sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

.: Benito de Paula canta seus sucessos pelo Brasil com o filho, Rodrigo Vellozo


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural. Foto: Murilo Alvesso

O público amante da boa música será presenteado com um encontro raro. Benito di Paula, um dos nomes mais marcantes da música popular brasileira, sobe ao palco ao lado de seu filho, o cantor e pianista Rodrigo Vellozo, para o espetáculo “A Dois Pianos”, que acontece pelo Brasil. As apresentações inauguram as comemorações pelos 85 anos de vida de Benito, que serão celebrados em novembro de 2026. 

 Radicado em São Paulo, onde fixou moradia e formou família, Benito desenvolveu uma trajetória singular que o consagrou como grande símbolo do samba paulista. Entre as décadas de 1970 e 1980, alcançou enorme projeção popular, somando 50 milhões de discos vendidos - marca que o coloca entre os cinco maiores vendedores de discos do Brasil. Sua obra ultrapassou fronteiras: além do sucesso nacional, Benito gravou em idiomas como espanhol, francês, italiano, finlandês e alemão, com 4 milhões de discos vendidos na Europa. Ao longo da carreira, lançou mais de 35 álbuns, muitos deles relançados em CD devido ao êxito contínuo junto ao público.

 A apresentação celebra o legado do samba paulista e tem como eixo central a obra do próprio Benito - artista recentemente homenageado no enredo da escola de samba Águia de Ouro no Carnaval de 2025, reafirmando sua importância para a cultura brasileira. Com arranjos especialmente concebidos para o diálogo entre os dois pianos, o repertório revisita clássicos como “Retalhos de Cetim”, “Charlie Brown” e “Mulher Brasileira”, agora ressignificados pela cumplicidade artística entre pai e filho.

Sua discografia extensa passou a ser notada a partir de 1974, com o disco Um Novo Samba, que continha canções autorais que se tornaram verdadeiros clássicos de nossa música. Desde a faixa de abertura (Se Não For Amor), passando por outras como Retalhos de Cetim, Que Beleza e Certeza de Você Voltar, todas mostraram a força da obra de Benito de Paula para o público. Com mais de 35 álbuns lançados, parte significativa de sua obra foi relançada em CD, comprovando seu imenso sucesso. O show "A Dois Pianos" tem apresentações previstas para 27 de março em Aracaju, 28 de março em Maceió e 3 de abril em São Paulo. E deve seguir por mais cidades do país.

"Charlie Brown"

 "Retalhos de Cetim"

.: Pélico faz show de lançamento de “A Universa Me Sorriu” sábado no CCSP


Show terá participação de Marisa Orth. Foto: José de Holanda

Cantor e compositor, Pélico é referência da geração surgida no início dos anos 2000. Depois de quatro álbuns nos quais compôs sozinho as letras e melodias de praticamente todas as suas músicas, ele lançou recentemente “A Universa Me Sorriu - Minhas Canções com Ronaldo Bastos” (SóLóv/YB), composto em parceria com Ronaldo Bastos, figura fundamental do Clube da Esquina e que foi gravado por Milton Nascimento, Lô Borges, Elis Regina, Gal Costa, Lulu Santos e muitos outros.

Depois da primeira vez que se encontraram, em 2012, os dois ficaram em contato, em 2019 chegaram a fazer uma primeira canção e veio a ideia de um disco, que foi composto, gravado e lançado em 2025. É o show deste álbum que estreia no dia 31 de janeiro no CCSP. Pélico vai apresentar as novas “Infinito Blue”, “Sua Mãe Tinha Razão”, “Marinar” e “É Melhor Assim”, essa com participação especial da cantora Marisa Orth, levando para o palco o mesmo dueto que fizeram no disco. Também estão no repertório músicas mais conhecidas da sua carreira como “Não Vou Te Deixar, Por Enquanto”, “Machucado”, “Euforia”, “O Menino” e “Amanheci”, entre outras.

No show, Pélico (voz) será acompanhado por Jesus Sanchez (baixo), que também assina a produção do álbum, Regis Damasceno (guitarra e violão), João Erbetta (guitarra e violão), Jesus Sanchez (baixo), Clayton Martin (bateria) e Laura Lavieri (backing vocal).


Sobre o artista
Cantor e compositor, Pélico é referência da geração surgida no início dos anos 2000. Além de cinco álbuns e dois singles lançados, todos autorais, ele participou de vários projetos especiais e teve suas canções gravadas por CATTO, A Banda Mais Bonita da Cidade, Luiza Possi e outros. Ele acaba de lançar “A Universa Me Sorriu - Minhas Canções Com Ronaldo Bastos”.

 
Serviço
Show Pélico  “A Universa Me Sorriu”
CCSP  - Rua Vergueiro, 1000
Sábado, dia 31 de janeiro, às 19h00
Entrada gratuita

.: “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” em três sessões


Monólogo autoral de Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, mistura sátira histórica, humor físico e narrativa direta ao público em uma comédia sobre fé, ciência e desinformação — agora em curta reta final, aos finais de semana. Foto: Ronaldo Gutierrez

Depois de uma estreia que movimentou o teatro e de uma temporada que ganhou forte repercussão, a comédia histórica “A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia” entra em reta final com novas datas aos sábados, devido ao sucesso de público. O monólogo autoral protagonizado por Emerson Espíndola (Mister Emerson), com direção de Ivan Parente, segue em cartaz no Teatro
MorumbiShopping (Teatro Multiplan) e anuncia apenas mais 3 apresentações, de
31 de janeiro a 14 de fevereiro, sempre às 20h30.

Ambientada há exatamente mil anos, em uma praça da Andaluzia medieval, a peça acompanha Raí, um barbeiro-curandeiro que improvisa “tratamentos” para sobreviver - e, no processo, expõe as contradições entre fé, ciência, ignorância e poder. Na trama, o personagem atende aldeões com “procedimentos” tão duvidosos quanto cômicos: cortes de cabelo, extrações de dentes, sangrias, rezas e curas improvisadas. O que começa como ofício e charlatanismo vira uma jornada inesperada quando Raí se vê diante da necessidade - e do desejo - de compreender o que, afinal, é conhecimento
de verdade.

Com humor físico, fala direta com o público e ritmo ágil, a encenação combina sátira histórica e comédia popular, traçando um caminho que leva não só o protagonista, mas o público, ao universo (surpreendentemente reconhecível) da história da medicina. O riso aqui não é só entretenimento - é ferramenta para refletir sobre como (ainda) lidamos com o corpo, a dor, o medo e a desinformação.

O espetáculo faz um “resgate histórico” também na linguagem: sem perder a velocidade contemporânea, o texto de Emerson flerta com um prazer narrativo que lembra as contações de história populares e educativas que marcaram parte da televisão dos anos 1990 - aquele tom de fábula, de causos e de curiosidade que prende o olhar e conduz o público pelo enredo com clareza e surpresa. Ainda que fictícia, a história é atravessada por informações reais e referências históricas que convidam o espectador a “mergulhar” em um tempo que, de algum modo, já estudamos - e a sentir o impacto da distância entre época e presente.

A condução cênica reforça esse jogo com o público por meio do corpo e do movimento, que seguram a plateia no enredo: a cena se organiza como um fluxo de ações e imagens que impulsionam o relato, com fisicalidade precisa e senso de ritmo. Na direção, Ivan Parente utiliza recursos ligados à tradição da commedia dell’arte para construir um teatro vivo, direto e popular. Entre as referências assumidas no processo de escrita, está Dario Fo, mestre do monólogo satírico e popular, cuja tradição de comicidade crítica ecoa no modo como a peça usa o riso para iluminar estruturas sociais
e contradições humanas.


Credibilidade e “boca a boca”
Segundo a produção, a estreia VIP teve casa cheia e reuniu plateia com
influenciadores, jornalistas e críticos — aquecendo o boca a boca que impulsionou a
mudança de datas para o fim de semana. Agora, com somente três sessões, a
temporada entra em clima de “última chance” para quem ainda não viu (ou para quem
quer voltar e indicar).


Serviço
Espetáculo "A Primeira Cirurgia da História, ou O Barbeiro de Andaluzia"
Temporada (reta final): 31 de janeiro a 14 de fevereiro - Três sessões, sempre aos sábados, às 20h30
Teatro Multiplan MorumbiShopping – São Paulo
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Redes: @aprimeiracirurgiadahistoria
Ingressos: Sympla

.: "A Fratura" transforma um pronto-socorro em microcosmo da França


"A Fratura", de Catherine Corsini, transforma um pronto-socorro em microcosmo da França contemporânea, entre conflitos afetivos e a ebulição política dos protestos dos coletes amarelos. Foto: Photo 5 LF © / Carole Bethuel


Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, a comédia "A Fratura", de Catherine Corsini, transforma um pronto-socorro em microcosmo da França contemporânea, entre conflitos afetivos e a ebulição política dos protestos dos coletes amarelos. No filme, Raf e Julie, um casal prestes a se separar, estão em um pronto-socorro na noite de um grande protesto dos "coletes amarelos", em Paris.

O encontro com Yann, um manifestante ferido e furioso, vai chacoalhar suas certezas e preconceitos. Lá fora, a tensão aumenta e logo o hospital tem que fechar as portas, fazendo com que a equipe fique sobrecarregada. A noite será longa, trágica e hilária. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"A Fratura"
Direção: Catherine Corsini | França | 2021 | 98 minutos | Comédia | 12 anos
Elenco: Pio Marmaï, Valeria Bruni Tedeschi, Marina Foïs, Jean-Louis Coulloc'h  
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 

.: Japan House SP prorroga exposição "Fluxos - O Japão e a Água" até 5 de abril


A Japan House São Paulo anuncia a prorrogação da exposição “Fluxos - O Japão e a Água” até o dia 5 de abril. Em cartaz no segundo andar da instituição localizada na Avenida Paulista e visitada por mais de 150 mil pessoas, a mostra - que conta com curadoria da diretora cultural da JHSP, Natasha Barzaghi Geenen - propõe uma reflexão sobre a relação histórica, cultural e simbólica do Japão com o elemento essencial para a vida. A visitação é gratuita de terça a sexta-feira, das 10h às 18h; e aos sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.

A curadoria destaca diversos aspectos da água e sua gestão na sociedade nipônica, a partir de exemplos como o Canal Subterrâneo de Escoamento da Área Metropolitana de Tóquio - maior edificação de desvio subterrâneo de inundações do mundo -, e os diferentes tipos de águas termais e suas propriedades. A mostra também apresenta uma gravura em estilo ukiyo-e, de 1857, de Utagawa Hiroshige; a obra “Buloklok”, de Tomoko Sauvage, inspirada em uma clepsidra (relógio de água) que emite padrões sonoros; e a instalação “Sans room”, de Shiori Watanabe, que cria um ecossistema artificial de circulação microbiana por meio da água.

Serviço:
Exposição “Fluxos - O Japão e a Água”

Período: até 5 de abril de 2026
Local: Japan House São Paulo, segundo andar – Av. Paulista, 52 - São Paulo/SP
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 18h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 19h.
Entrada gratuita.

.: #VivoLendo: "A Reinvenção da Metáfora", de Rogério Salgado




Por 
Vieira Vivo, escritor e ativista cultural.
No poema cabe a humanidade.

Coletânea comemorativa aos cinquenta anos de atividades poéticas e culturais de Rogério Salgado, o livro "A Reinvenção da Metáfora" traz um meticuloso e preciso trabalho de organização, seleção de poemas e prefácio de Luiz Otávio Oliani além do impecável projeto editorial de Ventura Editora. Em 1975, Rogério Salgado envolvido pelo teatro e pelos livros iniciou sua caminhada poética densa e produtiva em Belo Horizonte, onde seus projetos culturais fervilharam nas artes cênicas e na literatura e desembocaram na “Revista Arte Quintal”, importante veículo cultural, criada em 1983. 

Logo em seguida, acondicionou poemas em saquinhos de pão e começou a colecionar prêmios. Publicou poemas em inúmeros jornais literários a ponto de figurar na antologia “A Poesia Mineira no Século XX”, organizada por Assis Brasil (Imago Editora). Atualmente, com mais de quarenta livros publicados, Salgado insere seu nome entre os poetas marcantes da cena literária nacional.

Seu trabalho poético tem um quê de nostalgia reflexiva alinhado a uma clara e constante determinação na procura de um éden interior, imerso numa utopia existencial e irrequieta diante do panorama áspero do cotidiano. Seu universo poético é movido pela persistência da memória e pela árdua vivência meditativa. Nas palavras de Virgilene Araújo, “é a inocência ao avesso, cores em branco e preto”. E nos envolve qual uma serena réstia de luz sobre a concretude cinzenta das tristezas e das angústias.

Sua temática diversificada navega entre o pessoal, o lírico, a memória afetiva e a problemática social e política seguindo uma concisa composição verbal e uma preocupação constante com o coletivo e suas implicações e consequências sobre o futuro do planeta. Com versos certeiros compõe um mosaico artístico pessoal banhado em coerência, lucidez e profunda visão humanista numa obra repleta de alternativas poéticas. A merecida homenagem a Rogério Salgado complementa-se com orelhas a cargo de Leandro Alves e Bilah Bernardes e capa de Val Melo emoldurando todo o excelente teor comemorativo e literário do projeto.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

.: Com poemas, Adélia Prado enfrenta o tempo e a morte em "Miserere"


Reunião de poemas escritos na maturidade, "Miserere", oitavo livro de poesia de Adélia Prado, publicado originalmente em 2013, marca o retorno da autora aos temas que sempre estruturaram sua obra, agora atravessados por uma consciência ainda mais aguda da finitude. Ainda que permeado por leveza e humor, o livro se apresenta como um “pedido de socorro” - expressão que atravessa seus versos — diante do tempo que passa, dos pecados, dos males terrenos e das inquietações da alma. Trata-se de uma reflexão de vida inteira sobre o cotidiano, a intimidade e a experiência espiritual, na qual a relação com o sagrado se espalha por todos os gestos da existência, do rigor do fazer poético à mais prosaica receita culinária.

Dividido em quatro seções - “Sarau”, “Miserere”, “Pomar” e “Aluvião” -, o livro revela uma poesia cada vez mais econômica, marcada pela capacidade rara de dizer muito com pouco. A concisão, que sempre foi uma marca de Adélia, aqui se intensifica sem perder densidade emocional. Em poemas como “Uma pergunta”, a poeta traduz com precisão sentimentos complexos e dolorosos que pais e mães experimentam em algum momento da vida: “Vede como nossos filhos nos olham, / como nos lançam em rosto / uma conta que ignorávamos. / Não cariciosos, convertem em pura dor / a paixão que os gerou”. É nesse gesto de transformar experiências íntimas em matéria universal que Miserere encontra sua força mais duradoura.

Mesmo ao abordar a iminência da doença e da morte, Adélia Prado preserva um olhar bem-humorado e humano, capaz de arrancar da bruma onírica uma cena de graça inesperada. Em “Distrações no velório”, a poeta escreve: “Deus, tem piedade de mim. / Peço porque estou viva / e sou louca por açúcar”. O verso, aparentemente simples, condensa fé, fragilidade e desejo em uma única respiração poética, reafirmando a singularidade de uma escrita que nunca separa o corpo do espírito.

Livro após livro, a sensibilidade de Adélia Prado segue transformando o corriqueiro em matéria poética e espiritual. Dos tomates da feira ao quarto de costura, Miserere fala diretamente ao coração do leitor ao lembrá-lo de que o divino não está apartado da vida cotidiana, mas completamente imerso nela. A maturidade, aqui, não significa apaziguamento, e sim aprofundamento: a poesia continua sendo, para Adélia, forma de oração, de resistência e de escuta radical do mundo.

As novas edições chegam às livrarias com projetos gráficos renovados, trazendo capas assinadas pelo premiado designer Leonardo Iaccarino a partir de obras do artista plástico Pedro Meyer. O cuidado estético dialoga com a permanência e a atualidade de uma obra que, mesmo escrita sob o signo da maturidade, permanece pulsante e inquieta. Aos 90 anos, Adélia Prado é reconhecida como uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos, vencedora de prêmios como Camões, Machado de Assis, Griffin, Jabuti e Biblioteca Nacional. Em 2014, foi condecorada pelo Governo Brasileiro com a Ordem do Mérito Cultural.

Em recente entrevista ao podcast Casa do Livro, Adélia falou sobre sua relação com o mistério, elemento central de sua escrita: “Acho que eu vivo de mistérios, dou graças a Deus pelos mistérios existirem, desde o mistério da Santíssima Trindade ao mistério da encarnação de Deus, até a física quântica. Dá uma energia, esse mundo desconhecido, que eu não sei como é, o além, o depois disso”. Ao refletir sobre o passar do tempo e as mudanças no modo de fazer poesia, foi ainda mais reveladora: “Por dentro, ainda tenho as mesmas curiosidades, as mesmas dificuldades, os mesmos sofrimentos, as mesmas perguntas de quando eu tinha 18”.

Declarações como essas ajudam a compreender Miserere não como um livro de encerramento, mas como um gesto de continuidade. Um livro em que Adélia Prado reafirma, com humildade e rigor, que a poesia — assim como a fé — nasce da dúvida, do espanto e da vida comum. Compre o livro "Miserere", de Adélia Prado, neste link.


Sobre a autora
Adélia Luzia Prado de Freitas nasceu em 13 de dezembro de 1935, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde vive até hoje e que se tornou cenário recorrente de sua obra. Começou a escrever versos aos 15 anos, após a morte da mãe, experiência que marcaria profundamente sua relação com a palavra e com o sagrado. Formou-se no Magistério em 1953 e iniciou a carreira como professora em 1955. Em 1958, casou-se com José Assunção de Freitas, com quem teve cinco filhos.

Antes do nascimento da filha caçula, Adélia e o marido ingressaram no curso de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Divinópolis, formando-se em 1973, um ano após a morte do pai da escritora. Poucos anos depois, enviou seus poemas ao crítico e escritor Affonso Romano de Sant’Anna, que os submeteu à leitura de Carlos Drummond de Andrade. Impressionado, Drummond classificou os textos como “fenomenais” e recomendou sua publicação ao editor Pedro Paulo de Sena Madureira, da Editora Imago.

O resultado foi o lançamento de "Bagagem", em 1976, no Rio de Janeiro, em um evento que reuniu nomes como Antônio Houaiss, Rachel Jardim, Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Affonso Romano de Sant’Anna e Nélida Piñon. Desde então, a obra de Adélia Prado consolidou-se como um dos pilares da literatura brasileira contemporânea, abrangendo poesia, contos, romances, livros infantis e teatro - sempre marcada por uma escrita que une o sagrado e o profano, o cotidiano e o absoluto, o riso e a dor. Compre os livros de Adélia Prado neste link.


.: The Cavern Club São Paulo apresenta Blitz com o show "Agora É a Hora"


Uma celebração vibrante da banda que ajudou a moldar o rock brasileiro e segue mobilizando plateias por onde passa. Foto: divulgação

A Blitz, um dos grupos mais influentes e carismáticos da música brasileira, chega a São Paulo para uma apresentação especial no The Cavern Club São Paulo, no dia 30 de janeiro, com a turnê “Blitz, Agora É a Hora”. O show reúne energia, teatralidade e um repertório que atravessa gerações, reafirmando o papel da banda como referência criativa e artística desde os anos 1980 até os dias atuais.
 
Reconhecida por seu estilo singular e por uma linguagem que uniu música, humor e performance cênica, a Blitz construiu uma identidade própria dentro do cenário nacional. Seu “caldeirão sonoro”, que mistura rock, funk, reggae, samba, soul e blues, permanece atual, envolvente e capaz de dialogar com públicos diversos, mantendo viva a essência criativa que marcou o surgimento do Rock Brasil.
 
A formação atual conta com Evandro Mesquita (vocal, guitarra e gaita), Billy Forghieri (vocal e teclados), Juba (bateria e vocal), Sara Rosemback (baixo e vocal), Guilherme Schwab (guitarra), Andréa Coutinho (backing vocal), Nicole Cyrne (backing vocal) e Mafram do Maracanã (percussão e vocal). Os ingressos estão à venda em ticketmaster.com.br
 
Com origem no grupo teatral Asdrúbal Trouxe o Trombone, a Blitz nasceu sob a lona do Circo Voador, no Arpoador, e rapidamente se transformou em um fenômeno da indústria fonográfica. Em apenas três meses, conquistou o país e alcançou números históricos: o compacto “Você Não Soube Me Amar” ultrapassou 1,5 milhão de cópias vendidas, seguido pelo LP “As Aventuras da Blitz”, que consolidou definitivamente o grupo no topo da música brasileira.
 
A carreira da banda se confunde com momentos decisivos da cultura pop nacional. A Blitz ocupou capas das principais revistas do país, lotou ginásios, estádios e palcos emblemáticos como o Canecão, onde quebrou recordes de público, e entrou para a história ao se apresentar no primeiro Rock in Rio, em 1985. Em 1984, foi o primeiro grupo a subir ao palco da Praça da Apoteose, reunindo mais de 60 mil pessoas em um espetáculo memorável.
 
Com reconhecimento também fora do Brasil, a Blitz realizou turnês pelos Estados Unidos, Europa e Japão, manteve presença constante em grandes festivais e, em 2017, recebeu indicação ao Grammy Latino com o álbum “Aventuras 2”. Sua história ganhou registro definitivo no documentário “Blitz – O Filme”, exibido no Festival do Rio e no Canal Curta, além do livro “As Aventuras da Blitz”.
 
Ao longo das décadas, o grupo foi atração dos maiores réveillons do país, participou dos principais festivais nacionais, foi homenageado no Rock in Rio e celebrou os 40 anos do clássico “Você Não Soube Me Amar” em programas de grande alcance da televisão brasileira, reafirmando sua relevância artística e cultural.
 
No palco do The Cavern Club São Paulo, espaço dedicado à história e à celebração da música, a Blitz apresenta um show pulsante, carregado de clássicos, carisma e interação com o público. Uma apresentação que traduz a essência de uma banda que segue influente, criativa e profundamente conectada à memória afetiva do Brasil. Agora é a hora, de viver a Blitz ao vivo, em sua forma mais intensa, celebrando um legado que continua em movimento.
 
Serviço
Blitz - Turnê “Agora é a Hora”
Data: 30 de janeiro de 2026
Local: The Cavern Club São Paulo
Endereço: Shopping Vila Olímpia - Rua Olimpíadas, 360, Vila Olímpia, São Paulo - SP, 04551-000
Horário do Show: 22h30
Classificação: 18 anos. Menores acompanhados somente dos pais ou responsável legal.
*Sujeito a alteração por Decisão Judicial.
 
Bilheteria Oficial – sem taxa de serviço
Shopping Ibirapuera
Endereço: Av. Ibirapuera, 3103 – Indianópolis, São Paulo/SP - Piso Jurupis (subsolo)
Ponto de referência: próximo ao restaurante Frutaria e à Academia Bio Ritmo
Horário de funcionamento:
Terça a sábado: das 10h às 22h
Domingos e feriados: das 14h às 20h
Fechado às segundas-feiras
 
*Cota de ingressos do tipo meia-entrada, limitada a 40% da capacidade, conforme a Lei Federal n.º 12.933/2013. Idosos não fazem parte destes números e não estão submetidos à limitação, por estarem enquadrados na Lei 10.741/2003.
 
Taxa de serviço: 20%
Limite de ingressos por CPF: Clientes podem comprar até 08 ingressos sendo 06 meias-entradas.
Para compras online: Cartões de crédito em até 10 parcelas sendo em até 03x sem juros, demais parcelas com juros e PIX à vista.
Para compras na bilheteria oficial: Cartões de crédito em até 3x sem juros, cartões de débito e dinheiro.
 
Ingressos para PcD:
A compra pode ser feita na bilheteria ou diretamente no site.
Para compras online, selecione o preço “Meia-Entrada” e clique em “Continuar” para ser direcionado ao mapa de assentos. Escolha o assento desejado, existem assentos acessíveis com a informação de “PCD – Área acessível”, clique em continuar para seguir com o processo de compra.
Recomendamos que a compra dos ingressos para a Pessoa com Deficiência e seu acompanhante sejam realizados no mesmo momento e em um mesmo pedido, garantindo que permaneçam juntos no setor durante toda a apresentação. Pessoas com Deficiência e um acompanhante têm direito à meia-entrada.

.: Filarmônica de Pasárgada apresenta o show "PSSP" no Sesc Belenzinho


No dia 30 de janeiro o Sesc Belenzinho recebe o grupo Filarmônica de Pasárgada. Os ingressos vão de R$ 18,00 (Credencial Sesc) a R$ 60,00 (inteira). Banda paulistana faz show do novo álbum "PSSP". Foto: Zé Vicente

A Filarmônica de Pasárgada apresenta o show do álbum "PSSP" com 14 canções inspiradas na história da cidade de São Paulo. As faixas do disco abordam diversos aspectos ligados à metrópole paulista, ora de modo mais factual, ora de modo mais onírico, por vezes com ironia e humor: a sua fundação na colina histórica pelos jesuítas no século XVI, a economia do café, a desigualdade social, o drama da Cracolândia, a recorrente crise hídrica, a poluição, o descaso em relação aos rios da cidade, o machismo e o racismo impregnados no desenvolvimento urbano de São Paulo são alguns dos temas que atravessam o álbum. 

As canções foram escritas e arranjadas pelo compositor do grupo, Marcelo Segreto, e contam com participações especiais de Tom Zé, Barbatuques, Trupe Chá de Boldo, Música de Montagem, Mestre Zelão e Escola Mutungo de Capoeira Angola. O projeto gráfico do disco é de Guto Lacaz, as fotomontagens de Zé Vicente, a produção musical de Segreto e o lançamento é pelo selo YB Music em parceria com a Gravadora Experimental da Fatec Tatuí.
 
A Filarmônica de Pasárgada foi formada em 2008 por alunos do curso de música da USP com o objetivo de interpretar as canções de Marcelo Segreto. O grupo possui quatro álbuns lançados: "O Hábito da Força" (2012), "Rádio Lixão" (2014), "Algorritmos" (2016) e "PSSP" (2022). A banda participou do EP Tribunal do Feicebuque (2013) do compositor Tom Zé, juntamente com Emicida, o Terno, Trupe Chá de Boldo e Tatá Aeroplano, e do CD "Vira Lata na Via Láctea" (2014) do mesmo compositor, com Caetano Veloso, Milton Nascimento, Criolo, entre outros. Foi vencedor do 17º Programa Nascente USP, do I Festival da Unicamp e do 41º Festival Nacional da Canção-FENAC e premiado em diversos festivais. 


Serviço
Filarmônica de Pasárgada
Dia 30 de janeiro de 2026. Sexta-feira, 21h00
Local: Teatro (374 lugares)
Valores: R$ 60,00 (inteira); R$ 30,00 (Meia entrada), R$ 18,00 (Credencial Sesc)
Ingressos à venda no portal sescsp.org.br e nas bilheterias das unidades Sesc
Classificação: 12 anos
Duração: 90 minutos
 
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000 - Belenzinho / São Paulo
Telefone: (11) 2076-9700
sescsp.org.br/Belenzinho

Estacionamento
De terça a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 9h00 às 18h00. 
Valores: credenciados plenos do Sesc: R$ 8,00 a primeira hora e R$ 3,00 por hora adicional. Não credenciados no Sesc: R$ 17,00 a primeira hora e R$ 4,00 por hora adicional.

Transporte Público
Metro Belém (550m) | Estação Tatuapé (1400m)

.: “O Diário de Pilar na Amazônia” terá Sessão Especial TEA na Rede Cineflix


Nesta sexta-feira, dia 30, às 14h00, a rede Cineflix Cinemas promove uma Sessão Especial TEA com o filme “O Diário de Pilar na Amazônia”, iniciativa voltada a pessoas no espectro autista e suas famílias. A ação integra o projeto de sessões adaptadas da exibidora, com ambiente mais acolhedor, som reduzido, iluminação parcial da sala e liberdade de circulação durante a exibição, garantindo maior conforto sensorial e inclusão no acesso ao cinema.

Baseado na obra homônima da escritora Flávia Lins e Silva, publicada há mais de 25 anos e consagrada na literatura infantil brasileira, o longa-metragem marca a estreia da personagem Pilar em live-action. Dirigido por Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put, o filme aposta numa narrativa de aventura e fantasia que dialoga diretamente com temas como educação ambiental, identidade cultural e responsabilidade social, sem subestimar a inteligência do público jovem.

Na trama, Pilar (Lina Flor) recebe do avô Pedro (Roberto Bomtempo) uma rede mágica que a transporta, ao lado do amigo Breno (Miguel Soares) e do gato Simba, para o coração da Amazônia. Lá, o grupo conhece Maiara (Sophia Ataíde), uma menina ribeirinha separada da família após a destruição de sua comunidade por criminosos ambientais, e Bira (Thúlio Naab). O que começa como uma aventura fantástica se transforma numa missão de enfrentamento às ameaças reais que cercam a floresta.

O elenco adulto reforça o alcance do projeto, com Nanda Costa interpretando a mãe jornalista de Pilar, além de Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Rafael Saraiva e Babu Santana, que compõem vilões caricatos, equilibrando humor e crítica social. A presença de elementos do folclore brasileiro, como o Curupira, amplia o diálogo com o imaginário nacional e conecta fantasia e conscientização ambiental de forma acessível e envolvente.

Produzido pela Conspiração Filmes, com coprodução e distribuição da The Walt Disney Company Brasil, o longa foi filmado em locações reais no Pará e no Amazonas, como Alter do Chão, Ilha do Combú e Alto Rio Negro, reforçando a Amazônia não como cenário exótico, mas como personagem viva da narrativa. Com duração de 90 minutos e classificação indicativa livre, o filme tem se destacado como uma opção de entretenimento familiar que alia imaginação, afeto e reflexão.

Ficha técnica
“O Diário de Pilar na Amazônia” (título original)

Gênero: aventura, drama, família. Classificação indicativa: livre. Ano de produção: 2025. Idioma: português. Direção: Duda Vaisman e Rodrigo Van Der Put. Roteiro: João Costa Van Hombeeck e Flávia Lins e Silva. Elenco: Lina Flor, Miguel Soares, Sophia Ataíde, Marcelo Adnet, Emílio Dantas, Babu Santana, Nanda Costa, Roberto Bomtempo. Distribuição no Brasil: The Walt Disney Company Brasil. Duração: 90 minutos. Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 1
De 29 de janeiro a 4 de fevereiro | Sessões em português | 14h00 e 16h00 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: "Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras" propõe mergulho em Edvard Munch


Em cartaz no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o documentário "Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras", de Michele Mally" propõe um mergulho sensível e informativo no legado de Edvard Munch, ampliando o olhar para além de sua pintura mais famosa, "O Grito", e explorando a complexidade emocional e experimental de sua produção que inicia o gênero do expressionismo nas artes plásticas. A narração é de Ingrid Bolsø Berda. 

Nenhum artista no mundo é mais famoso e, ao mesmo tempo, menos conhecido do que Edvard Munch. Se seu "O Grito" se tornou um ícone de nossa época, o restante de sua obra não é tão famoso. Agora, Oslo, capital da Noruega, marca um ponto de virada em nosso conhecimento sobre o artista: o Museu Munch, inaugurado em outubro de 2021. 

Trata-se de um arranha-céu espetacular projetado para abrigar o imenso legado que o artista deixou para sua cidade: 28.000 obras de arte, incluindo pinturas, gravuras, desenhos, cadernos, esboços, fotografias e seus experimentos com cinema. Esse legado extraordinário nos proporciona uma visão excepcional da mente, das paixões e da arte desse gênio do Norte. Acesse gratuitamente sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Munch: Amor, Fantasmas e Vampiras"
Direção: Michele Mally | Itália | 2025 | 90 minutos | Documentário | 12 anos
Disponível até 20 de março de 2026  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital
  
A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital.

.: DAN Galeria apresenta coletiva que revisita a formação da arte moderna


Com curadoria de Maria Alice Milliet, mostra relaciona Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, Alfredo Volpi e outros nomes essenciais que colaboraram para construção do imaginário visual brasileiro. Na imagem, Emiliano Di Cavalcanti, "O Repouso".  Foto: Dan Galeria/Divulgação


A DAN Galeria apresenta, até 31 de janeiro, "O Brasil dos Modernistas", com curadoria de Maria Alice Milliet. Reunindo cerca de 50 obras de emblemáticas de nomes fundamentais como Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Victor Brecheret, Cândido Portinari, Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti e outros, a coletiva traça um panorama da arte moderna no país e destaca o papel do movimento que, a partir da década de 1920, redefiniu a linguagem artística nacional e acrescentou ao imaginário coletivo visões atualizadas do imaginário popular brasileiro.

O Brasil dos modernistas toma como ponto de partida das transformações que marcaram o surgimento da modernidade artística no Brasil, um movimento que se consolidou no confronto entre o conservadorismo cultural e o impulso de renovação de um país em transição. A Semana de Arte Moderna de 1922, é retomada aqui como marco simbólico desse embate: vaiada pelo público, expôs a resistência às novas linguagens e à ruptura com os padrões tradicionais, inaugurando uma produção voltada à atualização estética e à construção de uma identidade artística brasileira.

O percurso curatorial retrata como os primeiros modernistas, em busca de formação e reconhecimento, voltaram-se aos grandes centros artísticos da Europa. Foi a partir dessa experiência que muitos passaram a perceber a força e a originalidade da diversidade cultural brasileira para construção de suas próprias identidades artísticas. “Os nossos modernos não precisaram buscar em lugares exóticos os conteúdos populares ou étnicos que tanto encantavam os europeus. Encontraram em nossas paisagens e costumes os ingredientes para a constituição de uma visualidade de caráter nacional”, afirma a curadora Maria Alice Milliet.

Embora influenciada pelas vanguardas europeias, a arte moderna no Brasil manteve-se fiel à figuração. O contato com o movimento de “retorno à ordem”, no período entre guerras, levou os artistas a explorar linguagens expressionistas, cubistas e, mais tarde, surrealistas, em um processo que definiu as bases estéticas do primeiro modernismo brasileiro.

Dentre os destaques da mostra, está o "Retrato de Judite" (1944), de Alfredo Volpi. Pintado no ano em que o artista se casou com Benedita da Conceição, conhecida como Judite, o trabalho retrata sua esposa nua entre cortinas, de braços abertos, como se apresentasse as pinturas que a cercam. Volpi, que iniciou a carreira decorando fachadas paulistanas, desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela geometrização e pelo uso refinado da cor. Seu trabalho simboliza a passagem da pintura figurativa para uma modernidade madura, iluminada e de forte identidade brasileira.

“É inegável que Tarsila, Di Cavalcanti, Cícero Dias, Rego Monteiro, Brecheret, Portinari, Guignard constituíram um corpus iconográfico identificado com o Brasil. Mais que isso, o modernismo acrescentou ao imaginário nacional visões atualizadas da nossa realidade sociocultural. Ou seja, quando pensamos na mulher brasileira, vem à nossa cabeça a sensualidade das morenas pintadas por Di Cavalcanti; a história da conquista do nosso território realiza-se no Monumento às Bandeiras, de Brecheret; nossos mitos são os de Tarsila; nossas praias são as de Pancetti; e as festas populares têm no colorido das bandeirinhas de Volpi sua melhor expressão”, completa Maria Alice Milliet sobre o eixo expositivo.

Ao reunir obras fundamentais do período, a mostra O Brasil dos modernistas destaca a relevância histórica e cultural do movimento que redefiniu os rumos da arte no país. A coletiva reforça o papel dessa geração de artistas na construção de uma identidade visual e reafirma a atualidade de seu legado na formação do que se entende por brasilidade.


Artistas presentes 
Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Candido Portinari, Cícero Dias, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto De Fiori, Ismael Nery, José Pancetti, Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro e Victor Brecheret.

Sobre a galeria
A Dan Contemporânea surgiu como um departamento de Arte Contemporânea da Dan Galeria. Em 1985, Flávio Cohn, filho do casal fundador, juntou-se à Dan criando o Departamento de Arte Contemporânea, que ele dirige desde então. Assim, foi aberto espaço para muitos artistas contemporâneos tanto brasileiros, como internacionais, fortemente representativos de suas respectivas escolas. Posteriormente, Ulisses Cohn também se associa à galeria, completando o quadro de direção dela.

Nos últimos 20 anos, a galeria exibiu: Macaparana, Sérgio Fingermann, Amélia Toledo, Ascânio MMM, Laura Miranda e artistas internacionais: Sol Lewitt, Antoni Tapies, Jesus Soto, César Paternosto, José Manuel Ballester, Adolfo Estrada, Juan Asensio, Knopp Ferro e Ian Davenport.  Mestres de concreto internacionais também fizeram parte da história da Dan, tais como: Max Bill, Joseph Albers e os britânicos Norman Dilworth, Anthony Hill, Kenneth Martin e Mary Martin. 

A Dan Galeria incluiu mais recentemente em sua seleção, importantes artistas concretos: Francisco Sobrino e François Morellet. O fotógrafo brasileiro Cristiano Mascaro; os artistas José Spaniol, Teodoro Dias, Denise Milan e Gabriel Villas Boas (Brasil); os internacionais, Bob Nugent (EUA), Pascal Dombis (França), Tony Cragg (G. Bretanha), Lab [AU] (Bélgica) e Jong Oh (Coréia), se juntaram ao departamento de Arte Contemporânea da galeria. A Dan Galeria sempre teve por propósito destacar artistas e movimentos brasileiros desde o início da década de 1920 até hoje. Ao mesmo tempo, mantém uma relação próxima com artistas internacionais, uma vez que os movimentos artísticos historicamente se entrelaçam e dialogam entre si sem fronteiras. 


Serviço
Exposição "O Brasil dos Modernistas"

Curadoria: Maria Alice Milliet
Endereço: DAN Galeria – Rua Estados Unidos, 1638 – São Paulo
Período expositivo: até 31 de janeiro de 2026
Horário: das 10h00 às 19h00, de segunda a sexta; das 10h00 às 13h00, aos sábados.
Entrada gratuita
Classificação: livre
Mais informações: dangaleria.com.br

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