terça-feira, 18 de agosto de 2026

.: Laura Cardoso morre aos 98 anos e deixa legado de oito décadas


Em homenagem à atriz, TV Globo exibe o especial "Tributo" nesta terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo". Foto: Globo/Matheus Malafaia

Laura Cardoso morreu na noite desta segunda-feira, 17 de agosto, aos 98 anos, na casa dela, em São Paulo. Segundo a família, a atriz morreu de causas naturais. Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, ela se tornou uma das figuras mais importantes da dramaturgia brasileira e construiu uma trajetória artística que atravessou oito décadas, passando pelo rádio, televisão, teatro e cinema. A informação sobre a morte da atriz foi divulgada durante a manhã desta terça-feira, dia 18.

Como homenagem à artista, a TV Globo exibe nesta tarde o especial "Tributo", logo após "Além do Tempo", na Edição Especial. Gravado em 2024, o episódio da série documental revisita momentos marcantes da vida e da carreira de Laura, com depoimentos de amigos e colegas, além de lembranças da infância da atriz. Com a mudança na programação, o filme previsto para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

A atriz começou a trabalhar ainda adolescente. Aos 15 anos, deu os primeiros passos no rádio, na Rádio Cosmos. O reconhecimento nacional veio em 1952, quando participou do programa "Tribunal do Coração", da recém-inaugurada TV Tupi. Na emissora paulista, trabalhou com diretores como Dionísio Azevedo e Teixeira Filho e permaneceu até o encerramento das atividades, em 1980. Ao longo da carreira, a atriz acumulou mais de uma centena de trabalhos na televisão, entre novelas, séries e especiais. 

Quando chegou à Globo, em 1981, já carregava o status de estrela. A estreia na emissora aconteceu em "Brilhante", de Gilberto Braga, na pele de Alda Sampaio, mãe da protagonista Luiza, interpretada por Vera Fischer. Depois de uma passagem pela TV Bandeirantes, onde participou de "Ninho de Serpente", de Jorge Andrade, e "Renúncia", de Geraldo Vietri, ambas em 1982, Laura voltou à Globo e retomou uma parceria importante de sua trajetória: a colaboração com o autor Walther Negrão. Com textos de Negrão, esteve em três novelas consecutivas: "Pão-Pão, Beijo-Beijo" (1983), como a inesquecível Donana; "Livre para Voar" (1984); e "Fera Radical" (1988).

A década de 1990 trouxe outros personagens marcantes. Laura participou de "Rainha da Sucata" (1990), de Silvio de Abreu, e "Felicidade" (1991), de Manoel Carlos. Em "Mulheres de Areia" (1993), interpretou Isaura Araújo, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, vividas por Gloria Pires. No ano seguinte, foi a médium Guiomar, em "A Viagem".

Em 1995, viveu Sinhana, a chamada "mãe Coragem" da segunda versão de "Irmãos Coragem", clássico de Janete Clair dirigido por Luiz Fernando Carvalho. No mesmo ano, interpretou a cigana Soraya em "Explode Coração", de Glória Perez. A parceria com Walther Negrão voltou a render frutos em "Vila Madalena" (1999), novela em que Laura deu vida a Deolinda, uma matriarca italiana. Depois de uma breve passagem pela Record, onde esteve em "Vidas Cruzadas" (2000), de Marcos Lazarini, retornou à Globo em "A Padroeira" (2001), de Walcyr Carrasco. Em "Esperança" (2002), de Benedito Ruy Barbosa, interpretou Madalena, imigrante italiana que sonhava encontrar um marido. A personagem, novamente dirigida por Luiz Fernando Carvalho, estava entre as preferidas da atriz.


Do drama à comédia
Laura Cardoso tinha uma característica que ajudou a torná-la tão admirada: a capacidade de transitar por diferentes gêneros e personagens. Em "Chocolate com Pimenta" (2003), de Walcyr Carrasco, divertiu o público como Carmem, a avó do núcleo caipira. Em "Hoje é Dia de Maria" (2005), sua primeira minissérie na Globo, emprestou a voz à Senhora dos Dois Mundos, avó responsável por narrar histórias para Maria. A produção foi dirigida por Luiz Fernando Carvalho.

A atriz também participou do remake de "O Profeta" (2006), adaptado por Duca Rachid e Thelma Guedes a partir da obra de Ivani Ribeiro; de "Duas Caras" (2007), de Aguinaldo Silva; e de "Caminho das Índias" (2009), de Glória Perez, novela vencedora do Emmy Internacional de Melhor Telenovela, na qual interpretou a matriarca indiana Laksmi Ananda.

Em "Araguaia" (2010), de Walther Negrão, Laura viveu Mariquita, amiga de Antoninha, personagem de Regina Duarte, a quem cabia a criação do filho Fernando Rangel, interpretado por Edson Celulari. Já em 2012, ganhou novamente os holofotes ao interpretar Dorotéia em "Gabriela", releitura assinada por Walcyr Carrasco a partir da obra de Jorge Amado. A personagem, uma beata considerada "o pilar moral de Ilhéus", caiu no gosto do público.

No ano seguinte, Laura foi Veridiana em "Flor do Caribe". Aos 87 anos, em 2014, participou de três produções: o seriado "Segunda Dama" e as novelas "Boogie Oogie" e "Império". Em 2016, voltou a interpretar uma vilã, Dona Sinhá, em "Sol Nascente", de Walther Negrão, Suzana Pires e Júlio Fischer. Em 2017, destacou-se como Caetana em "O Outro Lado do Paraíso", de Walcyr Carrasco. Dois anos depois, reencontrou o autor em "A Dona do Pedaço", na qual interpretou Matilde.


Teatro, cinema e muitos prêmios
A televisão foi apenas uma das frentes de uma carreira gigantesca. Laura Cardoso também construiu uma história de respeito nos palcos e no cinema, acumulando prêmios e homenagens. No teatro, recebeu o Prêmio Shell em 1990 e 1993 pelas atuações em "Vem Buscar-me que Ainda Sou Teu", dirigida por Gabriel Villela, e "Vereda da Salvação", com montagem de Antunes Filho. Também foi reconhecida pela APCA, pelo Grande Otelo e por outras importantes premiações.

No cinema, estreou em 1964, com "O Sol", de Geraldo Vietri, e participou de mais de 20 filmes. Pela atuação como Selma em "Através da Janela", de Tata Amaral, recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cinema Brasileiro de Miami. Em 2001, conquistou o Grande Prêmio Cinema Brasil por "Copacabana", dirigido por Carla Camurati.

Em 2006, foi condecorada com a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo governo brasileiro por sua contribuição ao cinema, ao teatro e à televisão. Em 2021, recebeu o Prêmio Guarani Honorário. Em 2023, foi homenageada com o Troféu Oscarito no Festival de Cinema de Gramado, reconhecimento a uma trajetória fundamental para a história do audiovisual brasileiro.

Em outubro de 2025, Laura Cardoso ganhou uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo, eternizando seu nome entre os grandes artistas que ajudaram a construir a dramaturgia brasileira. Viúva do ator e diretor Fernando Balleroni, Laura Cardoso deixa as filhas Fátima e Fernanda, as netas Claudia e Adriana e o bisneto Fernando. O velório acontece na manhã desta terça-feira, em São Paulo, em cerimônia restrita a familiares e amigos. A partida encerra uma das carreiras mais longevas e respeitadas da cultura brasileira. Laura Cardoso deixa personagens, histórias e uma presença artística que atravessou gerações — da era do rádio à televisão contemporânea.


Sobre "Tributo"
O especial dedicado a Laura Cardoso foi gravado em 2024 e recupera momentos da trajetória da atriz, reunindo depoimentos de colegas e amigos e memórias de sua infância. Exibição: terça-feira, 18 de agosto, após "Além do Tempo" (Edição Especial). Observação: em razão da exibição do especial, o filme programado para a "Sessão da Tarde" não será exibido.

.: "A Paixão de Cristo" volta aos cinemas brasileiros em versão remasterizada


Mais de 20 anos após seu lançamento, filme dirigido por Mel Gibson será exibido novamente nos cinemas em dezembro, como preparação para a chegada da aguardada continuação. Imagem: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

"A Paixão de Cristo", produção dirigida por Mel Gibson em 2004, voltará aos cinemas brasileiros em uma versão remasterizada em 4K. O anúncio foi feito nesta quarta-feira pela Heaven Content e pela Paris Filmes por meio das redes sociais. A nova exibição está programada para dezembro de 2026, embora a data específica ainda não tenha sido divulgada pela distribuidora. O relançamento acontece às vésperas da estreia de "A Ressurreição de Cristo: Parte Um", sequência dirigida novamente por Gibson e que dará continuidade à história apresentada no longa de 2004.

Lançado há mais de duas décadas, "A Paixão de Cristo" acompanha as últimas 12 horas que antecedem a crucificação de Jesus. O filme foi rodado com diálogos em aramaico e latim, línguas associadas ao contexto histórico retratado na produção. Realizado com orçamento estimado em US$ 30 milhões, o longa-metragem alcançou US$ 612 milhões em bilheteria mundial e recebeu três indicações ao Oscar: Melhor Maquiagem, Melhor Fotografia e Melhor Trilha Sonora Original. Jim Caviezel interpretou Jesus Cristo, enquanto Monica Bellucci viveu Maria Madalena e Maia Morgenstern deu vida a Maria. O elenco também contou com Francesco De Vito como Pedro e Ivano Marescotti no papel de Pôncio Pilatos.


A continuação
A sequência de "A Paixão de Cristo" foi oficialmente confirmada em 2025. Intitulada "A Ressurreição de Cristo", a produção será dividida em duas partes e levou cerca de sete anos para ser desenvolvida por Mel Gibson, Donal Gibson e Randall Wallace, roteirista de Coração Valente. A história será ambientada no período que envolve as 24 horas da paixão de Jesus e os acontecimentos dos três dias que antecederam sua ressurreição. Detalhes da trama permanecem em sigilo.

Para a continuação, o elenco original foi substituído por novos intérpretes. Jaakko Ohtonen, conhecido por "The Last Kingdom", assumirá o papel de Jesus Cristo. Mariela Garriga será Maria Madalena, Kasia Smutniak interpretará Maria, Pier Luigi Pasino viverá Pedro e Riccardo Scamarcio dará vida a Pôncio Pilatos. Rupert Everett também integra o elenco, em um personagem ainda não revelado. "A Ressurreição de Cristo: Parte Um" tem estreia prevista no Brasil para 6 de maio de 2027. A segunda parte chega aos cinemas em 25 de maio de 2028.

.: Com Marlon Brando, "Sua Excelência, o Embaixador" expõe erros da diplomacia


Drama político de George Englund, lançado em 1963, chega ao Belas Artes à La Carte e recupera uma história sobre poder, nacionalismo e arrogância diplomática

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O ator Marlon Brando assume o papel de um diplomata americano em "Sua Excelência, o Embaixador", filme de 1963 que chega ao streaming Belas Artes À La Carte e soa absolutamente atual diante das circunstâncias em que o Brasil vem enfrentando diante dos Estados Unidos. Dirigido por George Englund, o filme coloca o astro no centro de uma trama política ambientada em Sarkhan, país fictício do Sudeste Asiático marcado por conflitos internos, disputa ideológica e crescente tensão com os Estados Unidos. 

O roteiro é de Stewart Stern e adapta o romance homônimo publicado em 1958 por William J. Lederer e Eugene Burdick. O livro tornou-se um fenômeno editorial nos Estados Unidos e entrou no debate político da Guerra Fria ao questionar a atuação diplomática americana no sudeste asiático. O impacto da obra literária foi tão grande que John F. Kennedy demonstrou interesse pelo livro e chegou a enviar exemplares a senadores americanos, segundo registros históricos. A criação do Corpo da Paz durante seu governo também costuma ser relacionada ao ambiente político provocado pelo sucesso da publicação.

No elenco, Brando interpreta Harrison MacWhite, enquanto Eiji Okada vive Deong, líder oposicionista local, que já havia alcançado reconhecimento internacional por "Hiroshima, Meu Amor", de Alain Resnais, lançado em 1959. Também fazem parte do filme os atores Sandra Church, Pat Hingle, Arthur Hill, Jocelyn Brando, Reiko Sato e Kukrit Pramoj completam o elenco principal. A história gira em torno de Harrison Carter MacWhite, um intelectual experiente que sobrevive a uma tumultuada sabatina no Senado americano antes de ser nomeado embaixador. Ao chegar a Sarkhan, encontra uma realidade bem diferente daquela imaginada em Washington.

A população local reage à presença americana, enquanto o país enfrenta uma guerra civil iminente. Para MacWhite, porém, o cenário parece se resumir ao confronto entre Estados Unidos e comunismo. A dificuldade do personagem está em compreender que o sentimento contrário aos americanos também pode representar uma luta por autonomia e identidade nacional. A partir daí, suas decisões provocam consequências cada vez mais graves e colocam em xeque a maneira como Washington enxerga seus aliados e adversários.

A adaptação cinematográfica surgiu de uma experiência do próprio diretor do filme no sudeste asiático. Segundo o catálogo do American Film Institute, Englund e Brando viajaram juntos pela região em um programa de assistência técnica das Nações Unidas. A experiência despertou no diretor o interesse em realizar uma produção sobre a área e acabou levando-o ao romance de Lederer e Burdick. Outro detalhe curioso está em Kukrit Pramoj. Político e intelectual tailandês, ele participou da produção como consultor cultural e interpreta o primeiro-ministro de Sarkhan. Anos depois, em 1975, Pramoj se tornaria primeiro-ministro da Tailândia. O filme ainda teve cenas realizadas em Bangkok, inclusive na Universidade Chulalongkorn.

Sarkhan, a nação inventada pela história, funciona como uma composição de diferentes realidades do sudeste asiático. A escolha permitiu que os autores discutissem a política externa americana sem transformar a trama em um retrato direto de um único país. O próprio filme acompanha o choque entre projetos de desenvolvimento, interesses geopolíticos e as demandas da população local. Na época do lançamento, a recepção foi dividida. O jornal The New York Times reconheceu a força da atuação de Brando e apontou a complexidade do diplomata interpretado pelo ator, embora tenha criticado o rumo que o roteiro toma depois de um início promissor. O filme também teve desempenho modesto nas bilheterias e não recebeu indicação ao Oscar.

No Brasil, o filme foi originalmente lançado como "Quando Irmãos se Defrontam", título registrado em documentos cinematográficos brasileiros da época.  Não deixa de ser um capítulo curioso da filmografia de Brando: um filme político no qual o ator deixa de lado personagens explosivos para interpretar um homem convencido de que conhece a realidade de um país estrangeiro até descobrir que está errado. Com duas horas de duração, "Sua Excelência, o Embaixador" preserva o interesse de uma produção que olha para a política externa americana em plena Guerra Fria e mostra que o modus operandi norte-americano continua o mesmo. 

Ficha técnica
"Sua Excelência, o Embaixador" | "The Ugly American" (título original)
Gênero: drama, thriller político e aventura. Duração: 120 minutos. Classificação indicativa: 14 anos no lançamento brasileiro de 1963. Ano de produção: 1963. Data de lançamento: 2 de abril de 1963 nos Estados Unidos. Idioma: inglês. Direção: George Englund. Roteiro: Stewart Stern, baseado no romance de William J. Lederer e Eugene Burdick. Elenco: Marlon Brando, Eiji Okada, Sandra Church, Pat Hingle, Arthur Hill, Jocelyn Brando, Kukrit Pramoj, Judson Pratt, Reiko Sato, George Shibata, Judson Laire, Philip Ober, Yee Tak Yip, Carl Benton Reid, Simon Scott e Frances Helm. Distribuição no Brasil: Universal. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

.: "Bons Tempos: Yesteryear" chega às livrarias e satiriza mundo das tradwives


Livro de estreia de Caro Claire Burke, que já vendeu cerca de 1,4 milhão de exemplares nos EUA, ganha edição da Rocco e será adaptado para o cinema com Anne Hathaway. Foto: Riley Haakon

O fenômeno editorial americano “Bons Tempos: Yesteryear”, romance de estreia da jornalista Caro Claire Burke, chega oficialmente às livrarias brasileiras nesta segunda-feira, 17 de agosto, pela Editora Rocco. Diante da procura antecipada, a editora decidiu adiantar as vendas em 15 dias e já prepara uma segunda edição. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, exemplares começaram a chegar às livrarias neste fim de semana. O livro é uma sátira sobre tradição, fama, fé e a construção da feminilidade em uma época em que a vida perfeita pode ser cuidadosamente produzida para as redes sociais.

Nos Estados Unidos, o livro alcançou a expressiva marca de aproximadamente 1,4 milhão de cópias vendidas em apenas cinco meses. A obra também conquistou espaço entre os principais rankings literários, incluindo a lista de best-sellers do The New York Times e o BookTok Charts, ranking oficial do TikTok dedicado aos livros. A tradução brasileira é de Anna Castro. Com humor ácido, reviravoltas e uma boa dose de crítica social, Caro Claire Burke mira a cultura das influenciadoras digitais e, especialmente, o movimento tradwife, formado por mulheres que defendem um modelo de vida baseado em papéis tradicionais de gênero. 

A autora coloca essa idealização diante de uma realidade bem mais áspera ao transportar sua protagonista para o ano de 1855. O sucesso chamou a atenção de Hollywood antes mesmo da publicação brasileira. A Amazon MGM Studios adquiriu os direitos para uma adaptação cinematográfica após uma disputa entre estúdios. Anne Hathaway está confirmada como protagonista e também como produtora do filme. Compre o livro “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.


Da vida perfeita nas redes sociais ao passado
A protagonista Natalie construiu uma imagem cuidadosamente planejada nas redes sociais. Milhões de seguidores acompanham sua rotina em uma fazenda aparentemente idílica, cercada por filhos, um marido que parece ter saído de um catálogo e uma vida guiada pela fé. Por trás das fotografias perfeitas, porém, existe uma verdadeira operação de bastidores. A casa conta com equipamentos modernos escondidos, a rotina é sustentada por funcionários e até o marido de Natalie participa da encenação de uma vida que parece perfeita. Tudo muda quando ela desperta em 1855.

Sem eletricidade, eletrodomésticos, equipe de produção ou qualquer das facilidades que ajudavam a construir sua persona digital, Natalie precisa enfrentar uma realidade que até então romantizava. Carregar lenha, lavar roupas à mão, lidar com crianças sujas e trabalhar fisicamente fazem parte de uma rotina que pouco combina com as imagens cuidadosamente produzidas para seus seguidores. O marido também mudou. O homem que antes funcionava como um acessório bonito na composição da família perfeita agora é um fazendeiro rústico e muito mais próximo da realidade daquele período.

Enquanto tenta entender o que aconteceu, Natalie começa a levantar hipóteses. Estaria participando de um reality show? Teria viajado no tempo? Seria tudo uma espécie de teste divino? Ou haveria algo ainda mais sombrio por trás daquela experiência? A situação coloca a personagem diante da própria farsa e transforma em pesadelo a vida que ela passou anos vendendo como ideal. Com uma narrativa que combina sátira, suspense e humor, “Bons Tempos: Yesteryear” aborda temas como tradição, fama, fé, feminilidade, exposição nas redes sociais e a construção de identidades cuidadosamente editadas para o público. Garanta o seu exemplar de “Bons Tempos: Yesteryear”, de Caro Claire Burke, neste link.

.: "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" desloca o olhar de Shakespeare para a mulher que deseja o trono


Espetáculo protagonizado por Aretha Sadick transforma a personagem de William Shakespeare em ponto de partida para discutir poder, raça, desejo, violência e os caminhos percorridos por quem decide conquistar um lugar de comando. Foto: Cacá Bernardes | Bruta Flor Filmes


A atriz Aretha Sadick protagoniza "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder", espetáculo que revisita uma das personagens mais marcantes de William Shakespeare a partir de uma perspectiva contemporânea. Com direção cênica e de movimento de Tainara Cerqueira e tradução e adaptação de Rodrigo França, a montagem estreia no Sesc Ipiranga nesta sexta-feira, 21 de agosto, e segue em cartaz até 13 de setembro de 2026. A pergunta que conduz a peça é direta: o que uma pessoa está disposta a fazer para chegar ao poder? E, depois de conquistar aquilo que tanto desejou, o que acontece?

Em "Macbeth", tragédia escrita por Shakespeare, a ambição pelo trono desencadeia uma sequência de assassinatos que conduz o casal protagonista à ruína. Lady Macbeth tem papel fundamental nesse percurso. É ela quem transforma a possibilidade anunciada pelas profecias em estratégia e incentiva o marido a ultrapassar o limite entre desejar a coroa e agir para conquistá-la. "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder" coloca essa mulher no centro da narrativa. A montagem parte de monólogos fundamentais da personagem para investigar os mecanismos da ambição e as relações entre desejo e poder. O texto preserva trechos essenciais da obra original e incorpora reflexões filosóficas e sociológicas propostas por Rodrigo França.

Macbeth não aparece fisicamente em cena. Sua presença surge como um espectro com quem Lady Macbeth estabelece diálogo. A partir da carta enviada pelo marido, ela começa a elaborar o discurso que pretende usar para convencê-lo a assassinar o rei Duncan. As bruxas também ganham outra configuração: são interpretadas pela própria Aretha Sadick e aparecem logo no início da montagem. A dramaturgia está dividida em cinco atos e uma cena final, acompanhando Lady Macbeth desde a preparação do crime até o momento posterior à conquista da coroa.


O poder começa no corpo
A encenação começa em uma situação íntima: Lady Macbeth toma banho. Banheira, espelho e escada formam o espaço em que a personagem constrói, aos poucos, a própria estratégia. A escada acompanha essa transformação e ganha diferentes sentidos ao longo do espetáculo, relacionada à ascensão ao trono e também à presença de Macbeth. O ambiente íntimo se converte gradualmente em espaço de disputa, fazendo com que o percurso da personagem passe pelo desejo, pela estratégia, pelo crime e pela tentativa de sustentar o poder conquistado.

Em uma das passagens mais marcantes, Lady Macbeth modifica a própria aparência diante do público. Aretha Sadick aplica maquiagem branca no rosto e no corpo e coloca uma peruca loira. A transformação estabelece diálogo com a trajetória de Chica da Silva e com as reflexões de Frantz Fanon sobre assimilação e os mecanismos de construção de uma aparência associada à branquitude como estratégia de acesso a espaços de poder.

A presença de uma atriz negra no papel também amplia a leitura da personagem. A ambição de Lady Macbeth passa a dialogar com outra questão: o que significa desejar um lugar de poder em uma estrutura historicamente marcada pela exclusão de determinados corpos? Tainara Cerqueira, cuja pesquisa envolve dança e corpos negros em cena, trabalha a transformação física da personagem em parceria com Aretha. O corpo acompanha as mudanças internas de Lady Macbeth e faz do poder uma experiência concreta, física e teatral.


Figurino acompanha a ascensão
O figurino de Luiz Claudio Silva também participa da transformação. A personagem passa por três momentos principais: começa com uma peça preta de caráter íntimo, passa para um vestido azul quando se prepara para assumir a condição de rainha e chega à alfaiataria depois de conquistar o lugar que perseguia. O azul, historicamente relacionado à realeza e à ideia de "sangue azul", amplia a reflexão sobre a construção cultural da distinção e do poder.

A trilha sonora original de Dani Nega acompanha as diferentes fases da narrativa. Em alguns momentos, conduz os movimentos da atriz; em outros, permanece como uma camada sonora sobre os monólogos. Na iluminação de Carol Gracindo, a montagem aposta em uma lógica cinematográfica, com mudanças sutis e permanências prolongadas em determinados estados de luz. A escolha cria um ritmo próprio para o espetáculo e convida o público a observar as transformações da personagem sem a pressa característica das imagens contemporâneas.

Depois de conquistar a coroa, Lady Macbeth encontra seu principal ponto de virada. Até então, sua trajetória esteve ligada à falta e ao desejo de chegar ao poder. Quando finalmente alcança o objetivo, surge uma nova questão: o que fazer com aquilo que conquistou? A pergunta que acompanha a personagem desde o início retorna transformada. Depois de fazer tudo para chegar ao poder, qual é o preço de permanecer nele?


Sobre Aretha Sadick
Aretha Sadick é atriz e participou, em 2024, das séries "Reencarne" (Rede Globo), "Cidade de Deus" (MAX) e "Máscaras de Oxigênio Não Cairão Automaticamente" (MAX). Foi protagonista dos curtas-metragens "A Lama da Mãe Morta" e "Se Eu Tô Aqui é por Mistério", ambos de 2023. Também atuou na série infantil "A Caverna de Petra" (Canal Futura/Globoplay) e participou das séries "Me Chame de Bruna" (FOX) e "Os Ausentes" (MAX).

No teatro, interpretou Macunaíma em "Ópera Tupi" (2019), foi co-protagonista de "Jorge Para Sempre Verão" (2022), integrou o elenco de "AQUI - elevado a 1 trilhão" (2024) e participou do espetáculo "Avenida Paulista - da Consolação ao Paraíso", dirigido por Felipe Hirsch. Em 2026, protagoniza no cinema os filmes "Baricentro", dirigido por Raphael Gustavo e Rochelle Silva, da É Nois Kita Produções, e "Superketa", com direção de Gustavo Vinagre. Agora, estreia no teatro como protagonista de "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder".


Ficha técnica
Peça teatral "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder"
A partir da obra de William Shakespeare
Tradução e adaptação: Rodrigo França
Direção cênica e direção de movimento: Tainara Cerqueira
Assistente de direção: Priscila Borges
Atuação e concepção cenográfica: Aretha Sadick
Trilha sonora original: Dani Nega
Iluminação: Carol Gracindo
Figurino e adereços: Luiz Claudio Silva
Visagista: Rosa Di Carlo
Técnico de luz: Givva
Produção e gestão cultural: Dani Correia, Gabi Correia, Rachel Brumana e Veni Barbosa
Associação: SÙ de Cultura e Educação
Direção de produção: Sadick Produções


Serviço
Peça teatral "Lady Macbeth: Um Ensaio Sobre o Poder"
Sesc Ipiranga | R. Bom Pastor, 822 – Ipiranga / São Paulo
De 21 de agosto a 13 de setembro de 2026
Sextas, às 21h00. Sábados e domingos, às 18h30.
Valores: R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia) / R$ 15 (Credencial Plena)
Compra on-line pelo aplicativo e presencial.
Duração: 60 minutos.
Classificação: 16 anos.

.: Livro traz análise inédita e desmonta o mito do desenvolvimentismo de JK


“Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, de Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, reexamina as escolhas econômicas e políticas do ex-presidente e provoca uma discussão sobre inflação, endividamento e dependência estatal. Fotos: divulgação  


Às vésperas dos 50 anos da morte de Juscelino Kubitschek, em 22 de agosto, o ex-presidente volta ao centro do debate com uma obra que propõe olhar para seu legado por uma perspectiva menos celebratória. Em “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo”, publicado pela LVM Editora, Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza revisitam a trajetória política de JK e colocam em discussão os custos econômicos e institucionais associados ao modelo que marcou seu governo. Conhecido pelo slogan “50 anos em 5”, pela construção de Brasília e pela expansão da indústria automobilística, Juscelino se tornou uma das figuras mais emblemáticas da política brasileira. A imagem de um presidente associado ao crescimento, à modernização e ao otimismo nacional é retomada pelos autores, que ampliam o foco para as consequências de longo prazo de suas escolhas.

Em vez de seguir o caminho de uma biografia convencional, o livro examina o desenvolvimentismo praticado por JK desde suas experiências à frente da Prefeitura de Belo Horizonte e do Governo de Minas Gerais até a Presidência da República. O modelo tinha como pilares a forte participação do Estado, os grandes investimentos públicos e a atração de capital estrangeiro como instrumentos para acelerar a industrialização brasileira. O Plano de Metas concentrou esforços em áreas consideradas estratégicas, como energia, transportes, alimentação, indústria de base e educação. Brasília, incorporada posteriormente ao programa, tornou-se a chamada “meta-síntese” de um governo que pretendia transformar rapidamente a estrutura econômica do país.

Os resultados foram expressivos. A economia brasileira registrou crescimento médio superior a 7% ao ano durante o período, enquanto a indústria avançou e a implantação das montadoras fortaleceu uma cadeia de fornecedores, criou empregos e ampliou a circulação de conhecimento técnico. Para Antônio Claret Jr. e Lucas Berlanza, porém, os avanços precisam ser analisados junto aos efeitos produzidos pelo modelo. A atuação do Estado na definição de setores estratégicos, na concessão de incentivos e na proteção de determinadas atividades teria contribuído para consolidar uma relação de dependência entre empresas e poder público. “Juscelino tinha uma combinação rara de carisma, habilidade política e capacidade de transmitir confiança. Seu governo ficou associado à ideia de que o Brasil estava deixando para trás o atraso e entrando em uma fase de crescimento”, afirmam os autores.

O livro também coloca sob análise o aumento dos gastos públicos, o endividamento externo e a pressão inflacionária durante o período. Dados históricos do CPDOC apontam que a inflação média anual passou de 13,5%, entre 1948 e 1955, para 22,4% durante o governo JK. Parte dos investimentos, segundo a obra, foi viabilizada por operações externas de curto prazo e custo elevado. “Esse modelo produziu resultados importantes, como a expansão da infraestrutura e da indústria. Seria errado ignorar isso. Mas ele também fortaleceu uma cultura de dependência em relação ao Estado, estimulando subsídios, protecionismo e uma relação muito próxima entre poder público e grupos econômicos”, afirma Claret Jr. Compre o livro "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.


Brasília concentra os contrastes do período
Inaugurada em 21 de abril de 1960, Brasília se transformou no grande símbolo do projeto de modernização de Juscelino. A nova capital representou uma mudança política, arquitetônica e urbanística, além de reforçar a proposta de interiorização do desenvolvimento brasileiro. Ao mesmo tempo, a construção consumiu recursos significativos em um país que ainda enfrentava dificuldades estruturais em setores como educação, saúde e saneamento. Para Lucas Berlanza, a capital sintetiza os ganhos e os dilemas do modelo desenvolvimentista.

“Brasília sintetiza a lógica das grandes obras, da forte presença estatal e do crescimento acelerado, mas com pouca preocupação com os custos fiscais e os efeitos de longo prazo”
, afirma. A leitura proposta pelos autores procura escapar de interpretações simplificadoras. Brasília aparece, assim, como demonstração da capacidade de realização daquele governo e, simultaneamente, como exemplo dos desafios econômicos envolvidos na estratégia adotada.

JK coloca o papel do Estado em discussão
Embora se debruce sobre decisões tomadas entre as décadas de 1940 e 1960, “Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo” busca estabelecer uma conexão direta com questões que continuam presentes no debate brasileiro: até onde deve ir a atuação do Estado na economia? Como financiar grandes investimentos? De que maneira combinar crescimento, responsabilidade fiscal, produtividade e participação privada?

“A experiência de JK mostra que é possível acelerar a economia por meio do gasto público e da expansão do investimento estatal. A questão é o que acontece depois. Quando esse crescimento vem acompanhado de inflação, endividamento e perda de eficiência, os custos aparecem mais cedo ou mais tarde”, afirmam Claret Jr. e Berlanza. A crítica apresentada no livro se concentra, portanto, na permanência de um modelo que atribui ao Estado a função de conduzir continuamente o crescimento econômico sem levar em conta, segundo os autores, limites fiscais, qualidade dos gastos, produtividade dos projetos e condições para a atuação do setor privado.


Os 50 anos da morte de Juscelino
Juscelino Kubitschek morreu em 22 de agosto de 1976, em um acidente na Rodovia Presidente Dutra. A aproximação do cinquentenário também reacende o debate sobre as circunstâncias de sua morte. Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade afirmou não haver elementos materiais que apontassem para um homicídio. Em 2026, porém, um relatório da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos voltou a levantar a possibilidade de atentado.“Caso um dia haja uma conclusão definitiva sobre as circunstâncias da morte de JK, isso certamente terá impacto na compreensão de seus últimos anos e de sua relação com a ditadura militar. Mas não altera o debate sobre o legado político e econômico de seu governo”, afirmam os autores. Garante o seu exemplar de "Juscelino: Uma Crítica ao Desenvolvimentismo" neste link.

.: "Perigo Diabolik" esquece a moralidade clássica e abraça a psicodelia


O mestre das HQs italianas ganha vida na obra-prima psicodélica de Mario Bava, com trilha inesquecível de Ennio Morricone e o charme imortal do crime em Technicolor. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Se o cinema dos anos 1960 teve uma cara e uma atitude, ela passa inevitavelmente pelas lentes psicodélicas de Mario Bava em "Perigo: Diabolik". O longa, que acaba de desembarcar no catálogo da plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, é o tipo de produção que não apenas envelheceu como um bom vinho, mas ganhou um contorno quase mítico com o passar das décadas. Trata-se da adaptação definitiva dos fumetti neri, os quadrinhos adultos que abalaram as estruturas da Itália conservadora na década de 1960, idealizados pelas irmãs Angela e Luciana Giussani.

Na trama, Diabolik (John Phillip Law) é um mestre dos disfarces e assaltante sem vestígios de escrúpulos morais que, ao lado da sua estonteante companheira Eva Kant (Marisa Mell), transforma o crime em um verdadeiro espetáculo estético. O roteiro, assinado por uma equipe de peso que inclui o próprio Bava, Dino Maiuri, Brian Degas e Tudor Gates, gira em torno das tentativas cada vez mais desesperadas do inspetor Ginko (Michel Piccoli) em encurralar a dupla. Mas o anti-herói está sempre três passos à frente, seja zombando de ministros com gás do riso ou arquitetando o roubo de uma barra de ouro de vinte toneladas.

A história dos bastidores é um show à parte. O lendário produtor Dino De Laurentiis entregou o projeto a Bava após demitir a equipe anterior. Consta que De Laurentiis colocou à disposição um orçamento pomposo para os padrões italianos, mas Bava, mestre absoluto do improviso e dos efeitos práticos, usou apenas uma fração do dinheiro. O cineasta fez milagres com truques de lente, pedaços de vidro pintados e cenários fotográficos, criando uma caverna futurista e aparatos tecnológicos que parecem custar milhões. John Phillip Law assumiu o papel principal meio por acaso, aproveitando as brechas na agenda de "Barbarella" - outra grande produção de De Laurentiis -, enquanto Marisa Mell entrou no set para substituir ninguém menos que Catherine Deneuve, dispensada após se recusar a rodar cenas de nudez e não se alinhar com a visão do diretor.

A cereja do bolo é a trilha sonora do mestre Ennio Morricone. O compositor entregou uma das suas criações mais inspiradas, uma mistura alucinante de jazz, rock psicodélico, órgãos orgiásticos e guitarras com efeito wah-wah que ditam a energia cinética do filme. Curiosamente, o longa-metragem dividiu a crítica em sua estreia em 1968 e teve uma bilheteria modesta na Itália, o que fez Bava recusar veementemente a ideia de uma sequência. O tempo, contudo, fez justiça. O visual arrebatador influenciou de Roman Coppola a videoclipes dos Beastie Boys, tornando a fita uma referência obrigatória do cinema pop. "Perigo: Diabolik" é puro entretenimento visceral, um banquete visual debochado que captura como poucos o espírito rebelde de uma época.


Ficha técnica
"Perigo: Diabolik" | "Diabolik" (título original)
Gênero: ação / crime / policial. Duração: 105 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 1968. Data de lançamento: 24 de janeiro de 1968. Idioma: italiano / francês. Direção: Mario Bava. Roteiro: Dino Maiuri, Brian Degas, Tudor Gates e Mario Bava (baseado em história de Angela Giussani, Luciana Giussani, Dino Maiuri e Adriano Baracco). Elenco: John Phillip Law, Marisa Mell, Michel Piccoli, Adolfo Celi, Claudio Gora, Mario Donen, Renzo Palmer, Caterina Boratto, Lucia Modugno, Annie Gorassini, Carlo Croccolo, Lidia Biondi, Andrea Bosic, Federico Boido, Tiberio Mitri, Terry-Thomas. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Filme "Homem-Aranha: Um Novo Dia" alcança 10.ª maior bilheteria da história


Novo filme da Marvel ultrapassa US$ 1,7 bilhão e entra para o ranking das maiores arrecadações do cinema mundial. Imagem: divulgação

"Homem-Aranha: Um Novo Dia" acaba de alcançar mais uma marca expressiva nas bilheterias. Duas semanas depois de chegar aos cinemas, a nova aventura do herói da Marvel já ultrapassou US$ 1,7 bilhão em arrecadação mundial e ocupa a décima posição entre as maiores bilheterias de todos os tempos. O longa-metragem também já havia feito história no Brasil ao registrar a maior estreia da história do cinema no país. Agora, com US$ 1.708.805.242 acumulados, segundo dados do Box Office Mojo, o filme supera outras grandes produções e passa a integrar um ranking dominado por alguns dos maiores fenômenos comerciais da história do cinema.

O desenvolvimento de "Homem-Aranha: Um Novo Dia" foi anunciado em outubro de 2024 pela Marvel Studios e pela Sony Pictures. Desde então, o projeto se tornou um dos mais acompanhados pelos fãs, impulsionado pelas notícias sobre as filmagens, rumores envolvendo o elenco e pela campanha de divulgação protagonizada por Tom Holland e Zendaya. Na trama, Peter Parker tenta seguir em frente depois que sua identidade foi apagada da memória das pessoas. Enquanto continua atuando como o Amigão da Vizinhança e protegendo Nova York, o herói se depara com uma série de crimes misteriosos que o conduz até uma conspiração de proporções muito maiores.

Tom Holland retorna ao papel de Peter Parker ao lado de Zendaya, novamente como MJ, e Jacob Batalon, que interpreta Ned. O elenco também reúne Mark Ruffalo como Bruce Banner/Hulk e Michael Mando como Escorpião. Outra novidade é a presença de Jon Bernthal como o Justiceiro, personagem que faz sua estreia nos cinemas. Liza Colón-Zayas, conhecida por The Bear, e Sadie Sink, de Stranger Things, também fazem parte da produção.

A direção é de Destin Daniel Cretton, responsável por Shang-Chi e a Lenda dos Dez Anéis. O roteiro foi escrito por Erik Sommers e Chris McKenna, dupla que já trabalhou em outros filmes do universo do Homem-Aranha. Distribuído pela Sony Pictures, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" é produzido pela Columbia Pictures em parceria com a Marvel Studios e a Pascal Pictures.


As dez maiores bilheterias da história do cinema
Na liderança está "Avatar" (2009), de James Cameron, com US$ 2.923.710.708 arrecadados mundialmente. Em segundo lugar aparece "Vingadores: Ultimato" (2019), com US$ 2.799.439.100, seguido por "Avatar: O Caminho da Água" (2022), também dirigido por Cameron, com US$ 2.334.484.620. A quarta posição pertence à animação chinesa "Ne Zha 2" (2025), que soma US$ 2.270.700.370. Logo atrás está "Titanic" (1997), outro fenômeno de Cameron, com US$ 2.264.812.968. Em sexto lugar aparece "Star Wars: O Despertar da Força" (2015), com US$ 2.071.310.218, enquanto "Vingadores: Guerra Infinita" (2018) ocupa a sétima colocação, com US$ 2.052.415.039. Na oitava posição está outro filme do herói aracnídeo: "Homem-Aranha: Sem Volta para Casa" (2021), que acumulou US$ 1.921.426.073. "Zootopia 2" (2025) aparece em nono lugar, com US$ 1.866.647.950. Fechando o top 10, "Homem-Aranha: Um Novo Dia" registra US$ 1.708.805.242. Os dados são da Box Office Mojo.

O cinema foi buscar o público em casa
Depois de anos marcados pelos efeitos da pandemia e pela consolidação do streaming, 2026 desponta como um dos períodos mais fortes para a indústria cinematográfica desde a retomada das atividades. O ano já reúne cinco filmes com mais de US$ 1 bilhão em arrecadação mundial: "A Odisseia", de Christopher Nolan, "Homem-Aranha: Um Novo Dia", "Super Mario Galaxy", "Michael" e "Toy Story 5".

A lista ainda pode crescer. As projeções do mercado apontam "Duna: Parte Três" e "Vingadores: Doomsday" como candidatos a alcançar a marca até o fim do ano. Se as previsões se confirmarem, 2026 terá o maior número de produções bilionárias desde 2019, quando nove filmes ultrapassaram US$ 1 bilhão. Parte importante desse movimento passa pela Gen Z. O público entre 14 e 29 anos representou quase 40% dos espectadores pagantes na América do Norte no último ano e teve participação decisiva no desempenho de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", respondendo por metade de sua audiência de estreia na região.

A recuperação também está relacionada ao próprio modelo de consumo. O aumento no preço médio dos ingressos nos Estados Unidos, que passou de cerca de US$ 9 em 2019 para aproximadamente US$ 13,50 atualmente, elevou a receita por espectador. Ao mesmo tempo, formatos premium como IMAX, Dolby Cinema, ScreenX e 4DX transformaram a ida ao cinema em uma experiência mais sofisticada e imersiva. O cenário de 2026 revela ainda uma diversidade de produtos capazes de atrair públicos diferentes: animações, cinebiografias musicais, superproduções de heróis e adaptações de obras literárias de enorme tradição. No caso de "Homem-Aranha: Um Novo Dia", o fenômeno ajuda a explicar como um personagem conhecido há décadas continua encontrando novas gerações dispostas a acompanhá-lo nas salas de cinema.

.: Curta “Encanto Quebrado” lança feitiço amoroso e transforma vizinho idiota


Curta de Luan Filippo combina horror e humor ao acompanhar uma bruxa que se arrepende do próprio feitiço quando descobre quem é o homem por quem se apaixonou. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O amor pode até ser mágico, mas conviver com a pessoa errada pode transformar qualquer encantamento em uma grande roubada. É justamente dessa situação que parte “Encanto Quebrado”, curta-metragem escrito e dirigido por Luan Filippo, que segue em cartaz na plataforma de streaming Reserva Imovision como parte da coleção “Pequenas Jornadas - Curtas-Metragens”. A produção reúne Victória Brusco, Felipe de Carolis e Gilda Nomacce em uma história que mistura horror, fantasia e humor para brincar com uma velha obsessão romântica: encontrar alguém especial e descobrir, tarde demais, que talvez fosse melhor ter ficado sozinho.

Na trama, uma bruxa do século XXI decide lançar um feitiço de amor para o vizinho. O problema aparece quando o encantamento funciona e ela percebe que o sujeito por quem se apaixonou é, simplesmente, um idiota. Arrependida, tenta desfazer a magia, mas existe uma complicação nada conveniente: o feitiço é irreversível. A premissa dá ao curta uma leitura divertida sobre desejo, paixão e escolhas ruins, colocando uma personagem acostumada ao sobrenatural diante de uma situação bastante humana. A graça está justamente no desespero de alguém que conhece magia suficiente para criar o próprio problema, mas não encontra uma saída para consertá-lo.

“Encanto Quebrado” tem uma trajetória ligada ao cinema fantástico. O filme integrou a programação do 16º Cinefantasy – Festival Internacional de Cinema Fantástico, na Mostra Brasil Fantástico, ao lado de produções nacionais que exploram horror, fantasia, ficção científica e outras vertentes do gênero. O catálogo do festival registra a obra com 16 minutos e 45 segundos de duração e classifica a produção como ficção e horror.

A produção também aparece internacionalmente com o título original “Bitchcraft”, trocadilho que combina a ideia de bruxaria com uma expressão de forte carga irônica. O curta foi identificado em materiais do Cinefantasy com esse título, enquanto a produção brasileira mantém “Encanto Quebrado” como título nacional.

A relação do filme com a Imovision também é curiosa. Segundo Victória Brusco, que protagoniza a produção, “Encanto Quebrado” foi a primeira produção oficial da distribuidora e teve sua estreia no Festival de Cinema Internacional Fantaspoa, em 2024. A atriz também passou a apresentar conteúdos da Imovision relacionados aos filmes distribuídos pela empresa. O curta-metragem foi produzido pela Chá Cinematográfico e tem Luan Filippo na direção e no roteiro. A ficha técnica divulgada pelo Cinefantasy confirma ainda Victória Brusco, Felipe de Carolis e Gilda Nomacce no elenco. Uma opção rápida para quem gosta de histórias fantásticas com humor ácido e personagens que descobrem, da pior maneira possível, que mexer com magia pode trazer consequências bem inconvenientes.


Ficha técnica
“Encanto Quebrado” (título original)
Gênero: ficção/horror. Duração: 16min45s. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 2024. Data de lançamento: 11 de abril de 2024, no Brasil. Idioma: português. Direção: Luan Filippo. Roteiro: Luan Filippo. Elenco: Victória Brusco, Felipe de Carolis e Gilda Nomacce. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não informadas. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


Assine a Reserva Imovision, a maior plataforma de filmes independentes da América Latina
A equipe do portal Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas. Você pode assinar a plataforma de streaming Reserva Imovision neste link.

domingo, 16 de agosto de 2026

.: Carla Madeira lança “Quando”, livro sobre laços que sobrevivem ao tempo


A escritora Carla Madeira volta às livrarias com “Quando”, quarto romance dela, publicado pela Editora Record. Depois do sucesso de "Tudo É Rio", "Véspera" e "A Natureza da Mordida", a autora mergulha novamente nas complexidades das relações humanas, desta vez tendo como pano de fundo o Brasil dos anos 1980. A trama acompanha Viridiana, mãe de Margarida, Valquíria e Tito, que se vê diante de uma situação extrema: após um acontecimento trágico, decide denunciar o próprio filho à polícia. A escolha provoca uma ruptura profunda na família e desencadeia consequências que atravessam duas décadas.

Vinte anos depois, o afastamento entre os personagens ganha a possibilidade de ser revisitado. Nesse reencontro com o passado, Carla Madeira conduz uma narrativa marcada por questões como maternidade, homofobia, violência, culpa, justiça, perdão e a permanência dos afetos mesmo diante de experiências capazes de transformar uma família. A obra conta com texto de orelha assinado por Rita von Hunty, que destaca a capacidade do romance de observar tanto as relações particulares quanto as estruturas sociais que atravessam a vida brasileira. O projeto gráfico da capa é assinado pelo premiado Leonardo Iaccarino, a partir da pintura "Apprehensive", de Rebecca Aldernet.

Escrito ao longo de quase quatro anos, "Quando" mantém uma das principais características da literatura de Carla Madeira: a combinação entre intensidade emocional, densidade psicológica e linguagem cuidadosamente trabalhada. O romance coloca seus personagens diante de dilemas morais complexos, evitando respostas definitivas e deixando em aberto questões sobre até onde pode chegar a justiça e o que significa, afinal, perdoar. Compre o livro "Quando", de Carla Madeira, neste link.


Sobre Carla Madeira
Nascida em Belo Horizonte, em 1964, Carla Madeira iniciou a trajetória acadêmica na Matemática, mas posteriormente se formou em Jornalismo e Publicidade. Atuou como professora de redação publicitária na Universidade Federal de Minas Gerais e trabalhou como sócia e diretora de criação da agência Lápis Raro. Pela Editora Record, publicou "Tudo É Rio", "A Natureza da Mordida" e "Véspera". Somados, os três romances já ultrapassaram a marca de 1 milhão de exemplares vendidos, consolidando a escritora entre os grandes fenômenos recentes da literatura brasileira.

As obras também avançam para outras linguagens. "Véspera" tem adaptação prevista para série da HBO Max, sob direção-geral de Joana Jabace, com Bruna Marquezine, Gabriel Leone e Camila Márdila no elenco. Já "Tudo É Rio" está sendo levado ao cinema pela Boutique Filmes, com estreia prevista para 2027. O romance também foi escolhido como Livro do Ano de 2023, na categoria de ficção lusófona, pelo Prêmio Livreiros Bertrand, em Portugal. Compre os livros de Carla Madeira neste link.

.: " João, Joãozinho, Joãozito" transforma infância de Guimarães Rosa em musical


"João, Joãozinho, Joãozito" estreia em 29 de agosto e revisita os primeiros anos de Guimarães Rosa em uma montagem que mistura literatura, música, bonecos e cultura popular brasileira. Foto: Alê Catan

A criança curiosa que descobria o mundo entre livros, animais, histórias e brincadeiras ganhou um novo lugar na cena paulistana. "João, Joãozinho, Joãozito", musical inédito inspirado no livro "João Joãozinho, Joãozito - O Menino Encantado", de Claudio Fragata, estreia em 29 de agosto no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp. Com direção artística, texto e adaptação de Marcio Araújo, a montagem acompanha os primeiros anos de João Guimarães Rosa (1908-1967), antes de o menino de Cordisburgo se tornar um dos nomes fundamentais da literatura brasileira.

A temporada segue até 13 de dezembro de 2026, com sessões às quintas e sextas, às 11h00, e aos sábados e domingos, às 15h. Aos fins de semana, todas as apresentações contam com interpretação em Libras e audiodescrição. A produção foi idealizada por Daniel Palmeira e nasceu de sete anos de pesquisa dedicados a construir uma linguagem capaz de aproximar o universo de Guimarães Rosa do público infantil. 

A história parte da infância do escritor em Minas Gerais e acompanha sua trajetória desde o nascimento até a mudança para Belo Horizonte. Livros, bichos, natureza, línguas, brincadeiras e as histórias que circulavam em sua cidade natal formam o território de descobertas do pequeno João. A montagem transforma essas experiências em uma aventura musical sobre curiosidade, imaginação e conhecimento.

A relação entre o menino e o futuro escritor também aparece na dramaturgia por meio de referências ao universo literário de Rosa. Elementos associados a "Grande Sertão: Veredas" e um amigo imaginário inspirado em Miguilim entram na narrativa como pistas para quem já conhece a obra do autor e como primeiras portas de entrada para crianças que ainda vão descobrir sua literatura.

Um dos aspectos mais interessantes da encenação está na maneira como João é construído em cena. Os nove integrantes do elenco se alternam na interpretação do protagonista, fazendo com que a figura do menino passe de um corpo a outro. A escolha amplia a ideia de que a infância pertence a todos e transforma o próprio personagem em uma construção coletiva.

“Queremos que toda criança se veja no palco, que possa imaginar que também pode ser cientista, médica, escritora, viajar pelo mundo ou aprender outras línguas. Independentemente de onde venha, ela precisa acreditar que seu futuro também lhe pertence”, afirma Marcio Araújo. A gravata-borboleta, elemento associado à imagem pública de Guimarães Rosa, também ganha função cênica. Ao circular entre os artistas como laço, presilha ou gravata, o objeto funciona como elo entre as diferentes interpretações de João e reforça a ideia de identidade compartilhada. Compre o livro "João Joãozinho, Joãozito - O Menino Encantado", de Claudio Fragata, neste link.

Música que vem da cultura popular
A trilha sonora original, assinada por Tato Fischer e Marcio Araújo, reúne nove canções e mergulha em manifestações tradicionais brasileiras. Folia de Reis, cururu, catira, cantos populares, viola caipira e sanfona ajudam a criar o ambiente sonoro da montagem. A direção musical e os arranjos são de Dagoberto Feliz. A música acompanha a trajetória do personagem e estabelece uma ponte entre as experiências da infância e as tradições culturais que atravessam o interior brasileiro.

No aspecto visual, a montagem aposta em bonecos artesanais, brinquedos antigos e objetos associados à infância do interior do país, especialmente de Minas Gerais. O cenário criado por Bruno Anselmo é formado por estruturas que mudam de função ao longo da apresentação, deixando espaço para que a imaginação do público complete as imagens.

Os figurinos de Clau Carmo seguem a mesma lógica e buscam referências em colchas de retalhos e brinquedos artesanais, criando uma atmosfera de memória e afetividade. Ao todo, são 19 bonecos criados por Jésus Sêda, conhecido também pelo trabalho em "Castelo Rá-Tim-Bum". Em cena, os nove artistas acumulam funções: atuam, cantam, tocam instrumentos, dançam e manipulam bonecos. Integram o elenco Beatriz Amado, Conrado Caputo, Daniel Aureliano, Elix, João Paulo Bienermann, Neusa de Souza, Rita Almeida, Thiago Claro França e Thiago Mota.

Para Tais Lara, diretora do Centro Cultural Fiesp, a montagem aproxima crianças e famílias da trajetória de Guimarães Rosa ao mesmo tempo em que amplia o contato do público com a literatura brasileira. A proposta está alinhada ao compromisso do Sesi-SP com a oferta gratuita de programação cultural e com a formação de novos públicos.

Uma infância antes do escritor
"João, Joãozinho, Joãozito"
olha para Guimarães Rosa antes do reconhecimento, dos livros consagrados e da carreira diplomática. É o menino que observa, pergunta, coleciona descobertas e encontra nos livros uma forma de ampliar o mundo ao redor. A montagem utiliza essa perspectiva para apresentar a infância como um período decisivo na formação do artista. A curiosidade do personagem, sua relação com a natureza e o contato com diferentes linguagens aparecem como elementos que ajudam a compreender o escritor que surgiria anos depois.

A proposta também encontra na cultura popular uma maneira de aproximar o universo roseano das crianças. Em vez de apresentar Guimarães Rosa como uma figura distante da literatura, o espetáculo recupera o menino que existiu antes do autor de Grande Sertão: Veredas e transforma suas primeiras experiências em matéria de teatro.


Ficha técnica
Peça teatral "João, Joãozinho, Joãozito", a partir do livro de Claudio Fragata

Texto e adaptação: Marcio Araújo
Direção artística: Marcio Araújo
Músicas compostas: Tato Fischer/Marcio Araújo
Direção musical/arranjos: Dagoberto Feliz
Assistente de direção: Adriana Salcedo
Elenco/músicos: Rita Almeida, João Paulo Bienermann, Daniel Aureliano, Neusa de Souza, Elix, Conrado Caputo, Beatriz Amado, Thiago Claro França e Thiago Mota
Paisagista sonoro: Marcelino Ziggy
Desenho de som: Labsom – Kleber Marques, Juma e Marcelino Ziggy
Microfonista: Juma (Juliana Maria)
Técnico de som: Kleber Marques
Iluminador/desenho de luz: Guilherme Bonfanti
Operador de luz: Felipe Bonfante
Cenografia: Bruno Anselmo
Cenotécnico: Reserva Cênica
Design: Leandro Madeiros
Figurino: Clau Carmo
Costureira/modelista: Salomé Abdala
Aderecista: Nilton Araújo
Bonequeiro: Jésus Sêda
Visagista: Jonathan Faria
Projeto gráfico: André Kitagawa
Fotógrafo: Ale Catan
Assistente de fotografia: Rafael Sá
Vídeos: Sucata Filmes – Vinícius Faé
Preparação corporal: João Paulo Bienermann
Preparação de manipulação de bonecos: Eduardo Alve
Direção de palco: Marco Loureiro
Maquinista: Atila Quirino (Chin)
Contrarregra: Arthur Gerizani
Camareira: Cris Quirino
Assessoria de imprensa: Canal Aberto Comunicação
Mídias sociais: Tatiana Machado
Intérprete de Libras: Fabiano Campos
Áudio-descrição: Ver com Palavras
Produção executiva: William Gibson
Direção de produção: Daniel Palmeira
Coordenação financeira: Cleo Chaves
Assessoria contábil: DW Gonzalez Contábil
Assessoria jurídica: Marcelo Mayer
Coordenação geral/produção: Penta Querobin Produções


Serviço
Peça teatral "João, Joãozinho, Joãozito"
Temporada: 29 de agosto a 13 de dezembro de 2026
Sessões: quintas e sextas, às 11h; sábados e domingos, às 15h
Atenção: Libras e audiodescrição em todos os sábados e domingos da temporada
Local: Centro Cultural Fiesp - Teatro Sesi-SP | Av. Paulista, 1.313, em frente à estação Trianon-Masp do Metrô
Ingressos: gratuitos, com reservas pelo site www.sesisp.org.br/eventos
Classificação indicativa: livre, indicado para todas as idades

.: "O Fim da Rua" conquista quase 90% de aprovação no Rotten Tomatoes


Com Anne Hathaway e Ewan McGregor no elenco, produção mistura aventura, suspense e criaturas pré-históricas. Foto: divulgação

Com Anne Hathaway e Ewan McGregor nos papéis principais, "O Fim da Rua" está em cartaz nos cinemas brasileiros cercado por uma recepção bastante positiva da crítica internacional. O novo longa-metragem de ação conquistou quase 90% de aprovação no Rotten Tomatoes, considerando 91 avaliações registradas até o momento. A produção também vem chamando atenção pelas referências ao cinema de aventura produzido pela Amblin Entertainment, especialmente à tradição iniciada por filmes como "Jurassic Park". Críticos destacam que, embora dialogue diretamente com esse universo de aventuras e criaturas pré-históricas, o longa encontra caminhos próprios para desenvolver sua narrativa.

Para Jake Kleinman, do Polygon, o filme recupera o espírito das aventuras clássicas da Amblin, daquelas produções capazes de prender o espectador diante da televisão até os créditos finais. Alexander Zalben, do Comic Book Club, também ressaltou o equilíbrio entre humor, suspense e reviravoltas, classificando a obra como uma sucessora à altura da franquia Jurassic. David Ehrlich, do IndieWire, aproximou a atmosfera de "O Fim da Rua" de títulos marcantes dos anos 1980, como "Gremlins" e "Os Goonies". Para o crítico, a produção combina aventura e humor ácido ao recuperar uma espécie de ameaça familiar característica daquele período do cinema.

A ambientação também foi destacada por Gemma Wilson, do Seattle Times. Segundo a crítica, levar criaturas pré-históricas para um bairro residencial cria um contraste especialmente perturbador, transformando espaços cotidianos e familiares em cenários de perigo. Alison Willmore, da Vulture, chamou atenção para a escolha de investir em uma superprodução original e brincou com a presença de Hathaway em sequências de ação, incluindo momentos em que a atriz enfrenta dinossauros armada com um rifle.

Produzido pela Warner em parceria com Bad Robot, Good Fear Content, Jackson Pictures e Tommy Harper Productions, O Fim da Rua acompanha uma família que vive nos anos 1980 e tem sua rotina completamente transformada após um fenômeno cósmico transportar o bairro onde mora para um local desconhecido. Isolados e diante de uma realidade que foge completamente de seu controle, os integrantes da família Platt percebem que a sobrevivência dependerá da capacidade de permanecerem unidos enquanto tentam compreender o que aconteceu.

Além de Anne Hathaway e Ewan McGregor, o elenco reúne Maisy Stella, Christian Convery, Chris Coy, P. J. Byrne, Bethany Anne Lind, Denitra Isler e Hudson Meek. Com direção e roteiro de David Robert Mitchell, de Corrente do Mal, O Fim da Rua está em cartaz nos cinemas brasileiros.
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