terça-feira, 13 de janeiro de 2026

.: Estreia de Fabiane Secches no romance, "Ilhas Suspensas" equilibra ensaio e ficção"


Estreia de Fabiane Secches no romance, "Ilhas Suspensas", publicado pela Companhia das Letras, equilibra ensaio e ficção para contar não apenas uma história sobre saudade e solidão, como também sobre amor, família e amizade. No livro, Mariana tem encarado a maternidade sob diferentes formas: primeiro, com a morte de sua mãe; depois, com a frustração de várias fertilizações in vitro malsucedidas; por fim, com o distanciamento da própria língua materna, quando se vê migrando com o marido para um país cujo idioma, "composto de fonemas desconhecidos", ela não compreende. A dinâmica de constantes perdas leva Mariana a um quadro depressivo que só é aliviado pela companhia dos livros e de seu cachorro, Quincas.

Entre se adaptar ao novo bairro, acostumar-se ao clima estranho e se moldar à atual rotina do marido - que, devido ao trabalho, se ambientou às mudanças com muito mais facilidade -, Mariana se dedica à escrita de sua tese de doutorado, sobre a presença de animais na literatura, enquanto coleciona trechos das obras de Donna Haraway, Susan Sontag e Carola Saavedra, entre outras, na tentativa de encontrar algum tipo de resposta para as suas inquietações. De fato, é na literatura que ela experimenta esse acalanto, mas é ao lado de um grupo de amigas imigrantes que a possibilidade de recomeçar se apresenta. Compre o livro "Ilhas Suspensas", de Fabiane Secches, neste link. 
 

O que disseram sobre o livro

"Lendo 'Ilhas Suspensas', o leitor desbrava com a protagonista um caminho promissor: o do esforço, atento e compassivo, pela transposição das barreiras sensíveis -- do Umwelt, para citar um dos conceitos que irrigam o texto -- entre os diferentes seres e pessoas. Com uma voz narrativa que combina ficção e ensaio, ternura e lucidez, este belo romance de Fabiane Secches nos convida a encarar os impasses da vida contemporânea de olhos bem abertos, ávidos por enredamentos possíveis." - Daniel Galera 

"Entre espécies, países e línguas, Fabiane Secches encontra o lugar terno e candente onde a solidão de uma mulher cabe nas palavras. Ilhas suspensas não parece um romance de estreia, parece mais um retorno -- o retorno de uma longa viagem à devastação da perda, à renúncia da maternidade. Uma longa viagem a si própria, cuja estação de chegada e de partida é a mesma: a literatura." - Natalia Timerman


Sobre a autora
Fabiane Secches nasceu em Minas Gerais, em 1980. Psicanalista, tradutora e pesquisadora, fez mestrado em teoria literária e literatura comparada na Universidade de São Paulo. É colaboradora dos jornais Folha de S.Paulo e das revistas Cult e Quatro cinco um, entre outros veículos. Ilhas suspensas é seu primeiro romance. Compre os livros de Fabiane Secches neste link. 

.: Marcos Damigo retrata as origens de SP em peça sobre a História do Brasil


Comédia farsesca, Entre a Cruz e os Canibais explora o desajuste entre o projeto colonial e a realidade da Vila de São Paulo de Piratininga. Foto: Heloisa Bortz


Com a proposta de fomentar novos imaginários, provocando outras percepções sobre o nosso passado, Marcos Damigo tem se dedicado a pesquisar e encenar peças sobre a história do Brasil. Seu novo espetáculo, "Entre a Cruz e os Canibais", lança luz sobre a construção do mito bandeirante e, consequentemente, de São Paulo. O trabalho faz sua temporada de estreia no Teatro Arthur Azevedo, em São Paulo, entre os dias 22 de janeiro e 15 de fevereiro, de quinta a sábado, às 20h00, e, aos domingos, às 19h00. 

Em tom de comédia farsesca, a peça, que estreia na semana do aniversário de São Paulo, revisita essa narrativa histórica e sonda o desencontro entre o projeto colonial e a realidade da Vila de São Paulo de Piratininga. Damigo lembra que, por muito tempo, os bandeirantes não foram considerados heróis. Mas, atendendo a interesses de uma nova elite econômica que surgiu com o ciclo do café no século XIX, essa noção se modificou, culminando na criação de uma identidade para São Paulo atrelada à ideia de trabalho e desenvolvimento.

"Entre a Cruz e os Canibais" é ambientada em 1599 e conta com quatro personagens em cena: o Juiz, o Governador-geral, o Vereador e o Procurador. A trama se inicia com a chegada do Governador-geral do Brasil Dom Francisco de Souza à pequena Vila de São Paulo de Piratininga, única aglomeração de europeus fora da costa, isolada pela íngreme Serra do Mar.

Os moradores estão revoltados com os mandos e desmandos do Juiz. Mas ele está apavorado com a iminência de um ataque indígena, pois o Vereador sequestrou tupis aliados. Já o Procurador, um degredado que foi salvo pelos tupis e tem portanto uma relação de proximidade com eles, espera que a vinda do Governador-geral faça valer a lei que proíbe a escravização de indígenas.

No entanto, Dom Francisco de Souza, ou “das Manhas” como indicava seu apelido, quer resolver os conflitos de maneira a atender melhor seus interesses. Descortina-se, assim, o maior paradigma do projeto nacional: justamente quando São Paulo tem seu primeiro impulso de progresso econômico, com o avanço dos bandeirantes pelo interior, é que seus moradores começam a explorar a mão de obra indígena em larga escala.


Encenação
“Encontramos no humor a melhor estratégia para questionar essa ideia de que os bandeirantes foram heróis. Por isso, criamos o que eu chamo de comédia de escárnio, que dialoga com uma tradição de comédias populares desde a Antiguidade, passando por grandes autores brasileiros também, como Arthur Azevedo e Martins Pena. Assim, conseguimos colocar em destaque o grotesco escondido sob o verniz de modernidade que mascara até hoje interesses abjetos”
, comenta Damigo.

A primeira inspiração de Marcos, diretor e autor da montagem, foi há mais de 30 anos, quando leu o livro "São Paulo nos Primeiros Anos 1554-1601-  São Paulo No Século XVI", de Afonso D'Escragnolle Taunay. A obra clássica descreve as dificuldades enfrentadas pelos fundadores daquela que se tornaria a maior cidade das américas. “Ao ler os relatos, logo pensei que aquelas histórias renderiam uma boa comédia. A tentativa de fundar uma civilização europeia em um lugar tão distante – e distinto – revela muitas das contradições do projeto colonial que estão presentes até hoje. Explorar isso pelo viés do humor é uma maneira de revelar os absurdos que foram sendo normalizados simplesmente porque nos acostumamos a eles”, afirma o diretor. 

Para escrever "Entre a Cruz e os Canibais", Damigo contou com as consultorias do premiado dramaturgo e roteirista Luís Alberto de Abreu e do historiador Paulo Rezzutti, graças aos recursos de um edital Proac do Governo do Estado de São Paulo em 2020. Para a montagem, o artista também contou com o apoio do historiador Rodrigo Bonciani. Damigo lembra que a transformação do bandeirante em herói nacional é relativamente recente. “Com a Proclamação da República, em 1889, e o poder econômico conquistado por São Paulo por conta do café, eles passaram a ser cultuados na forma de estátuas, nomes de ruas, estradas e até o palácio do governo”, acrescenta. “E cada vez mais estamos olhando criticamente para essa ideia de desenvolvimento a qualquer custo”.

Nesse sentido, o espetáculo não pretende fazer uma reconstituição histórica, os personagens são tratados como tipos, e a trilha sonora, originalmente composta por Adriano Salhab, estabelece mais explicitamente essa relação entre passado e presente. Tudo isso exige atores experientes: José Rubens Chachá (o Juiz), integrante do antológico grupo Ornitorrinco; Fábio Espósito (o Vereador), ator e palhaço com experiência internacional, incluindo trabalhos no Cirque du Soleil; Daniel Costa (o Procurador), indicado ao Prêmio Shell de Melhor Ator por Urinal, o Musical; e Thiago Claro França (o Governador-geral), artista presente em diversas criações da Cia. do Tijolo. “Eu disse aos atores, no primeiro dia de ensaio, que eles precisavam destruir o meu texto, no sentido de transformar a pesquisa histórica em jogo de cena e comédia. E nisso eles foram excepcionais”, ri Damigo.

O figurino desenvolvido por Marichilene Artisevskis incorpora elementos visuais do modernismo e da tropicália, movimentos que propuseram uma releitura da nossa história na busca por uma identidade nacional. O cenário é composto de lonas pintadas à mão pelos artistas e grafiteiros Jonato e Ever. Além deles, o cineasta guarani Richard Wera Mirim, morador da Terra Indígena Jaraguá, é responsável pela criação de um vídeo para o espetáculo. O espetáculo tem patrocínio da Google Cloud através da lei municipal de incentivo, PROMAC.


Ficha técnica
Espetáculo "Entre a Cruz e os Canibais"

Dramaturgia, Direção artística, Desenho do cenário e Idealização: Marcos Damigo
Direção de produção: Vi Silva
Direção musical: Adriano Salhab
Atores: José Rubens Chachá, Fabio Esposito, Daniel Costa e Thiago Claro França
Música ao vivo: Adriano Salhab e Thiago Claro França
Assistente de direção e Contrarregra: Warner Borges
Figurinista e visagista: Marichilene Artisevskis
Iluminador: Ney Bonfante
Assistente de iluminação: Matheus Bonfante
Mobiliário cênico e Pintura do cenário: Jonato e Ever
Cenotecnia: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo
Vídeos: Richard Wera Mirim e Santo Bezerra
Identidade visual: Santo Bezerra
Gestão de redes sociais: Flávia Moreira e Micaeli Alves (AuttivaLab)
Fotógrafa: Heloisa Bortz
Historiadores (consultoria histórica e palestrante): Paulo Rezzutti e Rodrigo Bonciani
Consultoria dramatúrgica: Luís Alberto de Abreu
Produção executiva: Carolina Henriques (Rodri Produções)
Assistente de produção: Sofia Augusto
Administração financeira: Gustavo Sanna
Assessoria de imprensa: Canal Aberto - Márcia Marques, Daniele Valério e  Flávia Fontes de Oliveira


Serviço
"Entre a Cruz e os Canibais"
Duração: 85 minutos Classificação indicativa: 12 anos Gênero: comédia musical
Data: 22 de janeiro a 15 de fevereiro de 2026
Temporada: Quinta a sábado, às 20h, e, aos domingos, às 19h
Acessibilidade: 23 de janeiro - Libras e audiodescrição
Local: Teatro Arthur Azevedo - Av. Paes de Barros, 955 - Alto da Mooca, São Paulo, SP
Estacionamento: gratuito (vagas limitadas)
Telefone: (11) 2604-5558
Ingresso: R$ 20,00 (inteira)/R$ 10,00 (meia entrada) | Bilheteria presencial aberta uma hora antes de cada sessão | Ingressos on-line: www.sympla.com
Dias 22, 23, 24 e 25 de janeiro, em comemoração ao aniversário da cidade de São Paulo, o espetáculo será gratuito.

.: "Como Todos os Atos Humanos" ganha temporada no Sesc Pinheiros


Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman e direção de Rui Ricardo Diaz, o espetáculo tem a autora Marina Colasanti, reconhecida por sua escrita poética e crítica, como referência central na construção dramatúrgica do espetáculo. Foda: Agueda Amaral


Após uma temporada de sucesso no no Rio de Janeiro, "Como Todos os Atos Humanos", da Cia. do Sopro, retorna para uma nova temporada na capital paulista. O espetáculo fica em cartaz no Auditório do Sesc Pinheiros, de 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026, com apresentações de quinta a sábado, às 20h30  no dia 06 de fevereiro, além da sessão das 20h30, haverá uma sessão às 16h00. 

Com dramaturgia e atuação de Fani Feldman (Cleo na primeira temporada de Impuros) e direção de Rui Ricardo Diaz (entre outros trabalhos está no elenco do novo filme Anaconda - produzido pela Columbia Pictures e é um dos protagonistas da série Impuros), o trabalho tem como ponto de partida obras de Marina Colasanti, Giorgio Manganelli e Nelson Coelho, e se configura num universo único, atravessado pelo realismo fantástico. A montagem dialoga ainda com referências visuais de artistas como Francis Bacon e Edvard Munch, explorando a deformação e a potência expressiva da figura humana.

A temporada acontece em janeiro, mês em que se completa um ano da morte de Marina Colasanti, uma das mais importantes escritoras da literatura brasileira contemporânea. Reconhecida por sua escrita poética e crítica, profundamente ligada às questões de gênero, a autora é referência central na construção dramatúrgica do espetáculo.

Na encenação, um gesto extremo - um parricídio metafórico, simbolizado por  “furar o olho do pai” - surge como ato de ruptura e insubmissão. A narrativa estabelece um diálogo invertido com o mito de Electra e expõe, por meio de imagens arquetípicas, mecanismos de vigilância, dominação e silenciamento impostos ao corpo e ao destino das mulheres. O espetáculo integra o trabalho continuado da Cia. do Sopro, que fundamenta seus processos no Laboratório Dramático do Ator, a partir da pesquisa desenvolvida há mais de três décadas por Antonio Januzelli, referência na investigação do intérprete criador e preparador do trabalho.


Ficha técnica
Espetáculo "Como Todos os Atos Humanos"
Dramaturgia e atuação: Fani Feldman
Direção: Rui Ricardo Diaz
Assistência de direção: Plínio Meirelles 
Preparação: Antonio Januzelli
Iluminação: Osvaldo Gazotti
Cenário e figurino: Daniel Infantini
Idealização: Cia. do Sopro
Produção: Quincas
Direção de produção: Fani Feldman
Produção executiva: Andrea Melo Marques
Fotos: Agueda Amaral e Yukio Yamashita


Serviço
Espetáculo "Como Todos os Atos Humanos", com Cia. do Sopro
Temporada: 22 de janeiro a 21 de fevereiro de 2026
De quinta a sábado, às 20h30 (no dia 6 de feveriro também haverá uma sessão às 16h00)
Sesc Pinheiros - Auditório - Rua Paes Leme, 195, Pinheiros / São Paulo
Ingressos: R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (credencial plena)
Vendas em sescsp.org.br ou na bilheteria de qualquer unidade
Duração: 55 minutos
Classificação: 14 anos
Capacidade: 100 lugares
Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida

.: Thalma de Freitas e Helô Ferreira em show intimista no Sesc 24 de Maio


O espetáculo é uma viagem única por diferentes vertentes da música brasileira, do samba ao jazz, da MPB ao pop, com releituras e músicas autorais, tendo como fio condutor a temática do amor romântico (ou não). Foto: Barbara Del Colletto


Thalma de Freitas e Helô Ferreira apresentam show no teatro do Sesc 24 de Maio, dia 16 de janeiro. Com a Thalma na voz e Helô no violão, proporcionam ao público a oportunidade de vivenciar ao vivo as versões que a dupla promove nas redes sociais, com uma performance que vai do clássico ao contemporâneo. O espetáculo é uma viagem única por diferentes vertentes da música brasileira, do samba ao jazz, da MPB ao pop, com releituras e músicas autorais, tendo como fio condutor a temática do amor romântico (ou não).

Cantora e atriz, Thalma de Freitas é conhecida pela versatilidade do seu trabalho. Em 2020, foi indicada ao Grammy Latino pelo EP intitulado Sorte!, uma colaboração com o pianista John Finbury. Sua parceira de palco, Helô Ferreira, violonista, compositora e arranjadora, é um dos grandes nomes do violão brasileiro contemporâneo, colaborou anteriormente com Raquel Tobias, ANNÁ e Luana Bayô.


Serviço 
Thalma de Freitas e Helô Ferreira 
Sexta-feira, dia 16 de janeiro, às 20h00
Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo - 350 metros da estação República do metrô
Classificação: 12 anos
Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (Credencial Sesc).
Duração do show: 90 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00

.: Em SP, exposição "Pinóquio" ganha vida no Farol Santander e encanta gerações


Mostra inédita integra a programação de férias do Farol para toda a família e revisita o clássico de Carlo Collodi, com mais de 300 itens. Foto: Rodrigo Reis


“As Aventuras de Pinóquio” estão no Farol Santander São Paulo, com mais de 300 itens distribuídos entre esculturas, livros, bonecos, filmes, ilustrações, gravuras, autômatos, instalações sonoras e uma coleção de 31 Pinóquios de diferentes épocas e nacionalidades, produzidos em madeira. Dividida em dois andares, a mostra ocupa 400m² e revisita o clássico de Carlo Collodi (1826–1890) por meio de perspectivas históricas, literárias, cinematográficas e visuais. Apresentada pelo Ministério da Cultura, com patrocínio do Santander Brasil e produzida pela AYO Cultural, a atração tem curadoria de Rodrigo Gontijo e será exibida até 22 de março próximo. 

A mostra explora a simbologia universal do boneco de madeira criado por Collodi e publicado originalmente em fascículos entre 1881 e 1883. Considerada uma das obras mais influentes da literatura infantojuvenil e da cultura italiana, "As Aventuras de Pinóquio" tornou-se um fenômeno mundial, atravessando gerações, linguagens e interpretações – da literatura ao cinema, da marionete ao robô. A experiência integra o circuito de visitação do Farol Santander São Paulo, que reúne exposições, arquitetura, história, gastronomia e vista panorâmica da cidade.

“Nosso compromisso com a cultura se expressa na escolha de projetos que ampliam o acesso, estimulam a imaginação e fortalecem a relação das pessoas com a arte e com a memória que nos acompanha ao longo da vida. Esta exposição revisita um clássico que permanece atual, capaz de despertar questionamentos e novas interpretações a cada encontro”; comenta Bibiana Berg, Head Sênior de Experiências, Cultura e Impacto Social do Santander Brasil e Presidente do Santander Cultural.

Carlo Collodi escreveu a história de Pinóquio originalmente em fascículos para o jornal “Giornale per i bambini” (1881–1883), batizando o boneco de madeira com um nome que, no dialeto toscano, significa “pinhão”. Em 1883, no mesmo ano em que concluiu a série, publicou a obra em formato de livro. Collodi desenvolveu uma narrativa onde a jornada de Pinóquio pode ser vista como uma metáfora para a formação da identidade nacional italiana na época. O boneco de pau representa a falta de uma essência definida, e sua transformação simboliza o processo de formação do futuro cidadão. A ambientação, com personagens como o pobre Gepeto e a ameaça constante da fome, reflete a dura realidade social atravessada pelos italianos naquele momento.

“Depois do sucesso da exposição 'As Aventuras de Alice' (2022), também no Farol Santander São Paulo, apresentamos agora 'As Aventuras de Pinóquio', que convida o público a interpretar e reinterpretar a obra de Carlo Collodi. Essa mostra propõe aos visitantes história, entretenimento, aprendizagem e encantamento, pois são diversas as formas de se ler a complexidade dessa criação”; explica Rodrigo Gontijo, curador da exposição.


Pinóquio como símbolo histórico e cultural (andar 20)
No andar 20 são apresentados núcleos temáticos inspirados nos capítulos do livro original. Portanto, o visitante encontra um panorama histórico-literário com informações sobre Collodi e edições raras do livro. Em seguida, na “Oficina de Criação”, surgem as ilustrações das primeiras edições do clássico, feitas pelos italianos Enrico Mazzanti e Carlo Chiostri. Na sequência, o público encontra também uma série de marionetes em madeira, criadas pelo artista brasileiro e especialista em Pinóquio, Gil Toledo. Há ainda uma biblioteca que celebra as traduções brasileiras da obra e apresenta uma instalação de Adriana Peliano inspirada nos “irmãos” de Pinóquio, criados por Monteiro Lobato, em passagem do livro “Reinações de Narizinho” (1931).

Ao final do percurso neste piso, o visitante encontra a “Sala dos Autômatos”, com modelos feitos em madeira e repletos de movimentos, criados pelos brasileiros Eduardo Salzane e Maurizio Zelada. O ambiente é acompanhado da instalação sonora Constelação, criada pelo duo O Grivo, que explora ritmos, ruídos e estruturas mecânicas, lembrando uma espécie de cidade futurista precária, segundo a dupla.

Pinóquio como clássico: múltiplas interpretações (andar 19)
A galeria do andar 19 parte de uma premissa fundamental: Pinóquio é um clássico. Como definiu Ítalo Calvino, “um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer”. A exposição destaca essa permanência por meio de reflexões do próprio Ítalo Calvino e demais autores como Giorgio Manganelli, Umberto Eco, Giorgio Agamben e Alberto Manguel, que se dedicaram a analisar Pinóquio sobre diferentes óticas, ampliando as leituras possíveis sobre a jornada do personagem.

Em vídeos, a presença da primeira adaptação cinematográfica de Pinóquio, dirigida pelo cineasta italiano Giulio Antamoro em 1911, aparece ao lado das detalhadas ilustrações do também italiano Roberto Innocenti. O visitante observa ainda a diversidade cinematográfica de Pinóquios criados em diferentes países, até a versão recente de Guillermo del Toro (2022), na última montagem para a grande tela.

O espaço apresenta também esculturas em madeira do artista cearense Zé Bezerra – sete peças criadas a partir de troncos que evocam criaturas prestes a ganhar vida, gerando assim uma correlação direta com a história de Pinóquio. No núcleo do País dos Brinquedos, surgem cinco ilustrações do paulistano Alex Cerveny, para uma versão do livro lançada em 2012 pela editora Cosac Naify, além de gravuras do artista norte-americano Jim Dine.

Em referência a um dos momentos cruciais da história, a passagem pelo tubarão-baleia é representada pelas intensas ilustrações do renomado artista italiano Lorenzo Mattotti, que ilustrou em 2019 uma nova versão do livro de Ítalo Collodi. Nesta sala, haverá também uma instalação composta por madeira, objetos e projeção, reunindo um compilado de cenas de filmes de diferentes épocas e nacionalidades que retratam o momento em que Pinóquio é engolido pelo monstro marinho.

A última sala, num clima futurista-retrô, revela um espaço imersivo com projeções de códigos computacionais nas paredes. A instalação tecnológica tem pedaços do boneco se transformando em menino e uma composição com múltiplos monitores de TV que exibem cenas do filme “I.A. - Inteligência Artificial” (2001) de Steven Spielberg e trechos do capítulo final do livro de Collodi, gerando assim um diálogo e uma provocação entre as obras.

Ativação no Café do andar 26
De 19 de dezembro a 22 de fevereiro uma dupla de atores interpretando os personagens Pinóquio e Fada Azul estará sempre aos sábados e domingos no Café do Mirante, andar 26 do Farol Santander, para interagir e tirar fotos com os visitantes. A iniciativa propõe gerar ainda mais registros para a memória dos visitantes que passarem pelo Farol Santander São Paulo durante as férias.


Serviço
Exposição "As Aventuras de Pinóquio"
Até 22 de março de 2026
Local: Farol Santander São Paulo - Galerias do 20 e do 19
Endereço: Rua João Brícola, 24 - Centro / São Paulo
Funcionamento: Terça a domingo, das 9h00 às 20h00
Ingressos: R$ 45,00 (inteira) / R$ 22,50 (meia) - disponíveis pelo site farolsantandersaopaulo.com.br e na bilheteria local.

.: Heineken® recria o brinde de “O Agente Secreto” com a atriz Tânia Maria



Dona Tânia se junta à marca para fazer um brinde ao nosso cinema, celebrando a indicação e a vitória de seu longa às premiações internacionais. Foto: divulgação
 

O cinema brasileiro nunca esteve tão em alta como nos últimos tempos com a conquista de sua primeira estatueta no ano passado que parou o país em uma comemoração digna de Copa do Mundo. E neste clima de celebração, a Heineken® reforça sua conexão com a cultura e a socialização. Com a temporada de premiações de cinema, a marca convidou Tânia Maria – que deu vida à carismática Dona Sebastiana no longa “O Agente Secreto” – para recriar o brinde icônico do filme. Desta vez, o gesto celebra, não apenas uma cena memorável, mas também a força do cinema nacional, que conta nossas histórias e une os brasileiros em torno delas. Leia a crítica: "O Agente Secreto" é filmaço imperdível com a cara do Brasil.
 
A comunicação dessa parceria, criada pela LePub São Paulo, começou com Dona Tânia colocando para gelar suas cervejas Heineken® alguns dias antes do premiação. No último domingo, 11 de janeiro, dia da cerimônia, ela fez um brinde ao cinema brasileiro, que vem se destacando nos festivais internacionais. “Refazer esse brinde é muito especial para mim. É uma cena que marcou a minha carreira e agora ganha um novo significado: celebrar o talento brasileiro e brindar à cultura com uma verdinha”, comenta Tânia Maria. Leia a crítica: Furioso e envolvente, “O Agente Secreto” é a alegoria do tubarão.

Ficha técnica
O Agente Secreto”
Gênero: neo-noir, drama, suspense, thriller político. Classificação indicativa: 16 anos (no Brasil). Ano de produção: 2025. Idioma: português (também contém falas em outras línguas, incluindo alemão). Direção e roteiro: Kleber Mendonça Filho. Elenco: Wagner Moura, Tânia Maria, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Alice Carvalho, Udo Kier, Hermila Guedes, Isabél Zuaa e outros. Distribuição no Brasil: Vitrine Filmes. Duração: aproximadamente 158 minutos (cerca de 2h38min). Cenas pós-créditos: não.


Assista no Cineflix Cinemas mais perto de você
As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 2
13 e 14 de janeiro | Sessões em português | 16h30 e 19h40
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos/SP. Ingressos neste link.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

.: “Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” não "passa pano" para William Shakespeare


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Hamnet: a Vida Antes de Hamlet” é um filme desconcertante. Não apenas porque se constrói a partir de um vazio histórico, afinal, pouco ou quase nada se sabe sobre o menino que empresta o nome a uma das maiores tragédias da literatura ocidental, mas porque a obra parece desconfiar da própria ideia de redenção pela arte. E isso, em um filme sobre Shakespeare, soa quase como uma heresia. Bem-vinda seja.

Baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, best-seller internacional e um dos livros mais celebrados da década, publicado no Brasil pela editora Intrínseca, o longa-metragem não tenta competir com a literatura nem traduzi-la de forma ilustrativa. Prefere outra aposta: transformar o luto em experiência sensorial, ainda que isso custe ritmo, conforto e empatia imediata com o espectador.

Desde os primeiros minutos, a narrativa deixa claro que não se trata de um drama de fácil digestão. O ritmo é deliberadamente arrastado, por vezes quase sonolento, como se o filme quisesse impor ao público a experiência física do luto: o tempo que não passa e a espera por algo ruim que parece sempre à espreita. A tristeza é uma atmosfera quase palpável. Tudo é sombrio. Até as crianças carregam uma tensão fúnebre que antecipa a tragédia antes mesmo de ela se anunciar. Nesse ponto, há um mérito pouco comentado: o trabalho com o elenco infantil. As crianças estão muito bem dirigidas, sem afetação nem doçura excessiva. Em especial, Jacobi Jupe, no papel-título, entrega uma atuação rara para sua idade. Não é exagero afirmar que se trata de uma interpretação digna de atenção nas categorias de coadjuvante.

Ao centrar a narrativa em Agnes, vivida por Jessie Buckley, o longa-metragem faz uma escolha ética e estética decisiva. É ela quem permanece, quem sente, quem paga integralmente a conta emocional de um casamento marcado pela ausência masculina legitimada pelo trabalho. William Shakespeare surge despido de aura: é pai ausente, marido instável, homem que cobra coragem do filho, mas não a pratica quando a vida exige presença. Quando a dor atinge seu ponto máximo, ele não está. A desculpa é antiga, conhecida e confortável: é preciso trabalhar. O filme não passa pano, e esse é o gesto mais corajoso de "Hamnet". 

A tentativa de associar diretamente a morte de Hamnet à criação de "Hamlet" é tratada com uma ambiguidade precisa. O filme sugere, mas não absolve Shakespeare de jeito nenhum. A obra-prima nasce, sim, da culpa, da perda, do luto mal resolvido, mas isso não apaga a falha humana. Em "Hamnet", a arte não cura. No máximo, sublima. E mesmo essa sublimação soa insuficiente diante do abandono emocional imposto à mulher que atravessa tudo sozinha. O gênio não redime o pai.

Se o roteiro por vezes se estende além do necessário, a fotografia compensa. A relação entre o humano e a natureza  é muito natural: o parto na floresta, as raízes expostas, a terra, as plantas, os corpos infantis e adultos em contato direto com o mundo fora das paredes. Há uma delicadeza visual que contrasta com a dureza da história, e é na natureza que Hamnet encontra respiro.

É também nesse espaço que Jessie Buckley encontra espaço para construir uma atuação de grande impacto. Agnes é mãe, mulher, curandeira, figura quase mítica, mas profundamente concreta na dor. Está em um papel com forte cheiro de Oscar: intenso, físico e emocionalmente exaustivo. Ainda assim, uma edição mais rigorosa poderia ter evitado que o filme escorregasse para a monotonia. Paul Mescal está bem, mas "Hamnet" é, indiscutivelmente, o filme dela. É um longa-metragem que exige paciência e disposição, sem oferecer concessões ao público. Ao recusar o mito do gênio redimido pela obra, o filme escolhe olhar para aquilo que a história costuma apagar: quem ficou, quem sofreu em silêncio, quem nunca teve palco.

Ficha técnica
“Hamnet: A Vida Antes de Hamlet” | “Hamnet”
Gênero: drama histórico. Classificação indicativa: 14 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês. Direção: Chloé Zhao. Roteiro: Maggie O’Farrell e Chloé Zhao. Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal. Distribuição no Brasil: Universal Pictures. Duração: 2h05. Cenas pós-créditos: não.

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Cineflix Miramar | Santos
A partir do dia 15 de janeiro 
No Miramar Shopping | Rua Euclides da Cunha, 21 - Gonzaga - Santos/SP. Ingressos neste link.

.: “Mulher em Fuga” revive o drama da mãe do escritor francês Édouard Louis


Pedro Kosovski assina a adaptação inédita e Inez Viana dirige a montagem brasileira que conta com a participação do escritor francês Édouard Louis por meio de voz off. A estreia será em 15 de janeiro, no Sesc 14 Bis - Teatro Raul Cortez. Foto: João Pacca

Chega ao teatro brasileiro “Mulher em Fuga”, a primeira adaptação nacional de "Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher" e "Monique se Liberta", obras marcantes do escritor francês Édouard Louis que, até o momento, nunca haviam sido encenadas no país. A dramaturgia inédita é assinada por Pedro Kosovski, com direção de Inez Viana, atuação de Malu Galli e Tiago Martelli, que também é o idealizador do projeto, e coordenação geral de produção de Cícero de Andrade. A estreia nacional de “Mulher em Fuga” será em 15 de janeiro de 2026, no Sesc 14 Bis - Teatro Raul Cortez, onde fica em cartaz até o início de fevereiro. 

A narrativa da peça acompanha Monique, a mãe do autor, em diferentes momentos de sua vida: gesto literário ao mesmo tempo, íntimo e político, que expõe as engrenagens sociais que silenciam e subjugam mulheres da classe trabalhadora. Entre a luta e a libertação, o que vemos é uma mulher que insiste em recomeçar. E, nesse gesto, Monique se torna também o retrato de tantas mulheres brasileiras que, contra todas as adversidades, assumem a chefia de suas famílias e reinventam suas vidas. Édouard Louis participa da encenação “Mulher em Fuga” por meio de voz off, na cena em que ele e sua mãe conversam ao telefone.


“A história da minha mãe é a história de uma vida roubada e, portanto, também a história de uma juventude roubada, como foi a vida e a juventude de muitas mulheres e é por isso que me pareceu importante escrever este livro, rebelar-me contra isso.” – Édouard Louis


As duas obras literárias, centrais na trajetória de Édouard Louis, abordam a vida de sua mãe sob diferentes perspectivas: em "Lutas e Metamorfoses de Uma Mulher" (2021), Louis reconstrói a trajetória de sua mãe a partir do olhar do filho que testemunhou - muitas vezes à distância, outras de muito perto - um percurso marcado por pobreza, humilhações, trabalho exaustivo e um casamento abusivo. A obra narra o difícil caminho da metamorfose: o momento em que uma mulher decide romper com o ciclo de violência e buscar dignidade, liberdade e reconstrução. Louis transforma a memória íntima em gesto político, revelando como estruturas sociais moldam vidas e limitam possibilidades.

Já "Monique se Liberta" (2024) amplia essa narrativa ao devolver a palavra à própria protagonista. Pela primeira vez, Monique assume a autoria de sua história, descrevendo com força e lucidez o que significa sobreviver – e resistir – dentro de um sistema que silencia mulheres da classe trabalhadora. Ao narrar seus medos, perdas, estratégias e conquistas, ela reivindica o direito de existir para além das condições que lhe foram impostas. O livro funciona como um contraponto e uma resposta ao relato do filho, completando o movimento de emancipação que começou no primeiro volume.

A adaptação de Pedro Kosovski aproxima essas duas vozes - mãe e filho - em um gesto cênico que evidencia tanto o conflito quanto o afeto, a memória e a insurgência presentes na obra de Édouard Louis. Ao transpor essas narrativas para o teatro, o dramaturgo cria uma experiência sensorial e política que amplia o alcance dos livros, revelando suas potências dramáticas e sua urgência social.


“A dramaturgia planifica as tramas sobrepostas de duas obras literárias de Édouard Louis, cujo protagonismo está na relação ‘impossível’ que enlaça e desenlaça mãe e filho. Busquei a ação emocional da escrita autobiográfica de Louis, uma ação que rompe decisivamente com o estado de anestesia que muitas vezes marca existências em nossa sociedade. Entre dívidas e reivindicações, algo do impossível desse encontro entre mãe e filho pronuncia imperativamente um chamado emocional: é urgente que se façam sentir as existências neste mundo, apesar desse mundo.” – Pedro Kosovski

A direção sensível e precisa de Inez Viana potencializa essa dimensão íntima e política, construindo um espaço onde literatura e performance se encontram para iluminar temas urgentes do contemporâneo. Segundo a diretora, ao conduzir sua mãe para o centro da narrativa, Louis propõe um grito contra o sistema patriarcal que oprime e faz com que haja a naturalização da violência, que encontramos eco aqui e agora. 


“Através de sua ajuda para a terceira fuga de sua mãe, o filho tenta não só recuperar sua relação interrompida com ela, mas entende, e nós também entendemos, que a liberdade e o caminho não percorridos sempre poderão ser retomados, independentemente do tempo.” – Inez Viana


A montagem marca um encontro importante entre literatura contemporânea e cena teatral brasileira, propondo reflexões sobre violência de gênero, apagamento das histórias da classe trabalhadora e o poder das narrativas pessoais na construção da memória coletiva. Ao dar corpo, voz e movimento às palavras de Louis e de sua mãe, Kosovski transforma um relato íntimo em uma intervenção artística de grande impacto. Com Malu Galli e Tiago Martelli conduzindo a narrativa, a direção de Inez Viana oferece ao público uma experiência potente, que transforma a história pessoal de Monique em reflexão universal sobre emancipação, violência estrutural e a importância de reivindicar a própria voz.


“Monique é uma mulher comum: dona de casa, mãe de cinco filhos. E, como toda mulher comum, Monique é uma mulher extraordinária. Uma mulher com uma força gigantesca, um amor pela vida e uma coragem de leoa. Basta dar a ela a oportunidade de ser quem é para que todos possam comprovar isso. E, quando falamos de oportunidade, falamos de autonomia. E, quando falamos de autonomia, o dinheiro está sempre no centro.”
– Malu Galli

 
Idealizador do projeto, Tiago Martelli integra a criação artística desde sua origem, reforçando o caráter coletivo e visceral da proposta. “Na obra de Édouard Louis, encontrei uma narrativa que nos confronta com a coragem, a vulnerabilidade e a reinvenção de uma mulher que se recusa a desaparecer. Esta adaptação é um gesto de cuidado, um ato político e uma homenagem a todas as mulheres que lutam para reconquistar suas próprias vozes.” – Tiago Martelli


A estreia de “Mulher em Fuga” marca um capítulo inédito na circulação da obra de Édouard Louis no Brasil, revelando a força teatral de textos que combinam precisão política, ferocidade afetiva e profunda humanidade.

 
Ficha técnica
Espetáculo "Mulher em Fuga"
Autor: Édouard Louis
Dramaturgia: Pedro Kosovski
Direção artística: Inez Viana
Elenco: Malu Galli e Tiago Martelli
Assistência de direção: Lux Nègre
Cenografia: Dina Salem Levy
Cenógrafa assistente: Alice Cruz
Desenho de luz: Aline Santini
Trilha sonora: Felipe Storino
Figurino: Ticiana Passos
Orientação de movimento: Denise Stutz
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografia: João Pacca
Designer: Opacca e Fernando Vilarim
Operador de luz: Paulo Maeda
Operador de som: Cauê Andreassa
Direção de produção: Gabriela Morato | Associação Sol.te
Coordenação geral de produção: Cícero de Andrade | Mosaico Produções
Produção: Dani Simonassi, Tiago Martelli, Matheus Ribeiro, Thais Cairo
Idealização: Tiago Martelli


Serviço
Espetáculo "Mulher em Fuga"
Estreia em 15 de janeiro, quinta-feira, às 20h
Temporada: 15 de janeiro até 8 de fevereiro. Quintas, sextas e sábados às 20h e domingos às 18h. 
Sesc 14 Bis – Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285 – 2º andar - Bela Vista / São Paulo
Próximo ao Metrô Trianon-Masp (Linha 2 - Verde)
Telefone: (11) 3016-7700
Ingressos: R$ 70,00 (inteira), R$ 35,00 (meia entrada) e R$ 21,00 (credencial)
Acessibilidade: Libras nos dias 29, 30, 31/jan. e 1/fev., e audiodescrição nos dias 31/jan. e 1/fev.
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos

.: "Família de Aluguel" alerta sobre o risco emocional de relações contratuais


Por 
Helder Moraes Miranda, jornalista e crítico de cultura, editor do portal Resenhando.com.

“Família de Aluguel” diz muito sobre a solidão de hoje, mas não sucumbe à tentação de transformar esse vazio, tão sintomático da sociedade contemporânea, em espetáculo melodramático. O filme começa como um cinema de frestas, evocando inevitavelmente "Janela Indiscreta", de Alfred Hitchcock: apartamentos minúsculos no Japão, famílias em convivência silenciosa, moradores solitários observando o mundo do lado de dentro. É nesse cenário que se constrói uma narrativa sobre relações que começam com um contrato e terminam como risco emocional. 

Trata-se, sem dúvida, do trabalho mais afetivo de Brendan Fraser. Não porque ele esteja “contido” ou “sensível” em contraste com os blockbusters que protagonizou no passado, mas porque o filme o empurra para um território desconfortável: o de um homem que começa interpretando tristeza e, no meio do caminho, percebe que já não está mais fingindo nada.

Phillip, personagem de Fraser, é um ator americano no Japão que já conheceu algum sucesso em comerciais, mas que, em uma fase difícil da carreira, passa a ganhar a vida preenchendo lacunas emocionais alheias. Torna-se um pai postiço aqui, um jornalista “de mentirinha” ali, um amigo que joga videogame com outro marmanjo acolá. Nesse jogo de relações provisórias, convence tão bem os outros que acaba se confundindo com o próprio papel - um ator tão eficiente que se perde na própria atuação.

O Japão apresentado pelo filme está longe de ser cartão-postal ou curiosidade exótica. Ele aparece nas rotinas, nos rituais discretos, no respeito aos ancestrais, na relação silenciosa com a natureza e no valor quase ético da lealdade, mesmo quando tudo é provisório. A direção de Hikari, pseudônimo de Mitsuyo Miyazaki, aposta na delicadeza como forma de tensão: os conflitos não explodem, mas podem ser revelados a qualquer momento, como segredos que ameaçam escapar e prejudicar muito a vida de alguém.

O elenco de apoio sustenta essa engrenagem com precisão. Shannon Mahina Gorman, que vive a “filha que não sabe que não é filha” de Phillip, é extremamente cativante, sem jamais recorrer ao excesso. Outro destaque é Mari Yamamoto, que interpreta a profissional da agência como um eixo moral ambíguo: administra mentiras com a naturalidade de quem sabe que, às vezes, elas são o único modo possível de sobrevivência, mesmo quando isso cobra um preço físico e emocional durante a execução do trabalho.

Há um contraste evidente entre a cultura estadunidense, mais direta e individualista, e a japonesa, marcada pelo não-dito, pelo gesto mínimo e pela reverência ao passado. O filme nunca escolhe um lado. Apenas coloca esses mundos em fricção e observa o que sobra. “Família de Aluguel” fala, no fundo, sobre tentar consertar a vida com as ferramentas que se têm, ainda que elas sejam frágeis, improvisadas ou emprestadas.


Ficha técnica
“Família de Aluguel” | “Rental Family”

Gênero: comédia dramática. Classificação indicativa: 12 anos. Ano de produção: 2025. Idioma: inglês e japonês. Direção: Hikari. Roteiro: Hikari e Stephen Blahut. Elenco: Brendan Fraser, Takehiro Hira, Akira Emoto, Mari Yamamoto, Shannon Mahina Gorman. Distribuição no Brasil: Searchlight Pictures. Duração: 1h50. Cenas pós-créditos: não.

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As principais estreias da semana podem ser assistidos na rede Cineflix CinemasPara acompanhar as novidades da Cineflix mais perto de você, acesse a programação completa da sua cidade no app ou site a partir deste link. No litoral de São Paulo, as estreias dos filmes acontecem no Cineflix Santos, que fica no Miramar Shopping, à rua Euclides da Cunha, 21, no Gonzaga. Consulta de programação e compra de ingressos neste link: https://vendaonline.cineflix.com.br/cinema/SANO Resenhando.com é parceiro da rede Cineflix Cinemas desde 2021.

Cineflix Miramar | Santos | Sala 3
Até dia 14 de janeiro | Sessões legendadas | 15h50 e 21h00
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.: "A Baleia" estreia temporada no Teatro Sabesp Frei Caneca


Espetáculo que inspirou o filme vencedor do Oscar com Brendan Fraser, chega ao Teatro Sabesp Frei Caneca com Emílio de Mello dirigido por Luís Artur Nunes, em uma história sobre isolamento, afeto, homofobia e reconciliação familiar. Foto: Ale Catan

Após estrear no Rio de Janeiro e circular por Recife, João Pessoa, Belo Horizonte, Angra dos Reis, Nova Iguaçu, Goiânia e Brasília, "A Baleia" chega a São Paulo para temporada no Teatro Sabesp Frei Caneca, de 23 de janeiro a 1º de março de 2026. A montagem tem direção e tradução de Luís Artur Nunes e tem no elenco Emílio de Mello como Charlie, ao lado de Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e participação especial de Alice Borges. A obra, que aborda temas como isolamento e reconexão, ganhou ainda mais notoriedade com sua adaptação para o cinema em 2022. O filme, dirigido por Darren Aronofsky e estrelado por Brendan Fraser, rendeu ao ator o Oscar de Melhor Ator em 2023, por sua emocionante interpretação.

A complexidade emocional do protagonista também se revela em sua trajetória íntima: homossexual, ele viveu um relacionamento amoroso marcado por perdas profundas, que influenciaram diretamente seu estado de saúde e isolamento. Essa camada da narrativa, tratada com sensibilidade e profundidade pelo texto de Samuel D. Hunter, confere à peça um olhar atento sobre temas como afeto, intolerância religiosa, sexual e acessíveis, ampliando o alcance da montagem e estabelecendo um diálogo potente com o público LGBTQIA+.

O projeto foi lançado no Brasil com o ator José de Abreu no papel de Charlie, em parceria com Nunes, com quem já havia trabalhado em montagens como o monólogo "Fala, Zé!" e "A Mulher Sem Pecado", de Nelson Rodrigues. Depois de iniciar a circulação nacional do espetáculo, José de Abreu se despediu da montagem para cumprir compromissos já assumidos com uma série para o audiovisual; a temporada paulistana marca a chegada de Emílio de Mello ao personagem, dando continuidade ao percurso da peça nos palcos.

A versão teatral brasileira promete trazer ao palco a mesma intensidade dramática que consagrou a história no teatro e no cinema. “Foi um verdadeiro presente receber esse texto”, afirma o diretor. “Eu já havia gostado muito do filme, mas me apaixonei pelo texto teatral de Samuel D. Hunter. A dramaturgia é de excelência, construída no modo realista, mas com uma estrutura de grande modernidade. ‘A Baleia’ não segue uma linha narrativa tradicional, é uma espécie de narrativa em mosaico, cujos fragmentos se articulam num todo surpreendentemente coerente”.

Luís Artur ressalta ainda os temas abordados: “A peça nos fala de intolerância religiosa, homofobia, culpa, reconexão e empatia, sempre a partir de personagens humanos, complexos e cheios de contradições. É um material encharcado de emoção, e foi impossível não encarar esse desafio. Felizmente, estive cercado de um elenco extraordinário e de uma equipe artística e técnica da mais alta qualidade”.

Para materializar em cena um personagem de quase 300 quilos, a produção desenvolveu um trabalho de caracterização específico, que inclui prótese facial, figurino com enchimento e recursos de climatização, em criação assinada pelo figurinista Carlos Alberto Nunes e pela visagista Mona Magalhães. A ambientação de Charlie é construída pela cenógrafa Bia Junqueira, pela iluminação de Maneco Quinderé e pela trilha sonora de Federico Puppi, que ajudam a aproximar o público de um cotidiano marcado por excesso de peso, mas também por excesso de silêncios e não ditos. 

O espetáculo é apresentado pelo Ministério da Cultura e tem o patrocínio da Caixa Residencial, seguradora que oferece soluções de seguros de moradias. Com o propósito de ampliar o acesso à cultura, a Caixa Residencial tem valorizado a realização de projetos que destacam o impacto social, conectando experiências teatrais a diversos brasileiros, em diferentes regiões do país.  

Samuel D. Hunter é um dramaturgo norte-americano conhecido por obras que exploram temas de isolamento, redenção e fragilidade humana, muitas vezes ambientadas em pequenas cidades dos Estados Unidos. A Baleia (The Whale), uma de suas peças mais aclamadas, estreou em 2012 e recebeu elogios pela sensibilidade com que aborda a história de um professor de inglês recluso e com obesidade severa que tenta se reconectar com sua filha adolescente.

Ficha técnica
Espetáculo "A Baleia". Texto: Samuel D. Hunter. Tradução e Direção: Luís Artur Nunes. Elenco: Luisa Thiré, Gabriela Freire e Eduardo Speroni. Participação especial: Alice Borges. Coordenação Artística: Felipe Heráclito Lima. Cenário: Bia Junqueira. Figurino: Carlos Alberto Nunes. Iluminação: Maneco Quinderé. Trilha Sonora: Federico Puppi. Visagismo:  Mona Magalhaes. Preparação Corporal: Jacyan Castilho. Preparação Vocal: Jane Celeste. Desenho Gráfico: Cadão. Fotografia: Ale Catan. Mídia Social: Lab Cultural. Assessoria de imprensa: Adriana Balsanelli e Renato Fernandes. Direção de Produção: Alessandra Reis. Coordenação de Produção: Wesley Cardozo. Produção Executiva: Cristina Leite. Lei de Incentivo: Natália Simonete. Produtores Associados: Alessandra Reis e Felipe Heráclito Lima.

Serviço:
Teatro Sabesp Frei Caneca
Temporada: 23 de janeiro até 1º de março 2026
Horário: Sextas e sábados às 20h e domingo às 19h.

Ingressos
Plateia Baixa – R$ 160 (inteira) / R$ 80 (meia-entrada)
Plateia – R$ 140 (inteira) / R$ 70 (meia-entrada)
Plateia Alta – R$ 120 (inteira) / R$ 60 (meia-entrada)
Plateia Popular – R$ 50 (inteira) / R$ 25 (meia-entrada)
Desconto Caixa Residencial: clientes CAIXA Residencial têm 50% de desconto na compra de até dois (2) ingressos. 
Desconto: Para clientes Caixa Residencial e Vivo Valoriza
Bilheteria: https://uhuu.com

Duração: 100 minutos.
Classificação: 14 anos. Menores de 18 anos, somente poderão entrar acompanhados dos pais ou responsáveis e crianças até 24 meses de idade que ficarem no colo dos pais, não pagam.

.: Vanguart se apresenta no próximo domingo, dia 18, no Teatro Liberdade


Helio e Reginaldo sobem ao palco acompanhados por Tetel di Babuya (violino), Bianca Predieri (bateria) e Rafael Stanguini (guitarra e teclado), além da participação especial de Lígia Cardoso na flauta. Foto: Andrei Moyssiadis

No próximo domingo, dia 18 de janeiro, o Teatro Liberdade, em São Paulo, recebe o show da turnê de lançamento do novo álbum do Vanguart, “Estação Liberdade” (Deck / 2025). O show conta com um setlist especial das faixas do disco apresentadas ao vivo. “Estação Liberdade” apresenta o repertório mais forte já assinado por Helio Flanders e Reginaldo Lincoln, atual formação do Vanguart, até hoje. Com reflexões sobre partidas e chegadas, vida e morte, sonhos e a dureza do cotidiano, o álbum se constrói como uma metáfora de uma longa viagem de trem, marcada por seus sabores e dissabores, sorrisos e melancolias.

Entre os destaques do álbum que poderão ser assistidos ao vivo no show estão “Luna Madre de La Selva”, que resgata a latinidade cuiabana dos primeiros trabalhos, “O Mais Sincero”, marcada pelo apelo pop que remete aos grandes hits da banda, a lúdica “Rodo o Mundo Todo no Meu Quarto”, e “Pedaços de Vida”, o momento mais denso do disco, além dos singles “A Vida É Um Trem Cheio de Gente Dizendo Tchau” e a faixa-título “Estação Liberdade”. A banda também irá revisitar faixas marcantes da carreira, como “Demorou Pra Ser”, “Meu Sol” e “Nessa Cidade”.

Os shows de lançamento em São Paulo e no Rio, no final do último ano, foram um sucesso e reuniram fãs de todas as fases da banda para cantar os sucessos antigos e os novos trabalhos da dupla. No dia 18 de janeiro, no Teatro Liberdade, Helio e Reginaldo sobem ao palco acompanhados por Tetel di Babuya (violino), Bianca Predieri (bateria) e Rafael Stanguini (guitarra e teclado), além da participação especial de Lígia Cardoso na flauta. A apresentação promete repetir a energia e entregar mais uma noite histórica e imperdível.


Serviço
Show Vanguart
Domingo, dia 18 de janeiro, às 20h00
Teatro Liberdade - R. São Joaquim, 129, São Paulo - São Paulo
Ingressos: Sympla

.: Vereda apresenta show em tributo ao Moacir Santos no Sesc 24 de Maio


Liderados pelo contrabaixista Sizão Machado, quarteto celebra um dos grandes nomes da música brasileira. Foto: divulgação

O teatro do Sesc 24 de Maio recebe o quarteto Vereda, dia 17 de janeiro. O show ocorre com o objetivo de compartilhar a essência e influência de Moacir Santos, maestro e multi-instrumentista de Pernambuco. Unidos desde 2023, o quarteto, inicialmente como trio, teve a ideia de juntar músicas autorais dos integrantes e compartilhar repertórios em comum, seja da música brasileira ou do jazz, com autores como Tom Jobim, Keith Jarrett e McCoy Tyner. 

O grupo é composto por: Sizão Machado no contrabaixo, Edson Sant’anna no piano, Sérgio Coelho no trombone e Bruno Migotto na bateria. Uma das principais características da banda é a abertura para a improvisação e espontaneidade no palco. O tributo à Moacir Santos serve para reconhecer a soma de seus inúmeros feitos na cena musical. Ele trabalhou com Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes e Lynda Laurence, além de lançar discos e produzir trilhas sonoras para o cinema. Sua música foi altamente estimada no Brasil e nos Estados Unidos, onde veio a falecer, em 2006.


Serviço
Show do quarteto "Vereda"

Sábado, dia 17 de janeiro, às 20h00
Sesc 24 de Maio, Rua 24 de Maio, 109, São Paulo - 350 metros da estação República do metrô
Classificação: 12 anos
Ingressos: sescsp.org.br/24demaio ou através do aplicativo Credencial Sesc SP - R$ 50,00 (inteira), R$ 25,00 (meia-entrada) e R$ 15,00 (Credencial Sesc).
Duração do show: 90 minutos
Serviço de van: transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h00 às 23h00, e aos domingos e feriados, das 18h00 às 21h00

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