domingo, 25 de janeiro de 2026

.: Aos 74 anos, finalista do Prêmio LeYa Portugal transforma perdas em arte


Jozias Benedicto encontrou na literatura um novo caminho de criação e expressão após os 60, e seu novo livro mistura realismo fantástico e memória para falar de tempo, família e reconstrução. Foto: divulgação


Artista visual e escritor, Jozias Benedicto transforma perdas pessoais e memórias familiares em ficção no romance “As Vontades do Vento”, publicado pelo Caravana Grupo Editorial, finalista do Prêmio LeYa Portugal de Literatura 2024. O autor maranhense - que começou a publicar depois dos 60 anos -  simboliza uma geração de criadores que encontram na maturidade o auge da experimentação e da liberdade artística. O autor, que já publicou nove livros, também já conquistou outras premiações como o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais, o Prêmio da Fundação Cultural do Maranhão e o Prêmio de Literatura do Estado do Pará.

Em sua prosa, a vida, a morte e o tempo se confundem em vozes múltiplas que revelam o Brasil profundo e suas heranças emocionais. “O autor, com domínio absoluto da linguagem e da técnica narrativa, transpõe a estrutura do conto para a narrativa longa. O romance traz, na singularidade de cada capítulo, as diversas vozes, os lugares, cheiros e ambientações - tanto de um vilarejo do interior quanto das grandes cidades modernas - sem perder o contexto geral do que se quer contar”, ressalta Andreia Fernandes, escritora, na orelha do livro.

Neste novo trabalho, o artista visual e escritor maranhense apresenta um romance inquietante que mergulha nas entranhas de uma família envolta em segredos do clero, prostituição e herança escravocrata. Narrada por múltiplas vozes, a história ganha contornos de realismo fantástico ao incluir as perspectivas daqueles que já partiram, mas que seguem essenciais para o desfecho de uma trama que atravessa gerações. 

Segundo Jozias, o livro reflete as contradições entre o Brasil tradicional e o país em busca de modernização, abordando os efeitos do desenvolvimento desigual, como a violência e o rompimento de vínculos familiares. “Nunca quis escrever ensaio ou não ficção, nem um romance realista e engajado - meu caminho foi o oposto: desenvolver esses temas por meio da ficção e de suas vertentes mágicas e fantasiosas”, afirma o autor. Compre o livro “As Vontades do Vento”, de Jozias Benedicto, neste link.

Vozes que se cruzam, memórias que se desfazem
Dividido em três partes - "O Interior", "A Travessia" e "A Capital" - o romance reúne 49 capítulos narrados em primeira pessoa por diferentes personagens. O núcleo central é composto pelo pai, mascate (vendedor de porta em porta), a mãe e os três filhos - Joaquim, Pedro e Bento - além de figuras que orbitam o cotidiano da família, como Mocinha, a empregada, e Elisa, a cafetina. A avó materna e seu irmão, o já falecido Monsenhor - tido como santo no vilarejo - são peças-chave no desenlace do enredo, situado em uma pequena cidade do norte do país, nos anos 1950.

O ponto de partida é a morte da mãe e a promessa dos filhos de cumprir seu último desejo. Antes da viagem, porém, o livro retorna ao passado e desvenda o percurso da família: da ascensão social vertiginosa à desolação que precipita a queda dos herdeiros.

A estrutura polifônica é o grande trunfo de “As vontades do vento”. Ao alternar os narradores, Jozias costura as pontas soltas e revela tanto o contexto dos acontecimentos quanto as motivações de cada personagem. Os episódios vistos sob diferentes ângulos ampliam a força dramática das cenas e sustentam um ritmo ao mesmo tempo compassado e instigante. O desfecho, de impacto emocional, confirma a sagacidade e a singularidade do escritor-artista. Compre os livros de Jozias Benedicto neste link.


Trajetória consolidada e uma coleção de prêmios
Nascido em São Luís (MA), em 1950, Jozias Benedicto mudou-se aos 15 anos para o Rio de Janeiro, onde viveu a maior parte da vida. Entre 2006 e 2010, residiu em Brasília e, desde 2022, divide seu tempo entre o Brasil e Lisboa. Formado em Tecnologia da Informação, atuou na área entre 1970 e 2010. Após os 60 anos, decidiu dedicar-se integralmente às artes - especialmente à interseção entre literatura e artes visuais.

Cursou duas pós-graduações na PUC-Rio - Literatura, Arte e Pensamento Contemporâneo (2014-2015) e Corpo e Palavra nas Artes da Cena e da Imagem (2021-2022) - e trabalhou como editor na Apicuri (2010–2016). Também atua como curador e produtor de textos críticos para exposições de arte e escreve crônicas e resenhas para o portal luso-brasileiro Estrategizando.

Estreou na literatura em 2013 com "Estranhas Criaturas Noturnas" (Editora Apicuri) e, desde então, publicou nove livros, entre contos, poesia e romance. Acumula distinções como o Prêmio de Literatura do Governo de Minas Gerais, Prêmio Moacyr Scliar, Prêmio da Fundação Cultural do Estado do Maranhão e do Prêmio de Literatura do Estado do Pará, além de ter sido finalista do Prêmio Sesc de Literatura e do Prêmio LeYa Portugal com o romance agora lançado.

O autor revela que o processo de escrita também o ajudou a atravessar perdas pessoais, como a morte da mãe e um incêndio em seu apartamento. “Ainda que o livro tenha me ajudado a superar traumas, não é o efeito terapêutico que me move como artista. O que importa é saber se a obra atinge o leitor”, pondera. Compre o livro “As Vontades do Vento”, de Jozias Benedicto, neste link.

.: "Hamnet", o livro que inspirou o filme vencedor do Globo de Ouro


"Hamnet"
, vencedor do Globo de Ouro nas categorias Melhor Filme de Drama e Melhor Atriz em Filme de Drama, é uma adaptação do livro de mesmo nome de Maggie O'Farrell, publicado no Brasil pela Intrínseca em 2021. Nesta obra vencedora do Women’s Prize for Fiction, a autora se inspira na tragédia de William Shakespeare para retratar uma família destroçada pelo luto e pela perda e uma reconstituição delicada e memorável de um menino cuja vida foi esquecida, mas cujo nome intitula uma das peças mais celebradas de todos os tempos. A tradução é de Regina Lyra.

Um dos favoritos para receber o Oscar de Melhor Filme, é estrelado por Paul Mescal e Jessie Buckley e dirigido por Chloé Zhao, que já ganhou a estatueta de melhor direção em 2021 por Nomadland. No livro e no filme, em 1596, o filho de 11 anos de William Shakespeare, Hamnet, morreu em Stratford-upon-Avon, pequena cidade na Inglaterra, de causa desconhecida. Poucos anos depois, o famoso dramaturgo inglês escreveu a peça considerada por muitos sua obra-prima, dando a seu herói trágico uma variação do nome de seu filho morto. 

Passados quase quatro séculos, Maggie O’Farrell era adolescente, quando, na escola, ouviu falar do menino pela primeira vez. A semente da curiosidade plantada há trinta anos se transformou em um romance premiado e arrebatador que, sem mencionar o nome do dramaturgo, mergulha profundamente na história da família ― focando na trajetória da mãe da criança, a quem a autora chama de Agnes (outra variação do nome da esposa de Shakespeare seria Anna), e nas suas tentativas desesperadas de salvar o filho. 

É a partir dessas poucas referências disponíveis sobre a vida do bardo que Maggie O’Farrell cria magistralmente a trama protagonizada por Agnes, uma mulher excêntrica e selvagem que costumava caminhar pela propriedade da família com seu falcão pousado na luva e tinha dons extraordinários, como prever o futuro, ler pessoas e curá-las com poções e plantas. Enquanto isso, o personagem mais famoso do romance não tem nome; ele é chamado de “seu marido”, “o pai”, “o tutor de latim”. Filho de um luveiro caído em desgraça e com péssima reputação na cidade, ele casou-se com a protagonista, detentora de uma generosa porção de terra e alguns anos mais velha. Tiveram uma filha e um casal de gêmeos.

Após o casamento, Agnes se torna uma mãe superprotetora e a força centrífuga na vida do marido, que seguira para Londres com o objetivo de se estabelecer como dramaturgo. A vida do casal é gravemente abalada quando o filho Hamnet sucumbe a uma febre repentina. Compre o livro "Hamnet", de Maggie O'Farrell, neste link.


O que disseram sobre o livro

“Hamnet é a prova de que sempre há novas histórias a serem contadas até quando se trata de uma das figuras históricas mais conhecidas. A obra também revela a escrita extremamente versátil de O’Farrell, com um entendimento profundo dos laços humanos - qualidades atribuídas também a um certo professor de latim de Stratford.” ―The Observer


Sobre a autora

Nascida na Irlanda do Norte em 1972, Maggie O'Farrell cresceu no País de Gales e na Escócia e mora atualmente em Edimburgo. Também é autora de "A Mão Que Me Acariciou Primeiro" (vencedor do Costa Novel Award); "Instructions for a Heatwave"; "This Must Be the Place"; e, mais recentemente, "Existo, Existo, Existo: 17 Tropeços na Morte". Foto: Murdo Macleod. Compre os livros de Maggie O'Farrell neste link.

Ficha técnica
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” | “Hamnet”
Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos
25 a 28 de janeiro | Sessões legendadas | Sala 3 | 18h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Especialista em Saúde Mental escreve romance que fala sobre abandono


Perita em temas relacionados à saúde mental, a enfermeira Pós-Doutora em Saúde Pública Adriana Moro nos apresenta um romance repleto de camadas e dono de um olhar sensível sobre dois problemas cotidianos: a solidão e as formas de abandono, e os dobramentos desses na saúde mental do indivíduo, na forma como ele se relaciona com o mundo. Foi pensando nessas demandas que a autora escreveu "Não Me Chame de Mãe", romance de estreia lançado pela editora Urutau.

O livro mergulha na dura realidade de uma mulher que se vê sozinha para enfrentar os desafios da maternidade durante a pandemia de Covid-19. “Não Me Chame de Mãe” nasce impactante e desconstrói a visão romantizada da maternidade ao narrar, de forma crua e sensível, a luta de uma jovem mãe sem renda, sem rede de apoio e com uma filha recém-diagnosticada no espectro autista.

“A ideia para escrever este livro veio com a prática diária dos meus mais de 23 anos trabalhando no Sistema Único de Saúde, atendendo mulheres 'mães' de crianças e adolescentes atípicos, que por sua vez quase sempre enfrentam a dura demanda do cuidado integral sozinhas. Muitas não têm rede de apoio e uma grande parte é abandonada pelo companheiro após o diagnóstico. Nestas situações há um duplo abandono, abandono do outro e o abandono de si. Estas mulheres tem adoecido e pouco a sociedade tem olhado para isso”, afirma Adriana Moro, escritora e Pós-doutora em saúde pública

O abandono do companheiro, a dificuldade em suprir as necessidades básicas e a pressão emocional de cuidar de uma criança neurodivergente em meio ao isolamento social são temas que atravessam a obra, tornando-a uma leitura urgente e necessária. Adriana Moro constrói um enredo que não só documenta a rotina de muitas mulheres invisibilizadas pela sociedade, mas também convida o leitor a refletir sobre o peso da solidão e do julgamento que recai sobre as mães solo.

O retrato principal de “Não Me Chame de Mãe” é estarrecedor e mostra um lado da sociedade que muitas vezes desejamos que não seja verdade: Segundo estudos do Instituto Baresi, cerca de 78% a 80% dos pais abandonam os filhos com deficiência ou doenças raras antes dos cinco anos de idade. Mais do que um romance, temos na obra um choque de realidade, um convite à empatia e uma voz para tantas histórias que nunca são contadas.

“A escrita desse livro é atravessada pelo meu dia a dia e a minha própria maternidade – mesmo eu não sendo uma mãe atípica - e as histórias que já acompanhei. A maioria das cenas são constituídas por elementos reais e a própria personagem principal é uma soma de várias mulheres que já passaram por minha vida, por meus atendimentos. Trabalhar com saúde mental diariamente me fez querer escrever esta história para auxiliar a sociedade a alcançar um tema tão sensível e necessário”, afirma Adriana Moro. Compre o livro "Não Me Chame de Mãe", de Adriana Moro, neste link.


Sobre a autora
Adriana Moro
é enfermeira, escritora e pesquisadora. Pós-doutora em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (ENSP/FIOCRUZ) e doutora em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), com estágio doutoral no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Portugal. Possui mestrado em Desenvolvimento Regional e Políticas Públicas e especializações em Enfermagem com Ênfase em Cuidados Intensivos Neonatais, Enfermagem em Saúde Mental e Psiquiatria e Acupuntura.

Na literatura, Adriana traz um olhar sensível e aprofundado sobre as complexidades da vida cotidiana. Seu primeiro romance, "Não Me Chame de Mãe", se destaca pela força narrativa e pela capacidade de provocar reflexões profundas no leitor. Compre o livro "Não Me Chame de Mãe", de Adriana Moro, neste link.

.: "Shrek - O Musical" apresenta figurino de Fabi Bang e Myra Ruiz como Fiona


Atrizes vão se revezar no papel da princesa ogra em espetáculo no Teatro Renault em curtíssima temporada; ingressos já estão à venda. Foto: Jairo Goldflus (fotos); Gabriel Pinho (edição)/Divulgação

As estrelas do teatro musical Fabi Bang e Myra Ruiz já estão sentindo na pele o que será viver Fiona, a icônica princesa de "Shrek - O Musical". O Instituto Artium de Cultura apresentou o figurino das atrizes para o espetáculo que entra em cartaz no Teatro Renault, em São Paulo, em 15 de abril para uma breve temporada de três meses. Fabi Bang e Myra Ruiz vão se revezar no papel de Fiona nessa história de amor e aventura, que tem o ator e cantor Tiago Abravanel no papel de Shrek.

O figurino de Fiona tem assinatura de Ligia Rocha e foi inspirado nos desenhos originais do britânico Tim Hatley, criados para as montagens internacionais de "Shrek - O Musical". A figurinista conta que cada detalhe foi pensado, das texturas dos tecidos aos tons de verde, para sustentar a transformação da personagem em cena e acompanhar as exigências de movimento ao longo do espetáculo.

"Trabalhar o figurino de Fiona é um exercício de dualidade. Precisamos unir a delicadeza da princesa à robustez da ogra, preservando a agilidade necessária para as cenas. Beber na fonte dos desenhos de Tim Hatley foi fundamental para garantir que o público brasileiro tenha a mesma experiência visual impactante da Broadway, mas com o toque e a excelência da nossa produção local", explica Ligia Rocha.

A montagem que será levada aos palcos do Teatro Renault pelo Instituto Artium de Cultura, em coprodução com o Atelier de Cultura (os mesmos responsáveis pelo fenômeno de bilheteria "Wicked – A História Não Contada das Bruxas de Oz"), tem a direção-geral de Gustavo Barchilon.

A história acompanha Shrek e seu inseparável parceiro, o Burro Falante, em uma jornada repleta de humor, música e aventura, desafiando preconceitos e mostrando que todos merecem um final feliz, mesmo fora dos padrões tradicionais dos contos de fadas."'Shrek' é uma história sobre quebrar moldes, e ter Fabi e Myra se revezando no papel de Fiona é a personificação desse talento sem fronteiras. A montagem no Teatro Renault não é apenas uma reprodução, é uma celebração da grandiosidade técnica que o teatro musical brasileiro alcançou. Estamos unindo o humor ácido e o coração gigante dessa história para criar um espetáculo que conversa com todas as gerações”, afirma Barchilon.

Carlos Cavalcanti, presidente do Instituto Artium, reconhecido por trazer ao país montagens da Broadway com elevado padrão de qualidade, garante que o público vai se surpreender e se encantar com "Shrek". “Vamos manter a essência e as referências dessa história que encantou o mundo, mas vamos além. O público brasileiro pode esperar uma produção grandiosa, com belos figurinos e cenografia, soluções criativas de cena e efeitos especiais que marcam nossas produções”, diz Cavalcanti. Os ingressos para "Shrek - O Musical" já estão disponíveis e podem ser adquiridos pelo site ticketsforfun.com.br ou diretamente na bilheteria do Teatro Renault, sem cobrança de taxa de conveniência.


Serviço
"Shrek - O Musical"
Estreia:  15 de abril de 2026, às 20h
Temporada: semanalmente, quinta e sexta-feira às 20h00; sábado, às 15h00 e 19h30; domingo, às 14h00 e 18h30.
Local: Teatro Renault – Av. Brigadeiro Luís Antônio, 411 – Bela Vista, São Paulo – SP Bilheteria Oficial: Terça a domingo, das 12h às 20h, exceto feriados.
Venda de ingressos on-lineticketsforfun.com.br
Redes sociais oficiais: Instagram: @shrekomusicalbrasil;  TikTok: @shrekomusicalbrasilJairo Goldflus (fotos); Gabriel Pinho (edição)/Divulgação
Atrizes Fabi Bang e Myra Ruiz vão se revezar no papel de Fiona, em "Shrek - O Musical", com Tiago Abravanel

.: Renata Sorrah estreia como dubladora em "Cara de Um, Focinho de Outro"


Lenda da dramaturgia brasileira dará voz à Rainha Inseto, personagem de Meryl Streep na versão original. Fotos: divulgação
 

A versão brasileira da animação "Cara de Um, Focinho de Outro" acaba de receber um reforço de peso. A The Walt Disney Brasil anunciou na última quinta-feira, dia 22 de janeiro, durante o intervalo do "Big Brother Brasil", que a atriz Renata Sorrah fará sua estreia na dublagem no novo filme da Pixar.

Lenda da dramaturgia brasileira, Renata Sorrah dispensa apresentações. Com uma carreira brilhante, cheia de papéis marcantes nos palcos, no cinema e na televisão, a atriz vai dar voz à Rainha dos Insetos, figura importante para o reino animal da animação. Na versão original, a personagem é dublada por ninguém menos do que Meryl Streep

"Cara de Um, Focinho de Outro" conta a história de Mabel, uma jovem amante dos animais que usa tecnologia para transferir a própria consciência para um castor robótico e hiper-realista. Com isso, a jovem passa a se comunicar com a vida selvagem, desvendando mistérios inimagináveis pelo caminho. O filme tem direção de Daniel Chong e chega aos cinemas do Brasil em 5 março de 2026.

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.: Stray Kids dominam o cinema e transformam turnê em experiência


A estreia de “Stray Kids: The DominATE Experience” na Rede Cineflix e nos cinemas brasileiros transforma o fenômeno do K-pop em espetáculo de tela grande e reforça a força do grupo sul-coreano Stray Kids fora dos palcos. Com sessões antecipadas em pré-venda e lançamento marcado para 5 de fevereiro, o filme-concerto chega ao circuito exibidor como um evento pensado para os fãs - e não apenas como registro de turnê. 

Narrada pelos próprios oito integrantes, a produção combina imagens de apresentações esgotadas no SoFi Stadium com bastidores inéditos, depoimentos pessoais e momentos de intimidade que ajudam a compreender a trajetória do grupo e a relação afetiva construída com os STAYs - os fãs oficiais do grupo sul-coreano. O nome do fandom foi escolhido pelo próprio grupo e carrega um sentido simbólico forte: stay, em inglês, significa ficar, permanecer - a ideia é que os fãs “fiquem” ao lado do Stray Kids ao longo da trajetória artística.

Dirigido como uma experiência imersiva, o documentário aposta em linguagem de show cinematográfico, com som e edição que valorizam a escala do espetáculo e a energia do público. A proposta é menos a de um retrato cronológico e mais a de um mergulho sensorial na era "dominATE", título que sintetiza o momento de consolidação internacional do Stray Kids, hoje apontado pela imprensa especializada como um dos principais nomes do K-pop contemporâneo. Não por acaso, o grupo já tem presença confirmada como headliner do Palco Mundo no Rock in Rio 2026, reforçando seu alcance global.

Distribuído pela Universal Pictures, “Stray Kids: The DominATE Experience” acompanha a tendência recente da indústria de transformar turnês de grande porte em lançamentos cinematográficos, prática já adotada por outros artistas globais e que tem encontrado resposta imediata do público jovem. Ao reunir show, bastidores e narrativa em primeira pessoa, o filme amplia o alcance da turnê e funciona como porta de entrada para novos espectadores, sem perder o vínculo direto com a base fiel de fãs.


Ficha técnica
“Stray Kids: The DominATE Experience” (título original)
Gênero: documentário / filme-concerto. Classificação indicativa: a definir. Ano de produção: 2025.
Idioma: coreano e inglês. Direção: a confirmar. Roteiro: Stray Kids. Elenco: Bang Chan, Lee Know, Changbin, Hyunjin, Han, Felix, Seungmin e I.N. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: a confirmar. Cenas pós-créditos: não.

sábado, 24 de janeiro de 2026

.: Adaptação da obra de Machado de Assis, "O Alienista" será encenado em SP


No espetáculo, um jovem ator se mistura entre os espectadores logo na recepção do espetáculo, compartilhando como a leitura de um clássico da literatura transformou sua vida. Foto: Ronaldo Gutierrez


Em comemoração aos 185 anos de nascimento de Machado de Assis, um dos maiores autores brasileiros, o ator Victor Garbossa une-se ao diretor Eduardo Figueiredo para trazer aos palcos uma adaptação de "O Alienista", clássico que atravessa gerações e mantém-se atual ao abordar questões profundas sobre a sociedade contemporânea. A obra provoca reflexões sobre temas como razão, loucura, diferenças sociais, poder, e civilidade - assuntos que, embora raros, são de extrema relevância nos dias de hoje. Dentro do Projeto Domingo no Teatro, dias 25 de janeiro e 1° de janeiro, às 11h00. no Teatro J. Safra.

No espetáculo, um jovem ator se mistura entre os espectadores logo na recepção do espetáculo, compartilhando como a leitura de um clássico da literatura transformou sua vida. Tudo começou quando ele "tropeçou" em Machado de Assis. A partir daí, a narrativa nos transporta de volta ao teatro e à obra de Machado, que, com sua habitual ironia e humor, apresenta o célebre personagem Simão Bacamarte, ilustre morador de Itaguaí. Bacamarte dedicou sua vida ao estudo das doenças mentais e da loucura, sendo um homem da ciência e um fervoroso investigador, cuja única vocação é a prática científica.

"O Alienista" oferece uma nova perspectiva da obra, por meio da linguagem teatral e com músicas interpretadas ao vivo, com uma dinâmica pensada para o público jovem e familiar, sem perder a essência da narrativa original. No palco, o ator Victor Garbossa (recentemente visto na novela “Paulo o Apóstolo” da Record) interpreta não apenas o excêntrico médico Simão Bacamarte, mas também uma série de personagens cômicos e irônicos da trama. A peça faz uso de diversos recursos cênicos, proporcionando uma experiência repleta de humor e crítica social.


Ficha técnica
"O Alienista", da obra original de Machado de Assis
Adaptação: Eduardo Figueiredo e Victor Garbossa
Direção: Eduardo Figueiredo
Elenco: Victor Garbossa
Figurinos: Thais Boneville
Cenário: Demerson Campos
Máscaras: Murilo Inforsato
Desenho delLuz: Eduardo Figueiredo
Composições e versões musicais:  Victor Garbossa
Programação visual: Zurcc Studio Criativo
Fotografias divulgação: Ronaldo Gutierrez
Assessoria de imprensa: Flavia Fusco Comunicação
Idealização e produção: Carlton's Produções


Serviço
Espetáculo "O Alienista", de Machado de Assis
Adaptação: Eduardo Figueiredo e Victor Garbossa
Direção: Eduardo Figueiredo
Elenco:  Victor Garbossa
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Temporada: 25 de janeiro e 1º de fevereiro, domingos, às 11h.
Ingressos: R$ 20 | R$ 10 meia

Bilheteria
Quartas e quintas, das 14h00 às 21h00
Sextas, sábados e domingos, das 14h00 até o horário dos espetáculos
Aceita os cartões de débito e crédito: Amex, Dinners, Elo, Mastercard, Visa e Hipercard. Não aceita cheques. 
Telefone da bilheteria: (11) 3611-3042
Teatro J. Safra | 627 lugares
Endereço: Rua Josef Kryss, 318 - Barra Funda - São Paulo – SP 
Telefone: (11) 3611 3042 e 3611 2561
Abertura da casa: 2 horas antes de cada horário de espetáculo, com serviço de lounge-bar no saguão do Teatro. 
Acessibilidade para deficiente físico 
Estacionamento: Valet Service (Estacionamento próprio do Teatro) - R$ 30,00 

.: Grátis: QINTI Companhia celebra a vida e a morte em "Temperos de Frida"


Com direção de Tatiana Motta Lima, espetáculo é embalado com músicas de cantoras latino-americanas e costurado por episódios da vida da pintora Frida Kahlo. Foto: Renato Mangolin

Em sua pesquisa sobre o universo feminino em intercâmbio cultural entre México, Brasil e Peru, a artista migrante peruana Rosana Reátegui criou o espetáculo "Temperos de Frida", que estreou no Rio de Janeiro em 2023. Agora, o trabalho, com direção de Tatiana Motta Lima, ganha duas apresentações gratuitas em São Paulo, nos dias 24 e 25 de janeiro, no Teatro Flávio Império. A peça tem como eixo temático central as simbologias que circundam vida e morte, suas manifestações nos espaços de convivência social e a criação de espaços sagrados e profanos nos cotidianos das mulheres, embalado com músicas de cantoras latino-americanas e costurado por episódios da vida da pintora Frida Kahlo.

Na trama, em plena noite de comemoração do "Dia dos Mortos", o público é convidado para conhecer o bar Viva La Vida, comandado por Rosana Reátegui, a dona da bodega. Nessa celebração da vida, também estão a cantora Natália Sarante e o violonista Luciano Camara para festejar a vida. Embalada por clássicos da música latino-americana, como La Llorona, La Bruja e  Cucurrucucu Paloma, Cariñito, Gracias a la Vida, Adelita e Explode Coração, interpretadas ao vivo, Reátegui traz à cena episódios da vida da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954) e sua relação com Catrina, a Dona Morte.

Frida recebeu inúmeras vezes a visita de D. Catrina, sua madrinha, e do modo que podia e por sua conta e risco, como boa afilhada, sempre afirmou a vida. Fez arte, fez sexo e fez festa! Pois, como diz o escritor, professor e historiador brasileiro Luiz Antônio Simas, não se faz festa porque a vida é boa, mas justamente pela razão inversa. O público é convidado para um lugar provocador e cúmplice, no qual tempo e espaço se misturam, estabelecendo um ambiente de festa e memória para aproximar sagrado, profano, vida e morte. Em alguns momentos, o tempo cronológico e material para e flutua, sobretudo quando o principal oratório daquele bar se abre, pois assim é que se convoca Catrina.


Ficha técnica
Espetáculo "Temperos de Frida"
Concepção, atuação e dramaturgia: Rosana Reátegui
Direção: Tatiana Motta Lima
Canto: Natalia Sarante
Violonista: Luciano Camara
Figurinista e Adereços: Francisco Leite
Cenografia: Daniele Geammal e Renato Marques
Direção de palco: Francisco Leite
Colaboração dramatúrgica: Cadu Cinelli
Iluminação: Thiago Monte e Renato Marques
Operação de luz e montagem:Renato Marques
Confecção de Máscara da Catrina: Paul Colinó Vargas (Peru)
Preparação de máscara: Marise Nogueira
Designer cartaz: Pedro Pessanha
Designer visual e vídeos: Rodrigo Menezes
Fotografia: Renato Mangolin
Produção executiva e local: Adriana Silva
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Realização: QINTI Companhia


Serviço
Espetáculo "Temperos de Frida"
Dias 24 e 25 de janeiro, no sábado, às 20h00, e no domingo, às 18h00
Teatro Flávio Império - Rua Professor Alves Pedroso 600, Cangaíba. São Paulo. Prox Estação Engenheiro Goulart (linha 12)
Ingressos: grátis, distribuídos uma hora antes de cada sessão
Classificação: 16 anos
Duração: 60 minutos
Acessibilidade: teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Sesc 24 de Maio traz Garotos Podres com show “Mais Podres do que Nunca”


Banda de punk rock dos anos 80 apresenta show de seu primeiro álbum. Foto: Mazzei.br 

O Sesc 24 de Maio recebe no dia 25 de janeiro o show “Mais Podres do que Nunca” da banda Garotos Podres, um dos ícones do punk rock brasileiro dos anos 80. Conhecida por suas composições irreverentes e com forte crítica social, a banda promete levar o público a uma viagem nostálgica ao seu som original.

Engajada em movimentos sociais, Garotos Podres estreou nos palcos em 1983, com um show em prol do Fundo de Greve dos Metalúrgicos do ABC, muito ligado a própria origem da banda, que é de Mauá. Seu primeiro álbum, que leva o nome do show, "Mais Podres do que Nunca", foi lançado em 1985, ultrapassando a marca de 50.000 mil cópias vendidas.

Atualmente a banda apresenta 3 novos integrantes em sua composição, sendo Mao o único da formação original. Em 2026 se apresentam: Mao (vocalista), Rinaldi (guitarra), Uel (baixo) e Negralha (bateria). No palco, tocam clássicos do primeiro disco, como Johnny, Papai Noel Velho Batuta e Liberdade (Onde Está?). 


Serviço 
Show da banda Garotos Podres

Dia 25 de janeiro de 2026, domingo, às 18h00
Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo – 350 metros da estação República do metrô
Classificação: 12 anos
Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP e nas bilheterias - R$60 (inteira), R$30 (meia) e R$18 (Credencial Sesc).
Duração do show: 90 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

Sesc 24 de Maio
Rua 24 de Maio, 109, Centro, São Paulo
350 metros do metrô República
Telefone: (11) 3350-6300

.: Tuca Oliveira anuncia primeiro show da turnê do álbum “A Nossa Vez”


Apresentação que ocorrerá em São Paulo, no Bona Casa de Música, marca o início da turnê do álbum “A Nossa Vez”, novo trabalho autoral do cantor e compositor mineiro. Foto: Daniela Toviansky

O cantor e compositor mineiro Tuca Oliveira apresenta, no próximo domingo, dia 25 de janeiro, às 19h30, em São Paulo, o primeiro show da turnê do álbum “A Nossa Vez”, trabalho mais recente do artista e seu terceiro álbum de estúdio. A apresentação acontece no Bona Casa de Música e marca o início da circulação ao vivo do disco, que consolida a fase mais madura e autoral de sua trajetória na MPB.

Lançado recentemente, "A Nossa Vez" reúne 12 faixas de autoria de Tuca Oliveira, revelando um repertório que transita entre lirismo, melodias marcantes e arranjos que dialogam com a tradição da música brasileira contemporânea. A produção é assinada por Júlio Raposo, e o álbum conta com participações especiais de Elba Ramalho, Milton Guedes e Catharina, ampliando o universo sonoro do projeto.

No palco, Tuca apresenta as canções do novo trabalho, em um show pensado para destacar a força do repertório, a relação direta com o público e a identidade artística que vem colocando o cantor entre os nomes em ascensão da nova MPB. O espetáculo também percorre momentos importantes de sua carreira, conectando músicas do álbum a composições que ajudaram a construir sua trajetória. O show marca o ponto de partida da turnê de "A Nossa Vez", que seguirá por outras cidades ao longo de 2026. Os ingressos já estão disponíveis neste link.

.: Montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em SP


Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia. 
Foto: Osvaldo Gabrieli

A mais recente montagem do Grupo XPTO, “As Pedras de Javier”, ganha temporada em São Paulo, no Teatro Arthur Azevedo, a partir de 24 de janeiro, com apresentações gratuitas aos sábados e domingos. Na peça, um jovem misterioso narra as aventuras de seu mestre Javier, um bonequeiro que percorreu o mundo contando histórias e apresentando suas peças de Teatro de Bonecos. Em suas viagens, Javier recolhia pedras “para aliviar o peso das montanhas”; a cada nova pedra recolhida, surgia uma nova história a ser contada. Após a sua morte, Javier deixa ao jovem pupilo a missão de seguir recolhendo pedras pelos caminhos da vida para contar histórias que se passam nos mais variados lugares e épocas.

Unindo literatura, mitologia e fantasia, o espetáculo convida o público a embarcar numa viagem imaginária que começa na guerra de Troia, atravessa a odisseia do rei Ulisses na ilha das sereias, alcança uma outra ilha mítica chamada Hy Brazil, desce até o sul do Chile para revelar a lenda do navio Caleuche, e culmina numa jornada pela Índia, onde Javier encontra a Árvore da Vida.

Esta montagem é uma homenagem ao poeta, escritor e bonequeiro argentino Javier Villafañe, personagem icônica do Teatro de Bonecos mundial. Sua obra envereda por caminhos onde o mágico, o surreal e o causo popular se misturam. A peça nasceu a partir de um personagem criado por Javier Villafañe - “O Homem que Carregava Pedras para Aliviar o Peso das Montanhas” - que funcionou como disparador da dramaturgia original deste projeto. Aqui, esse personagem ganha protagonismo e uma história pessoal, transformando-se numa espécie de pupilo que acompanhou, desde muito jovem, os passos do poeta titeriteiro.

“Aprendi a fazer teatro de bonecos ainda muito jovem guiado pelas histórias que meu mestre, Ariel Bufano, contava sobre Javier Villafañe, seu mentor — o velho titeriteiro errante cuja lenda atravessou a América Latina, Espanha e toda a Europa. Sempre me encantou o pensamento surrealista, delirante e luminosamente livre de suas obras. Este espetáculo nasce como um breve sopro dessa memória, contada para as novas gerações pela voz de um pupilo imaginário, para que o rastro poético de Javier continue sua caminhada a descobrir novas histórias para serem contadas”, afirma Osvaldo Gabrieli, autor e diretor.


XPTO Brasil
O Grupo Teatral XPTO é uma companhia de teatro brasileira fundada em 1984 que tem uma proposta de pesquisa baseada na integração de múltiplas linguagens artísticas, com destaque para o Teatro de Animação, Teatro Físico, Performance, Música, Artes Plásticas, Vídeo e Dança. Seu trabalho é conhecido por espetáculos (28 criações no total) com grande apelo visual e musical, que contribuem de forma substancial para a formação do teatro brasileiro contemporâneo.

O grupo recebeu 42 prêmios no Brasil – APCA, Mambembe, Shell, APETESP, Governador do Estado, Fundacen, Coca-Cola e Panamco, entre outros – e 2 prêmios internacionais: Prêmio Villanueva - Cinco melhores espetáculos internacionais de 2014 (Cuba) e Citação de Mérito da Organização Arlyn Award Society (Canadá), em 2019.

O XPTO já se apresentou em todas as regiões do Brasil e em mais 13 países, entre os quais Argentina, Uruguai, Colômbia, Venezuela, Cuba, Portugal, Espanha, França, Eslovênia, Croácia, Bósnia e Herzegovina, Hong Kong e Índia.

Ficha técnica
Espetáculo “As Pedras de Javier”

Dramaturgia, Direção, Cenografia e Iluminação: Osvaldo Gabrieli
Música original e sonoplastia: Beto Firmino
Ator contador de histórias: Tay Lopez
Videoartista: Tiago Carvalho
Operador de luz: Mauricio Aparecido Matos
Cenotécnico: Valdemir Leite
Produtora executiva: Sofia Safira Papo
Assessoria de imprensa: Adriana Monteiro
Produção: Grupo XPTO – Cooperativa Paulista de Teatro
Este projeto foi contemplado pela XXIª Edição do Prêmio Zé Renato de Teatro — Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa

Teatro Arthur Azevedo
Avenida Paes de Barros, 955 – Alto da Mooca / São Paulo
Telefone para informações – 11 26045558
Dias 24, 25 e 31 de janeiro e 01, 07, 08, 14 e 15 de fevereiro de 2026
Sábado e domingo às 16h00
Nos dias 1° e 8 de fevereiro haverá tradução em LIBRAS
Gratuito - Presencial
Duração: 45 minutos
Classificação Indicativa: livre / recomendado a partir de 7 anos
Gênero: Teatro de Animação / Teatro de Objetos / Contação de Histórias

.: A banalidade do mal e a história da homossexualidade no Reino Unido


Por Helder Bentes, escritor e professor. 

Assisti ao filme "Meu Policial" na Amazon Prime e fiquei fascinado. Tudo no filme é lindo, desde a fotografia dos cenários do Reino Unido, espaço da narrativa, à revelação de Harry Styles como ator. É ele quem interpreta o policial que dá nome ao filme. Mas para que vocês não pensem que gostei do filme apenas por causa de Harry no papel principal, eu devo dizer que a história se passa ao final da década de 50 do século XX, e é contada sob uma perspectiva das memórias registradas num diário lido por uma das personagens, quando todos os envolvidos já estão idosos, com uma sequência cênica que alterna entre o tempo da narrativa e o tempo na narrativa. Essa alternância é responsável por um dos efeitos catárticos do filme, ao lado de contexto histórico, lições sobre arte, opressão sexual e sexista, convenções sociais, amor, egoísmo, ciúmes, imprudência, inconsequência e fugacidade da vida. 

Em meados do século XX, o Reino Unido vivia sob o peso da Emenda Labouchere, desde 1885. Tratava-se de uma Lei que punia a homossexualidade masculina como indecência grave entre homens. Nesse contexto histórico, Patrick, o curador de arte de um museu britânico, conhece o policial Tom e se apaixona por ele. Mas Tom é um gay no armário, influenciado pela cultura homofóbica e com ideais pequeno-burgueses de se casar, ter filhos e constituir família. Apesar das dificuldades impostas por esse contexto, eles desenvolvem um romance secreto. 

Até que Tom casa-se com a jovem Marion, com a permissão de Patrick, que concorda em dividi-lo com uma mulher, já que não tinha outro jeito. Era preciso manter o emprego de ambos e, ao menos para Tom, o casamento era uma instituição mantenedora de sua carreira como policial. Ao longo do enredo, Marion descobre fazer parte de um triângulo amoroso. Movida por impulsos de ciúme, ela denuncia Patrick ao museu. Ele perde o emprego, é preso, e isso deixa Tom apavorado. Menos por preocupar-se com Patrick que por medo de perder seu emprego, seu casamento e sua imagem social. 

Marion arrepende-se, tenta consertar a merda que fizera e que poderia respingar em seu próprio lar, mas não adianta. A existência do diário lido na alternância temporal ao longo do filme torna-se prova documental do triângulo amoroso, e Tom acaba expulso da polícia. Passa a hostilizar Patrick por isso, e Marion é a única que, mesmo traída, sente alguma compaixão por Patrick. Anos mais tarde, ela se propõe a cuidar de Patrick já idoso e doente em sua própria casa, obrigando Tom a se confrontar com o passado e assumir as consequências das escolhas que fizera de se casar com uma mulher, mesmo sendo gay. 

"Meu Policial" é uma adaptação do livro homônimo escrito por Bethan Roberts e lançado em 2012. O filme, porém, é de 2022. A autora se inspirou na vida de E.M. Forster (1879-1970), escritor inglês que viveu uma história parecida com a trajetória do policial Tom Burgess.

Este filme propõe reflexões profundas sobre a perniciosidade de leis homofóbicas e a importância do combate à homofobia. Leis homofóbicas acabam gerando o cidadão sistêmico que a filósofa Hannah Arendt denuncia na banalidade do mal. Ela descreve de que maneira as pessoas comuns, não necessariamente sádicas, normalizam atentados contra os direitos humanos, por absoluta falta de consciência crítica. apenas aderindo, sem pensar, à burocracia ordinária de instituições como os diversos sistemas e aparelhos político-ideológicos do Estado e da cultura. Foi assim que o mal se tornou rotina no nazismo e em diversos outros sistemas que extrapolam os regimes totalitários. E essa banalidade acontece até hoje em diversos segmentos da vida social. 

Tom se via apenas como um policial que deveria cumprir tarefas de policial e de cidadão comum de um Estado homofóbico, sem questionar a moralidade de suas ações, sua própria homossexualidade, sua covardia, suas escolhas, a objetificação de Marion e do próprio Patrick, tampouco sobre o futuro, a velhice e a iminência compulsória da morte. Outro aspecto interessantíssimo do filme é que ele pode ser lido por perspectivas que se comunicam entre si. 

Da perspectiva heterossexual, Marion representa um tipo social vitimizado pela construção sistêmica da heterossexualidade. Como, por exemplo, um gay casar com mulher, para atender a uma reivindicação social, já é uma maldade banalizada, o cinespectador hétero tende a hostilizar Tom, o representante dos gays no armário.  Da perspectiva homossexual, porém, o filme mostra como a dicotomia coragem/medo classifica a comunidade LGBTQIAPN+. Tom representa o medo. Patrick, a coragem. Salvaguardadas as proporções da heterossexualidade compulsória que criminaliza quaisquer outras variantes sexuais. 

Isso abre a obra para um preenchimento concretizador que vai depender da inteligência e da alteridade de quem estiver assistindo ao filme. O espectador menos inteligente vai tentar achar, entre as personagens do triângulo amoroso, quem é o vilão, e provavelmente pode ser que Tom seja classificado como tal. A verdade, porém, é que a vilania desse enredo não reside em nenhum personagem. Todos são vítimas de um sistema que legitimou o preconceito homofóbico com base num critério ordinário e banalizado, igual se fizera com o racismo. 

A mim sensibilizou sobretudo a velhice de homossexuais que se mantêm fiéis a si mesmos e não aderem às compulsões ordinárias da heteronormatividade, mesmo correndo o risco de serem cobrados por serem quem são.  Outra proposta reflexiva interessante que esse filme traz nas entrecenas é sobre o poder do conhecimento adquirido através dos estudos. Estudar a linha do tempo da história da (des)criminalização da homossexualidade no Reino Unido foi uma das primeiras coisas que esse filme fez em mim. Há uma história secular de discriminação homofóbica no Reino Unido, tanto que as Leis que libertaram os gays só foram revogadas recentemente, na primeira década do século XXI. 

Antes disso, em meados do século XIX, a Lei de Sodomia previa pena de morte, prisão perpétua e trabalhos forçados aos gays. No último quartel do século XIX, mais precisamente em 1885, entra em vigor a Emenda Labouchere, que contextualiza o filme. Essa emenda criminaliza relações sexuais entre homens, mesmo no privado. O escritor Oscar Wilde é um exemplo emblemático real do rigor dessa emenda. Ela foi o ordenamento jurídico que o condenou a dois anos de prisão com trabalhos forçados, o que prejudicou sua saúde, sua vida financeira e destruiu completamente sua imagem social. 

Essa emenda vigorou por quase um século no Reino Unido. Somente a partir de meados do século XX (1967), países como Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte começaram a descriminalizar a homossexualidade. Mesmo assim, os atos homossexuais deveriam ser consensuais, os envolvidos deveriam ser maiores de 21 anos, e tudo deveria permanecer no privado. O filme se passa nos anos de 1950. Então o enredo não alcança essa fase. Somente em 2001 a idade de consentimento para relações homossexuais foi igualada à idade consentida para héteros, 16 anos. E a abolição total das leis anti-homossexuais só acontece em 2008. Considerando-se que nenhuma cultura secular se desconstrói do dia para a noite, o Reino Unido não deve ser um lugar para onde os gays devam migrar. 

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