quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

.: Quais as cenas adicionais de "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel" na versão estendida?


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Nesta quinta-feira, dia 22 de janeiro, estreia de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” na Rede Cineflix e  cinemas de todo o Brasil, agora em versão estendida, recoloca na tela grande não apenas um fenômeno pop, mas um marco definitivo da história do cinema contemporâneo. Dirigido por Peter Jackson,  transformou um projeto considerado “infilmável” em um acontecimento que alterou a relação entre literatura, cinema de gênero e grande público, o filme que inaugurou a trilogia baseada na obra de J.R.R. Tolkien volta ao circuito exibidor como celebração dos 25 anos do lançamento original, reafirmando o impacto estético, narrativo e industrial de uma produção que redefiniu o cinema épico no início do século XXI.

Lançado originalmente em 2001, no Brasil em 2002 por conta de "Xuxa e os Duendes", leia esta história aqui, o longa-metragem apresenta a Terra-média a partir da jornada de Frodo Bolseiro (Elijah Wood), um hobbit encarregado de destruir o anel - artefato forjado pelo Senhor do Escuro, Sauron, e capaz de subjugar todos os povos livres. Ao redor dessa missão, Peter Jackson constrói um épico de fôlego clássico, sustentado por um elenco coral que inclui Ian McKellen como o mago Gandalf, Viggo Mortensen no papel de Aragorn, Liv Tyler como Arwen, Cate Blanchett como Galadriel e Sean Astin como o inesquecível Samwise Gamgee. O roteiro, assinado por Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, opta por condensações e ajustes narrativos em relação ao romance original, mas preserva o eixo moral da obra: a tensão entre poder, responsabilidade e sacrifício.

A nova exibição ganha peso adicional por apresentar a versão estendida, lançada originalmente em home video e hoje tratada por muitos fãs como a forma “definitiva” do filme. Em termos objetivos, a diferença é clara: enquanto a versão exibida nos cinemas em 2001 tem 178 minutos, a edição estendida chega a aproximadamente 208 minutos, com cerca de 30 minutos adicionais. As cenas incluídas aprofundam personagens, relações e o próprio funcionamento da Terra-média. 

Entre os acréscimos mais relevantes estão momentos mais longos no Condado, que reforçam o contraste entre a vida simples dos hobbits e a ameaça que se aproxima; a chamada “Conspiração do Anel”, em que Merry, Pippin e Sam revelam já saber da missão de Frodo, dando mais densidade à amizade entre eles; trechos ampliados do Conselho de Elrond, que tornam mais claros os impasses políticos entre elfos, homens e anões; além de passagens adicionais em Lothlórien, com destaque para a origem e o valor simbólico do lembas e para os presentes oferecidos por Galadriel à Sociedade. Há ainda pequenos, mas significativos, ajustes de ritmo e continuidade que tornam a narrativa mais coesa e emocionalmente envolvente.

Filmado majoritariamente na Nova Zelândia, com fotografia de Andrew Lesnie e trilha sonora de Howard Shore - vencedora do Oscar -, o filme consolidou um novo padrão técnico para o cinema fantástico, especialmente no uso integrado de efeitos visuais, cenografia real e paisagens naturais. O impacto foi imediato: mais de 887 milhões de dólares em bilheteria mundial, quatro estatuetas do Oscar e um lugar garantido na memória afetiva de diferentes gerações de espectadores. Em 2021, o reconhecimento institucional veio com a inclusão do longa no Registro Nacional de Filmes da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, que o classificou como cultural, histórica e esteticamente significativo.


Quais são as cenas adicionais de "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" (com spoiller)

A versão estendida de “O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” não altera o arco central da narrativa, mas costura uma série de cenas que aprofundam personagens, relações e a própria lógica da Terra-média. Vistas em conjunto, essas sequências funcionam quase como uma “sinopse paralela”, revelando camadas que a versão exibida nos cinemas apenas sugeria.

Logo no início, o Condado ganha mais tempo. Há cenas adicionais que mostram Bilbo lidando com a passagem do tempo após deixar Frodo com a herança do Anel, incluindo conversas mais longas sobre seus escritos e seu cansaço existencial. Gandalf também permanece mais tempo entre os hobbits, reforçando sua desconfiança crescente em relação ao objeto deixado por Bilbo e a tranquilidade apenas aparente daquele mundo rural que está prestes a ser abalado.

A partida de Frodo do Condado é ampliada por uma sequência crucial conhecida entre os fãs como a “Conspiração do Anel”. Nela, Sam, Merry e Pippin revelam que sempre souberam da missão de Frodo e que o seguem por escolha. Esse momento transforma a amizade entre eles em um pacto consciente, diminuindo o tom acidental da jornada e reforçando a ideia de lealdade como força motriz da história.

No caminho até Bri, os Nazgûl são apresentados de forma mais ameaçadora, com perseguições estendidas que intensificam a sensação de cerco. Em Bri, há cenas adicionais dentro da estalagem do Pônei Saltitante que aprofundam a tensão entre Aragorn e os hobbits, além de pequenos gestos que constroem a confiança gradual entre eles. Aragorn, aliás, ganha mais tempo de tela introspectivo, sugerindo desde cedo o peso de sua herança e sua relutância em aceitá-la.

Em Valfenda, a versão estendida desacelera o ritmo para expandir o Conselho de Elrond. Há diálogos adicionais que explicitam os ressentimentos históricos entre elfos e anões, bem como a desconfiança em relação aos homens. Boromir surge menos como antagonista impulsivo e mais como alguém esmagado pela responsabilidade de defender Gondor. A decisão de Frodo de aceitar a missão, nesse contexto ampliado, soa ainda mais desesperada - e, paradoxalmente, mais corajosa.

A travessia da montanha Caradhras também é estendida, com discussões internas da Sociedade que evidenciam o desgaste físico e emocional do grupo antes mesmo de chegarem às Minas de Moria. Já em Moria, além de pequenos acréscimos de exploração do espaço, há um momento mais longo de luto após a queda de Gandalf, permitindo que o impacto da perda seja sentido coletivamente, e não apenas como choque narrativo.

Lothlórien talvez seja o trecho mais enriquecido pela edição estendida. Galadriel e Celeborn têm diálogos adicionais que esclarecem o papel político e espiritual daquele reino élfico. Frodo e Galadriel compartilham mais tempo juntos, aprofundando a dimensão profética do encontro entre ambos. É também nesse trecho que surgem explicações mais claras sobre o lembas, o pão élfico, e sobre os presentes dados a cada membro da Sociedade - elementos que terão consequências diretas nos filmes seguintes.

Durante a jornada pelo rio Anduin, há cenas que reforçam a tensão crescente em torno de Boromir e sua obsessão pelo Anel. Seu conflito interno deixa de ser abrupto e passa a ser construído em pequenos gestos e olhares, preparando melhor o terreno para sua queda moral. Em Parth Galen, o confronto entre Boromir e Frodo ganha nuances adicionais de culpa, desespero e arrependimento.

O desfecho da versão estendida se alonga levemente para mostrar as consequências imediatas da dissolução da Sociedade. A decisão de Frodo de seguir sozinho é cercada de mais silêncio e hesitação, enquanto a escolha de Sam de acompanhá-lo assume contornos ainda mais emocionais. Paralelamente, Aragorn, Legolas e Gimli discutem com mais clareza o novo rumo que devem tomar, reforçando a sensação de que aquela não é uma pausa entre filmes, mas o fim definitivo de um primeiro capítulo.


Ficha técnica
“O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel” | “The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring” (título original) | “O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel” (título em Portugal)
Gênero: fantasia épica, aventura. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2001. Idioma: inglês. Direção: Peter Jackson. Roteiro: Peter Jackson, Fran Walsh e Philippa Boyens, baseado na obra de J.R.R. Tolkien. Elenco: Elijah Wood, Ian McKellen, Viggo Mortensen, Sean Astin, Liv Tyler, Cate Blanchett, Orlando Bloom, Sean Bean, Hugo Weaving, Ian Holm, Christopher Lee, entre outros. Distribuição no Brasil: Warner Bros. Pictures / New Line Cinema. Duração: aproximadamente 208 minutos (versão estendida). Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos
Dia 22 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" | Sala 3 | 18h00
Dia 23 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" | Sala 3 | 18h00
Dia 24 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" | Sala 3 | 18h00
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Bruno Mars retorna com aguardado quarto álbum solo "The Romantic"


Novo álbum marca o primeiro projeto solo do artista em uma década desde o premiado 24K Magic. Lançamento acontece em 27 de fevereiro

Após dez anos desde seu último projeto solo, Bruno Mars está oficialmente de volta com seu aguardado quarto álbum de estúdio, "The Romantic", que chega a todas as plataformas no dia 27 de fevereiro, via Atlantic Records - com distribuição nacional via Warner Music Brasil. Você já pode garantir na pré-venda o vinil exclusivo da primeira prensagem numerada aqui, enquanto durarem os estoques. O anúncio do álbum também marca a chegada de um novo single do projeto, o dançante "I Just Might".

O novo trabalho chega em um momento de enorme sucesso na carreira de Bruno Mars. Entre os lançamentos recentes estão o single vencedor do Grammy “Die With A Smile”, em parceria com Lady Gaga, que se tornou a música mais rápida da história do Spotify a atingir um bilhão de streams e liderou o Billboard Global 200 por 18 semanas - um recorde. Outro destaque é “APT.”, colaboração com ROSÉ, eleita a música mais ouvida globalmente de 2025 pela Apple Music, além de ter permanecido 19 semanas em primeiro lugar no Billboard Global Excl. U.S. Chart e 12 semanas no topo do Billboard Global 200.

Além de seus impressionantes feitos nas paradas, “APT.” venceu o prêmio de Música do Ano no MTV Video Music Awards 2025 e recebeu três indicações na 68ª edição do Prêmio Grammy, nas categorias Música do Ano, Gravação do Ano e Melhor Performance Pop em Duo ou Grupo.

Bruno Mars segue se consolidando como uma das forças mais influentes da indústria musical. Em janeiro de 2025, tornou-se o primeiro artista da história do Spotify a ultrapassar a marca de 150 milhões de ouvintes mensais, figurando entre os maiores artistas globais da plataforma. Em outubro de 2022, foi o primeiro artista da história dos Estados Unidos a conquistar seis singles com certificação diamante.

Até 2026, Bruno acumulou ao menos sete certificações diamante nos Estados Unidos, com canções como “Just the Way You Are” - atualmente a música mais certificada da história, com 21x Platina - além de “Uptown Funk” (com Mark Ronson), “Grenade”, “That’s What I Like”, “When I Was Your Man”, “Locked Out of Heaven” e “The Lazy Song”. Seu álbum de estreia, Doo-Wops & Hooligans, é o disco de estúdio de um artista solo masculino com maior permanência no Billboard 200, somando mais de 345 semanas no ranking. Ao longo da carreira, Bruno conquistou nove singles em primeiro lugar na Billboard Hot 100 e passou um total de 30 semanas no topo do Global 200 com seus hits lançados entre 2024 e 2025.

Sobre de Bruno Mars em 2026!
 

SOBRE BRUNO MARS

Bruno Mars é um superstar global vencedor de 16 prêmios Grammy, cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor, além de um dos artistas mais ouvidos do mundo. Reconhecido por seu talento artístico e performances marcantes, Bruno quebrou diversos recordes ao longo da carreira, incluindo o feito de se tornar o primeiro artista da história a alcançar 150 milhões de ouvintes mensais no Spotify.

Ele também participou de duas das músicas mais rápidas a atingir um bilhão de streams — “Die With A Smile”, com Lady Gaga, e “APT.”, com ROSÉ — além de deter a música mais certificada da história dos Estados Unidos com “Just the Way You Are”, lançada em 2010. Desde o início de sua sequência de sucessos, em 2009, Bruno Mars já vendeu mais de 150 milhões de discos em todo o mundo, consolidando-se como um dos artistas mais vendidos de todos os tempos.

Além da carreira solo, Bruno integra o duo Silk Sonic, ao lado de Anderson Paak. Ele soma 35 hits no Billboard Hot 100, incluindo nove músicas em primeiro lugar, e é vencedor de 16 Prêmios Grammy (incluindo Álbum do Ano por 24K Magic), 14 American Music Awards e sete MTV Video Music Awards. A 24K Magic World Tour está entre as turnês de maior bilheteria da história e figura entre as dez mais lucrativas da década de 2010.



.: Enoite de Rita Lee, Mel Lisboa assume o palco do Blue Note


Apresentação surge de uma relação artística profunda: Mel foi a intérprete de Rita nos musicais "Rita Lee - Uma Autobiografia" e "Rita Lee Mora ao Lado". Foto: divulgação

Nesta quinta-feira, 22 de janeiro, em duas sessões - às 20h00 e às 22h30 -, o palco do Blue Note São Paulo recebe a atriz e cantora Mel Lisboa para um tributo intenso, afetivo e musical à eterna rainha do rock brasileiro, Rita Lee. De volta à casa, Mel apresenta um show no formato voz e violão, apostando na força das canções e na intimidade do encontro com o público. 

Para além de um tributo convencional, a apresentação surge de uma relação artística profunda: Mel foi a intérprete de Rita nos musicais "Rita Lee - Uma Autobiografia" e "Rita Lee Mora ao Lado", experiência que marcou sua trajetória e ajudou a consolidar uma das mais elogiadas interpretações da cantora nos palcos brasileiros. Não por acaso, a própria Rita afirmou certa vez: “Mel, você me fez muito melhor do que eu mesma”.

O repertório percorre diferentes fases da carreira de Rita Lee, costurando clássicos imortalizados nas décadas de 1970 e 1980 com canções que ganharam novo fôlego nos anos 2000. O roteiro musical também abre espaço para a fase mais experimental e revolucionária da artista à frente dos Mutantes, reafirmando sua importância para a história do rock e da música pop no Brasil. Entre as músicas escolhidas estão “Ovelha Negra”, “Baila Comigo”, “Saúde” e “Pagu”.


Serviço
Show "Mel Lisboa Canta Rita Lee"

Dia 22 de janeiro, às 20h00
Blue Note | Av. Paulista, 2073/2º - Consolação/São Paulo
Saiba mais: https://www.eventim.com.br/artist/blue-note-sp/mel-lisboa-canta-rita-lee-4032507/

.: "Dominguinho", projeto de João Gomes, Jota.pê e Mestrinho, terá show inédito no Allianz Parque


Com João Gomes, Jota.pê e Mestrinho, espetáculo será grandioso não apenas pelo tamanho da arena, mas também pela estrutura, pelo repertório extenso (e cheio de novidades) e pelas surpresas que a ocasião merece Foto: @kaiocads

"Dominguinho", projeto de João Gomes, Jota.pê e Mestrinho, abre venda geral de ingressos para show inédito no Allianz Parque. Em uma realização da 30e e InHaus, o espetáculo que celebra um ano do projeto acontece em 25 de abril; os ingressos estão à venda pelo site da Eventi. A iniciativa completará um ano em abril. Para celebrar esses 365 dias de atividade, o trio anuncia um show que proporcionará uma experiência inédita: no dia 25 de abril, os músicos se apresentarão no Allianz Parque, em São Paulo. 

O espetáculo será grandioso não apenas pelo tamanho da arena, mas também pela estrutura, pelo repertório extenso (e cheio de novidades) e pelas surpresas que a ocasião merece. Tudo isso sem perder a intimidade, a conexão e o clima de aconchego característico das performances do trio. Realizada em uma parceria inédita entre a  30e, maior companhia de entretenimento ao vivo do país, e a InHaus, um dos principais hubs voltados ao entretenimento, à cultura e ao brand experience do país. 

"Dominguinho" surgiu no som da sanfona, no brilho dos olhos e na vontade de fazer música com verdade. Desejo este compartilhado pelos músicos e amigos João Gomes, Jota.pê e Mestrinho. Foi assim que tudo começou, em formato de disco que celebra a música nordestina e carrega a leveza dos domingos. A conexão do público com o trabalho foi tão verdadeira e intensa que levou o álbum a se transformar em uma turnê. Afinal, tem emoções que apenas o ao vivo é capaz de proporcionar.

“Estamos dando um passo muito grande para celebrar a nossa música. Espero que nossos amigos, familiares e ouvintes topem fazer parte desse encontro”, diverte-se João Gomes. Gravado no Sítio Histórico de Olinda, o disco Dominguinho reúne 12 faixas e é a parceria que o Brasil precisava e nem sabia. “Lembrei de Você” abre a sequência de músicas, sintonizando a audiência na calma necessária para o que vem a seguir. 

Em um equilíbrio perfeito entre tradição, vanguarda e contemporaneidade, o álbum traz ainda um medley de  “Mete um Block Nele” e “Ela Tem”, além da inédita “Flor” e da releitura de "Pontes Indestrutíveis”, do Charlie Brown Jr. “Ver o 'Dominguinho' alcançar um palco desse tamanho, especialmente em São Paulo, que é a minha casa, na celebração de um ano do projeto, é emocionante”, afirma Jota.pê.  

“A gente sempre acreditou na força da música quando ela é feita com verdade. Levar o Dominguinho para um palco desse tamanho, sem perder o aconchego, mostra que dá pra crescer mantendo a alma do projeto", complementa Mestrinho. Ao tirarem a música brasileira da frequência automática e criarem um disco que mais parece um bordado feito à mão, com cuidado aos detalhes, respeito ao tempo e aos sentimentos, João Gomes, Jota.pê e Mestrinho conquistaram o país, lotaram shows do Norte ao Sul e alcançaram resultados para além das fronteiras. 

Não à toa, venceram o Grammy Latino, na categoria Melhor Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras. Eles também foram reconhecidos no Prêmio Multishow, do qual saíram com os troféus de Álbum do Ano e Capa do Ano. “Desde o início, Dominguinho foi pensado como um espaço de acolhimento, troca e verdade. Levar esse projeto para o Allianz Parque, mantendo sua essência, é reafirmar que grandes experiências também podem ser íntimas e profundamente humanas. Poder contribuir para exponencializar esse projeto de forma sensível nos motiva”, diz Carol Pascoal, VP de Marketing e Comunicação da 30e.

“A música é o que nos move. Somos parceiros do Dominguinho desde o início. Um projeto plural e importante para a cena cultural nacional e internacional, que promove experiências e entretenimento aos mais diversos públicos, por meio da música. Já virou tradição conectar nossa marca ao evento e estamos muito felizes em estarmos juntos neste show”, afirma Juliano Libman, da InHaus, O show do "Dominguinho" no Allianz Parque, em São Paulo, celebrará o primeiro ano do projeto, mas não se limitará a isso. A importância do trabalho, afinal, transborda os limites musicais e abraça as possibilidades de partilhar, de se conectar e de se reconhecer no outro. De volta pro aconchego!


Serviço
"Dominguinho" @ São Paulo
Realização: 30e
Dia 25 de abril de 2026
Local: Allianz Parque - Av. Francisco Matarazzo 1705 - Água Branca / São Paulo
Horário de abertura da casa: 16h00
Classificação etária: 16 anos. Entrada e permanência de menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou responsável legal.
Setores e preços:
Cadeira superior - R$ 82,50 (meia-entrada legal) | R$ 115,50 (entrada social) | R$ 165,00 (inteira)
Pista - R$ 122,50 (meia-entrada legal) | R$ 171,50 (entrada social) | R$ 245,00 (inteira)
Cadeira Inferior - R$ 192,50 (meia-entrada legal) | R$ 269,50 (entrada social) | R$ 385,00 (inteira)
Pista Premium  - R$ 247,50 (meia-entrada legal) | R$ 346,50 (entrada social) | R$ 495,00 (inteira)
Pista Premium (Open Bar) - R$ 347,50 (meia-entrada legal) | R$ 446,50 (entrada social) | R$ 595,00 (inteira)
Pacote VIP -  R$ 747,50 (meia-entrada legal) | R$ 846,50 (entrada social) | R$ 995,00 (inteira)
Pacote VIP (Open Bar) -  R$ 847,50 (meia-entrada legal) | R$ 946,50 (entrada social) | R$ 1.095,00 (inteira)
Vendas on-line em: eventim.com.br/dominguinho
Bilheteria oficial: Allianz Parque - Endereço: Rua Palestra Itália, 200 – Portão A – Perdizes - São Paulo/SP
Funcionamento: Terça a sábado das 10h às 17h | *Não há funcionamento em feriados, emendas de feriados, dias de jogos ou em dias de eventos de outras empresas.

.: Sucesso de público faz exposição imersiva “Astro” ampliar horários


Em cartaz no Visualfarm Gymnasium, a mostra agora abre de quinta a domingo, com funcionamento das 11h00 às 19h00 às quintas e sextas-feiras, e das 10h00 às 20h00, aos sábados, e das 10h00 às 18h00, aos domingos. Foto: @opauloliv

Com alta procura desde a estreia, a exposição imersiva “Astro” amplia seus dias e horários de funcionamento em São Paulo. Em cartaz no Visualfarm Gymnasium, o primeiro laboratório permanente de artes imersivas da América Latina, a mostra passa a receber o público de quinta a domingo, oferecendo mais opções para quem busca um programa cultural que une ciência, arte, tecnologia e imaginação.

Instalada em um galpão de mais de 2.000 metros quadrados, “Astro” propõe uma verdadeira viagem pelo universo da astronomia, conectando passado, presente e futuro da exploração espacial. A experiência combina imagens autênticas captadas por missões espaciais, ambientes cenográficos monumentais, projeções em 360 graus, vídeo mapping, realidade virtual, instalações sonoras polifônicas e um planetário digital de última geração.

Logo na chegada, o visitante é convidado a atravessar um tobogã cenográfico que funciona como um portal simbólico para o cosmos. A partir daí, percorre salas que abordam desde os primeiros telescópios e a observação do céu na Antiguidade até os grandes desafios da ciência contemporânea, como a formação das galáxias, a energia escura, a matéria subatômica e a busca por vida fora da Terra. Tudo é apresentado em linguagem sensorial e acessível, despertando curiosidade em crianças, jovens e adultos.

Com curadoria científica do astrônomo João Fonseca e direção artística de Alexis Anastasiou, fundador da Visualfarm, a exposição traduz conceitos complexos em experiências visuais e imersivas, aproximando o público da ciência de forma intuitiva e envolvente. Um dos destaques é a área em que o visitante pode se transformar simbolicamente em astronauta, tornando-se protagonista da narrativa espacial.

Além de dialogar com grandes agências internacionais de pesquisa espacial, “Astro” também valoriza o olhar brasileiro sobre a ciência e a exploração do universo, reforçando o papel da imaginação, da educação e da tecnologia como ferramentas de pertencimento e futuro.

“A resposta do público mostrou que existe uma grande demanda por experiências culturais que unem conhecimento e encantamento. A ampliação dos horários é uma forma de permitir que mais pessoas vivam essa jornada pelo cosmos”, destaca Alexis Anastasiou.


Serviço
Exposição imersiva "Astro"

Visualfarm Gymnasium | Praça Olavo Bilac, 38 / São Paulo
Próximo a Avenida Angélica e estação metrô Mal. Deodoro
Quintas e sextas-feiras, das 11h00 às 19h00; sábados, das 10h00 às 20h00; e domingos, das 10h00 às 18h00.
Acessível para pessoas com mobilidade reduzida
Ingressos a partir de R$ 25,00 à venda na bilheteria do local ou em www.ticketmaster.com.br/
Entrada gratuita para crianças até 6 anos. Meia-entrada para estudantes.
Vendas para grupos.

.: Exposição “Recortes”, de Cristiano Mascaro, marca o aniversário de São Paulo


Mostra reúne fotografias analógicas e digitais que acompanham transformações da paisagem urbana ao longo de décadas. Abertura em 25 de janeiro, domingo, às 10h00, com visita guiada de Cristiano Mascaro às 15h00. Na imagem, escada da Maternidade Filomena Matarazzo

Domingo, dia 25 de janeiro de 2026, data em que São Paulo celebra o aniversário, a Unibes Cultural abre ao público a exposição "Recortes", de Cristiano Mascaro, um dos nomes fundamentais da fotografia brasileira. A mostra inaugura a programação de 2026 da instituição e apresenta um conjunto de fotografias analógicas e digitais ampliadas, realizadas ao longo de diferentes momentos da trajetória do artista, cuja obra contribuiu de forma decisiva para a construção da memória visual da metrópole e de seus espaços arquitetônicos.

Arquiteto formado pela FAU-USP, Mascaro se voltou para a fotografia após o contato com a obra do fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson (1908-2004), ainda durante a graduação. Aos 81 anos, com uma carreira amplamente reconhecida por prêmios e exposições no Brasil e no exterior, seu olhar permanece atento, preciso e rigoroso, voltado para a observação contínua da cidade e de suas transformações.


Entre a cidade vista e a cidade em detalhe
 As imagens reunidas na exposição percorrem lugares emblemáticos da paisagem paulistana, como a Avenida São João, o Elevado Presidente João Goulart (Minhocão), o Viaduto Eusébio Stevaux e a Maternidade Filomena Matarazzo. Em alguns trabalhos, esses espaços aparecem em vistas amplas, revelando a escala urbana e a organização arquitetônica; em outros, surgem fragmentados, em recortes de fachadas, estruturas, sombras e geometrias, ressaltando a relação entre forma, tempo e uso.
 
Essa alternância entre o todo e o detalhe constitui uma marca da obra de Cristiano Mascaro, que articula rigor formal, memória urbana e observação do cotidiano, sem recorrer ao espetáculo, mas à permanência dos espaços na vida da cidade.

Com curadoria de Flávio Cohn e Luiz Bagolin, a mostra estabelece um diálogo entre diferentes fases da produção do fotógrafo, evidenciando como a fotografia urbana acompanha, ao longo do tempo, as transformações de São Paulo e das tecnologias de imagem. A seleção reúne obras realizadas desde o período da fotografia analógica até a produção digital contemporânea, propondo uma reflexão sobre a cidade como território histórico, arquitetônico e simbólico, continuamente reinterpretado pelo olhar fotográfico.


Sobre o artista
Cristiano Mascaro é formado pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (USP). Iniciou sua carreira como repórter fotográfico da revista Veja, onde realizou diversas reportagens no Brasil e no exterior. Foi professor de fotojornalismo na Enfoco, escola de fotografia, e de comunicação visual na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo de Santos. Entre 1974 e 1988, dirigiu o Laboratório de Recursos Audiovisuais da FAU/USP. Em 1986, obteve o grau de mestre pela USP e, em 1990, recebeu a Bolsa Vitae de Artes.

Realizou diversas exposições no Brasil e no exterior, com fotografias integrando coleções particulares e de museus. Tem trabalhos publicados na imprensa e em livros. Em 1992, recebeu o Prêmio Abril de Jornalismo com o ensaio "O Jeito Brasileiro de Viver e Morar" e, em 1999, com o ensaio "Sala dos Milagres". Em 1995, obteve o grau de doutor pela USP, com nota máxima e menção de louvor, apresentando a tese "A Fotografia e a Arquitetura".

Em 2006, participou, como arquiteto homenageado, da 6º Bienal de Arquitetura e Design, apresentando a exposição "O Brasil em X, em Y, em Z". Em 2007, recebeu o Prêmio Especial de Fotografia Porto Seguro pelo conjunto de sua obra. Em 2015, foi laureado pela Associação Paulista de Críticos de Arte por seus trabalhos de documentação urbana. Atualmente, atua como fotógrafo independente, dedicando-se a projetos pessoais.


Sobre os curadores
Flávio Cohn é galerista e Diretor de Arte Contemporânea da DAN Galeria, em São Paulo. Filho dos fundadores da galeria, Gláucia e Peter Cohn, em 1985 criou o Departamento de Arte Contemporânea, abrindo espaço para artistas brasileiros e internacionais no circuito de arte contemporânea.

Luiz Armando Bagolin é livre-docente em História da Arte Brasileira e doutor em Filosofia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP). No Programa de Pós-Graduação do Instituto de Estudos Brasileiros (IEB/USP), coordena pesquisas sobre teorias da arte, da Renascença à produção brasileira. Foi diretor da Biblioteca Mário de Andrade, além de curador de diversas exposições e do Prêmio Jabuti. Suas publicações, que articulam arte, linguagem, retórica e filosofia, consolidam-no como um dos estudiosos mais relevantes do campo no país.


Serviço
Exposição "Recortes" por Cristiano Mascaro
Curadoria: Flávio Cohn e Luiz Bagolin
Visita guiada: 25 de janeiro de 2026, às 15h, com Cristiano Mascaro | Atividade gratuita. Inscrições serão divulgadas posteriormente.
Visitação: 25 de janeiro a 22 de março de 2026.
Horário: Quarta a sábado, das 12h às 19h | Domingo, das 10h às 18h
Local: Unibes Cultural
End.: Rua Oscar Freire, 2500 | São Paulo - SP | a 80m da Estação Sumaré do metrô (Linha 2 – Verde)
Classificação indicativa: livre
Gratuita
Plataforma exclusiva: Fever

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

.: Crítica: "O Diário de Pilar na Amazônia" dá recado de conscientização

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em janeiro de 2025


"O Diário de Pilar na Amazônia", que surgiu para o púbico, há 25 anos, por meio de um livro escrito por Flávia Lins e Silva, anos depois chegou os palcos de teatro, está em cartaz nos cinemas com uma história de conscientização para a preservação da natureza. O longa de aventura e fantasia que agrada a todos da família, encanta o público de idades diferentes nas salas de cinemas Cineflix.

produção começa com a trama da garota Pilar (Nina Flor) recebendo de seu avô Pedro (Roberto Bomtempo) uma rede amarela que é mágica. Logo depois, a menina fica indignada com a derrubada de uma árvore próxima a casa dela e resolve protestar. Contudo, após receber alguns sinais do item mágico, incluindo um gato, a menina e o amigo Breno (Miguel Soares) são embalados na rede a ponto de chegar na Amazônia.

Lá, esbarram em Maiara (Sophia Ataíde) que está perdida dos pais, após ter seu povoado destruído por criminosos ambientais. No caminho de promover o reencontro da garota com os pais, entra em cena Bira (Thúlio Naab). Com o quarteto formado e unido para enfrentar a missão de impedir a derrubada de mais árvores, na telona, os vilões caricatos de Emílio Dantas como Serra, Marcelo Adnet como Dr. Ernesto, Rafael Saraiva como Zé Minhoca e Babu Santana como Montanha acrescentam deboche com um toque de medo. É nítido o quanto a escalação do elenco foi certeira.

Nessa jornada, lendas brasileiras tornam a trama ainda mais rica, como por exemplo, a do Curupira, mesclando de modo agradável e envolvente a fantasia, sem deixar de acrescentar a educação ambiental e a identidade cultural. Ao longo de 1 hora e 30 minutos, a trama é desenvolvida sem subestimar a inteligência do público jovem, uma vez que o elenco mirim dá conta do recado, entregando com muita naturalidade a interpretação dos amigos que amam a natureza. 

O ritmo envolvente e fotografia impecável de "O Diário de Pilar na Amazônia", tornam o filme com direção de Duda Vaisman ("No Corre: Partiu Entrega") e Rodrigo Van Der Put ("Dois é Demais em Orlando"), uma produção cinematográfica brasileira de qualidade, desde a trama, incluindo todo o elenco, do mirim ao adulto, locações detalhadas e reviravoltas convincentes. Em certos momentos remete ao filme do mesmo gênero e também lindo "Chico Bento e a Goiabeira Maraviosa".

De roteiro assinado por João Costa Van Hombeeck em parceria com a autora Flávia Lins e Silva, "O Diário de Pilar na Amazônia" dá vida à própria Amazônia que sofre ameaça severa, tendo ainda no elenco a atriz Nanda Costa, na pele da mãe de Pilar, uma jornalista, além de Rocco Pitanga, namorado da mãe da garota e Roberto Bomtempo, como o avô Pedro. 

Produzido pela Conspiração, com coprodução e distribuição da The Walt Disney Company no Brasil, o filme é um infantil que transita pela responsabilidade social, ética e a informação sobre a realidade do nosso clima ambiental reforçando a necessidade de preservação do que ainda nos resta da natureza. Vale a pena conferir e em família!


Em parceria com a Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN

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* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm

Ficha técnica
“O Diário de Pilar na Amazônia” (título original)

Gênero: aventura, drama, família. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: português. Direção: Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Roteiro: João Costa Van Hombeeck e Flávia Lins e Silva. Elenco: Lina Flor, Miguel Soares, Sophia Ataíde, Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Babu Santana, Nanda Costa, Roberto Bomtempo. Distribuição no Brasil: The Walt Disney Company Brasil. Duração: 90 minutos. Cenas pós-créditos: não.

.: Crítica: "Dois de Nós" transforma reencontro em matéria viva de teatro


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Poucos espetáculos fazem tanto sentido quanto "Dois de Nós", em cartaz até dia 17 de maio, de sexta-feira a domingo, no Teatro Tuca. E não é pelo encontro histórico entre Christiane Torloni e Antonio Fagundes que a dramaturgia que promove - isso, por si só, já seria pouco diante da grandeza dos intérpretes dos protagonistas da novela "A Viagem"-, mas porque o espetáculo decide não tratar esse reencontro na arte como evento e, sim, como matéria viva. 

Ao acompanhar o mesmo casal em diferentes fases da vida, confinado em um quarto de hotel, entre confissões atravessadas pelo tempo, pequenas crueldades e humor que nasce da ousadia de rir de si mesmo, a peça percorre uma vida inteira sem precisar sublinhar passagens. Tudo acontece no detalhe, no que escapa, no que se diz quase por acaso, como costuma ser quando o passado resolve pedir a pedra para atirar, quem sabe, para um acerto de contas definitivo.

Christiane Torloni surge em estado de graça. Há uma linha tênue entre a atriz e a personagem, e não no sentido confortável da identificação, mas naquele ponto em que a biografia chega a virar tensão dramática. Quando ela afirma, no texto do espetáculo, que a tragédia credencia para a vida, não soa como diálogo decorado. Ali está alguém que já atravessou o incêndio e voltou sem pressa para o lugar que a pertence. Torloni domina o espaço com uma elegância que impõe silêncio e contemplação. Da comédia ao drama no ritmo das nuances da personagem, ela é magnética sem recorrer a truques, intensa sem excessos, e faz do palco um lugar onde o tempo parece obedecer apenas a ela.

Antonio Fagundes opta por outro caminho igualmente eficaz. O personagem dele carrega o cansaço de quem andou demais e ainda assim não perdeu o gosto pela conversa. Há charme, claro, mas há sobretudo uma escuta refinada em cena. Fagundes constrói um homem em suspensão, errante sem ser perdido, e conduz o público a uma catarse que não vem do grito, mas do reconhecimento. O riso, às vezes, aparece quase como defesa, até deixar de ser.

Thiago Fragoso e Alexandra Martins aparecem como forças próprias. Fragoso injeta intensidade e urgência no mesmo homem que Fagundes sustenta com contenção - o encontro das duas camadas é um dos achados mais inteligentes do espetáculo. Um complementa o outro em lados antagônicos. Alexandra, por sua vez, evita qualquer sombra de imitação. A personagem que divide com Torloni, na versão dela, tem outra temperatura, outra pulsação, e isso enriquece o jogo cênico em vez de simplificá-lo. O resultado é um mosaico que não se fecha em nostalgia, mas se expande em complexidade.

O texto de Gustavo Pinheiro confirma uma maturidade que já se espera dele. Depois de "A Lista", ele aprofunda o gesto de mergulhar na alma humana e paralisar o espectador. As situações se encadeiam com humor afiado, mas há no texto dele uma escrita que provoca sem alarde, que cutuca sem destacar o óbvio, e que deixa o público com aquela sensação incômoda e preciosa de ter sido arrebatado por algo que continua depois da última fala.

Sob a direção precisa de José Possi Neto, "Dois de Nós" evita o risco do conforto que poderia rondar um elenco tão consagrado. Nada é automático nesse espetáculo e tudo funciona muito bem. O palco é espaço de risco, de escuta, de confronto íntimo. Isso faz com que o espetáculo não termine quando as luzes se apagam. O público sai diferente porque sai melhor. "Dois de Nós" é teatro para a vida. Ensina a rir de si mesmo, a encarar as próprias tragédias sem solenidade, a entender que crescer não significa endurecer. Em tempos de espetáculos apressados em agradar, esse prefere ficar na memória.

Ficha técnica
Espetáculo "Dois de Nós"
Texto: Gustavo Pinheiro
Direção: José Possi Neto
Assistente de direção: Antonio Fagundes
Elenco: Antonio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins
Figurinos e cenários: Fábio Namatame
Desenho de luz: Wagner Freire
Desenho de som: Labsom
Música original: André Abujamra
Produção: Antonio Fagundes
Produção executiva: Gustavo de Souza e Alexandra Martins
Assistente de produção: Vanessa Campos
Assessoria de imprensa: JSPontes Comunicação - João Pontes e Stella Stephany


Serviço
Espetáculo "Dois de Nós"
Teatro Tuca - Rua Monte Alegre, 1024 – Perdizes / SP   
Telefone: (11) 3670-8455
Horários: quintas e sextas-feiras, às 21h00, sábados, às 20h00, e domingos, às 17h00. Ingressos: R$ 200,00 e R$ 100,00 (meia). Vendas: www.sympla.com.br ou na bilheteria do teatro de terça-feira a sábado, das 14h00 às 20h00, e domingos, das 14h00 às 18h00, Capacidade:  672 espectadores. Acessibilidade: sim. Duração: 90 minutos. Gênero: comédia. Classificação: 12 anos. Temporada: até 17 de maio . Redes Sociais: @doisdenosteatro / @fafacultural

.: O entrevero que adiou o primeiro "O Senhor dos Anéis" por causa de Xuxa



Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Em dezembro de 2001, o Brasil decidiu esperar. Enquanto o resto do mundo entrava na Terra-média antes do Natal, no Brasil "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel", que volta em versão estendida depois de 25 anos à Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, ficou do lado de fora dos cinemas. Tudo para dar espaço ao filme brasileiro "Xuxa e os Duendes", lançado uma semana antes e tratado como aposta segura para as férias escolares. 

Naquele momento, Xuxa Meneghel vinha de uma sequência de sucessos nas bilheterias, ocupava salas inteiras, ditava calendário. J. R. R. Tolkien, apesar do prestígio literário, ainda era visto como risco, afinal, "O Senhor dos Anéis" era uma fantasia longa, densa, sem apelo infantil direto, falada em nomes estranhos e sem rosto conhecido para o grande público brasileiro. A solução foi adiar o filme. 

A estreia, prevista para 21 de dezembro, escorregou para 1º de janeiro de 2002, sem alarde. "A Sociedade do Anel" abriu o ano atropelando expectativas. Mais de 1,2 milhão de espectadores na primeira semana, salas lotadas, boca a boca imediato. Não derrubou Xuxa, o filme dela também foi sucesso, mas deixou claro que a aposta não era excludente. Existia público  para ambos. Logo, o erro não foi escolher Xuxa, mas subestimar Tolkien.

O episódio virou folclore porque cristaliza um momento específico do cinema no Brasil: um mercado que ainda pensava em blocos fechados: “filme de criança”, “filme adulto”, “filme cult”, e que não imaginava que uma fantasia épica de quase três horas pudesse dialogar com tanta gente ao mesmo tempo. A trilogia dirigida por Peter Jackson se tornaria um dos maiores fenômenos da história do cinema, com quase US$ 3 bilhões em bilheteria mundial e 17 Oscars no currículo, incluindo Melhor Filme para "O Retorno do Rei". A "Rainha dos Baixinhos", por sua vez, encerrou com os duendes o ciclo mais forte dela nas telas. Vinte e cinco anos depois, o entrevero retorna como uma memória curiosa. A trilogia volta aos cinemas a partir desta quinta-feira, dia 22 de janeiro, em versões estendidas.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos
Dia 22 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - A Sociedade do Anel" | Sala 3 | 18h00
Dia 23 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - As Duas Torres" | Sala 3 | 18h00
Dia 24 de janeiro | "O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei" | Sala 3 | 18h00
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: Teatro: "1975" revisita impacto humano e emocional de desaparecimentos


A Arena B3 recebe, nos dias 24 e 25 de janeiro, o espetáculo "1975", obra premiada escrita por Sandra Massera e protagonizada por Angela Figueiredo, que revisita o impacto humano e emocional dos desaparecimentos ocorridos durante a ditadura militar no Uruguai. A montagem constrói uma narrativa delicada e contundente a partir de cartas, lembranças e silêncios, lançando luz sobre histórias marcadas pela ausência, pela violência de Estado e pela persistência da memória.

Com atuação solo intensa e encenação intimista, o espetáculo propõe uma escuta sensível sobre as marcas deixadas pelo autoritarismo na vida cotidiana. Ao articular memória pessoal e história coletiva, "1975" conecta passado e presente, convidando o público a refletir sobre o tempo, o luto e a importância de manter vivas narrativas silenciadas.

Situada no Centro Histórico de São Paulo, a Arena B3 ocupa um dos prédios centenários da bolsa, antes palco dos tradicionais pregões viva-voz, e hoje se transforma em um ponto de encontro cultural com programação acessível aos finais de semana. A curadoria é assinada pela Aventura — produtora de espaços como a EcoVilla Ri Happy, Teatro YouTube, BTG Pactual Hall, Teatro Riachuelo Rio e Teatro TotalEnergies, além de musicais como "Hair", "A Noviça Rebelde", "Elis, o Musical", "Mamma Mia!" e "O Jovem Frankenstein". 

Ao assumir a Arena B3, a Aventura reforça sua presença em São Paulo e amplia o acesso do público a produções culturais de qualidade. Com sessões sempre às 14h30 e 17h00, ingressos acessíveis e classificação variada, janeiro no Teatro B3 reafirma a missão do espaço: democratizar o acesso à cultura e promover vivências transformadoras por meio da arte.


Ficha técnica
Espetáculo "1975"

Texto: Sandra Massera
Direção: Sandra Massera e Angela Figueiredo
Elenco: Angela Figueiredo
Direção de vídeos e fotos: Nanda Cipola
Assistente de direção: Claudinei Brandão
Cenografia e figurinos: Kléber Montanheiro
Iluminação: Amarílis Irani e Maria Julia Rezende
Trilha sonora: Branco Mello e Sandra Massera
Programação visual: Vicka Suarez
Operações técnicas: Nanda Cipola, Maria Julia Rezende
Realização: Casa 5 Produções

Serviço
Espetáculo "1975"

Dias 24 e 25 de janeiro, às 14h30 e 17h00
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Ingressos: https://bileto.sympla.com.br/event/114362/d/355042/s/2395274?

.: Banda Karnak faz show no Blue Note dia 24 com novo repertório e clássicos


Banda lança os álbuns “Mesozóico” e “Karnak ao Vivo no Sesc 1999”. Foto: divulgação

Vivendo um ótimo momento na carreira, a banda Karnak sobe ao palco do Blue Note dia 24 de janeiro. Eles vão tocar o repertório do novíssimo “Mesozóico”, lançado recentemente, e do já clássico álbum “Estamos Adorando Tokyo”, cujo show de lançamento acaba de ser lançado pelo selo Relicário. Com o título “Karnak ao Vivo no Sesc 1999”.

Daquela apresentação, eles tocam "Zoo", "MóMuntueira", a própria "Estamos Adorando Tóquio" entre outras. Do disco novo, “Eu Só Nasci”, “Carlevindo é Boy”, “Quero Beijar Você” e “A Gente Já Era” são algumas das novas que estarão no setlist, além de sucessos como “Universo Umbigo”, “O Mundo”, “Juvenar”, “Balança a Pança” e “Ai Ai Ai Ai Ai Ai Ai”.

Atualmente, a banda Karnak é formada por Andre Abujamra (guitarra e voz), Marcos Bowie (voz), Mano Bap (guitarra e voz), Luiz Macedo (guitarra e voz), Eron Guarnieri (teclado e voz), Marcelo “Pomps” Pereira (sax e flauta), Maestro Tiquinho (trombone), Paulinho Viveiro (trompete), Sérgio Bartolo (baixo), Kuki Stolarsky (bateria) e Carneiro Sândalo (bateria). 


Serviço
Show Karnak "Mesozóiko"

Dia 24 de janeiro, às 20h00
Blue Note | Av. Paulista, 2073/2º - Consolação/São Paulo
Ingressos: R$ 140,00 (inteira)
Saiba mais: https://www.eventim.com.br/event/banda-karnak-karnak-mesozoico-blue-note-sao-paulo-20902928/


.: Marcos Valle e Luedji Luna dividem o palco em show no Teatro Bradesco


O encontro entre o mestre da MPB e da bossa moderna Marcos Valle e a voz potente e contemporânea de Luedji Luna promete emocionar o público no dia 29 de janeiro de 2026, às 21h00. no Teatro Bradesco, em São Paulo. O show “Marcos Valle Convida Luedji Luna” celebra a diversidade da música brasileira em um espetáculo único, que transita entre o clássico e o novo, o urbano e o ancestral, o sofisticado e o popular.

Com mais de seis décadas de carreira e mais de 1.200 músicas gravadas por nomes como Sarah Vaughan, Diana Krall, Elis Regina, Emicida, Lulu Santos e Roberto Carlos, Marcos Valle é um dos maiores compositores vivos do Brasil. Figura fundamental da MPB e da bossa nova, o artista segue reinventando sua obra e conquistando novas gerações. Após uma bem-sucedida turnê internacional por mais de 40 cidades da Europa, Estados Unidos e Canadá, Valle retorna ao país para uma série de apresentações especiais antes de lançar seu novo álbum e a reedição em vinil de “Jet Samba”, um de seus discos mais cultuados.

No palco, ele se apresenta com Alberto Continentino (baixo), Renato Massa (bateria), Dudu Vianna (teclados), Jésse Sadoc (sopros) e Patrícia Alvi (vocal). O repertório passeia por sucessos que marcaram sua trajetória, como Samba de Verão, Viola Enluarada, Estrelar e Os Grilos, e novos arranjos de composições recentes.

Para tornar a noite ainda mais especial, Luedji Luna sobe ao palco como convidada. A cantora e compositora baiana é uma das vozes mais marcantes da música contemporânea, conhecida por unir ancestralidade, poesia e força feminina em suas criações. Desde a estreia com Um Corpo no Mundo(2017), Luedji se tornou um símbolo de representatividade e inovação na MPB, acumulando prêmios e participações internacionais, incluindo performances no Colors e no Tiny Desk com o Afropunk.

Seu álbum "Bom Mesmo É Estar Debaixo D’Água" (2021) foi indicado ao Grammy Latino e consolidou seu nome como uma das artistas mais importantes da nova geração. Em 2025, ela apresenta seu novo projeto duplo "Um Mar Pra Cada Um, Antes Que a Terra Acabe", explorando com sensibilidade temas como amor, ancestralidade e existência. O encontro entre Valle e Luedji é uma celebração da música brasileira em toda sua amplitude, um diálogo entre tempos e sonoridades, entre a experiência e o frescor, entre a sutileza da bossa e a intensidade da nova MPB.

Serviço
Show Marcos Valle Convida Luedji Luna

29 de janeiro de 2026, às 21h00
Teatro Bradesco (Rua Palestra Itália, 500 – 3º piso – Bourbon Shopping São Paulo – Perdizes)
www.teatrobradesco.com.br
Duração: 90 minutos
Classificação: livre.
Menores de 18 anos somente acompanhados dos pais ou responsáveis.
Crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais não pagam.
Acessibilidade
Ar-condicionado
Capacidade: 1.439 pessoas
Ingressos a partir de R$ 60
Confira a legislação vigente para meia-entrada.
https://uhuu.com/evento/sp/sao-paulo/marcos-valle-convida-luedji-luna-15031

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