sexta-feira, 10 de abril de 2026

.: Crítica: "Susi - O Musical" é tudo o que crianças e adultos precisam ouvir


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Abílio Gil

Ousado e criativo, "Susi - O Musical" é tudo o que crianças e adultos precisam ouvir. Há coragem na espinha dorsal do espetáculo: ao colocar um menino no centro da história e em diálogo direto com uma boneca, a montagem desloca o eixo tradicional do universo feminino para um território mais poroso, em que o gênero deixa de ser fronteira e passa a ser um caminho. É inevitável a comparação com o fenômeno "Barbie - O Filme", mas “Susi - O Musical”, dirigido por Mara Carvalho, não se curva à tentação da cópia. 

A rivalidade entre mulheres, tema espinhoso e frequentemente tratado de forma superficial, surge com densidade cômica na personagem Bárbara, interpretada com precisão por Bruna Guerin, que representa, na peça teatral, um produto de padrões inalcançáveis que o próprio espetáculo se dispõe a desmontar. Ao lado dela, a Susi de Priscilla (ou de sua competente substituta, na sessão assistida Clara Verdier) sustenta um equilíbrio delicado entre carisma e questionamento. Susi é inquieta e, diante do que foi colocado no espetáculo, brinca, confronta, aprende, erra, revisa e cresce, assim como o menino que interage com ela. 

O elenco, aliás, opera em sintonia admirável. Há um senso de conjunto que impede o musical de escorregar para a afetação. As músicas bem resolvidas e eficientes cumprem o papel de avançar a narrativa sem se tornarem meros intervalos sonoros. A inteligência na construção pode ser sentida a cada cena. Mas “Susi - O Musical” não quer apenas entreter.  Ao colocar o dedo na ferida das contradições da própria indústria que criou tanto a Susi quanto trouxe a Barbie para o Brasil, o espetáculo escancara um ciclo quase cruel: as crianças crescem, abandonam seus brinquedos e, no processo, deixam para trás também partes de si mesmos. O final, levemente melancólico, não dá respostas ao que pode acontecer, e isso é um mérito.

Se há um ponto de fragilidade, talvez esteja na cenografia, que poderia expandir ainda mais o universo imaginativo proposto. Em alguns momentos, sente-se falta de uma materialidade mais ousada, que acompanhe a ambição temática do texto. Ainda assim, o saldo é mais do que positivo. “Susi - O Musical” é uma homenagem à boneca, à memória, ao feminismo, mas sobretudo ao feminino em sua complexidade, suas fissuras e reinvenções.


Serviço
"Susi, o Musical"

Local: Teatro Sérgio Cardoso – Sala Paschoal Carlos Magno
Rua Rui Barbosa, 153 – Bela Vista / São Paulo
Estreia: 21 de fevereiro, quinta-feira, 20h00
Temporada: de 21 de fevereiro a 12 de abril
Sessões: quintas e sextas, às 20h00, sábados e domingos 16h00 e 20h00
Ingressos: Plateia: Inteira: R$ 200,00 | Meia Entrada: R$ 100,00
Plateia Alta: Inteira: R$ 160,00 | Meia Entrada: R$ 80,00
Balcão: Inteira: R$ 50,00 | Meia Entrada: R$ 25,00 |
Vendas: Site da Sympla (https://bileto.sympla.com.br/event/114413) ou bilheteria local
Classificação etária: livre
Duração: 90 minutos
Capacidade: 827 lugares

.: Crítica do livro "'A Partilha' e Outras Peças Teatrais" é um convite à reflexão profunda


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

O teatro de Miguel Falabella sempre teve a habilidade de fazer do cotidiano um campo de batalha emocional em que rir e doer acontecem ao mesmo tempo. No livro "'A Partilha' e Outras Peças Teatrais: 'O Som e a Sílaba'. 'A Sabedoria dos Pais'. 'Os Olhos de Nara Leão'", lançado recentemente pela Matrix Editora, essa vocação se confirma com maturidade e precisão. A coletânea reúne quatro textos escritos entre 1990 e 2025 e funciona como um mapa afetivo de um autor que aprendeu a escutar.

O livro reafirma a força do teatro como espaço para a elaboração de confrontos. Ler as peças de Falabella, qualquer uma delas, é também perceber como certos conflitos permanecem intactos, como se todos estivessem sempre ensaiando dores parecidas em novas situações. Ainda mais em tempos de discursos prontos, peças que insistem na ambiguidade e na humanidade dos personagens são ouro. Qualquer leitor que esteja aberto a pensar pode sair dessa obra com a sensação de ter participado de algo íntimo demais para ser ignorado.

A obra começa com "A Partilha", peça que já passou por gerações e permanece atual. Nela, o reencontro de quatro irmãs após a morte da mãe, mediado pela divisão de bens, transforma-se em algo mais incômodo: a partilha das mágoas, das ausências e das versões nunca ditas das histórias de cada uma delas. Falabella constrói o conflito com humor afiado e usa o riso como instrumento de revelações cruéis.

Se "A Partilha" escancara o núcleo familiar, "O Som e a Sílaba" desloca o olhar para as diferenças ao focar na relação de amizade entre uma jovem cantora autista e a professora de canto dela. O texto evita o didatismo e aposta no território delicado da escuta. O resultado é uma peça moderna e sensível que tem o cuidado evidente de não reduzir a personagem à sua condição, mas de expandi-la como sujeito.

Em "A Sabedoria dos Pais", o autor abandona qualquer ilusão conciliadora quando aborda o fim de um casamento de 35 anos. Os conflitos surgem a partir de um acúmulo de situações mal resolvidas, em que o desgaste aparece nos pequenos detalhes. A peça se sustenta nesse incômodo prolongado de constatar que o amor, quando não cuidado, pode se transformar em rotina ressentida.

"Os Olhos de Nara Leão", misto de monólogo e biografia,  evoca a figura de Nara Leão. A reflexão sobre identidade, escolhas e autonomia ganha contornos íntimos, como se o palco fosse um espaço para a confissão. O que une as quatro peças é a habilidade de transformar situações reconhecíveis em experiências densas sem perder a leveza. Falabella escreve diálogos que soam naturais e têm ritmo, ironia e uma compreensão profunda de que o teatro é feito para causar reflexões profundas sobre a vida. Compre o livro "'A Partilha' e Outras Peças Teatrais: 'O Som e a Sílaba'. 'A Sabedoria dos Pais'. 'Os Olhos de Nara Leão'", de Miguel Falabella, neste link.

.: Cinebiografia "Michael" já está com pré-venda de ingressos aberta em todo o Brasil


A Universal Pictures deu início à contagem regressiva para um dos lançamentos mais aguardados do ano. A cinebiografia "Michael" já está com pré-venda de ingressos aberta em todo o Brasil, incluindo a Rede Cineflix, e promete mobilizar fãs do Rei do Pop antes mesmo da estreia oficial. Com lançamento marcado para 23 de abril, o longa terá sessões antecipadas a partir das 20h00 do dia 21, feriado nacional, estratégia que reforça o apelo popular da produção e antecipa a experiência para o público mais ansioso.

O anúncio da pré-venda veio acompanhado de um gesto direto ao público brasileiro. Jaafar Jackson, responsável por interpretar Michael Jackson na fase adulta, gravou uma mensagem especial: “O Brasil sempre fez parte da história do Michael. Mal posso esperar para celebrar seu legado com vocês”. Além disso, um novo trailer foi divulgado, revelando imagens inéditas e ampliando a expectativa em torno do filme.

Dirigido por Antoine Fuqua, conhecido por títulos como "Dia de Treinamento", e produzido por Graham King - vencedor do Oscar por "Bohemian Rhapsody" -, o longa-metragem busca ir além da mitologia musical. A narrativa percorre desde os primeiros passos de Michael como líder do Jackson Five até sua consolidação como um artista visionário, explorando tanto os bastidores quanto momentos icônicos de sua carreira. 

O elenco inclui ainda nomes como Colman Domingo, Nia Long, Laura Harrier e Miles Teller, ampliando o peso dramático da produção. A versão infantil do astro fica por conta de Juliano Valdi, que divide com Jaafar a construção do personagem em diferentes fases da vida. “Michael” aposta em uma experiência cinematográfica grandiosa, alinhada à dimensão do artista que retrata. Com ingressos já disponíveis, a corrida às bilheterias começa antes mesmo da estreia, um movimento à altura de quem, décadas depois, ainda mobiliza plateias ao redor do mundo.

.: Tudo sobre "Quem Ama Cuida", a próxima novela das nove


"Quem Ama Cuida" tem uma história de amor e justiça sobre a força de recomeçar. Na imagem, Adriana (Leticia Colin), protagonista da novela. Foto: Globo/ Manoella Mello


Em "Quem Ama Cuida", Walcyr Carrasco e Claudia Souto apresentam uma novela contemporânea, que nasce em meio ao caos de uma São Paulo devastada por uma grande enchente e acompanha a transformação de Adriana (Leticia Colin), uma mulher que, diante de perdas irreparáveis e tragédias, descobre a força de recomeçar, movida por sede de justiça. Uma jornada que combina amizade, conflitos familiares, amor impossível, mistério e a busca por reparação e vingança, ao mostrar as consequências do encontro de Adriana (Leticia Colin) e Arthur (Antonio Fagundes).

Quando um casamento inesperado desencadeia um crime que muda o destino de todos, a obra mergulha em uma história de superação, segredos e revelações, conduzida pelo olhar sensível da diretora artística Amora Mautner, em um melodrama clássico, repleto de emoção e surpresa. No elenco, estão outros nomes consagrados como Tony Ramos, Chay Suede, Isabel Teixeira, Alexandre Borges, Flávia Alessandra, Mariana Ximenes, Dan Stulbach, Deborah Evelyn, Tata Werneck, Agatha Moreira, Belize Pombal, Isabela Garcia, Breno Ferreira, entre muitos outros. 

O ponto de partida da trama se dá em um dia que Adriana nunca esquecerá: após ser demitida da clínica onde trabalhava como fisioterapeuta, uma enchente destrói sua casa, leva seu marido, Carlos (Jesuíta Barbosa), arrastado pelas águas e acaba com tudo que havia conquistado. Ainda sem entender como seguir, Adriana vai parar em um abrigo, onde cruza pela primeira vez o caminho de Pedro (Chay Suede), advogado idealista, sensível às desigualdades do mundo. Ele fica impressionado com a força dessa mulher, em meio a tanto sofrimento. O encontro é rápido, intenso e deixa marcas em ambos.

O tempo passa, e Adriana consegue um emprego na casa de Arthur Brandão (Antonio Fagundes), poderoso empresário do ramo de joias, solitário, endurecido pelas ausências e pela frieza da própria família, especialmente dos irmãos Pilar (Isabel Teixeira), Ulisses (Alexandre Borges) e da cunhada Silvana (Belize Pombal), viúva do seu irmão Belmiro. O relacionamento entre patrão e funcionária começa em confronto, mas, pouco a pouco, se transforma em uma ligação de confiança e amizade genuína. Arthur encontra em Adriana uma companhia leal, e ela começa a enxergar, por trás da aspereza, um homem carente de cuidado. 

Esse vínculo provoca um gesto radical. Para impedir que a família, ambiciosa, herde sua fortuna, Arthur pede Adriana em casamento - não por paixão, mas como um pacto de amizade, proteção e gratidão. Dividida entre o orgulho e a urgência de mudar de vida pelo bem da sua família, Adriana aceita o acordo, mesmo com o avô Otoniel (Tony Ramos) se opondo à decisão e sem imaginar o tamanho do problema que está por vir. Enquanto isso, Pedro (Chay Suede), afilhado de Arthur e filho do advogado Ademir (Dan Stulbach), vê seu mundo ruir. 

A mulher que nunca esqueceu desde o primeiro encontro está prestes a se casar com seu padrinho. O sentimento reprimido se transforma em dor, desconfiança e conflito moral. Tudo se intensifica quando, na noite do casamento de Adriana e Arthur, o noivo é assassinado misteriosamente. Adriana, herdeira e última pessoa a estar com ele, torna-se a principal suspeita. Condenada por um crime que não cometeu, ela, desta vez, perde a liberdade, o nome e o futuro que sonhou.

Seis anos se passam, ela sai da cadeia após a condicional, e, ainda assim, não perde o essencial: a vontade de lutar pela vida, pelo seu amor e a de fazer justiça. Em "Quem Ama Cuida", cada reviravolta revela que a verdadeira força nasce no limite, porque, para Adriana, cuidar é também enfrentar o impossível e mudar o próprio destino. “Adriana não é uma mocinha frágil, mas uma mulher empoderada, capaz de enfrentar a vida por ela mesma e pelos seus. A novela tem uma grande história de amor entre Adriana e Pedro, e um grande mistério, pois teremos um ‘quem matou?’”, destaca Walcyr Carrasco. “Ela é uma mulher do povo, que lutou muito por tudo que conquistou. Ela tem a cura nas mãos, não só pela profissão, mas porque ela cuida mesmo, abraça, acolhe, está sempre fazendo um carinho para alguém. E uma grande injustiça atravessa a vida dessa mulher, pois, além de tirar a liberdade dela, a afasta de seu grande amor, o Pedro”, complementa Claudia Souto. 

Na condução dessa história, está esse trio criativo que é referência na dramaturgia. Parceira de Walcyr em muitos projetos, Claudia Souto celebra sua estreia em uma novela das nove ao lado do autor que tanto a inspirou: “Walcyr é um mestre para mim. Fiquei emocionada quando nos falamos pela primeira vez após o convite, porque é um reencontro com uma pessoa que eu amo. Sempre vi as novelas dele, e ele comentava sobre as minhas também. Agora temos essa parceria reeditada”.

A diretora artística Amora Mautner encara mais uma jornada ao lado de Walcyr Carrasco e estreia a dobradinha com Claudia Souto, apostando nos elementos que estão por trás dos grandes títulos da dramaturgia para conduzir a trama. “O público vai se envolver com todas as armações que as famílias podem enfrentar quando o assunto é herança, e isso é só o início da história. Temos um clássico melodrama, com ideias muito originais, o DNA de Walcyr Carrasco, agora também com as ‘tintas’ da maravilhosa Claudia Souto trazendo a sua experiência, sempre tão importante. Tudo isso com um elenco de nomes consagrados. Vem mais novelão por aí”, celebra Amora. 

"Quem Ama Cuida" é criada e escrita por Walcyr Carrasco e Claudia Souto, com colaboração de Wendell Bendelack, Martha Mendonça, Julia Laks e Bruno Segadilha. A novela tem direção artística de Amora Mautner, direção geral de Caetano Caruso e direção de Alexandre Macedo, Nathalia Ribas, Augusto Lana, Fábio Rodrigo e Rodrigo Oliveira. A produção é de Mauricio Quaresma e Isabel Ribeiro, a produção executiva, de Lucas Zardo e a direção de dramaturgia, de José Luiz Villamarim. 

.: Crítica musical: Rolling Stones e os 50 anos de Black and Blue


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural

Recentemente os Rolling Stones anunciaram a reedição do álbum "Black and Blue", que completou 50 anos em 2026 e marcou uma nova fase com a entrada de Ron Wood no lugar de Mick Taylor, que preferiu sair da banda. Para entender melhor o contexto, é preciso lembrar que os Stones haviam gravado o álbum anterior ("It´s Only Rock´n Roll") que apesar das críticas favoráveis, acabou provocando tensões internas por parte de Mick Taylor, insatisfeito com a linha musical desenvolvida pela banda. O grupo contava com Mick Jagger (vocal), Keith Richards (guitarra), Bill Wyman (baixo) e Charlie Watts (bateria).

Com a iminente saída de Taylor, Jagger pensou em chamar Ron Wood, que havia participado da gravação do disco anterior. E obteve a aprovação dos demais integrantes. A entrada de Wood não só preencheu a lacuna deixada por Taylor como ainda agregou qualidade para a sonoridade da banda. Seu estilo se encaixou muito bem ao de Keith Richards.Outro destaque foi a participação de Billy Preston nos teclados, que já havia tocado com os Beatles anteriormente.

"Black and Blue" mostra uma influência direta do reggae nas faixas "Hey Negrita" e "Cherry Oh Baby",  esta última uma regravação de um hit do cantor jamaicano Eric Donasldson. Nas demais faixas se ouve aquele tipo de sonoridade habitual dos Stones, seja nas baladas "Memory Motel" e "Fool To Cry", seja em momentos mais rock´n roll como a ótimas "Crazy Mama" e "Hand Of Fate". Há ainda o blues na faixa "Melody" e um flerte com a música dançante na faixa "Hot Stuff". "Black and Blue" é um álbum de transição, que marca a entrada de Ron Wood. De uma certa forma, ajudou a pavimentar o caminho para os álbuns que viriam a seguir.

"Fool To Cry"

"Crazy Mama"

"Hand Of Fate"

.: Vivo Lendo: Vieira Vivo indica "Três Línguas", de Verônica Ramalho


Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.

Coço a eternidade com a orelha da língua.

O idioma é vorazmente mastigado, digerido, absorvido e expelido numa imagética vertiginosa onde o microcosmo interior das substâncias, dos corpos e do universo vegetal flutuam e se liquefazem em meio às metonímias e sinédoques. Na primeira parte de "Três Línguas", denominada “Deos”, a língua e as orelhas transformam-se em organismos vivos em uma dança alucinante e sonora onde as conjugações verbais e seus atos são divindades imperativas atuando através das sensações, vertigens e prazeres sensoriais revelando-se, intimamente, em infinitos e múltiplos atributos minuciosamente dissecados pela poética amalgâmica de Verônica Ramalho.

“Antígona” é a denominação da segunda parte onde a intensa e contínua movimentação verbal volta-se para o exterior, o lado de fora dos cenários urbanos, porém, com o mesmo e intenso pressuposto fonético voltado para a minuscularização das atividades e dos materiais composicionais das ruas. A precisa dissecação microscópica dos componentes concretos das cidades revela-nos um novo e hipnotizante bailado onde as atividades caóticas de destruição e de pulverização da matéria aponta, inapelavelmente, para a finitude.

Na terceira e última parte do livro, intitulada “Jardim”, a decomposição e a putrefação dos organismos florais é realçada de forma enfática, crua e realista. Destaca-se a linguagem altamente técnica e científica embasando a intensa atividade poética dos versos voltados para a anatomia constitucional das formas e dos seres.

“Três Línguas”, de Verônica Ramalho, publicado pela Editora Córrego revela-se um poemário original, vigoroso e surpreendente pela erudição da autora, pela lúdica imagética dos poemas e por sua aprimorada técnica criativa. A edição traz, ainda, projeto gráfico a cargo de Gabriel Kolyniak, ilustrações e capa de Gabriela Cézar e elucidativo texto de orelha por Maíra Mendes Galvão.

quinta-feira, 9 de abril de 2026

.: Crítica: "Super Mario Galaxy, o Filme" é nostalgia deslumbrante empolgante

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em abril de 2026


"Super Mario Galaxy, o Filme" é a animação cinematográfica dos sonhos de qualquer fã do jogo eletrônico Mario Bros., pois é a concretização da gamificação em sua excelência do universo nas telonas Cineflix Cinemas de Santos. A produção, que dá sequência a "Super Mario Bros.: O Filme" mantém o espetáculo frenético e nostálgico sendo capaz de surpreender ao introduzir novos e queridos personagens: Rosalina, Lumas, Bowser Jr. e Yoshi (apresentado na segunda cena pós-créditos do primeiro filme quando um ovo branco com manchas verdes — o clássico ovo do Yoshi — localizado nos esgotos do Brooklyn, começa a rachar e emite o som característico do dinossauro antropomórfico).

Em "Super Mario Galaxy, o Filme" há cenas pós-créditos, portanto, é preciso ficar na sala de cinema até o final, o que não é qualquer esforço, pois a animação está impecável. Assim, de quebra, dá uma dica do que virá no próximo filme, como por exemplo, o interesse amoroso de Luigi que dá as caras. Ao fim, também estampa o esclarecedor alerta de que "nenhuma Estrela foi ferida durante a produção deste filme". "Super Mario Galaxy, o Filme" é a celebração de um sucesso que também se consolida, merecidamente, no formato animação.

Em 1 hora e 38 minutos de duração, "Super Mario Galaxy, o Filme" coloca os irmãos Mario e Luigi diante de uma terrível ameaça, ainda que tenham contido o malvadão Bowser. Assim, são levados ao além, justificando o Galaxy do título e as cenas são de pura perfeição, esbanjando um visual deslumbrante. A mescla do colorido maravilhoso com o avanço de cada nível no jogo entrega nostalgia por meio de referência em figurinos e mecânicas que remetem a experiência de jogar no Nintendo. O resultado é um fan service de qualidade que agrada também o público infantil. "Super Mario Galaxy, o Filme" é imperdível!

A equipe Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


"Super Mario Galaxy: O Filme" (The Super Mario Galaxy Movie). Gênero: Animação, Aventura, Comédia. Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic. Roteiro: Matthew Fogel. Duração: 1h 39 minutos.  Distribuição: Universal Pictures. Sinopse: Desta vez, a trama expande o universo cinematográfico para uma missão intergaláctica onde Mario e seus amigos devem deter uma nova ameaça cósmica. O filme marca a introdução da Princesa Rosalina e conta com a participação de Bowser Jr.

Trailer de "Super Mario Galaxy: O Filme"



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.: CCBB SP recebe "Desassossego" em parceria histórica entre grupos teatrais


CCBB SP recebe "Desassossego", que une Fernando Pessoa e parceria histórica entre grupos teatrais. 
Montagem marca a colaboração de 20 anos entre a Pequena Companhia de Teatro (São Luís - MA) e a Cia. A Máscara de Teatro (Mossoró - RN). Foto: Mar Pereira
 
 
Na "Ocupação Maranhense: 20 Anos da Pequena Companhia de Teatro", o CCBB SP recebe o espetáculo inspirado no "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, que encerra a mostra comemorativa das duas décadas de trajetória do grupo. Entre os dias 9 e 20 de abril de 2026, a maranhense Pequena Companhia de Teatro apresenta o espetáculo "Desassossego", com dramaturgia de Marcelo Flecha e que encerra a temporada de comemoração de 20 anos de trajetória do grupo no Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo, com entrada gratuita.

"Desassossego" marca uma parceria entre a Pequena Companhia de Teatro e a Cia. A Máscara de Teatro. Os dois grupos mantêm colaboração artística há duas décadas. Em 2005, Marcelo Flecha dirigiu o primeiro espetáculo d’A Máscara e, ao longo dos anos, os grupos realizaram montagens em conjunto, como Medea e Deus Danado. Nesta nova criação, a parceria assume caráter integrado: a partir de discussões sobre o tema e do interesse comum pela obra de Pessoa, as companhias desenvolveram coletivamente o projeto. O elenco reúne os dois atores d’A Máscara - Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo - com direção de Flecha e produção de Katia Lopes, configurando uma coprodução estruturada desde a concepção até a realização.
 
Inspirado no "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, a peça é um convite para o espectador mergulhar em uma experiência cênica sensorial, emotiva, divertida e provocadora. Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo são personagens de si mesmos em uma comédia constrangedora para sorrisos amarelos, encenada por Marcelo Flecha. Na busca pela cena perfeita, tentando construir um novo espetáculo, eles convidam o público a invadir um processo de montagem e ver de maneira escancarada todos os desassossegos, descompassos e descaminhos do mundo teatral, se deparando com a metáfora perfeita do que é a vida humana cotidiana, no seu aspecto mais puro. Afinal, nem o teatro imita a vida, nem a vida imita o teatro, tudo faz parte do mesmo caos.

A montagem integra o conjunto de quatro obras apresentadas na "Ocupação", todas com dramaturgia de Marcelo Flecha e livremente inspiradas em textos de autores da literatura mundial, como Franz Kafka, Gabriel García Márquez e Jorge Luis Borges e Fernando Pessoa. Criada em 2005, a Pequena Companhia de Teatro é formada pelos atores Cláudio Marconcine e Jorge Choairy, pelo encenador e dramaturgo Marcelo Flecha e pela produtora Katia Lopes. O grupo se consolidou como uma das principais referências do teatro maranhense contemporâneo, com circulação por 72 cidades de 25 estados brasileiros e participação em 70 festivais e mostras nacionais. 

Ao longo de sua trajetória, recebeu quatro Prêmios Funarte de Teatro Myriam Muniz e integrou importantes projetos de circulação, como Palco Giratório, Sesc Amazônia das Artes e SESI Viagem Teatral. Até o final da programação, o público pode visitar a Pequena Mostra de Teatro, exposição instalada no foyer do CCBB São Paulo que reúne registros de duas décadas de pesquisa do grupo, com figurinos, cenografias, diários de processo e materiais de criação.


Serviço
"Ocupação Maranhense: 20 Anos da Pequena Companhia de Teatro"
De 26 de fevereiro a 20 de abril de 2026
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo 
R. Álvares Penteado, 112, Centro Histórico de São Paulo / SP
Grátis na bilheteria do CCBB SP e pelo bb.com.br/cultura 
Os ingressos são liberados na sexta-feira da semana anterior, às 12h00.
 
Teatro
"Desassossego", livremente inspirado no "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa
De 9 a 20 de abril de 2026
Quinta, sexta e segunda-feira, às 19h00 | sábado e domingo, às 18h00
Classificação etária: 14 anos | Duração: 60 minutos | Gênero: comédia constrangedora para sorrisos amarelos
Bate-papo após sessão: 18 de abril | sábado 
Sessão Inclusiva (intérprete de libras): 12/04 | domingo
 
Ficha técnica
Espetáculo "Desassossego"
Elenco: Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo
Dramaturgia: Marcelo Flecha e Cia. A Máscara de Teatro
Encenação: Marcelo Flecha
Cenografia, iluminação, figurinos e trilha sonora: Marcelo Flecha e Cia. A Máscara de Teatro
Operador de luz e som: Luciana Duarte e Jeyzon Leonardo
Produção: Luciana Duarte e Katia Lopes
Realização: Cia. A Máscara de Teatro e Pequena Companhia de Teatro
 
No Foyer do Teatro
Exposição Pequena Mostra de Teatro
Até dia 20 de abril 
Dias: Todos os dias, exceto às terças-feiras 
Horário: 9h00 às 20h00
Classificação etária: livre 
Entrada: gratuita 
 
Informações CCBB SP
Centro Cultural Banco do Brasil São Paulo
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 - Centro Histórico / São Paulo
Funcionamento: Aberto todos os dias, das 9h00 às 20h00, exceto às terças-feiras
Telefone: (11) 4297-0600 
Estacionamento: o CCBB possui estacionamento conveniado na Rua da Consolação, 228 (R$ 14 pelo período de 6 horas - necessário validar o ticket na bilheteria do CCBB). O traslado é gratuito para o trajeto de ida e volta ao estacionamento e funciona das 12h00 às 21h00. 
Van: ida e volta gratuita, saindo da Rua da Consolação, 228. No trajeto de volta, há também uma parada no metrô República. Das 12h00 às 21h00. 
Transporte público: o CCBB fica a 5 minutos da estação São Bento do Metrô. Pesquise linhas de ônibus com embarque e desembarque nas Ruas Líbero Badaró e Boa Vista. 
Táxi ou Aplicativo: desembarque na Praça do Patriarca e siga a pé pela Rua da Quitanda até o CCBB (200 m). 
Entrada acessível: pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e outras pessoas que necessitem da rampa de acesso podem utilizar a porta lateral localizada à esquerda da entrada principal. 

.: "O Drama" mostra Zendaya no papel melhor e mais desafiador da carreira


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

A estreia de “O Drama” chega à Rede Cineflix e aos cinemas brasileiros apostando na inquietação silenciosa das relações amorosas. Dirigido e roteirizado pelo norueguês Kristoffer Borgli, o longa-metragem confirma o interesse do cineasta por personagens desconfortáveis e situações emocionalmente ambíguas. Com Zendaya no papel melhor e mais desafiador da carreira, o desconforto ganha contornos mais íntimos ao acompanhar a derrocada de um relacionamento às vésperas do casamento.

Na trama, Emma e Charlie, vividos por Zendaya e Robert Pattinson, formam um casal aparentemente estável cuja rotina é atravessada pela revelação de um segredo do passado. O que poderia soar como um ponto de partida convencional transforma-se em motor de uma história que vai para o lado do estranhamento. Borgli constrói um jogo psicológico em que o espectador é convocado a lidar com a mesma confusão dos personagens, recusando explicações e deslocando o interesse para as reações, não para o fato em si.

A recepção crítica internacional tem destacado justamente essa escolha. O filme foi descrito como uma obra que parece deliberadamente construída para provocar debate. É uma história que tem um apelo universal, centrada na tensão entre aquilo que se imagina sobre o outro e aquilo que ele de fato é ou sempre foi. Parte da força do filme reside na química pouco convencional entre os protagonistas. Longe do romantismo idealizado, Zendaya e Pattinson investem em uma dinâmica marcada por desencontros, olhares atravessados e pausas incômodas. O resultado é uma relação que soa mais próxima do real do que da fantasia, reforçando a proposta do diretor de desmontar expectativas narrativas e afetivas.

Nos bastidores, algumas curiosidades ajudam a dimensionar o projeto. Antes das filmagens, Borgli recomendou ao elenco títulos como "Bob & Carol & Ted & Alice" (1969) e "Melancolia" (2011), além de "A Paixão de Ana" (1969), cuja influência aparece inclusive na cenografia do filme. Outro detalhe curioso é o livro fictício "The Damage", que surge na abertura como dispositivo narrativo e já foi anunciado pelo diretor como um possível projeto futuro. E, em um tom quase anedótico, a atriz Alana Haim revelou ter ficado levemente embriagada durante as gravações ao consumir grandes quantidades de suco de uva usado como substituto para o vinho em cena.

“O Drama” também marca uma ruptura na trajetória de Borgli por ser o primeiro longa-metragem dele a não estrear em festivais, tendo sido lançado diretamente em uma exibição em Los Angeles. A escolha sinaliza uma aposta maior no circuito comercial e no potencial de discussão que o filme pode gerar fora do ambiente tradicional de premiações. O filme se sustenta como um estudo incômodo sobre amor, expectativa e identidade.

Ficha técnica
O Drama” | “The Drama” (título original)

Gênero: drama.
Duração: 1h45.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2026.
Idioma: Inglês.
Direção: Kristoffer Borgli.
Roteiro: Kristoffer Borgli.
Elenco: Robert Pattinson, Zendaya, Alana Haim, Mamoudou Athie.
Distribuição no Brasil: Diamond Films.
Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

“O Drama” no Cineflix Miramar | Santos
De 9 a 15 de abril | Sessões no idioma original | Sala 2 | 20h10.
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo.
Ingressos neste link

.: ºAndar recebe "A Última Valsa de Zelda Fitzgerald", com Larissa da Matta


Espetáculo devolve protagonismo a essa grande artista apagada pela história por conta dos erros cometidos pelo marido. Foto: divulgação


O solo "A Última Valsa de Zelda Fitzgerald", com atuação e concepção de Larissa da Matta revisita a trajetória dessa grande escritora, poetisa, pintora e dançarina estadunidense para além do mito de musa, construído a seu respeito nos anos 1920. O espetáculo tem sua temporada de estreia no espaço º Andar, de 9 a 24 de abril, com sessões às quintas e sextas-feiras, às 20h00. O trabalho, com dramaturgia da própria intérprete em parceria com Pedro Amaral, também lança luz sobre o silenciamento dessa mulher pela fama e pelo plágio artístico cometido pelo marido F. Scott Fitzgerald

Por muito tempo, Zelda foi lembrada mais como símbolo de uma época do que como autora da própria história. Associada ao brilho da Era do Jazz, à imagem da mulher excessiva e à fama de seu marido, escritor de "O Grande Gatsby" e outros marcos da Literatura mundial, sua trajetória foi frequentemente reduzida a estereótipos que a colocavam no lugar da musa, da esposa difícil e da figura instável. O solo teatral resgata a complexidade de uma mulher artista, escritora e pensadora, cuja voz foi tantas vezes abafada pela narrativa construída ao seu redor. 

O espetáculo propõe ao público uma imersão na vida e obra de Zelda para além do imaginário romântico e trágico que a transformou em personagem secundária de uma história masculina. Em cena, sua história emerge como a de uma mulher em conflito com o tempo em que viveu, com o casamento que a atravessou, com a disputa pela autoria da própria vida e com as tentativas insistentes de afirmar sua criação em um mundo que parecia disposto a lhe negar lugar. 

A peça acompanha Zelda desde seu início no sul dos Estados Unidos à consagração social nos anos 1920, passando pelos embates de seu casamento com Scott Fitzgerald, pelas tensões entre vida íntima e produção artística, pela vontade de existir para além da figura de esposa célebre e pelo agravamento de sua saúde mental. Entre festas, delírios, memórias e internações, o espetáculo constrói o retrato de uma mulher intensa, contraditória e profundamente humana. 


Sobre a montagem
Mais do que revisitar uma personagem histórica, "A Última Valsa de Zelda Fitzgerald" se conecta de maneira direta com o presente. Em um contexto em que as mulheres ainda precisam lutar por espaço, autoria e reconhecimento, o espetáculo transforma a experiência de Zelda em um gesto de reescrita simbólica. Ao colocá-la em foco, a montagem propõe uma reflexão sobre quantas artistas foram reduzidas a notas de rodapé, quantas tiveram sua criação absorvida pela fama de homens ao redor, e quantas ainda precisam lutar para existir com voz própria. 

Com linguagem intimista e força narrativa, o solo se apresenta como uma experiência capaz de dialogar tanto com o público interessado em literatura, história da arte e artes da cena quanto com espectadores atraídos por histórias de mulheres intensas e profundamente contemporâneas em suas contradições. Ao trazer Zelda Fitzgerald de volta ao palco, o espetáculo não apenas revisita o passado: ele questiona os mecanismos que seguem produzindo apagamentos no presente. 

A montagem marca ainda a primeira produção assinada pelo Foyer, plataforma de comunicação, cultura e criação de projetos autorais, ampliando sua atuação para o campo da produção teatral e reforçando seu compromisso com obras que articulam arte, pensamento e relevância contemporânea.

Sobre os criadores
Pedro Amaral é roteirista, apresentador, produtor cultural e empreendedor criativo. Pós-graduado em Dramaturgia pelo Célia Helena, atua na interseção entre comunicação, audiovisual, teatro e mercado artístico. É fundador do Foyer, plataforma de comunicação e produção de conteúdo dedicada à cultura, às artes e à criação de projetos autorais. 


Sobre a atriz
Larissa da Matta é atriz, dançarina, performer, dramaturga, arte-educadora e pesquisadora. Pós-graduada em Direção e Atuação pela Escola Superior de Artes Célia Helena, desenvolveu pesquisa baseada no eixo de Dramaturgias do Corpo, em que investigou corporalmente a vida e a obra de mais de 40 mulheres artistas do século XVI ao século XXI, pertencentes a diversos períodos da história das artes plásticas e visuais, resultando em uma dramaturgia e monólogo teatral autorais sobre a vida e obra de Zelda Fitzgerald. Bacharela e licenciada em Teatro pela Escola Superior de Artes Célia Helena, também possui formação em História da Arte com o Prof. Dr. Rodrigo Naves, pela Difusão Cultural SP, abrangendo do Pré-Renascimento à Arte Contemporânea. Além disso, é formada em Danças Urbanas pelo Centro de Artes Lílian Gumieiro. Atuou em produções internacionais como a peça chilena Granada, apresentada no MIRADA – Festival Ibero-Americano de Artes Cênicas, e participou de festivais e formações na Rússia, incluindo o Teatro de Arte de Moscou e o Festival Internacional de Escolas de Teatro dos países do BRICS, integrando o elenco de Édipo Rei, dirigido por Valentin Teplyakov. 


Serviço
Espetáculo "A Última Valsa de Zelda Fitzgerald", com Larissa da Matta
Temporada: 9 a 24 de abril de 2026
Às quintas e sextas-feiras, às 20h00
⁰Andar  - Rua Dr. Gabriel dos Santos, 88 – Santa Cecília / São Paulo (a 6 minutos da estação Marechal Deodoro do metrô)
Ingressos: R$ 30,00 a R$ 60,00 via Sympla ou na bilheteria do espaço ( aceita cartão, pix e dinheiro)
Estacionamento conveniado: Rua Dr. Gabriel dos Santos, 131
Orientação: retirar carimbo na Bilheteria
Pagamento: Pix e débito (R$ 20,00 preço único)
Classificação: 14 anos
Duração: 70 minutos

.: “Pai Mãe Irmã Irmão” expõe as fissuras das "sagradas" famílias contemporâneas


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

Vencedor do Leão de Ouro no Festival Internacional de Cinema de Veneza, “Pai Mãe Irmã Irmão” estreia na Rede Cineflix e nos cinemas brasileiros nesta quinta-feira, dia 9 de abril. Escrito e dirigido por Jim Jarmusch, o longa-metragem reafirma o estilo do diretor - observacional, econômico e com pitadas de humor seco - ao transformar encontros familiares em territórios de tensão, constrangimento e, por vezes, afeto tardio.

Dividido em três capítulos ambientados nos Estados Unidos, na Irlanda e na França, o filme constrói um tríptico que investiga relações entre pais e filhos adultos marcadas por distanciamentos emocionais. Em cena, um elenco que chama atenção tanto pelo prestígio quanto pela diversidade de registros: Adam Driver e Mayim Bialik vivem irmãos que visitam um pai errático interpretado por Tom Waits; Cate Blanchett e Vicky Krieps encarnam filhas que orbitam uma mãe enigmática vivida por Charlotte Rampling; enquanto Indya Moore e Luka Sabbat protagonizam o segmento mais melancólico, centrado em irmãos que revisitam memórias após a morte dos pais.

A crítica internacional, em veículos como a The New Yorker e o The Guardian, destacou o caráter quase experimental da obra, que repete elementos narrativos entre os episódios para criar paralelos entre diferentes configurações familiares. A estrutura, embora simples na superfície, opera como um estudo de variações: os mesmos gestos, pausas e objetos reaparecem, revelando o que muda e o que fica nas relações afetivas. Em vez de grandes conflitos, Jarmusch aposta naquilo que escapa às palavras, transformando o banal em matéria dramática.

Há também uma dimensão curiosa no projeto: após a recepção dividida de “Os Mortos Não Morrem” (2019), o diretor retorna a um cinema mais íntimo e menos satírico, quase como um gesto de retração criativa. Ainda assim, o filme preserva uma das marcas mais reconhecíveis dele, que é a capacidade de reunir grandes nomes em performances contidas, em que o gesto mínimo substitui o excesso. A crítica agregada em plataformas como Rotten Tomatoes indica aprovação majoritária, com elogios ao elenco e à delicadeza do olhar, ainda que parte do público aponte o ritmo contemplativo como um obstáculo.

Distribuído no Brasil pela MUBI em parceria com a Imovision, “Pai Mãe Irmã Irmão” chega em circuito selecionado, mirando um público disposto a desacelerar. Ao final, pais seguem sendo enigmas, filhos acumulam ruídos, e a família permanece como um território onde o amor raramente se organiza de forma simples.


Ficha técnica
“Pai Mãe Irmã Irmão” | “Father Mother Sister Brother” (título original)| 
Gênero: comédia dramática
Duração: 110 minutos
Classificação indicativa: 14 anos
Ano de produção: 2025
Idiomas: inglês e francês
Direção: Jim Jarmusch
Roteiro: Jim Jarmusch
Elenco: Tom Waits, Adam Driver, Mayim Bialik, Cate Blanchett, Charlotte Rampling, Vicky Krieps, Indya Moore, Luka Sabbat, Sarah Greene, Françoise Lebrun
Distribuição no Brasil: MUBI / Imovision
Cenas pós-créditos: não.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Pai Mãe Irmã Irmão" no Cineflix Miramar | Santos
De 9 a 15 de abril | Sessões legendadas | Sala 1 | 21h00.
De 9 a 15 de abril | Sessões legendadas | Sala 3 | 18h00.
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo.
Ingressos neste link

.: Renan Marcondes estreia espetáculo "A Primeira Dança" no Sesc Ipiranga


Performance-palestra convida o público a pensar naquilo que chamamos de dança e como ela pode existir para além de uma demonstração técnica. Foto: Tetembua Dandara 


O que é a dança para você? Em uma tentativa de pensar mais profundamente nessa arte, o performer, coreógrafo e autor Renan Marcondes criou a palestra performance "A Primeira Dança", que tem três apresentações de estreia no auditório do Sesc Ipiranga, entre os dias 10 e 12 de abril, na sexta-feira, às 21h30, e no sábado e domingo, às 18h30.

O trabalho aborda as primeiras danças da humanidade, assim como suas versões sociais e pessoais. A fala, acompanhada por imagens e dança, convida o público a pensar sobre aquilo que chamamos de dança e sobre como ela pode existir para além de uma demonstração técnica, podendo também falar dos limites e aprendizados do corpo.

Esse novo trabalho, criado especialmente para o projeto Caixa de Dança, dá continuidade ao interesse do artista pelos fins do corpo e seus rastros. Para isso, o artista usa da mediação como recurso dramatúrgico para a dança contemporânea, como já investigado em projetos recentes como "Cartas Para Danças" (2023) e "Fantasias Brasileiras" (2024).

“A Primeira Dança” é uma palestra performance sobre as primeiras danças da humanidade, assim como suas versões sociais e pessoais. A fala, acompanhada por imagens e dança, convida o público a pensar sobre aquilo que chamamos de dança e sobre como ela pode existir para além de uma demonstração técnica, podendo também falar dos limites e aprendizados do corpo.


Sobre o projeto Caixa de Dança
A segunda edição do “Caixa de Dança - Coreografias no Entretempo" aprofunda a investigação sobre corpo, espaço e tempo na dança contemporânea, deslocando o foco para múltiplas temporalidades - cronológicas, simbólicas, ancestrais e espirais. Entre espetáculos, oficinas e conversas, o projeto propõe o tempo como matéria coreográfica, afirmando a dança como prática crítica, sensível e capaz de reinventar modos de perceber o corpo, a memória e o mundo.


Ficha técnica
Espetáculo “Caixa de Dança - Coreografias no Entretempo"

Concepção, direção, texto e performance: Renan Marcondes
Assistência de direção e coreografia: Carolina Callegaro
Trilha sonora, desenho de luz e operação técnica: Cauê Gouveia
Aulas e colaboração coreográfica: Ale Kalaf e Bibi Vieira
Cenotecnia: Matias Ivan Arce
Produção e fotos: Tetembua Dandara
Assessoria de imprensa: Pombo Correio
Registro em vídeo: Bruta Flor Filmes
Agradecimentos: Ana Teixeira, Artur Kon e Chico Lima
Produzido dentro do polo de criação Pérfida Iguana, nos anos de 2025 e 2026.


Serviço
"A Primeira Dança", de Renan Marcondes
Apresentações: 10 a 12 de abril de 2026
Na sexta-feira, às 21h30, e no sábado e domingo, às 18h30
Sesc Ipiranga - Auditório - Rua Bom Pastor, 822, Ipiranga, São Paulo
Ingressos: R$50,00 / R$25,00 / R$15,00 Vendas on-line no site sescsp.org.br e presencial em qualquer unidade do Sesc São Paulo.
Classificação: 12 anos.
Duração: 50 minutos.
Acessibilidade: espaço acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.

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