terça-feira, 23 de junho de 2026

.: Crítica: "Toy Story 5" aborda realidade provocando a emoção do público

Cartaz de "Toy Story 5"

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora do Resenhando.com

Em junho de 2026


Quem poderia imaginar que a história dos brinquedos do pequeno Andy ganhariam tantos capítulos, ou melhor, tantos desdobramentos a ponto de ter cinco sequências? Eis que em junho de 2026 nas telas de cinema está em cartaz "Toy Story 5" presenteando o público com duas cenas pós-créditos. Uma que funciona como complemento do desfecho, enquanto que a última é uma número musical dos brinquedos.

Sem Andy, toda a história acontece em torno da pequena Bonnie, a garotinha que herdou todos os brinquedos do jovem que foi para universidade. Ainda encantada como o universo da imaginação, ela cria situações diversas, mas quando tenta um contato com os irmãos gêmeos da casa vizinha, é tomada pela timidez.

Assim, a vaqueira Jessie segue como a dona do coração da menina que também faz a boneca ser par romântico do astronauta Buzz Lightyear (é bom se preparar para uma invasão massiva do herói, gerando boas sequências e risadas). Sem amigos e muito envergonhada, surge uma tábua de salvação para que Bonnie crie elos com seus amigos: o eletrônico Lilypad, um tablet tecnológico que acaba assumindo o posto de vilã da trama.

Contudo, "Toy Story" mergulha na realidade do isolamento social em que todos se "conhecem" sem se ver e realmente conversar, reforçando o quanto Bonnie continua sem amigas mesmo tendo uma Lilypad e passando por uma festa do pijama com as meninas que nunca lhe deram bola. Em tempo, a cena de Bonnie mostrando o tablet para as "amigas" faz lembrar a de Lilo mostra a Xepa para as garotas em "Lilo & Stitch". Embora sejam situações distintas, o desinteresse das meninas pela garotinha e seu item termina quase que igual.

Desta vez, o foco da trama de "Toy Story" está no isolamento e o medo do abandono, refletido não somente em Bonnie, mas também em Jessie. Aliás, o peso da carga emocional vem também da vaqueira que recorda da primeira dona, a garota Emily. Por obra do destino, a boneca faz um volta ao passado que  agora está alterado e um pouco modernizado. No entanto, tal arco na trama se faz importante para  que Bonnie alcance o maior objetivo: fazer amizade.

Com o vibrante e encantador colorido Disney "Toy Story 5" emociona ao entrelaçar a história de Bonnie e Jessie, resgata Woody e Betty Bop para dar uma forcinha e solucionar um problema, traz o Garfinho agora casando, enquanto insere novos personagens, como por exemplo, o incrivelmente divertido Amigo Rolinho e, com sabedoria faz refletir ao chamar a atenção do público a respeito das conturbadas e distantes relações atuais. Imperdível!


"Toy Story 5" (Toy Story 5). Gênero: Animação, Comédia e Aventura. Direção: Andrew Stanton e McKenna Harris. Roteiro: Andrew Stanton e McKenna Harris. Duração: 1h 40 minutos. Classificação Indicativa: 6 anos. Distribuição: Walt Disney Pictures. Elenco: Woody: Tom Hanks (EUA) / Marco Ribeiro (BR), Buzz Lightyear: Tim Allen (EUA) / Guilherme Briggs (BR), Jessie: Joan Cusack (EUA) / Mabel Cezar (BR), Lilypad (O Tablet - Vilã): Greta Lee (EUA) / Maisa Silva (BR), Amigo Rolinho: Conan O'Brien (EUA) / Rafael Infante (BR). Sinopse: O trabalho de Buzz, Woody, Jessie e do resto da turma fica exponencialmente mais difícil quando eles enfrentam uma nova ameaça na hora da brincadeira.

Trailer de "Toy Story 5"




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.: Crônica: apresentação da modalidade filha à distância

Por: Mary Ellen Farias dos Santos

Em junho de 2026


Em tempos de postar a vida na internet fica difícil entender atitudes alheias, principalmente quando se sabe que o outro tem uma pessoa idosa para cuidar. A verdade é que pouco antes da pandemia fui testemunhando uma modalidade um tanto que curiosa, por ser "à distância".

Não abordo aqui o ensino à distância, modalidade de educação mediada por tecnologias em que alunos e professores não precisam estar no mesmo espaço físico ou tempo. Afinal, na época da pandemia, tal forma de estudo foi a única saída para contornar a proibição de aglomeração.

A verdade é que em pleno 2026 testemunho a modalidade filha à distância no seu mais alto grau, tendo no foco uma idosa de 93 anos. De fato, fazer a leitura do "tô nem aí" chega a ser algo assombroso e inimaginável, mesmo acontecendo diante de seus olhos.

Com toda a distância agarrada como desculpa perfeita para a fuga do que se espera de alguém que se diz e se mostra como muito cristão, a devolutiva é de um choroso "eu te amo" para um idoso que segue sem nem mesmo uma visita desta, há mais de um ano. 

De nada adianta enviar áudio com desculpas e choro como resposta para a outra filha que suporta o trato diário sem que a irmã contribua, mesmo com muitos meses de insistentes pedidos de divisão no trato daquela que também é mãe das duas.

Outro ponto assustador de toda a situação é descolamento da realidade em que a mamãe de 93 anos enfrenta. No imaginário e fotos antigas postadas, retratam a seus "amigos virtuais" uma mulher totalmente distinta, inclusive sem dificuldade de locomoção e, claro, independente.

Enquanto cantam louvores e posam para fotos nas redes sociais, ao telefone choram miséria, restando a quem está ao lado da idosa, total indignação diante de tamanho trabalho que resta apenas para uma filha, embora sejam duas. 

Eis a modalidade filha à distância.


.: "Mamma Mia!" reestreia temporada no BTG Pactual Hall após imenso sucesso


Sucesso em dezenas de países e um dos mais conhecidos musicais da Broadway, espetáculo reestreia 18 de junho. Liderado por Claudia Netto, Totia Meireles e Gottsha, elenco dá voz a hits como "Dancing Queen", "Mamma Mia!", "Volez-Vous" e "The Winner Takes it all"

A nova versão brasileira de "Mamma Mia!" estreou em 2023 e comprovou o fenômeno popular deste musical que foi lançado em 1999, em Londres, e se transformou em um dos espetáculos mais bem-sucedidos de todos os tempos, traduzido em 14 idiomas e alcançando 42 milhões de espectadores ao redor do mundo. Criado a partir do cancioneiro repleto de hits do grupo ABBA, o musical teve mais de 100 mil espectadores por aqui e esá em cartaz até dia 12 de julho no BTG Pactual Hall, em São Paulo. 

A montagem é assinada por Charles Möeller & Claudio Botelho, em um projeto que selou o reencontro da dupla com a produtora Aventura, de Aniela Jordan e Luiz Calainho. "‘Mamma Mia!’ é um espetáculo icônico e atemporal. Um musical que emociona e convida a plateia a cantar e dançar conosco", vibra Aniela Jordan.

"Nunca vou esquecer da sensação de catarse que tive quando vi ‘Mamma Mia!’ em Londres, há muitos anos atrás. Estava muito frio lá fora, mas dentro do teatro estava todo mundo naquele calor da Grécia, uma plateia em êxtase, é realmente contagiante", diz Charles Möeller, que ressalta a excelência e a absoluta pertinência do texto do musical.

"Mamma Mia!" se passa em uma ilha grega e conta a história de Sophie, uma jovem que está prestes a casar e convida três ex-pretendentes de sua mãe para o evento, na tentativa de desvendar o mistério que ronda a sua paternidade. É neste clima de romance e comédia em que aparecem as conhecidíssimas cançoes do ABBA, como "Dancing Queen", "Mamma Mia", "The Winner Takes it All", "Money, Money, Money", entre muitas outras.

Formado por mais de 20 artistas, o elenco traz de volta o trio das "dínamos" formado por Claudia Netto (a protagonista Donna, mãe de Sophie), Totia Meireles e Gottsha, que interpretam Tanya e Rose, amigas de uma vida inteira.

 
Serviço
Espetáculo "Mamma Mia!"
Até  dia 12 de julho de 2026
Horários: quintas-feiras. às 20h00, sextas-feiras, às 20h00, sábados, às 16h00 e às 20h00, domingos, às 15h00
Local: BTG Pactual Hall
Endereço: Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 – Santo Amaro / São Paulo
Ingressos: a partir de R$ 25,00

.: BTG Pactual Hall reúne grandes nomes da comédia brasileira em temporada


Programação reúne teatro, stand-up, improviso, humor de personagens e fenômenos da internet, consolidando o espaço como um dos principais palcos da comédia em São Paulo. Nesta semana, dias 25 e 26, tem o espetáculo "Embrulha pra Viagem", um dos maiores fenômenos do humor brasileiro na internet. No dia 27, o ator e humorista Lucas Salles apresenta "Graças a Deus, Eu Tô Vivo!". Foto: divulgação


O humor será o grande protagonista da programação do BTG Pactual Hall nos meses de junho e julho. Reunindo artistas de diferentes gerações, estilos e linguagens, a Temporada Humor apresenta um panorama da comédia brasileira contemporânea, passando pelo teatro, stand-up comedy, humor de personagens, improvisação e espetáculos que nasceram na internet e conquistaram os palcos de todo o país. 

Ao longo de dois meses, o público poderá conferir atrações estreladas por nomes como Lucas Salles, Octávio Mendes, Amanda Mirásci, Victor Camejo, Marcelo Laham, Maurício Barros, Willians Mezzacapa e artistas da cena drag nacional, consolidando o BTG Pactual Hall como um dos principais destinos da comédia em São Paulo. 

Fenômeno da internet que conquistou os palcos, nos dias 25 e 26 de junho tem o espetáculo "Embrulha Pra Viagem", estrelado por Marcelo Laham, Maurício Barros e Willians Mezzacapa. Nascido no ambiente digital, o grupo se tornou um dos maiores fenômenos do humor brasileiro na internet, acumulando mais de 1,2 milhão de inscritos no YouTube e mais de 500 milhões de visualizações.  

A versão teatral já passou por mais de 50 cidades brasileiras, soma mais de 90 apresentações e levou cerca de 50 mil espectadores aos teatros do país. No palco, o trio interpreta mais de 20 personagens em um espetáculo marcado por improvisos, trocas rápidas de figurino e personagens que se tornaram conhecidos do grande público.  

Fechando junho com humor e sobrevivência, no dia 27, o ator e humorista Lucas Salles apresenta "Graças a Deus, Eu Tô Vivo!", espetáculo que combina stand-up comedy e narrativa teatral para transformar experiências de quase morte em histórias divertidas e inspiradoras. A montagem propõe uma reflexão leve e bem humorada sobre medo, vulnerabilidade e superação. 

Julho mantém o ritmo e amplia a diversidade da programação .A temporada continua em julho reunindo diferentes estilos de humor e alguns dos personagens mais conhecidos do teatro e da internet. No dia 3 de julho, o ator Octávio Mendes apresenta "Irmã Selma", espetáculo que se tornou um clássico da comédia brasileira. Criada há mais de duas décadas, a irreverente freira reúne em cena diversos personagens interpretados por Mendes e continua conquistando novas gerações de espectadores. 

Nos dias 11 e 12 de julho, a atriz, roteirista e humorista Amanda Mirásci apresenta o espetáculo "A Autoestima do Homem Hétero", um dos fenômenos recentes da cena teatral paulistana. Idealizado, escrito e protagonizado pela artista, com direção de Martha Nowill, o monólogo parte de uma provocação tão absurda quanto familiar: e se fosse possível transformar a inabalável autoconfiança dos homens héteros em uma pílula capaz de ser distribuída às mulheres? 

Misturando stand-up, teatro e observação social, a montagem constrói uma sátira afiada sobre autoestima, relações afetivas e comportamentos masculinos que seguem naturalizados na sociedade. O sucesso de público foi imediato. Inicialmente prevista para encerrar temporada em agosto, a peça ganhou duas prorrogações consecutivas e permaneceu em cartaz até outubro no Teatro Uol, consolidando-se como um dos títulos de maior repercussão da nova dramaturgia cômica brasileira. 

Entre os dias 17 e 19 de julho, o BTG Pactual Hall recebe "Ordinários", espetáculo da premiada Cia. LaMínima, referência nacional na mistura entre teatro físico, comicidade e linguagem circense. A trama acompanha três soldados encarregados de uma missão aparentemente simples: invadir território inimigo para resgatar um superior. O problema é que nenhum deles parece minimamente preparado para a tarefa. Entre um aspirante a herói, um atrapalhado incurável e um covarde que deseja abandonar a missão antes mesmo de começá-la, a guerra se transforma em uma sucessão de situações absurdas e hilárias. 

Criado pelos atores Fernando Paz, Fernando Sampaio e Filipe Bregantim em  parceria com o diretor Álvaro Assad e o dramaturgo Newton Moreno, o espetáculo estreou em 2018 e se tornou um dos trabalhos mais celebrados da companhia. Combinando palhaçaria, pantomima, teatro físico e elementos do circo contemporâneo, a montagem cria um delicado equilíbrio entre humor e reflexão, transformando os horrores da guerra em uma narrativa repleta de poesia, humanidade e crítica social. 

Já no dia 24 de julho, os humoristas Victor Camejo, Rominho Braga e Osmar Campbell apresentam "Em Pé na Rede", espetáculo que reúne alguns dos nomes mais populares da nova geração da comédia nacional e das plataformas digitais. Encerrando a temporada, no dia 25 de julho, o palco recebe "Desculpe o Transtorno", espetáculo protagonizado pelas drag queens Valenttini, Alexia Twister e Thelores, que mistura humor, improvisação, cultura pop e performances para celebrar a diversidade em uma noite de muito entretenimento. 


Serviço
Temporada Humor - BTG Pactual Hall
Rua Bento Branco de Andrade Filho, 722 - Santo Amaro / São Paulo
Ingressos: https://site.bileto.sympla.com.br/btgpactualhall/ 

Junho
"Embrulha Pra Viagem"

Dias 25 e 26 de junho  

"Graças a Deus, Eu Tô Vivo!", com Lucas Salles
Dia 27 de junho  


Julho
"Irmã Selma", com Octávio Mendes
Dia 3 de julho  

"A Autoestima do Homem Hétero", com Amanda Mirásci 
Dia 11 e 12 de julho  

"Ordinários", com Cia. LaMínima 
Dias 17 a 19 de julho  

"Em Pé na Rede"
Dia 24 de julho  

"Desculpe o Transtorno"
Dia 25 de julho 

segunda-feira, 22 de junho de 2026

.: Clássico, "O Império dos Sentidos" reacende debate sobre sexo e poder


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

Entre os filmes mais vistos da plataforma de streaming Reserva Imovision, o drama erótico “O Império dos Sentidos” ainda testa os limites do olhar. Lançado originalmente em 1976, o filme dirigido por Nagisa Ôshima volta vem sendo redescoberto pela nova geração e confirma a vocação de colocar os espectadores em um lugar incômodo. Ambientado no Japão de 1936, o longa-metragem acompanha Sada Abe (Eiko Matsuda), ex-prostituta que passa a trabalhar como empregada na hospedaria de Kichizō Ishida (Tatsuya Fuji). A relação entre os dois cresce rápido, alimentada por desejo, posse e um impulso que não encontra freio. O que poderia ser apenas mais uma história de paixão se transforma em um mergulho radical na obsessão, conduzido até um desfecho que a própria história real já havia tornado célebre.

Ôshima, figura central da nouvelle vague japonesa, concebeu o projeto em parceria com o produtor francês Anatole Dauman, conhecido por trabalhos com Alain Resnais e Jean-Luc Godard. A coprodução entre Japão e França foi a saída encontrada para contornar a censura japonesa, que à época impunha cortes severos à representação do corpo e da sexualidade. Filmado no Japão e finalizado na França, o longa chegou ao público sem fazer nenhum tipo de concessão, o que explica tanto a notoriedade do filme quanto a série de proibições que a produção enfrentou ao redor do mundo.

A repercussão em Cannes, em 1976, dá a medida do impacto. A procura foi tamanha que o festival organizou sessões extras para dar conta do público. A curiosidade vinha acompanhada de escândalo: tratava-se de um filme com cenas de sexo explícito integradas à narrativa, algo raro no circuito de prestígio. Nos anos seguintes, “O Império dos Sentidos” seria banido em diversos países, enquanto outros o liberariam pouco depois, já sem cortes. No Japão, o próprio Ôshima enfrentou um processo judicial, encerrado apenas em 1982, com a absolvição dele.

O roteiro, também assinado por Ôshima, parte de depoimentos reais de Sada Abe, registrados pela polícia, e de relatos que circularam após o crime. A escolha dá ao filme uma base documental que contrasta com a encenação rigorosa. Cada gesto, cada repetição, cada deslocamento entre os corpos é pensado como parte de uma construção dramática que dispensa ornamentos. O diretor elimina distrações e concentra a ação em poucos espaços, criando um clima de confinamento que acompanha a escalada da relação.

Eiko Matsuda, vinda do teatro experimental, sustenta o filme com uma presença que oscila entre fragilidade e domínio. A personagem dela conduz o ritmo da relação, deslocando o eixo tradicional do olhar no cinema erótico. Tatsuya Fuji, por sua vez, compõe um parceiro que se entrega por completo, num jogo que se intensifica a cada cena. O que se vê é a insistência de um desejo levado até as últimas consequências.

A fotografia e o uso das cores dialogam com tradições visuais japonesas, especialmente o teatro kabuki. Tons de vermelho atravessam figurinos e objetos, marcando o ambiente e sugerindo uma tensão constante. Cada elemento parece colocado para amplificar o que está em cena. Reduzir “O Império dos Sentidos” a rótulos simplistas empobrece a experiência. O filme se constrói como um estudo sobre controle, entrega e destruição, articulando corpo e poder de maneira direta e que ainda desafia convenções e incomoda expectativas.

Quase cinquenta anos depois, a obra mantém sua capacidade de dividir plateias. Há quem veja ali um marco do cinema moderno; há quem rejeite o filme pela forma como expõe seus personagens. Entre uma reação e outra, permanece um trabalho que insiste em ser visto, discutido e reavaliado — e que, ao reaparecer em circuito, reafirma a força de um cinema que não se acomoda.

Ficha técnica
“O Império dos Sentidos” | “Ai no Korîda” (título original)
Gênero: drama erótico. Duração: 109 minutos. Classificação indicativa: 18 anos. Ano de produção: 1976. Idioma: Japonês. Direção: Nagisa Ôshima. Roteiro: Nagisa Ôshima. Elenco: Eiko Matsuda, Tatsuya Fuji, Aoi Nakajima, Yasuko Matsui, Meika Seri, Taiji Tonoyama. Distribuição no Brasil: Imovision (catálogo e relançamentos). Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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.: Suspense de 1956, "A Sombra" retorna para provocar novas leituras


Por
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Produzido durante o chamado “degelo” político na Polônia, quando a censura afrouxava discretamente, “A Sombra” encontrou terreno para lidar com temas delicados. O filme chega à plataforma de streaming Belas Artes À La Carte como um título que precisa ser redescoberto. Dirigido por Jerzy Kawalerowicz e escrito por Aleksander Ścibor-Rylski, o longa-metragem polonês de 1956 parte de um corpo lançado de um trem para construir um enigma difícil de ser decifrado. A investigação conduzida por policiais, agentes de segurança e um legista se fragmenta em três versões, situadas em momentos distintos: a Segunda Guerra Mundial, o imediato pós-guerra e a Polônia dos anos 1950. O filme, que tem no elenco os atores Zygmunt Kęstowicz, Adolf Chronicki e Tadeusz Jurasz, organiza o suspense a partir de relatos que se contradizem e se contaminam. Cada depoimento desloca o espectador, que passa a lidar com identidades instáveis e intenções ambíguas. 

A estrutura lembra o jogo de perspectivas popularizado por “Rashomon”, de Akira Kurosawa, mas Kawalerowicz prefere expandir o dispositivo: em vez de revisitar um único acontecimento, ele costura histórias que ecoam entre si, criando uma espécie de mosaico moral. A pergunta sobre quem foi o homem morto se transforma, aos poucos, em outra: o que define alguém em um cenário de vigilância, medo e lealdades frágeis? A câmera de Jerzy Lipman aposta em enquadramentos fechados e ângulos baixos, valorizando rostos tensos e ambientes carregados. O filme avança com movimento, perseguições e sequências envolvendo trens que imprimem ritmo e risco. Em algumas dessas cenas, os próprios atores dispensaram dublês.

Críticos da época reagiram com desconfiança ao retrato de um mundo povoado por agentes secretos e inimigos invisíveis, leitura que dialogava com o imaginário do stalinismo. O filme, no entanto, segue por outra via e expõe a fragilidade das certezas: heroísmo e traição mudam conforme o ponto de vista. Exibido no Festival de Cannes de 1956, o longa-metragem integra o movimento conhecido como Polish Film School, responsável por renovar a linguagem cinematográfica no país ao abordar as consequências da guerra com maior liberdade estética e densidade moral. Kawalerowicz, que mais tarde assinaria obras como “Madre Joana dos Anjos” e “Faraó”, já demonstrava aqui um domínio formal que chamaria atenção fora da Polônia, ainda que a filmografia dele permaneça menos difundida do que merece.


Ficha técnica
“A Sombra” | "Cień" (título original)
Gênero: drama, ação, suspense. Duração: 98 minutos. Classificação indicativa: não informada.
Ano de produção: 1956. Idioma: polonês. Direção: Jerzy Kawalerowicz. Roteiro: Aleksander Ścibor-Rylski. Elenco: Zygmunt Kęstowicz, Adolf Chronicki, Tadeusz Jurasz, Emil Karewicz, Ignacy Machowski, Bolesław Płotnicki, Bohdan Ejmont, Marian Łącz, Halina Przybylska, entre outros.
Distribuição no Brasil: não informada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.

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domingo, 21 de junho de 2026

.: Mostra “Brasil em Todas" promove no MIS Experience uma imersão nas Copas


Mostra interativa faz um mergulho na participação da seleção brasileira na história das Copas. Público contará ainda com transmissão ao vivo dos principais jogos do torneio. Foto: Lucas Mello

O MIS Experience, instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, entra na torcida para a seleção brasileira de futebol conquistar o hexa, com a exposição interativa “Brasil em Todas”. Até dia 2 de agosto, o público fará uma verdadeira imersão na história da “seleção canarinho” nas Copas do Mundo. O Brasil é o maior campeão do torneio, com cinco títulos, além de ser o único país a participar de todas as 23 edições. Com um estilo único de jogo, as equipes brasileiras sempre apresentaram grandes jogadores e protagonizaram situações que marcaram para sempre a história do esporte, consagrando a nação como o “país do futebol”.

Para mergulhar ainda mais na participação brasileira nas Copas do Mundo, o MIS Experience convida o público a vivenciar o futebol de maneira inédita, interativa, divertida e inovadora. O percurso de “Brasil em Todas” apresentará aos visitantes as diferentes realidades do consumo e da prática do futebol ao longo dos anos – com base em hábitos de época, na tecnologia disponível e na realidade de cada participação da seleção nacional. A mostra propõe a interação e a participação do público em diferentes níveis, do ambiente analógico ao digital, a partir de acervos raros e conteúdos exclusivos, com a inclusão de mecânicas especiais relacionadas a cada Copa do Mundo FIFA vencida pelo Brasil (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002).


Acervo raro
O conteúdo de acervo histórico da exposição irá atrair tanto fãs de futebol quanto o público geral. Artigos raros do Museu Seleção Brasileira, da CBF, estarão expostos pela primeira vez em conjunto fora da instituição. Eles incluem registros do surgimento da seleção, em 1914; objetos originais relativos à participação do Brasil em todos os torneios desde 1930, incluindo o troféu de segundo lugar da Copa de 1950; estátua em tamanho real de Pelé e estátua em tamanho real de Zagallo (nunca exibida ao público)

Além disso, um espaço dedicado à imprensa traz acervos raros de mídia escrita e fotografia desde 1930, com recortes de jornais e revistas, incluindo veículos já extintos, com notícias e curiosidades sobre a Copa do Mundo ao longo dos anos. Em outra sala dedicada ao rádio, os visitantes terão à disposição fones de ouvido para escutar narrações de jogos históricos em diferentes épocas desde 1950. Já a sala de projeção trará um filme em curta-metragem sobre a participação de Pelé nas seleções que disputaram as Copas de 1958, 1962, 1966 e 1970.

Outros destaques da mostra incluem uma videoinstalação apresentando a evolução das escalações da seleção ao longo dos anos, com destaque para os clubes de origem de cada atleta; e caricaturas exclusivas de craques de todos os tempos, em grande formato, criadas pelo cartunista Mario Alberto.


Experiências tecnológicas
Nas áreas interativas da exposição, o público terá à disposição seis jogos diferentes customizados em telas gigantes de alta definição, incluindo comandos por voz, toque e movimento. As experiências incluem desde quizzes de conhecimentos sobre a Copa até jogos nos quais os visitantes terão a experiência de estar em um campo de futebol.


Bar do Hexa
Para completar o passeio, os visitantes poderão assistir aos principais jogos da Copa do Mundo no Bar do Hexa, espaço que contará com painel de LED de 5m e café com diversas opções de comidas e bebidas (incluindo alcoólicas). As exibições no Bar do Hexa são abertas mesmo para quem não for visitante da exposição, e os ingressos gratuitos devem ser retirados com uma hora de antecedência na bilheteria física do MIS Experience.


Serviço | Exposição “Brasil em Todas”
Até dia 2 de agosto de 2026
Ingresso: de quarta a domingo: R$ 20,00 (inteira) e R$ 10,00 (meia-entrada); terças: gratuitas (mediante retirada de ingresso na bilheteria); crianças até 10 anos não pagam.
Horário: das 10h00 às 19h00.
MIS Experience: Rua Cenno Sbrighi, 250, Água Branca/São Paulo.

.: Rita von Hunty lança o livro "Formas de Narrar Um Corpo" no Sesc 24 de Maio


Ao lado de Andreone Medrado, artista apresenta obra que articula sociologia, psicanálise e política para refletir sobre representações do corpo e produção de conhecimento. Na foto, Rita von Hunty e Andreone Medrado. Fotos: divulgação


A atriz, professora e crítica cultural Rita von Hunty lança seu primeiro livro, "Formas de Narrar Um Corpo", no Sesc 24 de Maio, na próxima quinta-feira, dia 25 de junho, às 19h00, no Teatro. O encontro acontece gratuitamente em formato de bate-papo com participação de Andreone Medrado e propõe ao público uma reflexão acessível sobre como os corpos são representados e quem tem espaço para produzir conhecimento. 

Na obra, Rita von Hunty reúne referências da sociologia, psicanálise, literatura e política para discutir de que maneira certos corpos são narrados, autorizados ou interditados. Ao abordar gênero e sexualidade como construções de relações de poder, a autora questiona teorias que se apresentam como universais e evidencia seus recortes históricos, sociais e ideológicos evidenciando aquilo que foi naturalizado como neutro. 

Com uma abordagem didática e crítica, o livro articula experiência, teoria e o desejo de transformação, convidando leitoras e leitores a reconhecer os mecanismos que os constituem - e, a partir disso, se posicionarem como sujeitos ativos de suas próprias trajetórias. "Formas de Narrar Um Corpo" inaugura a Coleção Reticências, da Editora Planeta, que reúne vozes diversas para pensar questões contemporâneas a partir de encontros e entrevistas gravadas, que convidam o leitor a acompanhar o pensamento em construção. Compre o livro"Formas de Narrar Um Corpo", de Rita von Hunty, neste link.


Sobre as participantes 
Rita von Hunty
é atriz, crítica cultural, professora e educadora popular, com atuação em universidades, escolas e movimentos sociais no Brasil e no exterior. Colaborou com mais de 25 livros, sendo dois deles finalistas do Prêmio Jabuti Acadêmico em 2025.

Andreone Medrado é psicóloga, bióloga, pesquisadora, escritora, artista e fotógrafa. Fundadora do coletivo Escuta Preta no Instituto de Psicologia da USP, atualmente é coordenadora geral do Núcleo de Consciência Negra da universidade. É coautora de Não Monogamia: trânsitos entre raça, gênero & sexualidade e autora de Ensaios sobre o Colonialismo – higienização, corpos, fé e subjetividades em disputa.


Serviço
Lançamento do livro "Formas de Narrar Um Corpo" 

Com Rita von Hunty e Andreone Medrado
Datas: 25 de junho, quinta-feira, às 19h00
Local: Teatro do Sesc 24 de Maio – Rua 24 de Maio, 109, República / São Paulo
Classificação: 14 anos
Ingressos: grátis com retirada uma hora antes no local
Duração: 150 minutos
Mais informações: no site sescsp.org.br/24demaio
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00.

.: "Mother’s Baby” questiona instinto materno e desmonta idealizações


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com.

“Mother’s Baby” estreia na plataforma de streaming Reserva Imovision apostando em um desconforto que não se dissipa quando o filme termina. Dirigido e coescrito pela austríaca Johanna Moder, o longa-metragem parte de um terreno conhecido - o desejo pela maternidade - para deslocá-lo a um território inquietante, em que o afeto e o estranhamento convivem sem qualquer garantia de reconciliação. Na trama, Julia (Marie Leuenberger), uma maestrina de 40 anos no auge da carreira, decide interromper a rotina profissional ao lado do parceiro Georg (Hans Löw) para realizar o sonho de ter um filho. 

A gravidez vem após um procedimento conduzido pelo enigmático Dr. Vilfort (Claes Bang), especialista em fertilidade que promete resultados com uma segurança quase clínica demais para ser confortável. O parto, porém, rompe qualquer expectativa de controle: o bebê é retirado às pressas, sem explicações claras, e devolvido à mãe já sob o peso de uma dúvida corrosiva.

Moder conduz o espectador por uma narrativa que se alimenta da instabilidade emocional da protagonista. Julia não reconhece o filho, mas não há histeria, nem gestos grandiosos. O que se instala é um distanciamento seco, persistente, que contamina o ambiente doméstico e fragiliza o casamento. A partir daí, o filme tensiona a percepção da realidade: há um erro concreto ou tudo se organiza dentro de uma experiência psíquica em colapso?

Exibido na competição oficial do Festival de Berlim, onde disputou o Urso de Ouro, o longa-metragem se insere em uma linhagem recente de filmes dirigidos por mulheres que encaram a maternidade sem idealizações. A própria Moder descreveu o projeto como um acerto de contas pessoal, interessado em desmontar a promessa de plenitude associada ao nascimento de um filho. Em entrevistas à imprensa europeia, a diretora afirmou que buscou deliberadamente o suspense como forma de traduzir a insegurança e o deslocamento vividos por muitas mulheres nesse período.

Marie Leuenberger segura o filme com uma atuação que aposta no mínimo. A personagem dela fala pouco, mas o incômodo aparece no jeito de olhar, no corpo que parece sempre um passo atrás, como se ela estivesse tentando ocupar um lugar que já não reconhece como seu. Claes Bang faz do médico uma presença que impõe respeito e estranha ao mesmo tempo, daqueles que parecem saber demais e explicar de menos. Já Hans Löw constrói um marido dividido: tenta estar por perto, mas nunca alcança de fato o que se passa com a mulher ao lado.

Filmado em Viena, Zurique e Hamburgo, com fotografia de Robert Oberrainer, o longa-metragem também chama atenção pela atmosfera controlada que contrasta com a crescente desordem interna da protagonista. A trilha de Diego Ramos Rodríguez acompanha esse deslocamento sem recorrer a excessos, reforçando a sensação de que algo está fora do lugar, ainda que ninguém consiga apontar exatamente o quê. O filme prefere deixar o espectador diante de um impasse que ecoa para além da tela: até que ponto a maternidade é instinto, construção ou imposição? E o que acontece quando esse vínculo não se estabelece como esperado? 


Ficha técnica
“Mother’s Baby” | "Bebê da Mamãe" (título em Portugal)
Gênero: drama, suspense. Duração: 99 minutos. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: alemão. Direção: Johanna Moder. Roteiro: Johanna Moder, Arne Kohlweyer. Elenco: Marie Leuenberger, Hans Löw, Claes Bang, Julia Franz Richter. Distribuição no Brasil: Autoral Filmes. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Reserva Imovision.


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Leia+

.: Messi inspira nova geração de leitores durante a Copa do Mundo


Livro sobre a trajetória de Lionel Messi ganha destaque durante o Mundial de 2026 e convida crianças e jovens a conhecerem a história de um dos maiores jogadores de todos os tempos

Enquanto a Copa do Mundo de 2026 movimenta milhões de torcedores, a Editora Catapulta convida os fãs do esporte a conhecerem mais sobre a trajetória de Lionel Messi, um dos maiores nomes da história do futebol. O destaque da coleção é o livro "Messi: A Jornada de Um Campeão", que apresenta a inspiradora trajetória do craque argentino, desde sua infância em Rosário até a conquista da Copa do Mundo e sua consagração como um dos maiores jogadores de todos os tempos.

A obra convida os leitores a conhecerem os desafios, as conquistas e a determinação que marcaram a carreira de Messi, mostrando que talento, dedicação e perseverança são ingredientes fundamentais para alcançar grandes sonhos. Em meio à disputa de mais uma Copa do Mundo aos 39 anos, o argentino segue sendo uma das figuras mais admiradas e acompanhadas do futebol mundial, despertando o interesse de novas gerações de torcedores. O livro surge como uma oportunidade para fãs de todas as idades mergulharem em sua história dentro e fora dos gramados, conhecendo os momentos que transformaram o garoto de Rosário em uma lenda do esporte.

Complementando a coleção, a Catapulta também apresenta o lançamento "Os Países da Copa do Mundo", uma obra interativa que leva crianças e famílias a uma viagem pelos países participantes do Mundial de 2026. O livro reúne curiosidades sobre as seleções, informações culturais, cidades-sede e mais de 100 figurinhas coloridas para colecionar. Outro destaque é o lançamento da coleção Abremente Grandes Estrelas, que homenageia dois gigantes do futebol mundial: "Messi Campeão" e "O Rei Pelé". Os títulos combinam curiosidades, desafios e atividades que estimulam o aprendizado enquanto celebram a trajetória de atletas que marcaram gerações.

“A Copa do Mundo desperta emoção, memória afetiva e interesse genuíno pelas histórias que moldaram o futebol. Nossa proposta é oferecer aos leitores uma experiência cultural que vai além dos jogos, conectando esporte, conhecimento e diversão”, afirma Evandro Silva, Gerente Geral da Editora Catapulta. Ao reunir biografias inspiradoras, atividades educativas e conteúdos interativos, a Editora Catapulta transforma a paixão pelo futebol em uma experiência de leitura envolvente, reforçando o legado de grandes ídolos como Messi e incentivando o aprendizado por meio do esporte. Compre "Messi: A Jornada de Um Campeão" neste link.

.: “Muito Mais que um Crime” reafirma o vigor político de Costa-Gavras


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, especial para o portal Resenhando.com

Lançado em 1989, “Muito Mais que um Crime” reestreia na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte com a assinatura firme de Costa-Gavras, cineasta que construiu carreira investigando as zonas de atrito entre poder, memória e justiça. Nesse filme, ele conduz um drama judicial que se move com tensão de thriller, sem recorrer a excessos formais, sustentado por um roteiro que prefere a revelação gradual ao choque fácil. A trama acompanha Ann Talbot (Jessica Lange), advogada respeitada que aceita defender o próprio pai, Mike Laszlo (Armin Mueller-Stahl), acusado de ter participado de crimes de guerra na Hungria durante a Segunda Guerra Mundial. 

O que começa como um gesto de lealdade familiar se transforma em um percurso incômodo, à medida que o tribunal expõe testemunhos, documentos e informações que colocam em xeque a imagem construída dentro de casa. O roteiro de Joe Eszterhas, inspirado em experiências pessoais - o pai dele foi acusado de colaboração com o regime nazista -, evita simplificações e constrói um embate moral que não se resolve com facilidade. A escrita aposta na ambiguidade e sustenta o conflito central: até onde vai a fidelidade a alguém quando a verdade ameaça desmoronar tudo o que se acreditava sólido? 

Jessica Lange conduz o filme com uma atuação de alta voltagem emocional, reconhecida com indicação ao Oscar de Melhor Atriz. Sua Ann oscila entre convicção e dúvida, sem perder a densidade. Ao seu lado, Armin Mueller-Stahl compõe um pai que alterna afeto, orgulho e um jeito difícil de decifrar, elemento essencial para manter a tensão em cena. O elenco conta ainda com Frederic Forrest e Lukas Haas, reforçando um conjunto que sustenta o peso dramático sem dispersão.

Premiado com o Urso de Ouro no Festival de Berlim, o longa-metragem confirma a habilidade de Costa-Gavras em tratar temas espinhosos com firmeza na condução da história. Conhecido por títulos como “Z” e “Missing”, o diretor retoma aqui o interesse por estruturas de poder e pelas marcas que a história deixa nos indivíduos, sem recorrer a discursos didáticos. O julgamento funciona como motor dramático, mas o filme cresce nos momentos em que desloca o foco para o impacto íntimo das descobertas.

Há também um detalhe simbólico que marca a narrativa: a caixa de música do título original (“Music Box”). O objeto, aparentemente inofensivo, guarda pistas que se revelam decisivas. A escolha do nome não é gratuita e aponta para a ideia de memória guardada e, em algum momento, exposta. Entre as curiosidades, nomes como Kirk Douglas e Walter Matthau foram cogitados para o papel de Mike Laszlo, mas Costa-Gavras optou por Mueller-Stahl, cuja origem europeia acrescenta autenticidade ao personagem. Também se comenta que Jane Fonda chegou a ser considerada para o papel de Ann, antes da escolha por Jessica Lange.

Sem recorrer a grandes manobras estéticas, “Muito Mais que Um Crime” aposta na força da narrativa e na densidade de seus conflitos. O filme mantém o espectador atento até o desfecho, quando as peças finalmente se encaixam. O impacto não vem de um truque, mas daquilo que sempre esteve ali, à espera de ser encarado.


Ficha técnica
“Muito Mais que um Crime” | “Music Box” (título original) | “O Enigma da Caixa de Música” (título em Portugal)
Gênero: drama, suspense. Duração: 124 minutos. Classificação indicativa: 13 anos. Ano de produção: 1989. Idioma: inglês. Direção: Costa-Gavras. Roteiro: Joe Eszterhas. Elenco: Jessica Lange, Armin Mueller-Stahl, Frederic Forrest, Lukas Haas, Donald Moffat. Distribuição no Brasil: não especificada. Cenas pós-créditos: não. Assista na plataforma de streaming Belas Artes À La Carte.


Assine o Belas Artes À La Carte, o streaming de quem leva cinema a sério
A equipe do portal Resenhando.com acompanha parte da cobertura cinematográfica por meio da Belas Artes À La Carte, plataforma brasileira dedicada ao cinema de arte, clássicos e produções premiadas de diferentes países. Criado pelo grupo responsável pelo tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo, em parceria com a Pandora Filmes, o serviço reúne um catálogo com curadoria especializada, incluindo obras raras, títulos restaurados e destaques de festivais internacionais. Para acessar o catálogo completo, conferir os lançamentos semanais e realizar a assinatura, basta acessar o site ou aplicativo da plataforma. Os planos têm valores acessíveis, com opção mensal e anual, além de locação avulsa para títulos específicos. Você pode assinar o Belas Artes À La Carte neste link.

.: 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba será realizado no Rio de Janeiro


Encontro do MinC reúne Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz, Dorina Barros e outros grandes nomes do samba

O Rio de Janeiro será palco de um grande encontro entre diferentes gerações do samba brasileiro. Entre os dias 22 e 24 de junho, o Ministério da Cultura (MinC) realiza o 1º Seminário Nacional das Rodas de Samba, reunindo sambistas históricos, novas vozes do gênero, pesquisadores, gestores públicos, lideranças culturais e representantes de rodas de samba de todo o país para discutir os desafios, as potências e o papel dessas manifestações na vida cultural brasileira.

O encontro também reunirá o secretário-executivo do MinC, Márcio Tavares; a secretária de Articulação Federativa e Comitês de Cultura do MinC, Roberta Martins; o gerente de Projetos da Secretaria Executiva do MinC, Fabrício Antenor; a deputada federal Benedita da Silva, a deputada estadual Verônica Lima, a secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros, e o secretário municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Lucas Padilha.

Realizado no Palácio Gustavo Capanema e no Renascença Clube, dois espaços simbólicos da cultura brasileira, o seminário propõe uma reflexão sobre temas como economia criativa, patrimônio cultural, memória, participação social, ocupação dos espaços públicos e desenvolvimento territorial. As rodas de samba constituem importantes redes de sociabilidade, geração de renda, circulação cultural e preservação das tradições afro-brasileiras. Presentes em milhares de comunidades pelo país, movimentam trabalhadores da cultura, fortalecem identidades locais e mantêm vivas práticas culturais que atravessam gerações.

Ao longo dos três dias, a programação será organizada em eixos de debate sobre economia do samba, sustentabilidade e economia criativa das ruas; memória, identidade, território e patrimônio; inovação e novas gerações; articulação cultural e movimento; além de políticas públicas, controle e participação social. A abertura do seminário contará com mesa de boas-vindas com a participação de Márcio Tavares, Danielle Barros, Lucas Padilha e Verônica Lima. A conferência de abertura reunirá Sereno, Roberta Martins, Wanderso Luna, Benedita da Silva, Dorina Barros e Lucas Lima, diretor de Políticas Públicas da Ambev.

A programação inclui ainda debates com nomes como Helena Theodoro, Tadeu Kaçula, Nilcemar Nogueira, Aline Calixto, Rafa Rafuagi, Rogério Familia, Marina Iris, Thiago Carvalho, além de representantes do Ministério da Cultura, Funarte, Iphan e instituições parceiras. No dia 24 de junho, o seminário será encerrado no Renascença Clube com uma mesa inspiradora reunindo Nei Lopes, Teresa Cristina, Moacyr Luz e Márcio Tavares. Na sequência, haverá uma noite cultural com roda de samba comandada por Marcelinho Moreira em homenagem à Tia Surica. Credenciamento de público geral: clique aqui para acessar o formulário.


Serviço
1º Seminário Nacional das Rodas de Samba: Cidade, Patrimônio e Desenvolvimento
Data: 22, 23 e 24 de junho de 2026

Locais
Palácio Gustavo Capanema
Rua da Imprensa, 16 – Centro – Rio de Janeiro (RJ)

Renascença Clube
Rua Barão de São Francisco, 54 – Andaraí – Rio de Janeiro (RJ)

Entrada gratuita


Programação
Dia 1 - 22 de junho - Palácio Gustavo Capanema
9h00: Mesa de Boas-Vindas
Márcio Tavares - Ministro da Cultura Substituto
Danielle Barros - Secretaria de Cultura do Estado do Rio de Janeiro
Lucas Padilha - Secretário de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro
Verônica Lima - Deputada Estadual e Presidenta da Comissão de Cultura

10h00: Conferência de Abertura
Sereno - Fundador do Fundo de Quintal / Criador do Tantan
Roberta Martins (SAFCC/MINC)
Wanderso Luna - Rede Carioca de Rodas de Samba
Benedita da Silva - Dep. Federal - Lei da Salvaguarda do Samba
Dorina Barros - Mulheres na Roda de Samba
Lucas Lima - Diretor de Políticas Públicas da Ambev
Zé Luiz do Império - Compositor

14h00 às 17h00 : Eixo 1: Economia do Samba - Fomento, Sustentabilidade e a Economia Criativa das Ruas
João Grand Jr. - Cidade, Economia Criativa e o Ecossistema de Rodas de Samba do Rio de Janeiro
Anderson Lins - Sesc RJ - A Experiência com as Rodas de Samba no Edital Sesc Pulsar
Marquinhos de Oswaldo Cruz - A Feira das Yabás e o Trem do Samba
Ellen Oliveira - Festival Divas do Samba (DF)


Dia 2 - 23 de junho - Palácio Gustavo Capanema
9h30 às 12h00: Eixo 2: Memória, Identidade, Território e Patrimônio
Mediação: Aline Vila Real (Funarte)
Helena Theodoro - O Samba de lá e o Samba de Cá - Tia Ciata de Santo Amaro e do Samba Carioca
Samora Lopes (Banjo Novo) - Salvador, Terra do Samba e das Rodas de Samba
Fabiola Machado - As Rodas de Samba do Rio de Janeiro
Tadeu Kaçula - SP - O Samba Paulistano
Marina Lacerda - Iphan

13h30 às 16h00: Eixo 3: Inovação e Novas Gerações: “A tradição como lanterna” - Redes Integradas e Dados
Mediação: Fabricio Antenor (MinC)
Chico Reguera - Jornalista/Globo RJ
Dorina - Mulheres na Roda de Samba
Nilcemar Nogueira - Dossiê Matrizes do Samba no Rio de Janeiro / Museu do Samba
Simony Maia - Agência Mural de Jornalismo das Periferias - São Paulo
Dani Miranda - Blog de Samba

16h30 às 18h00 - Mesa: Articulação Cultural e Movimento
Mediação: Roberta Martins (SAFCC/MinC)
Rafa Rafuagi - Construção Nacional do Hip Hop / Museu do Hip Hop
Rogério Família - Rede Carioca de Rodas de Samba
Aline Calixto - Bloco da Calixto (MG)
Cláudia Ajeum - Pérola de Oyá - Fortaleza


Dia 3 - 24 de junho - Renascença Clube
9h30h às 12h00: Eixo 4: Das Rodas às Políticas Públicas: Territórios que transformam o Brasil
Mediação: Daniel Samam (CNPC/SAFCC)
Marina Iris, Wanderson Luna, Thiago Carvalho - Bahia, Fabrício Antenor (SE/MinC) e Aline Vila Real (Funarte)

12h00 às 14h00 - Almoço: Feijoada no Renascença

14h00: Mesa inspiradora / Encerramento
Nei Lopes, Teresa Cristina, Márcio Tavares e Moa Luz

17h30 - Roda de Samba com Marcelinho Moreira
Homenagem à Tia Surica

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