sexta-feira, 8 de maio de 2026

.: Pianista pernambucano Amao Freitas ganha o prêmio Paul Acket


Por
 Luiz Gomes Otero, jornalista e crítico cultural.

O pianista pernambucano Amaro Freitas foi anunciado como vencedor do Prêmio Paul Acket 2026, uma das mais relevantes distinções do jazz internacional. Concedido anualmente a artistas cuja obra merece maior reconhecimento público por sua excelência e originalidade, o prêmio destaca trajetórias que vêm renovando o cenário do jazz contemporâneo em escala global. Criado em homenagem ao produtor e visionário Paul Acket, o prêmio é entregue durante o NN North Sea Jazz Festival, um dos mais importantes do mundo.

Natural de Recife, Amaro Freitas construiu uma linguagem musical singular, marcada por uma sonoridade crua e profundamente autoral. Sua obra propõe uma leitura fresca e “descolonizada” do jazz brasileiro, na qual dialogam com os elementos da tradição afro-brasileira, da espiritualidade indígena e das culturas populares. Ao entrelaçar com precisão estilos locais com o jazz contemporâneo, o pianista se consolidou como um dos músicos mais surpreendentes e virtuoses de sua geração, convidando o público a experimentar novas possibilidades sonoras.

Com seu mais recente álbum solo, "Y’Y" (2024), o artista presta uma homenagem à Amazônia - o título remete a uma palavra indígena para “água” ou “rio” - e propõe uma escuta atenta e respeitosa da natureza. A obra transita entre momentos de intensidade e contemplação, evocando, em sua primeira parte, as paisagens sonoras da floresta brasileira, e, na segunda, sua abordagem ao jazz contemporâneo. O disco conta ainda com colaborações de nomes como Brandee Younger, Jeff Parker e Shabaka Hutchings, ampliando o diálogo internacional de sua música.

"Baquaqua"

"Dona Eni"

.: Filme “Valor Sentimental”, vencedor do Oscar, em cartaz no Cine Arte Posto 4


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com

Filme que desbancou o premiado longa-metragem brasileiro "O Agente Secreto" no Oscar 2026 na categoria Melhor Filme Internacional, o drama “Valor Sentimental”, novo longa-metragem do cineasta norueguês Joachim Trier, está em cartaz até dia 13 de maio, às 15h00, 17h30 e 20h00, no Cine Arte Posto 4, o cinema localizado na orla da praia de Santos, no litoral de São Paulo. A trama investiga as fissuras emocionais de uma família marcada pela ausência paterna. 

No centro da narrativa está Nora, vivida por Renate Reinsve, atriz de teatro em plena maturidade profissional que se vê obrigada a revisitar conflitos mal resolvidos ao reencontrar o pai, Gustav Borg, interpretado por Stellan Skarsgård, um cineasta outrora celebrado que tenta retomar a carreira com um roteiro inspirado na própria família. 

A recusa de Nora em protagonizar o projeto abre espaço para a entrada de Rachel Kemp, jovem estrela hollywoodiana vivida por Elle Fanning, o que aprofunda ainda mais as tensões entre arte, vaidade e ressentimento. Completam o núcleo principal Inga Ibsdotter Lilleaas, no papel da irmã Agnes, e Anders Danielsen Lie, colaborador frequente do diretor.


“Valor Sentimental” | “Sentimental Value” (título original)
Gênero: drama.
Classificação indicativa: 14 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: inglês.
Direção: Joachim Trier.
Roteiro: Joachim Trier e Eskil Vogt.
Elenco: Renate Reinsve, Stellan Skarsgård, Elle Fanning, Inga Ibsdotter Lilleaas, Anders Danielsen Lie.
Distribuição no Brasil: Retrato Filmes / MUBI.
Duração: 2h13.
Cenas pós-créditos: não.
Em cartaz até dia 13 de maio


Cine Arte Posto 4
Av. Vicente de Carvalho - Gonzaga - Santos/SP
Sessões às 15h00, 17h30 e 20h00
Funcionamento: terça a domingo (fechado às segundas-feiras)
Ingressos a R$ 3,00 (inteira) e R$ 1,50 (meia-entrada). Pagamento somente em dinheiro, temporariamente.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

.: “Luta Pelo Amanhã” usa muay thai para reconstruir relações quebradas


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.

A estreia de "Luta Pelo Amanhã", nesta quinta-feira, dia 7 de maio,  aposta na fisicalidade das artes marciais para narrar uma história que, no fundo, é menos sobre golpes e mais sobre vínculos partidos. Dirigido por Chan Tai-Lee, o longa-metragem distribuído pel A2 Filmes conduz o espectador pelas ruas densas de Hong Kong, onde passado e presente colidem com a mesma intensidade de um ringue.

No centro da narrativa está Shi San-lung, ex-líder do submundo que tenta reconfigurar a própria existência após anos afastado do crime. O reencontro com o filho, no entanto, não oferece redenção imediata: ao contrário, funciona como gatilho para que antigas rivalidades retornem com força, arrastando ambos para um ciclo de violência que parecia encerrado. É nesse contexto que o Muay Thai surge não apenas como ferramenta de combate, mas como linguagem simbólica: cada luta encena aquilo que não foi dito, cada movimento carrega o peso de culpas acumuladas.

Há um esforço evidente do filme em equilibrar o espetáculo físico com um drama familiar que busca densidade emocional. A presença de Patrick Tam, nome veterano do cinema asiático, contribui para dar corpo a esse conflito, sustentando a ambiguidade de um personagem que oscila entre a brutalidade do passado e a tentativa - talvez tardia - de reconstrução afetiva. Em paralelo, a ambientação reforça esse embate: a Hong Kong retratada aqui não é cartão-postal, mas território de tensões, onde tradições e transformações urbanas coexistem de maneira instável.

Curiosamente, produções recentes do cinema de ação asiático têm investido nesse cruzamento entre combate e melodrama, aproximando-se de um modelo que dialoga tanto com o público global quanto com questões locais de identidade e pertencimento. “Luta Pelo Amanhã” se insere nesse movimento ao utilizar o ringue como extensão do espaço doméstico - um lugar onde pai e filho precisam, literalmente, se enfrentar para que qualquer possibilidade de reconciliação exista.

Sem reinventar o gênero, o filme encontra força na maneira como articula seus elementos: a coreografia das lutas, a tensão entre gerações e a ideia de que o futuro, como sugere o título, é sempre uma conquista instável. Ao final, o que permanece não é apenas a memória dos combates, mas a sensação de que algumas batalhas, especialmente as familiares, jamais se encerram por completo. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.


Ficha técnica
“Luta pelo Amanhã” | "Fight For Tomorrow" (título original)
Gênero: ação, drama.
Duração: 101 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2024.
Idioma: cantonês.
Direção e roteiro: Chan Tai-Lee.
Elenco: Patrick Tam, (demais nomes não amplamente divulgados).
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.

.: “Deixando Neverland 2" desafia legado de Michael Jackson e reacende feridas


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.

A estreia de “Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson”, nesta quinta-feira, dia 7 de maio, recoloca no centro do debate público uma ferida que nunca cicatrizou e, ao mesmo tempo, evidencia como o audiovisual contemporâneo tem se tornado um espaço de disputa narrativa tão intenso quanto os tribunais. Dirigido por Dan Reed, o longa-metragem que chega ao Brasil pela A2 Filmes retoma a trajetória de Wade Robson e James Safechuck, agora anos depois do impacto global causado por "Deixando Neverland 1", para acompanhar os desdobramentos judiciais e o peso prolongado das acusações contra Michael Jackson.

Com abordagem direta e sem recorrer a reconstituições dramáticas, o filme investe novamente na força dos depoimentos, ampliando o escopo para além da denúncia inicial e mergulhando nas engrenagens legais que atravancam processos dessa natureza. A narrativa expõe audiências, recursos e entraves jurídicos que, mais do que adiar decisões, revelam o quanto a figura pública de Jackson ainda mobiliza estruturas de defesa institucional e emocional. Ao mesmo tempo, Reed opta por manter o foco nas consequências íntimas: relações familiares tensionadas, traumas persistentes e o custo psicológico de enfrentar uma opinião pública frequentemente hostil.

A nova produção também surge em um contexto simbólico: enquanto cinebiografias e revisões da obra de Michael Jackson voltam a ganhar força na indústria, o documentário atua como contraponto incômodo, tensionando a memória coletiva e questionando a facilidade com que o entretenimento absorve ou silencia controvérsias. Há, inclusive, um dado curioso que atravessa sua trajetória recente: diferentemente do original - que estreou no Festival de Sundance e teve ampla difusão pela HBO -, esta sequência enfrentou dificuldades de distribuição internacional, chegando a ser disponibilizada de forma mais restrita e até considerada insatisfatória pelo próprio diretor em termos de alcance.

Esse deslocamento, longe de diminuir sua relevância, reforça o caráter quase insurgente da obra. Ao escapar dos circuitos tradicionais, “Deixando Neverland 2” se posiciona como um produto que insiste em existir apesar das barreiras, sejam comerciais, jurídicas ou simbólicas. O resultado é um filme que amplia o campo de discussão sobre abuso, poder e memória, reafirmando o documentário como instrumento de confronto e não de conciliação. Locação digital nas melhores plataformas de streaming.


Ficha técnica
“Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson” | "Leaving Neverland 2" | "Deixando Neverland 2: Sobrevivendo a Michael Jackson"

Gênero: documentário.
Duração: 53 minutos.
Classificação indicativa: 16 anos.
Ano de produção: 2025.
Idioma: Inglês.
Direção e roteiro: Dan Reed.
Elenco: Wade Robson, James Safechuck.
Distribuição no Brasil: A2 Filmes.
Cenas pós-créditos: não.
Locação digital nas melhores plataformas de streaming.

.: Manual Crônico: “Sabor média”, a nova e triste receita


Thiago Sobral é escritor. Também publica semanalmente no site 
Minha Arca Literária e no Instagram @thiago.sobral_. É autor do livro "O Pai, a Faca e o Beijo", publicado pela Editora Patuá.

Como não apareço por aqui há algum tempo, penso que a dona de casa esteja com saudade - ou deveria, pelo menos. E, por isso, o paciente leitor há de ouvir, de forma condescendente, as minhas lamúrias advindas do mau trabalho feito pelos padeiros de hoje em dia.

Pois bem. A média pode ser muita coisa. Podemos andar por aí a fazer média com nossos pares. A Matemática nos deu a média aritmética, que tanto custou a entrar em meus miolos. O Direito nos informa sobre o homem médio, que não sei bem pra que serve. E as padarias, universo afora, servem aos clientes a boa e velha média que, para Noel Rosa, não pode ser requentada.

Por aqui, a coisa é diferente. A média de sempre não é média, é pingado, ainda que ali a proporção de leite e café vá além de um simples pingo. Não obstante as diferenças terminológicas, a coisa vai de mal a pior. Veja bem: aqui em nossa província santista (como diz um amigo cronista da região), a média não apresenta estado líquido. Ela é sólida, muito sólida e, hoje em dia, quase um tijolo. E os padeiros… ah, os padeiros! Meu amigo! Eu não sei bem o que está acontecendo com as padarias por aí. Não sei se são todas, mas sei que são muitas.

Talvez o curioso leitor esteja se perguntando o porquê de eu estar metendo o padeiro num assunto sobre média, pois, na prática, não é ele quem prepara e serve a média comum, saboreada por quase todos. Digo quase todos, porque aqui na Baixada não bebemos a média, mas a comemos - ou comíamos, não sei mais… E acabo de me dar conta de que ainda não informei o que é, para nós, a média.

Voilà:

A média aqui é pão. Sim, pão. Aquele pão gostoso, crocante, salgado, composto por apenas quatro ingredientes básicos: farinha de trigo, água, sal e fermento biológico. A boa e velha média, que hoje se tem que buscar à padaria, mas que antes chegava à porta de casa, cedinho, pelas mãos do padeiro, que dizia “não é ninguém, não. É o padeiro”, e nos despreocupávamos da pressa — a não ser que tivéssemos pressa para comê-la quentinha.

Esse mesmo pão, que por aqui se nomeia média, é, em outros lugares, pão de sal, pão francês, cacetinho, pãozinho, pão de trigo, carioquinha, pão careca, pão Jacó, filão, pão de massa grossa, ou o que se queira dizer para nomeá-lo, agora é um ex-manjar dos deuses.

Triste, muito triste…

E a culpa só pode ser dos padeiros. Se não deles, então, dos donos das padocas, que, certamente, seguindo a onda de simplificação na composição dos alimentos, tentam economizar nos ingredientes. Não encontro mais por aqui a boa e velha média, a crocante e saborosa média. Aquela que cabe na boca a cada bocada e faz crec crec durante a manducação. Antes, recebo da moça no balcão uma massa disforme, grande e boluda, que mais se assemelha a um sapo boi.

Indignadamente, protesto contra os padeiros! Abaixo os donos muquiranas das padocas contemporâneas! Sejam honestos e informem nas vitrinas de cada padaria: NESTE ESTABELECIMENTO VENDEMOS PÃO “SABOR MÉDIA”. “Sabor média”, entendeu? Porque média, mesmo, a verdadeira média da Baixada Santista, não existe mais.

Uma pena.

Compre o livro "O Pai, a Faca e o Beijo", de Thiago Sobral, neste link.

.: “12.12: O Dia” reconstrói golpe de 79 e estreia na Reserva Imovision


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.

Representante da Coreia do Sul no Oscar 2025, o filme “12.12: O Dia” (“Seoul Spring”) estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision, nesta sexta-feira, dia 8 de maio, ampliando o alcance de um dos maiores sucessos recentes do cinema sul-coreano. Dirigido por Kim Sung Soo, o longa-metragem é baseado em acontecimentos reais ocorridos em 1979, após o assassinato do presidente Park Chung-hee, episódio que desencadeou uma crise política e militar no país.  A produção reconstrói os eventos que culminaram no chamado golpe de 12 de dezembro, considerado um marco na história contemporânea da Coreia do Sul.

A narrativa acompanha a disputa pelo controle das forças armadas sul-coreanas durante a decretação da lei marcial. De um lado, o comandante Chun Doo-gwang, interpretado por Hwang Jung-min, lidera um movimento para consolidar poder entre oficiais aliados. Do outro, o comandante Lee Tae-shin, vivido por Jung Woo-sung, atua na tentativa de conter o avanço do grupo e preservar a ordem institucional. O elenco conta ainda com Lee Sung-min em papel de destaque, compondo um conjunto de personagens ligados à estrutura militar e política da época.

O roteiro, assinado por Kim Sung Soo com colaboração de Hong In-pyo e Lee Young-jong, estrutura a trama a partir de múltiplos núcleos, retratando diferentes pontos de vista dentro da hierarquia militar.
Selecionado como representante oficial do país para o Oscar 2025 na categoria de Melhor Longa-Metragem Internacional, o filme também alcançou desempenho expressivo nas bilheterias. Com orçamento estimado em cerca de US$ 17 milhões, ultrapassou a marca de US$ 97 milhões em arrecadação global, tornando-se a maior bilheteria da Coreia do Sul em 2023 e um dos maiores sucessos comerciais da história do cinema local.

Entre as curiosidades, destaca-se o fato de que parte dos personagens foi ficcionalizada, embora inspirada em figuras reais, estratégia adotada para viabilizar a construção dramática sem se afastar do contexto histórico. A produção também se diferencia por abordar diretamente um episódio político específico da história sul-coreana, tema menos frequente em obras voltadas ao circuito internacional.


Ficha técnica
“12.12: O Dia” | “Seoul Spring”(título original)
Gênero: Drama, ação. Duração: 2h21min. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2023. Idioma: coreano. Direção: Kim Sung Soo. Roteiro: Kim Sung Soo, Hong In-pyo, Lee Young-jong. Elenco: Hwang Jung-min, Jung Woo-sung, Lee Sung-min. Distribuição no Brasil: Sato Company. Cenas pós-créditos: não.


Assine a Reserva Imovision, streaming com qualidade e inteligência
A equipe do Resenhando.com acompanha os filmes por meio da plataforma de streaming Reserva Imovision, dedicada ao cinema independente e autoral. Para acessar o catálogo completo, conferir novidades e realizar sua assinatura, o aplicativo da plataforma ou o visite o site oficial neste link. A Reserva Imovision reúne filmes e séries cuidadosamente selecionados, ampliando o acesso a obras que valorizam a diversidade cultural, a reflexão e experiências cinematográficas diferenciadas.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

.: "Botão em Flor e o Jardim", onde a memória floresce em afeto


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

Esta é uma obra que será lida com a alma. "Botão em Flor e o Jardim", das autoras Mãe e Filha, como definido na capa do livro (Daniela e Marina Genaro), publicado pela Costelas Felinas Editora, pertence à rara estirpe de obras que transcendem o objeto impresso para se tornarem um relicário sentimental, um jardim de lembranças e monumento íntimo ao amor familiar.

O projeto desta obra já a distingue: uma mãe que, em meio ao cotidiano, percebeu a extraordinariedade das palavras infantis de sua filha e teve a delicadeza de registrá-las. O que poderia parecer apenas singela anotação doméstica revela-se, em um ato de altíssima sensibilidade. Guardar as frases de uma criança é preservar a centelha inaugural da linguagem, é recolher pérolas espontâneas antes que o tempo as dissolva. Daniela, ao anotar os lampejos verbais de Marina, não colecionou apenas frases: colheu auroras. 

Em expressões como: “O teu abraço eu guardei no meu coração” ou “No bolso não, mamãe. Sonho a gente guarda na imaginação”, a infância se apresenta em sua forma mais pura: inventiva, filosófica e terna. O leitor não encontra apenas a menina Marina, mas reencontra a criança universal que um dia habitou em todos nós.

A beleza do livro não reside somente na voz da filha ou no olhar amoroso da mãe. A obra se engrandece pela tessitura familiar que a compõe. O pai participa, além de escrever as orelhas do livro, como presença estruturante, afetuosa e cúmplice; figura que integra o cotidiano e o alicerce emocional dessa narrativa doméstica. Já o avô, ao prefaciar a obra também inscreve sua sensibilidade, amplia o alcance simbólico do livro: mostra que memória e ternura também se herdam, se transmitem, se cultivam entre gerações.

"Botão em Flor e o Jardim" torna-se uma constelação genealógica de afetos. Cada página pulsa como testemunho de que o amor familiar não se limita aos gestos grandiosos, mas se manifesta no detalhe, no riso espontâneo, na frase inesperada, no cuidado silencioso de quem anota para não perder, é um daqueles livros que não se colocam na estante, guardam-se no colo, na memória e no coração.

.: Na Reserva Imovision, “Omen” expõe feridas coloniais e provoca o espectador


Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico cultural, especial para o portal Resenhando.com.

Após anos vivendo na Europa, Koffi retorna à República Democrática do Congo em busca de reconexão com as origens, mas encontra um território marcado por desconfiança, conflitos culturais e feridas históricas ainda abertas. É nesse terreno simbólico e profundamente político que se constrói “Omen” (“Augure”), filme dirigido pelo multiartista congolês Baloji, que também assina o roteiro ao lado de Thomas van Zuylen. O filme estreia nesta quinta-feira, dia 7 de maio, na plataforma de streaming Reserva Imovision

Protagonizado por Marc Zinga, ao lado de Yves-Marina Gnahoua e Marcel Otete Kabeya, o drama acompanha o retorno de um homem que já não pertence completamente nem à Europa, onde viveu, nem ao Congo, de onde saiu. A narrativa parte de um gesto simples, o pagamento de um dote ao pai, para desdobrar tensões familiares e sociais que revelam camadas profundas da experiência pós-colonial africana.

Selecionado para a mostra Un Certain Regard do Festival de Cannes 2023, quando venceu o prêmio Nova Voz, o longa-metragem se destaca não apenas pelo reconhecimento internacional, mas pela forma como articula estética e discurso. Baloji, que construiu carreira na música antes de migrar para o cinema, imprime à obra uma linguagem visual marcada pelo simbolismo e pelo realismo mágico, dialogando com tradições cinematográficas europeias e latino-americanas.

Entre as imagens mais fortes do filme está a raspagem do cabelo de Koffi antes do retorno à África, gesto que sintetiza o apagamento cultural e a desconexão identitária do personagem. Ao chegar a Kinshasa, ele enfrenta acusações de feitiçaria e manifestações físicas interpretadas como possessão, evidenciando o choque entre crenças locais e influências ocidentais - muitas delas herdadas do próprio processo colonial.

Inspirado, segundo o próprio diretor, pela morte do próprio pai, “Omen” também carrega uma dimensão íntima, refletida na busca constante de Koffi por uma figura paterna ausente. Esse vazio ecoa como metáfora das rupturas provocadas pela diáspora africana e pelas imposições históricas da colonização europeia, tema que atravessa o filme com força e complexidade. Ainda que enfrente oscilações narrativas, especialmente na introdução de subtramas que nem sempre se sustentam, o filme se firma como uma obra relevante pela capacidade de provocar e tensionar. 


Ficha técnica
“Omen” | “Augure” (título original)
Gênero: drama
Duração: 1h32
Classificação indicativa: 14 anos
Ano de produção: 2023
Idioma: francês e lingala
Direção: Baloji
Roteiro: Baloji e Thomas van Zuylen
Elenco: Marc Zinga, Yves-Marina Gnahoua, Marcel Otete Kabeya, Lucie Debay, Eliane Umuhire
Distribuição no Brasil: Imovision
Cenas pós-créditos: não


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segunda-feira, 4 de maio de 2026

.: Editora Record relança "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos


Relançado pela Editora José Olympio, o livro "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos é um convite à reflexão sobre dilemas humanos de um dos autores mais populares da poesia brasileira, conhecido como o "Poeta da Morte", e referendado por nomes como Carlos Drummond de Andrade, Otto Maria Carpeaux e Antônio Houaiss

A publicação conta com estudo crítico de Ferreira Gullar, uma das principais referências da fortuna crítica de Augusto dos Anjos e responsável por recuperar o prestígio de sua poesia. A nova edição de "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos contém ainda um caderno de imagens exclusivo, com informações, fotos e documentos da vida do poeta, em sua maioria não reunidos em livro.

Em 1976, Ferreira Gullar – imortal da ABL e vencedor do Prêmio Camões – preparou a presente edição da poesia completa de Augusto dos Anjos e a enriqueceu com um ensaio que foi decisivo para reposicionar o poeta paraibano no imaginário literário brasileiro, destacando-o como criador singular, e não mais como simples escritor excêntrico. Nesse texto, Gullar sustenta: “Há poetas que apenas escreveram alguns poemas […]. E poucos são aqueles que conseguiram realmente criar uma obra poética, um universo poético próprio. Augusto é um destes.”

Além do estudo crítico de Ferreira Gullar, esta edição conta também com um caderno de imagens que reúne informações, fotos e documentos ainda pouco conhecidos, e capazes de recuperar, para os leitores de hoje, a figura e a vida de Augusto dos Anjos. Caso raro de poeta erudito na forma e popular no alcance, Augusto dos Anjos, autor do poema “Versos íntimos”, aborda poeticamente o cotidiano sob uma perspectiva crua e visceral. Em Eu, seu único livro publicado em vida, a deterioração da matéria e o escatológico ganham uma face sublime, e a morte – científica, inevitável e ao mesmo tempo benquista – se apresenta com extrema materialidade.

A indiscutível força literária de Augusto dos Anjos o aproxima de poetas como Edgar Allan Poe e Charles Baudelaire, com os quais o brasileiro dialoga ao combinar motivos polêmicos e sonoridades impressionantes. Todos introduziram, cada qual em seu país, uma temática centrada na dor universal: solidão, amargura, crise existencial e perplexidade diante das injustiças da vida. Além disso, as referências autobiográficas e o contexto político são fundamentais para a obra augustiana, cujo desalento, melancolia e técnica incomodaram a crítica por muito tempo. Compre o livro o livro "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos  neste link. 


O que disseram sobre as poesias de Augusto dos Anjos

“A leitura do 'Eu' foi para mim uma aventura milionária. Enriqueceu minha noção de poesia. Vi como se pode fazer lirismo com dramaticidade permanente, que se grava para sempre na memória do leitor. Augusto de Anjos continua sendo o grande caso singular da poesia brasileira.”
– Carlos Drummond de Andrade

[O] poeta em quem estraçalhado e desamparado amor da Vida, cuja visão lhe pareceu dever ser unitária e conspectiva, o levou a anteviver a Morte como tão seu necessário complemento, que seria impossível dissociar uma da outra.” – Antônio Houaiss


Sobre os autores
Augusto dos Anjos (Engenho Pau d’Arco/PB, 1884 – Leopoldina/MG, 1914) foi escritor, poeta e professor. Aos 17 anos, publicou seus primeiros poemas no jornal paraibano O Commercio. Em 1912, lançou em edição particular Eu, seu único livro publicado em vida.

Ferreira Gullar (São Luís/MA, 1930 – Rio de Janeiro/RJ, 2016) foi escritor, poeta, dramaturgo, crítico de arte e tradutor. Laureado com o Prêmio Camões em 2010, é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira. Foi nome proeminente do movimento neoconcreto e autor de obras imensuráveis, como Poema sujo e Dentro da noite veloz. Personalidade atuante na oposição à ditadura civil-militar, foi perseguido e preso. Em 2014, foi eleito para a cadeira no 37 da Academia Brasileira de Letras. Garanta o seu exemplar de "Toda Poesia" de Augusto dos Anjos  neste link. 

.: Beth Goulart retorna a São Paulo com "Simplesmente Eu, Clarice Lispector"


Beth Goulart, que dirige e protagoniza o premiadíssimo espetáculo, dá continuidade às comemorações da sua carreira que completa 52 anos. Foto: Fabian

Assistido por mais de 1.300.000 de pessoas em 298 cidades do país, "Simplesmente Eu, Clarice Lispector", de Beth Goulart, que assina concepção, adaptação, interpretação e direção após 16 anos retorna a São Paulo com estreia no dia 8 de maio no Teatro Moise Safra e exposição inédita, a Mostra Entre Ela e Eu, sobre a concepção do espetáculo. A temporada paulistana acontece de sexta a domingo e terá duas sessões extras para Rede de Apoio, para as mães, nos dias 10 de maio e 13 de junho.

O monólogo premiado é um mergulho profundo na vida, obra e mistério de Clarice Lispector, uma das vozes mais revolucionárias da literatura brasileira. No palco, a palavra de Clarice ganha corpo e presença, revelando a autora que nos ensinou a olhar para dentro e a sentir a intensidade da existência. Porque Clarice não se explica, se sente. O espetáculo feito para todas as gerações, com espectadores de 12 a 80 anos. Em 2025, em diversas temporadas no Rio de Janeiro, e apresentações pelo Brasil, foram mais de 100 apresentações, com mais de 55.490 espectadores, sendo 22.196 jovens.

“Retornar para São Paulo com 'Simplesmente Eu, Clarice Lispector' é chegar com a obra de Clarice para novas pessoas e alimentar sua literatura com os jovens, que já estão encantados com a autora. Levar Clarice como arte viva no palco é uma experiência de troca que só o teatro é capaz de nos oferecer. Estou muito grata e feliz por voltar com o espetáculo na cidade de São Paulo, onde iniciei minha carreira de atriz”, reflete Beth Goulart.

Mais que teatro, a montagem se tornou um fenômeno cultural. Ao longo de 16 anos de estrada, consolidou-se como um marco na difusão da literatura de Clarice, aproximando novas gerações da sua obra e reafirmando a força da palavra no teatro brasileiro. O retorno a São Paulo celebra essa trajetória e a permanência de Clarice como literatura viva. E a Mostra Entre Ela e Eu amplia a experiência do público e propõe um diálogo visual com o universo clariceano.

"Simplesmente Eu, Clarice Lispector" teve sua estreia em 2009, após uma jornada de dois anos de pesquisa e seis meses de preparação, quando Beth Goulart mergulhou profundamente na obra de Clarice Lispector para criar este espetáculo que explora temas como amor, vida, morte, criação, Deus, cotidiano, palavra, silêncio, solidão, entrega, inspiração, aceitação e entendimento.

Criado a partir de depoimentos, entrevistas e correspondências de Clarice Lispector, assim como fragmentos de suas obras mais emblemáticas, como "Perto do Coração Selvagem", "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres", e os contos "Amor" e "Perdoando Deus", que se constrói a narrativa de “Simplesmente eu, Clarice Lispector”. Beth entrelaça a autora e as vozes de quatro personagens femininas, Joana, Lori, Ana e mulher sem nome, que representam diferentes momentos da vida e do pensamento de Clarice. A cenografia minimalista e a iluminação, meticulosamente desenhada, criam um espaço onírico, onde a autora e suas personagens dialogam sobre o mistério da existência.

“'Simplesmente Eu, Clarice Lispector é uma ode ao amor, o sentimento mais presente e importante da obra de Clarice Lispector e, também, o mais sublime do ser humano”, declara Beth Goulart. A montagem conta com um time de renomados parceiros artísticos. A trilha sonora original de Alfredo Sertã, inspirada em compositores como Erik Satie, Arvo Pärt e Astor Piazzolla, guia a atmosfera sensorial da obra. 

A iluminação de Maneco Quinderé e a direção de movimento de Márcia Rubin, assim como a preparação vocal conduzida por Rose Gonçalves, adicionam camadas de expressividade à encenação. O cenário, assinado por Ronald Teixeira e Leobruno Gama, evoca um vazio branco, que acolhe e transforma o espaço cênico com a luz e os movimentos da atriz. Amir Haddad assina a supervisão do trabalho da atriz. O figurino de Beth Filipecki reforça a elegância e simplicidade de Clarice e seus personagens. Com visagismo de Westerley Dornellas e uma programação visual elaborada por Carol Vasconcellos.

Em "Simplesmente Eu, Clarice Lispector", a essência da literatura de uma das mais importantes escritoras do século XX, dona de uma obra que cruza fronteiras geográficas e de gênero, busca encontrar o entendimento do amor, de seu universo, suas dúvidas e contradições. Clarice Lispector redefiniu a literatura brasileira com uma escrita que transforma o cotidiano em epifania. “Simplesmente Eu, Clarice Lispector” honra esse legado ao transportar do papel para o palco a densidade, a delicadeza e o mistério de sua obra. Em cena, o público encontra não uma biografia, mas um estado de alma: o encontro com a própria humanidade através das palavras de Clarice. "Simplesmente eu, Clarice Lispector" continua a emocionar o público e, também, a fomentar a leitura. Para isso, após cada apresentação, Beth Goulart realiza o sorteio de livro da obra de Clarice Lispector.

Clarice Lispector conversa com o público sendo ela mesma e suas personagens, quatro mulheres que, para Beth Goulart, representam as várias facetas de Clarice: Joana, que representa impulso criativo selvagem de “Perto do Coração Selvagem”; Ana, do conto “Amor”, que representa a fase da autora dedicada ao marido e aos filhos; Lori, da obra “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres, uma professora primária que se prepara para descobrir e se entregar ao amor; e uma personagem sem nome do conto "Perdoando Deus, com sua ironia, inteligência e humor.


Serviço
Espetáculo "Simplesmente Eu", Clarice Lispector, de Beth Goulart
Estreia: 8 de maio de 2026 | sexta-feira | 20 horas
Local: Teatro Moise Safra - São Paulo
Temporada: de 8 de maio a 28 de junho de 2026
Horários: Sexta, às 20h00 | Sábado e domingo, às 19h00
Sessões de Rede de Apoio para as mães: 10 de maio (domingo, Dia das Mães) e 13 de junho (sábado), às 11h00
Endereço: Rua Prof. Walter Lerner, 315 (antiga Rua Inhaúma), Barra Funda / São Paulo
Ingressos: R$120,00 (inteira), R$60,00 (meia-entrada) e R$50,00 (social)
Vendas: bilheteria do Teatro Moise Safra, nos dias do espetáculo, uma hora antes da sessão.
Sympla:  https://bileto.sympla.com.br/event/119583
Telefone: +55 11 96892-4562
Duração: 60 minutos
Classificação: 12 anos
Capacidade: 420 lugares


Ficha técnica
Espetáculo "Simplesmente Eu", Clarice Lispector, de Beth Goulart
Texto: Clarice Lispector
Adaptação, interpretação e direção: Beth Goulart
Supervisão: Amir Haddad
Gênero: espetáculo-poema
Iluminação: Maneco Quinderé
Operadora de luz: Diana Cruz
Trilha sonora original: Alfredo Sertã
Operador de Som: Paulo Mendes
Figurino: Beth Filipecki
Camareira: Flávia Cotta
Cenografia: Ronald Teixeira e Leobruno Gama
Diretor de Cena: Guaraci Ribeiro
Direção de Produção: Pierina Morais
Assessoria de imprensa: Silvana Cardoso E. Santo - Passarim Comunicação
Realização: Self Produções Artísticas LTDA

.: CineSesc 2026 homenageia Zezé Motta


Projeto do Sesc reúne produções nacionais e internacionais em temas que trazem memória, ancestralidade, família e diversidade cultural. Foto: divulgação

Uma das artistas mais completas e influentes do Brasil, Zezé Motta é a grande homenageada do CineSesc 2026. Quatro filmes protagonizados pela atriz compõem o acervo do projeto, dentro do recorte Retrospectiva Brasil, que celebra grandes nomes do cinema brasileiro. Entre eles, o icônico "Xica da Silva" (1976), papel que lhe rendeu os principais prêmios do cinema nacional. No total, o CineSesc licenciou este ano 50 obras cinematográficas para serem exibidas gratuitamente nas salas de cinema da Instituição até dezembro.

“A decisão de homenagear a Zezé Motta e sua carreira de seis décadas de atuação, marcada por talento, versatilidade e engajamento social, reafirma o compromisso do Sesc com a valorização de trajetórias que transformaram a cultura brasileira e abriram caminhos para novas gerações”, afirma o gerente interino de Cultura do Departamento Nacional do Sesc, Leonardo Minervini.

O catálogo do CineSesc 2026 reúne lançamentos premiados do cinema brasileiro contemporâneo até produções independentes autorais, além filmes de países como Cuba, Estados Unidos, França, Finlândia e Bélgica. O acervo também explora temas como ancestralidade, terror e longevidade, além de um recorte com sete produções voltadas ao público infantojuvenil.

São alguns destaques da programação: o “Auto da Compadecida 2”, com Matheus Nachtergaele e Selton Melo reprisando os papéis de João Grilo e Chicó, “Que Horas Ela Volta?”, estrelado por Regina Casé, “Meu Pé de Laranja Lima”, um clássico da literatura brasileira, “Malu”, premiado no Sundance Film Festival 2024, e “Meu bolo favorito”, dos diretores iranianos Maryam Moghadam e Behtash Sanaeeha, que explora as temáticas da solidão na terceira idade e repressão do regime fundamentalista islâmico sobre as mulheres.

.: Crônica: os lamentos da perda do que não faz parte do gosto da massa santista


Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em maio de 2026


Lamentos pela perda de mais um espaço cultural em Santos pipocando nas redes sociais. Contudo, acaba sendo irônico que enquanto lá estava, a mesma "adoração" não era nada externada. Eis a verdadeira face do santista de não ser chegado em cultura como gosta de se pintar.

É sabido que o ingresso de cinema não é tão acessível, mas para quem realmente ama, as chances de desfrute de puro entretenimento, num espaço novo e muito bem cuidado, vinham nas recorrentes promoções ou até no "todo mundo paga meia".

A verdade é que quando se diz algo sem ser, lamenta-se somente quando a perda acontece -e informada por terceiros. 

Ainda que surja a dúvida de que tal comportamento possa mudar, fica o gosto amargo por sabermos bem a resposta. Um sonoro: Não! Afinal, numa região litorânea com o comércio totalmente voltado para o consumo de bens e com as praias para glamourizar em fotos e vídeos curtos, socializar em salas em que se exige concentração e silêncio por no mínimo 1 hora, acaba sendo um exercício um tanto que complicado.

Enquanto se cultua fervorosamente o ter e não o ser, desprezando em massa o conhecer, ao acrescentar desculpas diversas para a falta de interesse, perde-se um cinema de qualidade. Agora resta torcer para que o povo praia-grandense faça valer o que vem por aí!


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Instagram: instagram.com/maryellen.fsm


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