terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

.: Companhia Ave Lola estreia "Sonho de Uma Noite de Verão" em temporada no Sesc Santo Amaro


A Ave Lola volta a São Paulo depois do sucesso de "Cão Vadio" e apresenta sua nova criação "Sonho de Uma Noite de Verão", com música ao vivo e o encontro direto com o público em temporada no Sesc Santo Amaro. Foto: Maringas Maciel


A trupe curitibana Ave Lola traz a São Paulo sua nova criação, "Sonho de Uma Noite de Verão", comédia de William Shakespeare, em temporada no Sesc Santo Amaro de 27 de fevereiro a 5 de abril. O grupo, que completa 15 anos de trajetória e soma mais de 300 mil espectadores em circulações nacionais e internacionais, apresenta uma montagem que integra música ao vivo, teatralidade popular e jogo físico como marcas da companhia.

Com direção de Ana Rosa Genari Tezza, o espetáculo costura diferentes tradições cênicas, entre elas o teatro de pavilhão, a comédia e o melodrama, incorporando linguagem musical executada ao vivo por Arthur Jaime e Breno Monte Serrat. Em cena, o elenco formado por Cesar Matheus, Helena de Jorge Portela, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Marcelo Rodrigues, Pedro Ramires, Wenry Bueno e Willa Thomas recria as camadas de fantasia e desordem afetiva que atravessam o texto.

A história acompanha o entrelaçamento de tramas amorosas e disputas no limite entre sonho e realidade. Quatro jovens de Atenas se perdem na floresta enquanto tentam decidir seus destinos amorosos, ao mesmo tempo em que o reino das fadas vive suas próprias tensões, guiadas pela disputa entre Oberon e Titânia, e pela travessura de Puck, que embaralha desejos e identidades.

O espetáculo sublinha o caráter festivo e imaginativo do original, apostando no jogo e na teatralidade explícita como elementos fundamentais para um teatro sofisticado e popular. “Num país de dimensões continentais é sempre uma conquista poder levar espetáculos para públicos diversos.  É ao mesmo tempo desafiador e gratificante, se compreendemos que parte do nosso ofício é viajar.” conta a diretora Ana Rosa Genari Tezza.

Criado em 2024, o espetáculo aprofunda a pesquisa da Ave Lola sobre teatro popular e seu diálogo com dramaturgias clássicas. Ao longo de sua história, a companhia desenvolveu uma assinatura própria que combina potência estética, música e ênfase no trabalho do ator, o que permitiu ao longo dos anos estabelecer uma forte comunicabilidade com o público heterogêneo, consolidando-se como um dos grupos de referência da cena brasileira. “Na Ave Lola, a música não é apenas ao vivo, ela é dramatúrgica. Ela estabelece ritmo, forma e estrutura da cena, com o mesmo peso da palavra. A música é criada no processo no calor da cena, enquanto os atores improvisam e depois, executada ao vivo durante às apresentações, pelos compositores”.

“Espero que o público do Sesc Santo Amaro se envolva, se divirta e fique próximo da gente. Que encontre no espetáculo um lugar de afeto pelo teatro e por esse texto tão vivo, tão ligado à juventude, ao erotismo e ao amor pela vida”, completa a diretora. 

A temporada do espetáculo Sonho de uma noite de verão no Sesc Santo Amaro é uma ação viabilizada por meio da Lei de Incentivo à Cultura, com patrocínio de Instituto Joanir Zonta, Guabi Nutrição e Saúde Animal, Tecbril, Ecogen Brasil Soluções Energéticas, Gemü, HD Ferragens para Móveis, Tecsul Equipamentos e Serviços e produção da Trupe Ave Lola e Entre Mundos Produções Artísticas e realização Sesc, Ministério da Cultura e Governo Federal – Do lado do povo brasileiro.

Sobre Ave Lola
A Ave Lola é uma companhia de teatro que há mais de uma década vem encantando o público com espetáculos premiados que circulam o Brasil e o exterior. Reconhecida por sua pesquisa no teatro popular brasileiro, a companhia busca constantemente aprimorar sua linguagem teatral. Além disso, assina produção de livros, filmes, exposições, oficinas e articulação com artistas do mundo todo – sendo berço de projetos artísticos de diversas áreas. A companhia já conquistou 35 prêmios, entre eles Shell, Gralha Azul e indicações para o Cesgranrio. Desde a fundação, em 2010, a Ave Lola soma um público de mais de 300 mil pessoas em seus espetáculos. 

Toda a gestão da trupe é feita por mulheres, garantindo espaço e visibilidade para elas no mundo das artes. A começar por Ana Rosa Genari Tezza, fundadora, diretora e dramaturga. Nascida em Curitiba e criada na Amazônia Brasileira (Rio Branco – AC), tem mais de 30 anos de teatro, tendo seus últimos trabalhos como diretora artística amplamente reconhecidos pelo público e pela crítica especializada. Conta com indicações e premiações nacionais e internacionais, além de parcerias firmadas com grupos do Chile, Alemanha, Dinamarca, Holanda e França.


Ficha técnica
Espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão"
Companhia: Trupe Ave Lola
Autor: William Shakespeare
Tradução: Bárbara Heliodora
Direção: Ana Rosa Genari Tezza
Assistente de direção: Giovana de Liz
Direção musical e execução de música ao vivo: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat
Arranjos vocais: Julia Klüber
Composição da canção “Lullaby”: Arthur Jaime, Breno Monte Serrat, Julia Klüber
Composição da canção “The Blue Boys Tale”: Cesar Matheus, Kauê Persona
Elenco: Cesar Matheus, Helena de Jorge Portela, Helena Tezza, Kauê Persona, Larissa de Lima, Marcelo Rodrigues, Pedro Ramires, Wenry Bueno, Willa Thomas
Coreografia e preparação corporal: Ane Adade
Preparação vocal: Julia Klüber
Iluminação: Beto Bruel, Rodrigo Ziolkowski
Cenografia: Daniel Pinha
Figurino: Ana Rosa Genari Tezza, Helena Tezza
Visagismo e adereços: Maria Adélia
Orientação de figurino: Eduardo Giacomini
Costura: Água Viva Decorações, Ari Lima, Marino Ferrera, Sandra Francisca Canonico
Camareira: Alyssa Riccieri
Montagem e operação de luz: Alexandre Leonardo Luft
Direção de palco: Marcelo Rodrigues
Assistentes de cenografia: Stella Pugliesi, Rita Sobrinho
Cenotécnicos: Anderson Quinsler, Paulo Batistela (Nietzsche), Vilson Kurz, Sérgio Richter
Assistente de cenotecnia: Anderson Bagio
Coordenação de projetos: Dara van Doorn, Laura Tezza
Direção executiva: Entre Mundos Produções Artísticas
Direção de produção: Dara van Doorn, Elza Forte da Silva Carneiro, Laura Tezza
Produção: Flavia Longo
Assistente de produção: Carlos Becker
Assistente financeiro: Alyssa Riccieri
Comunicação Ave Lola: Larissa de Lima, Agência Momo
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli
Assistência de comunicação: Cesar Matheus
Prestação de contas: Laura Tezza, Matheus Munhoz
Ilustrações e projeto gráfico: Raro de Oliveira
Registro audiovisual: Guilherme Danelhuk (Gnomos Filmes)
Registro fotográfico: André Tezza, Caíque Cunha, Maringas Maciel
Ave Lola São Paulo: Ricardo Grasson, Heitor Garcia
Residente internacional: Renata Lorca
Encontros que integraram o processo de criação do espetáculo: Oficina “Desconstrução da Palavra como Criação de Repertório Vocal e Corporal” com Luis Melo e “Conversas” com Chico Carvalho.

Serviço
Espetáculo "Sonho de Uma Noite de Verão"

Duração: 120 minutos. Classificação: 12 anos
Sesc Santo Amaro  - Rua Amador Bueno, 505, Santo Amaro / São Paulo
De 27 de fevereiro a 5 de abril. Sextas e sábados, às 19h30, e aos domingos, às 18h.
Ingressos:  R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada), R$ 15,00 (credencial plena).
Venda disponível on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pelo site https://centralrelacionamento.sescsp.org.br/, a partir de 17/02, ou nas bilheterias das unidades, a partir de 18 de fevereiro.
Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h30 | Sábado, domingo e feriado, das 10h00 às 18h30.
Sessões com Libras: 13 de março (19h30), 21 de março (19h30), 29/3 (18h).
Sessões com Audiodescrição: 13 de março (19h30), 20 de março (15h00) e 27 de março (1000h).
Como Chegar de Transporte Público: 300m a pé da Estação Largo Treze (metrô), 900m a pé da Estação Santo Amaro (CPTM), 350m a pé do Terminal Santo Amaro (ônibus).
Acessibilidade: A praça dá acesso a todos os andares (subsolo | térreo | 1º pav. | 2º pav.) do prédio e aos espaços de atividades por meio de dois elevadores. A Unidade possui banheiros e vestiários adaptados para pessoas com mobilidade reduzida, espaço reservado no Teatro e conta com seis vagas especiais no estacionamento.

.: Espetáculo "Escola Modelo" reestreia no Teatro Vivo e retoma debate sobre racismo e educação no Brasil


Peça dirigida por Fernando Vilela traz em cena Pedro Granato e Letícia Calvosa refletindo as estruturas sociais sob diferentes perspectivas. Foto: Camila Rios

Dirigido por Fernando Vilela, o espetáculo "Escola Modelo" propõe uma reflexão direta sobre racismo estrutural, ações afirmativas e os impasses da educação brasileira. A montagem, protagonizada por Pedro Granato e Letícia Calvosa, reestreia no dia 28 de fevereiro, no Teatro Vivo, em São Paulo. A dramaturgia de Bruno Lourenço se constrói a partir do embate entre o privado e o público, o sonho e o trabalho, articulando referências de pensadores como Sueli Carneiro, Cida Bento e Lívia Sant’anna Vaz.

O espetáculo parte das experiências pessoais dos dois intérpretes para atravessar o que é íntimo e o que é estrutural, o que é memória individual e política pública. Em cena, uma mulher negra que viveu os dilemas das cotas no acesso à universidade e um homem branco que atuou como gestor público de formação, refletem sobre como o racismo moldou suas trajetórias educacionais. 

“Como estudante negra, sei que a formação escolar é um momento de muitas descobertas sobre o mundo e sobre si. Um momento delicado que, se não for bem experienciado pelo aluno, pode apagar suas potencialidades e história. O racismo estrutural se apresentou pra mim nesse processo com professores sem letramento racial, com materiais didáticos pensados pela branquitude e para a branquitude, sem referências onde eu me visse representada”, conta a atriz.

Para Granato, que implementou cotas raciais em programas educacionais e levou escolas para as periferias durante sua atuação no poder público, também é preciso questionar sobre a forma que algumas instituições têm inserido alunos em seus espaços. "Incomoda quando essas mesmas escolas que por décadas segregaram agora buscam, à custa de muito dinheiro, se colocar como pioneiras da luta antirracista. Meu foco central é a defesa de uma transformação estrutural, política de nossa desigualdade racial. E que possamos também aprofundar esse debate encontrando as sombras do processo para não se transformar em algo maniqueísta que serve mais para redes sociais que transformações reais", reflete. 

A criação do texto partiu de duas forças condutoras, segundo Bruno Lourenço. “O privado (relatos pessoais, pensamentos, reflexões) e o público (poder público, leis, instituições). Tudo isso permeado pelo discurso de raça e gênero, que atravessa o espetáculo, e a oposição fundamental entre trabalho e sonho (segundo a semiótica discursiva de Greimas), explica. A peça se desenrola em uma ambientação que mescla elementos de sala de aula com a linguagem da contação de histórias, permitindo ao público uma imersão profunda nas reflexões propostas. Através do Teatro Épico de Bertolt Brecht, a encenação busca criar um distanciamento que possibilita o pensamento crítico, convidando os espectadores a questionar as estruturas sociais e educacionais vigentes.

“Se estamos aqui hoje discutindo a desigualdade racial, o plano de ensino nas escolas, a estrutura da educação, uma pergunta que se lança é: qual o modelo educacional que gostaríamos de ter, que fosse comum a todos, para os próximos anos? O público é parte fundamental da discussão. Pois é a partir dele, pela sua identificação, que podemos elaborar juntos novos caminhos a serem tomados, quanto sociedade, quanto país”, diz o diretor Fernando Vilela. 

A cenografia, inspirada no filme "Dogville" de Lars von Trier, utiliza módulos rotativos que lembram lousas escolares, criando um espaço versátil que se transforma em diferentes ambientes conforme a narrativa avança. Cadeiras coloridas infantis dispostas entre o público reforçam a atmosfera escolar, enquanto os elementos cênicos provocam sobre as relações de poder e as dinâmicas sociais presentes no contexto educacional.


Ficha técnica
Espetáculo "Escola Modelo"
Elenco: Pedro Granato e Letícia Calvosa. Direção: Fernando Vilela. Dramaturgia: Bruno Lourenço. Desenho de luz: Ariel Rodrigues. Direção de arte: Fernando Vilela. Figurino: Thais Sakuma. Preparação Vocal: Malú Lomando. Técnico de Palco e Técnico de Som: Diego Leo. Técnico de Luz: Ariel Rodrigues. Produção Executiva: Julia Terron. Assistência de Produção: Diego Leo. Fotos Divulgação: José de Holanda. Assessoria de Imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Produção e Realização:Jessica Rodrigues Produções e Pequeno Ato. Direção de Produção: Jessica Rodrigues e Carolina Henriques.


Serviço
Espetáculo "Escola Modelo"
Teatro Vivo - Av. Chucri Zaidan, 2460 - Morumbi - São Paulo/SP - 04583-110
Capacidade do Espaço Convivência: 46 lugares
Temporada: De 28 de fevereiro a 29 de março de 2026. Sábados às 20h e domingos às 18h.
Ingressos: R$ 80,00 (inteira)/ R$ 40,00 (meia-entrada)
Duração: 75 minutos.
Classificação: 14 anos.
Bilheteria: (11) 3430-1524 - Horário de funcionamento da bilheteria: 2h antes da apresentação.
Estacionamento no local
Entrada pela Av. Roque Petroni Jr, 1464
Valor R$ 30,00 
Funcionamento duas horas antes da apresentação e até 30 minutos após a sessão.

.: Acessibilidade, canções originais e mitologia dividem a cena em "Hereditária", espetáculo em cartaz no Sesc Pompeia


Com indicações ao Prêmio Shell de Direção e Cenário, espetáculo inova na abordagem à acessibilidade, com audiodescrição e Libras integradas à dramaturgia. Foto: Thelma Vidales

 
Após temporadas no Rio de Janeiro, "Hereditária" estreou em São Paulo no Espaço Cênico do Sesc Pompeia e permanece em cartaz até o final do mês, de quarta a sexta-feira. Idealizado pela multiartista Moira Braga, o espetáculo parte da descoberta, aos sete anos de idade, de uma condição genética rara que causaria a perda de sua visão, para investigar os múltiplos sentidos da hereditariedade - do genético ao social. Há duas décadas, Moira vem construindo uma trajetória relevante na cena artística brasileira, especialmente no campo da cultura DEF. Atua como autora, bailarina, atriz e preparadora de elenco no teatro e no audiovisual.

A dramaturgia, escrita pela atriz em parceria com o diretor do espetáculo, Pedro Sá Moraes, entrelaça acontecimentos da vida pessoal e da ancestralidade de Moira a referências históricas, científico-sociais e mitológicas - como o mito grego das Moiras, três irmãs funestas que tecem o destino de todos os seres. Entre o biográfico, o poético e o político, a peça reflete sobre o quanto de nossas vidas é predeterminado e o quanto temos poder de escolha. 

"'Hereditária' aborda temas sensíveis, doença, morte, perdas. Mas não é sobre isso. Penso que esse espetáculo é sobretudo uma história de amor à Vida. O público é convidado a refletir sobre o que são nossas heranças e nossa hereditariedade: aquilo que nos chega pela ancestralidade, o que se perde pelo caminho e as heranças que escolhemos carregar. Heranças congênitas, sociais, culturais e simbólicas que atravessam corpos e histórias", explica Moira.

No Palco, a idealizadora contracena com duas outras atrizes: Luize Mendes Dias, que também é intérprete de Libras, e a multi-instrumentista Isadora Medella. A Língua Brasileira de Sinais e a audiodescrição estão integradas de forma orgânica desde a dramaturgia até as movimentações cênicas, expandindo as fronteiras do que tradicionalmente se compreende como acessibilidade.  

A narrativa é costurada por canções originais compostas por Pedro Sá Moraes, que também assina a direção musical ao lado de Isadora Medella. O trabalho foi inspirado no conceito de Teatrocanção, no qual a musicalidade orienta o ritmo da atuação e a pulsação das cenas. "A canção é uma forma de expressão muito poderosa, porque chega no corpo e no afeto, antes da racionalidade. As formas musicais brasileiras, em especial, são parte da nossa herança compartilhada e por isso possibilitam uma experiência mais íntima das metáforas e das reflexões do espetáculo. De certo modo, essa musicalidade ajuda a criar a ponte que sai da história da Moira, e vira história de cada um", comenta o diretor.

O cenário, concebido como uma instalação visual e sonora pelo músico e artista plástico Ricardo Siri, é formado por objetos que produzem sons ao serem pisados, tocados, percutidos ou deslocados em cena. Pessoas cegas e com baixa visão são convidadas a fazer uma visita guiada antes da abertura das portas, para explorar os elementos cenográficos de forma tátil, ampliando a experiência sensorial do espetáculo.

A direção de movimento, assinada por Edu O., performer e professor da UFBA, primeiro professor de dança cadeirante de uma universidade pública brasileira, Edu é referência nacional no debate sobre Arte DEF, incorporando à criação reflexões sobre capacitismo e o que define como bipedia compulsória.

A trajetória de Moira Braga ganhou projeção nacional a partir de 2022, com sua participação na novela Todas as Flores, da TV Globo, onde atuou como preparadora de elenco e intérprete da personagem Fafá. Em 2024, retornou à emissora como preparadora de elenco da novela Renascer e 2025 do longa-metragem Antártida.  Para a artista, esse reconhecimento reforça a importância de que profissionais com deficiência sejam convocados não apenas para falar sobre deficiência, mas para exercer plenamente suas funções criativas. 

Ficha técnica
Espetáculo "Hereditária"
Idealização: Moira Braga
Dramaturgia: Moira Braga e Pedro Sá Moraes.
Direção: Pedro Sá Moraes.
Elenco: Isadora Medella, Luize Mendes Dias e Moira Braga.
Canções originais: Pedro Sá Moraes.
Direção musical: Pedro Sá Moraes e Isadora Medella.
Direção de movimento: Edu O.
Cenografia: Ricardo Siri.
Figurino: Vania Ms. Vee.
Iluminação: Ana Luzia De Simoni.
Iluminador assistente (montagem e adequação de rider): Guiga Ensá.
Operação de luz: Eloah Mendes.
Técnico de som: Hernán Romero.
Identidade visual: Vinícius Santilli | Grambolart.
Designer (edição das peças gráficas): Fernando Alax.
Fotos: Junior Zagotto, Felipe Rodrigues, Pedro Sá Moraes, Thelma Vidales.
Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli.
Consultoria em Libras: Jadson Abraão.
Consultoria em audiodescrição: Felipe Monteiro.
Contabilidade: Davi Andrade.
Produção executiva: Júlia Pires.
Direção de produção: Jordana Korich.
Co-realização: Movimento Falado Ltda., Sá Moraes Produções e Educação e Grande Mãe Produções. 


Serviço
Espetáculo "Hereditária" 
Até dia 27 de fevereiro de 2026.
Dias e horários: quarta a sexta-feira, às 19h30; quinta-feira também com sessão vespertina, às 16h00.
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: 12 anos.
O espetáculo conta com tradução em Língua Brasileira de Sinais e audiodescrição em cena aberta, além de visita guiada ao cenário para pessoas cegas e com baixa visão.
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena).
Sesc Pompeia – Rua Clélia, 93.
Sem estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal: sescsp.org.br/pompeia

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

.: Espetáculo "Escute as Feras" abre a programação teatral do Cultura Artística


Adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin, é protagonizado por Maria Manoella e com direção musical de Lúcio Maia. Foto: Ariela Bueno


Após receber os primeiros espetáculos teatrais desde sua reabertura em 2024, o Cultura Artística inicia 2026 com a temporada de "Escute as Feras", de 27 de fevereiro a 12 de abril, às sextas-feiras e sábados, às 20h00, e aos domingos, às 18h00, no Pequeno Auditório. Idealizado por Maria Manoella e Fernanda Diamant, o projeto é uma livre adaptação do livro homônimo da antropóloga francesa Nastassja Martin. De grande repercussão mundial, a obra recebeu o prêmio François Sommer de 2020 por sua contribuição à reflexão a respeito das relações entre homem e natureza.

Nastassja Martin teve seu rosto desfigurado por um urso pardo em um encontro inesperado na região de Kamchatka, na Sibéria, em 2015. A autora então parte do relato desse acontecimento para pensar questões sociais, políticas e existenciais. A adaptação teatral foi escrita pela atriz Maria Manoella, juntamente com a filósofa e editora Fernanda Diamant e a diretora Mika Lins. O texto se concentra em pontos de contato entre essa história e a realidade brasileira, entre essa mulher e todas as mulheres, em uma peça que se descola do realismo da obra de não ficção e estimula o sonho e os sentidos.

O resultado é ao mesmo tempo um espetáculo solo de Maria Manoella, e uma experiência artístico-sonora conduzida ao vivo pelo músico Lúcio Maia, que assina a direção musical. Além disso, conta com Daniela Thomas na direção de arte, Fabio Namatame no figurino, direção de movimento de Vivien Buckup, colaboração dramatúrgica de Ana Paula Pacheco e direção de Mika Lins.


Ficha técnica
Espetáculo "Escute as Feras"

Idealização: Maria Manoella e Fernanda Diamant
Adaptação teatral: Fernanda Diamant, Mika Lins, Maria Manoella Colaboração dramatúrgica: Ana Paula Pacheco
Direção: Mika Lins
Co- direção: Fernanda Diamant Com: Maria Manoella e Lúcio Maia
Direção Musical, Produção, Composição e execução: Lúcio Maia Direção de Arte: Daniela Thomas
Iluminação: Caetano Vilela Figurino: Fábio Namatame
Direção de Movimento: Vivien Buckup Produção: Corpo Rastreado


Serviço
Espetáculo "Escute as Feras"

De 27 de fevereiro a 12 de abril, às sextas-feiras e sábados, às 20h00 / domingos, às 18h00 Teatro Cultura Artística – Rua Nestor Pestana, 196 – Consolação / São Paulo. Ingressos: R$ 120,00 (inteira) / R$ 60,00 (meia-entrada) – disponíveis aqui.


 

.: Mostra sobre desaparecidos políticos da ditadura militar brasileira em Santos

Na primeira imagem, em preto e branco, Bergson Gurjão Farias aparece com a noiva Simone e a irmã Tânia, em Volta de Jurema, Fortaleza-Pernambuco. Na segunda foto, décadas depois, Tania e Simone estão sentadas em primeiro plano e o lugar onde antes fora ocupado por Bergson está vazio. A irmã Tânia recordará para sempre o momento em que olhou para baixo querendo arrumar a bolsa no colo, no mesmo instante em que o seu pai, Jennifer Farias, fez a última foto em que ela está com seu irmão. Bergson foi assassinado entre maio e junho de 1972 no Araguaia. Somente em julho de 2009, seu corpo foi identificado no Cemitério de Xambioá, no Tocantis, e sua família pode sepultar seus restos mortais. Foto: Gustavo Germano


Uma das principais referências no trabalho de memória política no país, o Núcleo de Preservação da Memória Política - NM, em parceria com o Instituto Histórico e Geográfico de Santos - IHGS, instituição dedicada ao fortalecimento da consciência coletiva por meio da preservação e difusão da história regional, apresentam a exposição "Ausências Brasil", do fotógrafo argentino Gustavo Germano — uma obra de profundo impacto visual e simbólico sobre os desaparecimentos forçados durante a ditadura militar (1964 – 1985) no Brasil. A exposição ficará aberta ao público de 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026.

A abertura oficial acontecerá no sábado, 28 de fevereiro, com programação especial de visita mediada com historiador, roda de conversa com ex-presos políticos e Sarau Musical. “Ausências Brasil” reúne doze pares de fotografias, contrapondo fotos de álbuns antigos de famílias de vítimas da ditadura militar no Brasil, com aquelas produzidas com familiares e amigos nos mesmos locais, em 2012. Neste sentido, as ausências nas obras de Gustavo Germano revelam muitas presenças: a presença da dor e da saudade, da injustiça e seus paradoxos, a presença da própria pessoa desaparecida.

Com o objetivo de lançar um olhar sensível sobre o tema da perseguição política e os desaparecidos do período da ditadura militar, os visitantes conhecerão rostos, histórias e poderão refletir sobre as possibilidades das vidas ceifadas pela brutalidade do sistema repressor. O projeto da Exposição Ausências foi iniciado na Argentina, motivado pelo desaparecimento do irmão do fotógrafo, Eduardo Raúl Germano, que foi detido e desaparecido pela ditadura daquele país em 17 de dezembro de 1976, e cujos restos mortais foram identificados somente em 2014 pela Equipe Argentina de Antropologia Forense. O projeto se expandiu para outros países latinos, a maioria alvos da Operação Condor – campanha de repressão e terrorismo de Estado orquestrada pelas ditaduras no Cone Sul, com o apoio dos Estados Unidos. “Ausências Brasil” foi realizada em 2012, com fotografias do Ceará ao Rio Grande do Sul.

Além da exposição, haverá uma série de atividades educativo-culturais, como visitas mediadas, formação de educadores e rodas de conversa com ex-presos políticos, fomentando debates sobre os impactos da violência de Estado, tanto no passado quanto no presente. Com o objetivo de formar cidadãos mais conscientes e críticos, a exposição reflete sobre os abusos de poder, as perseguições e os desaparecimentos forçados ocorridos durante a ditadura militar no Brasil e suas repercussões na atualidade.

Um dos objetivos do projeto, segundo a museóloga do NM Kátia Felipini Neves, é refletir sobre a importância da democracia e da reparação simbólica. “Cada vez que a gente apresenta essa exposição, é uma forma de reparar essas famílias”, diz.

A escolha da cidade de Santos deu-se em virtude de sua importância no cenário político nacional, contando com a luta de lideranças populares por direitos e democracia. Das intervenções do Estado Novo de Getúlio Vargas nos anos 1930 à Ditadura Militar (1964-1985), sofreu censura, perseguições, torturas e outras graves violações dos direitos humanos. Um dos símbolos dessa violência foi o navio-prisão Raul Soares, ancorado no porto de Santos e utilizado como cárcere e centro de interrogatório durante a repressão militar. Em todas as circunstâncias, a cidade assumiu um papel ímpar na resistência.

Para Sergio Willians, diretor executivo do IHGS, “Ao receber a exposição Ausências Brasil, o Instituto reafirma seu compromisso histórico com a memória, a pesquisa e o direito à verdade, pois preservar a história local e nacional — em todas as suas faces — significa honrar os que sofreram, reconhecer os que resistiram e inspirar as novas gerações a valorizar a liberdade, a democracia e a dignidade humana. E que o IHGS, enquanto guardião da memória santista, coloca-se como espaço legítimo e necessário para acolher iniciativas que iluminem os períodos sombrios do passado e promovam reflexão crítica e cidadania”.

O Núcleo Memória é uma instituição dedicada à preservação da memória política e à promoção dos direitos humanos e conta com uma vasta agenda de ações, como as visitas mensais ao antigo DOI-Codi/SP, os Sábados Resistentes no Memorial da Resistência de São Paulo e cursos voltados para o campo da memória política. A realização da exposição só foi possível com o apoio do Deputado Estadual Antonio Donato e das instituições parceiras.  

Agenda da exposição
27 de fevereiro (sexta-feira)

14h00 às 15h30 – Encontro de Formação de Educadores
28 de fevereiro – sábado
15h30 às 16h30 – Visita educativa mediada
16h30 às 17h30 – Roda de Conversa com ex-presos políticos
18h00 – Abertura Oficial, com a presença de Sérgio Willians e Bruna Barbosa, do IHGS, Maurice Politi e Katia Felipini, do NM, e de Antonio Donato, Deputado Estadual 
18h30 - Sarau Musical 

2 de abril (quinta-feira)
14h00 às 16h30 – Formação de Educadores e Roda de Conversa com ex-presos políticos


Serviço
Exposição "Ausências Brasil" no Instituto Histórico e Geográfico de Santos

De 28 de fevereiro a 30 de abril de 2026
Av. Conselheiro Nébias, 689 - Boqueirão, Santos – SP
Entrada gratuita
Horário de Visitação: de segunda a sexta-feira, das 14h00 às 17h00. Sábados e Domingo fechados.
Visitas educativas: a exposição contará com educador para mediação das visitas tanto para grupos pequenos como para grupos escolares também na parte da manhã. A exposição conta com recursos de audiodescrição para pessoas com deficiência visual.
Visitas educativas mediante agendamento pelo telefone (13) 3222-5484 ou e-mail ihgs@ihgs.com.br a partir do dia 20 de fevereiro.

.: "Cara de Um, Focinho de Outro": Thaís Fersoza é anunciada como dubladora

Atriz e apresentadora emprestará a voz à personagem Diane, a Tubarão. Foto: divulgação

A magia da Disney invadiu a folia paulistana neste Carnaval. O estúdio firmou uma parceria inédita com o bloco “Sertanejinho do Teló”, comandado pelo cantor Michel Teló, no último domingo, dia 15 de fevereiro, no Parque Ibirapuera, em São Paulo, para promover "Cara de Um, Focinho de Outro", a nova animação da Pixar. Durante o desfile, o trio elétrico foi palco de um momento especial para os fãs: o anúncio oficial de Thaís Fersoza como voz de Diane, uma das personagens do filme. Ela será Diane, a tubarão.

A atriz e apresentadora subiu ao trio ao lado do marido, Teló, para celebrar a novidade e interagir com o público. A recepção calorosa dos foliões confirmou a sinergia entre o casal e o projeto, aquecendo os motores para o lançamento do longa nos cinemas. Unindo diversão e conscientização, "Cara de Um, Focinho de Outro" conta a história de Mabel, uma jovem que ama e protege a natureza. Para impedir que um bosque que abriga os animais seja destruído, ela transfere a própria mente para um castor robótico realista. Infiltrada no mundo selvagem, ela une forças aos bichos em uma aventura animal.

Com experiência na dublagem ao dar voz à Babá em "Muppet Babies" (2018), Thaís Fersoza se junta a um elenco de vozes que já conta com ninguém menos do que a também atriz Renata Sorrah, lenda da teledramaturgia brasileira, que faz sua estreia como dubladora. "Cara de Um, Focinho de Outro" chega aos cinemas do Brasil em 5 março de 2026.

Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidas na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.


Cineflix Miramar | Santos

No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos / São Paulo. Ingressos neste link.

.: "Varda por Agnès": diretora ensina em documentário storytelling e cine-writing


Em cartaz gratuitamente no site sesc.digital e no aplicativo Sesc Digital, o documentário  "Varda por Agnès" tem como a arte o tema central, acompanhando a vida do expoente do cinema. No filme, a própria Agnès Varda deixa sua biografia como testamento de uma vida guiada pelo cinema, pela fotografia e pela arte. De mãe da Nouvelle Vague a ícone feminista, a diretora Agnès Varda expõe processos de criação e revela a própria experiência com o fazer cinematográfico. 

A cineasta dá um enfoque especial no método de storytelling que ela denomina de “cine-writing”, uma espécie de fórmula utilizada por ela na grande maioria de seus documentários e ficções, revisando a sua carreira de maneira única e emocionante, neste filme que encerra a sua carreira de 64 anos. Acesse no sesc.digital neste link. Ou baixe o aplicativo, disponível para download nas lojas Google Play e App Store.


"Varda por Agnès" 
Direção: Agnès Varda | França | 2019 | 115 minutos | Documentário | 12 anos
Disponível até 20 de março de 2026. Grátis.  


Aplicativo Sesc Digital
Filmes de ficção, documentários, produções originais, shows, mostras e festivais dão vida à nova plataforma de streaming do Sesc São Paulo. Disponível para Apple e Android, o app Sesc Digital é uma ferramenta intuitiva com acesso gratuito a vídeos em até 4K. Compatível com Chromecast e AirPlay, permite ao usuário assistir às obras audiovisuais sem cadastro e gerenciar perfis para toda a família. 


Sesc Digital

A presença digital do Sesc São Paulo vem sendo construída desde 1996, sempre pautada pela distribuição diária de informações sobre seus programas, projetos e atividades e marcada pela experimentação. O propósito de expandir o alcance de suas ações socioculturais vem do interesse institucional pela crescente universalização de seu atendimento, incluindo públicos que não têm contato com as ações presenciais oferecidas nas 40 unidades operacionais espalhadas pelo estado. No ar desde 2020, a plataforma Sesc Digital apresenta gratuitamente ao público conteúdos de diversas linguagens artísticas, como teatro, música, literatura, dança, artes visuais, entre outras. Com curadoria do CineSesc, a programação de cinema oferece ao público, filmes premiados, clássicos e contemporâneos, ficções e documentários, produções brasileiras e de várias partes do mundo. Saiba mais em Sesc Digital. 

.: #LeituraMiau: "Lilith Preta", de Coelho de Moraes, ultrapassa rótulos fáceis


Por Cláudia Brino, escritora, ativista cultural e editora da Costelas Felinas

"Lilith Preta", do autor Coelho de Moraes, apresenta-se como uma obra poética que ultrapassa rótulos fáceis e propõe uma imersão nas dimensões simbólicas do desejo, da espiritualidade e da experiência sensível. Dialogando com a tradição lírica brasileira - e evocando, em certos momentos, ecos do legado de Carlos Drummond de Andrade - o autor constrói uma poesia marcada pela densidade imagética e pela musicalidade dos versos.

A figura de Lilith, associada ao mistério e à força do feminino, surge como eixo simbólico da obra. Mais do que personagem, ela funciona como metáfora de atração, liberdade e confronto interior. É por meio dessa presença que o eu poético transita entre o impulso do desejo e a busca de transcendência, compondo um percurso que reflete sobre entrega, vulnerabilidade e consciência do próprio corpo como território de experiência.

Coelho de Moraes utiliza a sensualidade de forma estética e reflexiva, integrando-a a uma investigação mais ampla sobre a condição humana. Seus poemas alternam luz e sombra, concretude e sugestão, criando um jogo de contrastes que convida o leitor a participar ativamente da construção de sentidos. Há, na obra, um cuidado com a linguagem e com o ritmo que evidencia maturidade poética e intenção artística.

Mais do que um livro de poesia de temática erótica, "Lilith Preta", publicado pela Costelas Felinas Editora, pode ser lido como um percurso de autoconhecimento mediado pela palavra poética. A leitura propõe não apenas fruição estética, mas também reflexão, ao transformar símbolos de tentação em caminhos de compreensão do ser.

Assim, a obra se destaca como um exemplo de como a poesia voltada ao sensorial pode alcançar profundidade filosófica e literária, oferecendo ao leitor uma experiência rica em camadas de interpretação e sensibilidade.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

.: Renato Amado enfrenta a finitude e expõe contradições em “Nonada”


Em entrevista para o portal Resenhando.com, o autor carioca fala sobre melancolia, machismo estrutural, erotização da ausência e o salto no escuro que o levou da carreira jurídica à literatura. Foto: divulgação

Por Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com

Em um mundo hiperconectado e afetivamente exausto, Renato Amado escolheu ampliar as distâncias para falar de proximidade. Em "Nonada", publicado pela Editora Cajuína, segundo romance assinado por ele, o escritor carioca imagina uma Terra plana e mil vezes maior que a nossa para narrar a crise silenciosa de Galeano - motorista de aplicativo, ex-praticante de wingsuit e homem marcado por melancolia, desejo e contradições.

Entre telescópios que substituem o toque, diálogos de Uber que revelam microviolências cotidianas e um machismo que opera quase sem ruído, o romance combina ficção científica, existencialismo e crítica social. Mais do que contar uma história de amor à distância, Amado investiga o medo da morte, a dificuldade de sustentar vínculos profundos e a tentação permanente de adiar o desespero com doses de intensidade. Nesta entrevista exclusiva para o portal Resenhando.com, ele fala sobre o vazio como gesto político, a literatura como adiamento e exercício de aceitação, e o risco de viver quando já se sabe o desfecho da batalha. Compre o livro "Nonada", de Renato Amado, neste link.

Resenhando.com - Galeano observa o mundo à distância, mas evita o contato pleno. Em que medida "Nonada" sugere que o homem contemporâneo prefere o risco da imaginação ao perigo real do encontro?
Renato Amado - Galeano é deslocado em relação à realidade imediata, mas se conecta com uma mulher de outro canto do planeta. Do mesmo modo, por meio de telas damos preferência a ausentes e nos afastamos dos que estão à nossa volta. Parece que a presença assusta. Quanto mais instâncias de mediação, mais protegidos nos sentimos. E mais eficaz do que a distância, só o anonimato.


Resenhando.com - ⁠A Terra plana e descomunal do romance amplia distâncias físicas para falar de abismos emocionais. Essa distopia nasce mais do medo da tecnologia ou da incapacidade humana de sustentar vínculos profundos?
Renato Amado - 
Sem dúvida da dificuldade em sustentar vínculos profundos. A mulher do outro lado do oceano é uma fantasia: a voz não chega, o idioma é outro. Eles estabelecem traços de linguagem que permitem alguma comunicação, mas uma comunicação incompleta, com espaço para vazios preenchidos pela fantasia. Já as pessoas próximas se apresentam com seus defeitos, manias, irracionalidades, teimosias. Não é fácil se conectar em um nível mais profundo com seres tão imperfeitos. Além disso, todos carregamos abismos inomináveis que o outro não alcança, o que gera solidão. No fim das contas, somos sós em nossos universos internos, acessíveis ao outro apenas por brotamentos pontuais na fala, nos gestos, nas expressões.


Resenhando.com - Galeano não é apresentado como vilão, mas como produto de um machismo estrutural “inconsciente”. Até que ponto humanizar esse homem é um gesto crítico e até que ponto pode ser lido como complacência?
Renato Amado - 
O romance não adota um tom panfletário nem subestima a inteligência do leitor. A literatura nos dá uma oportunidade que não existe fora dela: de entrarmos na cabeça do outro. Isso amplia nossa compreensão do humano. A literatura que me interessa, portanto, humaniza qualquer tipo de personagem, pois a desumanização é necessariamente uma simplificação. E humanizar não é justificar, mas compreender processos. Galeano é um homem comum, atravessado pelo machismo estrutural como praticamente todos nós. Desumanizá-lo seria desumanizar a todos. Ele funciona como espelho: reconhecemos nele traços nossos. Ao criticar o machismo estrutural, o livro acaba por criticar também o leitor e o autor.


Resenhando.com - ⁠O telescópio permite ver, mas não tocar. Em tempos de redes sociais, aplicativos e amores espectrais, você diria que estamos vivendo uma erotização da ausência?
Renato Amado - 
O que se apresenta parece não ter mistério: está ali, na nossa frente, é aquilo e pronto. Acostumamo-nos a não perscrutar mais profundamente. Já o que está ausente é promessa, fantasia, possibilidade. Sem precisar caçar para sobreviver, o ser humano moderno - ao menos aquele incluído nos confortos da modernidade – tornou-se um grande entediado. Será que, da tela que despeja bits e bytes em todas as suas variações, não virá algo mais interessante do que a melancolia que nos cerca? Essa expectativa pelo novo e pelo surpreendente a qualquer instante na palma da mão é, sim, uma erotização da ausência. Deseja-se menos o que existe do que o que ainda não se mostrou. O presente tornou-se quase sempre insuficiente.


Resenhando.com - ⁠Os diálogos no Uber expõem um Brasil saturado de preconceitos e microviolências. Galeano escuta muito, reage pouco. O silêncio dele é forma de resistência ou mais um sintoma de acomodação masculina?
Renato Amado - 
É fruto de melancolia, de falta de energia, de desistência. Mas é também uma forma de dar voz ao leitor. A literatura deixa espaço e o leitor o ocupa. O silêncio é uma convocação.


Resenhando.com - ⁠"Nonada" é um romance curto, rarefeito, cheio de vazios. Você escreveu pensando no silêncio como escolha estética ou como limite ético diante do que não pode, ou não deve, ser explicado?
Renato Amado - 
Não deve ser explicado por escolha estética. Obras que explicam subestimam o leitor. Obras que apenas sugerem requerem sua intervenção. É nesse momento, quando o leitor precisa completar o texto, que a experiência se torna realmente marcante. Informações mastigadas podem até parecer interessantes, mas costumam se dissipar rapidamente. Já os fragmentos que tocam a emoção e exigem elaboração produzem uma experiência mais duradoura e, se intensos o bastante, passam a integrar a própria constituição psíquica de quem lê.


Resenhando.com - Há algo de paradoxal em um ex-atleta radical, habituado ao risco extremo, tornar-se um homem paralisado diante da vida afetiva. O medo da morte é menor que o medo da intimidade? 
Renato Amado - Por paradoxal que possa parecer, é por medo da morte que Galeano se tornou praticante de esportes radicais. Galeano via a morte como inimiga (só há inimigo quando há temor; não existe inimizade na indiferença) e queria mostrar que poderia vencê-la, ainda que provisoriamente. Uma forma de fazê-lo não era apenas se arriscar, mas viver intensamente: no absoluto do momento, a morte não existe. Mas ele quase foi derrotado, ao sofrer um grave acidente, e a ilusão se rompeu. A morte mostrou-se, “estou aqui, te pego a qualquer hora!”. E Galeano passou a se debater ininterruptamente com a finitude. É uma briga perdida. Se habitamos uma batalha cujo resultado desfavorável já conhecemos, e que perdurará por toda a vida, a consequência é a melancolia. Como se entregar a uma relação afetiva estando tomado pela melancolia? Se a morte cobre e esvazia tudo, nada tem sentido ou beleza. Nada conecta. Ao menos até Galeano ver, através de um telescópio, aquele olho do outro lado do planeta.


Resenhando.com - ⁠Ao trocar uma carreira estável no Direito por uma vida dedicada à literatura, você também realizou um salto no escuro. Que partes de Galeano dialogam, ainda que indiretamente, com essa decisão?

Renato Amado - Assim como Galeano tentava enganar a morte pela intensidade praticando wingsuit, eu tentei fazer o mesmo, buscando outras intensidades. A carreira no Direito não me dava vida, me dava salário. Precisei saltar no escuro, buscar a vida a 100% para enganar a morte.


Resenhando.com - ⁠O título "Nonada" sugere o “quase nada”, o resto, o intervalo. Em um mundo obcecado por performance, produtividade e respostas rápidas, escrever sobre o vazio é um gesto político?

Renato Amado - Existir e escrever, o que seja, é um gesto político, pois implica propor um modo de estar no mundo. Nesse sentido, Nonada se insere em uma das vocações mais recorrentes da arte: não oferecer respostas, mas abrir questões, sugerir possibilidades. Em um contexto obcecado por performance e produtividade, sustentar o vazio, a pausa e o intervalo, torna-se, por si só, uma forma de resistência.


Resenhando.com - ⁠Você afirma que a melhor saída diante da finitude é a aceitação. A literatura, para você, é um caminho real para essa aceitação ou apenas uma forma mais sofisticada de adiar o desespero?
Renato Amado - Faço muitas coisas para adiar o desespero. São as tais ações que buscam intensidade, que nos permitem esquecer a nossa condição por instantes, viver inteiros. Não vejo isso como algo negativo: talvez a melhor estratégia seja justamente adiar o desespero a tal ponto que a morte chegue antes de termos tido tempo para nos desesperar. Quanto à aceitação, ela é difícil, muito difícil, mas também é um caminho. A literatura pode ser ambas as coisas: adiamento e exercício de aceitação. Em Nonada, ao escrever o percurso de Galeano, que se constitui como um ser humano mais íntegro à medida que caminha em direção a uma aceitação ao menos parcial, eu buscava fazer o mesmo. Escrevi este livro para lidar com meus fantasmas, equilibrar-me. O caminho de Galeano é o meu caminho.

.: Crônica: Novo "O Morro dos Ventos Uivantes" e o despertar de lembranças

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


Tive a oportunidade de relembrar a história de amor de Catherine Earnshaw e Heathcliff nas telas da Cineflix Cinemas de Santos com a nova adaptação de "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë. Em meio a algumas sequências aguardadas, -a cena da pedrada na janela-, fiquei encantada com a produção um pouco apimentada e repleta de amor. Assim, recordei da primeira vez que li a obra.

Era  uma edição pequena, em papel jornal com letras miúdas que não sei se ainda tenho comigo. Livro usado e com manchas de velhice suficientes para gerar crises de espirros. Foi difícil seguir a leitura, mas dei o meu melhor. Contudo, ao cursar a minha segunda graduação, tive o prazer de ter Rosicler Martins Diniz Monteiro como professora de literatura inglesa e língua inglesa.

Ela, com sua doçura e inteligência, numa aula, contou toda a história em inglês. Lembro de estar na primeira fileira, bem pertinho, anotando e prestando atenção em cada evolução da trama trágica que a professora me fazia recordar, afinal a antiga leitura foi complicada por espirros e olhos lacrimejando.

Assistir a nova produção para o clássico que me marcou com Ralph Fiennes e Juliette Binoche no protagonismo, tem um gostinho de encantamento, mas também traz boas lembranças vividas enquanto leitora e aluna. "O Morro dos Ventos Uivantes", de Emily Brontë é uma história linda e que todos deveriam conhecer.


.: “A Baleia” desmonta o discurso fácil sobre compaixão e volta a ser o que era


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com. Foto: Ale Catan

O filme "A Baleia", dirigido por Darren Aronofsky, já era bom e foi injustamente patrulhado por uma crítica que parece ter alergia a qualquer obra que não venha embalada no manual do “politicamente correto performático”. Mas, no palco do Teatro Sabesp Frei Caneca até dia 1º de março, sob a direção de Luís Artur Nunes, o texto de Samuel D. Hunter respira melhor e parece ainda mais incômodo. Talvez porque o teatro não permita fuga: não há corte de câmera, não há trilha que manipule a lágrima: há somente atores diante do abismo e uma história a ser contada.

No papel que foi de Brendan Fraser no cinema, Emílio de Mello entrega algo que não se ensaia: doçura. O Charlie interpretado por ele não é um mártir e muito menos um monstro. É um homem que falhou tentando amar e que agora tenta amar falhando menos. No clássico "Moby Dick", escrito por Herman Melville, o capitão Ahab persegue a baleia como se quisesse matar o que não compreende. Em "A Baleia", Charlie é perseguido pelas escolhas que fez, como se fosse o Ahab de si mesmo. É apenas um homem que não se cansa de pedir desculpas e, quanto mais faz isso, mais revela a brutalidade da própria culpa.

O mar está para o espetáculo o tempo todo, seja como personagem, seja como pano de fundo: no som constante, na água como metáfora de limpeza, no dilúvio íntimo que sempre ameaça transbordar. E, inevitavelmente, nos amores líquidos apontados por Zygmunt Bauman como relações que escorrem pelos dedos antes que se aprenda a segurá-las.

O elenco atua com precisão. Luisa Thiré constrói uma amiga sobrecarregada, dividida entre o colo e o cansaço. A atuação dela é estupenda do início ao fim. Ela cuida, mas é enérgica; protege, mas explode; ama, mas está exausta da situação em que está inserida. Já Gabriela Freire, no papel da filha, tem a coragem de ser detestável enquanto personagem. A Ellie interpretada por ela oscila entre maturidade precoce e vulnerabilidade mal cicatrizada. Sádica, ela se vinga do pai com uma crueldade que nasceu do abandono, em uma vilania que não é gratuita. O jovem missionário vivido por Eduardo Speroni também se destaca. O traço dele é a hipocrisia que costuma se travestir de fé. A peça ainda presenteia o público com a participação especial de Alice Borges em uma cena decisiva.

A gordofobia e a homofobia coexistem em "A Baleia", mas o que se debate em cena é algo mais desconfortável do que essas temáticas: arrependimento e abandono. Com diálogos cortantes, é uma peça sobre o mal que se rebate com o bem, e erros que resultam em pequenas redenções, enquanto o caos acontece na vida que segue. No palco, "A Baleia" deixa de ser apenas a sombra de uma boa adaptação cinematográfica e volta a ser o que sempre foi: teatro em estado de graça.

Ficha técnica
Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.

Serviço:
Teatro Sabesp Frei Caneca
Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026
Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.

Ingressos
Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)
Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)
Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)
Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)
Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 
Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza
Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

.: Crítica: "O Morro dos Ventos Uivantes" é apimentado, mas cheio de romance

Por: Mary Ellen Farias dos Santos, editora e criadora do Resenhando.com

Em fevereiro de 2025


A nova adaptação cinematográfica do clássico literário "O Morro dos Ventos Uivantes" transborda romance suspirante entre Catherine Earnshaw (Margot Robbie, "Barbie" e "Esquadrão Suicida") e Heathcliff (Jacob Elordi, de "Priscilla" e "A Barraca do Beijo"). Com toque apimentado cada evolução na relação dos dois, iniciada ainda na infância, desperta emoção suficiente para cada um na sala de cinema torcer pelo sucesso da história de amor.

A produção dirigida por Emerald Fennell que escreveu e dirigiu dois sucessos, "Bela Vingança" (vencedor do Oscar de melhor roteiro em 2021) e "Saltburn", mergulha na era vitoriana com a história de uma das irmãs Brontë, Emily. Na tela, planos de encher os olhos, não somente apoiados na bela fotografia do cenário bucólico, mas também em tomadas internas e abertas em que a saia vermelha de Catherine diz muito, por exemplo.

O longa que soma 2 horas e 14 minutos começa na infância de Cathy que passa a ter ao lado o garoto bruto e aparentemente mudo retirado das ruas pelo pai. Assim, o jovem é batizado por ela de Heathcliff. Os dois crescem juntos no Morro dos Ventos Uivantes, mas não administram bem os sentimentos que alimentam um pelo outro. Numa casa degradada, até sem lenha para se aquecer, já com a idade avançada e sem propostas de casamentos, vê uma chance de boa vida com a chegada de um magnata dos tecidos: Edgar Linton (Shazad Latif, de "Nautilus").

Após não ser cortejada pelo novo vizinho, coloca um plano em prática e, assim, traça uma mudança brutal em seu destino e no de Heathcliff. Com a ajuda da dama de companhia Nelly (Hong Chau, de "A Baleia", "Tipos de Gentileza"), o corte da convivência entre os dois, leva Cathy a uma vida de luxo, mas sem amor. Contudo, o retorno de quem realmente ama gera reviravoltas e traições com força para convocar a morte. 

Em parceria com a Cineflix Cinemas, o Resenhando.com assiste aos filmes em Santos, no primeiro andar do Miramar ShoppingPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SAN


* Mary Ellen é editora do site cultural www.resenhando.com, jornalista, professora e roteirista, além de criadora do photonovelas.blogspot.com. Siga: @maryellen.fsm

"O Morro dos Ventos Uivantes". Gênero: drama, romance. Direção: Emerald Fennell. Elenco: Margot Robbie (Catherine Earnshaw), Jacob Elordi (Heathcliff), Hong Chau, Alison Oliver, Shazad Latif e Ewan Mitchell. Sinopse: A tragédia acontece quando Heathcliff se apaixona por Catherine Earnshaw, uma mulher de uma família rica na Inglaterra do século 18.

Postagens mais antigas → Página inicial
Tecnologia do Blogger.