e visagista: Marichilene Artisevskis
Iluminador: Ney Bonfante
Assistente de iluminação: Matheus Bonfante
Mobiliário cênico e Pintura do cenário: Jonato e Ever
Cenotecnia: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo
Vídeos: Richard Wera Mirim e Santo Bezerra
Identidade visual: Santo Bezerra
Gestão de redes sociais: Flávia Moreira e Micaeli Alves (AuttivaLab)
Fotógrafa: Heloisa Bortz
Historiadores (consultoria histórica e palestrante): Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani
Consultoria dramatúrgica: Luís Alberto de Abreu
Produção executiva: Carolina Henriques (Rodri Produções)
Assistente de produção: Sofia Augusto
Administração financeira: Gustavo Sanna
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e  Flávia Fontes de Oliveira


Serviço
"Entre a Cruz e os Canibais"
Duração: 85 minutos Classificação indicativa: 12 anos Gênero: comédia musical
Data: 22 de janeiro a 15 de fevereiro de 2026
Temporada: Quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h
Acessibilidade: 23 de janeiro - Libras e audiodescrição
Local: Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo, SP
Estacionamento: gratuito (vagas limitadas)
Telefone: (11) 2604-5558
Ingresso: R$ 20,00 (inteira)/R$ 10,00 (meia entrada) | Bilheteria presencial aberta uma hora antes de cada sessão | Ingressos on-line: www.sympla.com
Dias 22, 23, 24 e 25 de janeiro, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, o espetáculo será gratuito.

.: "Como Todos os Atos Humanos" ganha temporada no Sesc Pinheiros


Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman e direção de Rui Ricardo Diaz, o espetáculo tem a autora Marina Colasanti, reconhecida por sua escrita poética e crítica, como referência central na construção dramatúrgica do espetáculo. Foda: Agueda Amaral


Após uma temporada de sucesso no no Rio de Janeiro, "Como Todos os Atos Humanos", da Cia. do Sopro, retorna para uma nova temporada na capital paulista. O espetáculo fica em cartaz no Auditório do Sesc Pinheiros, de 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026, com apresentações de quinta a sábado, às 20h30  no dia 06 de fevereiro, além da sessão das 20h30, haverá uma sessão às 16h00. 

Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman (Cleo na primeira temporada de Impuros) e direção de Rui Ricardo Diaz (entre outros trabalhos está no elenco do novo filme Anaconda - produzido pela Columbia Pictures e é um dos protagonistas da série Impuros), o trabalho tem como ponto de partida obras de Marina Colasanti, Giorgio Manganelli e Nelson Coelho, e se configura num universo único, atravessado pelo realismo fantástico. A montagem dialoga ainda com referências visuais de artistas como Francis Bacon e Edvard Munch, explorando a deformação e a potência expressiva da figura humana.

A temporada acontece em janeiro, mês em que se completa um ano da morte de Marina Colasanti, uma das mais importantes escritoras da literatura brasileira contemporânea. Reconhecida por sua escrita poética e crítica, profundamente ligada às questões de gênero, a autora é referência central na construção dramatúrgica do espetáculo.

Na encenação, um gesto extremo - um parricídio metafórico, simbolizado por  “furar o olho do pai” - surge como ato de ruptura e insubmissão. A narrativa estabelece um diálogo invertido com o mito de Electra e expõe, por meio de imagens arquetípicas, mecanismos de vigilância, dominação e silenciamento impostos ao corpo e ao destino das mulheres. O espetáculo integra o trabalho continuado da Cia. do Sopro, que fundamenta seus processos no Laboratório Dramático do Ator, a partir da pesquisa desenvolvida há mais de três décadas por Antonio Januzelli, referência na investigação do intérprete criador e preparador do trabalho.


Ficha técnica
Espetáculo "Como Todos os Atos Humanos"
Dramaturgia e atuação: Fani Feldman
Direção: Rui Ricardo Diaz
Assistência de direção: Plínio Meirelles 
Preparação: Antonio Januzelli
Iluminação: Osvaldo Gazotti
Cenário e figurino: Daniel Infantini
Idealização: Cia. do Sopro
Produção: Quincas
Direção de produção: Fani Feldman
Produção executiva: Andrea Melo Marques
Fotos: Agueda Amaral e Yukio Yamashita


Serviço
Espetáculo "Como Todos os Atos Humanos", com Cia. do Sopro
Temporada: 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026
De quinta a sábado, às 20h30 (no dia 6 de feveriro também haverá uma sessão às 16h00)
Sesc Pinheiros - Auditório - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
Vendas em sescsp.org.br ou na bilheteria de qualquer unidade
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Thalma de Freitas e Helô Ferreira em show intimista no Sesc 24 de Maio


O espetáculo é uma viagem única por diferentes vertentes da música brasileira, do samba ao jazz, da MPB ao pop, com releituras e músicas autorais, tendo como fio condutor a temática do amor romântico (ou não). Foto: Barbara Del Colletto


Thalma de Freitas e Helô Ferreira apresentam show no teatro do Sesc 24 de Maio, dia 16 de janeiro. Com a Thalma na voz e Helô no violão, proporcionam ao público a oportunidade de vivenciar ao vivo as versões que a dupla promove nas redes sociais, com uma performance que vai do clássico ao contemporâneo. O espetáculo é uma viagem única por diferentes vertentes da música brasileira, do samba ao jazz, da MPB ao pop, com releituras e músicas autorais, tendo como fio condutor a temática do amor romântico (ou não).

Cantora e atriz, Thalma de Freitas é conhecida pela versatilidade do seu trabalho. Em 2020, foi indicada ao Grammy Latino pelo EP intitulado Sorte!, uma colaboração com o pianista John Finbury. Sua parceira de palco, Helô Ferreira, violonista, compositora e arranjadora, é um dos grandes nomes do violão brasileiro contemporâneo, colaborou anteriormente com Raquel Tobias, ANNÁ e Luana Bayô.


Serviço 
Thalma de Freitas e Helô Ferreira 
Sexta-feira, dia 16 de janeiro, às 20h00
Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo - 350 metros da estação República do metrô
Classificação: 12 anos
Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (Credencial Sesc).
Duração do show: 90 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00

.: Em SP, exposição "Pinóquio" ganha vida no Farol Santander e encanta gerações


Mostra inédita integra a programação de férias do Farol para toda a família e revisita o clássico de Carlo Collodi, com mais de 300 itens. Foto: Rodrigo Reis


“As Aventuras de Pinóquio” estão no Farol Santander São Paulo, com mais de 300 itens distribuídos entre esculturas, livros, bonecos, filmes, ilustrações, gravuras, autômatos, instalações sonoras e uma coleção de 31 Pinóquios de diferentes épocas e nacionalidades, produzidos em madeira. Dividida em dois andares, a mostra ocupa 400m² e revisita o clássico de Carlo Collodi (1826–1890) por meio de perspectivas históricas, literárias, cinematográficas e visuais. Apresentada pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Santander Brasil e produzida pela AYO Cultural, a atração tem curadoria de Rodrigo Gontijo e será exibida até 22 de março próximo. 

A mostra explora a simbologia universal do boneco de madeira criado por Collodi e publicado originalmente em fascículos entre 1881 e 1883. Considerada uma das obras mais influentes da literatura infantojuvenil e da cultura italiana, "As Aventuras de Pinóquio" tornou-se um fenômeno mundial, atravessando gerações, linguagens e interpretações – da literatura ao cinema, da marionete ao robô. A experiência integra o circuito de visitação do Farol Santander São Paulo, que reúne exposições, arquitetura, história, gastronomia e vista panorâmica da cidade.

“Nosso compromisso com a cultura se expressa na escolha de projetos que ampliam o acesso, estimulam a imaginação e fortalecem a relação das pessoas com a arte e com a memória que nos acompanha ao longo da vida. Esta exposição revisita um clássico que permanece atual, capaz de despertar questionamentos e novas interpretações a cada encontro”; comenta Bibiana Berg, Head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social do Santander Brasil e Presidente do Santander Cultural.

Carlo Collodi escreveu a história de Pinóquio originalmente em fascículos para o jornal “Giornale per i bambini” (1881–1883), batizando o boneco de madeira com um nome que, no dialeto toscano, significa “pinhão”. Em 1883, no mesmo ano em que concluiu a série, publicou a obra em formato de livro. Collodi desenvolveu uma narrativa onde a jornada de Pinóquio pode ser vista como uma metáfora para a formação da identidade nacional italiana na época. O boneco de pau representa a falta de uma essência definida, e sua transformação simboliza o processo de formação do futuro cidadão. A ambientação, com personagens como o pobre Gepeto e a ameaça constante da fome, reflete a dura realidade social atravessada pelos italianos naquele momento.

“Depois do sucesso da exposição 'As Aventuras de Alice' (2022), também no Farol Santander São Paulo, apresentamos agora 'As Aventuras de Pinóquio', que convida o público a interpretar e reinterpretar a obra de Carlo Collodi. Essa mostra propõe aos visitantes história, entretenimento, aprendizagem e encantamento, pois são diversas as formas de se ler a complexidade dessa criação”; explica Rodrigo Gontijo, curador da exposição.


Pinóquio como símbolo histórico e cultural (andar 20)
No andar 20 são apresentados núcleos temáticos inspirados nos capítulos do livro original. Portanto, o visitante encontra um panorama histórico-literário com informações sobre Collodi e edições raras do livro. Em seguida, na “Oficina de Criação”, surgem as ilustrações das primeiras edições do clássico, feitas pelos italianos Enrico Mazzanti e Carlo Chiostri. Na sequência, o público encontra também uma série de marionetes em madeira, criadas pelo artista brasileiro e especialista em Pinóquio, Gil Toledo. Há ainda uma biblioteca que celebra as traduções brasileiras da obra e apresenta uma instalação de Adriana Peliano inspirada nos “irmãos” de Pinóquio, criados por Monteiro Lobato, em passagem do livro “Reinações de Narizinho” (1931).

Ao final do percurso neste piso, o visitante encontra a “Sala dos Autômatos”, com modelos feitos em madeira e repletos de movimentos, criados pelos brasileiros Eduardo Salzane e Maurizio Zelada. O ambiente é acompanhado da instalação sonora Constelação, criada pelo duo O Grivo, que explora ritmos, ruídos e estruturas mecânicas, lembrando uma espécie de cidade futurista precária, segundo a dupla.

Pinóquio como clássico: múltiplas interpretações (andar 19)
A galeria do andar 19 parte de uma premissa fundamental: Pinóquio é um clássico. Como definiu Ítalo Calvino, “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. A exposição destaca essa permanência por meio de reflexões do próprio Ítalo Calvino e demais autores como Giorgio Manganelli, Umberto Eco, Giorgio Agamben e Alberto Manguel, que se dedicaram a analisar Pinóquio sobre diferentes óticas, ampliando as leituras possíveis sobre a jornada do personagem.

Em vídeos, a presença da primeira adaptação cinematográfica de Pinóquio, dirigida pelo cineasta italiano Giulio Antamoro em 1911, aparece ao lado das detalhadas ilustrações do também italiano Roberto Innocenti. O visitante observa ainda a diversidade cinematográfica de Pinóquios criados em diferentes países, até a versão recente de Guillermo del Toro (2022), na última montagem para a grande tela.

O espaço apresenta também esculturas em madeira do artista cearense Zé Bezerra – sete peças criadas a partir de troncos que evocam criaturas prestes a ganhar vida, gerando assim uma correlação direta com a história de Pinóquio. No núcleo do País dos Brinquedos, surgem cinco ilustrações do paulistano Alex Cerveny, para uma versão do livro lançada em 2012 pela editora Cosac Naify, além de gravuras do artista norte-americano Jim Dine.

Em referência a um dos momentos cruciais da história, a passagem pelo tubarão-baleia é representada pelas intensas ilustrações do renomado artista italiano Lorenzo Mattotti, que ilustrou em 2019 uma nova versão do livro de Ítalo Collodi. Nesta sala, haverá também uma instalação composta por madeira, objetos e projeção, reunindo um compilado de cenas de filmes de diferentes épocas e nacionalidades que retratam o momento em que Pinóquio é engolido pelo monstro marinho.

A última sala, num clima futurista-retrô, revela um espaço imersivo com projeções de códigos computacionais nas paredes. A instalação tecnológica tem pedaços do boneco se transformando em menino e uma composição com múltiplos monitores de TV que exibem cenas do filme “I.A. - Inteligência Artificial” (2001) de Steven Spielberg e trechos do capítulo final do livro de Collodi, gerando assim um diálogo e uma provocação entre as obras.

Ativação no Café do andar 26
De 19 de dezembro a 22 de fevereiro uma dupla de atores interpretando os personagens Pinóquio e Fada Azul estará sempre aos sábados e domingos no Café do Mirante, andar 26 do Farol Santander, para interagir e tirar fotos com os visitantes. A iniciativa propõe gerar ainda mais registros para a memória dos visitantes que passarem pelo Farol Santander São Paulo durante as férias.


Serviço
Exposição "As Aventuras de Pinóquio"
Até 22 de março de 2026
Local: Farol Santander São Paulo - Galerias do 20 e do 19
Endereço: Rua João Brícola, 24 - Centro / São Paulo
Funcionamento: Terça a domingo, das 9h00 às 20h00
Ingressos: R$ 45,00 (inteira) / R$ 22,50 (meia) - disponíveis pelo site farolsantandersaopaulo.com.br e na bilheteria local.

.: Heineken® recria o brinde de “O Agente Secreto” com a atriz Tânia Maria



Dona Tânia se junta à marca para fazer um brinde ao nosso cinema, celebrando a indicação e a vitória de seu longa às premiações internacionais. Foto: divulgação
 

O cinema brasileiro nunca esteve tão em alta como nos últimos tempos com a conquista de sua primeira estatueta no ano passado que parou o país em uma comemoração digna de Copa do Mundo. E neste clima de celebração, a Heineken® reforça sua conexão com a cultura e a socialização. Com a temporada de premiações de cinema, a marca convidou Tânia Maria – que deu vida à carismática Dona Sebastiana no longa “O Agente Secreto” – para recriar o brinde icônico do filme. Desta vez, o gesto celebra, não apenas uma cena memorável, mas também a força do cinema nacional, que conta nossas histórias e une os brasileiros em torno delas. Leia a crítica: "O Agente Secreto" é filmaço imperdível com a cara do Brasil.
 
A comunicação dessa parceria, criada pela LePub São Paulo, começou com Dona Tânia colocando para gelar suas cervejas Heineken® alguns dias antes do premiação. No último domingo, 11 de janeiro, dia da cerimônia, ela fez um brinde ao cinema brasileiro, que vem se destacando nos festivais internacionais. “Refazer esse brinde é muito especial para mim. É uma cena que marcou a minha carreira e agora ganha um novo significado: celebrar o talento brasileiro e brindar à cultura com uma verdinha”, comenta Tânia Maria. Leia a crítica: Furioso e envolvente, “O Agente Secreto” é a alegoria do tubarão.

Ficha técnica
O Agente Secreto”
Gênero: neo-noir, drama, suspense, thriller político. Classificação indicativa: 16 anos (no Brasil). Ano de produção: 2025. Idioma: português (também contém falas em outras línguas, incluindo alemão). Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho. Elenco: Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Udo Kier, Hermila Guedes, Isabél Zuaa e outros. Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes. Duração: aproximadamente 158 minutos (cerca de 2h38min). Cenas pós-créditos: não.


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Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
13 e 14 de janeiro | Sessões em português | 16h30 e 19h40
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