segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

.: Alexandre Lino expõe conflitos familiares e desafia rótulos em “A Miss”


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: divulgação

Aos poucos, Alexandre Lino construiu uma trajetória marcada pela recusa ao óbvio. Ator de presença discreta, mas de escolhas contundentes, ele passa pelo teatro, pelo cinema e pela televisão interrogando papéis, estereótipos e expectativas - sobretudo aquelas projetadas sobre corpos, sotaques e origens. No filme "A Miss", em breve em cartaz na Rede Cineflix e em cinemas de todo o Brasil, ele dá vida a Athena, personagem marcado por angústias, disputas familiares e ambiguidades morais, reafirmando a vocação dele em dar vida a personagens que incomodam mais do que confortam. Nesta entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, o ator reflete sobre protagonismo tardio, humor como linguagem política, identidade nordestina, processos criativos e a responsabilidade ética de existir em cena sem se render à caricatura.


Resenhando.com - Athena, seu personagem em "A Miss", ajuda a subverter uma tradição familiar baseada em concursos de beleza. Em que momento da sua vida você também precisou “trapacear o roteiro” que o mundo tinha escrito para você?
Alexandre Lino - Subverti o roteiro quando cheguei ao Rio e me pediram para “neutralizar” meu sotaque nordestino para disputar testes e me enquadrar. Naquele momento, era uma exigência comum do mercado e eu precisava trabalhar, mas isso nunca apagou quem eu sou, mesmo tendo me submetido a essa imposição. Hoje vejo esse padrão sendo revisto e fico feliz em perceber como "A Miss" dialoga com essa quebra de expectativas e com a coragem de existir fora das molduras impostas.


Resenhando.com - Você passou décadas sendo um ator essencial, mas muitas vezes coadjuvante no audiovisual. O sucesso tardio no cinema muda o ego ou apenas confirma uma espera que sempre fez sentido para você?
Alexandre Lino - O cinema não inflou minha vaidade, mas tem confirmado uma trajetória construída degrau a degrau. Meu reconhecimento começou no teatro, onde alcancei protagonismos mais rapidamente, e o audiovisual veio depois como consequência dessa maturidade artística. "A Miss" chega como a coroação de uma carreira forjada nos palcos, sem alterar meu modo de encarar a profissão: continuo sendo um operário das artes.


Resenhando.com - Em "A Miss", o desejo da mãe fala mais alto que a escuta dos filhos. Na sua leitura, esse filme fala mais sobre identidade de gênero ou sobre o autoritarismo disfarçado de amor dentro das famílias brasileiras?
Alexandre Lino - "A Miss" é, antes de tudo, um filme sobre família. A discussão sobre identidade de gênero está presente, mas o centro dramático é esse amor que vira controle e a projeção de frustrações da mãe sobre os filhos. O quarteto central revela contradições muito humanas - gente que ama e machuca, acerta e erra - e é nessa ambiguidade que o filme se fortalece e torna-se universal.


Resenhando.com - Depois de dar voz a personagens socialmente invisíveis - porteiros, migrantes, figuras à margem - o que ainda o assusta mais: a invisibilidade ou a caricatura quando finalmente se ganha destaque?
Alexandre Lino - A caricatura me assusta mais que a invisibilidade, porque ela cristaliza estigmas e empobrece realidades complexas, sobretudo quando falamos do nordestino. Muitas vezes o público se surpreende ao encontrar reflexão por trás de personagens populares, como o Porteiro Waldisney. Meu compromisso é seguir oferecendo densidade a essas figuras que o audiovisual insiste em simplificar.


Resenhando.com - Você transita com naturalidade entre o riso popular e o drama sensível. Existe preconceito dentro do próprio meio artístico contra quem domina o humor antes de ser reconhecido como “ator sério”?
Alexandre Lino - Existe, sim, um preconceito estrutural contra quem vem do humor. O meio artístico ainda supervaloriza o drama e o experimental, enquanto subestima quem faz rir ou trabalha para públicos populares. Eu sigo transitando entre gêneros porque acredito que um ator se mede pela seriedade do trabalho e não pelo rótulo que tentam lhe impor. Sou plural e diverso na vida, e na arte cultivo essa multiplicidade, transitando entre gêneros, linguagens e personagens sem me prender a julgamentos e denominações.


Resenhando.com - Athena é irreverente, afetuoso e provocador. Ele carrega algo do Alexandre diretor, algo do Alexandre ator ou algo do Alexandre homem que não cabe mais em rótulos?
Alexandre Lino - Athena reúne muito do meu humor e da minha sensibilidade, mas também carrega as experiências acumuladas em 25 anos de carreira. Ele nasce dessa mistura entre vida pessoal e repertório artístico que todo ator mobiliza ao criar um personagem. E há algo raro ali: a capacidade de perdoar, que me comove e me interessa profundamente no ser humano.


Resenhando.com - Em "O Porteiro", você inverte o foco e coloca o “figurante da vida real” como protagonista. Em "A Miss", a inversão é de gênero e expectativa. A subversão virou um projeto político na sua arte?
Alexandre Lino - Não chamaria de um projeto político no sentido partidário, mas de uma escolha estética e ética: lançar luz sobre histórias simples e de pessoas comuns, corpos pouco celebrados e temas que costumam ficar à margem. "O Porteiro" nasce dessa vontade de inverter centros e provocar empatia por quem quase nunca ocupa o protagonismo. Já "A Miss" apresenta uma família disfuncional que serve de espelho para milhares de outras ao redor do mundo.


Resenhando.com - Depois de tantos anos criando pontes entre teatro, cinema e educação artística, o que ainda move você: reconhecimento, sobrevivência ou a necessidade quase física de contar histórias que incomodam?
Alexandre Lino - O que ainda me move é o desafio do novo e a necessidade de contar histórias conectadas às minhas raízes nordestinas, mas também capazes de deslocar olhares. Quero seguir construindo projetos que dialoguem com esse lugar de origem e com outros territórios simbólicos, mantendo viva a tríade que organiza minha vida artística: teatro, cinema e educação.


Resenhando.com - Você já afirmou que “ser homem hoje é reinventar-se”. O que o cinema brasileiro ainda precisa desaprender para representar novas masculinidades sem medos ou clichês?
Alexandre Lino - O cinema brasileiro precisa desaprender a objetificação feminina e os atalhos fáceis que ainda surgem, sobretudo na comédia. Representar novas masculinidades passa por mostrar homens que não se afirmam pela dominação, mas pelo respeito e pela parceria. Rir não pode servir de desculpa para uma liberdade marcada por preconceitos.


Resenhando.com - Se "A Miss" fosse menos sobre concursos de beleza e mais sobre o Brasil atual, que faixa simbólica você acha que o país está tentando usar, e qual ele definitivamente não merece?
Alexandre Lino - Se "A Miss" fosse uma metáfora direta do Brasil, eu diria que ainda estamos tentando ostentar uma faixa de certezas quando deveríamos assumir a da diversidade e do diálogo. O filme aponta que não existe beleza eterna nem modelo único de família, e que a polarização é a faixa que definitivamente não merecemos usar.

.: Novo livro de Joël Dicker é uma ode à literatura e ao poder de proporcionar diálogos


Democracia, igualdade e respeito às diferenças. Em novo livro, o autor best-seller Joël Dicker se baseia nesses três pilares para construir uma história que visa promover leituras conjuntas em família, além de refletir sobre a polarização ao tentar unir pessoas com pensamentos distintos. Em "O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico", o autor suíço inova ao dar protagonismo à uma criança em uma narrativa, que embora seja breve, passa uma mensagem poderosa. O lançamento chega às livrarias brasileiras em fevereiro pela Intrínseca. A tradução é de Debora Fleck.

No enredo, o leitor acompanha Joséphine e seu grupo de amigos, formado apenas por crianças com características que as distinguem das demais crianças, em uma investigação sensível sobre o misterioso fechamento de sua escola após uma inundação. Elas estão convencidas de que não foi um acidente e não pouparão esforços para descobrir o verdadeiro culpado dessa pequena catástrofe. Enquanto isso, terão que frequentar a instituição de ensino do outro lado da rua, que acolhe um número grande de alunos. Do dia para a noite, as crianças terão que sair de suas zonas de conforto para conviver com pessoas diferentes e, no caminho, aprender conceitos fundamentais para todos.

À medida que a apuração avança, os pequenos são confrontados com vários desafios impostos pela mudança de suas rotinas. Mas, mesmo com os percalços, as crianças conseguem descobrir respostas com ajuda da avó de um deles, que, por ser fã de séries policiais, sabe tudo sobre como conduzir uma investigação. A partir daí, o grupo atravessa várias desventuras hilárias em busca da verdade, que culminam em um passeio caótico ao zoológico. Ao final, os amigos descobrem que as aparências podem enganar quando o caso toma um rumo totalmente diferente do que imaginaram.

O supercatastrófico passeio ao zoológico é um livro escrito com o desejo de fazer as pessoas lerem juntas. Como Dicker descreve na nota do autor, ao final do livro, o autor queria elaborar algo que “despertasse a vontade de ler e de fazer os outros lerem, sem distinção. E que fizesse a gente se reencontrar. De verdade”. Compre o livro "O Supercatastrófico Passeio ao Zoológico", de Joël Dicker, neste link.


Sobre o autor
Joël Dicker nasceu em Genebra, na Suíça, em 1985. É autor de "A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert", fenômeno mundial adaptado para série homônima, que foi finalista do prêmio Goncourt e vencedor do Grande Prêmio de Romance da Academia Francesa. São dele também "Os Últimos Dias de Nossos Pais", agraciado com o Prêmio dos Escritores de Genebra; "O Livro dos Baltimore"; "O Desaparecimento de Stephanie Mailer"; "O Enigma do Quarto 622"; "O Caso Alaska Sanders" e "Um Animal Selvagem", todos publicados pela Intrínseca. Foto: Anoush-Abrar. Compre os livros de Joël Dicker neste link.

.: Tainá Müller estreia como apresentadora do "Café Filosófico", na TV Cultura


Novo formato do programa vai ao ar na segunda quinzena de abril. Foto: Nadja Kouchi/Acervo TV Cultura


As noites de domingo vão ganhar uma novidade para quem gosta de uma boa conversa e estava com saudade de um dos rostos mais famosos e talentosos da TV. A partir da segunda quinzena de abril, o programa "Café Filosófico", que está no ar há 23 anos na TV Cultura, em parceria com o Instituto CPFL, passa a ser apresentado pela atriz, roteirista, diretora e jornalista Tainá Müller. A atração vai ao ar às 20h00. 

A artista que protagonizou a série "Bom Dia, Verônica", atuou em várias novelas de sucesso e estreou recentemente como diretora no documentário Apolo, agora poderá ser vista na tela da Cultura. Tainá, que fez pós-graduação em Filosofia Contemporânea, pela PUCRJ, sempre foi uma telespectadora assídua do Café Filosófico e ficou entusiasmada com o convite da TV. "Eu comecei como apresentadora, eu sou jornalista, e durante a minha carreira de atriz, que é algo pelo qual sou completamente apaixonada, confesso que fiquei com um pouco de saudades, de nostalgia da época em que eu fazia entrevistas. E quando chegou a proposta do Café Filosófico foi a combinação perfeita do que eu queria fazer nesse momento", diz a nova apresentadora do programa.
 
"Vivemos um momento de renovação e a chegada de Tainá Muller reforça isso. Estamos felizes em ter mais um grande talento em nosso time. Hoje precisamos refletir sobre a sociedade e os desafios que o mundo tem nos apresentado. Ter o Café Filosófico na TV Cultura, agora em um formato mais atraente, cumpre essa missão", afirma Beth Carmona, vice-presidente da TV Cultura.
 

Novo visual e formato
O Café Filosófico chega com uma nova identidade visual e artística, incluindo cenário, vinheta de abertura e artes gráficas para acompanhar a renovação do formato, que passa a ter Tainá Muller interagindo com os convidados e a plateia. O programa apostará em um conteúdo mais envolvente e relevante, que é um dos seus principais legados.
 
"Renovar o formato do Café Filosófico CPFL é uma forma de acompanhar as transformações da sociedade em um projeto que sempre esteve à frente do seu tempo. Desde o início, o programa é pioneiro ao levar temas contemporâneos para a TV de forma profunda e acessível, estimulando a reflexão e o diálogo. A parceria com a TV Cultura é essencial nessa trajetória, e somos muito gratos por caminhar juntos nessa evolução, ampliando o alcance e a relevância do Café para novos públicos", diz Daniella Ortolani Pagotto, Head do Instituto CPFL.
 

Sobre Tainá Müller
Tainá Müller é atriz, jornalista e cineasta formada pela PUC-RS. Antes de se dedicar à atuação, trabalhou como repórter da MTV. No cinema, como atriz, conquistou prêmios com "Cão Sem Dono" (2007) e "As Mães de Chico Xavier" (2010) e participou de personagens marcantes na televisão, como a fotógrafa Marina, da novela "Em Família" (2014) e a policial protagonista de "Bom Dia, Verônica" (2020-2024). Em 2025, estreou na direção de longas-metragens com o documentário Apolo, ampliando sua trajetória artística também atrás das câmeras. Sucesso de crítica, Apolo venceu prêmios como “Melhor documentário” no Festival do Rio, Melhor Filme pelo público no Mix Brasil. Interessada desde sempre em entender os caminhos do pensamento na nossa sociedade, chegou a cursar durante a pandemia uma pós-graduação em filosofia contemporânea na PUC-RJ.
 

Sobre o Café Filosófico
Desde a estreia, em 2003, o programa convida o público a fazer uma imersão no mundo do conhecimento, com a participação de convidados de Filosofia, Psicologia, História, Ciências e Arte, que debatem temas do cotidiano.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

.: “Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” vai do felizes para sempre e cai no real

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


"Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" apresenta a história da vida real de Mike (Hugh Jackman) e Claire Sardina (Kate Hudson), um casal da cidade de Milwaukee, Wisconsin, que não alcançou o estrelato global no meio musical, embora tenha construído uma existência sustentada pela arte e o desejo de estar no palco como Lightning & Thunder, uma banda-tributo a Neil Diamond que vai além do sucesso "Sweet Caroline" e interpreta "Soolaimon".

De forma nua e crua a trama coloca os solteiros, mas com filhos num "encontro" nos bastidores de um show de imitação. Ele como Don Ho e ela como Patsy Cline. Claire que já o conhecia de apresentações em eventos anteriores cai na mira dele e o amor acontece. O longa de 2 horas e 13 minutos de duração parece ser uma linda e florida história de amor mesclada com o trabalho musical que tem como empecilho somente a breve resistência dos filhos. 

Contudo, "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" divide toda a carga emocional com o público quando em casa, Claire, quer dar uma cor no seu jardim plantando flores. Diante da janela da sala, acaba sendo vítima de um carro desgovernado. A cena impactante que tira o sorriso do rosto dela, acaba com todo o ar de felizes para sempre que vinha crescendo no filme. 

Perdida numa profunda tristeza, ela passa o peso do fardo para Mike e os três filhos. Todos sem saber qual rumo tomar diante da situação, uma vez que a mãe só está presente fisicamente e tudo mais distante. Dirigido e roteirizado por Craig Brewer (“Ritmo de Um Sonho”)"Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" é inspirado no documentário homônimo de 2008, incluindo o encontro do casal com Eddie Vedder, do Pearl Jam.

A produção emocionante tem ainda os vocais de Hugh Jackman, experiente em musicais da Broadway e Kate Hudson, que lançou carreira no meio musical em 2024, tendo participado do seriado "Glee" com a professora Cassie. O resultado é uma dupla em perfeita sincronia, seja na interpretação ou no vocal. "Song Sung Blue: Um Sonho a Dois" toca no público não por somente fugir de uma história de ascensão meteórica e que não chega sucesso global, mas por apesar de tudo, seguir as trilhas do coração mesmo quando a matriarca da família tem a vida remexida de cabeça para baixo e todos os seus sofrem com tal impacto. No elenco ainda estão nomes como Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Jim Belushi, Michael Imperioli, Fisher Stevens e Hudson Hilbert Hensley. Imperdível!


Em parceria com a Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm


Ficha técnica
“Song Sung Blue: Um Sonho a Dois” | "Song Sung Blue" (título original)
Gênero: comédia musical, drama. Classificação indicativa: não recomendado para menores de 14 anos. Ano de produção: 2026. Idioma: inglês. Direção e roteiro: Craig Brewer. Elenco: Hugh Jackman, Kate Hudson, Michael Imperioli, Fisher Stevens, Jim Belushi, Ella Anderson, King Princess, Mustafa Shakir, Hudson Hilbert Hensley. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h13m. Cenas pós-créditos: não.

.: Entrevista: Victor Garbossa reinventa “O Alienista” para fazer o Brasil repensar


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.comFoto: Joaquim Araújo

Em um país onde o clássico frequentemente é visto como sinônimo de inacessível, "O Alienista" -adaptação teatral protagonizada por Victor Garbossa e dirigida por Eduardo Figueiredo - surge como uma espécie de rebelião poética: leve, irônica, musical e, ao mesmo tempo, profundamente crítica. Inspirada no conto homônimo de Machado de Assis, a montagem reimagina o médico Simão Bacamarte que, além de um estudioso da razão e da loucura, é també, alguém que faz parte das contradições e obsessões de nosso tempo.

Em cartaz até o dia 1º de fevereiro no Teatro J. Safra, em São Paulo, "O Alienista" convida cada espectador a revisitar Machado de Assis. Em entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, Victor Garbossa fala sobre arte, identidade, redes sociais, fé cega e o ofício performático que transita entre palco, estúdio de dublagem e tela.

Com uma linguagem que dialoga diretamente com o público jovem e familiar, o espetáculo propõe uma aproximação radical entre palco e plateia - que começa ainda na recepção do teatro, quando um ator se mistura aos espectadores para compartilhar como a leitura de um clássico transformou sua vida. Ao longo de 60 minutos, humor e reflexão se misturam à música ao vivo e à multiplicidade de personagens encarnados por Garbossa, convidando o público a rir, pensar e questionar a própria noção de normalidade.


Resenhando.com - "O Alienista" é uma obra sobre o poder de definir quem é “normal”. Em 2026, quem você acredita que ocupa esse lugar de alienista na sociedade brasileira: a ciência, a política, o mercado ou as redes sociais?
Victor Garbossa - Eu acredito que o tribunal das redes sociais seja um antro onde pessoas de todos os segmentos se sentem autorizadas - e empoderadas - a julgar o que é certo, o que é errado, o que é normal e o que não é. Existe uma crença perigosa de que qualquer um pode opinar sobre qualquer assunto sem embasamento algum, e as redes sociais reforçam isso ao oferecerem anonimato e sensação de impunidade. Basta um perfil fechado ou falso para que atrocidades sejam ditas e, na maioria das vezes, nada acontece.


Resenhando.com - Ao se misturar ao público logo na recepção e contar sua própria “queda” em Machado de Assis, você rompe a quarta parede e também a hierarquia entre ator e espectador. Esse gesto é mais teatral ou mais político?
Victor Garbossa - É mais humano. A partir do momento em que busco equalizar a nossa relação, tento trazer para as pessoas uma proximidade que muitas vezes o estereótipo de um texto difícil cria logo de início. Quando somos apresentados a um texto clássico, geralmente temos a impressão de algo arcaico, chato ou de difícil leitura. O que eu busco dizer, por meio desse ato, é que estamos juntos. Ao fazer isso, rompo previamente uma barreira que, por exemplo, no cinema, existe de forma clara entre tela e espectador. Aqui, apesar de também existir uma separação, estamos todos dentro da mesma história.


Resenhando.com - Machado de Assis escreveu "O Alienista" como sátira, mas muitos hoje o leem quase como profecia. Em cena, você ri mais de Simão Bacamarte ou sente medo dele?
Victor Garbossa - A primeira coisa que busco é a empatia. Não posso ser leviano ou ingênuo a ponto de dizer que nunca julguei algo com preconceito ao longo da minha trajetória, nem condenar o personagem como um tipo de monstro. Esse discernimento vem primeiro do lugar de leitor e espectador, para só depois se transformar em intérprete. Procuro entender as motivações do personagem, mas também faço questão de analisar o resultado final disso tudo nos dias de hoje. Existem pessoas com comportamentos muito semelhantes aos de Bacamarte, e elas me assustam. Como disse na primeira pergunta, a sensação de impunidade lhes dá uma falsa segurança para rotular, julgar e aprisionar pessoas e situações conforme lhes convém, sustentadas por atitudes egoicas, absurdas e prepotentes. Talvez o riso surja justamente desse desconforto: perceber que, ainda hoje, há quem prefira julgar em vez de acolher.


Resenhando.com - Interpretar vários personagens sozinho exige rapidez, precisão e risco. O que mais o assusta num solo: o silêncio da plateia ou o riso que vem no tempo errado?
Victor Garbossa - O que mais me assusta é suprir uma expectativa que muitas vezes eu mesmo crio. Fazer um solo exige, antes de tudo, estar despido de vaidade, permitir ser vulnerável e generoso a tudo o que pode acontecer. É evidente que ensaiamos muito e nos preparamos intensamente para que a piada entre no tempo certo, para que a comoção chegue até a plateia, mas também é fundamental estar atento e disponível para saber lidar com os reveses quando situações fora do nosso controle acontecem.


Resenhando.com - Sua carreira transita entre teatro, dublagem, televisão e literatura infantil. Em qual desses territórios você sente que pode errar mais - e por que errar ainda é essencial para um artista?
Victor Garbossa - Eu vejo o "erro"na verdade como o que funciona e o que não funciona às vezes uma técnica uma expressão uma piada funciona e/ou não funciona para um espetáculo em específico o teatro acaba sendo esse espaço mais fértil pois muitas vezes ele nasce desse inesperado ele nasce da experimentação de apostar de sair um pouco do óbvio Em contrapartida, a dublagem e a televisão exigem um estado de mais prontidão existe ensaio existe preparo mas poucas vezes você pode fugir muito a regra E são poucos os momentos em que você pode improvisar com algo que pode acontecer de inesperado numa apresentação com uma plateia diferente.


Resenhando.com - Como dublador, você empresta voz a outros corpos; como ator solo, empresta corpos a muitas vozes. O que essa inversão ensinou a você sobre identidade e atuação?
Victor Garbossa - Toda experiência artística nos transforma de alguma maneira. Mesmo quando utilizo apenas a minha voz, o corpo está atuando e vice-versa. Criar personagens amplia minha gama e meu repertório, para que, quando estou diante de um estande, eu tenha mais arsenal para trabalhar com a voz. O bonito do nosso trabalho é que, para aqueles que sabem aproveitar, toda ocasião se torna uma oportunidade de aprendizado e de enriquecimento do próprio ofício.


Resenhando.com - Machado de Assis ironiza a obsessão científica de Bacamarte. Hoje, que tipo de “fé cega” você enxerga substituindo a religião ou a ciência no imaginário coletivo?
Victor Garbossa - Acredito que hoje basta alguém pensar diferente para que um conflito se instale. Quando trazemos à tona questionamentos que demandam fatos e estudos, o mais coerente seria permitir que aquilo que se aproxima da verdade se sobreponha à sua antítese. No entanto, a disseminação de notícias falsas e o uso malicioso da inteligência artificial acabam confundindo e influenciando pessoas que chegam a confrontar fatos que não deveriam sequer ser contestados. Muitas vezes, essas mesmas pessoas tentam trazer à luz argumentos e opiniões infundadas apenas pelo prazer de estarem certas, mesmo quando não estão. Isso, por si só, já é suficiente para alimentar uma nova forma de “fé cega”, capaz de gerar atrito, ruído e discussão.


Resenhando.com - A montagem aposta em uma linguagem jovem e musical sem “simplificar” Machado de Assis. Existe um preconceito silencioso contra o público jovem quando o assunto é clássico brasileiro?
Victor Garbossa - Da nossa parte, é justamente o contrário. Acreditamos que o jovem tem plena capacidade de absorver e se entreter com um texto clássico, respeitando sua forma original, fazendo apenas as adequações necessárias. Talvez isso não se trata nem de preconceito, mas de uma preocupação genuína em resgatar, junto aos jovens, o acesso aos nossos livros clássicos e à nossa identidade cultural. Vivemos um tempo em que eles são diariamente bombardeados pelas redes sociais e, muitas vezes, têm acesso mais fácil ao que vem de fora do que ao que é nosso. Nesse contexto, o espetáculo acaba se tornando também um evento familiar, no qual o jovem pode trazer sua família e amigos para consumir e compartilhar arte e literatura brasileira.


Resenhando.com - Você atua em produções bíblicas na TV e, ao mesmo tempo, encarna um personagem que questiona moral, razão e poder. Como conciliar fé, dúvida e crítica no mesmo artista?
Victor Garbossa - Eu não vejo por que elas não podem coexistir. A fé não deveria nos enclausurar; deveria nos sustentar, mas também abrir espaço para o questionamento e para o conhecimento das coisas, como forma de nos apaziguar, e não de nos prender ou limitar. Como artista, acredito que personagens diversos e temas conflituosos tendem a nos enriquecer, ampliando nossa dialética e nosso repertório. O saber não deve ser visto como algo assustador, mas como algo libertador.


Resenhando.com - Se Machado de Assis sentasse hoje na plateia do Teatro J. Safra, o que ele estranharia mais: o espetáculo, o Brasil ou nós mesmos?
Victor Garbossa - Sinceramente eu espero que tudo. Ele faleceu em 1908, um salto centenário de princípios de valores, de regras que mudaram, de meios de se contar histórias. Eu espero que ele se choque com tudo, no entanto esperaria que ele tivesse a empatia de compreender essas mudanças e assimilar que elas fazem parte de um novo cotidiano.

.: "Rua" ocupa o Sesc Pinheiros e convida a juventude a olhar o outro lado


A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00, e sessões especiais terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, nos mesmos horários. Foto: Sérgio Silva

O espetáculo "Rua", que estreia dia 1º de março no Auditório do Sesc Pinheiros, marca o terceiro projeto infantojuvenil da dramaturga e atriz Fran Ferraretto, indicada ao Prêmio APCA 2024 pelo texto de "Valentim Valentinho". Antes disso, ela estreou como idealizadora em "A Minicostureira", espetáculo dirigido por Débora Falabella e Cynthia Falabella, que se destacou na temporada de 2018 pelo sucesso de público e de crítica. Com direção de Eugênio Lima, fundador do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos, o novo espetáculo propõe um olhar sensível e necessário sobre temas como desigualdade social, família, sonhos e oportunidades. O elenco reúne Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza e Rodrigo Pavon, em uma encenação que aposta na força da música, da dança e da linguagem urbana para dialogar com o público jovem.

A temporada segue até 29 de março, com apresentações aos domingos, às 15h00 e 17h00, e sessões especiais terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, nos mesmos horários. Na trama, o público acompanha a história de Jeffinho, um menino talentoso que adora criar rimas e passos de dança. Morador de uma comunidade separada por apenas uma rua de um dos bairros mais ricos da cidade, ele conhece Lucas, garoto da mesma idade que vive “do outro lado”. A partir desse encontro, nasce uma amizade que atravessa diferenças sociais e revela, de forma lúdica e potente, descobertas sobre o mundo, a convivência e as desigualdades estruturais da sociedade.

Com ritmo, afeto e diversão, "Rua" fala sobre sonhos possíveis, oportunidades negadas e a força transformadora da amizade. Além da direção geral, Eugênio Lima assina também a direção musical, ao lado de Barroso, responsável pela trilha sonora original. A ficha técnica inclui ainda Luaa Gabanini na preparação corporal, Khalifa Idd no workshop de passinho, Claudia Schapira no figurino, Matheus Brant no desenho de luz e Vic von Poser na videografia. A produção é conduzida por Paula Malfatti, com coordenação da FATTO Realizações, e conta com assessoria de imprensa da Canal Aberto.


Ficha técnica
Espetáculo "Rua"

Idealização e texto: Fran Ferraretto
Direção: Eugênio Lima
Elenco: Barroso, Fernando Lüfer, Fran Ferraretto, Jennifer Souza, Rodrigo Pavon
Direção musical: Eugênio Lima
Trilha sonora: Barroso e Eugênio Lima
Preparadora corporal: Luaa Gabanini
Workshop Passinho: Khalifa Idd
Figurino: Claudia Schapira
Desenho de luz: Matheus Brant
Videografia: Vic von Poser
Operação de som: Viviane Barbosa
Cenotécnico: Wanderley Wagner
Design gráfico: Murilo Thaveira
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques
Mídias sociais: Rafael Américo
Fotos: Sérgio Silva
Direção de Produção: Paula Malfatti
Coordenação de produção: FATTO Realizações
Apoio: Oficina de Atores Nilton Travesso


Serviço
Espetáculo "Rua"
Temporada: 1° a 29 de março, aos domingos, às 15h00 e às 17h00. Terça e quarta-feira, dias 17 e 18 de março, às 15h00 e 17h00.

Sesc Pinheiros  
Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Horário de funcionamento: Terça a sexta: 10h00 às 22h00. Sábados, 10h00 às 21h00. Domingos e feriados: 10h00 às 18h30
Estacionamento com manobrista

Como chegar de transporte público
São 350 metros a pé da Estação Faria Lima (metrô | linha amarela), 350 metros a pé da Estação Pinheiros (CPTM | Linha Esmeralda) e do Terminal Municipal Pinheiros (ônibus). Acessibilidade: a unidade possui rampas de acesso e elevadores, além de banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida. Também conta com espaços reservados para cadeirantes.

sábado, 31 de janeiro de 2026

.: Escrevivência de Conceição Evaristo vira ópera no Theatro São Pedro


Programação terá as óperas "Orfeu no Inferno", "Don Pasquale" e "Conceição Evaristo - Uma Ópera Escrevivência", com texto da própria autora que completa 80 anos em 2026. Foto: divulgação

A temporada 2026 do Theatro São Pedro ganha um ponto de inflexão simbólico e artístico com “Conceição Evaristo - Uma Ópera Escrevivência”, criação que coloca no centro do palco uma das vozes mais decisivas da literatura brasileira contemporânea. Em um gesto que ultrapassa a programação cultural e toca a história, o teatro dedica uma ópera inteira à autora mineira justamente no ano em que ela completa 80 anos - e o faz com texto assinado pela própria escritora.

A estreia está marcada para 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, data que não poderia ser mais precisa para a proposta do espetáculo. As récitas seguintes acontecem nos dias 22, 25, 27 e 29 de novembro, esta última coincidindo com o aniversário de Conceição Evaristo. Não se trata apenas de uma homenagem, mas de uma afirmação estética e política: a ópera, gênero historicamente associado a narrativas europeias e cânones brancos, abre espaço para a escrevivência - conceito criado pela autora para nomear uma escrita atravessada por memória, corpo, experiência e ancestralidade.

Com composição musical de Juliana Ripke, a obra articula palavra e música a partir da própria matéria literária de Evaristo, marcada por vozes femininas negras, silêncios históricos e afetos forjados na resistência cotidiana. No elenco estão Edna D’Oliveira, Juliana Taino e Vinicius Costa, que dão corpo e voz a uma narrativa que não busca acomodação, mas escuta. Na mesma temporada, o teatro ainda apresenta títulos como “Orfeu no Inferno”, “Don Pasquale”, produções da Academia de Ópera, criações inéditas do Atelier de Composição Lírica, além de uma programação que envolve cinema, dança, música de câmara e concertos especiais.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: Benito de Paula canta seus sucessos pelo Brasil com o filho, Rodrigo Vellozo


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Murilo Alvesso

O público amante da boa música será presenteado com um encontro raro. Benito di Paula, um dos nomes mais marcantes da música popular brasileira, sobe ao palco ao lado de seu filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo, para o espetáculo “A Dois Pianos”, que acontece pelo Brasil. As apresentações inauguram as comemorações pelos 85 anos de vida de Benito, que serão celebrados em novembro de 2026. 

 Radicado em São Paulo, onde fixou moradia e formou família, Benito desenvolveu uma trajetória singular que o consagrou como grande símbolo do samba paulista. Entre as décadas de 1970 e 1980, alcançou enorme projeção popular, somando 50 milhões de discos vendidos - marca que o coloca entre os cinco maiores vendedores de discos do Brasil. Sua obra ultrapassou fronteiras: além do sucesso nacional, Benito gravou em idiomas como espanhol, francês, italiano, finlandês e alemão, com 4 milhões de discos vendidos na Europa. Ao longo da carreira, lançou mais de 35 álbuns, muitos deles relançados em CD devido ao êxito contínuo junto ao público.

 A apresentação celebra o legado do samba paulista e tem como eixo central a obra do próprio Benito - artista recentemente homenageado no enredo da escola de samba Águia de Ouro no Carnaval de 2025, reafirmando sua importância para a cultura brasileira. Com arranjos especialmente concebidos para o diálogo entre os dois pianos, o repertório revisita clássicos como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira”, agora ressignificados pela cumplicidade artística entre pai e filho.

Sua discografia extensa passou a ser notada a partir de 1974, com o disco Um Novo Samba, que continha canções autorais que se tornaram verdadeiros clássicos de nossa música. Desde a faixa de abertura (Se Não For Amor), passando por outras como Retalhos de Cetim, Que Beleza e Certeza de Você Voltar, todas mostraram a força da obra de Benito de Paula para o público. Com mais de 35 álbuns lançados, parte significativa de sua obra foi relançada em CD, comprovando seu imenso sucesso. O show "A Dois Pianos" tem apresentações previstas para 27 de março em Aracaju, 28 de março em Maceió e 3 de abril em São Paulo. E deve seguir por mais cidades do país.

"Charlie Brown"

 "Retalhos de Cetim"

.: Pélico faz show de lançamento de “A Universa Me Sorriu” sábado no CCSP


Show terá participação de Marisa Orth. Foto: José de Holanda

Cantor e compositor, Pélico é referência da geração surgida no início dos anos 2000. Depois de quatro álbuns nos quais compôs sozinho as letras e melodias de praticamente todas as suas músicas, ele lançou recentemente “A Universa Me Sorriu - Minhas Canções com Ronaldo Bastos” (SóLóv/YB), composto em parceria com Ronaldo Bastos, figura fundamental do Clube da Esquina e que foi gravado por Milton Nascimento, Lô Borges, Elis Regina, Gal Costa, Lulu Santos e muitos outros.

Depois da primeira vez que se encontraram, em 2012, os dois ficaram em contato, em 2019 chegaram a fazer uma primeira canção e veio a ideia de um disco, que foi composto, gravado e lançado em 2025. É o show deste álbum que estreia no dia 31 de janeiro no CCSP. Pélico vai apresentar as novas “Infinito Blue”, “Sua Mãe Tinha Razão”, “Marinar” e “É Melhor Assim”, essa com participação especial da cantora Marisa Orth, levando para o palco o mesmo dueto que fizeram no disco. Também estão no repertório músicas mais conhecidas da sua carreira como “Não Vou Te Deixar, Por Enquanto”, “Machucado”, “Euforia”, “O Menino” e “Amanheci”, entre outras.

No show, Pélico (voz) será acompanhado por Jesus Sanchez (baixo), que também assina a produção do álbum, Regis Damasceno (guitarra e violão), João Erbetta (guitarra e violão), Jesus Sanchez (baixo), Clayton Martin (bateria) e Laura Lavieri (backing vocal).


Sobre o artista
Cantor e compositor, Pélico é referência da geração surgida no início dos anos 2000. Além de cinco álbuns e dois singles lançados, todos autorais, ele participou de vários projetos especiais e teve suas canções gravadas por CATTO, A Banda Mais Bonita da Cidade, Luiza Possi e outros. Ele acaba de lançar “A Universa Me Sorriu - Minhas Canções Com Ronaldo Bastos”.

 
Serviço
Show Pélico  “A Universa Me Sorriu”
CCSP  - Rua Vergueiro, 1000
Sábado, dia 31 de janeiro, às 19h00
Entrada gratuita

.: “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” em três sessões


Monólogo autoral de Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, mistura sátira histórica, humor físico e narrativa direta ao público em uma comédia sobre fé, ciência e desinformação — agora em curta reta final, aos finais de semana. Foto: Ronaldo Gutierrez

Depois de uma estreia que movimentou o teatro e de uma temporada que ganhou forte repercussão, a comédia histórica “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” entra em reta final com novas datas aos sábados, devido ao sucesso de público. O monólogo autoral protagonizado por Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, segue em cartaz no Teatro
MorumbiShopping (Teatro Multiplan) e anuncia apenas mais 3 apresentações, de
31 de janeiro a 14 de fevereiro, sempre às 20h30.

Ambientada há exatamente mil anos, em uma praça da Andaluzia medieval, a peça acompanha Raí, um barbeiro-curandeiro que improvisa “tratamentos” para sobreviver - e, no processo, expõe as contradições entre fé, ciência, ignorância e poder. Na trama, o personagem atende aldeões com “procedimentos” tão duvidosos quanto cômicos: cortes de cabelo, extrações de dentes, sangrias, rezas e curas improvisadas. O que começa como ofício e charlatanismo vira uma jornada inesperada quando Raí se vê diante da necessidade - e do desejo - de compreender o que, afinal, é conhecimento
de verdade.

Com humor físico, fala direta com o público e ritmo ágil, a encenação combina sátira histórica e comédia popular, traçando um caminho que leva não só o protagonista, mas o público, ao universo (surpreendentemente reconhecível) da história da medicina. O riso aqui não é só entretenimento - é ferramenta para refletir sobre como (ainda) lidamos com o corpo, a dor, o medo e a desinformação.

O espetáculo faz um “resgate histórico” também na linguagem: sem perder a velocidade contemporânea, o texto de Emerson flerta com um prazer narrativo que lembra as contações de história populares e educativas que marcaram parte da televisão dos anos 1990 - aquele tom de fábula, de causos e de curiosidade que prende o olhar e conduz o público pelo enredo com clareza e surpresa. Ainda que fictícia, a história é atravessada por informações reais e referências históricas que convidam o espectador a “mergulhar” em um tempo que, de algum modo, já estudamos - e a sentir o impacto da distância entre época e presente.

A condução cênica reforça esse jogo com o público por meio do corpo e do movimento, que seguram a plateia no enredo: a cena se organiza como um fluxo de ações e imagens que impulsionam o relato, com fisicalidade precisa e senso de ritmo. Na direção, Ivan Parente utiliza recursos ligados à tradição da commedia dell’arte para construir um teatro vivo, direto e popular. Entre as referências assumidas no processo de escrita, está Dario Fo, mestre do monólogo satírico e popular, cuja tradição de comicidade crítica ecoa no modo como a peça usa o riso para iluminar estruturas sociais
e contradições humanas.


Credibilidade e “boca a boca”
Segundo a produção, a estreia VIP teve casa cheia e reuniu plateia com
influenciadores, jornalistas e críticos — aquecendo o boca a boca que impulsionou a
mudança de datas para o fim de semana. Agora, com somente três sessões, a
temporada entra em clima de “última chance” para quem ainda não viu (ou para quem
quer voltar e indicar).


Serviço
Espetáculo "A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia"
Temporada (reta final): 31 de janeiro a 14 de fevereiro - Três sessões, sempre aos sábados, às 20h30
Teatro Multiplan MorumbiShopping – São Paulo
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Redes: @aprimeiracirurgiadahistoria
Ingressos: Sympla

.: "A Fratura" transforma um pronto-socorro em microcosmo da França


"A Fratura", de Catherine Corsini, transforma um pronto-socorro em microcosmo da França contemporânea, entre conflitos afetivos e a ebulição política dos protestos dos coletes amarelos. Foto: Photo 5 LF © / Carole Bethuel


Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, a comédia "A Fratura", de Catherine Corsini, transforma um pronto-socorro em microcosmo da França contemporânea, entre conflitos afetivos e a ebulição política dos protestos dos coletes amarelos. No filme, Raf e Julie, um casal prestes a se separar, estão em um pronto-socorro na noite de um grande protesto dos "coletes amarelos", em Paris.

O encontro com Yann, um manifestante ferido e furioso, vai chacoalhar suas certezas e preconceitos. Lá fora, a tensão aumenta e logo o hospital tem que fechar as portas, fazendo com que a equipe fique sobrecarregada. A noite será longa, trágica e hilária. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"A Fratura"
Direção: Catherine Corsini | França | 2021 | 98 minutos | Comédia | 12 anos
Elenco: Pio Marmaï, Valeria Bruni Tedeschi, Marina Foïs, Jean-Louis Coulloc'h  
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 

.: Japan House SP prorroga exposição "Fluxos - O Japão e a Água" até 5 de abril


A Japan House São Paulo anuncia a prorrogação da exposição “Fluxos - O Japão e a Água” até o dia 5 de abril. Em cartaz no segundo andar da instituição localizada na Avenida Paulista e visitada por mais de 150 mil pessoas, a mostra - que conta com curadoria da diretora cultural da JHSP, Natasha Barzaghi Geenen - propõe uma reflexão sobre a relação histórica, cultural e simbólica do Japão com o elemento essencial para a vida. A visitação é gratuita de terça a sexta-feira, das 10h às 18h; e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

A curadoria destaca diversos aspectos da água e sua gestão na sociedade nipônica, a partir de exemplos como o Canal Subterrâneo de Escoamento da Área Metropolitana de Tóquio - maior edificação de desvio subterrâneo de inundações do mundo -, e os diferentes tipos de águas termais e suas propriedades. A mostra também apresenta uma gravura em estilo ukiyo-e, de 1857, de Utagawa Hiroshige; a obra “Buloklok”, de Tomoko Sauvage, inspirada em uma clepsidra (relógio de água) que emite padrões sonoros; e a instalação “Sans room”, de Shiori Watanabe, que cria um ecossistema artificial de circulação microbiana por meio da água.

Serviço:
Exposição “Fluxos - O Japão e a Água”

Período: até 5 de abril de 2026
Local: Japan House São Paulo, segundo andar – Av. Paulista, 52 - São Paulo/SP
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
Entrada gratuita.

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