sábado, 20 de junho de 2026

.: Crítica: "Uma Infância Alemã" é história de amadurecimento e devoção


Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Em busca de realizar o desejo da mãe, garotinho Nanning (Jasper Billerbeck) descobre que além do rio há uma realidade ainda mais cruel e capaz de fazê-lo romper a inocência diante da escassez de itens comuns como a farinha de trigo, por exemplo. Ambientado na primavera de 1945, "Uma Infância Alemã" (Amrum), apresenta uma aventura épica na ilha isolada de Amrum, no Mar do Norte.

O drama que acontece ainda nas semanas finais da Segunda Guerra Mundial, leva o menino de 12 anos que aguarda o retorno do pai do front, a protagonizar uma verdadeira jornada do herói com uma trajetória emocionante, que o faz caçar focas, pescar à noite, trabalhar no campo para sustentar a mãe grávida e até o faz cair no erro de cometer alguns delitos. 

O longa exibido no Festival de Cinema Europeu IMOVISION 2026, baseado em memórias reais que pincelam o fim da guerra e segredos familiares profundos, entrega uma perspectiva emocional e psicológica sobre a Segunda Guerra Mundial. Logo, "Uma Infância Alemã" é um retrato delicado sobre o amadurecimento diante da realidade, assim como o impacto do fascismo e do trauma por meio dos olhos de uma criança criada dentro da ideologia nazista.

"Uma Infância Alemã" (Amrum). Gênero: Drama. Direção: Fatih Akin. Roteiro: Fatih Akin e Hark Bohm. Duração: 1h 33 minutos. Classificação Indicativa: 14 anos. Distribuição: Imovision. Elenco: Laura Tonke, Jasper Billerbeck e Diane Kruger. Sinopse: drama histórico que acompanha a perda da inocência de um garoto durante o colapso do Terceiro Reich. 


Trailer de "Uma Infância Alemã"


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.: Longa “The Doors” expõe excessos e controvérsias sobre Jim Morrison


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Oliver Stone nunca teve vocação para a neutralidade. Isso aparece com força em “The Doors”,  cinebiografia em cartaz na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte, e tenta capturar sem muita delicadeza o furacão chamado Jim Morrison. Lançado em 1991, o longa-metragem sempre foi embalado por expectativas altas, sustentadas pelo mito da banda que ajudou a redefinir os limites do rock e da contracultura norte-americana no fim dos anos 1960.

No centro de tudo está Val Kilmer, em uma atuação que beira o transe. Há relatos de que ele aprendeu cerca de 50 músicas do repertório da banda, cantando boa parte delas no próprio filme. Em estúdio, a voz dele chegou a confundir até integrantes originais do grupo, tamanha a precisão. O nível de dedicação cobrou um preço, já que o ator precisou de terapia ao final das filmagens para se desligar do personagem.

A narrativa acompanha Morrison desde os tempos de estudante de cinema na UCLA até a ascensão meteórica com o The Doors, passando por excessos, crises criativas e a espiral autodestrutiva que culminaria na morte precoce dele, aos 27 anos, em Paris. Stone aposta no hedonismo, no caos e em uma aura quase mística que transforma o vocalista no chamado “Rei Lagarto”. O elenco sustenta essa atmosfera com eficiência. 

Meg Ryan surpreende ao abandonar a imagem de comédias românticas para viver Pamela Courson, companheira de Morrison. Kyle MacLachlan, como Ray Manzarek, traz uma presença mais contida, enquanto Kevin Dillon (John Densmore) e Frank Whaley (Robby Krieger) completam a formação da banda. Entre participações curiosas, Billy Idol aparece como Cat, e Crispin Glover surge como Andy Warhol, em um retrato breve, mas marcante.

O roteiro, assinado por Stone em parceria com J. Randall Jahnson, opta por uma construção fragmentada, quase alucinada, que privilegia sensações em vez de fidelidade histórica. Integrantes da banda, especialmente Manzarek e Densmore, criticaram publicamente o filme por reduzir Morrison a um arquétipo de excessos, ignorando a inteligência, humor e inquietação intelectual dele. 

Décadas depois, o consenso permanece instável: o filme oscila entre documento cultural e fantasia estilizada. Mesmo com as controvérsias, a bilheteria superou ligeiramente o custo de produção, e o filme acabou consolidando uma imagem duradoura de Morrison para gerações que não o viram ao vivo. Para muitos, o Jim Morrison de Kilmer virou referência, o que, por si só, explica parte do incômodo dos músicos originais.

Curiosamente, o papel quase teve outro destino. Ian Astbury, vocalista do The Cult, recusou o convite por discordar da abordagem do roteiro. Nomes como Bono e Michael Hutchence também demonstraram interesse, mas não avançaram. A escolha por Kilmer, hoje, parece inevitável. Selecionado para o Festival de Moscou em 1991 e revisitado anos depois na seção Cannes Classics, o filme segue provocando debate. Stone entrega um retrato intenso, por vezes exagerado, que transforma a trajetória da banda em uma experiência sensorial. Há momentos em que a encenação se sobrepõe ao fato, mas a energia permanece.


Ficha técnica
“The Doors” | “The Doors: O Mito de uma Geração” (título em Portugal)
Gênero: Musical, biográfico. Duração: 141 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Ano de produção: 1991. Idioma: inglês. Direção: Oliver Stone. Roteiro: Oliver Stone e J. Randall Jahnson. Elenco: Val Kilmer, Meg Ryan, Kyle MacLachlan, Kevin Dillon, Frank Whaley, Kathleen Quinlan, Billy Idol, Crispin Glover, entre outros. Distribuição no Brasil: Columbia Pictures (Sony Pictures). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Filme “Caso 137” revisita protestos e questiona o papel da polícia


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

O drama “Caso 137” estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision com a assinatura firme do diretor alemão radicado na França Dominik Moll, que volta ao território policial depois do premiado "A Noite do Dia 12". Nesse novo longa-metragem, ele afina ainda mais o olhar para os mecanismos internos da polícia francesa ao acompanhar uma investigação conduzida por quem deveria vigiar a própria instituição: a IGPN, conhecida como “a polícia da polícia”.

A trama segue Stéphanie Bertrand (Léa Drucker), encarregada de apurar o caso de um jovem gravemente ferido durante um protesto em Paris. O episódio remete diretamente às manifestações dos coletes amarelos, entre 2018 e 2020, quando denúncias de uso excessivo da força ganharam repercussão internacional. O roteiro, assinado por Moll em parceria com Gilles Marchand, parte de um evento fictício, mas reproduz situações reais amplamente documentadas pela imprensa europeia, incluindo casos de manifestantes atingidos por balas de borracha, prática questionada por organismos de direitos humanos.

O filme teve estreia mundial no Festival de Cannes de 2025, onde disputou a Palma de Ouro e arrancou aplausos prolongados na sessão oficial. Depois, seguiu um percurso consistente em festivais e premiações, acumulando indicações importantes e consolidando o nome de Léa Drucker como peça central do projeto. A atriz foi reconhecida com o César de Melhor Atriz, reforçando o consenso crítico em torno da interpretação contida e precisa que ela entrega nesse filme.

Moll conduz a narrativa com rigor que lembra o documental. A câmera observa mais do que intervém, insistindo em salas de interrogatório, relatórios burocráticos e depoimentos que raramente se encaixam. Há um interesse claro em expor o funcionamento do sistema por dentro, sem atalhos dramáticos. O que se vê é um acúmulo de versões, tensões institucionais e pequenas fissuras que revelam o desgaste de uma estrutura que deveria garantir justiça, mas frequentemente se protege.

A investigação ganha densidade quando o caso deixa de ser apenas um número. A ligação pessoal da protagonista com a origem da vítima desloca o eixo do filme e coloca em jogo dilemas que não cabem em protocolos. Stéphanie não se transforma em heroína clássica; segue trabalhando, lidando com a rotina e negociando limites. Esse desenho evita idealizações fáceis e sustenta um retrato mais próximo da experiência concreta de quem opera dentro da máquina pública.

Outro ponto que chama atenção é a recusa em simplificar o conflito. O roteiro distribui responsabilidades e tensões entre diferentes lados: policiais pressionados, testemunhas desconfiadas, famílias feridas e um aparato jurídico que se move com lentidão Nos bastidores, em Cannes, o ator Théo Navarro-Mussy foi impedido de participar do tapete vermelho após acusações de violência sexual - decisão apoiada pela organização do festival e compreendida publicamente por Moll. O episódio acabou desviando parte da atenção midiática, ainda que não tenha afetado a recepção crítica do longa.

“Caso 137” trabalha com a frustração de processos que avançam sem necessariamente produzir respostas satisfatórias. A trilha discreta de Olivier Marguerit acompanha esse tom, quase imperceptível, deixando que o peso recaia sobre os diálogos e as lacunas institucionais, aquelas que se impõem pela impossibilidade de conclusão. O filme é um retrato incômodo de um sistema que investiga a si mesmo, encontra limites para agir e, ainda assim, falha.


Ficha técnica
“Caso 137” | “Dossier 137” (título original) | “Dossiê 137” (título em Portugal)
Gênero: policial, drama. Duração: 1h56min. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: francês. Direção: Dominik Moll. Roteiro: Dominik Moll e Gilles Marchand. Elenco: Léa Drucker, Jonathan Turnbull, Mathilde Roehrich, Guslagie Malanda, Stanislas Merhar. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: "O Segredo de Brokeback Mountain” volta para curta temporada em SP


Sucesso de crítica e público em Londres, no Rio de Janeiro e em São Paulo, a adaptação teatral do clássico "O Segredo de Brokeback Mountain", baseado no conto de Annie Proulx, que também inspirou o famoso filme vencedor de três prêmios Oscar, incluindo Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado, volta em cartaz na cidade para uma curta temporada, de 20 de junho a 2 de agosto,  no Teatro Estúdio. O espetáculo acompanha o romance secreto e duradouro de dois cowboys nos anos 1960, marcado pelo isolamento, pelo medo da intolerância e pela força de um amor proibido. Leia a crítica da primeira temporada em São Paulo - "O Segredo de Brokeback Mountain” recria no teatro a história que marcou - neste link.

A peça estreou em 2023, em Londres, sob a direção de Jonathan Butterell. O texto é de Ashley Robinson e a trilha sonora original, assinada por Dan Gillespie Sells, é interpretada ao vivo, recriando com delicadeza o universo íntimo e melancólico dos personagens. Essa montagem foi amplamente aclamada pela crítica britânica. No Brasil, o espetáculo estreou em 2024, no Rio de Janeiro, com direção de Moacyr Góes, tradução de Miguel Góes e realização da Avante Produções, mantendo a trilha original de Sells.

Com um lançamento impactante em 2005, o longa-metragem rompeu barreiras ao tratar com sensibilidade e profundidade o amor entre dois homens. Além de conquistar as plateias e os especialistas, a obra provocou debates intensos sobre masculinidade, afetividade e representação LGBTQIA+, abrindo caminho para uma nova geração de narrativas mais inclusivas e humanas. O sucesso nos palcos reafirma o poder atemporal da história de Ennis e Jack - uma narrativa sobre amor, silêncio e coragem -, provando que "Brokeback Mountain" continua ecoando com a mesma força e relevância duas décadas após sua estreia original.

Nos anos 60, os jovens cowboys Jack Twist e Ennis del Mar se conhecem trabalhando isolados em Brokeback Mountain. O convívio árduo gera um romance intenso e conflituoso que muda suas vidas para sempre. Após o fim do contrato, eles tentam retomar suas rotinas, mas passam as décadas seguintes tentando recuperar o que deixaram na montanha. O texto explora o poder do amor, a intolerância e as fragilidades humanas.


Ficha técnica
Espetáculo "O Segredo de Brokeback Mountain"
Idealização: Marcelo Brou
Texto: Ashley Robinson
Música: Dan Gillespie Sells
Tradução: Miguel Góes
Direção: Moacyr Góes
Assistência de direção: Daniela Stirbulov
Direção de produção: Júlio Oliveira
Assistência de produção: Yelon Daniel
Direção musical: Breno Ganz
Preparação vocal: Angela de Castro
Designer de luz: Adriana Ortiz
Figurino: Ana Elisa Schumacher
Assessoria de imprensa: Flavia Fusco Comunicação
Redes sociais: Yelon Daniel
Fotos de estúdio: Terci Melo e Marco Gaiotto
Produção: Avante Produções

 
Serviço
Espetáculo "O Segredo de Brokeback Mountain"
Idealização: Marcelo Brou
Texto: Ashley Robinson
Música: Dan Gillespie Sells
Tradução: Miguel Góes
Direção: Moacyr Góes
Elenco: Daniel Tonsig, Júlio Oliveira, Marcelo Brou, Arlete Heringer, Francis Helena Cozta e Clóvis Gonçalves.
*O elenco deste espetáculo pode sofrer alterações sem aviso prévio.
Banda: Yelon Daniel, Milena Suzano e Julia Maez.
Classificação: 16 anos
Duração: 90 minutos
Gênero: drama
Temporada: de 20 de junho a 2 de agosto, sextas e sábados, às 20h00. Domingos, às 18h00.
Ingressos: R$ 100,00 | R$ 50,00
Bilheteria abre duas horas antes do espetáculo
Local: Teatro Estúdio
Rua Conselheiro Nébias, 891 - Campos Elíseos
112 lugares.
Tel: (21) 99690-9699
Acessibilidade, serviço de valet/estacionamento no local e bar aberto duas horas antes das sessões.

.: Escritor fenômeno nas redes sociais lança livro em São Paulo neste domingo


Tornar-se adulto é um processo desafiador. De repente, as contas começam a chegar, a carreira passa por altos e baixos e todo mundo precisa equilibrar os “pratinhos” da vida pessoal, profissional e social. O autor baiano Matheus Rocha lança "Ninguém Ensina a Gente a Ser Adulto" neste domingo, dia 21 de junho, na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, em São Paulo, a partir das 11h00. O evento contará com sessão de autógrafos para os leitores que comparecerem. No livro, Matheus apresenta, com sensibilidade, observações sobre sentimentos e experiências vividos durante as etapas do amadurecimento.

Fenômeno nas redes sociais, o escritor Matheus Rocha acumula quase um milhão de seguidores em suas plataformas, onde compartilha seu dia a dia e reflexões pessoais. No novo livro, "Ninguém Ensina a Gente a Ser Adulto", que chega às livrarias em junho pela Intrínseca, o autor baiano apresenta pensamentos sobre os desafios, as decepções e as felicidades de amadurecer. Nesta obra acolhedora, Matheus inicia uma conversa que é essencial para quem está passando por situações parecidas e precisa de um porto seguro para perceber que não está sozinho nessa jornada.

Com sensibilidade característica, Matheus percorre percalços e conta como tenta até hoje contorná-los. Usando a própria jornada como exemplo, ele dá dicas financeiras baseadas em sua preparação para deixar sua cidade natal na Bahia e se mudar para São Paulo, fala sobre a importância do acompanhamento psicológico em sua vida e mostra como criar um espaço seguro para lidar com os próprios sentimentos.

Com uma edição com detalhes encantadores, o livro é dividido em seis partes que ditam o ritmo dos diálogos propostos pelo autor. Aos poucos, o leitor é conduzido por uma jornada que o levará a pensar mais sobre sua relação com os amigos, o trabalho, a família e, acima de tudo, sobre as mudanças que acontecem ao longo da vida. “Mudar dá medo, mas viver infeliz por medo de mudar é pior ainda”, conclui. Foto: Renato Parada. Compre o livro "Ninguém Ensina a Gente a Ser Adulto" neste link.


Sobre o autor
Matheus Rocha
nasceu em Feira de Santana, na Bahia, mas odeia o calor. Formado em jornalismo na Faculdade Anísio Teixeira, adora falar sobre a vida, relacionamentos e formas de encarar a jornada da vida. Autor de "No Meio do Caminho Tinha Um Amor", "Para Não Desistir do Amor" e "Pressa de Ser Feliz", faz dos livros dele uma forma de abraçar a legião de fãs que construiu em sua carreira na internet e na literatura. "Ninguém Ensina a Gente a Ser Adulto" é o primeiro título dele a ser publicado pela Intrínseca. Compre os livros de Matheus Rocha neste link.

.: Chance para assistr João Victor Toledo em "O Sacrifício de Cassamba Becker"


Espetáculo articula ruína, precariedade e riso para imaginar outros futuros possíveis. Foto: Caio Oviedo


Em sua dramaturgia de estreia, o ator João Victor Toledo convida o público a refletir sobre a crise político-cultural do país e o futuro do planeta através de uma perspectiva queer. A peça "O Sacrifício de Cassamba Becker", escrita no início da pandemia, em 2020, tem direção e atuação do próprio João Victor em seu primeiro solo e conta com a colaboração de diretores como Murillo Basso, Marina Nogaeva Tenório e Cristiane Paoli Quito. A curta temporada termina neste domingo, dia 21 de junho, e será apresentada neste sábado, às 20h00, e domingo, às 18h00, no Galpão do Folias, em São Paulo.

Após uma residência, em outubro de 2022, no Centro Cultural da Diversidade, "O Sacrifício de Cassamba Becker" fez sua primeira abertura no Festival MixBrasil do mesmo ano e recebeu o Coelho de Prata (Prêmio do Público) de Melhor Espetáculo do festival. A peça também foi uma das três selecionadas para uma residência no Rattlestick Theater de Nova York e fez três apresentações no Global Forms Theater Festival, em junho de 2023. De volta ao Brasil, contou também com uma curta temporada no teatro Pequeno Ato, em agosto de 2024. 

A peça se passa numa praia imunda onde vive Cassamba Becker, interpretada pelo próprio João Victor. Já de início ela informa à plateia ter sido um dia considerada a maior atriz do mundo. “A Cassamba surgiu da minha admiração por atrizes antigas, pela pessoa extraordinária que foi Cacilda Becker, e pela Cassandra, a princesa-vidente de Tróia retratada na Ilíada”, conta o ator. Ao longo do espetáculo, ele brinca com diversos graus de representação e com as linguagens da drag queen e do clown. No entanto, o trabalho não é um stand-up de drag nem um solo de palhaço. É um espetáculo tragicômico que faz uso dessas máscaras para tratar de temas urgentes como a crise ambiental e o apagamento da memória histórico-cultural brasileira. 

A sustentabilidade e a precariedade são elementos centrais da encenação e atravessam todas as áreas da criação cênica. Nas versões apresentadas anteriormente em São Paulo e em Nova York, João Victor buscou trabalhar com o excesso de lixo para provocar a plateia a refletir sobre o quadro devastador que estamos projetando para o futuro do planeta. Cenário e figurino foram praticamente todos feitos com materiais coletados em lixos e caçambas de ambas as cidades. Para a última versão, no entanto, o autor escolheu assumir o palco vazio e selecionou apenas alguns elementos essenciais de todo esse lixo coletado para auxiliá-lo em cena. O boneco de Jair Bolsonaro, que recebia um fisting ritualizado de Cassamba ao som de “Choros n.º 10 (Rasga o Coração)”, de Villa-Lobos, também ficou de fora na nova versão. “Já me livrei daquele lixo”, diverte-se o ator. 

A precariedade da peça não se limita à questão ambiental. O desmantelamento generalizado das políticas culturais na última década também é tema central do espetáculo e se reflete, por exemplo, na figura da própria Cassamba Becker, uma grande atriz que vive numa situação de isolamento e escassez, e na referência ao incêndio do Museu Nacional no decorrer do espetáculo. Apesar do cenário catastrófico, João Victor vê na precariedade uma possibilidade de retrabalhar positivamente a realidade e de reafirmar a capacidade de reinvenção da arte e dos artistas do Brasil, que, mesmo em condições adversas, seguem criando. 

Além disso, assumir a precariedade dá lugar a uma teatralidade que se apoia no pacto de imaginação entre artista e público, o que, para ele, pode ser um modo de se exercitar o conceito de “utopia queer”, desenvolvido pelo teórico americano José Esteban Muñoz e que o influenciou bastante na pesquisa do espetáculo. “Para mim, a Cassamba Becker é a materialização cênica do que poderia ser uma utopia queer: uma confusão, uma reconfiguração do tempo-espaço heteronormativo capitalista, uma ampliação do horizonte por meio da imaginação e do riso”, diz João Victor. “Um horizonte queer reconfigura a ideia de liberdade, desafia políticas moralizantes e propõe práticas solidárias e sexuais muito mais interessantes”.

Sobre João Victor Toledo
João Victor Toledo é ator e palhaço. Formou-se em Teatro e História pela Universidade Livre de Berlim, é mestre em Estudos da Perfomance pela Universidade de Nova York e doutorando em Teatro e Performance pela Universidade da Cidade de Nova York. Estudou por anos a linguagem do palhaço com Cristiane Paoli Quito e canto lírico na Escola Municipal de Música de São Paulo, com Andrea Kaiser. Ao longo dos anos, colaborou com diferentes companhias de teatro e dança, como Constanza Macras|DorkyPark, ZU-UK, Bryckenbrant e Teatro do Osso, e com os diretores Marina Nogaeva Tenório, Rogério Tarifa, Tadashi Endo e Anna Deavere Smith. Em 2022, estreou o solo “O Sacrifício de Cassamba Becker” no Festival Mix Brasil, onde venceu o Júri Popular de Melhor Espetáculo, e, em 2023, participou do Global Forms Theater Festival do Rattlestick Theater de Nova York. O espetáculo fez ainda uma curta temporada no Pequeno Ato, em São Paulo, em 2024.


Sinopse
Cassamba Becker, a grande atriz, finalmente se aposentou e fez de lar o lixão de alguma praia perdida Brasil afora. De lá, ela observa as barbatanas fluorescentes das baleias e vislumbra um mundo mais vasto, sensual e iluminado. “Da insatisfação chegaremos à potencialidade coletiva”, disse certamente Dercy Gonçalves. Ou Gramsci. Pouco importa. O presente não basta. Só o entulho salva.


Ficha técnica
Espetáculo "O Sacrifício de Cassamba Becker"
Direção, dramaturgia e atuação: João Victor Toledo
Direção de atuação: Marina Nogaeva Tenório
Provocação: Cristiane Paoli Quito e Murillo Basso
Direção de arte, cenário e figurino: Uibirá Barelli
Desenho de luz: Nara Zocher
Operação de luz e som: Nara Zocher e Vini Florido
Desenho de som: Zhaxi Danzeng e João Victor Toledo
Produção: Murillo Basso e João Victor Toledo
Fotos de divulgação: Caio Oviedo
Também colaboraram em diferentes etapas da criação artística: Afonso Costa, Alexandre Martins, Anula Navlekar, Cris Rocha, Eugenia Cecchini, Jody Doo, Keren Chernizon, Mars Juno Bartolome Neri, Natasha Marie Rotondaro, Renan Ferreira, Renata Gaspar, Stefania Bulbarella, Timmy Ong, Vini Florido e Yang Yu.

Serviço
Espetáculo "O Sacrifício de Cassamba Becker"
Temporada: até domingo, dia 21 de junho de 2026
Sábado, às 20h00; domingo, às 18h00
Local: Galpão do Folias. R. Ana Cintra, 213 - Campos Elíseos / São Paulo
Ingresso: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia)
Vendas on-line pelo Sympla e bilheteria local (1 hora antes do espetáculo - dinheiro ou pix).
Capacidade: 74 lugares
Classificação: 14 anos
Duração: 60 minutos
Link para vendas: https://www.sympla.com.br/preview/e4ecf0943cb3243dcdd255e659ebc491

sexta-feira, 19 de junho de 2026

.: No streaming, “Betty Blue” convoca o público a encarar a vertigem


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

A cópia restaurada de “Betty Blue” devolve ao circuito um filme que nunca se acomodou no passado. Dirigido e roteirizado por Jean-Jacques Beineix, a partir do romance de Philippe Djian, o longa-metragem reaparece em versão remasterizada para celebrar quatro décadas de um impacto que não se dilui. A estreia na na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte recoloca em evidência uma obra que mistura desejo, criação artística e vertigem emocional. O filme volta embalado por uma restauração em alta definição que valoriza as cores saturadas.

Na história, Zorg (Jean-Hugues Anglade) leva uma vida modesta à beira-mar até a chegada de Betty (Béatrice Dalle), uma mulher que desestabiliza tudo ao redor dela. O romance entre os dois avança de maneira intensa, física e instável. Entre mudanças de cidade, empregos improvisados e a tentativa de transformar um manuscrito em livro publicado, o casal se move por impulsos que os aproximam e, ao mesmo tempo, anunciam um término inevitável. O filme observa esse percurso sem freio moral e mostra o que acontece quando o amor e o descontrole caminham juntos.

Lançado originalmente em 1986, “Betty Blue” foi o oitavo maior sucesso de bilheteria na França naquele ano e alcançou reconhecimento internacional com indicação ao Oscar e ao BAFTA de Melhor Filme em Língua Estrangeira. A trilha de Gabriel Yared, hoje amplamente reconhecida, ajuda a sustentar a atmosfera sensorial que marcou o cinema francês dos anos 1980, especialmente o chamado “cinema do look”, ao qual Beineix é frequentemente associado.

Há bastidores que ampliam a experiência de quem revisita o longa. As filmagens ocorreram ao longo de 13 semanas em locações como Gruissan, Marselha e Marvejols, explorando paisagens que alternam o solar e o melancólico. Beineix comentou, em entrevistas, que a química entre Béatrice Dalle e Jean-Hugues Anglade ultrapassava a encenação - uma energia que se infiltra em cena e ajuda a explicar a combustão do casal. Décadas depois, a versão do diretor, com cerca de 185 minutos, ganhou circulação ampliada e aprofunda a espiral de Betty, além de expandir o arco de Zorg.


“Betty Blue” | “37°2 Le Matin” (título original) | “Betty Blue – 37,2º de Manhã” (título em Portugal)
Gênero: drama, romance, erótico, psicológico. Duração: 120 minutos (versão original); 185 minutos (versão do diretor). Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1986. Idioma: francês. Direção: Jean-Jacques Beineix. Roteiro: Jean-Jacques Beineix, baseado no romance de Philippe Djian. Elenco: Béatrice Dalle, Jean-Hugues Anglade, Gérard Darmon, Consuelo de Haviland, Clémentine Célarié, Jacques Mathou, Vincent Lindon, entre outros. Distribuição no Brasil: Pandora Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


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.: Paul McCartney traz suas lembranças em novo disco


Por
Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

Prestes a completar 84 anos e reralizando mais uma turnê mundial, o ex-beatle Paul McCartney lança um novo disco no qual expõe suas lembranças do período da infância e da adolescência; "The Boys of Dungeon Lane" retrata como era sua vida no tempo em que vivia em Liverpool ainda como aspirante a músico.

E é preciso ressaltar o ato de coragem que McCartney teve ao çançar um álbum no formato tradicional. Isso numa época em que as pessoas envolvidas com música têm dado preferência aos singles que são lançados invariavelmente em doses homeopáticas. Gravar, produzir e lançar um álbuim com 14 faixas  se tornou uma façanha que poucos conseguem realizar hoje em dia.

Comparando com os discos anteriores, "The Boys of Duingeon Lane" pode ser considerado um álbum conceitual;  A voz de McCartney já sente um pouCo os inevitáveis efeitos da idade; Em alguns momentos ela soa um pouco trêmula e hesitante. E em outros ele se mostra um melodista competente, que ainda sabe como fazer pulsar uma banda.

Falando das faixas, citaria "The Days We Left Behind", "Montain Top" e "Down South" como destaques, assim como a igualmente ótima "Home Of Us", cantada em dueto com o ex-beatle Ringo Starr. Dessa forms, Ringo retribuiu a gentileza de McCartney que participou de faixas de um de seus discos mais recentes. Na faixa Momma Gets By, McCartney homenageia o casamento dos seus pais.

Esse novo álbum está longe de ter a densidade de outros discos lançados nos anos 70, como o "Band On The Run". E creio que esse nem era o objetivo de McCartney. Se por um acaso McCartney anunciar uma aposentadoria, esse disco encerraria de forma digna a sua discogrsafis. Porem eu continuo torcendo para ouvir o seu próximo lançamento.

"As You Lie There"

"Ripples In a Pond"

"Never Know"

.: Longa francês, “E Seus Filhos Depois Deles” expõe juventude à deriva


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“E Seus Filhos Depois Deles” chega na plataforma de streaming Reserva Imovision carregando o peso de uma origem literária premiada e o fôlego de uma adaptação ambiciosa. Dirigido pelos irmãos Ludovic e Zoran Boukherma, o longa francês transforma o romance homônimo de Nicolas Mathieu - vencedor do Prix Goncourt - em uma narrativa de formação.

Ambientado no leste da França, entre 1992 e o fim da década, o filme acompanha Anthony (Paul Kircher) e seus arredores ao longo de quatro verões que moldam sua passagem da adolescência à vida adulta. O ponto de partida é simples: tédio, um lago, uma garota. O que se segue, porém, é um encadeamento de escolhas impulsivas que escancaram tensões familiares, disputas de território e um sentimento difuso de estagnação social. 

Os Boukherma filmam esse universo com olhar atento ao detalhe cotidiano. A fotografia de Augustin Barbaroux encontra beleza nas ruínas industriais e na pele suada dos personagens, enquanto a trilha sonora mergulha nos anos 1990 com precisão afetiva, costurando referências que vão do pop ao rock da época. Com financiamento robusto, incluindo parcerias com grandes players europeus, o filme percorre diferentes locações e períodos, mantendo uma coerência estética que dialoga com o realismo do livro.

Exibido na competição do Festival de Veneza, “E Seus Filhos Depois Deles” rendeu a Paul Kircher o Prêmio Marcello Mastroianni, dedicado a jovens atores promissores. O reconhecimento reforça a aposta do filme em um elenco que equilibra nomes experientes, como Gilles Lellouche e Ludivine Sagnier, com rostos em ascensão. Há ainda participações que ampliam o interesse do público atento ao cinema francês contemporâneo, como Raphaël Quenard.

Ao adaptar um romance marcado por sua densidade social, os Boukherma optam por uma narrativa que privilegia a memória sensorial da juventude: o calor, o desejo, a frustração. Nem sempre o resultado alcança a complexidade do texto original, mas há consistência na maneira como o filme constrói seu retrato de uma geração que cresce entre promessas quebradas e horizontes estreitos.

Ficha técnica
“E Seus Filhos Depois Deles” | “Leurs Enfants Après Eux” (título original) | “Os Seus Filhos Depois Deles” (título em Portugal)
Gênero: drama. Duração: 2h21min. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 2024. Idioma: francês. Direção: Ludovic Boukherma e Zoran Boukherma. Roteiro: Ludovic Boukherma, Zoran Boukherma, Nicolas Mathieu. Elenco: Paul Kircher, Angelina Woreth, Sayyid El Alami, Gilles Lellouche, Ludivine Sagnier. Distribuição no Brasil: Imovision. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: “O Caso Lorena”, no Sesc Ipiranga, reconstrói enigmático caso dos anos 90


Baseados em documentos, registros policiais e diários, os personagens Paula, Denis e Joana buscam reconstruir o enigmático caso conhecido como “O Caso Lorena”, ocorrido nos anos 90. Foto: Paulo Vainer

Inspirada em documentos, registros policiais e diários, a peça “O Caso Lorena” segue em cartaz até dia ___ de junho, no Sesc Ipiranga, trazendo aos palcos uma investigação teatral sobre um suposto crime ocorrido nos anos 90 - um caso envolto em mistério, versões contraditórias e lacunas jamais esclarecidas. O espetáculo marca a estreia da atriz Carolina Manica na direção e também a estreia de Julia Ianina como dramaturga. No palco, Julia Ianina divide a cena com Camila Raffanti e Rodrigo Bolzan, em uma trama que mistura investigação, memória e fabulação para revisitar um caso que jamais foi totalmente esclarecido.

Baseados em documentos, registros policiais e diários, os personagens Paula, Denis e Joana buscam reconstruir o enigmático caso conhecido como “O Caso Lorena”, ocorrido nos anos 90. Entre relatos fragmentados, memórias e versões contraditórias, a investigação mergulha em um mistério cujas motivações talvez jamais possam ser totalmente compreendidas. A montagem aposta em uma atmosfera de suspense psicológico e investigação documental, explorando os limites entre verdade, memória e imaginação. A encenação conduz o público por diferentes versões dos fatos, revelando como o tempo transforma narrativas e perpetua mistérios.

O espetáculo investiga o fascínio coletivo por histórias de violência e mistério. Inspirada pela curiosidade humana diante de criminosos e crimes sem solução, a peça propõe uma reflexão sobre os limites entre o “eu” e o “outro”, mergulhando nas zonas mais obscuras da experiência humana. Ao acompanhar a obsessão da personagem Paula em compreender Lorena, assassina confessa e figura central de um caso cercado por incertezas e especulações, a dramaturgia transforma a investigação em uma jornada íntima e psicológica. O espetáculo questiona até que ponto as pessoas são capazes de reconhecer no outro aspectos desconhecidos de si mesmas.

Em uma atmosfera onírica e fragmentada, onde memória, medo e imaginação se misturam, a peça também dialoga com questões contemporâneas como polarização, violência e a dificuldade de lidar com aquilo que nos parece incompreensível. Assim, “O Caso Lorena” transforma o crime em ponto de partida para uma investigação metafísica sobre identidade, desejo, morte e alteridade.

A equipe criativa reúne nomes importantes da cena contemporânea. O cenário e figurinos são assinados por Kleber Montanheiro, a iluminação é de Gabrielle Souza e a trilha sonora original é de Arthur Decloedt, que será executada ao vivo reforçando uma atmosfera cinematográfica e criando uma textura sonora única a cada sessão. Arthur é contrabaixista e colabora com nomes como Tim Bernardes e Luiza Lian, além de compor para teatro e cinema, tendo sido destaque no Festival de Cannes em 2025, dentro da seleção do “Spot The Composer”.

Ao abordar um crime real sob uma perspectiva íntima e investigativa, “O Caso Lorena” propõe uma reflexão sobre fascínio coletivo por crimes não resolvidos, os mecanismos da memória e as narrativas construídas em torno da violência.


Ficha técnica
Espetáculo "O Caso Lorena"
Direção: Carolina Manica
Idealização: Carolina Manica
Dramaturgia: Julia Ianina
Elenco: Julia Ianina, Camila Raffanti e Rodrigo Bolzan
Cenário e Figurino: Kleber Montanheiro
Iluminação: Gabrielle Souza
Trilha sonora original ao vivo: Arthur Decloedt
Assistência de direção: Gabriel Sobreiro
Preparação corporal: Roberto Alencar
Foto de divulgação: Paulo Vainer
Maquiagem: Thiago Braga
Realização: Grilo Azul Filmes
Texto direção e idealização: Carolina Manica


Serviço
Espetáculo "O Caso Lorena" 
Até dia 26 de julho 
Sextas e sábados, às 20h00 (exceto 11 de julho, com sessões às 15h00; não haverá sessão nesta sexta-feira, dia 19 de junho) 
Domingos, às 18h30 (exceto 5 e 19 de julho, com sessões às 18h00) 
Sessões extras às quintas: 2, 16 e 23 de julho, às 20h00 
Sessão com Libras: 17 de julho
Teatro. 14 anos 
Ingressos: disponíveis pelo App Credencial Sesc SP ou portal e presencialmente, nas unidades do Sesc São Paulo 
Valores: R$60,00 (inteira), R$30,00 (estudante, servidor de escola pública, idosos, aposentados e pessoas com deficiência), R$18,00 (credencial plena).  

.: Homenagem: escritor Cristovão Tezza leva maior prêmio da ABL


O escritor Cristovão Tezza, autor de "O Filho Eterno", publicado pela Editora Record, é o vencedor do Prêmio Machado de Assis 2026. A premiação, oferecida anualmente pela Academia Brasileira de Letras, destaca o autor pelo conjunto de sua obra. Um dos mais premiados e traduzidos autores brasileiros de sua geração, ele é autor de mais de 20 obras de ficção, entre elas, "O Fotógrafo", "Ensaio da Paixão", "Trapo", "Beatriz" e "Um Erro Emocional", todas da editora Record. “Ainda não caiu a ficha direito, notícia inesperada”, disse Tezza.

Seu maior sucesso, o romance "O Filho Eterno", inspirado em sua relação com o filho Felipe, foi adaptado para cinema (direção de Paulo Machline) e para o teatro (direção de Daniel Herz, no Brasil e na Argentina, com texto adaptado por Bruno Lara Rezende), e recebeu no Brasil os prêmios Jabuti, Portugal-Telecom (atual Oceanos), Zaffari-Bourbon, Bravo!, APCA e São Paulo de Literatura. Tezza também é autor de livros de não-ficção, como "Um Operário em Férias" e "A Máquina de Caminhar", também pela Record.

O prêmio será entregue no dia 23 de julho na cerimônia de comemoração dos 129 anos da ABL. Cristovão Tezza vai receber R$ 100 mil. No mesmo dia, a escritora Eliana Alves Cruz, que está lançando "O Crime do Cais do Valongo", pela Editora Record, vai receber o prêmio Guimarães Rosa pelo melhor livro de ficção de 2025, o romance "Meridiana". Compre os livros de Cristovão Tezza neste link.

.: TV Cultura apresenta show de Paula Lima no "Bem Brasil" ao vivo


A cantora revisita sucessos da carreira e clássicos da música brasileira direto do Sesc Itaquera. Foto: Juliana Helcer

A TV Cultura transmite ao vivo, neste domingo, dia 21 de junho, ao meio-dia, mais uma edição do programa "Bem Brasil", um dos mais importantes programas musicais da televisão brasileira. Em parceria com o Sesc São Paulo, a emissora leva ao público o show "Eu, Paula Lima - O Baile", diretamente do Sesc Itaquera. Marcando a retomada do "Bem Brasil" à programação da Cultura, a atração resgata a tradição dos grandes shows ao vivo na TV. Nesta terceira apresentação da nova temporada, recebe a cantora Paula Lima, artista reconhecida pela potência vocal, carisma e forte presença de palco.

A nova fase do "Bem Brasil" tem apresentação de Wandi Doratiotto, nome que marcou a trajetória do programa desde sua criação, e conta também com a participação da jornalista Roberta Martinelli, que interage com o público presente no Sesc Itaquera, reforçando o clima de encontro, proximidade e celebração da música ao vivo. O show "Eu, Paula Lima - O Baile" reúne sucessos de sua trajetória, como "É Isso Aí", além de clássicos dançantes da música nacional. O repertório transita pela MPB, samba, soul e black music, com interpretações de artistas como Jorge Ben Jor, Martinho da Vila e Seu Jorge, em uma celebração da riqueza e da pluralidade sonora do Brasil.

O programa tem transmissão ao vivo pela TV Cultura, afiliadas e canais digitais da emissora, pelo canal do Sesc São Paulo no YouTube e pelo SescTV (streaming). O público também pode acompanhar as apresentações presencialmente no Sesc Itaquera, com entrada gratuita.
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