segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

.: “Círculos Ancestrais” convoca o público a dançar a origem do mundo


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com
Foto: divulgação

O espetáculo circense “Círculos Ancestrais”, da Trupe do Mar, será apresentado na sexta-feira, 16 de janeiro, às 20h00, no auditório do Sesc Santos. A montagem convida o público a uma experiência sensorial que une circo contemporâneo, dança e musicalidade para revisitar a origem do mundo a partir da cosmovisão tupi-guarani, celebrando os saberes ancestrais dos povos originários por meio do corpo em movimento.

Inspirado nas obras “Tupã Tenondé” e “O Menino Trovão”, de Kaká Werá Jecupé, o espetáculo constrói uma narrativa poética que traduz mitos fundadores em imagens, gestos e ritmos. A cena se organiza em torno do símbolo do círculo - elemento sagrado presente em diversas culturas indígenas - que se manifesta por meio da roda Cyr, do crossed wheel, da dança e do uso expressivo dos bambolês. Cada movimento propõe um elo entre passado e presente, céu e terra, corpo e espírito.

Com músicas originais e sonoridades inspiradas nas tradições indígenas, o espetáculo transforma o palco em um território encantado, onde natureza, ancestralidade e imaginação se entrelaçam. A trilha sonora, executada ao vivo, amplia a dimensão ritualística da encenação, reforçando a ideia de celebração e pertencimento. O resultado é uma obra que não apenas narra histórias, mas convida o público a senti-las, criando um espaço de escuta, contemplação e reconexão com a memória coletiva.

Voltado para todas as idades, “Círculos Ancestrais” propõe um encontro afetivo entre gerações, despertando curiosidade, respeito e sensibilidade em relação às culturas originárias. Com duração de 50 minutos, o espetáculo reafirma o circo como linguagem potente de transmissão de conhecimento, poesia e resistência cultural. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (Credencial Plena).


Ficha técnica 
Espetáculo "Círculos Ancestrais"

Idealização: Thays Oliveira 
Direção: Jande Kodo Potyguara 
Elenco artístico: Thays Oliveira e Jorge Olivares 
Orientação cênica: Kelly Cheretti 
Produção Musical: Esporos e cogumelo Selvagem 
Músico Convidado: Kuaray Orea 
Figurinos: Costurices da Jô 
Realização: Trupe do Mar 
Duração: 50 minutos 


Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
Site do Sesc Santos
Instagram e Facebook: @sescsantos

domingo, 4 de janeiro de 2026

.: Livro coloca leitor por dentro do "Boom" da literatura latino-americana


Um dos momentos mais importantes da história literária visto por dentro. "As Cartas do Boom", publicado pela editora Record, traz a vasta correspondência trocada entre quatro dos autores mais influentes e premiados da literatura latino-americana: Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. O livro reúne e documenta a relação entre os escritores e revela bastidores de publicações, parcerias e conflitos entre importantes nomes das letras. A tradução é de Mariana Carpinejar

As décadas de 1950 a 1970 testemunharam um dos momentos mais célebres da história literária do século XX: o Boom da literatura latino-americana.Muito além de uma simples coincidência de talentos, o que se formou foi uma constelação intelectual movida por afinidades eletivas, ambições estéticas e compromissos políticos que, juntos, produziram uma reconfiguração sem precedentes da literatura latino-americana. A projeção internacional de autores da região marcou um momento de inflexão em que a América Latina passou a ocupar o centro das atenções do circuito literário global.

O "Boom", ao contrário do que pode se pensar, não foi um fenômeno isolado e contou com uma pré-história e um rol de outros nomes que o antecedeu ou o acompanhou – Borges, Rulfo, Carpentier, entre tantos outros. Mas, em um recorte mais aproximado, é possível identificar quatro figuras-chave: Carlos Fuentes, Julio Cortázar, Gabriel García Márquez e Mario Vargas Llosa. Os autores surgem sob os holofotes não apenas pelo êxito de suas carreiras literárias, mas pela relação nutrida entre o quarteto, que se manteve próximo em diferentes níveis durante a extensão de seus anos dourados.

As cartas do Boom oferece ao leitor um acesso privilegiado à intimidade desse movimento por meio da correspondência trocada pelo quarteto, que registra com franqueza os bastidores da criação literária, os dilemas editoriais, as tensões ideológicas e os afetos - ora solidários, ora conflituosos - que compuseram esse momento de euforia e ruptura. Mais do que documentos biográficos, esses escritos epistolares revelam a complexa teia de relações que sustentaram o Boom, bem como seus inevitáveis desgastes. Aqui, estão desde as repercussões da publicação de Cem anos de solidão até as angústias pelos golpes de Estado no continente e os projetos de férias em grupo à beira-mar.

Esta edição permite não apenas reconstruir os bastidores de uma das mais decisivas revoluções literárias do século XX, mas também repensar o papel do escritor latino-americano diante de um mundo em incessante transformação. As cartas expõem tanto o fazer literário quanto as contradições e as grandezas de uma geração que ousou imaginar uma literatura capaz de dialogar com o universal sem trair suas raízes históricas e culturais. Compre o livro "As Cartas do Boom" neste link.

 
Sobre os autores
O escritor argentino Julio Cortázar (1914 - 1984) é reconhecido por sua literatura de verve fantástica, foi um dos mais prolíficos e bem-sucedidos contistas do século XX, além de ter atuado como tradutor e crítico. Envolvido nos movimentos políticos na América Latina, acompanhou de perto as revoluções em Cuba e na Nicarágua. Publicou, entre outros títulos, os livros de contos "Bestiário", "Histórias de Cronópios e de Famas" e "Todos os Fogos o Fogo", além do romance "O Jogo da Amarelinha".

O escritor mexicano Carlos Fuentes (1928 - 2012) foi um dos mais importantes literatos de seu país, e sua obra é marcada pelo engajamento com temas centrais da história latino-americana. Atuou como embaixador do México na França entre 1974 e 1977, permitindo a recepção de exilados dos regimes ditatoriais vigentes na América Latina. Publicou romances bem recebidos pela crítica como "A Morte de Artemio Cruz", "Aura" e "Terra Nostra", além de uma série de roteiros e argumentos para produções cinematográficas.

O escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927 - 2014) foi vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 1982, autor de novelas, contos, ensaios, críticas de cinema e roteiros e um intelectual comprometido com os grandes problemas de nossa época. Entre suas obras estão os romances "Cem Anos de Solidão", "O General em Seu Labirinto", "O Amor nos Tempos do Cólera"; o livro de contos "Doze Contos Peregrinos"; e a autobiografia "Viver para Contar".

O escritor hispano-peruano Mario Vargas Llosa (1936 - 2025) foi vencedor do Prêmio Nobel de Literatura em 2010, sua narrativa abriu um caminho fértil para toda a literatura em língua espanhola. Entre seus livros estão os romances "Pantaleão e as Visitadoras", "Tia Julia e o Escrevinhador" e "Travessuras da Menina Má", além de livros de contos, obras de teatro, ensaios e memórias. 

.: Dan Stulbach é Shylock e reacende conflitos em “O Mercador de Veneza”



Montagem estrelada por Dan Stulbach propõe uma leitura contemporânea do texto de Shakespeare, refletindo sobre preconceito e ética. Foto: Igor Dallegrave

Com direção de Daniela Stirbulov e protagonismo de Dan Stulbach, o espetáculo “O Mercador de Veneza”, clássico de William Shakespeare, retorna aos palcos paulistanos após uma trajetória marcada por sucesso de público e sessões esgotadas em diversas capitais brasileiras. A montagem é uma coprodução da Kavaná Produções e da Baccan Produções e já passou por cidades como Rio de Janeiro, Recife, Curitiba e São Paulo, consolidando-se como um dos projetos teatrais mais consistentes da temporada recente. Desde a estreia, em abril de 2025, o espetáculo já foi visto por cerca de 20 mil espectadores.

Na encenação, Dan Stulbach dá vida a Shylock, o agiota judeu cuja complexidade moral atravessa séculos e continua a provocar reflexões urgentes. A montagem aposta em uma leitura contemporânea do texto shakespeariano, preservando sua força dramática e aprofundando os conflitos éticos e humanos que atravessam a obra, como justiça, intolerância, preconceito, relações de poder e os limites entre lei e vingança.

A trama acompanha Antônio, um mercador que, para ajudar o amigo Bassânio, recorre a um empréstimo com Shylock. Como garantia, oferece uma libra de sua própria carne. O acordo, aparentemente simbólico, transforma-se em um impasse brutal quando a dívida não é paga, conduzindo a narrativa a um julgamento emblemático, no qual a rigidez da lei confronta valores como compaixão, equidade e humanidade.

O elenco reúne nomes experientes da cena teatral brasileira: Augusto Pompeo (Duque), Amaurih Oliveira (Lorenzo e Príncipe de Marrocos), Cesar Baccan (Antônio), Gabriela Westphal (Pórcia), Júnior Cabral (Graciano), Marcelo Diaz (Lancelotte Gobbo), Marcelo Ullmann (Bassânio), Marisol Marcondes (Jéssica), Rebeca Oliveira (Nerissa), Renato Caldas (Solânio e Tubal) e Thiago Sak (Salarino e Príncipe de Aragão). O trabalho coletivo resulta em uma encenação vigorosa, que equilibra densidade dramática, ritmo e clareza narrativa.

A temporada tem início no BTG Pactual Hall, de 22 a 25 de janeiro, com apresentações na quinta e sexta-feira, às 20h30, e no sábado e domingo, às 18h00. Em seguida, o espetáculo segue para o Tucarena – Teatro da PUC-SP, onde permanece em cartaz de 29 de janeiro a 1º de março de 2026, com sessões às quintas, sextas, sábados e domingos, respeitando pausas pontuais no mês de fevereiro.

Com duração de 95 minutos e classificação indicativa de 12 anos, “O Mercador de Veneza” reafirma a atualidade de Shakespeare ao lançar luz sobre dilemas que seguem atravessando a sociedade contemporânea, convidando o público a refletir sobre ética, alteridade e justiça em tempos de intolerância.

.: Isabel Allende convida a degustar a vida sem pudores em livro


“Arrependo-me das dietas, dos pratos deliciosos re­jeitados por vaidade, tanto como lamen­to as oportunidades de fazer amor que deixei passar para me dedicar a tarefas pendentes ou por virtude puritana. A sexualidade é um componente da boa saúde, inspira a criação e é parte do caminho da alma. Infelizmente, demorei trinta anos para descobrir isto.”
, escreveu Isabel Allende. Após 15 anos fora de catálogo, "Afrodite - Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos", publicado pela editora Bertrand Brasil, está de volta às livrarias, em edição especial com capa nova. 

Provocante e sensorial, é a obra em que a best-seller Isabel Allende explora os vínculos entre comida, erotismo e identidade em uma prosa cheia de sabor e poesia. Um livro sedutor que revela a alquimia entre prazer e palavra, excelente opção de presente de fim de ano e um encanto para fãs da autora e amantes da boa comida. Escritora de língua espanhola mais lida no mundo, Isabel Allende já vendeu mais de 1 milhão de exemplares no Brasil e mais de 77 milhões no mundo. Seus livros já foram traduzidos para mais de 40 idiomas. A tradução da edição brasileira é de Claudia Schilling.

Entre receitas, vinhos sensuais e poções quase mágicas, Isabel Allende cria um banquete literário em que cada prato é acompanhado por histórias, lembranças e reflexões sobre o desejo, a intimidade e o poder transformador da comida. Com seu estilo inconfundível, Allende mescla memória e imaginação para evocar os prazeres que nos fazem humanos. 

O resultado é uma combinação irresistível de narrativas pessoais, contos cheios de humor e delicadeza, e pequenas provocações que questionam nossos próprios limites e tabus. O erotismo aparece não apenas como tema, mas como uma linguagem que atravessa cada página. Uma celebração do prazer em todas as suas formas.

Com nova capa, novo projeto gráfico e ricamente ilustrado, esta edição de "Afrodite" é um convite para degustar a vida sem pudores. Um livro que seduz os olhos, instiga a mente e desperta os sentidos, trazendo uma nova dimensão ao ato de comer, amar e contar histórias. Compre o livro "Afrodite - Contos, Receitas e Outros Afrodisíacos", de Isabel Allende, neste link.


O que disseram sobre o livro

"Um banquete literário no qual Allende mistura sabores e desejos com uma prosa irresistível.” - The New York Times

“Provocante e saboroso, Afrodite é um convite ao hedonismo inteligente.” - El País

 
Sobre a autora
Isabel Allende
é a autora de língua hispânica mais lida no mundo. Com livros publicados em mais de 40 idiomas, estreou na escrita em 1982, com A casa dos espíritos, título mítico da literatura latino-americana que obteve grande sucesso internacional. Em 2014, recebeu das mãos de Barack Obama a Medalha Presidencial da Liberdade, a mais importante distinção civil dos Estados Unidos. Quatro anos mais tarde, seria agraciada com o National Book Award pelo conjunto de sua obra. Compre os livros de Isabel Allende neste link.


  

.: “Nossas Canções”: Roupa Nova lança EP com seis faixas inéditas


Disponível nas principais plataformas digitais, o novo trabalho reúne composições individuais dos integrantes da banda

Roupa Nova apresenta ao público o EP “Nossas Canções”, lançado na última quinta-feira, 2 de janeiro, reunindo seis músicas inéditas que reafirmam a longevidade e a coesão artística do grupo. O lançamento coincide com a data de embarque da banda para o terceiro cruzeiro temático Roupa Nova, tradicional encontro com os fãs em alto-mar.

As faixas foram compostas individualmente por Cleberson Horsth, Kiko, Nando, Serginho Herval, Ricardo Feghali e Fábio Nestares, revelando diferentes olhares sobre temas recorrentes na trajetória do grupo, como amor, saudade, despedida e afeto. Apesar das assinaturas distintas, o EP mantém a identidade sonora que consagrou o Roupa Nova ao longo de 45 anos de carreira.

O primeiro single, “Teu Olhar”, de Serginho Herval, fala de um encontro transformador e da força simbólica de um amor que nasce de maneira simples, mas profunda. Em “O Recado”, Nando presta uma homenagem delicada ao vocalista Paulinho, abordando a despedida com serenidade e afeto, sem recorrer ao tom melodramático. Já “Ingratidão”, composta por Ricardo Feghali, expõe o desgaste emocional de uma relação marcada pela falta de reconhecimento.

A sequência do EP traz “O Amor é Sempre Assim”, de Cleberson Horsth, que aborda a ausência e a possibilidade de reconciliação, seguida por “Uma Paixão”, em que Kiko retrata o momento em que o sentimento deixa de ser dúvida e passa a ser certeza. Encerrando o repertório, “Coisas da Alma”, de Fábio Nestares, valoriza o amor cotidiano, construído nos gestos simples e na convivência. O EP já está disponível nas principais plataformas de streaming, em lançamento pela ONErpm.

.: Editora Mantra lança edição expandida do "Livro dos Mortos do Antigo Egito"


Com notas explicativas e comentários de E. A. Wallis Budge, livro reproduz o Papiro de Ani e reúne capítulos de outros escritos que melhoram a compreensão desses textos sagrados

A religiosidade dos antigos egípcios ficou eternizada nas paredes de templos e túmulos, em linho e, sobretudo, nos rolos de papiro que compõem o "Livro dos Mortos do Antigo Egito". Resultado da reunião de textos de diferentes épocas e autores, o material era depositado junto às múmias de faraós, nobres e cidadãos comuns, refletindo a profunda relação do povo egípcio com a vida após a morte. Um dos exemplares mais completos e preservados dessa tradição - o papiro de Ani - integra a edição brasileira expandida e anotada publicada pela Editora Mantra. 

Traduzidos diretamente dos hieróglifos originais, os conteúdos são apresentados com a reprodução integral dos papiros e comentados pelo arqueólogo, egiptólogo, historiador e Doutor em Letras Ernest Alfred Thompson Wallis Budge. Suas notas explicam o papel central dos escritos mortuários: orientar a alma na travessia para o além, conduzindo-a ao encontro de Anúbis e Osíris, divindades associadas à morte e ao submundo. Como revelam os manuscritos, Ani foi um “escriba autêntico”, não honorário, e possivelmente copista de parte dos capítulos atribuídos a seu papiro. Embora sua datação exata seja impossível, estudos do Período Tebano preservados no Museu Britânico indicam que, na XVIII Dinastia, circulavam duas classes distintas de papiros do Livro dos Mortos, entre eles o de Ani. 

A coletânea inclui ainda comentários do historiador sobre aspectos culturais, religiosos e mitológicos do Egito Antigo, além de listas de feitiços, orações, nomes de divindades e instruções depositadas por séculos nas câmaras funerárias. Responsável pela seção de antiguidades egípcias e assírias do Museu Britânico, Budge descobriu o papiro de Ani em escavações próximas a Luxor em 1888 e foi o responsável por identificar as seis múmias mais antigas já encontradas. 

Nesta edição, a Editora Mantra também reúne os textos introdutórios do egiptólogo, ampliando a compreensão do contexto histórico e espiritual que moldou essa obra monumental. Assim, o volume se torna indispensável tanto para leitores fascinados pelo misticismo e pela simbologia do Livro dos Mortos, quanto para estudiosos que buscam referências acadêmicas sobre um dos fenômenos sociais mais marcantes da civilização egípcia. 

Trecho do livro
"Os túmulos mais antigos descobertos no Egito provam que os egípcios primitivos davam destino a seus mortos em parte enterrando, em parte queimando, mas não há nenhum fundamento para supor que todos os mortos fossem enterrados e queimados, pois desde tempos imemoriais sempre foi o costume na África, e ainda é em muitas partes daquele continente, permitir que os corpos de todos, exceto reis, governadores, nobres e homens de alta posição, fossem devorados por animais selvagens ou consumidos pela miríade de insetos devoradores de carne que infestam o solo."
  (p. 18) 

Sobre o autor
Ernest Alfred Thompson Wallis Budge (1857- 1934) foi um arqueólogo britânico e um dos mais respeitados egiptólogos da história. Realizou escavações no Egito, no Sudão e na Mesopotâmia, sendo responsável pela descoberta das seis mais antigas múmias egípcias das quais se tem conhecimento. Durante 27 anos comandou o departamento de antiguidades asiáticas e egípcias do Museu Britânico, em Londres. "Compre o "Livro dos Mortos do Antigo Egito" neste link.

.: Espetáculo “Palhaços” desmonta sonhos e provoca o público no Sesc Santos


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com
Foto: divulgação

Com Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia em cena, sob direção de Gabriel Carmona, o espetáculo “Palhaços” será apresentado nos dias 9 e 10 de janeiro, às 20h00, no auditório do Sesc Santos. A montagem propõe uma experiência teatral intensa, que transita entre o humor ácido, o absurdo e a reflexão sobre as máscaras sociais que as pessoas insistem em vestir.

Na trama, Careta é o palhaço da meia-noite e treze, dono e protagonista de um circo de um homem só. Após mais uma apresentação, ele é surpreendido no camarim por Benvindo, um espectador entusiasmado que decide cumprimentar seu ídolo. O encontro, que a princípio parece cordial e carregado de admiração, rapidamente se transforma em um jogo cômico-surreal, no qual as fronteiras entre fã e artista, realidade e fantasia, admiração e crueldade começam a se dissolver.

A partir desse embate, o espetáculo mergulha em uma espécie de duelo psicológico. Com humor ferino, gestos circenses e um diálogo provocador, Careta passa a desmontar, um a um, os sonhos mais puros e os desejos mais obscuros de seu visitante. O riso surge como armadilha: ao mesmo tempo em que diverte, expõe fragilidades, frustrações e contradições humanas, conduzindo a plateia a um desconfortável - e revelador - reconhecimento de si mesma.

“Palhaços” utiliza a linguagem do circo, do teatro físico e da comédia para tensionar temas como idolatria, frustração, poder e identidade. A encenação aposta no contraste entre o lúdico e o brutal, criando uma atmosfera em que o riso nunca é inocente e o espetáculo se constrói justamente nesse território instável entre encanto e incômodo. Voltado ao público a partir de 14 anos, o espetáculo tem duração de 75 minutos. Os ingressos custam R$ 40,00 (inteira), R$ 20,00 (meia-entrada) e R$ 12,00 (Credencial Plena).


Ficha técnica
Espetáculo "Palhaços"

Texto: Timochenko Webhi
Direção: Gabriel Carmona
Elenco: Dagoberto Feliz e Danilo Grangheia
Produção: Ana Barros
Cenário: Flavio Tolezani
Operação de luz: Aline Barros
Figurino: Daniel Infantini
Fotos: Ricardo Galli, Renato Silvestre, Tathi Yazigi
Arte gráfica: Raymundo Calumby
Duração: 75 minutos

Venda de ingressos
As vendas de ingressos para os shows e espetáculos da semana seguinte (segunda a domingo) começa na semana anterior às atividades, em dois lotes: on-line pelo aplicativo Credencial Sesc SP e portal do Sesc São Paulo: às terças-feiras, a partir das 17h00. Presencialmente, nas bilheterias das unidades: às quartas-feiras, a partir das 17h00.

Bilheteria Sesc Santos - Funcionamento
Terça a sexta, das 9h às 21h30 | Sábados e domingos, 10h às 18h30   

Sesc Santos
Rua Conselheiro Ribas, 136 - Aparecida / Santos
Telefone: (13) 3278-9800        
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sábado, 3 de janeiro de 2026

.: Assistir a "Um Verdadeiro Cavalheiro" é repensar o neorromantismo


Por Helder Bentes,  escritor e professor. 

O que se entende por Neorromantismo, no âmbito da literatura, é uma obra que fora produzida e publicada depois do período oficial do Romantismo literário, ou seja, posterior à segunda metade do século XIX. Eu, porém, defendo a tese de que seja Neorromântica toda arte que, posterior à oposição entre os estilos romântico e realista, traga à reflexão o aspecto lúdico entre a fuga romântica da realidade e o compulsivo confronto realista com ela. Ontem assisti a "Um Verdadeiro Cavalheiro", e lembrei-me desse querido pensamento meu.

O filme é turco, foi lançado em 2024 e está no catálogo da Netflix desde setembro de 2025. O título não parece interessante, mas o verdadeiro cavalheiro a que ele se refere é o jovem Saygin (lê-se Saigon), interpretado pelo ator Çağatay Ulusoy, um verdadeiro gato, antes de ser um verdadeiro cavalheiro. Saygin é órfão. Sua mãe morrera queimada num incêndio em sua casa, quando ele era criança. 

Abandonou a escola porque ficou traumatizado. Se não estivesse na escola à hora do incêndio, sua mãe talvez estivesse viva. Cresceu com esse pensamento tóxico na cabeça. Todo o conhecimento adquirido ao longo da vida era empírico. Ele passou a se prostituir para sobreviver e levou junto seu irmão mais velho (Haki Biçici) que não era tão bonito quanto ele, mas ele ensinava ao irmão as artimanhas da sedução adquiridas ao longo de sua experiência como acompanhante de luxo. Ele tem um caso secreto com uma mulher casada que o banca (Şenay Gürler). Essa mulher tem uma filha tímida e que se acha feia. Saygin tenta unir a filha de sua amante a seu irmão e acaba se apaixonando de verdade pela amiga dela, Nehir (Ebru Şahin).

A partir daí começam os complicadores desse drama romântico, mas também realista, porque derruba por terra a máscara dos casamentos aparentemente bem sucedidos, a abertura das relações “monogâmicas” para os relacionamentos extraconjugais, a mercantilização do ser humano, dos padrões de beleza, do sexo, o imperialismo do desejo, a compulsão das circunstâncias, a imposição da realidade e sua rota de colisão com os ideais pequeno-burgueses, a dor humana e os traumas de infância que se acumulam e vão desenhando nosso destino.

Eu não vou aqui contar como o filme acaba, mas o desfecho dessa história revela a psicoadaptação necessária à realidade e como os recomeços têm o potencial de renovar as oportunidades. Não é o melhor filme do mundo. Mas para quem gosta de romances com pitadas de realidade, uma boa fotografia e de ver atores de beleza industrializada em cena, valem a pena as quase duas horas de exibição. Eu gostei.

.: Com Zeca Baleiro e Martha Nowill, peça questiona o preço da felicidade

"Felicidade" será apresentado no Teatro Sérgio Cardoso, de 7 de janeiro a 1º de fevereiro. Quartas, quintas e sextas-feiras, às 20hoo; Sábados, às 17h00 e às 20h00; Domingos, às 17h00. Foto: Edson Kumasala

Ser feliz o tempo todo, todos os dias, também há de ter seu preço e seus conflitos. É o que pretende mostrar a protagonista vivida por Martha Nowill na peça "Felicidade", escrita por Caco Galhardo e dirigida por Dani Angelotti. Na direção musical e também no palco, o espetáculo conta ainda com a participação do cantor e compositor Zeca Baleiro, dos atores Eduardo Estrela, Luisa Micheletti, Nilton Bicudo e Willians Mezzacapa e da percussionista Layla Silva. 

 A temporada estreia no Teatro Sérgio Cardoso, equipamento da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo, gerido pela Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA), em São Paulo. O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e pela Bradesco Seguros, com produção da Morente Forte Produções Teatrais, que completa 40 anos de trajetória, e realização da Cubo Produções.

O texto foi criado inspirado pela canção "Vai (Menina Amanhã de Manhã)", de Tom Zé. Com cara de quadrinhos e ambiente de show musical, o espetáculo narra a inesperada virada na vida de uma jornalista e influenciadora de sucesso, que sem nenhuma razão aparente acorda com uma felicidade radiante e inexplicável. O que poderia ser apenas um bom dia se transforma em uma desconhecida forma de existir, já que essa alegria simplesmente não vai embora. Agora, ela precisa aprender a lidar com sua nova personalidade transformada. Mas será que o mundo ao seu redor está preparado para conviver com tanta felicidade?


Serviço
Espetáculo "Felicidade"
Teatro Sérgio Cardoso
Sala Nydia Licia (Capacidade: 827 lugares). R. Rui Barbosa, 153 - Bela Vista / São Paulo
Classificação etária: 14 anos. Duração: 80 minutos. Instagram: @felicidadeteatro
Ingressos: De R$ 50,00 a R$ 220.00 | https://bileto.sympla.com.br/event/112106

.: "Jovens, Reais, Escandalosos" expõe o lado tóxico do glamour e da juventude


Toda história de realeza começa com uma mentira perfeita, o brilho que faz as pessoas acreditarem que viver em um palácio é sinônimo de ser feliz para sempre. Mas Ruby Carter aprende rápido que coroas pesam, holofotes queimam e a vida dentro dos muros da elite pode ser tão perigosa quanto sedutora. Esse é o enredo de "Jovens, Reais, Escandalosos: se a Coroa Serve, Use-a", lançamento da escritora londrina Katy Birchall, que chega ao Brasil pela Mood Editora. A narrativa acompanha a garota criada em uma vila tranquila, que nunca imaginou trocar tardes silenciosas pela rotina onde cada passo é observado. Essa escolha vira assunto e o erro pode ecoar pelos corredores de Londres. 

A vida de Ruby muda drasticamente quando vai morar com a excêntrica tia Tabatha. A casa parece saída de uma revista de moda, ou de um sonho meio alucinado. Ao ingressar na escola Clairmont Hall, ela descobre que existe um universo paralelo no qual jovens privilegiados vivem como se fossem personagens de um reality show sem câmera, ou quase. Ali, títulos importam, sobrenomes definem destinos e o luxo não é um detalhe: é a regra. 

É nesse cenário que surgem “os elites”: Caroline é impecável até no silêncio; Sybil guarda mistérios na ponta do sorriso; Jonty transforma qualquer festa em lenda; e Xavier é uma presença tão nociva quanto irresistível. A protagonista percebe que esse grupo influencia tudo, desde onde sentar no refeitório até quem merece ser lembrado. Ser aceita por eles é um ingresso para o estrelato; ser ignorada é o início do fim. E, ainda assim, ela sente que algo ali não fecha, como se todos carregassem segredos que poderiam implodir o glamour a qualquer minuto. 

Enquanto tenta sobreviver a esse ecossistema brilhante e tóxico, Ruby também enfrenta a dor da perda e o peso de revelações sobre sua própria família. Entre festas clandestinas em mansões históricas, romances proibidos que roubam o ar e rivalidades afiadas, ela se vê obrigada a decifrar quem realmente é e quem precisa ser para não desaparecer no meio do caos dourado do lugar. 

Katy Birchall constrói uma narrativa que mistura humor, drama, charme britânico e aquele gosto agridoce de escândalo, que faz o leitor virar as páginas sem parar. Ao explorar o que significa viver sob pressão constante, a autora desmonta a fantasia da realeza e questiona: quem somos quando ninguém nos conhece de verdade? E quem nos tornamos quando todos acham que sabem tudo sobre nós? 

"Jovens, Reais, Escandalosos" é um mergulho eletrizante no submundo brilhante da alta sociedade juvenil, na qual luxo e perigo caminham de mãos dadas e romances queimam mais rápido do que segredos. Uma história em que ninguém sai ileso dos holofotes. Compre o livro "Jovens, Reais, Escandalosos" neste link.


Sobre a autora
Katy Birchall
é conhecida por seus romances juvenis e comédias românticas encantadoras. Começou sua carreira como jornalista e rapidamente conquistou leitores com seu estilo divertido, espirituoso e cheio de personalidade. Entre suas obras mais populares estão as séries "The It Girl" e "Hotel Royale". Katy escreveu uma versão adaptada de "Emma", de Jane Austen, para jovens leitores. Vive em Londres com seu parceiro, Ben, e seu cachorro resgatado, Bono, que, segundo ela, trava batalhas épicas com esquilos no parque. Instagram: @katybirchallauthor. Compre os livros de Katy Birchall neste link.

.: Peça expõe o desgaste emocional do presente pós-pandêmico


Solidão, criação e ruído urbano se cruzam em "Um Dia de Semana Qualquer", espetáculo dos Notívagos Burlescos que mistura teatro, dança, música e vídeo. Uma experiência sensível sobre existir em tempos de excesso e ansiedade. Em cartaz no Teatro Alfredo Mesquita, com entrada gratuita. Foto: Nathan Lisboa

Livremente inspirada em "Request Concert", de Franz Xaver Kroetz, o espetáculo "Um Dia de Semana Qualquer" apresenta um mergulho na solidão urbana e no caos criativo. A montagem da Associação Teatral Notívagos Burlescos, de Botucatu, celebra 23 anos de trajetória artística. A peça traz uma abordagem contemporânea que integra vídeo mapping, dança, teatro e música ao vivo, com dramaturgia de Sheyla Coelho e Robert Coelho e direção de João Alves. Em cena estão Sheyla Coelho, Murilo Andrade e Dael Vasques. As apresentações ocorrem dias 14, 15, 16, 17 e 18 de janeiro, de quarta a sábado, às 20h00, e domingo, às 19h00. Sessão extra em 17 de janeiro, sábado, às 17h30.

A proposta, viabilizada pelo PROAC 22/2024 para obras inéditas, rompe as fronteiras do hiper-realismo de Kroetz para criar uma experiência mais fluida entre o épico e o lírico, abordando temas urgentes como solidão, depressão e ansiedade, acentuados no período pós-pandêmico. Na trama, uma mulher atravessa uma rotina saturada pelo barulho da cidade, das redes e dos fluxos incessantes de mídia, afundando em uma solidão povoada e intensa. Em paralelo, acompanhamos uma atriz perdida em seu caos criativo e ideológico, tentando acessar meios de produção para realizar um trabalho transformador em meio às exigências do presente. Essas duas figuras se encontram e buscam se reconstruir, apesar de uma sociedade fragmentada que desgasta quem tenta sobreviver às suas dinâmicas.


Serviço
Espetáculo "Um Dia de Semana Qualquer"

Dias 14, 15, 16, 17 e 18 de janeiro, de quarta a sábado, às 20h00, e domingo, às 19h00. Sessão extra em 17 de janeiro, sábado, às 17h30.
Teatro Alfredo Mesquita - Av. Santos Dumont, 1770 - Santana / São Paulo
Ingressos: gatuitos, presencial
Bilheteria presencial: uma hora antes de cada sessão.
Capacidade: 198 lugares.
Acessibilidade: o Teatro é acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida na plateia.

.: Livro investiga como a antipoesia desmonta a tradição lírica


“A Grande Comédia da Antipoesia: ensaios Sobre Nicanor Parra”
, do poeta, dramaturgo e ensaísta João Mostazo, se debruça sobre a obra poética do chileno Nicanor Parra (1914-2018), um dos mais importantes e influentes poetas hispano-americanos do século 20, particularmente sobre seu conceito de “antipoesia”. Segundo o autor, saber em que medida a poesia pode almejar a uma representação da vida real, vivida pelas pessoas comuns, e não apenas dos sentimentos sublimes de poucos poetas eleitos, é a questão central posta pelo conceito de “antipoesia”. 

Os ensaios buscam compreender como a obra de Parra se coloca diante dessa questão e que ferramentas ele utiliza para formulá-la e, em seguida, para buscar respondê-la. Publicado pela Edusp, o livro questiona até que ponto é possível afirmar, no âmbito de uma literatura moderna da segunda metade do século 20, que a antipoesia parriana representa uma ruptura radical com a poesia tradicional. 

O autor investiga também se é lícito afirmar que a obra de Nicanor Parra articula uma dimensão comum de linguagem. Além disso, o livro apresenta uma antologia com as traduções para o português de todos os poemas de Parra reproduzidos nos ensaios, oferecendo ao leitor uma breve coletânea. Compre o livro “A Grande Comédia da Antipoesia: ensaios Sobre Nicanor Parra”, de João Mostazo, neste link.

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