segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

.: Mostra sobre desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira em Santos

Na primeira imagem, em preto e branco, Bergson Gurjão Farias aparece com a noiva Simone e a irmã Tânia, em Volta de Jurema, Fortaleza-Pernambuco. Na segunda foto, décadas depois, Tania e Simone estão sentadas em primeiro plano e o lugar onde antes fora ocupado por Bergson está vazio. A irmã Tânia recordará para sempre o momento em que olhou para baixo querendo arrumar a bolsa no colo, no mesmo instante em que o seu pai, Jennifer Farias, fez a última foto em que ela está com seu irmão. Bergson foi assassinado entre maio e junho de 1972 no Araguaia. Somente em julho de 2009, seu corpo foi identificado no Cemitério de Xambioá, no Tocantis, e sua família pode sepultar seus restos mortais. Foto: Gustavo Germano


Uma das principais referências no trabalho de memória política no país, o Núcleo de Preservação da Memória Política - NM, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Santos - IHGS, instituição dedicada ao fortalecimento da consciência coletiva por meio da preservação e difusão da história regional, apresentam a exposição "Ausências Brasil", do fotógrafo argentino Gustavo Germano — uma obra de profundo impacto visual e simbólico sobre os desaparecimentos forçados durante a ditadura militar (1964 – 1985) no Brasil. A exposição ficará aberta ao público de 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026.

A abertura oficial acontecerá no sábado, 28 de fevereiro, com programação especial de visita mediada com historiador, roda de conversa com ex-presos políticos e Sarau Musical. “Ausências Brasil” reúne doze pares de fotografias, contrapondo fotos de álbuns antigos de famílias de vítimas da ditadura militar no Brasil, com aquelas produzidas com familiares e amigos nos mesmos locais, em 2012. Neste sentido, as ausências nas obras de Gustavo Germano revelam muitas presenças: a presença da dor e da saudade, da injustiça e seus paradoxos, a presença da própria pessoa desaparecida.

Com o objetivo de lançar um olhar sensível sobre o tema da perseguição política e os desaparecidos do período da ditadura militar, os visitantes conhecerão rostos, histórias e poderão refletir sobre as possibilidades das vidas ceifadas pela brutalidade do sistema repressor. O projeto da Exposição Ausências foi iniciado na Argentina, motivado pelo desaparecimento do irmão do fotógrafo, Eduardo Raúl Germano, que foi detido e desaparecido pela ditadura daquele país em 17 de dezembro de 1976, e cujos restos mortais foram identificados somente em 2014 pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. O projeto se expandiu para outros países latinos, a maioria alvos da Operação Condor – campanha de repressão e terrorismo de Estado orquestrada pelas ditaduras no Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos. “Ausências Brasil” foi realizada em 2012, com fotografias do Ceará ao Rio Grande do Sul.

Além da exposição, haverá uma série de atividades educativo-culturais, como visitas mediadas, formação de educadores e rodas de conversa com ex-presos políticos, fomentando debates sobre os impactos da violência de Estado, tanto no passado quanto no presente. Com o objetivo de formar cidadãos mais conscientes e críticos, a exposição reflete sobre os abusos de poder, as perseguições e os desaparecimentos forçados ocorridos durante a ditadura militar no Brasil e suas repercussões na atualidade.

Um dos objetivos do projeto, segundo a museóloga do NM Kátia Felipini Neves, é refletir sobre a importância da democracia e da reparação simbólica. “Cada vez que a gente apresenta essa exposição, é uma forma de reparar essas famílias”, diz.

A escolha da cidade de Santos deu-se em virtude de sua importância no cenário político nacional, contando com a luta de lideranças populares por direitos e democracia. Das intervenções do Estado Novo de Getúlio Vargas nos anos 1930 à Ditadura Militar (1964-1985), sofreu censura, perseguições, torturas e outras graves violações dos direitos humanos. Um dos símbolos dessa violência foi o navio-prisão Raul Soares, ancorado no porto de Santos e utilizado como cárcere e centro de interrogatório durante a repressão militar. Em todas as circunstâncias, a cidade assumiu um papel ímpar na resistência.

Para Sergio Willians, diretor executivo do IHGS, “Ao receber a exposição Ausências Brasil, o Instituto reafirma seu compromisso histórico com a memória, a pesquisa e o direito à verdade, pois preservar a história local e nacional — em todas as suas faces — significa honrar os que sofreram, reconhecer os que resistiram e inspirar as novas gerações a valorizar a liberdade, a democracia e a dignidade humana. E que o IHGS, enquanto guardião da memória santista, coloca-se como espaço legítimo e necessário para acolher iniciativas que iluminem os períodos sombrios do passado e promovam reflexão crítica e cidadania”.

O Núcleo Memória é uma instituição dedicada à preservação da memória política e à promoção dos direitos humanos e conta com uma vasta agenda de ações, como as visitas mensais ao antigo DOI-Codi/SP, os Sábados Resistentes no Memorial da Resistência de São Paulo e cursos voltados para o campo da memória política. A realização da exposição só foi possível com o apoio do Deputado Estadual Antonio Donato e das instituições parceiras.  

Agenda da exposição
27 de fevereiro (sexta-feira)

14h00 às 15h30 – Encontro de Formação de Educadores
28 de fevereiro – sábado
15h30 às 16h30 – Visita educativa mediada
16h30 às 17h30 – Roda de Conversa com ex-presos políticos
18h00 – Abertura Oficial, com a presença de Sérgio Willians e Bruna Barbosa, do IHGS, Maurice Politi e Katia Felipini, do NM, e de Antonio Donato, Deputado Estadual 
18h30 - Sarau Musical 

2 de abril (quinta-feira)
14h00 às 16h30 – Formação de Educadores e Roda de Conversa com ex-presos políticos


Serviço
Exposição "Ausências Brasil" no Instituto Histórico e Geográfico de Santos

De 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026
Av. Conselheiro Nébias, 689 - Boqueirão, Santos – SP
Entrada gratuita
Horário de Visitação: de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 17h00. Sábados e Domingo fechados.
Visitas educativas: a exposição contará com educador para mediação das visitas tanto para grupos pequenos como para grupos escolares também na parte da manhã. A exposição conta com recursos de audiodescrição para pessoas com deficiência visual.
Visitas educativas mediante agendamento pelo telefone (13) 3222-5484 ou e-mail ihgs@ihgs.com.br a partir do dia 20 de fevereiro.

.: "Cara de Um, Focinho de Outro": Thaís Fersoza é anunciada como dubladora

Atriz e apresentadora emprestará a voz à personagem Diane, a Tubarão. Foto: divulgação

A magia da Disney invadiu a folia paulistana neste Carnaval. O estúdio firmou uma parceria inédita com o bloco “Sertanejinho do Teló”, comandado pelo cantor Michel Teló, no último domingo, dia 15 de fevereiro, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, para promover "Cara de Um, Focinho de Outro", a nova animação da Pixar. Durante o desfile, o trio elétrico foi palco de um momento especial para os fãs: o anúncio oficial de Thaís Fersoza como voz de Diane, uma das personagens do filme. Ela será Diane, a tubarão.

A atriz e apresentadora subiu ao trio ao lado do marido, Teló, para celebrar a novidade e interagir com o público. A recepção calorosa dos foliões confirmou a sinergia entre o casal e o projeto, aquecendo os motores para o lançamento do longa nos cinemas. Unindo diversão e conscientização, "Cara de Um, Focinho de Outro" conta a história de Mabel, uma jovem que ama e protege a natureza. Para impedir que um bosque que abriga os animais seja destruído, ela transfere a própria mente para um castor robótico realista. Infiltrada no mundo selvagem, ela une forças aos bichos em uma aventura animal.

Com experiência na dublagem ao dar voz à Babá em "Muppet Babies" (2018), Thaís Fersoza se junta a um elenco de vozes que já conta com ninguém menos do que a também atriz Renata Sorrah, lenda da teledramaturgia brasileira, que faz sua estreia como dubladora. "Cara de Um, Focinho de Outro" chega aos cinemas do Brasil em 5 março de 2026.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


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.: "Varda por Agnès": diretora ensina em documentário storytelling e cine-writing


Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o documentário  "Varda por Agnès" tem como a arte o tema central, acompanhando a vida do expoente do cinema. No filme, a própria Agnès Varda deixa sua biografia como testamento de uma vida guiada pelo cinema, pela fotografia e pela arte. De mãe da Nouvelle Vague a ícone feminista, a diretora Agnès Varda expõe processos de criação e revela a própria experiência com o fazer cinematográfico. 

A cineasta dá um enfoque especial no método de storytelling que ela denomina de “cine-writing”, uma espécie de fórmula utilizada por ela na grande maioria de seus documentários e ficções, revisando a sua carreira de maneira única e emocionante, neste filme que encerra a sua carreira de 64 anos. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Varda por Agnès" 
Direção: Agnès Varda | França | 2019 | 115 minutos | Documentário | 12 anos
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 

.: #LeituraMiau: "Lilith Preta", de Coelho de Moraes, ultrapassa rótulos fáceis


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Lilith Preta", do autor Coelho de Moraes, apresenta-se como uma obra poética que ultrapassa rótulos fáceis e propõe uma imersão nas dimensões simbólicas do desejo, da espiritualidade e da experiência sensível. Dialogando com a tradição lírica brasileira - e evocando, em certos momentos, ecos do legado de Carlos Drummond de Andrade - o autor constrói uma poesia marcada pela densidade imagética e pela musicalidade dos versos.

A figura de Lilith, associada ao mistério e à força do feminino, surge como eixo simbólico da obra. Mais do que personagem, ela funciona como metáfora de atração, liberdade e confronto interior. É por meio dessa presença que o eu poético transita entre o impulso do desejo e a busca de transcendência, compondo um percurso que reflete sobre entrega, vulnerabilidade e consciência do próprio corpo como território de experiência.

Coelho de Moraes utiliza a sensualidade de forma estética e reflexiva, integrando-a a uma investigação mais ampla sobre a condição humana. Seus poemas alternam luz e sombra, concretude e sugestão, criando um jogo de contrastes que convida o leitor a participar ativamente da construção de sentidos. Há, na obra, um cuidado com a linguagem e com o ritmo que evidencia maturidade poética e intenção artística.

Mais do que um livro de poesia de temática erótica, "Lilith Preta", publicado pela Costelas Felinas Editora, pode ser lido como um percurso de autoconhecimento mediado pela palavra poética. A leitura propõe não apenas fruição estética, mas também reflexão, ao transformar símbolos de tentação em caminhos de compreensão do ser.

Assim, a obra se destaca como um exemplo de como a poesia voltada ao sensorial pode alcançar profundidade filosófica e literária, oferecendo ao leitor uma experiência rica em camadas de interpretação e sensibilidade.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

.: Renato Amado enfrenta a finitude e expõe contradições em “Nonada”


Em entrevista para o portal Resenhando.com, o autor carioca fala sobre melancolia, machismo estrutural, erotização da ausência e o salto no escuro que o levou da carreira jurídica à literatura. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com

Em um mundo hiperconectado e afetivamente exausto, Renato Amado escolheu ampliar as distâncias para falar de proximidade. Em "Nonada", publicado pela Editora Cajuína, segundo romance assinado por ele, o escritor carioca imagina uma Terra plana e mil vezes maior que a nossa para narrar a crise silenciosa de Galeano - motorista de aplicativo, ex-praticante de wingsuit e homem marcado por melancolia, desejo e contradições.

Entre telescópios que substituem o toque, diálogos de Uber que revelam microviolências cotidianas e um machismo que opera quase sem ruído, o romance combina ficção científica, existencialismo e crítica social. Mais do que contar uma história de amor à distância, Amado investiga o medo da morte, a dificuldade de sustentar vínculos profundos e a tentação permanente de adiar o desespero com doses de intensidade. Nesta entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, ele fala sobre o vazio como gesto político, a literatura como adiamento e exercício de aceitação, e o risco de viver quando já se sabe o desfecho da batalha. Compre o livro "Nonada", de Renato Amado, neste link.

Resenhando.com - Galeano observa o mundo à distância, mas evita o contato pleno. Em que medida "Nonada" sugere que o homem contemporâneo prefere o risco da imaginação ao perigo real do encontro?
Renato Amado - Galeano é deslocado em relação à realidade imediata, mas se conecta com uma mulher de outro canto do planeta. Do mesmo modo, por meio de telas damos preferência a ausentes e nos afastamos dos que estão à nossa volta. Parece que a presença assusta. Quanto mais instâncias de mediação, mais protegidos nos sentimos. E mais eficaz do que a distância, só o anonimato.


Resenhando.com - ⁠A Terra plana e descomunal do romance amplia distâncias físicas para falar de abismos emocionais. Essa distopia nasce mais do medo da tecnologia ou da incapacidade humana de sustentar vínculos profundos?
Renato Amado - 
Sem dúvida da dificuldade em sustentar vínculos profundos. A mulher do outro lado do oceano é uma fantasia: a voz não chega, o idioma é outro. Eles estabelecem traços de linguagem que permitem alguma comunicação, mas uma comunicação incompleta, com espaço para vazios preenchidos pela fantasia. Já as pessoas próximas se apresentam com seus defeitos, manias, irracionalidades, teimosias. Não é fácil se conectar em um nível mais profundo com seres tão imperfeitos. Além disso, todos carregamos abismos inomináveis que o outro não alcança, o que gera solidão. No fim das contas, somos sós em nossos universos internos, acessíveis ao outro apenas por brotamentos pontuais na fala, nos gestos, nas expressões.


Resenhando.com - Galeano não é apresentado como vilão, mas como produto de um machismo estrutural “inconsciente”. Até que ponto humanizar esse homem é um gesto crítico e até que ponto pode ser lido como complacência?
Renato Amado - 
O romance não adota um tom panfletário nem subestima a inteligência do leitor. A literatura nos dá uma oportunidade que não existe fora dela: de entrarmos na cabeça do outro. Isso amplia nossa compreensão do humano. A literatura que me interessa, portanto, humaniza qualquer tipo de personagem, pois a desumanização é necessariamente uma simplificação. E humanizar não é justificar, mas compreender processos. Galeano é um homem comum, atravessado pelo machismo estrutural como praticamente todos nós. Desumanizá-lo seria desumanizar a todos. Ele funciona como espelho: reconhecemos nele traços nossos. Ao criticar o machismo estrutural, o livro acaba por criticar também o leitor e o autor.


Resenhando.com - ⁠O telescópio permite ver, mas não tocar. Em tempos de redes sociais, aplicativos e amores espectrais, você diria que estamos vivendo uma erotização da ausência?
Renato Amado - 
O que se apresenta parece não ter mistério: está ali, na nossa frente, é aquilo e pronto. Acostumamo-nos a não perscrutar mais profundamente. Já o que está ausente é promessa, fantasia, possibilidade. Sem precisar caçar para sobreviver, o ser humano moderno - ao menos aquele incluído nos confortos da modernidade – tornou-se um grande entediado. Será que, da tela que despeja bits e bytes em todas as suas variações, não virá algo mais interessante do que a melancolia que nos cerca? Essa expectativa pelo novo e pelo surpreendente a qualquer instante na palma da mão é, sim, uma erotização da ausência. Deseja-se menos o que existe do que o que ainda não se mostrou. O presente tornou-se quase sempre insuficiente.


Resenhando.com - ⁠Os diálogos no Uber expõem um Brasil saturado de preconceitos e microviolências. Galeano escuta muito, reage pouco. O silêncio dele é forma de resistência ou mais um sintoma de acomodação masculina?
Renato Amado - 
É fruto de melancolia, de falta de energia, de desistência. Mas é também uma forma de dar voz ao leitor. A literatura deixa espaço e o leitor o ocupa. O silêncio é uma convocação.


Resenhando.com - ⁠"Nonada" é um romance curto, rarefeito, cheio de vazios. Você escreveu pensando no silêncio como escolha estética ou como limite ético diante do que não pode, ou não deve, ser explicado?
Renato Amado - 
Não deve ser explicado por escolha estética. Obras que explicam subestimam o leitor. Obras que apenas sugerem requerem sua intervenção. É nesse momento, quando o leitor precisa completar o texto, que a experiência se torna realmente marcante. Informações mastigadas podem até parecer interessantes, mas costumam se dissipar rapidamente. Já os fragmentos que tocam a emoção e exigem elaboração produzem uma experiência mais duradoura e, se intensos o bastante, passam a integrar a própria constituição psíquica de quem lê.


Resenhando.com - Há algo de paradoxal em um ex-atleta radical, habituado ao risco extremo, tornar-se um homem paralisado diante da vida afetiva. O medo da morte é menor que o medo da intimidade? 
Renato Amado - Por paradoxal que possa parecer, é por medo da morte que Galeano se tornou praticante de esportes radicais. Galeano via a morte como inimiga (só há inimigo quando há temor; não existe inimizade na indiferença) e queria mostrar que poderia vencê-la, ainda que provisoriamente. Uma forma de fazê-lo não era apenas se arriscar, mas viver intensamente: no absoluto do momento, a morte não existe. Mas ele quase foi derrotado, ao sofrer um grave acidente, e a ilusão se rompeu. A morte mostrou-se, “estou aqui, te pego a qualquer hora!”. E Galeano passou a se debater ininterruptamente com a finitude. É uma briga perdida. Se habitamos uma batalha cujo resultado desfavorável já conhecemos, e que perdurará por toda a vida, a consequência é a melancolia. Como se entregar a uma relação afetiva estando tomado pela melancolia? Se a morte cobre e esvazia tudo, nada tem sentido ou beleza. Nada conecta. Ao menos até Galeano ver, através de um telescópio, aquele olho do outro lado do planeta.


Resenhando.com - ⁠Ao trocar uma carreira estável no Direito por uma vida dedicada à literatura, você também realizou um salto no escuro. Que partes de Galeano dialogam, ainda que indiretamente, com essa decisão?

Renato Amado - Assim como Galeano tentava enganar a morte pela intensidade praticando wingsuit, eu tentei fazer o mesmo, buscando outras intensidades. A carreira no Direito não me dava vida, me dava salário. Precisei saltar no escuro, buscar a vida a 100% para enganar a morte.


Resenhando.com - ⁠O título "Nonada" sugere o “quase nada”, o resto, o intervalo. Em um mundo obcecado por performance, produtividade e respostas rápidas, escrever sobre o vazio é um gesto político?

Renato Amado - Existir e escrever, o que seja, é um gesto político, pois implica propor um modo de estar no mundo. Nesse sentido, Nonada se insere em uma das vocações mais recorrentes da arte: não oferecer respostas, mas abrir questões, sugerir possibilidades. Em um contexto obcecado por performance e produtividade, sustentar o vazio, a pausa e o intervalo, torna-se, por si só, uma forma de resistência.


Resenhando.com - ⁠Você afirma que a melhor saída diante da finitude é a aceitação. A literatura, para você, é um caminho real para essa aceitação ou apenas uma forma mais sofisticada de adiar o desespero?
Renato Amado - Faço muitas coisas para adiar o desespero. São as tais ações que buscam intensidade, que nos permitem esquecer a nossa condição por instantes, viver inteiros. Não vejo isso como algo negativo: talvez a melhor estratégia seja justamente adiar o desespero a tal ponto que a morte chegue antes de termos tido tempo para nos desesperar. Quanto à aceitação, ela é difícil, muito difícil, mas também é um caminho. A literatura pode ser ambas as coisas: adiamento e exercício de aceitação. Em Nonada, ao escrever o percurso de Galeano, que se constitui como um ser humano mais íntegro à medida que caminha em direção a uma aceitação ao menos parcial, eu buscava fazer o mesmo. Escrevi este livro para lidar com meus fantasmas, equilibrar-me. O caminho de Galeano é o meu caminho.

.: Crônica: Novo "O Morro dos Ventos Uivantes" e o despertar de lembranças

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


Tive a oportunidade de relembrar a história de amor de Catherine Earnshaw e Heathcliff nas telas da Cineflix Cinemas de Santos com a nova adaptação de "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë. Em meio a algumas sequências aguardadas, -a cena da pedrada na janela-, fiquei encantada com a produção um pouco apimentada e repleta de amor. Assim, recordei da primeira vez que li a obra.

Era  uma edição pequena, em papel jornal com letras miúdas que não sei se ainda tenho comigo. Livro usado e com manchas de velhice suficientes para gerar crises de espirros. Foi difícil seguir a leitura, mas dei o meu melhor. Contudo, ao cursar a minha segunda graduação, tive o prazer de ter Rosicler Martins Diniz Monteiro como professora de literatura inglesa e língua inglesa.

Ela, com sua doçura e inteligência, numa aula, contou toda a história em inglês. Lembro de estar na primeira fileira, bem pertinho, anotando e prestando atenção em cada evolução da trama trágica que a professora me fazia recordar, afinal a antiga leitura foi complicada por espirros e olhos lacrimejando.

Assistir a nova produção para o clássico que me marcou com Ralph Fiennes e Juliette Binoche no protagonismo, tem um gostinho de encantamento, mas também traz boas lembranças vividas enquanto leitora e aluna. "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë é uma história linda e que todos deveriam conhecer.


.: “A Baleia” desmonta o discurso fácil sobre compaixão e volta a ser o que era


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Ale Catan

O filme "A Baleia", dirigido por Darren Aronofsky, já era bom e foi injustamente patrulhado por uma crítica que parece ter alergia a qualquer obra que não venha embalada no manual do “politicamente correto performático”. Mas, no palco do Teatro Sabesp Frei Caneca até dia 1º de março, sob a direção de Luís Artur Nunes, o texto de Samuel D. Hunter respira melhor e parece ainda mais incômodo. Talvez porque o teatro não permita fuga: não há corte de câmera, não há trilha que manipule a lágrima: há somente atores diante do abismo e uma história a ser contada.

No papel que foi de Brendan Fraser no cinema, Emílio de Mello entrega algo que não se ensaia: doçura. O Charlie interpretado por ele não é um mártir e muito menos um monstro. É um homem que falhou tentando amar e que agora tenta amar falhando menos. No clássico "Moby Dick", escrito por Herman Melville, o capitão Ahab persegue a baleia como se quisesse matar o que não compreende. Em "A Baleia", Charlie é perseguido pelas escolhas que fez, como se fosse o Ahab de si mesmo. É apenas um homem que não se cansa de pedir desculpas e, quanto mais faz isso, mais revela a brutalidade da própria culpa.

O mar está para o espetáculo o tempo todo, seja como personagem, seja como pano de fundo: no som constante, na água como metáfora de limpeza, no dilúvio íntimo que sempre ameaça transbordar. E, inevitavelmente, nos amores líquidos apontados por Zygmunt Bauman como relações que escorrem pelos dedos antes que se aprenda a segurá-las.

O elenco atua com precisão. Luisa Thiré constrói uma amiga sobrecarregada, dividida entre o colo e o cansaço. A atuação dela é estupenda do início ao fim. Ela cuida, mas é enérgica; protege, mas explode; ama, mas está exausta da situação em que está inserida. Já Gabriela Freire, no papel da filha, tem a coragem de ser detestável enquanto personagem. A Ellie interpretada por ela oscila entre maturidade precoce e vulnerabilidade mal cicatrizada. Sádica, ela se vinga do pai com uma crueldade que nasceu do abandono, em uma vilania que não é gratuita. O jovem missionário vivido por Eduardo Speroni também se destaca. O traço dele é a hipocrisia que costuma se travestir de fé. A peça ainda presenteia o público com a participação especial de Alice Borges em uma cena decisiva.

A gordofobia e a homofobia coexistem em "A Baleia", mas o que se debate em cena é algo mais desconfortável do que essas temáticas: arrependimento e abandono. Com diálogos cortantes, é uma peça sobre o mal que se rebate com o bem, e erros que resultam em pequenas redenções, enquanto o caos acontece na vida que segue. No palco, "A Baleia" deixa de ser apenas a sombra de uma boa adaptação cinematográfica e volta a ser o que sempre foi: teatro em estado de graça.

Ficha técnica
Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.

Serviço:
Teatro Sabesp Frei Caneca
Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026
Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.

Ingressos
Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)
Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)
Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)
Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)
Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 
Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza
Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

.: Crítica: "O Morro dos Ventos Uivantes" é apimentado, mas cheio de romance

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


A nova adaptação cinematográfica do clássico literário "O Morro dos Ventos Uivantes" transborda romance suspirante entre Catherine Earnshaw (Margot Robbie, "Barbie" e "Esquadrão Suicida") e Heathcliff (Jacob Elordi, de "Priscilla" e "A Barraca do Beijo"). Com toque apimentado cada evolução na relação dos dois, iniciada ainda na infância, desperta emoção suficiente para cada um na sala de cinema torcer pelo sucesso da história de amor.

A produção dirigida por Emerald Fennell que escreveu e dirigiu dois sucessos, "Bela Vingança" (vencedor do Oscar de melhor roteiro em 2021) e "Saltburn", mergulha na era vitoriana com a história de uma das irmãs Brontë, Emily. Na tela, planos de encher os olhos, não somente apoiados na bela fotografia do cenário bucólico, mas também em tomadas internas e abertas em que a saia vermelha de Catherine diz muito, por exemplo.

O longa que soma 2 horas e 14 minutos começa na infância de Cathy que passa a ter ao lado o garoto bruto e aparentemente mudo retirado das ruas pelo pai. Assim, o jovem é batizado por ela de Heathcliff. Os dois crescem juntos no Morro dos Ventos Uivantes, mas não administram bem os sentimentos que alimentam um pelo outro. Numa casa degradada, até sem lenha para se aquecer, já com a idade avançada e sem propostas de casamentos, vê uma chance de boa vida com a chegada de um magnata dos tecidos: Edgar Linton (Shazad Latif, de "Nautilus").

Após não ser cortejada pelo novo vizinho, coloca um plano em prática e, assim, traça uma mudança brutal em seu destino e no de Heathcliff. Com a ajuda da dama de companhia Nelly (Hong Chau, de "A Baleia", "Tipos de Gentileza"), o corte da convivência entre os dois, leva Cathy a uma vida de luxo, mas sem amor. Contudo, o retorno de quem realmente ama gera reviravoltas e traições com força para convocar a morte. 

Em parceria com a Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm

"O Morro dos Ventos Uivantes". Gênero: drama, romance. Direção: Emerald Fennell. Elenco: Margot Robbie (Catherine Earnshaw), Jacob Elordi (Heathcliff), Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif e Ewan Mitchell. Sinopse: A tragédia acontece quando Heathcliff se apaixona por Catherine Earnshaw, uma mulher de uma família rica na Inglaterra do século 18.

.: Crítica: no teatro, "A Baleia" é humana pela culpa e busca de aceitação


Por
 Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do portal Resenhando.com

Em fevereiro

O cinema consegue emocionar visualmente, mas o teatro, quando reúne um elenco impecável, é capaz de ir além e criar uma ponte única de aproximação com o público para mexer com sentimentos diversos, além de lançar inquietações. Ao testemunhar o espetáculo teatral "A Baleia", em cartaz no Teatro Sabesp Frei Caneca, cada provocação reverbera semanas depois. 

Em vivências posteriores, reflexões sobre o rumo da história surgem na mente, gerando debates internos a respeito da humanização de cada personagem que no palco tornam a montagem do diretor Luís Artur Nunes inesquecível. Há no protagonista de Emílio de Mello o ponto de partida do desenvolvimento de toda a trama, assim como a escolha determinante.

A interpretação mansa e comovente de Mello entranha no público estabelecendo uma conexão com profundidade emocional sobre dependência e isolamento. Com empatia, o público é convidado a assumir o posto de Charlie (Emílio de Mello), em meio a seus erros e acertos diante de um grande chamado. 

Cada personagem que interage pessoalmente com o protagonista, é agregado a ele, como tentáculos. Todos distantes, mas unidos num único motivo. Importantes para o homem que optou se anular aos poucos, mergulhando na comorbidade e que abraça uma visão amorosa, totalmente questionável, de uma filha execrável, Ellie (Gabriela Freire). 

Portanto, recai para Ellie o retrato do desamor e asco, que mantém vivo pelo pai e, com atitudes, faz o público sentir o mesmo por ela. Mérito inquestionável de Gabriela Freire, que com categoria entrega a interpretação de uma filha necessariamente horrorosa a um pai que a acompanhou sempre distante, apesar da admiração.

A enfermeira e amiga, Liz (Luisa Thiré) representa o equilíbrio e a razão diante dos fatos, alguns extremamente absurdos, respingando um pouco desta postura para a ex-mulher, Mary (Alice Borges). Há ainda a interferência do missionário Thomas de Eduardo Speroni com imposições religiosas questionáveis que fazem refletir sobre as escolhas, mas também rir quando, no debate, percebe que a vida não é uma lista de atividades a ser cumprida.

Em "A Baleia" há muita poesia na produção. Seja a sonoplastia que funciona como que um chamado ou na leitura amorosa de uma pequena análise de "Moby Dick". No entanto, o que mais conta é a total entrega de um elenco magistral que rapidamente leva o público para mergulhar num temporal de sentimentos que encaminham a baleia a seu destino final. Imperdível!

Sinopse: Charlie é um professor de inglês com obesidade severa que vive recluso e busca redenção. Após a morte do namorado, ele tenta se reconectar com sua filha adolescente, Ellie, de quem se afastou, enfrentando culpa e busca por aceitação. 


Ficha técnica

Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.


Serviço:

Teatro Sabesp Frei Caneca

Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026

Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.


Ingressos

Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)

Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)

Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)

Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)

Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 

Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza

Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.


Agradecimentos de "A Baleia"


Leia+ 


.: "Pietà - Um Fractal de Memórias" reestreia dia 28 na SP Escola de Teatro

Espetáculo "Pietà - Um Fractal de Memórias", ambientado nos anos 1980, aborda questões ligadas a depressão e ao suicídio, em curtíssima temporada na cidade de São Paulo. Foto: divulgação


Reestreia no dia 28 de fevereiro na SP Escola de Teatro o espetáculo "Pietà - Um Fractal de Memórias", texto de Marcelo Novazzi, com direção de Paulo Gabriel e protagonizado pelos atores Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto.  A peça teatral fez temporada em 2025 e recebeu indicação de melhor ator pelo site Arte 8 para Dan Rosseto. A peça se passa na década de 1980 em uma noite de Natal, data em que as pessoas estão mais sensibilizadas e emotivas. 

Os fantasmas, as frustrações e os traumas afloram no protagonista com intensas ideações suicidas. Movido por este ímpeto de dar cabo a sua vida, de dentro da sala de estar da sua casa iremos ver o testemunho fractal de suas memórias em relatos vertiginosos do jornalista Pedro, que já tomado pela depressão, não consegue mais separar com clareza o que é real e o que é ficção. Tomado por um peso enorme sobre si, busca as devidas justificativas para tirar sua vida.

Cenicamente, de um lado, a peça traz à tona as lembranças do protagonista que se traduzem em fragmentos de memória, que misturam realidade e imaginação, distorcidos pelo quadro depressivo já instalado. Neste mosaico de lembranças, Pedro evoca situações com pessoas que passaram e marcaram sua vida, como a sua mãe Odete (Giselle Tigre) e a namorada Carol (Mayara Mariotto). Já no outro extremo, vemos Pedro tentando sair dessa espiral que o congela para a vida. Aos poucos, ele se entrega aos cuidados da terapeuta Susan Helena (Giovana Yedid) que vai trazendo ao seu paciente certa lucidez e entendimento na caminhada de Pedro. Através de dinâmicas da recém-chegada ‘’Constelação Familiar’’ ao Brasil, vai desatando os nós e ressignificando os traumas da sua caminhada.

A peça aborda temas importantes e atuais, como a depressão, que segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde) é o principal fator de risco para o suicídio considerado por especialistas, um dos grandes problemas do século. Outro tema abordado é a saúde mental, a conscientização e expansão da importância do assunto nos dias de hoje e da gama de processos terapêuticos convencionais e não convencionais, como forma de tratamento desses padrões comportamentais.

"Este é um dos trabalhos mais complexos, os temas abordados no texto são profundos, urgentes e necessários. Como ator eu preciso criar conexões com o personagem de forma técnica, para que o jogo cênico aconteça todos os dias e a plateia crie empatia comigo e com o personagem. Fui convidado para este projeto em 2019 e de lá pra cá, estamos tentando encontrar formas de viabilizar que ele acontecesse, por isso a importância de todos os envolvidos”, conta o ator Dan Rosseto.

Ficha técnica
"Pietà - Um Fractal de Memórias"
Texto: Marcelo Novazzi
Adaptação e direção: Paulo Gabriel
Direção de produção: Fabio Camara
Elenco: Dan Rosseto, Giselle Tigre, Giovana Yedid e Mayara Mariotto
Assistente de direção: Giovanna Campanharo, Isabelli Zavarello e Karla Marcon
Assistente de produção: Natália Rabelo
Preparação vocal: Gilberto Chaves
Preparação corporal: Bruna Longo
Figurino e cenário: Fabio Camara
Arquitetura Cênica: Paulo Gabriel
Iluminador: Wagner Pinto e Carina Tavares
Operador de luz: Beto Boing
Operador de som: Sophia Dário
Fotos: Rafa Marques
Assessoria de imprensa: Fabio Camara
Produtora associada: Girassol em Cena Produções e Candeal Produtora
Realização: Applauzo Produções, Lugibi Produções e E!motion Cultural


Serviço
"Pietà - Um Fractal de Memórias" 
SP Escola de Teatro - Unidade Roosevelt, Praça Franklin Roosevelt 210 – Bela Vista. 60 lugares.
De 28 de fevereiro até 15 de março. Sextas e sábados, às 20h30. Domingos, às 18h00.
Outras informações: (11) 3775 8600
Vendas pela internet: https://www.sympla.com.br/eventos?s=piet%C3%A0,%20Um
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia).
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos

.: Vencedor do Festival de Cannes, "Eu, Daniel Blake" está no Sesc Digital


Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o filme vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes no ano de 2016, "Eu, Daniel Blake", de Ken Loach, que expõe com sobriedade e empatia os efeitos da burocracia sobre os mais vulneráveis, numa crítica direta ao desmonte do estado de bem-estar social na Inglaterra.

No longa-metragem, após sofrer um ataque cardíaco e ser desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, Daniel Blake busca receber os benefícios concedidos pelo governo a todos que estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na extrema burocracia instalada pelo sistema, amplificada pelo fato dele ser um analfabeto digital. Numa de suas várias idas a departamentos governamentais, ele conhece Katie, a mãe solteira de duas crianças, que se mudou recentemente para a cidade e também não possui condições financeiras para se manter. Após defendê-la, Daniel se aproxima de Katie e passa a ajudá-la. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Eu, Daniel Blake"
Direção: Ken Loach | Inglaterra | 2016 | 97 minutos | Ficção | 12 anos
Elenco: Dave Johns, Hayley Squires  
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 
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